INTRODUÇÃO
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A
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ntes de
escrever este capítulo, assisti a uma reportagem sobre a droga do momento nos
Estados Unidos. Segundo a matéria, o adderall, que a princípio era prescrito
aos pacientes com déficit de atenção, começou a ser usado sem qualquer critério
pelos que, coagidos profissionalmente, não se conformam com os próprios
limites. Esse psicoestimulante, que tem em sua fórmula diversos sais de
anfetamina, é venerado como a pedra mágica do sucesso.
Pelo que pude inferir da reportagem,
essa droga, tão deletéria como a cocaína e o LSD, não deveria sequer ter sido
fabricada. Então, como recomendá-la a uma criança que sofre daquilo que,
modernamente, é chamado de déficit de atenção? Será que não há alternativas
espirituais e afetivas para um tratamento, que ainda não alcançou os resultados
expectados por seus pais e mestres?
Lamentavelmente, muitos obreiros do
Senhor, constrangidos por convenções e ministérios, que exigem de seus
afiliados metas cada vez mais ousadas e empresariais, viciam-se nesses “santos”
remédios. Hoje, tomam o adderall. Amanhã, ingerem a anfetamina. E, depois, sem
o perceberem, deixarão aprisionar-se pelo álcool, pela maconha e até pela
cocaína. O que escrevo pode soar estranho aos ouvidos dos santos; infelizmente,
essa é a realidade. Haja vista os casos de suicídio entre pastores.
O
que parecia inadmissível no arraial dos santos já se faz banal e corriqueiro.
Ao fazer tais considerações, lembrei-me
de Nadabe e Abiú, que, como vimos no capítulo anterior, foram mortos pelo
Senhor no limiar do lugar santíssimo do Tabernáculo. Se atentarmos ao contexto
do Levítico, seremos levados a acreditar que ambos, ao adentrarem a Casa de
Deus, achavam-se embriagados.
I.
A
FEITIÇARIA NO MINISTÉRIO SAGRADO Sempre vi os obreiros de Cristo como autênticos homens de
Deus. Hoje, porém, alguns se acham a praticar a feitiçaria; outros já são
velhos e experimentados feiticeiros. Infelizmente, essa é a realidade; não
podemos minimizá-la. Corrigi-la, sim; ignorá-la, jamais. Nas linhas a seguir,
identificaremos em que sentido a feitiçaria adentrou o santo ministério.
1. A feitiçaria como obra da carne. Ao
enumerar as obras da carne, Paulo inclui a feitiçaria:
Ora,
as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,
idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias,
dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a
estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que
não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. (Gl 5.19-21, ARA)
Qualquer um desses pecados é suficiente
para lançar-nos no lago de fogo. Contudo, para mantermos as aparências e a
reputação ministerial, evitamos a prostituição formal, a idolatria explícita
(mas as implícitas, não), as discórdias em determinados momentos e as divisões
em algumas instâncias. Todavia, damo-nos às bebedices (sempre às escondidas),
às glutonarias e às santas porfias. E, sem o sabermos, pomo-nos também a
praticar a feitiçaria.
Este último pecado nem é conhecido entre nós;
julgamo-lo próprio dos bruxos e daquelas senhoras feias e velhas que, à beira
de seus caldeirões, deleitam-se a fazer poções e a inventar novos elixires. Se
nos concentrarmos, porém, na palavra do apóstolo, talvez descubramos que não
estamos muito longe de um bruxo bretão ou de uma feiticeira druída.
De acordo com Paulo, a feitiçaria é uma
das obras da carne. Se formos ao original grego, veremos que a palavra
“feitiçaria” provém do vocábulo grego pharmakeia, que significa não apenas
bruxaria e artes mágicas, mas igualmente drogas, tóxicos, venenos e peçonhas.
Caso avancemos na exegese desse termo, constataremos que ele se acha
intimamente relacionado à idolatria. Haja vista o que ocorria nos templos dos
deuses egípcios, cananeus, babilônios, gregos, romanos e nórdicos.
Não precisamos viajar no tempo, a fim de
assistir a uma celebração idolátrica regada a drogas e a peçonhas. Em certas
regiões do Brasil, substâncias alucinógenas, como o santo-daime, são
administradas livremente aos seus adeptos. A partir daí, o ser humano, já sem
autodomínio, dar-se-á a todos excessos e desregramentos.
Conclui-se, pois, que toda composição
química criada para alterar a personalidade humana é, na verdade, o resultado
de uma das mais nocivas obras da carne: a feitiçaria. Entre esses produtos,
podemos alistar o adderall, a anfetamina, o LSD, a cocaína, a heroína, a
maconha e alguns medicamentos vendidos livremente nas farmácias. À luz das
Sagradas Escrituras, todo isso não passa de obra das trevas.
No período do Anticristo, haverá um consumo
global de psicotrópicos (Ap 9.21). Por que o homem do pecado investirá tanto
nessa área? A resposta está nesta passagem do livro da Revelação, na qual o
autor sagrado descreve a queda da capital do reino de Satanás: “Também jamais
em ti brilhará luz de candeia; nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se
ouvirá, pois os teus mercadores foram os grandes da terra, porque todas as
nações foram seduzidas pela tua feitiçaria” (Ap 18.23, ARA). Sim, o Anticristo
usará massivamente as drogas, objetivando seduzir os moradores da terra. E,
assim, ser-lhe-á mais fácil induzi-los às suas mentiras e falsos milagres.
Já imaginou drogar o mundo todo? Hoje, as
ideias de ditadores e tiranos, como Stalin e Hitler, ainda logram escravizar
seus povos por meio de um marketing imoral, sórdido, caluniador, mentiroso e
desumano. No entanto, pelo que sabemos, nenhum deles conseguiu viciar toda uma
população. O mais perto que se chegou disso foi na Alemanha Nazista.
Na
ânsia pelo soldado perfeito, os generais de Adolf Hitler obrigavam seus
exércitos a ingerirem metanfetaminas. E, dessa forma drogados, os combatentes
eram capazes de caminhar por três dias seguidos sem necessidade alguma de
comida, água ou sono. Ao mesmo tempo, era-lhes tirada toda a empatia que um
guerreiro deve ter em relação ao adversário no campo de batalha.
Voltando ao texto do Apocalipse,
observamos que, em ambas as passagens acima citadas (9.21 e 18.23), o autor
sagrado usou sabiamente o vocábulo pharmakeia.
Portanto, sempre que fazemos uso de uma
substância que nos altere a personalidade, incitando-nos a ultrapassar os
limites que Deus nos estabeleceu, compactuamos com as obras infrutuosas das
trevas. Eis porque muitos obreiros, entregando-se à feitiçaria moderna,
tornaram-se eles mesmos bruxos. Palavra forte? Infelizmente, retrata a
realidade de alguns segmentos do mundo evangélico atual; estamos no final dos
tempos; dias mais difíceis e mais trabalhosos estão por vir.
2. Obreiros bruxos. Em Apocalipse 21.8 (ARA), somos
advertidos seriamente: “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos
abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a
todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e
enxofre, a saber, a segunda morte”.
Na
leitura desse versículo, temos um fato bastante revelador. Nas passagens
anteriores (Ap 9.21 e 18.23), observamos que, no período do Anticristo, a
feitiçaria
será largamente difundida, gerando uma população global de viciados e
dependentes químicos. E, agora, no final desse mesmo período, grande parte dos
viciados torna-se não apenas dependentes, mas adoradores dos alucinógenos;
químicolátricos.
De que forma alguém passa de vítima
dessa feitiçaria escatológica a feiticeiro? Para se alcançar tal status, na
hierarquia do pecado e da iniquidade, não é necessário percorrer um longo
caminho. Basta alguém ingerir um comprimido de adderall para encontrar um
atalho aqui, um trilho ali e, mais além, uma pinguela. Nessa obra da carne,
desvios e transvios não faltam; são perigosamente abundantes.
Sob o efeito de um desses
psicoestimulantes, o obreiro constatará que, de fato, poderá cumprir seus
afazeres convencionais e ministeriais com mais desenvoltura e ousadia. Se
antes, tinha ele receio ou temor de ferir este ou de machucar aquele, agora, ignora
barreiras morais e éticas; despreza até a mesma Escritura.
No dia seguinte, nem fará o seu
devocional. Orar e ler a Bíblia, para quê? Santo adderall resolverá tudo. E se
aparecer algum improviso, é só invocar a santa anfetamina. A essa altura, o
ministério ser-lhe-á uma corporação como outra qualquer, onde todos, competindo
até as raias do inferno, tudo farão para bater suas metas e alcançar suas
cotas. Com tanta feitiçaria, por que buscar a virtude do Espírito Santo?
Já temos, aí, um autêntico feiticeiro.
Esse pobre ministro não apenas tornou-se toxicodependente, mas ardoroso
defensor dessas malditas químicas; idolatra-as; não pode viver sem elas. Sempre
que possível, preceitua-as a algum colega menos avisado.
Se você, querido irmão, encontra-se
enredado nessa obra infrutuosa das trevas, reconsidere suas atitudes;
arrependa-se e volte ao primeiro amor.
O
que nos sustenta é a fé em Jesus Cristo. NEle, tudo podemos. E, de acordo com a
sua vontade, operamos o impossível. Se lermos o capítulo 11 da Epístola aos
Hebreus, constataremos que nenhum daqueles heróis fez uso de qualquer
substância ilícita para comprimir o seu ministério. Mas, cheios do Espírito
Santo “subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a
boca de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da
fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga
exércitos de estrangeiros” (Hb 11.33,34, ARA).
Dissemos que o uso de psicoestimulantes
induz-nos à feitiçaria. Daí à condição de feiticeiro basta um passo. Mas como
descrever o feiticeiro no contexto do Novo Testamento? Voltemos a Apocalipse
21.8. Aqui, o substantivo “feiticeiro” é representado pelo vocábulo grego
pharmakeus, que contempla esta descrição: aquele que prepara e usa remédios
tidos como mágicos. Não se trata, pois, de um prestidigitador que, nos
picadeiros, engambelam os expectadores com a habilidade das mãos e com a
esperteza dos dedos. Trata-se de alguém que se entregou de corpo e alma às
drogas.
O
feiticeiro é o que prepara e consome drogas. Um obreiro nessas condições é, de
fato, um feiticeiro; fez-se pior do que Elimas, o mágico.
Agora, precisamos voltar ao caso
específico de Nadabe e Abiú. Já que falamos nas drogas químicas e ardilosamente
sintetizadas, como tratar o vinho?
II. O VINHO NA HISTÓRIA SAGRADA
Nas Sagradas Escrituras, o vinho, juntamente
com o pão e o azeite, é visto como bênção de Deus (Os 2.22). Aliás, o vinho era
usado até mesmo como remédio (Lc 10.34). No entanto, o seu mau uso levou homens
santos a cometerem escândalos, torpezas e até crimes. Haja vista os casos de
Noé, Ló e Davi.
1.
A embriaguez de Noé. Após o Dilúvio, Noé voltou-se ao
ofício de lavrador, e pôs-se a plantar uma vinha (Gn 9.20). E, após ter
preparado o seu vinho, bebeu-o até embriagar-se. Já fora de si, desnudou-se,
expondo-se vergonhosamente em sua tenda (Gn 9.20-29). A intemperança do
patriarca trouxe-lhe sérios problemas familiares.
O
álcool foi capaz de transtornar até mesmo um dos três homens mais piedosos da
História Sagrada (Ez 14,14). É por isso que devemos precaver-nos quanto aos
seus efeitos (Pv 20.1; 23.31).
Num devocional já antigo, li acerca de um
pastor que, após embebedar-se numa reunião social, acordou num quarto que não
era seu, numa cama que não lhe pertencia e ao lado de uma mulher longe de ser a
sua querida esposa. Bastou-lhe alguns minutos de intemperanças e
desregramentos, para que perdesse tudo o que amealhara ao longo de abençoadas
décadas de ministério.
Declara o salmista que bem-aventurado é
o homem que não se assenta na roda dos escarnecedores. Aqui, entre cervejas,
licores e cachaças, nada é proibido. Já nos primeiros goles caem as barreiras
da moral e da ética. Nos segundos, olvidar-se até mesmo a santíssima fé.
Depois, enfileiram-se as concupiscências, discórdias, valentias e sujidades. O
que antes era um obreiro venerável não passa, agora, de um vil contador de
piadas. Com olhares lúbricos, cobiça essa mulher, almeja aquela moça e, mais
adianta, corteja aqueloutra donzela. Que atitude indigna de um homem, que, no
domingo anterior, pregara sobre a “santificação, sem a qual ninguém verá o
Senhor”.
Em algumas culturas evangélicas, o
vinho é usado livremente. Alguns o tomam com moderação. Outros, entretanto,
descontrolam-se; embriagam-se; esborracham-se como os filhos das trevas. Não
bastassem os males espirituais, morais e éticos, há também os problemas
físicos. Quando a mim, prefiro a cautela dos recabitas à ousadia de certos
obreiros que, fundados numa certa liberdade cristã, acham que todas as coisas
lhe são lícitas. Esquecem-se eles de que nem todas nos convêm.
2.
A devassidão das filhas de Ló. Dizendo-se preocupadas com a
descendência do pai, as filhas de Ló embebedaram-no em duas ocasiões (Gn
19.31,32). Em seguida, tiveram relações com o próprio pai, gerando dois povos
iníquos (Gn 19.33-38). Quem se entrega ao vinho está sujeito às dissoluções (Ef
5.18). Já imaginou um obreiro de Cristo em semelhante situação?
Muito se fala, no Brasil, sobre violência
doméstica e abuso infantil. O que muita gente não sabe é que tais coisas também
são ocasionadas pelo álcool. O que esperar de um pai bêbado? Ou de uma mãe
embriagada? Depois que o álcool chega ao cérebro, abre-se as portas à
violência, à permissividade e a todo tipo de atos impensáveis.
Eu não gostaria de ver um obreiro do
Senhor numa situação igual ou semelhante à de Ló. O homem que se resguardara
dos vícios de Sodoma e de Gomorra, não soube como resguardar-se diante do
vinho. Para se evitar tais males e desgraças, só existe um caminho: a
abstinência.
3.
O vinho como instrumento de corrupção. Para encobrir o seu adultério com
Bate-Seba, o rei Davi convocou Urias, que estava na frente de batalha,
embriagou-o, e induziu-o a deitar-se com a esposa adúltera e já grávida (2 Sm
11.13). Se o seu plano houvesse dado certo, aquela criança ficaria na conta de
Urias, o heteu.
A que ponto chega um homem fora da
orientação do Espírito Santo. O rei e pastor de Israel usou o vinho para
corromper um de seus heróis mais celebrado. Uma reunião de obreiros não pode
ser regada a vinho; tem de ser dirigida pelo Espírito Santo.
Que os encontros de pastores,
evangelistas, presbíteros e diáconos sejam marcados pela comunhão, fraternidade
e profunda concórdia. E que, no final dos trabalhos, possamos declarar como os
santos apóstolos: “Pareceu bem a nós e ao Espírito Santo”. Mas isso só
acontecerá se, abstendo-nos do vinho, enchermo-nos do Divino Consolador.
Se o vinho é tão nocivo e deletério,
por que foi usado pelos levitas, no Antigo Testamento, e pelos santos
apóstolos, no Testamento Novo? Antes de adentrarmos o próximo tópico,
consideremos esta proposição: tudo o que existe pertence ao Senhor; logo, deve
Ele ser glorificado por todas as coisas.
Aos olhos de
Deus, tudo é precioso, inclusive o vinho. Vejamos o que Ele ordenará no período
da Grande Tribulação: “E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres
viventes dizendo: Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada
por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho” (Ap 6.6, ARA).
III. O VINHO NO OFÍCIO DIVINO
O vinho, por
simbolizar as bênçãos de Deus, foi usado no Antigo Testamento como oferenda ao
Senhor e, no Novo Testamento, serviu para simbolizar o sangue de Cristo.
Todavia, a Palavra de Deus faz sérias advertências quanto ao seu uso.
1.
No Antigo Testamento. Em sua oferta de manjares ao Senhor, os israelitas
faziam-lhe também a libação de um quarto de him de vinho (Lv 13.13). Nessa
oferenda, o adorador reconhecia que tudo quanto existe pertence ao Senhor. Em
razão disso, deveria usar de forma santa e responsável tudo que Ele nos deixou
(Pv 20.1).
Quanto aos ministros do altar, eram
severamente advertidos sobre o uso do vinho. Leia com atenção Levítico 10.8-11.
Essa passagem deve ser aplicada também a nós. Tanto ontem quanto hoje, o álcool
pode levar-nos à ruína.
É bem provável que Nadabe e Abiú,
julgando-se acima de recomendações e preceitos, vinham abusando do álcool. E,
assim, de abuso em abuso, e já desconsiderando a santidade de Jeová,
adentraram-lhe a Casa sem o fogo apropriado à queimação do incenso. Se isso
realmente aconteceu, que deprimente espetáculo não representaram eles. Já
imaginou dois obreiros embriagados, trôpegos e resmungando com voz pastosa as
fórmulas e credos sagrados? Imagine ambos, agora, cambaleando entre o
candelabro e a mesa dos pães da apresentação. Se tropeçassem diante do altar do
incenso, cairiam no Santo dos Santos.
Retornemos à nossa realidade. Evoquemos a
imagem de um pastor embriagado a batizar ou a ministrar a Santa Ceia. O que o
rebanho, sempre atento e observador, dir-nos-á em semelhantes situações? Que o
Senhor Jesus nos guarde das intemperanças e desregramentos. Jesus, tem
misericórdia de nós. Santifica-nos. Queremos chegar à Jerusalém Celeste.
2.
No Novo Testamento. O primeiro milagre de Jesus foi
transformar água em vinho (Jo 2.1-11). E, ao instituir a Santa Ceia, Ele fez
uso desse mesmo produto, a fim de simbolizar o seu sangue redentor (Mt
26.26-30). Desde então, a Igreja de Cristo vem utilizando o fruto da vide para
oficiar a sua maior celebração: a Ceia do Senhor (1 Co 11.23-32).
O que dizer do primeiro milagre do
Senhor? O vinho que Jesus fez surgir da água era vinho ou um mero suco de uva?
A Escritura não comporta dúvidas; era vinho de excelente qualidade. Mas da
narrativa sagrada, inferimos que, naquelas bodas, ninguém se embriagou; os que
presenciaram o milagre vieram a crer que Jesus era, de fato, o Salvador do
mundo e Messias de Israel.
3. Advertência quanto ao uso do
vinho. Se, por um
lado, o vinho é utilizado para adorar a Deus, por outro, ele pode ser usado
igualmente para trazer escândalos e levar-nos a desvios espirituais, morais e
éticos. Eis porque devemos considerar as recomendações que nos fazem as
Escrituras (Pv 21.17; 23,20; Tt 2,3).
Diante das recomendações da Palavra de
Deus, como proceder? Sejamos moderados e sóbrios. À semelhança dos recabitas,
abstenhamo-nos do álcool. Leia com atenção o capítulo 35 de Jeremias. Que o
exemplo daqueles homens cale-se profundamente em nossa alma.
IV. MINISTROS CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO
Tendo em
vista os exemplos lamentáveis e vergonhosos da História Sagrada, o Novo
Testamento faz-nos severas advertências quanto ao uso do vinho.
1.
Recomendações aos ministros. O candidato ao Santo Ministério, na
Igreja Primitiva, não podia ser um homem escravizado pelo vinho (1 Tm 3.3,8; Tt
1;7). Como confiar o rebanho de Jesus Cristo a um alcoólatra? O que governa tem
de abster-se das bebidas alcoólicas (Pv 31.4).
Se você, querido obreiro, tem algum
problema com o alcoolismo, procure ajuda. Há sempre um bom homem de Deus
disposto a ouvir-nos e a auxiliarnos. Não leve tal fardo à sepultura. Por mais
difícil e vexatória que seja a sua situação, não se conforme. O Senhor Jesus
está ao nosso lado. Ele o resgatará do alcoolismo, guindando-o novamente às
regiões celestiais.
2.
Recomendações à Igreja. A recomendação quanto aos prejuízos
decorrentes do vinho não se limita aos ministros do Evangelho. Ela diz
respeito, também, a toda a Igreja. Que o verdadeiro cristão, afastando-se do
vinho, busque a plenitude do Espírito Santo (Ef 5.18). A embriaguez não é um
mero adorno cultural; é algo sério que tem ocasionado sérios transtornos à
Igreja de Cristo.
Voltemos ao cenáculo. Busquemos
novamente a plenitude do Consolador. Que as nossas reuniões sejam marcadas por
conversões, batismos com o Espírito Santo, curas divinas, sinais e maravilhas.
E que jamais nos esqueçamos de que o Senhor Jesus, em breve, virá buscar a sua
Igreja. Aleluia!
3.
Ministros usados pelo Espírito Santo. No dia de Pentecostes, o Espírito
Santo foi copiosamente derramado sobre os discípulos (At 2.1-4). De início,
eles foram tidos como bêbados (At 2.13). Mas, após o sermão de Pedro, todos
vieram a conscientizar-se de que eles falavam e operavam no poder de Deus (At
2.40,41).
Na sequência de Atos, deparamo-nos com
os apóstolos e discípulos proclamando o Evangelho sempre na virtude do Espírito
Santo (At 4.8, 31; 7.55; 13.9).
V. COMO AGIR DIANTE DE TANTOS PERIGOS
Entre o final de 2017 e o início de 2018, chegaram-me
alguns relatos de pastores, alguns ainda jovens, que vieram a suicidar-se.
Confesso que tais relatos deixaram-me bastante preocupado. O que levaria um
homem de Deus a cometer semelhante desatino? Por isso, gostaria de deixar,
aqui, alguns conselhos para nos prevenirmos quanto a tais desfechos.
1. Aprenda a confiar em Deus. Entre a Obra de Deus e o Deus da
Obra, não tenha dúvidas. Que o Senhor tenha completa prioridade em sua vida.
Quando nos damos por completo ao Deus da Obra, a Obra de Deus sempre prospera
em nossas mãos. Por essa razão, trabalhe com ousadia e amor, mas não perca a
paz se a sua igreja não prospera como esta ou não cresce como aquela. Quem dá o
crescimento é Deus. Não perca o sono. Enquanto você dorme, Ele cuida de sua
Seara.
3.
Não se consuma pela ansiedade. Não leve para o Santo Ministério as
disputas e vícios do mundo corporativo. No âmbito do Reino de Deus, nem sempre
o mais veloz chega primeiro. E, se logra algum êxito, envergonha-se como
Aimaás; não tem mensagem alguma. Então, peregrine com o Evangelho.
Quando a depressão bater-lhe à porta,
siga o conselho do apóstolo: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo,
porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela
súplica, com ações de graças” (Fp 4.6, ARA).
Cuidado com as metas que contemplam
apenas as finanças. Mire-se na humildade e na pobreza do Nazareno; resgate-lhe
as almas preciosas que, todos os dias, vemos nas ruas, praças e logradouros. O
dinheiro sempre vai. Quanto às almas, que cada uma delas chegue aos pés do
Salvador.
4.
Não se dê às drogas. Previna-se quanto aos que, sutil e
perversamente, preceituam-nos pílulas e compridos mágicos. Na Vinha do Senhor,
não se requer nenhum psicoestimulante. A assistência do Espírito Santo nos basta.
Não se vicie. Você não precisa de tais
artifícios. O mesmo Deus que fortaleceu a Sansão e animou a Davi está ao seu
lado. Coragem e ânimo. A feitiçaria destes últimos dias está levando muita
gente para o inferno.
4. Cuidado com o álcool. Fuja dos colegas de ministério que,
por serem já alcoólatras, querem induzi-lo a esse vício maldito e perverso.
Mantenha-se continuamente sóbrio. A caminhada ainda é longa. Nessa
peregrinação, não podemos andar tropegamente. Sejamos firmes em cada passo.
5.
Tem cuidado de ti mesmo e da
doutrina. A
recomendação do apóstolo nunca foi tão atual e urgente: “Tem cuidado de ti
mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás
tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Tm 4.16, ARA).
CONCLUSÃO
Certa vez um
jovem obreiro perguntou-me se algum padre chegará ao céu. Vendo-lhe a ânsia de
espírito, fiz-lhe outra pergunta: “Algum pastor corre o risco de ir para o
inferno?”.
Diante das agruras que nos espreitam
aqui e ali, todos corremos sérios riscos. Não podemos vacilar. Se não nos
dermos à leitura da Palavra, à oração e ao jejum, não subsistiremos. O fato de
sermos obreiros não nos torna invulneráveis quanto às tentações, às angústias e
às arremetidas de Satanás.
Cuidemos de nós mesmos. Zelemos pela
doutrina que nos confiou o Senhor. Ele é poderoso para guardar-nos até o dia de
sua vinda. E que jamais venhamos a ter o mesmo destino de Nadabe e Abiú.
Amém. Cuida de nós
Jesus.

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