Lição 8 - A Igreja de Cristo
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A igreja, como corpo espiritual de Cristo, é um organismo vivo com suas reuniões em torno do Senhor Jesus e suas ordenanças; como congregação ou assembleia, é também uma organização, com sua forma de governo. O ponto de partida de sua proclamação é a ressurreição de Cristo. A existência da Igreja não é resultado de um entusiasmo coletivo, mas a manifestação do poder de Deus.
A IGREJA
O termo grego ekklēsía, usado no Novo Testamento para “igreja”, vem do verbo ekkaleō, “chamar, convocar”, que a Septuaginta traduziu do hebraico qārā‘ el, “chamar para” em: “E chamaram Ló e disseram-lhe...” (Gn 19.5). A ekklēsía, “eclésia, assembleia, ajuntamento, igreja”, era a Assembleia do Povo na antiga Grécia que funcionava como poder legislativo, mas formada por todos os cidadãos; apesar disso, segundo Mário Curtis Giordani, “na prática, era relativamente pequeno o número de cidadãos que compareciam às reuniões” (GIORDANI, 1986, p. 172). Mas os tradutores da Septuaginta empregaram ekklēsía para traduzir o hebraico qāhal, “assembleia, multidão humana reunida”, em referência à congregação de Israel, além de outros termos que aparecem com menos frequência no Antigo Testamento.
O Novo Testamento grego usa ekklēsía para se referir à congregação de Israel: “Este é o que esteve entre a congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais, o qual recebeu as palavras de vida para no-las dar” (At 7.38). Só mais uma vez ekklesía se aplica à comunidade de Israel no Novo Testamento (Hb 2.12). Três vezes se usa para o ajuntamento ou a assembleia provocada por Demétrio contra o apóstolo Paulo no teatro em Éfeso (At 19.32, 39, 41); e 110 vezes o termo se refere à Igreja. Nesse sentido, a comunidade do Senhor é uma congregação especial formada por pessoas de todas as épocas e de todos os lugares chamadas pelo Senhor Jesus para pertencerem a Cristo (Rm 1.6), ter comunhão com ele (1 Co 1.9) e fazer parte da família espiritual de Deus (Ef 2.19), como afirma a
Declaração de Fé. O termo “igreja” refere-se também a um grupo de crentes em cada localidade geográfica (Rm 16.16; 1 Co 1.2; Gl 1.2).
A Igreja é um organismo, um corpo espiritual em que todos os crentes em Jesus estão unidos uns aos outros e todos eles com a sua cabeça, que é o Senhor Jesus Cristo: “o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo” (Ef 1.22, 23); “ele é a cabeça do corpo da igreja” (Cl 1.18). Trata-se de uma congregação espiritual cujos membros foram remidos pelo sangue de Jesus, que veio a existir no palco da história como resultado da obra da cruz, do triunfo da ressurreição de Cristo e da vinda do Espírito Santo; é exatamente o que o Senhor Jesus chamou de “minha igreja” (Mt 16.18). Em resumo, “a Igreja é a assembleia universal dos santos de todos os lugares e de todas as épocas, cujos nomes estão escritos nos céus: “À universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” [Hb 12.23]” (Declaração de Fé).
É o novo povo que o Senhor Jesus formou dentre judeus e gentios (Ef 2.12- 14) em torno de Si mesmo como o próprio corpo de Cristo (1 Co 12.12-27), para adoração e louvor da glória de Deus e para anunciar o evangelho da salvação ao mundo inteiro (Ef 1.11, 12; Mc 16.15). Cada crente em Jesus é a morada de Deus: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16); “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Co 6.19); “no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef 2.22).
AS ORDENANÇAS
A ordenança é um rito simbólico universal e pessoal que aponta para as verdades centrais da fé cristã. São duas as ordenanças da Igreja. A primeira é o batismo em águas: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19); e a segunda, a Ceia do Senhor: “Tomando o pão e tendo dado graças, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo: Este é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Depois da ceia tomou do mesmo modo o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22.19, 20).
Essas duas cerimônias ou ritos sagrados são conhecidos também como sacramentos por alguns grupos protestantes e também pelos católicos. Mas a Igreja Católica acrescentou mais cinco sacramentos, ao passo que os protestantes mantiveram os dois ritos bíblicos. No entanto, nem sempre os dois termos são intercambiáveis, pois isso depende da interpretação e cada grupo sobre o assunto. O termo sacramentum vem do latim que originalmente era para um juramento público de fidelidade do soldado romano, mas, antes disso, era o nome dado ao depósito feito em lugar sagrado pelas partes envolvidas numa questão jurídica até o pronunciamento da sentença. Os pais latinos empregaram essa palavra para o vocábulo grego mystērion, “mistério, secreto”, que veio a significar ordenança ou rito sagrado. Para muitos, esses rituais transmitem graça espiritual ou salvífica levando a pessoa da morte espiritual para a vida. Para os grupos que pensam dessa maneira, ordenanças e sacramentos não são termos alternativos. A Assembleia de Deus não emprega o termo “sacramento”, mas a palavra“ordenança”, do latim ordo, “fileira, ordem”, conforme o capítulo XI da sua
Declaração de Fé.
Essas ordenanças não produzem nenhuma mudança espiritual em quem se submete ao batismo e participa da ceia do Senhor. Mas isso não diminui a sua importância; antes, pelo contrário, elas são de grande valor. Esses rituais são ordens de nosso Senhor Jesus Cristo, pois ele mesmo pediu para ser batizado (Mt 3.14, 15). E também se trata de um símbolo da nossa união com ele e ao mesmo tempo a confissão pública dessa união (Rm 6.3-5). A ceia do Senhor é o memorial de sua morte em nosso lugar (1 Co 11.23-26). Essas são razões pelas quais os crentes nunca tratam dessas coisas sagradas com leviandade. Assim, o batismo em águas e a ceia do Senhor foram instituídos por ordem de Jesus para que fossem observados na Igreja, não porque transmitem algum poder místico ou graça salvífica, mas porque simbolizam o que já aconteceu na vida de quem aceitou a salvação de Cristo.
O batismo
O batismo em águas é o rito que simboliza o início da vida espiritual. É um testemunho público de “nossa identificação com Jesus, em sua morte e ressurreição, que tornou possível a nossa vida que temos nEle (Rm 6.1-4)” (MENZIES & HORTON, 2001, p. 93). Trata-se de um ato significativo e importante em que o crente em Jesus é mergulhado nas águas, o corpo inteiro de uma só vez, “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19), conforme ordenou o Senhor Jesus. Muitos debates surgiram ao longo dos séculos sobre o modus operandi desse ritual, como o batismo por imersão, por aspersão e assim por diante. Mas o Novo Testamento deixa claro que o ato era realizado por imersão: “porque havia ali muitas águas; e vinham ali e eram batizados” (Jo 3.23); “E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água” (Mt 3.16); “E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe” (At 8.38, 39). A ilustração paulina do batismo em águas reforça a do batismo por imersão: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.3, 4); “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos” (Cl 2.12). Todas essas declarações são evidências de um batismo por imersão.
O batismo “em nome de Jesus” não é uma fórmula. A prova disso é que não existe um padrão nessas palavras para que seja possível uma fórmula. A expressão só aparece quatro vezes no Novo Testamento: “em nome de Jesus Cristo” (At 2.38), “em nome do Senhor Jesus” (At 8.16; 19.5) e “em nome do Senhor” (At 10.48). Isso apenas significa ser o batismo realizado na autoridade do nome de Jesus. Afinal, tudo o que fazemos é em nome de Jesus (Cl 3.17), isto é, na sua autoridade, como a oração (Jo 14.13; Ef 5.20), a pregação do evangelho (Lc 24.47; At 8.12), a cura de coxos (At 3.6), de paralíticos (At 9.34) e de enfermos (Tg 5.14, 15) e a expulsão de demônios (At 16.18), entre outros milagres.
O batismo não é essencial para a remissão de pecados. A frase “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados” (At 2.38) tem sido motivo de controvérsias sem fim. Uma leitura isolada parece isso mesmo. Muitos pais da Igreja a interpretavam dessa maneira. Isso aparece no Credo Niceno- Constantinopolitano (ver capítulo 4). Mas, segundo A. T. Robertson, a exegese do texto permite outro significado. Ele afirma que a preposição grega eis, traduzida por “para”, aqui, tem amplo significado, por isso deve ser compreendida à luz do contexto. Há outro emprego tão correto quanto o de propósito ou objetivo. Veja o uso dessa preposição em três versões diferentes de um mesmo versículo bíblico: “Quem recebe um profeta na qualidade de profeta receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo” (Mt 10.41 – ARC); “no caráter de profeta... no caráter de justo” (ARA); “por ser profeta... por ser justo” (TB). A mesma preposição é usada aqui para “na qualidade de profeta ... na qualidade de justo, no caráter de profeta... no caráter de justo ... por ser profeta... por ser justo”. Poderíamos dizer ainda: “em nome de profeta... em nome de justo”. Os ninivitas “se arrependeram com a pregação de Jonas” (Mt 12.41). O “com” nessa passagem é a mesma preposição eis. Diante disso, Robertson é da opinião que o apóstolo apelava ao “batismo para cada um daqueles que já se haviam arrependido, e que isso foi feito em nome de Jesus Cristo com base no perdão dos pecados que eles já tinham recebido” (ROBERTSON, tomo 3, 1989, p. 50).
A salvação é pela fé somente (Ef 2.8, 9). O Novo Testamento mostra que o batismo não salva: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16). A segunda cláusula não diz: “Quem não for batizado será condenado”. João batizava as pessoas depois de manifestarem “frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8; Lc 3.8); as pessoas batizadas no dia de Pentecostes haviam primeiramente recebido a palavra (At 2.41). O malfeitor crucificado ao lado do Senhor Jesus não foi batizado; no entanto, Jesus lhe disse: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43).
A prática do batismo infantil se fundamenta basicamente na interpretação de que o batismo é um meio da graça salvadora, para uns; e outros o interpretam como sinal e selo da aliança, que teria sido substituído pela circuncisão dos israelitas, mas está escrito: “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl 6.15). Essas interpretações não se sustentam biblicamente. O batismo é somente para os crentes em Jesus e é necessário primeiro crer nele e também pedir para ser batizado (At 8.36-38). Para isso, é necessário arrependimento e fé. A criança não preenche esses requisitos. O Novo Testamento mostra o batismo seguido da fé (At 2.41; 8.12). Isso não deixa margem para o batismo infantil. Os que defendem essa prática costumam apelar para o testemunho de Lídia (At 16.15), do carcereiro de Filipos (At 16.33, 34), de Crispo, o principal da sinagoga de Corinto, juntamente com os demais que receberam a Jesus como seu Salvador (At 18.8) e a família de Estéfanas que o apóstolo Paulo batizou (1 Co 1.16).
Nenhum desses testemunhos remete a crianças; é uma interpretação forçada querer introduzir batismo infantil nessas passagens bíblicas.
A Ceia do Senhor
A Ceia do Senhor é o rito da comunhão e significa a continuação da vida espiritual (1 Co 11.20). A Ceia do Senhor foi instituída diretamente pelo Senhor Jesus após a refeição da Páscoa na companhia de seus discípulos (Mt 26.26-28). Desde então a Igreja vem celebrando esse memorial e proclamando a nova aliança: “Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (1 Co 11.25). Essa solenidade envolve o passado, a morte de Jesus; o presente, a nossa comunhão; e o futuro, a sua vinda – “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11.26).
As palavras de Jesus “Isto é o meu corpo” (Mt 26.26) e “Isto é o meu sangue” (Mt 26.28) são os seus dois elementos da ceia do Senhor. O Senhor Jesus estava pessoalmente com os seus discípulos quando disse essas palavras. Isso mostra que o corpo e o sangue aqui não são literais; trata-se de uma linguagem metafórica (1 Co 5.8). Os católicos romanos ensinam que, no ato da consagração, o pão e o vinho são literalmente transformados no verdadeiro corpo e sangue de Cristo, uma mudança metafísica; eles afirmam que essa mudança é na essência ou substância, não nos acidentes, como eles chamam, mantendo o pão a forma, a textura e o sabor do pão. Essa doutrina é chamada de transubstanciação, aprovada no Concílio de Latrão IV em 1215 e reafirmada no Concílio de Trento no século 16. Durante a Reforma Protestante, surgiram novas interpretações. Lutero rejeitou a doutrina da transubstanciação, mas defendia a ideia de que o corpo e o sangue de Jesus estão presentes “em, com e sob” o pão e o vinho, mas as moléculas não são transformadas em carne e sangue. Essa doutrina foi chamada mais tarde de consubstanciação. No entendimento dos católicos romanos, o pão e o vinho são o corpo e o sangue físico de Cristo; na concepção luterana, o pão e o vinho contêm o corpo e o sangue físico. As igrejas reformadas defendem a presença espiritual do corpo e do sangue, mas o apóstolo Paulo não fala sobre essa presença na reunião porque Jesus já está presente conosco e principalmente nos cultos (Mt 18.20; 28.20; Jo 14.23). Zwínglio, reformador suíço contemporâneo de Lutero, ensinava que esses elementos são emblemas que representam o corpo e o sangue de Jesus. Na verdade, esses elementos são metafóricos e representam o corpo e o sangue de Jesus. A Ceia do Senhor é um momento sublime de relacionamento e comunhão com Jesus.
11 Trata-se de um compêndio de preceitos morais e de
instrução sobre a organização das comunidades cristãs sobre diversos assuntos,
como batismo, ceia do Senhor, oração, jejum e assim por diante. O texto foi
produzido entre os anos 70 e 120, mas, segundo Eusébio de Cesareia, não é obra
de nenhum apóstolo (História eclesiástica, livro 3.XXV).
A RAZÃO DA NOSSA FÉ
Esequias Soares 📚
Conhecendo
as Doutrinas da Bíblia
Myer PearlmanV. As ordenanças da Igreja
O Cristianismo no Novo Testamento não é uma religião ritualista; a essência do Cristianismo é o contato direto do homem com Deus por meio do Espírito. Portanto, não há uma ordem de adoração dogmática e inflexível, antes permitindo à igreja, em todos os tempos e países, a liberdade de adotar o método que lhe seja mais adequado, para a expressão de sua vida. Não obstante, há duas cerimônias que são essenciais, por serem divinamente ordenadas, a saber, o batismo nas águas e a Ceia do Senhor. Em razão de seu caráter sagrado, elas, às vezes, são descritas como sacramentos, literalmente, "coisas sagradas", ou "juramentos consagrados por um rito sagrado". Também são elas mencionadas como ordenanças porque são "ordenadas" pelo próprio Senhor.
O batismo nas águas é o rito do ingresso na igreja cristã, e simboliza o começo da vida espiritual. A Ceia do Senhor é o rito de comunhão e significa a continuação da vida espiritual. O primeiro sugere a fé em Cristo; o segundo sugere a comunhão com Cristo. O primeiro é administrado somente uma vez, porque pode haver apenas um começo da vida espiritual; o segundo é administrado freqüentemente, ensinando que a vida espiritual deve ser alimentada.
1. O batismo.
(a) O modo. A palavra "batizar", usada na fórmula de Mateus 28:19.20. significa literalmente mergulhar ou imergir. Essa interpretação é confirmada por eruditos da língua grega e pelos historiadores da igreja. Mesmo eruditos pertencentes a igrejas que batizam por aspersão admitem que a imersão era o modo primitivo de batizar. Além disso, há razões para crer que para os judeus dos tempos apostólicos, o mandamento de ser "batizado" sugeriria "batismo de prosélito", que significava a conversão dum pagão ao Judaísmo. O convertido estava de pé na água, até ao pescoço, enquanto era lida a lei, depois do que ele mesmo se submergia na água, como sinal de que fora purificado das contaminações do paganismo e que começara uma nova vida como membro do povo da aliança. De onde veio, então, a prática da aspersão e de derramar a água? Quando a igreja abandonou a simplicidade do Novo Testamento, e foi influenciada pelas idéias pagãs, atribuiu importância antibiblica ao batismo nas águas, o qual veio a ser considerado inteiramente essencial para se alcançar a regeneração. Era, portanto, administrado aos enfermos e moribundos. Posto que a imersão não era possível em tais casos, o batismo era administrado por aspersão. Mais tarde, por causa da conveniência do método, este generalizou-se. Também, por causa da importância da ordenança, era permitido derramar a água quando não havia suficiente para praticar a imersão. Notem a seguinte citação dum antigo escritor do segundo século, agora concernente ao batismo, batiza assim: havendo ensinado todas essas coisas, batiza em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, em água viva (corrente). E se não tiveres água viva, batiza em outra água; e se não podes em água fria, então em água morna. Mas se não tiveres nem uma nem outra, derrama água três vezes sobre a cabeça, em o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Não obstante, o modo bíblico e original é imersão, o qual corresponde ao significado simbólico do batismo, a saber, morte, sepultura e ressurreição. (Rom. 6:1-4.)
(b) A fórmula. "Batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo" (Mat. 28:19). Como vamos reconciliar isso com o mandamento de Pedro: "...cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo"? (Atos 2:38). Estas últimas palavras não representam uma fórmula batismal, porém uma simples declaração afirmando que recebiam batismo as pessoas que reconheciam Jesus como Senhor e Cristo. Por exemplo, o "Didaquê", um documento cristão escrito cerca do ano 100 A.D., fala do batismo cristão celebrado em nome do Senhor Jesus, mas o mesmo documento, quando descreve o rito detalhadamente, usa a fórmula trinitária. Quando Paulo fala que Israel foi batizado no Mar Vermelho "em Moisés", ele não se refere a uma fórmula que se pronunciasse na ocasião; ele simplesmente quer dizer que, por causa da passagem milagrosa através do Mar Vermelho, os israelitas aceitaram Moisés como seu guia e mestre como enviado do céu. Da mesma maneira, ser batizado em nome de Jesus significa encomendar-se inteira e eternamente a ele como Salvador enviado do céu, e a aceitação de sua direção impõe a aceitação da fórmula dada por Jesus no capítulo 28 de Mateus. A tradução literal de Atos 2:38 é: "seja batizado sobre o nome de Jesus Cristo". Isso significa, segundo o dicionário de Thayer, que os judeus haviam de "repousar sua esperança e confiança em sua autoridade messiânica". Note-se que fórmula trinitária é descrita duma experiência. Aqueles que são batizados em nome do triúno Deus, por esse meio estão testificando que foram submergidos em comunhão espiritual com a Trindade. Desse modo pode-se dizer acerca deles: "A graça do Senhor Jesus Cristo e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos" (2 Cor. 13:13).
(c) O recipiente. Todos os que sinceramente se arrependem de seu pecado, professam a fé no Senhor Jesus, são elegíveis para o batismo. Na igreja apostólica o rito era acompanhado das seguintes expressões exteriores:
1) Profissão de fé. (Atos 8:37.)
2) Oração. (Atos 22:16.)
3) Voto de consagração. (1 Ped. 3:21.)
Visto que os infantes não têm pecados de que se arrepender e não podem exercer a fé, logicamente são excluídos do batismo nas águas. Com isso não os estamos impedindo que venham a Cristo (Mat. 19:13,14), pois eles podem ser consagrados a Jesus em culto publico.
(d) A eficácia. O batismo nas águas, em si não tem poder para salvar; as pessoas são batizadas, não para serem salvas, mas porque já são salvas. Portanto, não podemos dizer que o rito seja absolutamente essencial para a salvação. Mas podemos insistir em que seja essencial para a integral obediência a Cristo. Como a eleição do presidente da nação se completa pela sua posse do governo, assim a eleição do convertido pela graça e pela glória de Deus se completa por sua pública admissão como membro da igreja de Cristo.
(e) O significado. O batismo sugere as seguintes idéias:
1) Salvação. O batismo nas águas é um drama sacro (se nos permitem falar assim), representando os fundamentos do Evangelho. A descida do convertido às águas retrata a morte de Cristo efetuada; a submersão do convertido fala da morte ratificada, ou seja, o seu sepultamento; o levantamento do converso significa a conquista sobre a morte, isto é a ressurreição de Cristo.
2) Experiência. O fato de que esses atos são efetuados com o próprio convertido demonstra que ele se identificou espiritualmente com Cristo. A imersão proclama a seguinte mensagem: "Cristo morreu pelo pecado para que este homem morresse para o pecado." O levantamento do convertido expressa a seguinte mensagem: "Cristo ressuscitou dentre os mortos a fim de que este homem pudesse viver uma nova vida de justiça."
3) Regeneração. A experiência do novo nascimento tem sido descrita como uma, "lavagem" (literalmente "banho", Tito 3:5), porque por meio dela, os pecados e as contaminações da vida de outrora foram lavados. Assim como o lavar com água limpa o corpo, assim também Deus, em união com a morte de Cristo e pelo Espírito Santo, purifica a alma. O batismo nas águas simboliza essa purificação. "Levanta-te, e lava os teus pecados (isto é, como sinal do que já se efetuou)" (Atos 22:16).
4) Testemunho. "Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo" (Gál. 3:27). O batismo nas águas significa que o convertido, pela fé, "vestiu-se" do caráter de Cristo de modo que os homens podem ver a Cristo nele, como se vê o uniforme no soldado. Pelo rito de batismo, o convertido, figurativamente falando, publicamente veste o uniforme do reino de Cristo.
2. A ceia de Senhor. Pontos principais.
Define-se a Ceia do Senhor ou Comunhão como o rito distintivo da adoração cristã, instituído pelo Senhor Jesus na véspera de sua morte expiatória. Consiste na participação solene do pão e vinho, os quais, sendo apresentados ao Pai em memória do sacrifício inexaurível de Cristo, tornam-se um meio de graça pelo qual somos incentivados a uma fé mais viva e fidelidade maior a ele. Os seguintes são os pontos-chave dessa ordenança:
(a) Comemoração. "Fazei isto em memória de mim." Cada ano, no dia 4 de julho, o povo norte-americano recorda de maneira especial o evento que o fez um povo livre. (*) Cada vez que um grupo de cristãos se congrega para celebrar a Ceia do Senhor, estão comemorando, dum modo especial, a morte expiatória de Cristo que os libertou dos pecados. Por que recordar a sua morte mais do que qualquer outro evento de sua vida? Porque a sua morte foi o evento culminante de seu ministério e porque somos salvos, não meramente por sua vida e seus ensinos, embora sejam divinos, mas por seu sacrifício expiatório.
(b) Instrução. A Ceia do Senhor é uma lição objetiva que expõe os dois fundamentos do Evangelho:
1) A encarnação. Ao participar do pão, ouvimos o apóstolo João dizer: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nos" (João 1:14); ouvimos o próprio Senhor declarar: "Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo" (João 6:33).
2) A expiação. Mas as bênçãos incluídas na encarnação nos são concedidas mediante a morte de Cristo. O pão e o vinho simbolizam dois resultados da morte: a separação do corpo e da vida, e a separação da carne e do sangue. O simbolismo do pão partido é que o Pão deve ser quebrantado na morte (Calvário) a fim de ser distribuído entre os espiritualmente famintos; o vinho derramado nos diz que o sangue de Cristo, o qual é sua vida, deve ser derramado na morte a fim de que seu poder purificador e vivificante possa ser outorgado às almas necessitadas.
(c) Inspiração. Os elementos, especialmente o vinho, nos lembram que pela fé podemos ser participantes da natureza de Cristo, isto é, ter "comunhão com ele". Ao participar do pão e do vinho da Ceia, o ato nos recorda e nos assegura que, pela fé, podemos verdadeiramente receber o Espírito de Cristo e ser o reflexo do seu caráter.
(d) Segurança. Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue"! (1 Cor. 11:25). Nos tempos antigos a forma mais solene de aliança era o pacto de sangue, que era selado ou firmado com sangue sacrificial. A aliança feita com Israel no Monto Sinai foi um pacto de sangue. Depois que Deus expôs as suas condições e o povo as aceitou, Moisés tomou uma bacia cheia de sangue sacrificial e aspergiu a metade sobre o altar do sacrifício, significando esse ato que Deus se havia comprometido a cumprir a sua parte do convênio; em seguida, ele aspergiu o resto do sangue sobre o povo, comprometendo-o, desse modo, a guardar também a sua parte do contrato (Êxo. 24:3-8). A nova aliança firmada por Jesus é um pacto de sangue. Deus aceitou o sangue de Cristo (Heb. ?); portanto, comprometeu-se, por causa de Cristo, a perdoar e salvar a todos os que vierem a ele. O sangue de Cristo é a divina garantia de que ele ser benévolo e misericordioso para aquele que se arrepende. A nossa parte nesse contrato é crer na morte expiatória de Cristo. (Rom. 3:25,26.) Depois, então poderemos testificar que foram aspergidos com o sangue da nova aliança. (1Ped. 1:2.)
(e) Responsabilidade. Quem deve ser admitido ou excluído da Mesa do Senhor? Paulo trata da questão dos que são dignos do sacramento em 1Cor. 11:20-34. "Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber este cálice do Senhor indignamente, será culpado (uma ofensa ou pecado contra) do corpo e do sangue do Senhor." Quer isso dizer que somente aqueles que são dignos podem chegar-se à Mesa do Senhor? Então, todos nós estamos excluídos! Pois quem dentre os filhos dos homens é digno da mínima das misericórdias de Deus? Não, o apóstolo não está falando acerca da indignidade das pessoas, mas da indignidade das ações. Sendo assim, por estranho que pareça, é possível a uma pessoa indigna participar dignamente. E em certo sentido, somente aqueles que sinceramente sentem a sua indignidade estão aptos para se aproximar da Mesa; os que se justificam a si mesmos nunca serão dignos. Outrossim, nota-se que as pessoas mais profundamente espirituais são as que mais sentem a sua indignidade. Paulo descreve-se a si mesmo como o "principal dos pecadores" (1Tim. 1:15). O apóstolo nos avisa contra os atos indignos e a atitude indigna ao participar desse sacramento. Como pode alguém participar indignamente? Praticando alguma coisa que nos impeça de claramente apreciar o significado dos elementos, e de nos aproximarmos em atitude solene, meditativa e reverente. No caso dos coríntios o impedimento era sério, a saber, a embriaguez.
VI. A Adoração da Igreja.
Das epístolas de Paulo inferimos que havia duas classes de reuniões para adoração: uma consistia em oração, louvor, e pregação; a outra era um culto de adoração, conhecido como a "Festa de Amor" ("ágape", em língua grega). O primeiro era culto público; o segundo era um culto particular ao qual eram admitidos somente os cristãos.
1. O culto público.
O culto público, segundo o historiador Robert Hastings Nichols, era "realizado pelo povo conforme o Espírito movesse as pessoas". Citamos um trecho dos escritos desse historiador: Oravam a Deus e davam testemunhos e instruções espirituais. Cantavam os Salmos e também os hinos cristãos, os quais começaram a ser escritos no primeiro século. Eram lidas e explicadas as Escrituras do Antigo Testamento, e havia leitura ou recitação decorada dos relatos das palavras e dos atos de Jesus. Quando os apóstolos enviavam cartas às igrejas, a exemplo das Epístolas do Novo Testamento, essas também eram lidas. Esse singelo culto podia ser interrompido a qualquer momento pela manifestação do Espírito na forma de profecia, línguas e interpretações, ou por alguma iluminação inspirada sobre as Escrituras. Essa característica da adoração primitiva é reconhecida por todos os estudantes sérios da história da igreja, não importando sua filiação denominacional ou escola de pensamento. Pela leitura de 1Cor. 14:24, 25 sabemos que essa adoração inspirada pelo Espírito era um meio poderoso de atrair e evangelizar os não-convertidos.
2. O culto particular.
Lemos que os primeiros cristãos perseveraram no "partir do pão" (Atos 2:42). Descrevem essas palavras uma refeição comum ou a celebração da Ceia do Senhor? Talvez ambas. É possível que houvesse acontecido o seguinte: no princípio a comunhão dos discípulos entre si era tão unida e vital que tomavam suas refeições em comum. Ao sentarem-se à mesa para pedir a bênção de Deus sobre o alimento, vinha-lhes à lembrança a última Páscoa de Cristo, e assim essa bênção sobre o alimento espontaneamente se estendia em culto de adoração. Dessa forma, em muitos casos, é difícil dizer se os discípulos faziam uma refeição comum ou participavam da Comunhão. A vida e a adoração a Deus estavam intimamente relacionadas naqueles dias! Porém muito cedo os dois atos, o partir do pão e a Ceia do Senhor, foram distinguidos, de forma que o segundo se tomou a ordem do culto: em determinado dia os cristãos reuniam-se para comer uma refeição sagrada de comunhão, conhecida como a Festa de Amor, a qual era uma refeição alegre e sagrada, simbolizando o amor fraternal. Todos traziam provisões e delas participavam todos em comum. Em 1Cor. 11:21,22 Paulo censura o egoísmo daqueles que comiam seus alimentos sem distribuí-los entre os pobres. Ao terminar a Festa de Amor, celebrava-se a Ceia do Senhor. Na igreja de Corinto alguns se embriagavam durante o "ágape" e participavam do sacramento nessa condição indigna. Mais tarde, no primeiro século, a Ceia do Senhor foi separada do "ágape" e celebrada na manhã do Dia do Senhor.
O Plano divino através dos
séculos
O século presente A IgrejaIII. O SÉCULO PRESENTE (CONTINUAÇÃO)
E. A Igreja. Sendo que a igreja ocupa tão importante lugar no plano e no propósito de Deus no Século Presente e no iminente Futuro, que é o Milênio, o estudo das Dis-pensações não seria completo sem fazer referência específica à Igreja, o grupo "chamado para fora".
1. A Constituição da Igreja. A Igreja não é o "reino do Filho do Homem" mencionado em Daniel 7.13,14, o qual é o reino literal e terrestre prometido a Israel e predito pelos profetas, embora a Igreja tome importante parte no mesmo.
A expressão "reino dos céus", encontrada nos Evangelhos, especialmente o de Mateus, e que João Batista proclamava estar próximo, significa a presente Dispensação da Graça. Esse reino progride à medida que as boas novas do evangelho são pregadas pelos servos de Deus em todo o mundo.
A Igreja é comparada a uma casa. I Tm 3.15. Nesta passagem nota-se o aspecto familiar da igreja, tendo como chefe do lar o próprio Deus, fato que exige de todos os seus membros um comportamento condigno.
A Igreja ê comparada a um templo. I Co 3.16,17, Ef 2.20-22. Nesse templo Deus tem Sua morada; ali Ele Se manifesta e ali se vê a Sua glória. Embora Deus habite no coração do crente individual, coletivamente é na Igreja onde Ele reside.
A Igreja é comparada ao corpo humano, do qual nós os crentes somos membros e do qual Cristo é a cabeça. I Co 12.27-31; Ef 1.22,23; Cl 1.18. A importância dessa relação entre o crente e a Cabeça, Cristo, é revelada em Ef 4.16: "(Cristo), de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado, pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor." Isso demonstra a relação dos crentes como "membros uns dos outros", em união vital, e que cada crente tem uma função a exercer, a qual contribuirá para o crescimento e o bem-estar de todo o corpo. A Igreja não é uma organização comum e secular, à qual a pessoa se agrega como sócio. Para muita gente, unir-se a uma igreja nada mais é que concordar com certas doutrinas e ser recebido na comunidade da mesma, e de vez em quando comparecer às reuniões, ostensivamente para adorar a Deus. Em tais reuniões predomina a atmosfera social e não aquela que é essencial a espiritual.
2. A Igreja é um organismo vivo, semelhante ao corpo humano. Não é possível mutilar ou prejudicar uma parte do corpo sem afetar seriamente o corpo inteiro. Mesmo a perda duma unha causa grandes problemas, especialmente; na, hora de apanhar algum pequeno objeto. Não deixa de causar certo nervosismo que bem pode prejudicar até a espiritualidade da pessoa. Como é importante então que cada membro do corpo de Cristo goze de boa saúde espiritual a fim de assegurar com a sua parcela o bem coletivo.
3. Composta de judeu e gentio. Pelo advento de Cristo em carne humana, "a parede de separação" entre judeu e gentio fora derrubaaa (Ef 2.14-18) dando ensejo aos gentios de terem acesso ao Pai pelo mesmo Espírito e em "um corpo". Cf. I Co 12.21-31; 10.16. A questão agora não mais
era se os gentios seriam considerados como membros do corpo de Cristo Em Atos 15, no Concilio de Jerusalém, esse assunto foi amplamente debatido e a resolução a que chegaram foi que os gentios seriam admitidos à mesma relação que os verdadeiros crentes judaicos antes ocupavam com exclusividade. Veja Mt 8.11; Hb 11.39,40. A "raiz" da Igreja nascente era os judeus crentes espirituais, da Dispensação da Lei. Alguns dos "ramos naturais" da "oliveira" foram quebrados por causa da incredulidade e cegueira sobre as possibilidades que nesse mesmo tempo estavam diante deles. Os gentios foram "enxertados" no lugar dos judeus. Contudo, os crentes gentílicos não devem esquecer que a "raiz" original era judaica (em Abraão) e proveniente dos tempos do Velho Testamento, e que os gentios foram "enxertados" nessa oliveira. Poranto, os gentios não têm de que se orgulhar. A raiz, Abraão, sustenta o gentio e não o gentio que sustenta Abraão, a raiz! Rm 11.18; Gl 3.14; Lc 19.9. A Igreja está firmada sobre o duplo fundamento dos Profetas (V.T.) e dos Apóstolos (N.T.). Ef 2.20; Ap 21.12,14. Discernimos então que na esfera espiritual a Igreja não é totalmente uma coisa nova, mas sim uma entidade espiritual' com nova feição, cujas raízes têm sua origem no remoto passado.
4. Sua Inauguração. A Igreja começou a tomar forma visível no Dia de Pentecoste. Os crentes em Jesus, batizados no Espirito Santo, ao contrário dos judeus incrédulos, amavam uns aos outros, tendo comunhão no partir do pão, de casa em casa, e contando com a simpatia de todo o povo. At 2.42,47. Mas logo experimentaram perseguição por parte dos judeus incrédulos, sendo mais tarde tratados por "cristãos", a seita que foi tão duramente hostilizada. At 11.26; 28.22. Durante dez anos a Igreja foi constituída somente de judeus, mas, conforme a interpretação da Nova Aliança por Jesus, suas provisões compreendiam os gentios. Assim sem tardar o Espírito Santo dirigiu a Igreja nesse caminho da inclusão dos gentios em seu seio. Vinte anos depois do Pentecoste, o Concilio em Jerusalém formalizou essa inclusão, admitindo de braços abertos os gentios.
5. O campo de operação da Igreja passou a ser o mundo todo, uma vez que os gentios representam todas as nações não-judaicas. A visãorda Igreja tornou-se mundial em suas dimensões e não mais aquela estreita visão de âmbito nacional, intrínseca dos judeus.-
6. A mensagem da Igreja é Cristo e este crucificado. Aquele que se tornou em carne humana e habitou entre nós durante trinta e três anos. Esse Jesus, tipificado no Velho Testamento, havia explicado aos discípulos o Evangelho, através de pregações e vida exemplar, que integralmente apoiou tudo que dissera a respeito do reino de Deus. Era o mesmo evangelho, tal qual Abraão e Israel haviam recebido. Hb 4.2; Gl 3.8. Mas agora, em razão da identificação com a Sua Pessoa, esse tomou o nome "o evangelho de Jesus Cristo". Mc 1.1. Jesus foi o Mediador dessa Nova Aliança. A Igreja tinha por missão levar o conhecimento do nome de Jesus a toda pessoa em todo o mundo. O poder para realizar tão sublime tarefa viria pelo Espírito Santo que foi derramado sobre a Igreja no Dia de Pentecoste. O Espírito Santo, que inspirou as Sagradas Escrituras nos antigos tempos, também inspiraria os apóstolos a escreverem a necessária interpretação das mesmas e os livros que hoje chamamos o Novo Testamento. Hb 9.14; Gn 1.2/; II Pe 1.21. Também o Espírito Santo foi derramado sobre todos os crentes em Sua plenitude como jamais acontecera nos dias do Velho Testamento, acentuando mais uma bênção da nova Dispensação. Lc 24.49; At 1.5,8; Jo 7.39.
7. A Igreja, um "Mistério". A Igreja, segundo o apóstolo Paulo, é um "Mistério". Jesus falou de Sua Igreja em Mt 16.13-19, revelando apenas a verdade fundamental, sobre a qual seria ela edificada. O "Mistério" da Igreja foi primeiramente revelado a Paulo. Ef 3.3-6,9; Rm 16. 25,26. A Igreja como entidade era desconhecida dos profetas do Velho Testamento, a não ser no sentido de que qrandes bênçãos foram prometidas aos gentios. Is 11.10; Rm 9.24-30. Mas a Paulo foi revelado que o propósito de Deus era formar pela morte de Cristo, um sõ corpo constituído de judeus e gentios (Ef 2.12-16), em que estariam juntos os gentios alienados das promessas divinas, bem como os judeus exclusivistas, seguidores da Lei mosaica. I Pe 1.10-21; Ap 21.12,14; Rm 11.17,18.
Mistério, segundo o Dr. Schofield, é uma verdade previamente oculta, mas agora divinamente revelada, na qual, apesar da revelação, ainda permanece algo sobrenatural. Relacionamos a seguir alguns dos principais mistérios encontrados nas Escrituras: 1) O reino dos céus. Mt 13. 2) A cegueira de Israel durante a Dispensação da Graça (Rm 11.25 em conjunto com o contexto). 3) A trasladação dos santos à Segunda Vinda de Cristo. I Co 15.51; I Ts 4.14-17. 4) A Igreja do Novo Testamento. Ef 3.1-11; 5) A Igreja como Noiva de Cristo. Ef 5.28-31. 6) A presença de Cristo no crente. Gl 2.20; Cl 1.26,27. 7) Deus em Cristo. Cl 2.2,9; I Co 2.7. 8) A obra de santificação, ou piedade. I Tm 3.16. 9) A iniqüidade. II Ts 2.7; Mt 13.33. 10) As sete estrelas. Ap 1.20. 11) A grande Babilônia. Ap 17.5,7.
8. O Aperfeiçoamento da Igreja processa-se através dos vários ministérios, dos dons do Espírito Santo, e das operações de Deus. I Co 12.4-11; Ef 4.11-13; 5.25-27. Tal qual Cristo manifestou a glória do Pai, assim a Igreja, a Noiva de Cristo, o Seu eorpo, manifestará a Sua glória no dia em que ela Lhe for apresentada.
9. A Igreja será a Noiva de Cristo. As Escrituras nos apresentam duas noivas. No Velho Testamento Israel figura como "esposa" de Jeová, pois lemos em Is 54.5, o Senhor falando a Israel, "Porque o teu Criador é o teu mando..." Por causa de sua infidelidade, Israel foi afastado como esposa, mas quando ele se arrepender, será outra vez restaurado ao favor divino. Ez 16; Os 2.1-23.
Paulo apresenta a Igreja como a noiva de Cristo. Ef 5.29-33. Ela é agora qual virgem casta desposada. II Co 11.2. Assim como o primeiro Adão recebeu da mão de Deus a sua noiva, Eva, assim também o último Adão receberá a sua, que é a Igreja. Gn 2.18,21-24.
O casamento de Isaque com Rebeca, relatado em Gn'24, oferece uma bela ilustração da maneira pela qual Cristo receberá a Sua noiva, a Igreja. Abraão representaria Deus Pai; Sara seria o tipo de Israel; Isaque é o tipo de Cristo, e Eliezer, o servo de Abraão, é o tipo do Espírito Santo. Rebeca tipifica a Igreja, e Quetura, com quem Abraão se casou após a morte de Sara, seria um tipo de Israel restaurado e tornado frutífero.
Durante o Milênio Israel habitará em Jerusalém terrestre, enquanto a Igreja habitará aquela gloriosa cidade que João viu descer do céu, a Nova Jerusalém. (Localizar essa cidade no Mapa das Dispensações).
10. Quanto à Origem da Igreja, ela foi escolhida por Deus já antes da fundação do mundo. Ef 1.4,5. Quando Jesus estava a poucos dias para ser crucificado, revelou aos discípulos esse Seu propósito de estabelecer a Igreja. Mt 16.13-20. O argumento da Igreja Católica Romana de que a Igreja foi fundada sobre o apóstolo Pedro, e que os papas são os seus sucessores, carece de qualquer prova bíblica. O nome "Pedro" deriva da palavra grega "petros", que, segundo a distinção observada no grego clássico, significa "um fragmento de pedra", que se pode por na mão. Por outro lado a palavra "pedra", que Jesus usou nesta passagem em apreço, (Mt 16.18) deriva de outra palavra grega, "petra", que significa uma rocha ou penhasco. É esta a "rocha" sobre a qual Jesus fundamenta a sua Igreja e não a "pedra pequena" que seria o apóstolo.
O nome Pedro (petros) claramente se distingue da confissão de Pedro - "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (vers. 16). Sobre essa confissão, qual artigo fundamental da fé, (Jo 3.18; 20.31), ou então sobre o próprio
Cristo, o Rochedo, seria estabelecida a Igreja. At 4.11,12; | Pe 2^3-8; I Co 3.11; Ef 2.20-22. Se Pedro fosse o alicerce da lgreja, certamente o mistério da mesma e suas principais doutrinas teriam sido reveladas a ele e não a Paulo, que se converteu posteriormente. Ef 3.9,10. Nem tão pouco teria Paulo tido a coragem de chamar-lhe a atenção justamente sobre questão da composição da igreja. Gl 2.11- Vamos perguntar
11. Quem Integra a Igreja? O período da Igreja estende-se desde o dia de Pentecoste até ao rapto da Igreja. (Isso não significa que ninguém será salvo durante a Grande Tribulação, pois sabemos que de fato haverá conversões nesse período). Por conseguinte, a Igreja ou a Noiva de Cristo compõe-se de pessoas salvas no período entre esses dois eventos. Os santos do Velho Testamento não pertencem à Igreja, no sentido dispensacional, pois no seu tempo a Igreja ainda não existia como entidade identificável. Contudo, Deus tem ordenado que haja uma vin-culação muito estreita entre os santos do Velho Testamento e os "chamados para fora", os salvos pelo Evangelho de Cristo, em nosso tempo, pois lemos em Hb 11.40 "que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados". A fé demonstrada por esses homens de Deus, em suma, é a mesma fé que temos, a fé no Salvador e Redentor, o Messias. A esperança e o amor que neles estavam também são os mesmos que agora recebemos de Deus. No céu, ao redor do trono da graça, todos juntos louvaremos o nome de Deus e de Jesus Cristo. As pequenas diferenças que houver, oriundas de períodos ou épocas, nem serão lembradas, na euforia da vitória conquistada em nome de Cristo! • 12. A Missão da Igreja no mundo está claramente definida na Palavra de Deus. Nunca foi intenção de Deus que fosse ela um clube social, para apenas entretar os homens, e nem tão pouco uma organização apenas humanitária, por muito louvável que isso fosse. Nem tão pouco foi a Igreja estabelecida para fins comerciais, como se vê nas igrejas católicas onde se vendem indulgências por preços elevados, visando a obtenção dos privilégios do ditoso porvir.
Afirmamos que a missão da igreja é: ser uma luz brilhante nas trevas (Mt 5.14-16; Fl 2.15,16); um sal preser-vante (Mt 5.13) contra as influências deletérias da sociedade; um meio evangelizante, proclamando a um mundo perdido a mensagem salvadora de Cristo (Mc 16.15-20); um apoio da verdade, cada membro procurando edificar o outro. (Ef 4.16); cada cristão deve ser um exemplo de fé (I Pe 2.9) e embaixador do reino dos céus entre um povo contrário a Cristo (II Co 5.20; Ft 3.20), sendo que a "nossa cidadania está no céu."
13. Comparação da Dispensarão Eclesiástica com a Mosaica. Os Mediadores. É o propósito de Deus durante a presente dispensação extender a todo o mundo o convite para participar de Sua graça, como havia feito aos judeus durante o tempo da Lei. Esse convite é feito através do Mediador da Nova Aliança, que é Jesus, como Moisés o foi da Velha Aliança, tendo como propósito "chamar um povo para fora" do mundo, como indica o nome "eclesia". Os judeus foram chamados do Egito (Os 11.1) e a Igreja é chamada para fora do mundo. At 15.14. Israel como nação, foi o instrumento da expressão da obra de Deus no Antigo Testamento; de igual modo Ele opera na Igreja nos dias atuais.
As Revelações. Cada qual destes dois grupos, Israel e a Igreja, recebeu uma específica revelação de Deus, Israel através de Moisés, e a Igreja, através de Cristo e a Nova Aliança. É de se notar que ambos, Israel e a Igreja, eram: 1) separados de outros grupos. Êx 33.16; II Co 6.17; 2) um tesouro peculiar para Deus. Êx 19.5,1 Pe 2.9; 3) uma nação santa. Êx 19.6; I Pe 2.9; 4) reino de sacerdotes. Êx 19.6- I Pe 2.9; 5)"Deus era Quem sarava suas enfermidades. Ex 15.26; Tg 5.14,15. 6) obrigados a guardar Seus mandamentos. Êx 15.26; 19.5; Jo 14.21; I Jo 3.22. Ambos esses grandes Mediadores das duas alianças, a Mosaica e a Nova, comunicaram algo do seu espírito a outros que participariam com eles do ministério de comunicar essas alianças ao povo. Nm 11.14-17; At 1.8 e II Co 3.6.
Em ambas as dispensações, as Escrituras foram recebidas de Deus, preservadas e transmitidas; o Velho Testamento pelos profetas judaicos e o Novo Testamento pelos santos cristãos.
Em ambos os períodos houve a esperança da vinda de Cristo. Eles esperavam-nO em Sua primeira vinda, e nós, na segunda. Lc 2.38; Tt 2.13.
Tanto Israel como a Igreja, em suas respectivas dispensações, têm a incumbência de ser a luz para o mundo, através de sua presença no meio dos homens (Fl 2.15) e por seu sacerdócio em favor das nações. Êx 19.6; I Pe 2.9.
As falhas dessas dispensações são mui evidentes. As características distintivas de Israel logo se perderam e essa nação começou a cometer os mesmos pecados das demais nações. Como Israel se desviou, assim a Igreja também o fez, perdendo o poder de Deus e bem assim a sua mensagem para um mundo perdido.
Contudo, sempre houve um remanescente fiel, tanto na Dispensação da Lei como na Eclesiástica, de pessoas que mantêm sua fé firme em Deus, obedecendo-0 em tudo. Esses são aqueles que mantêm acesa a tocha da verdade. I Rs 19.18; Is 1.9; Lc 2.38; Ap 2.24; 3.4,20,21; Mt 22.14. Como houve apostasia geral no fim da Dispensação da Lei, assim está prevista uma apostasia geral para o fim da presente dispensação, II Ts 2.3.
Sendo que ambas as dispensações, a da Lei e da Igreja, fracassaram quanto ao exercício de suas oportunidades e responsabilidades, apostatando da verdade, é de se esperar que o juízo divino venha sobre a Igreja tal qual veio sobre Israel. I Pe 4.17; Mt 3.12; 24.50,51; Ap 2.5,23.
Cristo é a causa motivante, bem como o tipo das duas dispensações. Jesus estava no mundo justamente na hora quando essas duas dispensações estavam justapostas. Ele era a vida espiritual do remanescente fiel da velha dis-pensação e a Sua vida era um tipo de ambas, pois Ele também foi chamado do Egito, recebeu a maravilhosa revelação de Deus no princípio de Seu ministério, foi ao deserto, usufruindo um tempo de popularidade entre o povo para depois ser rejeitado, vindo comparecer a julgamento perante Pi latos. Ao ser pendurado na cruz, sendo julgado de modo especial pelos pecados dos "seus" - Israel e a Igreja - Ele estendia u'a mão em direção à Dispensação passada e a outra em direção à essa que assomava. Dava a Sua vida por ambas. Que ironia que Jesus, o Arquiteto maravilhoso que planejou os séculos (Hb 11.3), na cruz fosse esmagado bem no meio dos mesmos!
Olson, Nels Lawrence
O Plano divino através dos séculos

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