INTRODUÇÃO
Lição 03 – Os Dois Ícones da Igreja Primitiva (Pr. Luiz Cláudio Cruz)
TEXTO BÍBLICO: At 2:14-16,38,39; 9:1-5
Se houvesse
uma equipe de psicólogos avaliando a personalidade e o desempenho intelectual,
auxiliando Jesus na escolha dos seus discípulos, será que eles seriam
aprovados? Creio que não. Nenhum deles preencheria os requisitos, a saber:
a) O
material humano é vital para o sucesso de um empreendimento.
b) Uma
empresa pode ter máquinas, tecnologia, mas, se não tiver homens criativos,
inteligentes, motivados que saibam trabalhar em equipe poderá sucumbir.
O Mestre
contrariando toda a lógica, escolheu conscientemente homens despreparados.
Os
discípulos correram riscos ao segui-lo e Ele correu riscos maiores ainda ao
escolhê-los. Jamais alguém reuniu pessoas tão complicadas para ensinar. Por que
Jesus fez escolhas tão ilógicas?
Ele preferiu
começar do zero a ensinar pessoas já contaminadas pelo sistema, saturados de
vícios e preconceitos.
1) PEDRO,
ANTES E DEPOIS DO MESTRE
A
transformação da personalidade de Pedro teve seu período de mutação pois ele
era rude e sem grande cultura. Impetuoso, tenso e reagia antes de pensar.
Pedro
atropelava Jesus com frequência. Dizia coisas sem sua permissão. Colocava-o em
situações difíceis.
Era
hiperativo. Exemplos:
a) Era tão
precipitado que não titubeou em dizer que jamais negaria Cristo.
b) Sua
impulsividade impediu-o de pensar duas vezes antes de cortar a orelha de Malco.
c) Não tinha
medo de errar, chorar, de correr riscos.
Descobrindo
o segredo de aprender Pedro não era intelectual, mas deslumbrava-se ao ver seu
Mestre e aprender nos laboratórios pedagógicos ministrados por Jesus. Aprendeu
que:
a) O segredo
em aprender consistia em esvaziar-se dos preconceitos, não temer o novo.
b) Um
pescador se tornou um grande pensador.
Um grande
amigo de Jesus pois o Mestre tinha um especial cuidado com Pedro. Sabia que era
precipitado, mas era sincero e franco. Treino sua personalidade, levou-o a
trabalhar a tolerância, e usou a arte de pensar.
O resultado?
Pedro tornou-se um dos homens mais brilhantes. Não tinha paciência de pescar
com vara apenas com redes. Jesus manda-o pescar com vara para ensiná-lo.
Negando seu
Mestre teve início lá no Getsêmani quando viu o incomum, isto é: Jesus fala do
momento difícil e próximo da crucificação. Ao vê-lo preso em silêncio à
distância, instala-se um medo a ponto de negá-lo junto à fogueira (Mt 26:69).
Mas, o olhar de Jesus desbloqueia a mente de Pedro e ele caiu em si.
Reagindo
para vencer foi a decisão de Pedro ao receber o perdão do Mestre e semana mais
tarde, após sua ascensão ao Céu e a descida do Espírito Santo foi ele quem faz
o primeiro discurso e três mil almas recebem a Cristo como Salvador. Agora tem
uma vida plena e decidida para tornar-se um ícone na história da Igreja.
2) PAULO, O
APÓSTOLO DOS GENTIOS
O lado
sombrio da personalidade de Paulo deve ser estudado pois foi o maior
perseguidor dos cristãos, mas, quando se tornou um seguidor de Jesus Cristo,
foi o discípulo que pagou o preço mais alto para divulgá-lo.
Antes de
servi-lo sua trajetória foi desumana:
a) Encerrou
cristãos nas prisões. As lágrimas de homens e mulheres não o comoviam;
b) Múltiplos
assassinatos. Ele não apenas consentiu na morte de Estevão (At 8:1), mas de
muitos outros cristãos;
c)
Perseguição incansável e irracional. Ele viajava mais de 200 km
desconfortavelmente, pois o que importava era eliminar os seguidores de Jesus;
d)
Castigava-os em todas as sinagogas, espancando-os;
e) Nenhum
outro discípulo teve, no seu currículo emocional, a fúria e a tortura. Sua
desumanidade supera a de Judas Iscariotes, a de Pedro e demais seguidores de
Jesus;
f) A dor, as
lágrimas e o sangue dos cristãos que ele feriu jamais foram apagadas da sua
memória e geraram cicatrizes inesquecíveis.
Obs.: O
passado não se deleta, se reescreve.
No caminho
para Damasco, uma forte luz o envolveu. Caiu do cavalo, ouviu uma voz que
indagava por que ele o perseguia (At 9:4,5). O mundo desabou sobre Paulo.
Depois de passar pela experiência a caminho de Damasco, foi uma revolução
interior.
A caminhada
com Jesus foi cheia de entraves pois na época, ser um seguidor desse Jesus era
ser tachado de louco, de pertencer ao esgoto social. Como Paulo tratou e
reeditou sua agressividade e insensibilidade? Na carta aos Romanos teve coragem
e disse: “Miserável homem que sou ... Não faço o bem que prefiro, mas, o mal
que não quero, este faço...”(Rm 7:24).
Ele fez três
grandes viagens missionária para divulgar o nome de Jesus. Preso várias vezes.
Apedrejado e dado como morto. Sofreu três naufrágios. Passou uma noite e um dia
no mar. Enfrentou perigos de todos os tipos. Foi roubado por salteadores,
odiado pelos judeus, rejeitado pelos gentios. Ficou nu. Passou fome e sede por
amor aos perdidos.
No capítulo
13 da primeira carta aos coríntios, ele afirma que o amor é o alicerce da vida.
Paulo foi um homem feliz
em cumprir o ide de seu Mestre.
ADVEC – ASSEMBLEIA DE DEUS VITÓRIA EM CRISTO |
TAQUARA
ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL – CLASSE DOS
PROFESSORES
LPD n.o 51 – A Gênese Triunfal da Igreja
3.o Trimestre de 2017
Pedro, nosso fiel retrato
Pedro é o personagem mais contraditório da história. Oscilava como
uma gangorra desde os picos mais altos da coragem até às profundezas da
covardia mais vil. Com a mesma velocidade que avançava rumo à devoção mais
fiel, dava marcha ré e tropeçava em suas próprias palavras. Pedro é mais do que
um homem paradoxal; é um emblema. Pedro é o nosso fiel retrato. É a síntese da
nossa biografia. O sangue de Pedro corre em nossas veias e o coração de Pedro
pulsa em nosso peito. Temos o DNA de Pedro. Oscilamos também entre a devoção e
a apostasia. Subimos aos píncaros e caímos nas profundezas. Falamos coisas
lindas para Deus e depois tropeçamos em nossa língua e blasfemamos contra ele.
Prometemos inabalável fidelidade e depois revelamos vergonhosa covardia.
Revelamos uma fé robusta num momento e em seguida naufragamos nas águas revolta
da incredulidade. É isso que somos, Pedro!
Quem era Pedro? Pedro era filho de Jonas e irmão de André. Nasceu em
Betsaida, bucólica cidade às margens do mar da Galiléia. Pedro era um pescador
rude e iletrado, mas detentor de uma personalidade forte. Era notório seu dom
de liderança. Pedro era casado. Fixou residência em Cafarnaum, quartel general
de Jesus em seu ministério. Nessa cidade tinha uma empresa de pesca em
sociedade com Tiago e João, os filhos de Zebedeu.
Pedro foi levado a Cristo pelo seu irmão André. Desde que foi chamado
por Cristo para ser um pescador de homens, ocupou naturalmente a liderança do
grupo apostólico. Seu nome figura em primeiro lugar em todas as listas
neo-testamentárias que apresentam os nomes dos apóstolos. Foi o líder
inconteste dos apóstolos antes da morte de Cristo e o destacado líder depois da
ressurreição de Cristo. Ele foi o homem que abriu as portas do evangelho tanto
para os judeus como para os gentios.
Seu ministério foi direcionado especialmente aos judeus, aos da
circuncisão. Foi o grande pregador da igreja primitiva em Jerusalém, aquele que
levou a Cristo cerca de três mil pessoas em seu primeiro sermão depois do
Pentecostes. Também foi dotado pelo Espírito Santo para operar grandes
milagres. Até mesmo sua sombra era instrumento poderoso nas mãos de Deus para
curar os enfermos.
Pedro foi como uma pedra bruta burilada pelo Espírito Santo. De um homem
violento, tornou-se um homem manso. De um homem afoito e precipitado, tornou-se
um homem ponderado. De um homem explosivo, tornou-se um homem controlado e
paciente. De um homem covarde tornou-se um gigante, que enfrentou prisões,
açoites e a própria morte com indômita coragem.
Pedro foi um homem de oração. Tinha intimidade com Deus. Porque
prevalecia secretamente diante de Deus em oração, levantava-se com poder diante
dos homens para pregar. Pedro foi um pescador de homens e um presbítero entre
outros presbíteros. Jesus colocou em sua mão o cajado de pastor e ordenou-lhe a
apascentar seus cordeiros e a pastorear suas ovelhas. Pedro foi um homem que
encorajou a igreja a enfrentar o sofrimento da perseguição e também denunciou
com inabalável coragem os falsos mestres que perturbavam a igreja. Esse foi o
teor respectivo de suas duas epístolas. Pedro foi um missionário que,
juntamente com sua esposa, anunciou o evangelho em muitos redutos do império
romano. Pedro exaltou a Cristo em sua vida e glorificou a Deus através de sua
morte. Que você e eu, sigamos as pegadas desse homem de Deus e que em nossa
geração, Cristo seja conhecido em nós e através de nós!
Fonte: http://hernandesdiaslopes.com.br/
Tradução em andamento do livro "Church History", de Andrew Miller. http://a-historia-da-igreja.blogspot.com.br/
O Primeiro Apelo de Pedro aos Judeus
Então lemos: "E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, e Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia", ou, como devemos considerar, eram nove horas da manhã - a hora da oração no templo. (Atos 2:5-15)
Assim, Pedro toma a dianteira e explica aos judeus que as coisas maravilhosas que eles têm visto e ouvido naquela manhã não eram resultado de emoção, mas sim aquilo que deveria ser procurado segundo as suas próprias profecias das Escrituras. "Isto é o que foi dito pelo profeta Joel" (Atos 2:16). É marcante o motivo pelo qual Pedro se levanta e prega com tal ousadia, que é o terreno da ressurreição e exaltação de Cristo. Isto deve ser cuidadosamente observado, uma vez que mostra o fundamento sobre o qual a igreja descansa, e quando e onde sua história começa. Este foi o primeiro dia de sua existência, a primeira página de sua história, e seus primeiros triunfos do dom (presente) inefável de Deus para o homem.
"Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Saiba, pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo." (Atos 2:32-36)
Citamos agora as palavras de outro autor* sobre os benditos efeitos do primeiro sermão de Pedro, e da presença do Espírito Santo na Terra:
"Não foi meramente uma mudança moral, mas um poder que pôs de lado todos os motivos que individualizavam aqueles que O tinham recebido, unindo-os em uma só alma, e em uma só mente. Eles perseveravam na doutrina dos apóstolos, eles estavam em comunhão uns com os outros, eles partiam o pão, eles passavam o tempo em oração: a consciência da presença de Deus era poderosa entre eles, e muitos sinais e maravilhas eram operados pelas mãos dos apóstolos. Eles estavam unidos pelos laços mais fortes, onde ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todos dividiam suas possessões com aqueles que necessitavam. Eles estavam diariamente no templo, o local público de Israel para os exercícios religiosos, ao mesmo tempo em que tinham seu próprio local, fora daquilo, quando partiam o pão nas casas diariamente. Eles comiam com alegria e júbilo de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo ao seu redor. Assim a assembleia foi formada, e o Senhor acrescentava todos os dias a ela o remanescente de Israel que seria salvo dos juízos que cairiam sobre a nação que havia rejeitado o Filho de Deus, seu próprio Messias. Deus trouxe à assembleia - assim propriedade dEle pela presença do Espírito Santo - aqueles a quem Ele poupou em Israel. Aqui se encontrava a presença e a casa de Deus, apesar da antiga ordem de coisas ainda existir até a execução do juízo sobre Israel {*Nota do tradutor: invasão romana e destruição do templo de Jerusalém no ano 70 d.C.}.
"A igreja foi formada, portanto, pelo poder do Espírito Santo que desceu do Céu, sobre o testemunho de que Jesus, que tinha sido rejeitado, foi elevado ao Céu, tendo sido feito, de Deus, Senhor e Cristo. Ela foi composta do remanescente judeu que seria poupado, com a reserva de acrescentar também os gentios sempre que Deus fosse chamá-los." *
{* Trecho extraído das Sinopses dos Livros da Bíblia, de J. N. Darby, vol. 4, p. 8.}
Esta é, então, a igreja de Deus: a união daqueles a quem Deus chamou para o nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito Santo. O amor governa e caracteriza a recém-formada assembleia. As poderosas vitórias que a graça alcançou naquele memorável dia comprovou totalmente o poder do exaltado Senhor, e a presença do Espírito Santo na Terra. Três mil almas foram convertidas por meio de um único sermão. Aqueles que haviam sido inimigos declarados do Senhor, e que tinham participação na culpa de Seu assassinato, agora agonizavam sob o poder das palavras de Pedro. Alarmados pelo terrível pensamento de terem matado seu próprio Messias, e que Deus, em cuja presença eles estavam agora, O tinha exaltado à Sua própria destra no Céu, eles clamaram: "Que faremos, homens irmãos?"
Pedro agora procura aprofundar as boas obras em suas almas - Ele [o Senhor], procura humilhar os judeus, uma vez orgulhosos e desdenhosos. "Arrependei-vos", diz Pedro, "e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo". Ele não diz simplesmente "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo", embora, é claro, a fé e o arrependimento devem andar juntos onde quer que a obra é genuína. Mas Pedro, neste caso, pressiona ao arrependimento. A culpa deles tinha sido grande demais, e uma obra moral profunda em suas consciências era necessária para o arrependimento deles. Eles devem ver sua culpa diante de Deus, e receber a remissão de seus pecados aos pés daquEle que eles tinham rejeitado e crucificado. No entanto, tudo era graça. Seus corações foram tocados. Trocaram de lado, para o lado de Deus, contra eles mesmos - realmente se arrependeram, foram perdoados, e receberam a dádiva do Espírito Santo. Agora eles são filhos de Deus e têm a vida eterna: o Espírito Santo habita neles.
A realidade da mudança foi manifesta por uma completa mudança de caráter. "De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, e perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (Atos 2:41-42)
Batismo, na confissão de fé; recepção na assembleia; a ceia do Senhor, a comunhão dos santos, a oração; estas eram suas observâncias distintivas. Nesse momento, a oração do Senhor, "que todos sejam um", foi respondida, como lemos no capítulo 4. "E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns." (Atos 4:32). Vamos pular agora, a fim de continuar nossa linha de raciocínio, para o capítulo 10 de Atos.
Capítulo 5: O Apóstolo Paulo
Tendo esboçado
brevemente as vidas dos doze apóstolos, naturalmente chegamos ao que pode ser
chamado de décimo terceiro - o apóstolo Paulo.
No capítulo três falamos sobre a "conversão" e
sobre o "apostolado" de
Paulo. Vamos agora nos esforçar para traçar seu maravilhoso caminho, e tomar
nota de algumas características de destaque de seus trabalhos. Mas, antes de
tudo, vamos reunir tudo o que sabemos sobre ele antes de sua conversão.
Antes de sua conversão
É bastante evidente, a partir das poucas dicas que temos na
narrativa sagrada sobre o começo da vida de Paulo, que ele foi formado de
maneira notável, por todo o curso de sua educação, para chegar ao que se
tornaria, e para o que ele iria realizar. Foi Deus, que vigiava o desenvolvimento
dessa mente e desse coração maravilhoso, desde o começo (Gálatas 1:16). Até então
ele era conhecido como "Saulo de Tarso" - seu nome judeu - o nome
dado a ele pelos seus pais judeus. Paulo foi seu nome gentio; mas vamos
chamá-lo de "Saulo" até que ele seja nomeado "Paulo" pelo
historiador sagrado.
Tarso era a capital da Cilícia e, como diz Paulo, "cidade não pouco célebre" (Atos 21:39). Essa cidade era reconhecida como um local de comércio e berço de literatura. Os tutores de ambos Augusto e Tibério eram homens de Tarso. Mas ela ficará famosa em todos os tempos principalmente por ter sido a cidade natal e primeira residência do grande apóstolo.
Mas, embora tenha nascido em uma cidade gentia, ele era "um hebreu de hebreus" (Filipenses 3:5). Seu pai era da tribo de Benjamim e da seita dos fariseus, mas moravam em Tarso. De algum modo ele tinha adquirido a cidadania romana, e seu filho podia dizer ao comandante: "Mas eu o sou de nascimento."(Atos 22:28). Em Tarso ele aprendeu o ofício de fazer tendas. Era um costume saudável entre os judeus ensinar seus filhos algum ofício, embora possa haver pouca perspectiva de seu uso dependendo de sua condição de vida.
Quando Paulo fez sua defesa perante seus compatriotas (Atos 22), ele lhes conta que, embora tenha nascido em Tarso, ele havia sido "criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais." (Atos 22:3) A história fala de Gamaliel como um dos mais eminentes dos doutores da lei; e das Escrituras aprendemos que ele era moderado em suas opiniões, e possuído de muita sabedoria mundana. Mas o zelo perseguidor do pupilo logo apareceu em um forte contraste com os conselhos de seu mestre sobre tolerância.
Na época do martírio de Estêvão, Saulo é mencionado como sendo ainda um jovem, mas consentindo com a morte de Estêvão, e guardando as roupas daqueles que o apedrejaram. Sua conversão parece ter ocorrido cerca de dois anos depois da crucificação, mas a data exata é desconhecida.
A partir de Atos 9 aprendemos que ele não demorou, após sua conversão, para confessar sua fé em Cristo àqueles que estavam à sua volta. "E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco. E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus." (Atos 9:19-20). Este novo testemunho é especialmente digno de nota. Pedro tinha proclamado Jesus como o exaltado Senhor e Cristo; Paulo O proclama em Sua mais elevada e pessoal glória, como o Filho de Deus. Mas a hora de seu ministério público ainda não tinha chegado, ele ainda tinha muito o que aprender e, dirigido pelo Espírito, ele se retira para a Arábia, permanece lá por três anos, e retorna a Damasco (Gálatas 1:17).
Fortalecido e confirmado na fé durante seu retiro, ele prega com maior ousadia, provando que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. Os judeus, seus inimigos implacáveis dali em diante, se incitaram contra ele. E eles vigiavam os portões dia e noite para matá-lo. Mas os discípulos o levaram de noite e o desceram pela muralha em um cesto (2 Coríntios 11:32,33). Ele então achou seu caminho até Jerusalém, e através do amigável testemunho de Barnabé, achou seu lugar entre os discípulos. Que maravilhoso e bendito triunfo da graça soberana!
Tarso era a capital da Cilícia e, como diz Paulo, "cidade não pouco célebre" (Atos 21:39). Essa cidade era reconhecida como um local de comércio e berço de literatura. Os tutores de ambos Augusto e Tibério eram homens de Tarso. Mas ela ficará famosa em todos os tempos principalmente por ter sido a cidade natal e primeira residência do grande apóstolo.
Mas, embora tenha nascido em uma cidade gentia, ele era "um hebreu de hebreus" (Filipenses 3:5). Seu pai era da tribo de Benjamim e da seita dos fariseus, mas moravam em Tarso. De algum modo ele tinha adquirido a cidadania romana, e seu filho podia dizer ao comandante: "Mas eu o sou de nascimento."(Atos 22:28). Em Tarso ele aprendeu o ofício de fazer tendas. Era um costume saudável entre os judeus ensinar seus filhos algum ofício, embora possa haver pouca perspectiva de seu uso dependendo de sua condição de vida.
Quando Paulo fez sua defesa perante seus compatriotas (Atos 22), ele lhes conta que, embora tenha nascido em Tarso, ele havia sido "criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais." (Atos 22:3) A história fala de Gamaliel como um dos mais eminentes dos doutores da lei; e das Escrituras aprendemos que ele era moderado em suas opiniões, e possuído de muita sabedoria mundana. Mas o zelo perseguidor do pupilo logo apareceu em um forte contraste com os conselhos de seu mestre sobre tolerância.
Na época do martírio de Estêvão, Saulo é mencionado como sendo ainda um jovem, mas consentindo com a morte de Estêvão, e guardando as roupas daqueles que o apedrejaram. Sua conversão parece ter ocorrido cerca de dois anos depois da crucificação, mas a data exata é desconhecida.
A partir de Atos 9 aprendemos que ele não demorou, após sua conversão, para confessar sua fé em Cristo àqueles que estavam à sua volta. "E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco. E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus." (Atos 9:19-20). Este novo testemunho é especialmente digno de nota. Pedro tinha proclamado Jesus como o exaltado Senhor e Cristo; Paulo O proclama em Sua mais elevada e pessoal glória, como o Filho de Deus. Mas a hora de seu ministério público ainda não tinha chegado, ele ainda tinha muito o que aprender e, dirigido pelo Espírito, ele se retira para a Arábia, permanece lá por três anos, e retorna a Damasco (Gálatas 1:17).
Fortalecido e confirmado na fé durante seu retiro, ele prega com maior ousadia, provando que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. Os judeus, seus inimigos implacáveis dali em diante, se incitaram contra ele. E eles vigiavam os portões dia e noite para matá-lo. Mas os discípulos o levaram de noite e o desceram pela muralha em um cesto (2 Coríntios 11:32,33). Ele então achou seu caminho até Jerusalém, e através do amigável testemunho de Barnabé, achou seu lugar entre os discípulos. Que maravilhoso e bendito triunfo da graça soberana!
O Apostolado de Paulo
A lei e os profetas foram até João; após João o próprio Senhor, em Sua própria Pessoa, oferece o reino a Israel, mas "os Seus não O receberam". Eles crucificaram o Príncipe da vida, mas Deus O ressuscitou dentre os mortos, fazendo-O sentar à Sua direita nos lugares celestiais. Temos então os doze apóstolos. Eles são dotados com o Espírito Santo, e levam o testemunho da ressurreição de Cristo. Mas o testemunho dos doze é desprezado, o Espírito Santo é resistido, Estêvão é martirizado, a oferta final de misericórdia é rejeitada, e agora o tratamento de Deus com Israel como um povo é encerrado por um tempo. As cenas de Siló são encenadas novamente, Icabode é escrito em Jerusalém, e uma nova testemunha é convocada, como nos dias de Samuel. (Leia 1 Samuel 4)
Chegamos agora ao grande apóstolo dos gentios. Ele é como um nascido fora do tempo e fora de seu devido lugar. Seu apostolado não tinha nada a ver com Jerusalém ou com os doze. Era fora de ambos. Seu chamado era extraordinário e vindo direto do Senhor no Céu. Ele tem o privilégio de trazer a novidade: o caráter celestial da igreja - que Cristo e a igreja são um, e que o Céu é seu lar em comum (Efésios 1,2). Enquanto Deus estava tratando com Israel, essas benditas verdades estavam guardadas em segredo em Sua própria mente. "A mim,", diz Paulo, "o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo." (Efésios 3:8-9)
Não podia haver dúvidas sobre o caráter do chamado do apóstolo quanto à sua autoridade divina. "Não da parte dos homens, nem por homem algum", como diz ele em sua Epístola aos Gálatas, "mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos" (Gálatas 1:1). Isto é, não era "da parte dos homens", quanto à sua fonte, nem de qualquer Sínodo* de homens oficiais. "Nem por homem algum", foi como veio sua comissão. Ele não era apenas um santo, mas um apóstolo por chamado: e esse chamado era por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que O ressuscitou dentre os mortos. Em alguns aspectos, seu apostolado foi ainda de mais alta ordem do que o dos doze. Estes tinham sido chamados por Jesus quando na Terra; aquele tinha sido chamado pelo Cristo ressuscitado e glorificado no Céu. E, sendo seu chamado vindo do Céu, não necessitava nem da sanção nem do reconhecimento dos outros apóstolos. "Mas, quando aprouve a Deus ... revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue, nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco." (Gálatas 1:15-17)
A forma como Saulo foi chamado para apóstolo é digna de nota especial, pois bate de frente com a raiz do orgulho judaico, e pode também ser vista como o golpe mortal à vã noção de sucessão apostólica. Os apóstolos, a quem o Senhor tinha escolhido e nomeado quando estava na Terra, não eram nem a fonte nem o canal, de maneira alguma, da nomeação de Paulo. Eles não lançaram sortes para ele, como fizeram no caso de Matias (Atos 1). Ali eles estavam apenas em terreno judeu, o que pode explicar sua decisão por sorteio. Era um antigo costume, em Israel, descobrir a vontade divina por esses modos. Mas estas enfáticas palavras: "Paulo, apóstolo, não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo", excluem completamente a intervenção do homem sob qualquer forma. A sucessão apostólica é descartada. Somos santos por chamado e servos por chamado. E tal chamado deve vir do Céu. Paulo está diante de nós como um verdadeiro padrão para todos os pregadores do evangelho, e para todos os ministros da Palavra. Nada pode ser mais simplesque o terreno que ele toma como pregador, sendo o grande apóstolo que era. "E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos." (2 Coríntios 4:13)
Imediatamente após ser batizado e fortalecido, ele começou a confessar sua fé no Senhor Jesus e a pregar nas sinagogas de que Ele era o Filho de Deus. Isto é algo novo. Pedro pregava que Ele tinha sido exaltado à destra de Deus - que Ele tinha sido feito tanto Senhor quanto Cristo, mas Paulo prega uma doutrina mais elevada sobre Sua glória pessoal - "que Ele é o Filho de Deus". Em Mateus 16, Cristo é revelado pelo Pai aos discípulos como "o Filho do Deus vivo". Mas agora Ele é revelado, não apenas a Paulo, mas em Paulo. "Aprouve a Deus ... revelar seu Filho em mim" (Gálatas 1:15-16), disse ele. Mas quem é suficiente para falar dos privilégios e bênçãos daqueles a quem o Filho de Deus é, pois, revelado? A dignidade e segurança da igreja descansa sobre essa bendita verdade, e também sobre o evangelho da glória, que foi especialmente confiado a Paulo, e que ele chama de "meu evangelho".
"Sobre o Filho assim revelado", disse alguém docemente, "paira tudo o que é peculiar ao chamado e glória da igreja - suas santas prerrogativas - aceitação no Amado com perdão dos pecados por meio de Seu sangue - entrada para os tesouros da sabedoria e do conhecimento, de modo a tornar conhecido, a nós, o mistério da vontade de Deus - herança futura nEle e com Ele, no qual todas as coisas nos céus e na Terra serão congregadas - e o presente selo e penhor dessa herança, o Espírito Santo. Tal brilhante sequência de privilégios é escrita pelo apóstolo desta maneira: "bênçãos espirituais nos lugares celestiais"; e assim são elas; bênçãos através do Espírito fluindo e nos ligando a Ele, que é o Senhor nos céus." * (Efésios 1:3-14)
{* Veja mais detalhes sobre esse assunto em John Gifford Bellet, Christian Witness [Testemunho cristão], v. 4, p. 221; William Kelly, Introductory Lectures on Galatians [Estudos introdutórios sobre Gálatas], cap. 1}
Mas a doutrina da igreja - o mistério do amor, da graça e do privilégio - não tinha sido revelada até Paulo a ter declarado. O Senhor tinha falado dela quanto ao efeito que teria a presença do Consolador, dizendo: "Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós." (João 14:20). E novamente, quando Ele diz aos discípulos após a ressurreição: "Eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus." (João 20:17). Dessa "sequência brilhante" de bênçãos Paulo foi, especial e caracteristicamente, o apóstolo.
Devemos agora deixar um pouco de lado a história de Saulo e voltar a Pedro, que ocupa o campo até que Paulo comece seu ministério público em Atos 13.
📌Postado por Helio Henrique L. C.



Nenhum comentário:
Postar um comentário