LIÇÃO 7 : EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO
É preciso escolher entre duas coisas: ou sofrer
para se desenvolver, ou não se desenvolver para não sofrer.
(Theodore
Jouffroy, em Dicionário do Pensamento )
A tentação da autoflagelação
A autoflagelação tem a sua gênese na infeliz associação entre o sofrimento e o misticismo. O raciocínio é este: como a dor em alguns casos alimenta a religiosidade, ela é boa e atraente. Pendem para este comportamento aqueles que acreditam que a salvação é pelas obras e não pela graça de Deus. A pessoa se acostuma com a dor, passa a gostar dela e se aproveita dela para chamar a atenção e os cuidados dos outros. É algo doentio. Alguém observou que “quando não temos uma cruz pesada para suportar nós a fabricamos com dois palitos”. Mas é C. S. Lewis quem denuncia: “Em todo o reino da medicina não existe nada mais terrível de contemplar do que um indivíduo com melancolia crônica”.
Na declaração de Paulo — “sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo” (2 Co 12.10) — não há nenhuma idéia de autoflagelação. O prazer não está no sofrimento, mas naquilo que o sofrimento produzia: maior dependência de Deus e melhor apropriação dos recursos provenientes de Deus. O contexto mostra que o apóstolo lutou o quanto pôde contra o espinho na carne. Aceitou-o como uma imposição de Deus com fins benéficos.
A autoflagelação tem a sua gênese na infeliz associação entre o sofrimento e o misticismo. O raciocínio é este: como a dor em alguns casos alimenta a religiosidade, ela é boa e atraente. Pendem para este comportamento aqueles que acreditam que a salvação é pelas obras e não pela graça de Deus. A pessoa se acostuma com a dor, passa a gostar dela e se aproveita dela para chamar a atenção e os cuidados dos outros. É algo doentio. Alguém observou que “quando não temos uma cruz pesada para suportar nós a fabricamos com dois palitos”. Mas é C. S. Lewis quem denuncia: “Em todo o reino da medicina não existe nada mais terrível de contemplar do que um indivíduo com melancolia crônica”.
Na declaração de Paulo — “sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo” (2 Co 12.10) — não há nenhuma idéia de autoflagelação. O prazer não está no sofrimento, mas naquilo que o sofrimento produzia: maior dependência de Deus e melhor apropriação dos recursos provenientes de Deus. O contexto mostra que o apóstolo lutou o quanto pôde contra o espinho na carne. Aceitou-o como uma imposição de Deus com fins benéficos.
A tentação da superindagação
A preocupação com a causa do sofrimento é até certo ponto justa e sadia. Tem enchido páginas e páginas de muitos livros, desde os tempos mais remotos. É o assunto do livro de Jó, no Velho Testamento. O grande problema é que o homem tem errado muito na tentativa de descobrir a razão do sofrimento. Ele apresenta respostas simples demais, embora o problema seja complexo demais. Às vezes gasta mais tempo com a análise do sofrimento do que com a solução dele. Com freqüência esta superindagação toma ares altivos e desrespeitosos para com Deus.
Naturalmente há algumas possíveis respostas, mas não para todos os casos de dor. O sofrimento pode ter como causa muitos fatores simplesmente humanos e removíveis, como, por exemplo, a imprevidência, a indolência, o vício, a estrutura injusta e o mais citado de todos: o pecado. O rabino Harold S. Kushner, autor do livro Quando Coisas Ruins Acontecem às Pessoas Boas, lembra que o “Holocausto aconteceu porque milhares de pessoas foram persuadidas a juntar-se a Hitler em sua loucura, e milhões de outras pessoas deixaram-se amedrontar, sendo induzidas a cooperarem”.
Todavia é necessário que não se atribua ao pecado próprio e ao pecado alheio toda a razão do sofrimento. A Bíblia não nos permite pensar assim. O livro de Jó conta que Elifaz, Bildade e Zofar estavam tremendamente enganados quando atribuíram o sofrimento do homem da terra de Uz a alguma iniqüidade daquele que Deus declarou ser íntegro e reto (Jó 1.1). Quando os discípulos viram o cego de nascença, perguntaram a Jesus: “Quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” A resposta foi contundente: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.1-3). Em outra ocasião, Jesus corroborou este mesmo pensamento, afirmando que os galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que realizavam, e os dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé, não eram mais pecadores ou culpados do que todos os outros (Lc 13.1-5).
A tetraplégica Joni Eareckson Tada, que experimentou tremendo sofrimento, sugere uma atitude muito sábia: “Quando as peças do quebra-cabeça não se encaixam, deixemos que Deus seja Deus”. Essa reação acertada acaba com a tentação da superindagação.
A preocupação com a causa do sofrimento é até certo ponto justa e sadia. Tem enchido páginas e páginas de muitos livros, desde os tempos mais remotos. É o assunto do livro de Jó, no Velho Testamento. O grande problema é que o homem tem errado muito na tentativa de descobrir a razão do sofrimento. Ele apresenta respostas simples demais, embora o problema seja complexo demais. Às vezes gasta mais tempo com a análise do sofrimento do que com a solução dele. Com freqüência esta superindagação toma ares altivos e desrespeitosos para com Deus.
Naturalmente há algumas possíveis respostas, mas não para todos os casos de dor. O sofrimento pode ter como causa muitos fatores simplesmente humanos e removíveis, como, por exemplo, a imprevidência, a indolência, o vício, a estrutura injusta e o mais citado de todos: o pecado. O rabino Harold S. Kushner, autor do livro Quando Coisas Ruins Acontecem às Pessoas Boas, lembra que o “Holocausto aconteceu porque milhares de pessoas foram persuadidas a juntar-se a Hitler em sua loucura, e milhões de outras pessoas deixaram-se amedrontar, sendo induzidas a cooperarem”.
Todavia é necessário que não se atribua ao pecado próprio e ao pecado alheio toda a razão do sofrimento. A Bíblia não nos permite pensar assim. O livro de Jó conta que Elifaz, Bildade e Zofar estavam tremendamente enganados quando atribuíram o sofrimento do homem da terra de Uz a alguma iniqüidade daquele que Deus declarou ser íntegro e reto (Jó 1.1). Quando os discípulos viram o cego de nascença, perguntaram a Jesus: “Quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” A resposta foi contundente: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.1-3). Em outra ocasião, Jesus corroborou este mesmo pensamento, afirmando que os galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que realizavam, e os dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé, não eram mais pecadores ou culpados do que todos os outros (Lc 13.1-5).
A tetraplégica Joni Eareckson Tada, que experimentou tremendo sofrimento, sugere uma atitude muito sábia: “Quando as peças do quebra-cabeça não se encaixam, deixemos que Deus seja Deus”. Essa reação acertada acaba com a tentação da superindagação.
Antologia
do sofrimento (por ultimatoonline)
Capítulo 7
EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO
Na primeira carta a Timóteo era evidente a
preocupação do apóstolo
Paulo em alertar a igreja em Efeso com relação aos
falsos mestres e
seus ensinos perigosos contra a fé cristã. Na
segunda carta, no entanto,
podemos perceber que ele se dedica a ensinar sobre
diversos assuntos,
de caráter específico e bem pessoal para com o seu
discípulo amado.
Paulo começa a segunda carta lembrando a sua origem
e firmeza no
evangelho, e demonstra o cuidado extremado que
tinha para com a
vida espiritual de Timóteo, lembrando, também, a
origem do discípulo,
oriundo de um a família cristã exemplar.
Escrevendo da prisão, Paulo demonstra seu caráter
cristão fortalecido
Na fé em
Jesus. Quando muitos, sem estarem presos, não conseguem
manter-se
firmes na fé, Paulo manifesta sua fortaleza de caráter e personalidade
cristãos. A prisão é lugar que destrói a muitos,
levando-os ao
desespero e
à descrença. No entanto, Paulo comprova que podia estar
preso
fisicamente, confinado a uma cela romana, mas seu espírito e sua
fé estavam perfeitamente livres para continuar
servindo a Deus e que
“a palavra de Deus não está presa” (2 T m 2.9). Ele
mostra que valeu a
pena ter contribuído para a formação de um jovem
obreiro, o qual, em
seu lugar, o
representava tão bem, a ponto de ser seu embaixador junto
à igreja em
Efeso.
Paulo concita Timóteo a não se envergonhar do
evangelho, nem
dele, seu mestre, pelo fato de estar na prisão.
Certamente, ele já tinha
a consciência de que um discípulo de Cristo não
pode envergonhar-se
dEle (Mt 10.32,33). Paulo declara solenemente sua
certeza e firmeza na
fé, estimulando Timóteo a não fraquejar em qualquer
circunstância:
“[...] por cuja causa padeço também isto, mas não
me envergonho, por
que eu sei em quem tenho crido e estou certo de que
é poderoso para
guardar o meu depósito até àquele Dia” (2 Tm 1.12).
Um exemplo de
fé para todos os obreiros, em todos os tempos.
Nunca se deve desanimar,
mesmo quando as circunstâncias forem adversas.
I - ORAÇÕES E AÇÕES DE GRAÇAS
1. Intercessão por Timóteo
O pastor Paulo sabia das necessidades de Timóteo, e
orava por ele,
intercedendo
por sua firmeza e vitória espiritual, ante as lutas que enfrentava
como um jovem obreiro, ainda sem a experiência
necessária para
saber
conduzir-se em situações de maior desafio à liderança. Ele passa a
expressar
seu cuidado, dizendo que orava sem cessar, “noite e dia” (2 Tm
1.3). Será que nos dias presentes os pastores mais
antigos oram pelos mais
novos com
verdadeiro amor? Sem dúvida, nos dias de hoje, faz-se necessá
rio ainda mais esse cuidado com os novos obreiros
do Senhor.
Muitos deles ressentem-se da falta de interesse dos
que os consagraram
ou sobre eles impuseram as mãos, no dia da
consagração ou separa
cão para o
ministério. Devemos seguir o exemplo de Paulo, que, tendo
enviado Timóteo para supervisionar a igreja em
Éfeso, não deixou seu
“filho na fé” (1 Tm 1.2) entregue a si mesmo, nas
pesadas tarefas que
havia de desenvolver. Lembremos que, para uma carta
chegar às mãos de
um destinatário, àquela época, muitos dias ou até
meses levariam para
chegar ao destino.
2. A Sensibilidade de Paulo
Paulo era um dos expoentes máximos dos apóstolos de
Cristo. Suas
qualificações ministeriais são reconhecidas por
todos os estudiosos e
intérpretes
do Novo Testamento. Mas não se descurava do lado humano
do
ministério. Um exemplo para a liderança cristã. Há casos em
que o obreiro é (ou julga-se) tão importante, que
se esquece dos aspectos
humanos e
emocionais da igreja e dos seus liderados. E dirigem a
igreja local
como se fosse um a organização técnica, racional e fria. Há
casos em
que, se o obreiro “não atingir as metas”, geralmente financeiras,
pode ser
“dispensado” sem a menor consideração. Isso não deve ser característica de um
ministério cristão.
Paulo diz a Timóteo, depois de algum tempo
cumprindo a missão
Em Efeso (1
Tm 1.3; 2 Tm 1.18), que desejava vê-lo de perto, e
Se lembrava
de suas lágrimas, para ser confortado com sua presença.
Lembremos de que Paulo estava preso, em meio à
perseguição de Nero
Aos cristãos
(2 Tm 1.16,17); fora abandonado por muitos amigos (2 Tm
1.15); e sentia que seu ministério aproximava-se do
fim. Nessa seção da
carta, podem os perceber, de um lado, as
necessidades emocionais de
Paulo; e o cuidado e o afeto que o velho pastor
tinha por seu discípulo
Mais novo.
De outro lado, percebemos que Timóteo era um obreiro
igualmente sensível e humano. Ele derramava
lágrimas, em algumas
ocasiões, quando comungava com Paulo os seus
sofrimentos ou decepções
no
ministério. Chorar faz bem, quando as lágrimas são de alegria,
ou de
emoções incontidas, diante das adversidades. Tranqüiliza e
equilibra a mente e o corpo. O próprio Senhor Jesus
chorou, ao ver a
dureza dos
seus concidadãos, em Jerusalém (Jo 11.35).
3. A Formação Familiar de Timóteo
Timóteo era um jovem obreiro de caráter exemplar.
Seu discipulado
Começou no
lar, com o exemplo de sua avó, Loide, e de sua
mãe, Eunice, ambas judias, mas convertidas ao
evangelho. Seu pai
era grego.
Não há informação quanto a ele ter ou não se convertido
ao
evangelho.
Não temos a menor dúvida de que a formação familiar
de Timóteo
Incluía o
ensino da sã doutrina, do culto no lar e a valorização da piedade
cristã. Em seu crescimento espiritual, cumpriu-se o
que a Bíblia
diz: “Instrui o menino no caminho em que deve
andar, e, até quando
envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6). Para
isso, faz-se necessário
que a adoração a Deus, no lar, ou o culto doméstico,
seja valorizada.
Um a recomendação que fazia parte da educação
judaica, desde tempos
antigos. “Ponde, pois, estas minhas palavras no
vosso coração e
na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão,
para que estejam por
testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a
vossos filhos, falando delas
assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e
deitando-te, e
levantando-te; e escreve-as nos umbrais de tua casa
e nas tuas portas”
(D t 11.18-20). A educação familiar de Timóteo
serve de exemplo para
as famílias cristãs atuais.
II - A CONVICÇÃO EM DEUS
1. A Imposição de Mãos
Paulo conclui essa parte da sua segunda carta a
Timóteo fazendo
referência ao “dom de Deus”, que nele existia, pela
imposição de mãos
do seu
mentor espiritual “Por este motivo, te lembro que despertes o
dom de Deus,
que existe em ti pela imposição das minhas mãos” (2
Tm 1.6). Esse “dom ” (gr. charisma) era sem dúvida
o “dom ” para o
ministério. A imposição de mãos sempre foi um
ritual de grande valor,
na vida
ministerial da igreja cristã.
1 Jesus usou as mãos para efetuar vá-
rias curas (Mc 6.3; Lc 4.40). Saulo foi curado pela
imposição de mãos
de Ananias (At 9.17). Jesus impôs as mãos e
abençoou crianças (Mc
10.16); o batismo com o Espírito Santo era
ministrado com imposição
de mãos (At 19.6), como um a das formas de seu
recebimento. A consagração
de obreiros era solenemente realizada com imposição
de mãos
do ministério ou do presbitério (1 T m 4.14; 2 Tm
1.6), prática que é
seguida, hoje, em quase todas as igrejas
evangélicas.
2. 0 Espírito de Fortaleza, de Amor e de Moderação
“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas
de fortaleza, e de
amor, e de moderação” (2 Tm 1.7). N ão obstante a
tradução do termo
“espírito” estar em letra minúscula, refere-se à
presença do Espírito Santo
Na vida do jovem obreiro. Esse “espírito” ou essa
presença, não é de
“temor”. Mas é espírito de “fortaleza, e de amor, e
de moderação”. Aqui,
vemos algo muito sublime. O Espírito Santo é
Espírito de fortaleza, mas
suas ações e atividades são feitas com equilíbrio.
O poder do Espírito
Santo atua com “fortaleza” e, ao mesmo tempo, com
“amor” e “modera
ção”. Há lugares, em que, em determinados eventos
ou reuniões, há um
verdadeiro escândalo de falta de equilíbrio, no uso
dos dons espirituais.
A falta do discernimento espiritual tem levado
igrejas inteiras ao
histerismo sensacionalista, que em nada glorifica
ao Senhor.
1 A imposição de mãos não se fazia apenas na Igreja
Primitiva. Povos pagãos
usavam a imposição de mãos como um ato místico e
sagrado. Na índia, em
Roma, no Egito, na Babilônia e em muitos lugares,
essa prática era comum.
Acreditava-se que pelas mãos passava energia que
curava e abençoava as pessoas.
Diante dessa declaração enfática sobre o poder do
Espírito Santo,
na vida dos crentes, Paulo exorta Timóteo, dizendo:
Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso
Senhor, nem
de mim, que
sou prisioneiro seu; antes, participa das aflições do evangelho,
segundo o poder de Deus, que nos salvou e chamou
com uma
santa
vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu pró
prio
propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos
tempos dos
séculos, e que é manifesta, agora, pela aparição de nosso
Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte e
trouxe à luz a vida e a
incorrupção, pelo evangelho. (2 Tm 1.8-10)
Essa exortação nos mostra que o crente em Jesus não
deve jamais
se envergonhar dEle nem dos seus pastores que dão
suas vidas pela
igreja do
Senhor.
O apóstolo concitou Timóteo a participar
“das aflições do evangelho”.
Ele sabia o que falava, não por ouvir
dizer, ou por teoria ou
retórica humana. Paulo passou pelo fogo
do sofrimento pelo amor a
Deus e à sua obra.
Timóteo tinha conhecimento das
experiências de Paulo, em suas
Jornadas
em prol da igreja do Senhor Jesus. Mais do que qualquer outro
apóstolo, ele sofreu de modo intenso
para cumprir sua missão. Ele
lembrou tais fatos a Timóteo, para que o
jovem obreiro não se envergonhasse
de
Deus nem do seu pastor ante os inúmeros momentos de
tribulações que experimentara. Sua certeza da vitória,
não obstante as
circunstâncias adversas se levantarem, quais ondas num mar
encapelado,
o fez exclamar, num verdadeiro “Cântico
de Vitória” (Rm 8.37-39).
3. Doutor dos Gentios
Dando seqüência às suas palavras de
encorajamento, Paulo diz a
Timóteo, exaltando a Cristo: “(...j para
o que fui constituído pregador,
e apóstolo, e doutor dos gentios; por
cuja causa padeço também isto,
mas não me envergonho, porque eu sei em
quem tenho crido e estou
certo de que é poderoso para guardar o
meu depósito até àquele Dia”
(2 Tm 1.11,12). Ele tinha consciência e
convicção de sua chamada trí
plice, tendo sido constituído para ser
“pregador, apóstolo e doutor dos
gentios”. Com o pregador Paulo tinha o
talento e o dom natural da
oratória. Exímio orador, poliglota, Deus
usou-o com essas qualidades,
fazendo dele o maior dos intérpretes do
evangelho de Cristo, através
de
suas mensagens a muitos povos. Com o apóstolo, ainda que sendo
“grande” em sua estatura espiritual e
ministerial, considerava-se a si
mesmo
“o menor dos apóstolos” (1 C o 15.9).
Como
“doutor dos gentios” , reconheceu que, em si mesmo, recebeu,
da
parte de Deus, conhecimentos e sabedoria que não foram dados
a
outros. Seu “doutorado” foi realizado e concluído na “faculdade
da tribulação” (Rm 5.3), nos cursos de
especialização em sofrimentos:
Até esta presente hora, sofremos fome e
sede, e estamos nus, e recebemos
bofetadas, e não temos pousada certa, e
nos afadigamos, trabalhando
com nossas próprias mãos; somos
injuriados e bendizemos;
somos perseguidos e sofremos; somos
blasfemados e rogamos; até ao
presente, temos chegado a ser como o
lixo deste mundo e como a
escória de todos. (1 C o 4.11-13)
Após sua autoapresentação, Paulo exorta
Timóteo a manter-se firme
Na
fé, conservando “o modelo das sãs palavras” , que o jovem discí
pulo
recebeu, da parte de Paulo, “na fé e na caridade que há em Cristo
Jesus’ (2 T m 1.13). E o incentiva,
dizendo: “Guarda o bom depósito
pelo Espírito Santo que habita em nós”
(2 T m 1.14). O “bom depósito”
era o acervo de conhecimentos que Paulo
e Timóteo receberam da
parte de Deus. É o “tesouro” , guardado
em “vaso de barro” que deve
glorificar a Deus: “Temos, porém, esse
tesouro em vasos de barro, para
que a excelência do poder seja de Deus e
não de nós” (2 C o 4.7).
III - UM CONVITE AO SOFRIMENTO POR
CRISTO
1. 0 Fortalecimento na Graça
“Tu, pois, meu filho, fortifica-te na
graça que há em Cristo Jesus. E o
que de mim, entre muitas testemunhas,
ouviste, confia-o a homens fiéis,
que sejam idôneos para também ensinarem
os outros” (2 T m 2.1,2).
Todo cristão precisa ser forte,
principalmente no aspecto espiritual. O
Jovem
discípulo de Paulo certamente enfrentava desafios além de suas
forças. Obreiro novo, deve ter se
defrontado com homens mais idosos
e experientes, que não acreditavam no
seu potencial. Os falsos mestres
que se encontravam em Éfeso devem ter se
oposto ao jovem obreiro.
Diante dessa realidade, estando tão
distante, Paulo lhe diz que devia forti
ficar-se “na graça que há em Cristo
Jesus”. Sem dúvida essa fortaleza deve
fazer parte da vida do obreiro em
qualquer situação. Muitas vezes, em
situações de tranqüilidade no
ministério, o obreiro pode descuidar-se de
buscar o poder de Deus, e fracassar.
Diante das lutas, tribulações e
tentações, o crente só vence se tiver
a força que vem do alto. Escrevendo aos
efésios, Paulo disse: “No demais,
irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e
na força do seu poder
(Ef 6.10). Fortalecer-se na graça é
fortalecer-se no Senhor e na força
do seu poder”. Paulo estava sofrendo.
Preso e sentindo o abandono de
seus amigos, na hora mais triste de sua
vida, se ele não tivesse a força
do poder de Deus, não teria resistido.
Com esse sentimento, Paulo diz
a Timóteo que confiasse o que aprendeu
com seu pai na fé a homens
fiéis e idôneos com capacidade para
ensinarem a outros. Se Timóteo demonstrasse
fraqueza, não teria credibilidade para
dar exemplo a outros.
2. 0 Bom Soldado de Cristo
“Sofre, pois, comigo, as aflições, como
bom soldado de Jesus Cristo
(2 T m 2.3). A vida cristã é um misto de
alegrias e tristezas; de lutas e vitórias.
Jesus advertiu seus discípulos, dizendo:
“Tenho-vos dito isso, para
que em mim tenhais paz; no mundo tereis
aflições, mas tende bom ânimo;
eu venci o mundo” (Jo 16.33). H á
crentes que não experimentam
aflições em sua vida porque não se
dispõem a viver de acordo com os
padrões cristãos. Preferem um a vida de
prazeres e satisfações materiais,
fogem da luta contra o pecado, o mundo e
o Diabo.
E buscam seus interesses pessoais. Para
esses, que não se incomodam,
mas se acomodam ante os desafios, o
desinteresse pelas coisas de
Deus os fazem sentir-se melhor. Porém,
para os crentes que aceitam
tom ar a cruz (Mt 16.24), renunciando a
si mesmos, a vida cristã e uma
luta constante, sem tréguas. Sua vida
pode ser comparada à de um soldado,
que está na frente da batalha. C om o
diz Paulo, sofre as aflições
como bom soldado de Cristo . E é na
luta, nos combates espirituais,
“pela fé que um a vez foi dada aos
santos” (Jd 3), que o servo de Deus
se fortalece e acumula experiências que
o capacitam a ser mais que
vencedor (Rm 8.37).
Com amor, dedicação, esforço e
disciplina rígida. O bom soldado de Cristo
também precisa demonstrar sua vocação
para fazer parte do Exército de
Cristo. Não pode servir a Deus agradando
ao mundo. “Ninguém que
milita se embaraça com negócio desta
vida, a fim de agradar àquele que
o alistou para a guerra. E, se alguém
também milita, não é coroado se
não militar legitimamente” (2 Tm 2.4,5).
Quantos, na vida cristã, ficaram
para trás, caídos à beira do caminho e
do campo de batalha, porque não
vigiaram nem oraram (Mt 26.41), e se
embaraçaram com coisas futeis e
passageiras desta vida.
3. 0 Lavrador de Cristo e os Sofrimentos
da Obra
“O lavrador que trabalha deve ser o
primeiro a gozar dos frutos”
(2 Tm 2.6). A agricultura é um dos
motivos de inspiração para o uso
de figuras de linguagem, em relação à
pregação do evangelho. Jesus, o
Mestre, usou várias parábolas em seus
sermões para mostrar o significado
do Reino de Deus ou o Reino dos céus. N
a parábola do semeador,
Ele demonstrou que o lavrador semeia em
todos os terrenos. Figura da
pregação do evangelho aos diversos tipos
de pessoas, dentre as quais há
as que são comparadas a terras que não
produzem, e apenas “outra caiu
em boa terra e deu fruto: um, a cem,
outro, a sessenta, e outro, a trinta”
(Mt 13.1-8; ver Jo 15.1; Mt 21.33).
Paulo também usou essa metáfora diversas
vezes. Ele diz aos coríntios que somos
“lavoura de Deus”; “porque
nós
somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício
de Deus” (1 C o 3.9). Diz a Timóteo que
quem deve gozar dos frutos da
plantação é o “lavrador que trabalha”.
Depois de convidar Timóteo a sofrer com
ele “as aflições de Cristo”,
Paulo ressalta que ele próprio muito
sofrerá e sofria, na ocasião, por causa
do trabalho do Senhor. Estava preso,
injustamente, por causa do evangelho.
Mas exortou o jovem obreiro, assegurando
que o Senhor lhe daria
“entendimento em tudo” (2 Tm 2.7), visto
que ressuscitou dos mortos,
conforme ele pregava (2 Tm 2.8).
E conclui esta parte da missiva, de modo
eloqüente e vibrante, dizendo
a Timóteo: “Portanto, tudo sofro por
amor dos escolhidos, para
que também eles alcancem a salvação que
está em Cristo Jesus com
glória eterna. Palavra fiel é esta: que,
se morrermos com ele, também
com ele viveremos; se sofrermos, também
com ele reinaremos; se o
negarmos, também ele nos negará; se
formos infiéis, ele permanece
fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2 T
m 2.10-13). De um lado, essa
conclusão nos mostra que Deus dá a
recompensa aos que o servem,
em meio às tribulações e aflições da
vida. Mas se formos infiéis, ele
não corresponde à infidelidade, pois
“não pode negar-se a si mesmo”.
O apóstolo Paulo era homem de fé
inabalável. Sofreu como nenhum
outro apóstolo experiências dolorosas em
seu ministério. Outros
apóstolos também sofreram, e foram
mortos por amor do evangelho.
Mas Paulo, antes de sua morte, passou
por momentos de grandes tribulações.
Sofreu naufrágio, passou fome, foi
espancado, preso em calabou-
ço, foi abandonado por seus amigos e
irmãos, além de outras agruras
em sua missão. Mas demonstrou ter um
caráter firme e decidido, jamais
fraquejando ante as pressões e ameaças à sua fé.
Demonstrou ter aquela
firmeza de Daniel, de Sadraque, de
Mesaque e de Abdênego, os quais
também
não se encurvaram ante as ameaças do Diabo. Por isso, teve
autoridade para dizer a Timóteo, referindo-se a Jesus
Cristo: “por cuja
causa
padeço também isto, mas não me envergonho, porque eu sei em
quem
tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu
depósito
até àquele D ia” (2 T m 1.12).


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