segunda-feira, 10 de agosto de 2015

LIÇÃO 7 EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO


LIÇÃO 7 : EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO


É preciso escolher entre duas coisas: ou sofrer para se desenvolver, ou não se desenvolver para não sofrer.
                                 (Theodore Jouffroy, em Dicionário do Pensamento )

A tentação da autoflagelação

A autoflagelação tem a sua gênese na infeliz associação entre o sofrimento e o misticismo. O raciocínio é este: como a dor em alguns casos alimenta a religiosidade, ela é boa e atraente. Pendem para este comportamento aqueles que acreditam que a salvação é pelas obras e não pela graça de Deus. A pessoa se acostuma com a dor, passa a gostar dela e se aproveita dela para chamar a atenção e os cuidados dos outros. É algo doentio. Alguém observou que “quando não temos uma cruz pesada para suportar nós a fabricamos com dois palitos”. Mas é C. S. Lewis quem denuncia: “Em todo o reino da medicina não existe nada mais terrível de contemplar do que um indivíduo com melancolia crônica”.

Na declaração de Paulo — “sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo” (2 Co 12.10) — não há nenhuma idéia de autoflagelação. O prazer não está no sofrimento, mas naquilo que o sofrimento produzia: maior dependência de Deus e melhor apropriação dos recursos provenientes de Deus. O contexto mostra que o apóstolo lutou o quanto pôde contra o espinho na carne. Aceitou-o como uma imposição de Deus com fins benéficos.

A tentação da superindagação

A preocupação com a causa do sofrimento é até certo ponto justa e sadia. Tem enchido páginas e páginas de muitos livros, desde os tempos mais remotos. É o assunto do livro de Jó, no Velho Testamento. O grande problema é que o homem tem errado muito na tentativa de descobrir a razão do sofrimento. Ele apresenta respostas simples demais, embora o problema seja complexo demais. Às vezes gasta mais tempo com a análise do sofrimento do que com a solução dele. Com freqüência esta superindagação toma ares altivos e desrespeitosos para com Deus.

Naturalmente há algumas possíveis respostas, mas não para todos os casos de dor. O sofrimento pode ter como causa muitos fatores simplesmente humanos e removíveis, como, por exemplo, a imprevidência, a indolência, o vício, a estrutura injusta e o mais citado de todos: o pecado. O rabino Harold S. Kushner, autor do livro Quando Coisas Ruins Acontecem às Pessoas Boas, lembra que o “Holocausto aconteceu porque milhares de pessoas foram persuadidas a juntar-se a Hitler em sua loucura, e milhões de outras pessoas deixaram-se amedrontar, sendo induzidas a cooperarem”.

Todavia é necessário que não se atribua ao pecado próprio e ao pecado alheio toda a razão do sofrimento. A Bíblia não nos permite pensar assim. O livro de Jó conta que Elifaz, Bildade e Zofar estavam tremendamente enganados quando atribuíram o sofrimento do homem da terra de Uz a alguma iniqüidade daquele que Deus declarou ser íntegro e reto (Jó 1.1). Quando os discípulos viram o cego de nascença, perguntaram a Jesus: “Quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” A resposta foi contundente: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.1-3). Em outra ocasião, Jesus corroborou este mesmo pensamento, afirmando que os galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que realizavam, e os dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé, não eram mais pecadores ou culpados do que todos os outros (Lc 13.1-5).

A tetraplégica Joni Eareckson Tada, que experimentou tremendo sofrimento, sugere uma atitude muito sábia: “Quando as peças do quebra-cabeça não se encaixam, deixemos que Deus seja Deus”. Essa reação acertada acaba com a tentação da superindagação.

                                               Antologia do sofrimento (por ultimatoonline)




Capítulo 7
EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO

Na primeira carta a Timóteo era evidente a preocupação do apóstolo
Paulo em alertar a igreja em Efeso com relação aos falsos mestres e
seus ensinos perigosos contra a fé cristã. Na segunda carta, no entanto,
podemos perceber que ele se dedica a ensinar sobre diversos assuntos,
de caráter específico e bem pessoal para com o seu discípulo amado.
Paulo começa a segunda carta lembrando a sua origem e firmeza no
evangelho, e demonstra o cuidado extremado que tinha para com a
vida espiritual de Timóteo, lembrando, também, a origem do discípulo,
oriundo de um a família cristã exemplar.
Escrevendo da prisão, Paulo demonstra seu caráter cristão fortalecido
Na  fé em Jesus. Quando muitos, sem estarem presos, não conseguem
manter-se  firmes na fé, Paulo manifesta sua fortaleza de caráter e personalidade
cristãos. A prisão é lugar que destrói a muitos, levando-os ao
desespero  e à descrença. No entanto, Paulo comprova que podia estar
preso  fisicamente, confinado a uma cela romana, mas seu espírito e sua
fé estavam perfeitamente livres para continuar servindo a Deus e que
“a palavra de Deus não está presa” (2 T m 2.9). Ele mostra que valeu a
pena ter contribuído para a formação de um jovem obreiro, o qual, em
seu  lugar, o representava tão bem, a ponto de ser seu embaixador junto
à  igreja em Efeso.
Paulo concita Timóteo a não se envergonhar do evangelho, nem
dele, seu mestre, pelo fato de estar na prisão. Certamente, ele já tinha
a consciência de que um discípulo de Cristo não pode envergonhar-se
dEle (Mt 10.32,33). Paulo declara solenemente sua certeza e firmeza na
fé, estimulando Timóteo a não fraquejar em qualquer circunstância:
“[...] por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho, por­
que eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para
guardar o meu depósito até àquele Dia” (2 Tm 1.12). Um exemplo de
fé para todos os obreiros, em todos os tempos. Nunca se deve desanimar,
mesmo quando as circunstâncias forem adversas.

I - ORAÇÕES E AÇÕES DE GRAÇAS

1. Intercessão por Timóteo
O pastor Paulo sabia das necessidades de Timóteo, e orava por ele,
intercedendo  por sua firmeza e vitória espiritual, ante as lutas que enfrentava
como um jovem obreiro, ainda sem a experiência necessária para
saber  conduzir-se em situações de maior desafio à liderança. Ele passa a
expressar  seu cuidado, dizendo que orava sem cessar, “noite e dia” (2 Tm
1.3). Será que nos dias presentes os pastores mais antigos oram pelos mais
novos  com verdadeiro amor? Sem dúvida, nos dias de hoje, faz-se necessá­
rio ainda mais esse cuidado com os novos obreiros do Senhor.
Muitos deles ressentem-se da falta de interesse dos que os consagraram
ou sobre eles impuseram as mãos, no dia da consagração ou separa­
cão  para o ministério. Devemos seguir o exemplo de Paulo, que, tendo
enviado Timóteo para supervisionar a igreja em Éfeso, não deixou seu
“filho na fé” (1 Tm 1.2) entregue a si mesmo, nas pesadas tarefas que
havia de desenvolver. Lembremos que, para uma carta chegar às mãos de
um destinatário, àquela época, muitos dias ou até meses levariam para
chegar ao destino.

2. A Sensibilidade de Paulo
Paulo era um dos expoentes máximos dos apóstolos de Cristo. Suas
qualificações ministeriais são reconhecidas por todos os estudiosos e
intérpretes  do Novo Testamento. Mas não se descurava do lado humano
do  ministério. Um exemplo para a liderança cristã. Há casos em
que o obreiro é (ou julga-se) tão importante, que se esquece dos aspectos
humanos  e emocionais da igreja e dos seus liderados. E dirigem a
igreja  local como se fosse um a organização técnica, racional e fria. Há
casos  em que, se o obreiro “não atingir as metas”, geralmente financeiras,
pode  ser “dispensado” sem a menor consideração. Isso não deve ser característica de um ministério cristão.
Paulo diz a Timóteo, depois de algum tempo cumprindo a missão
Em  Efeso (1 Tm 1.3; 2 Tm 1.18), que desejava vê-lo de perto, e
Se  lembrava de suas lágrimas, para ser confortado com sua presença.
Lembremos de que Paulo estava preso, em meio à perseguição de Nero
Aos  cristãos (2 Tm 1.16,17); fora abandonado por muitos amigos (2 Tm
1.15); e sentia que seu ministério aproximava-se do fim. Nessa seção da
carta, podem os perceber, de um lado, as necessidades emocionais de
Paulo; e o cuidado e o afeto que o velho pastor tinha por seu discípulo
Mais  novo. De outro lado, percebemos que Timóteo era um obreiro
igualmente sensível e humano. Ele derramava lágrimas, em algumas
ocasiões, quando comungava com Paulo os seus sofrimentos ou decepções
no  ministério. Chorar faz bem, quando as lágrimas são de alegria,
ou  de emoções incontidas, diante das adversidades. Tranqüiliza e
equilibra a mente e o corpo. O próprio Senhor Jesus chorou, ao ver a
dureza  dos seus concidadãos, em Jerusalém (Jo 11.35).

3. A Formação Familiar de Timóteo
Timóteo era um jovem obreiro de caráter exemplar. Seu discipulado
Começou  no lar, com o exemplo de sua avó, Loide, e de sua
mãe, Eunice, ambas judias, mas convertidas ao evangelho. Seu pai
era  grego. Não há informação quanto a ele ter ou não se convertido
ao  evangelho.
Não temos a menor dúvida de que a formação familiar de Timóteo
Incluía   o ensino da sã doutrina, do culto no lar e a valorização da piedade
cristã. Em seu crescimento espiritual, cumpriu-se o que a Bíblia
diz: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando
envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6). Para isso, faz-se necessário
que a adoração a Deus, no lar, ou o culto doméstico, seja valorizada.
Um a recomendação que fazia parte da educação judaica, desde tempos
antigos. “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e
na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por
testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas
assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e
levantando-te; e escreve-as nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”
(D t 11.18-20). A educação familiar de Timóteo serve de exemplo para
as famílias cristãs atuais.

II - A CONVICÇÃO EM DEUS
1. A Imposição de Mãos
Paulo conclui essa parte da sua segunda carta a Timóteo fazendo
referência ao “dom de Deus”, que nele existia, pela imposição de mãos
do  seu mentor espiritual “Por este motivo, te lembro que despertes o
dom  de Deus, que existe em ti pela imposição das minhas mãos” (2
Tm 1.6). Esse “dom ” (gr. charisma) era sem dúvida o “dom ” para o
ministério. A imposição de mãos sempre foi um ritual de grande valor,
na  vida ministerial da igreja cristã.

1 Jesus usou as mãos para efetuar vá-
rias curas (Mc 6.3; Lc 4.40). Saulo foi curado pela imposição de mãos
de Ananias (At 9.17). Jesus impôs as mãos e abençoou crianças (Mc
10.16); o batismo com o Espírito Santo era ministrado com imposição
de mãos (At 19.6), como um a das formas de seu recebimento. A consagração
de obreiros era solenemente realizada com imposição de mãos
do ministério ou do presbitério (1 T m 4.14; 2 Tm 1.6), prática que é
seguida, hoje, em quase todas as igrejas evangélicas.

2. 0 Espírito de Fortaleza, de Amor e de Moderação
“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de
amor, e de moderação” (2 Tm 1.7). N ão obstante a tradução do termo
“espírito” estar em letra minúscula, refere-se à presença do Espírito Santo
Na vida do jovem obreiro. Esse “espírito” ou essa presença, não é de
“temor”. Mas é espírito de “fortaleza, e de amor, e de moderação”. Aqui,
vemos algo muito sublime. O Espírito Santo é Espírito de fortaleza, mas
suas ações e atividades são feitas com equilíbrio. O poder do Espírito
Santo atua com “fortaleza” e, ao mesmo tempo, com “amor” e “modera­
ção”. Há lugares, em que, em determinados eventos ou reuniões, há um
verdadeiro escândalo de falta de equilíbrio, no uso dos dons espirituais.
A falta do discernimento espiritual tem levado igrejas inteiras ao
histerismo sensacionalista, que em nada glorifica ao Senhor.

1 A imposição de mãos não se fazia apenas na Igreja Primitiva. Povos pagãos
usavam a imposição de mãos como um ato místico e sagrado. Na índia, em
Roma, no Egito, na Babilônia e em muitos lugares, essa prática era comum.
Acreditava-se que pelas mãos passava energia que curava e abençoava as pessoas.
Diante dessa declaração enfática sobre o poder do Espírito Santo,
na vida dos crentes, Paulo exorta Timóteo, dizendo:
Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem
de  mim, que sou prisioneiro seu; antes, participa das aflições do evangelho,
segundo o poder de Deus, que nos salvou e chamou com uma
santa  vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu pró­
prio  propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos
tempos  dos séculos, e que é manifesta, agora, pela aparição de nosso
Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a
incorrupção, pelo evangelho. (2 Tm 1.8-10)
Essa exortação nos mostra que o crente em Jesus não deve jamais
se envergonhar dEle nem dos seus pastores que dão suas vidas pela
igreja  do Senhor.

O apóstolo concitou Timóteo a participar “das aflições do evangelho”.
Ele sabia o que falava, não por ouvir dizer, ou por teoria ou
retórica humana. Paulo passou pelo fogo do sofrimento pelo amor a
Deus e à sua obra.
Timóteo tinha conhecimento das experiências de Paulo, em suas
Jornadas  em prol da igreja do Senhor Jesus. Mais do que qualquer outro
apóstolo, ele sofreu de modo intenso para cumprir sua missão. Ele
lembrou tais fatos a Timóteo, para que o jovem obreiro não se envergonhasse
de  Deus nem do seu pastor ante os inúmeros momentos de
tribulações  que experimentara. Sua certeza da vitória, não obstante as
circunstâncias  adversas se levantarem, quais ondas num mar encapelado,
o fez exclamar, num verdadeiro “Cântico de Vitória” (Rm 8.37-39).

3. Doutor dos Gentios
Dando seqüência às suas palavras de encorajamento, Paulo diz a
Timóteo, exaltando a Cristo: “(...j para o que fui constituído pregador,
e apóstolo, e doutor dos gentios; por cuja causa padeço também isto,
mas não me envergonho, porque eu sei em quem tenho crido e estou
certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele Dia”
(2 Tm 1.11,12). Ele tinha consciência e convicção de sua chamada trí­
plice, tendo sido constituído para ser “pregador, apóstolo e doutor dos
gentios”. Com o pregador Paulo tinha o talento e o dom natural da
oratória. Exímio orador, poliglota, Deus usou-o com essas qualidades,
fazendo dele o maior dos intérpretes do evangelho de Cristo, através
de  suas mensagens a muitos povos. Com o apóstolo, ainda que sendo
“grande” em sua estatura espiritual e ministerial, considerava-se a si
mesmo  “o menor dos apóstolos” (1 C o 15.9).
Como  “doutor dos gentios” , reconheceu que, em si mesmo, recebeu,
da  parte de Deus, conhecimentos e sabedoria que não foram dados
a  outros. Seu “doutorado” foi realizado e concluído na “faculdade
da tribulação” (Rm 5.3), nos cursos de especialização em sofrimentos:
Até esta presente hora, sofremos fome e sede, e estamos nus, e recebemos
bofetadas, e não temos pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando
com nossas próprias mãos; somos injuriados e bendizemos;
somos perseguidos e sofremos; somos blasfemados e rogamos; até ao
presente, temos chegado a ser como o lixo deste mundo e como a
escória de todos. (1 C o 4.11-13)
Após sua autoapresentação, Paulo exorta Timóteo a manter-se firme
Na  fé, conservando “o modelo das sãs palavras” , que o jovem discí­
pulo  recebeu, da parte de Paulo, “na fé e na caridade que há em Cristo
Jesus’ (2 T m 1.13). E o incentiva, dizendo: “Guarda o bom depósito
pelo Espírito Santo que habita em nós” (2 T m 1.14). O “bom depósito”
era o acervo de conhecimentos que Paulo e Timóteo receberam da
parte de Deus. É o “tesouro” , guardado em “vaso de barro” que deve
glorificar a Deus: “Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para
que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 C o 4.7).

III - UM CONVITE AO SOFRIMENTO POR CRISTO

1. 0 Fortalecimento na Graça
“Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. E o
que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis,
que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 T m 2.1,2).
Todo cristão precisa ser forte, principalmente no aspecto espiritual. O
Jovem  discípulo de Paulo certamente enfrentava desafios além de suas
forças. Obreiro novo, deve ter se defrontado com homens mais idosos
e experientes, que não acreditavam no seu potencial. Os falsos mestres
que se encontravam em Éfeso devem ter se oposto ao jovem obreiro.
Diante dessa realidade, estando tão distante, Paulo lhe diz que devia forti
ficar-se “na graça que há em Cristo Jesus”. Sem dúvida essa fortaleza deve
fazer parte da vida do obreiro em qualquer situação. Muitas vezes, em
situações de tranqüilidade no ministério, o obreiro pode descuidar-se de
buscar o poder de Deus, e fracassar.
Diante das lutas, tribulações e tentações, o crente só vence se tiver
a força que vem do alto. Escrevendo aos efésios, Paulo disse: “No demais,
irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder
(Ef 6.10). Fortalecer-se na graça é fortalecer-se no Senhor e na força
do seu poder”. Paulo estava sofrendo. Preso e sentindo o abandono de
seus amigos, na hora mais triste de sua vida, se ele não tivesse a força
do poder de Deus, não teria resistido. Com esse sentimento, Paulo diz
a Timóteo que confiasse o que aprendeu com seu pai na fé a homens
fiéis e idôneos com capacidade para ensinarem a outros. Se Timóteo demonstrasse
fraqueza, não teria credibilidade para dar exemplo a outros.
 2. 0 Bom Soldado de Cristo
“Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo
(2 T m 2.3). A vida cristã é um misto de alegrias e tristezas; de lutas e vitórias.
Jesus advertiu seus discípulos, dizendo: “Tenho-vos dito isso, para
que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo;
eu venci o mundo” (Jo 16.33). H á crentes que não experimentam
aflições em sua vida porque não se dispõem a viver de acordo com os
padrões cristãos. Preferem um a vida de prazeres e satisfações materiais,
fogem da luta contra o pecado, o mundo e o Diabo.
E buscam seus interesses pessoais. Para esses, que não se incomodam,
mas se acomodam ante os desafios, o desinteresse pelas coisas de
Deus os fazem sentir-se melhor. Porém, para os crentes que aceitam
tom ar a cruz (Mt 16.24), renunciando a si mesmos, a vida cristã e uma
luta constante, sem tréguas. Sua vida pode ser comparada à de um soldado,
que está na frente da batalha. C om o diz Paulo, sofre as aflições
como bom soldado de Cristo . E é na luta, nos combates espirituais,
“pela fé que um a vez foi dada aos santos” (Jd 3), que o servo de Deus
se fortalece e acumula experiências que o capacitam a ser mais que
vencedor (Rm 8.37).
Com amor, dedicação, esforço e disciplina rígida. O bom soldado de Cristo
também precisa demonstrar sua vocação para fazer parte do Exército de
Cristo. Não pode servir a Deus agradando ao mundo. “Ninguém que
milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que
o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se
não militar legitimamente” (2 Tm 2.4,5). Quantos, na vida cristã, ficaram
para trás, caídos à beira do caminho e do campo de batalha, porque não
vigiaram nem oraram (Mt 26.41), e se embaraçaram com coisas futeis e
passageiras desta vida.

3. 0 Lavrador de Cristo e os Sofrimentos da Obra

“O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos”
(2 Tm 2.6). A agricultura é um dos motivos de inspiração para o uso
de figuras de linguagem, em relação à pregação do evangelho. Jesus, o
Mestre, usou várias parábolas em seus sermões para mostrar o significado
do Reino de Deus ou o Reino dos céus. N a parábola do semeador,
Ele demonstrou que o lavrador semeia em todos os terrenos. Figura da
pregação do evangelho aos diversos tipos de pessoas, dentre as quais há
as que são comparadas a terras que não produzem, e apenas “outra caiu
em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta”
(Mt 13.1-8; ver Jo 15.1; Mt 21.33). Paulo também usou essa metáfora diversas
vezes. Ele diz aos coríntios que somos “lavoura de Deus”; “porque
nós  somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício
de Deus” (1 C o 3.9). Diz a Timóteo que quem deve gozar dos frutos da
plantação é o “lavrador que trabalha”.
Depois de convidar Timóteo a sofrer com ele “as aflições de Cristo”,
Paulo ressalta que ele próprio muito sofrerá e sofria, na ocasião, por causa
do trabalho do Senhor. Estava preso, injustamente, por causa do evangelho.
Mas exortou o jovem obreiro, assegurando que o Senhor lhe daria
“entendimento em tudo” (2 Tm 2.7), visto que ressuscitou dos mortos,
conforme ele pregava (2 Tm 2.8).
E conclui esta parte da missiva, de modo eloqüente e vibrante, dizendo
a Timóteo: “Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para
que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com
glória eterna. Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também
com ele viveremos; se sofrermos, também com ele reinaremos; se o
negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanece
fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2 T m 2.10-13). De um lado, essa
conclusão nos mostra que Deus dá a recompensa aos que o servem,
em meio às tribulações e aflições da vida. Mas se formos infiéis, ele
não corresponde à infidelidade, pois “não pode negar-se a si mesmo”.

CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo era homem de fé inabalável. Sofreu como nenhum
outro apóstolo experiências dolorosas em seu ministério. Outros
apóstolos também sofreram, e foram mortos por amor do evangelho.
Mas Paulo, antes de sua morte, passou por momentos de grandes tribulações.
Sofreu naufrágio, passou fome, foi espancado, preso em calabou-
ço, foi abandonado por seus amigos e irmãos, além de outras agruras
em sua missão. Mas demonstrou ter um caráter firme e decidido, jamais
fraquejando  ante as pressões e ameaças à sua fé. Demonstrou ter aquela
firmeza de Daniel, de Sadraque, de Mesaque e de Abdênego, os quais
também  não se encurvaram ante as ameaças do Diabo. Por isso, teve
autoridade  para dizer a Timóteo, referindo-se a Jesus Cristo: “por cuja
causa  padeço também isto, mas não me envergonho, porque eu sei em
quem  tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu

depósito  até àquele D ia” (2 T m 1.12).




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