Capítulo X: A Igreja
2.
A ceia de Senhor. Pontos principais.
Define-se a Ceia do Senhor ou
Comunhão como o rito distintivo da adoração cristã, instituído pelo Senhor
Jesus na véspera de sua morte expiatória. Consiste na participação solene
do pão e vinho, os quais, sendo apresentados ao Pai em memória do
sacrifício inexaurível de Cristo, tornam-se um meio de graça pelo
qual somos incentivados a uma fé mais viva e fidelidade maior a ele. Os
seguintes são os pontos-chave dessa ordenança:
(a) Comemoração. "Fazei
isto em memória de mim." Cada ano, no dia 4 de julho, o povo
norte-americano recorda de maneira especial o evento que o fez um povo
livre. (*) Cada vez que um grupo de cristãos se
congrega para celebrar a Ceia do Senhor, estão comemorando, dum modo
especial, a morte expiatória de Cristo que os libertou dos pecados. Por
que recordar a sua morte mais do que qualquer outro evento de sua vida?
Porque a sua morte foi o evento culminante de seu ministério e porque
somos salvos, não meramente por sua vida e seus ensinos, embora sejam
divinos, mas por seu sacrifício expiatório.
(b) Instrução. A Ceia do
Senhor é uma lição objetiva que expõe os dois fundamentos do Evangelho:
1) A encarnação. Ao
participar do pão, ouvimos o apóstolo João dizer: "E o Verbo se fez
carne e habitou entre nos" (João 1:14); ouvimos o próprio Senhor
declarar: "Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida
ao mundo" (João 6:33).
2) A expiação. Mas as bênçãos
incluídas na encarnação nos são concedidas mediante a morte de Cristo. O
pão e o vinho simbolizam dois resultados da morte: a separação do corpo e
da vida, e a separação da carne e do sangue. O simbolismo do pão partido é
que o Pão deve ser quebrantado na morte (Calvário) a fim de
ser distribuído entre os espiritualmente famintos; o vinho derramado nos
diz que o sangue de Cristo, o qual é sua vida, deve ser derramado na morte a
fim de que seu poder purificador e vivificante possa ser outorgado às
almas necessitadas.
(c) Inspiração. Os elementos,
especialmente o vinho, nos lembram que pela fé podemos ser participantes
da natureza de Cristo, isto é, ter "comunhão com ele". Ao
participar do pão e do vinho da Ceia, o ato nos recorda e nos assegura
que, pela fé, podemos verdadeiramente receber o Espírito de Cristo e ser o
reflexo do seu caráter.
(d) Segurança. Este cálice é
o Novo Testamento no meu sangue"! (1 Cor. 11:25). Nos tempos antigos
a forma mais solene de aliança era o pacto de sangue, que era selado ou
firmado com sangue sacrificial. A aliança feita com Israel no Monto Sinai
foi um pacto de sangue. Depois que Deus expôs as suas condições e o povo
as aceitou, Moisés tomou uma bacia cheia de sangue sacrificial
e aspergiu a metade sobre o altar do sacrifício, significando
esse ato que Deus se havia comprometido a cumprir a sua parte do convênio;
em seguida, ele aspergiu o resto do sangue sobre o povo, comprometendo-o, desse
modo, a guardar também a sua parte do contrato (Êxo. 24:3-8). A nova
aliança firmada por Jesus é um pacto de sangue. Deus aceitou o sangue de Cristo
(Heb. ?); portanto, comprometeu-se, por causa de Cristo, a perdoar e
salvar a todos os que vierem a ele. O sangue de Cristo é a divina garantia de
que ele ser benévolo e misericordioso para aquele que se arrepende. A nossa
parte nesse contrato é crer na morte expiatória de Cristo. (Rom. 3:25,26.)
Depois, então poderemos testificar que foram aspergidos com o sangue da nova
aliança. (1Ped. 1:2.)
(e) Responsabilidade. Quem
deve ser admitido ou excluído da Mesa do Senhor? Paulo trata da questão
dos que são dignos do sacramento em 1Cor. 11:20-34. "Portanto,
qualquer que comer este pão, ou beber este cálice do Senhor indignamente, será
culpado (uma ofensa ou pecado contra) do corpo e do sangue do Senhor."
Quer isso dizer que somente aqueles que são dignos podem chegar-se à Mesa do
Senhor? Então, todos nós estamos excluídos! Pois quem dentre os filhos dos
homens é digno da mínima das misericórdias de Deus? Não, o apóstolo não está
falando acerca da indignidade das pessoas, mas da indignidade das ações.
Sendo assim, por estranho que pareça, é possível a uma pessoa
indigna participar dignamente. E em certo sentido, somente aqueles
que sinceramente sentem a sua indignidade estão aptos para
se aproximar da Mesa; os que se justificam a si mesmos nunca serão dignos.
Outrossim, nota-se que as pessoas mais profundamente espirituais são as que
mais sentem a sua indignidade. Paulo descreve-se a si mesmo como o
"principal dos pecadores" (1Tim. 1:15). O apóstolo nos avisa contra
os atos indignos e a atitude indigna ao participar desse sacramento. Como
pode alguém participar indignamente? Praticando alguma coisa que nos impeça de
claramente apreciar o significado dos elementos, e de nos aproximarmos
em atitude solene, meditativa e reverente. No caso dos coríntios o impedimento
era sério, a saber, a embriaguez.
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia
Myer
Pearlman

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