domingo, 5 de julho de 2026

CPAD - A Igreja dos Gentios — Lição 1: O chamado para os gentios

 


TEXTO ÁUREO

“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.”

(At 13.2).

VERDADE PRÁTICA

Quando a igreja ouve o Espírito, o Evangelho avança e vidas são alcançadas para a glória de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 13.1-12.

1 — Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.

2 — E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.

3 — Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.

4 — E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.

5 — E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador.

6 — E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu, mágico, falso profeta, chamado Barjesus,

7 — o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, varão prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus.

8 — Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o procônsul.

9 — Todavia, Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo e fixando os olhos nele, disse:

10 — Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?

11 — Eis aí, pois, agora, contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo instante, a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão.

12 — Então, o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor.

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Neste trimestre, estudaremos A Igreja dos Gentios, acompanhando a expansão do Evangelho para além do contexto judaico e evidenciando a direção soberana do Espírito Santo na missão da Igreja. Nesta primeira lição — O Chamado para os Gentios — analisamos Atos 13 e o envio de Paulo e Barnabé a partir da igreja de Antioquia, destacando uma comunidade sensível à voz do Espírito. O comentarista é o Pr. Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em Curitiba (PR), conferencista, advogado e escritor, autor de obras publicadas pela CPAD, como As Doenças do Século, Planejamento e Gestão Eclesiástica, Relações Públicas para Líderes Cristãos e As Parábolas de Jesus.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: 

I) Apresentar o contexto histórico e espiritual da igreja de Antioquia e sua missão aos gentios;

 II) Conduzir o aluno à reflexão sobre a atuação do Espírito Santo na condução da obra missionária e no envio dos obreiros;

III) Aplicar os princípios da igreja de Antioquia à vida da igreja local, assumindo a missão cristã como identidade e compromisso.

B) Motivação: A missão da Igreja não nasce de estratégias humanas, mas do agir soberano do Espírito Santo. Ao estudar o chamado para os gentios, somos convidados a ouvir a voz de Deus, discernir seu propósito e compreender que também fazemos parte do plano divino de alcançar vidas e nações.

C) Sugestão de Método: Conduza a aula partindo de uma breve pergunta provocativa sobre o alcance do Evangelho, levando o aluno a refletir se a fé cristã se limita a um grupo específico, por exemplo: Se o Evangelho é para todos, por que a Igreja Primitiva precisou aprender isso ao longo do tempo? Em seguida, apresente a transição da igreja judaica para a missão gentílica em Atos, destacando a ação do Espírito Santo conforme a exposição dos três tópicos. Por fim, promova uma aplicação prática, mostrando que a igreja atual é herdeira dessa missão e chamada a viver o Evangelho sem barreiras culturais ou étnicas.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Assim como a Igreja Primitiva ouviu a voz do Espírito e superou limites culturais para obedecer à missão, a igreja de hoje é chamada a examinar suas próprias barreiras — sociais, culturais — que podem dificultar o alcance do Evangelho. Viver como Igreja dos Gentios, significa que deve haver abertura para que o Espírito Santo conduza a missão para além de nossas preferências e zonas de conforto.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Antioquia da Síria”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda as características da igreja que se voltaria aos gentios; 2) O texto “O Espírito Santo Inspira as Missões”, localizado ao final do segundo tópico, reflete a respeito da motivação missionária da Igreja.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Lucas registra o cumprimento progressivo da promessa de Jesus em Atos 1.8: o Evangelho alcançaria Jerusalém, Judeia, Samaria e chegaria aos confins da Terra. Os capítulos 13 a 28 marcam a grande virada da narrativa, quando o foco deixa de ser Jerusalém e passa a Antioquia. É dessa igreja, caracterizada por diversidade, sensibilidade espiritual e prática missionária madura, que o Espírito Santo convoca Paulo e Barnabé para a evangelização dos gentios. A partir desse ponto, o ministério de Paulo torna-se central, e o Espírito é mostrado como o verdadeiro condutor da expansão cristã. A Missão Gentílica nasce, portanto, não como estratégia humana, mas como resposta ao chamado direto do Espírito para alcançar as nações.

Palavra-Chave:

GENTIOS

  AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

  “ANTIOQUIA DA SÍRIA

  A Antioquia da Síria foi um importante centro político, econômico e religioso durante o período romano. A população diversificada de Antioquia contribuiu para uma grande diversidade de religiões ligadas à cidade. O seu subúrbio de Dafne era um importante local de culto para o paganismo, e a cidade manteve grande população judaica ao longo da sua história. Além disso, foi para Antioquia que muitos cristãos de Jerusalém fugiram durante a perseguição inicial da igreja. Aqui, pela primeira vez, os cristãos judeus começaram a focar intencionalmente em compartilhar o evangelho para os gentios (At 11.19-21).

  O resultado foi uma igreja grande, multicultural e vibrante. A igreja em Antioquia era conhecida pela sua diversidade étnica e cultural, a sua generosidade (enviou uma oferta a Jerusalém durante uma fome; veja 11.27-30) e o seu coração voltado para missões (serviu de sede para Paulo nas suas três viagens missionárias). Não surpreendentemente, foi em Antioquia que os seguidores de Cristo foram chamados pela primeira vez de ‘cristãos’ (11.26).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.41).

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

  “O ESPÍRITO SANTO INSPIRA AS MISSÕES. Notemos a palavra ‘apartar’. A tendência natural das igrejas, naqueles dias como hoje, era estabelecerem-se como grupos firmados. Não prestavam a devida atenção à expansão missionária. A igreja em Jerusalém começou a se acomodar como grupo firme, centralizado naquela cidade. O Senhor, então, quebrou aquela organização e fez os pedaços se espalharem por toda a Palestina. Agora, de entre os ministros de Antioquia, retiram estes dois para uma missão especial.” (PEARLMAN, Myer. Atos: A Igreja Primitiva na Força e na Unção do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp.144,145)

  CONCLUSÃO

  A missão entre os gentios começa com oração, jejum e sensibilidade à voz do Espírito. A igreja de Antioquia mostra que Deus fala, chama, separa e envia; e que a igreja responde, intercede e sustenta. A Palavra de Deus é poderosa para transformar todo pecador em uma pessoa regenerada, alcançada pela graça. Hoje, o Espírito continua chamando sua igreja para alcançar as nações. Estamos dispostos a ouvir, obedecer e participar da missão que ainda está em andamento?

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

O CHAMADO PARA OS GENTIOS

Estimado(a) professor(a), a copiosa paz do Senhor esteja com você. Neste novo trimestre, teremos a grata e rica oportunidade de estudar sobre o chamado da igreja para proclamar a salvação entre os gentios, bem como da consolidação da mensagem evangelística entre as nações. Para discorrer sobre o tema, o comentarista deste trimestre é o pastor Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em Curitiba.

  A abordagem sobre a proclamação do Evangelho entre os gentios considera, inicialmente, o propósito divino desde o Antigo Testamento. Deus havia prometido, por intermédio dos profetas da Antiga Aliança, que a mensagem de salvação alcançaria outras nações para além de Israel (Is 49.6; Sl 22.27,28). Nesse sentido, o grande avivamento experimentado pelos cristãos em Antioquia, a partir da pregação aos gentios, é o cumprimento dessa promessa. Esta cidade foi escolhida pelo Espírito Santo haja vista ser um local que havia recebido profunda influência da cultura greco-helenista e abrigava forte presença judaica. Esses dois aspectos contribuíram para que a mensagem do Evangelho encontrasse guarida nos corações. A influência greco-helenista tornava a cidade como um berço do desenvolvimento intelectual da época, aberta às discussões filosóficas e oportunas à reflexão sobre a salvação. Semelhantemente, a presença judaica contribuía para que os missionários da igreja, enviados ao local, persuadissem os judeus à fé cristã a partir das profecias do Antigo Testamento.

  O Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD) discorre que “Barnabé fortaleceu grandemente os laços de amizade entre as congregações de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Os discípulos receberam o nome de ‘cristãos’ pela primeira vez em Antioquia (At 11.26). Paulo foi enviado da igreja de Antioquia às suas três grandes missões: em Chipre, na Ásia Menor e na Grécia (At 13.1ss; 15.36; 18.23). [...] Na igreja antiga, Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo e mártir (110 d.C.) cujas cartas ainda lemos; e por sua escola e grandes ensinadores, Crisóstomo (390 d.C.) e Teodoro de Mopsuestia (390 d.C.) que exortou a uma interpretação literal e histórica da Bíblia, contra as tendências de alegoria de Clemente e Orígenes de Alexandria no Egito” (2006, pp.142,143). O cenário era excelente para que a igreja de Antioquia se tornasse um braço forte na pregação do Evangelho em outras regiões.

CPAD - A Igreja dos Gentios — Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

Comentarista: Wagner Gaby

Lição 1: O chamado para os gentios

 


SUMÁRIO

Capítulo 1 - O Chamado para os Gentios

Capítulo 2 - A Porta da Fé se Abre entre os Gentios

Capítulo 3 - A Graça que Alcança todas as Nações

Capítulo 4 - O Espírito que nos Guia para além das Fronteiras

Capítulo 5 - Cristo entre os Filósofos: o Deus desconhecido se Revela

Capítulo 6 - A Suficiência da Graça na Cidade de Corinto

Capítulo 7 - Quando o Espírito Sopra em Éfeso

Capítulo 8 - Despedida em Éfeso: entre Lágrimas e Alertas

Capítulo 9 - Coragem para Testemunhar: Paulo diante da Multidão

Capítulo 10 - Uma Esperança Inabalável perante os Poderosos

Capítulo 11 - Entre Tempestades e Promessas

Capítulo 12 - O Evangelho Chega ao Coração do Império

Capítulo 13 - A Missão Continua em Nós

   Capitulo 1

O CHAMADO PARA

OS GENTIOS

 

INTRODUÇÃO

  Após a sua ressurreição e momentos antes da sua ascensão aos céus, Jesus havia anunciado aos seus discípulos que eles receberiam o poder do Espirito Santo e que seriam as suas testemunhas tanto em Jerusalem, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra (At 1.8). O alvo estabelecido nesse texto foi cumprido mediante a expansão da igreja desde Jerusalém (At 2-7) até toda a Judeia e Samaria (At 8-12).

  O capítulo 13 de Atos marca uma grande virada na narrativa do livro. Até aqui, o foco estava principalmente em Jerusalém e na evangelização dos judeus. A partir daqui, a atenção volta-se para a missão entre os gentios, sendo transferida para Antioquia da Síria, onde havia nascido uma igreja marcada por um forte ardor missionário.

  O restante do livro de Atos, dos capítulos 13 a 28, descreve a propagação do evangelho na extremidade oriental do mundo mediterrâneo e em direção ao ocidente até Roma, a capital do Império Romano. Pedro havia sido a figura principal nos doze primeiros capítulos deste livro, mas Paulo ocupa o lugar central no restante da história, no que Adolph Harnack (1851-1930), teólogo luterano alemão e proeminente historiador do cristianismo, chamou de "missão e expansão do cristianismo".

  I - O NASCIMENTO DA MISSÃO GENTÍLICA

  1. Antioquia: um centro escolhido por Deus (v. 1)

 Antioquia da Síria estava situada na extremidade norte da Síria, em frente à Asia Menor e Europa, na margem do rio Oronte, 50 quilometros distante do mar e a 500 quilômetros de Jerusalém. Fundada por Seleuco I Nicátor (c. 358-281 a.C.), um dos generais de Alexandre em 300 a.C., e cresceu a ponto de contar com numerosa população nos tempos do apóstolo Paulo, incluindo muitos judeus, que obtiveram o direito de cidadania desde tempos remotos. Não se sabe ao certo quão grande era a cidade nos dias de Paulo, mas, com base na informação dada por Crisóstomo, deve ter contado com uma população de cerca de 800 mil habitantes. Flávio Josefo, o historiador judeu do tempo dos apóstolos, diz-nos que era a terceira maior cidade do Império Romano, perdendo em importância numérica apenas para Roma e Alexandria, sendo conhecida como a "Rainha do Oriente".

  Antioquia tornou-se um grande centro da erudição hebraica, bem como cidade onde havia numerosa colônia judaica - embora a grande maioria da população fosse síria. A sua cultura era tipicamente greco-helenista. O seu porto era Seleucia (At 13.4), que era uma reputada cidade comercial e centro marítimo. Os romanos fizeram-na capital da província da Síria.

  Antioquia da Siria, local do nascimento da missao gentílica, tornou-se a base principal da evangelização aos gentios, o centro de partida da missão de penetração no mundo (a última parte da comissão de Jesus em At 1.8). Foi nessa cidade que os seguidores de Cristo foram chamados de cristãos pela primeira vez (At 11.26). Ο termo "cristao" (χριστιανοί), nome dado nao pelos judeus, mas pelos gregos, é usado apenas tres vezes no Novo Testamento (ver At 11.26; At 26.28;1 Pe 4.16). Paulo saiu de Antioquia para todas as suas três viagens missionárias (At 13.1-3; 15.35,36; 18.22,23). Essa cidade tornou-se como o quartel-general das viagens missionárias de Paulo e Barnabé, servindo como um ponto de partida para a expansão do evangelho.

   Antioquia da Siria e muito importante na historia inicial da Igreja. Nicolau, um dos primeiros diáconos, era um prosélito de Antioquia (At 6.5). Durante as perseguições que se seguiram após o apedrejamento de Estevao, muitos cristaos de Jerusalem fugiram para Antioquia, onde pregaram para judeus que falavam grego (helenistas) e para os gregos (helenos).

   Barnabé forneceu grandes laços de amizade entre a congregação de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Na igreja antiga, Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo mártir, aproximadamente 110 d.C., e pela sua escola e grandes ensinadores. A história da igreja em    Antioquia, a igreja-mãe entre os gentios, tinha uma distinção de que desfrutava durante muitos anos. Um dos seus bispos mais ilustres foi Joao Crisostomo, grande escritor de comentários biblicos, que exerceu notável influência sobre o desenvolvimento doutrinário da igreja cristã.

   2. Profetas e doutores servindo ao Senhor e jejuando (vv. 1,2)

  Os profetas eram considerados logo depois dos apóstolos, e os doutores ou mestres ocupavam o terceiro lugar (1 Co 12.28). Depois que a função de apóstolos terminou, os profetas e doutores passaram a constituir os dois principais grupos de obreiros da igreja dignos de receber apoio, como mostra a Didaquê (c.13), do segundo século.

  A função dos profetas era essencialmente hortatoria (do latim hortari, que significa "incentivar" ou "encorajar"), ao passo que a funçao de mestres era essencialmente didática. Os dois ministérios não eram necessariamente idênticos, embora o oficio mais elevado de profecia comumente incluísse o oficio do ensino. O oficio de profeta subentende uma mensagem diretamente recebida de Deus, proveniente do Espírito Santo. O oficio de mestre implica em uma instrução mais sistemática, em que a razão e a reflexão desempenham o seu devido papel.

  A gramática grega, nesse ponto, ao utilizar-se do duplo te, dá-nos a entender que havia tres profetas (Barnabe, Simeao e Lucio), ao passo que os dois outros eram mestres (Manaém e Saulo).

   Lucas jamais afirma que Paulo profetizou; em vez disso, refere-se a ele regularmente como alguém que ensinava (At 15.35; 18.11; 20.20; 28.31). A tarefa do mestre era a de instruir a igreja, fazendo uso do Antigo Testamento e das tradições da vida e ensinos de Jesus.

Barnabe e Paulo tinham sido os principais professores na igreja de Antioquia (At 11.26). O Espirito Santo selecionou ambos como os seus primeiros missionarios.

  Barnabe, provavelmente com 55 anos, tinha sido um rico proprietário de terras antes da sua conversão. Saulo, dez anos mais moço, tinha sido educado para tornar-se um rabino. Duas pessoas diferentes, porem colocadas iuntas na obra do Senhor.

   "Servindo eles ao Senhor, e jejuando [ ... ]depois de jejuarem e

orarem [ ... ]"

  Na prática cristã primitiva, era comum a oração estar ligada ao jejum (Mt 17.21; Mc 9.29; At 10.30; 14.23). Os judeus estenderam esse costume de jejuar a um ponto bem mais adiantado do que prescrevia a Lei (Dia da Expiação - At 27.9), quando havia um jejum particularmente severo para todos os judeus (Lv 23.27), e Jesus ensinou aos seus discipulos que estes haveriam de continuar com a pratica (Mt 6.16-18; 9.14-16). O jejum na Biblia implica em total abstinência de alimentação por certo período.

  Jejuar significa abster-se de alimentos durante um período específico com a finalidade de concentrar-se no Senhor. A dor da fome ira lembrá-los da sua completa dependência de Deus (2 Cr 20.3; Ed 8.23; Et 4.16; Mt 6.16- 18).

   A palavra "servindo" envolve oração, jejum, meditação e exortação ou seja, provavelmente uma combinaçao de todos esses elementos. Tudo isso pode ter sido feito propositalmente para buscar a orientação divina sobre o que deveria ser feito em seguida para obtenção do progresso das atividades missionárias da igreja; ou, então, essa orientação divina pode ter surgido como um resultado natural.

   Na Biblia de Estudo Plenitude, no verbete Dinâmica do Reino, destacam-se quais são as características do líder (At 13.1-3) com o seguinte comentário:

   Os líderes da Igreja Primitiva chegavam a decisões somente depois de jejuar e orar.

  Em Antioquia, os profetas e mestres jejuavam e oravam, buscando a direçao de Deus para a Igreja. Enquanto eles esperavam por Deus, o Espirito Santo deu a direção (v. 2), começando, assim, o ministério missionário, que, por fim, levou o evangelho ao mundo inteiro. Os líderes piedosos confiam em Deus para a direção, e fortalecimento de sua vida e ministério. O jejum disciplinado e oração constante são meios comprovados para se chegar a isso e, sendo assim, são obrigatórios na vida dos líderes (Mt 9.5)

   II - O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA

   1. O Espírito que conduz a missão

  Dentre as muitas funções do Espírito Santo, estão a de ungir, a de inspirar, a de separar e a de enviar homens e mulheres para os quatro cantos da terra como missionários do Senhor.

  A obra missionária é uma tarefa ligada à ação exclusiva do Espírito Santo. O próprio Senhor Jesus dependeu da unção do Espírito Santo para o exercício do seu ministério (Is 61.1-3; Lc 4.17-20). Alguém já disse que o livro de Atos poderia ser chamado de Atos do Espírito Santo, e isso se deu porque todo o livro é pautado na ação do Espírito na vida da Igreja. Antes de receberem o poder do Espírito, os discípulos estavam meio que acovardados, sem rumo. Ao receberem a unção do Espírito, tornam-se verdadeiros missionários, impulsionados aos perdidos e cheios de ousadia para anunciar o grande amor de Cristo.

  O Espírito Santo não permitiu que os próprios apóstolos ficassem envolvidos com problemas sociais e quaisquer outras atividades que não fossem a evangelização (At 6.1-4). Os cristãos primitivos, por sua vez, eram fiéis nas contribuições, o que proporcionava alegria e liberdade para que os apóstolos tivessem mais ousadia e poder do Espírito Santo para pregar a Palavra de Deus (At 4.32; 9.31).

  O Espírito Santo e quem escolhe e envia missionarios para anunciarem as Boas Novas de salvação ao mundo (At 8.26-40; 13.2; 20.28). Em Atos 16.4- 7, temos uma revelação clara de como o Espírito Santo deseja que a ação missionária seja realizada, onde e por quem. O Espírito Santo também é o instrutor dos ministros da Palavra de Deus (1 Co 2.1-18).

  A ação do poder do Espírito Santo na Igreja é a característica mais surpreendente no livro de Atos, a ponto de o livro ter sido chamado de "Os Atos do Espírito Santo". Tanto o ministerio publico de Jesus quanto o ministério público da Igreja no livro de Atos tiveram o início com a experiência com o Espírito Santo.

  O poder do Espírito Santo capacitou Jesus para anunciar o evangelho mediante a cura dos enfermos, a expulsão de demônios e a libertação dos cativos (Mt 4.23; Lc 4.14-19; At 10.38). Esse mesmo poder do Espirito Santo concedeu a mesma autoridade espiritual aos discípulos no capítulo 2 de Atos.

  O Espírito Santo é visto como o protagonista e a força motriz da obra missionária, sendo responsável por despertar, chamar, capacitar e guiar os missionários e a Igreja no cumprimento da missão divina, além de conferir poder e autoridade ao evangelho e ao testemunho dos cristãos. O Senhor Jesus prometeu que, após a sua partida, o Espírito Santo viria para capacitar os seus discípulos como testemunhas - promessa que se cumpriu plenamente com a descida do Espírito Santo.

  2. O poder do Espírito na evangelização dos gentios

  Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e de gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55).

  A igreja crescia em números, diariamente, por adição de vidas salvas e por ação divina. Vejamos o crescimento da Igreja Primitiva em números:

1. Atos 1.15-120 membros;

2. Atos 2.41 -3.000 membros;

3. Atos 4.4-5.000 membros;

4. Atos 5.14- Uma multidão é agregada à igreja;

5. Atos 6.17 -O número dos discípulos é multiplicado;

6. Atos 9.31 - A igreja expande-se para a Judeia, Galileia e Samaria;

7. Atos 16.5-Igrejas são estabelecidas e fortalecidas no mundo inteiro.

   Em Atos 1.3, vemos como a assistencia do Espirito Santo e imprescindivel

à obra missionaria. Guiados pelo Consolador, os missionarios faziam

discípulos numa cidade e partiam para outra (vv. 46-51). Graças à direção e

providência do Espírito, o evangelho, tendo alcançado a Europa (At

16.10), tambem chegou a America do Norte, de onde vieram os

missionários suecos Daniel Berg (1884-1963) e Gunnar Vingren (1879-

1933), pioneiros do Movimento Pentecostal no Brasil.

 

3. Evidências da ação missionária do Espírito (At 13-14)

Em Atos 13-14, fica bem clara a presenca do Espirito Santo confirmando

e aprovando a obra de evangelização realizada por Barnabé e Paulo.

  A despeito das fortes perseguições que sofreram no cumprimento da nobre tarefa missionaria, Paulo e a equipe que estava com ele evidenciaram a manifestação do poder de Deus por meio da vida deles. Muitos gentios e judeus creram e aceitaram Jesus como Salvador, muitas igrejas foram fundadas, curas divinas e libertação ocorreram.

  Jesus claramente nos instruiu que teriamos afliçoes no mundo, mas também que deveríamos ter bom ânimo (Jo 16.33). No Sermão do Monte, Ele disse para que exultássemos e alegrássemos quando fossemos injuriados e perseguidos (Mt 5.11,12). As vezes, choramos, mas logo somos consolados e invadidos por uma alegria que vem diretamente do trono de Deus:

  Os que semeiam em lagrimas segarao com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltara, sem duvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos. (S1 126.5,6)

  Teremos oposições, mas também muitos resultados extraordinários, pois a glória do Senhor manifesta-se por meio de nos para que o nome dEle seja glorificado.

  O grande legado missiológico deixado pela igreja de Antioquia é o de que Deus tinha, por meio deles, aberto as portas da fe aos pagãos (At 14.27).

  A historia da evangelização de Antioquia ilustra quando o Evangelho tem sucesso, quando é pregado a gente nova (At 11.19); quando é pregado a todas as classes e raças (At 11.20,21) e quando é pregado por homens cheios do Espírito Santo (At 11.22-26).

  O segredo do êxito em cruzadas evangelísticas é buscar em oração a assistência do Consolador.

  III - A IGREJA COMO AGÊNCIA MISSIONÁRIA

  1. A Igreja que ouve a voz de Deus

Uma igreja missionária é, antes de tudo, uma igreja que ouve a Deus: "E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Aparta-me a

Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado"(At 13.2). Se quisermos impactar o mundo, precisamos primeiro ouvir o Céu.

  Ouvir a voz de Deus implica em sair de si mesmo, ser inflamado pela caridade divina e espalhar esse amor ao próximo, tornando-se um instrumento da glória divina.

  Uma igreja que se considera uma agência missionária ouve a voz de Deus ao reconhecer o chamado para a missão, que vem de Cristo e do amor de Deus pelo mundo. Ela deve basear-se no conhecimento da Palavra de Deus e dedicar-se à sua missão, preparando e enviando discípulos para anunciar o evangelho em todos os lugares, agindo com ousadia e coragem para a justiça e paz.

  Uma igreja missionaria precisa ser profundamente conhecedora da Palavra de Deus, pois é por meio dela que se ouve a mensagem e que se conhece a Deus.

  Vivemos em tempos em que a igreja é muitas vezes vista apenas como um lugar de culto e comunhao. A Biblia, porem, mostra-nos que a função central da igreja é ser uma agência missionária, enviada por Deus ao mundo.

  Em Atos 13, vemos a igreja de Antioquia servindo como um modelo claro de uma comunidade que entende a sua missão. Uma igreja centrada em Deus, e nao em entretenimento, que ora e jejua como pratica regular e sensível à voz do Espírito Santo. Deus fala a uma igreja comprometida com a sua vontade.

  2. Uma igreja que envia e sustenta seus missionários

  A afirmaçao de que a igreja é uma agencia missionaria significa que ela, como comunidade, assume ativamente a missao de Deus, envolvendo-se no preparo, envio e apoio dos seus missionários, e não delegando essas responsabilidades apenas a organizações externas. Essa participação ativa na missão global de Deus é vista como uma fonte de bênção e de alegria para a igreja, pois contribui para a propagação do evangelho e para a salvação de almas: "Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as maos, os despediram" (At 13.3). A igreja nao retem os seus melhores líderes (Paulo e Barnabé foram enviados) com oração, autoridade e apoio espiritual. Envia como resposta ao chamado divino, não apenas por estratégias humanas. A responsabilidade do envio é da Igreja.

  Uma igreja missionária não é centrada em si mesma, mas investe em pessoas, tempo e recursos para alcançar os perdidos. A igreja sustentava, intercedia e enviava obreiros continuamente. Missões não é um departamento; é a essência da Igreja.

  Uma igreja que tem como base a expansão do Reino de Deus é como a igreja de Antioquia, que se tornou o quartel-general da missão gentílica. Foi de la que partiram muitas viagens missionárias do apóstolo Paulo.

  A igreja local deve engajar-se de maneira prática e constante nas missões sem desligar-se da sua responsabilidade e oportunidade de bênção. A sua igreja local pode ate ser pequena, mas, quando esta cheia do Espírito Santo, torna-se uma base poderosa para transformar nações.

  3. A igreja que cumpre a Grande Comissão

  A Igreja Primitiva cumpriu a Grande Comissão enviando Paulo e Barnabé para a obra que o Senhor havia-os chamado. Assim, Paulo alcançou as nações da sua época.

  Nós, como Igreja do Senhor, também devemos fazer nossa parte, pois ainda existem muitas naçoes e povos que precisam ser alcancados com o evangelho de Cristo. Atualmente, na chamada "Janela 10x40", existem milhares de pessoas que se encontram em trevas espirituais. Como elas ouvirao o evangelho se nao ha quem pregue? (Rm 10.14). E como pregarão se a Igreja do Senhor não enviar e sustentar os missionários?

(Rm 10.15). Ouçamos a voz do Espírito Santo, pois Ele continua a falar à sua Igreja: "Separai meus servos para a obra que os tenho chamado".

  Nossa missão ainda não acabou. Deus está chamando a sua Igreja para ser mais do que uma comunidade de celebração; Ele soberanamente nos chama para ser um povo em missão.

Sua igreja é apenas um lugar de encontros, ou um centro de envio para a glória de Deus entre os povos?

  CONCLUSÃO

  A igreja de Antioquia serve como modelo para a igreja missionária. A missão entre os gentios começa com oração, direção do Espírito e coragem.

  A Palavra de Deus é poderosa para alcançar todo tipo de pessoa, desde Elimas, o magico enganador (At 13.6-11), ao proconsul Sérgio Paulo, governador de Chipre (At 13.7,8, 12).

  O Espírito Santo e o guia e orientador da Igreja do Senhor neste mundo. Hoje Ele continua chamando homens e mulheres para realizarem grandes obras para o Senhor.

  Estamos dispostos a cumprir nossa missão de anunciar o evangelho até os confins da terra? Como tem sido minha participação, como parte da Igreja do Senhor Jesus, quanto ao chamado de Deus para os "gentios"? Oração?

Contribuição? Disposição de ir?

   A Igreja dos Gentios: Da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho ...

Por Wagner Gaby




Nenhum comentário:

Postar um comentário