TEXTO
ÁUREO
“E,
servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a
Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.”
(At
13.2).
VERDADE
PRÁTICA
Quando
a igreja ouve o Espírito, o Evangelho avança e vidas são alcançadas para a
glória de Deus.
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE
Atos
13.1-12.
1
— Na
igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber:
Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado
com Herodes, o tetrarca, e Saulo.
2
— E,
servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a
Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
3
— Então,
jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.
4
— E
assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram
para Chipre.
5
— E,
chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e
tinham também a João como cooperador.
6
— E,
havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu, mágico, falso
profeta, chamado Barjesus,
7
— o
qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, varão prudente. Este, chamando a si
Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus.
8
— Mas
resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome),
procurando apartar da fé o procônsul.
9
— Todavia,
Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo e fixando os olhos
nele, disse:
10
— Ó
filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a
justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?
11
— Eis
aí, pois, agora, contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por
algum tempo. No mesmo instante, a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e,
andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão.
12
— Então,
o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do
Senhor.
PLANO
DE AULA
1.
INTRODUÇÃO
Neste
trimestre, estudaremos A Igreja dos Gentios, acompanhando a expansão do
Evangelho para além do contexto judaico e evidenciando a direção soberana do
Espírito Santo na missão da Igreja. Nesta primeira lição — O Chamado para os
Gentios — analisamos Atos 13 e o envio de Paulo e Barnabé a partir da igreja de
Antioquia, destacando uma comunidade sensível à voz do Espírito. O comentarista
é o Pr. Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em Curitiba (PR),
conferencista, advogado e escritor, autor de obras publicadas pela CPAD, como
As Doenças do Século, Planejamento e Gestão Eclesiástica, Relações Públicas
para Líderes Cristãos e As Parábolas de Jesus.
2.
APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A)
Objetivos da Lição:
I)
Apresentar o contexto histórico e espiritual da igreja de Antioquia e sua
missão aos gentios;
II) Conduzir o aluno à reflexão sobre a
atuação do Espírito Santo na condução da obra missionária e no envio dos
obreiros;
III)
Aplicar os princípios da igreja de Antioquia à vida da igreja local, assumindo
a missão cristã como identidade e compromisso.
B)
Motivação: A missão da Igreja não nasce de estratégias
humanas, mas do agir soberano do Espírito Santo. Ao estudar o chamado para os
gentios, somos convidados a ouvir a voz de Deus, discernir seu propósito e
compreender que também fazemos parte do plano divino de alcançar vidas e
nações.
C)
Sugestão de Método: Conduza a aula partindo de uma
breve pergunta provocativa sobre o alcance do Evangelho, levando o aluno a
refletir se a fé cristã se limita a um grupo específico, por exemplo: Se o
Evangelho é para todos, por que a Igreja Primitiva precisou aprender isso ao
longo do tempo? Em seguida, apresente a transição da igreja judaica para a
missão gentílica em Atos, destacando a ação do Espírito Santo conforme a exposição
dos três tópicos. Por fim, promova uma aplicação prática, mostrando que a
igreja atual é herdeira dessa missão e chamada a viver o Evangelho sem
barreiras culturais ou étnicas.
3.
CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A)
Aplicação: Assim como a Igreja Primitiva ouviu a voz do
Espírito e superou limites culturais para obedecer à missão, a igreja de hoje é
chamada a examinar suas próprias barreiras — sociais, culturais — que podem
dificultar o alcance do Evangelho. Viver como Igreja dos Gentios, significa que
deve haver abertura para que o Espírito Santo conduza a missão para além de
nossas preferências e zonas de conforto.
4.
SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A)
Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa
revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições
Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.36, você encontrará um subsídio especial
para esta lição.
B)
Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você
encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto
“Antioquia da Síria”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda as
características da igreja que se voltaria aos gentios; 2) O texto “O Espírito
Santo Inspira as Missões”, localizado ao final do segundo tópico, reflete a
respeito da motivação missionária da Igreja.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Lucas
registra o cumprimento progressivo da promessa de Jesus em Atos 1.8: o
Evangelho alcançaria Jerusalém, Judeia, Samaria e chegaria aos confins da
Terra. Os capítulos 13 a 28 marcam a grande virada da narrativa, quando o foco deixa
de ser Jerusalém e passa a Antioquia. É dessa igreja, caracterizada por
diversidade, sensibilidade espiritual e prática missionária madura, que o
Espírito Santo convoca Paulo e Barnabé para a evangelização dos gentios. A
partir desse ponto, o ministério de Paulo torna-se central, e o Espírito é
mostrado como o verdadeiro condutor da expansão cristã. A Missão Gentílica
nasce, portanto, não como estratégia humana, mas como resposta ao chamado
direto do Espírito para alcançar as nações.
Palavra-Chave:
GENTIOS
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“ANTIOQUIA DA SÍRIA
A Antioquia da Síria foi um importante centro
político, econômico e religioso durante o período romano. A população
diversificada de Antioquia contribuiu para uma grande diversidade de religiões
ligadas à cidade. O seu subúrbio de Dafne era um importante local de culto para
o paganismo, e a cidade manteve grande população judaica ao longo da sua
história. Além disso, foi para Antioquia que muitos cristãos de Jerusalém
fugiram durante a perseguição inicial da igreja. Aqui, pela primeira vez, os
cristãos judeus começaram a focar intencionalmente em compartilhar o evangelho
para os gentios (At 11.19-21).
O resultado foi uma igreja grande,
multicultural e vibrante. A igreja em Antioquia era conhecida pela sua
diversidade étnica e cultural, a sua generosidade (enviou uma oferta a
Jerusalém durante uma fome; veja 11.27-30) e o seu coração voltado para missões
(serviu de sede para Paulo nas suas três viagens missionárias). Não
surpreendentemente, foi em Antioquia que os seguidores de Cristo foram chamados
pela primeira vez de ‘cristãos’ (11.26).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023, p.41).
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“O
ESPÍRITO SANTO INSPIRA AS MISSÕES. Notemos a palavra ‘apartar’. A tendência
natural das igrejas, naqueles dias como hoje, era estabelecerem-se como grupos
firmados. Não prestavam a devida atenção à expansão missionária. A igreja em
Jerusalém começou a se acomodar como grupo firme, centralizado naquela cidade.
O Senhor, então, quebrou aquela organização e fez os pedaços se espalharem por
toda a Palestina. Agora, de entre os ministros de Antioquia, retiram estes dois
para uma missão especial.” (PEARLMAN, Myer. Atos: A Igreja Primitiva na Força e
na Unção do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp.144,145)
CONCLUSÃO
A missão entre os gentios começa com oração,
jejum e sensibilidade à voz do Espírito. A igreja de Antioquia mostra que Deus
fala, chama, separa e envia; e que a igreja responde, intercede e sustenta. A
Palavra de Deus é poderosa para transformar todo pecador em uma pessoa
regenerada, alcançada pela graça. Hoje, o Espírito continua chamando sua igreja
para alcançar as nações. Estamos dispostos a ouvir, obedecer e participar da
missão que ainda está em andamento?
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
O CHAMADO PARA OS GENTIOS
Estimado(a)
professor(a), a copiosa paz do Senhor esteja com você. Neste novo trimestre,
teremos a grata e rica oportunidade de estudar sobre o chamado da igreja para
proclamar a salvação entre os gentios, bem como da consolidação da mensagem
evangelística entre as nações. Para discorrer sobre o tema, o comentarista
deste trimestre é o pastor Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em
Curitiba.
A abordagem sobre a proclamação do Evangelho
entre os gentios considera, inicialmente, o propósito divino desde o Antigo
Testamento. Deus havia prometido, por intermédio dos profetas da Antiga
Aliança, que a mensagem de salvação alcançaria outras nações para além de
Israel (Is 49.6; Sl 22.27,28). Nesse sentido, o grande avivamento experimentado
pelos cristãos em Antioquia, a partir da pregação aos gentios, é o cumprimento
dessa promessa. Esta cidade foi escolhida pelo Espírito Santo haja vista ser um
local que havia recebido profunda influência da cultura greco-helenista e
abrigava forte presença judaica. Esses dois aspectos contribuíram para que a
mensagem do Evangelho encontrasse guarida nos corações. A influência
greco-helenista tornava a cidade como um berço do desenvolvimento intelectual
da época, aberta às discussões filosóficas e oportunas à reflexão sobre a
salvação. Semelhantemente, a presença judaica contribuía para que os
missionários da igreja, enviados ao local, persuadissem os judeus à fé cristã a
partir das profecias do Antigo Testamento.
O Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD) discorre
que “Barnabé fortaleceu grandemente os laços de amizade entre as congregações
de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços
de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o
dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Os discípulos
receberam o nome de ‘cristãos’ pela primeira vez em Antioquia (At 11.26). Paulo
foi enviado da igreja de Antioquia às suas três grandes missões: em Chipre, na
Ásia Menor e na Grécia (At 13.1ss; 15.36; 18.23). [...] Na igreja antiga,
Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo e mártir (110 d.C.) cujas
cartas ainda lemos; e por sua escola e grandes ensinadores, Crisóstomo (390
d.C.) e Teodoro de Mopsuestia (390 d.C.) que exortou a uma interpretação
literal e histórica da Bíblia, contra as tendências de alegoria de Clemente e
Orígenes de Alexandria no Egito” (2006, pp.142,143). O cenário era excelente
para que a igreja de Antioquia se tornasse um braço forte na pregação do
Evangelho em outras regiões.
CPAD - A Igreja dos Gentios — Da
chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos
Comentarista: Wagner Gaby
Lição 1: O chamado para os
gentios
SUMÁRIO
Capítulo
1 - O Chamado para os Gentios
Capítulo
2 - A Porta da Fé se Abre entre os Gentios
Capítulo
3 - A Graça que Alcança todas as Nações
Capítulo
4 - O Espírito que nos Guia para além das Fronteiras
Capítulo
5 - Cristo entre os Filósofos: o Deus desconhecido se Revela
Capítulo
6 - A Suficiência da Graça na Cidade de Corinto
Capítulo
7 - Quando o Espírito Sopra em Éfeso
Capítulo
8 - Despedida em Éfeso: entre Lágrimas e Alertas
Capítulo
9 - Coragem para Testemunhar: Paulo diante da Multidão
Capítulo
10 - Uma Esperança Inabalável perante os Poderosos
Capítulo
11 - Entre Tempestades e Promessas
Capítulo
12 - O Evangelho Chega ao Coração do Império
Capítulo
13 - A Missão Continua em Nós
Capitulo 1
O
CHAMADO PARA
OS
GENTIOS
INTRODUÇÃO
Após a sua ressurreição e momentos antes da
sua ascensão aos céus, Jesus havia anunciado aos seus discípulos que eles
receberiam o poder do Espirito Santo e que seriam as suas testemunhas tanto em
Jerusalem, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra (At 1.8). O
alvo estabelecido nesse texto foi cumprido mediante a expansão da igreja desde Jerusalém
(At 2-7) até toda a Judeia e Samaria (At 8-12).
O capítulo 13 de Atos marca uma grande virada
na narrativa do livro. Até aqui, o foco estava principalmente em Jerusalém e na
evangelização dos judeus. A partir daqui, a atenção volta-se para a missão
entre os gentios, sendo transferida para Antioquia da Síria, onde havia nascido
uma igreja marcada por um forte ardor missionário.
O restante do livro de Atos, dos capítulos 13
a 28, descreve a propagação do evangelho na extremidade oriental do mundo mediterrâneo
e em direção ao ocidente até Roma, a capital do Império Romano. Pedro havia
sido a figura principal nos doze primeiros capítulos deste livro, mas Paulo
ocupa o lugar central no restante da história, no que Adolph Harnack
(1851-1930), teólogo luterano alemão e proeminente historiador do cristianismo,
chamou de "missão e expansão do cristianismo".
I - O NASCIMENTO DA MISSÃO GENTÍLICA
1. Antioquia: um centro escolhido por Deus (v. 1)
Antioquia da Síria estava situada na
extremidade norte da Síria, em frente à Asia Menor e Europa, na margem do rio
Oronte, 50 quilometros distante do mar e a 500 quilômetros de Jerusalém.
Fundada por Seleuco I Nicátor (c. 358-281 a.C.), um dos generais de Alexandre
em 300 a.C., e cresceu a ponto de contar com numerosa população nos tempos do apóstolo
Paulo, incluindo muitos judeus, que obtiveram o direito de cidadania desde
tempos remotos. Não se sabe ao certo quão grande era a cidade nos dias de
Paulo, mas, com base na informação dada por Crisóstomo, deve ter contado com uma
população de cerca de 800 mil habitantes. Flávio Josefo, o historiador judeu do
tempo dos apóstolos, diz-nos que era a terceira maior cidade do Império Romano,
perdendo em importância numérica apenas para Roma e Alexandria, sendo conhecida
como a "Rainha do Oriente".
Antioquia tornou-se um grande centro da erudição
hebraica, bem como cidade onde havia numerosa colônia judaica - embora a grande
maioria da população fosse síria. A sua cultura era tipicamente
greco-helenista. O seu porto era Seleucia (At 13.4), que era uma reputada
cidade comercial e centro marítimo. Os romanos fizeram-na capital da província
da Síria.
Antioquia da Siria, local do nascimento da
missao gentílica, tornou-se a base principal da evangelização aos gentios, o
centro de partida da missão de penetração no mundo (a última parte da comissão
de Jesus em At 1.8). Foi nessa cidade que os seguidores de Cristo foram
chamados de cristãos pela primeira vez (At 11.26). Ο termo "cristao"
(χριστιανοί), nome dado nao pelos judeus, mas pelos gregos, é usado apenas tres
vezes no Novo Testamento (ver At 11.26; At 26.28;1 Pe 4.16). Paulo saiu de
Antioquia para todas as suas três viagens missionárias (At 13.1-3; 15.35,36;
18.22,23). Essa cidade tornou-se como o quartel-general das viagens
missionárias de Paulo e Barnabé, servindo como um ponto de partida para a
expansão do evangelho.
Antioquia da Siria e muito importante na
historia inicial da Igreja. Nicolau, um dos primeiros diáconos, era um
prosélito de Antioquia (At 6.5). Durante as perseguições que se seguiram após o
apedrejamento de Estevao, muitos cristaos de Jerusalem fugiram para Antioquia,
onde pregaram para judeus que falavam grego (helenistas) e para os gregos (helenos).
Barnabé
forneceu grandes laços de amizade entre a congregação de Antioquia e a
igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles
como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta
de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Na igreja antiga, Antioquia era famosa
por causa de Inácio, o bispo mártir, aproximadamente 110 d.C., e pela sua escola
e grandes ensinadores. A história da igreja em Antioquia, a igreja-mãe entre os gentios,
tinha uma distinção de que desfrutava durante muitos anos. Um dos seus bispos
mais ilustres foi Joao Crisostomo, grande escritor de comentários biblicos, que
exerceu notável influência sobre o desenvolvimento doutrinário da igreja cristã.
2. Profetas e doutores servindo ao Senhor e jejuando (vv. 1,2)
Os profetas eram considerados logo depois dos
apóstolos, e os doutores ou mestres ocupavam o terceiro lugar (1 Co 12.28).
Depois que a função de apóstolos terminou, os profetas e doutores passaram a
constituir os dois principais grupos de obreiros da igreja dignos de receber
apoio, como mostra a Didaquê (c.13), do segundo século.
A função dos profetas era essencialmente hortatoria
(do latim hortari, que significa "incentivar" ou
"encorajar"), ao passo que a funçao de mestres era essencialmente
didática. Os dois ministérios não eram necessariamente idênticos, embora o
oficio mais elevado de profecia comumente incluísse o oficio do ensino. O
oficio de profeta subentende uma mensagem diretamente recebida de Deus,
proveniente do Espírito Santo. O oficio de mestre implica em uma instrução mais
sistemática, em que a razão e a reflexão desempenham o seu devido papel.
A gramática grega, nesse ponto, ao utilizar-se
do duplo te, dá-nos a entender que havia tres profetas (Barnabe, Simeao e
Lucio), ao passo que os dois outros eram mestres (Manaém e Saulo).
Lucas jamais afirma que Paulo profetizou; em
vez disso, refere-se a ele regularmente como alguém que ensinava (At 15.35;
18.11; 20.20; 28.31). A tarefa do mestre era a de instruir a igreja, fazendo
uso do Antigo Testamento e das tradições da vida e ensinos de Jesus.
Barnabe
e Paulo tinham sido os principais professores na igreja de Antioquia (At
11.26). O Espirito Santo selecionou ambos como os seus primeiros missionarios.
Barnabe, provavelmente com 55 anos, tinha
sido um rico proprietário de terras antes da sua conversão. Saulo, dez anos mais
moço, tinha sido educado para tornar-se um rabino. Duas pessoas diferentes,
porem colocadas iuntas na obra do Senhor.
"Servindo eles ao Senhor, e jejuando [
... ]depois de jejuarem e
orarem
[ ... ]"
Na prática cristã primitiva, era comum a oração
estar ligada ao jejum (Mt 17.21; Mc 9.29; At 10.30; 14.23). Os judeus
estenderam esse costume de jejuar a um ponto bem mais adiantado do que
prescrevia a Lei (Dia da Expiação - At 27.9), quando havia um jejum
particularmente severo para todos os judeus (Lv 23.27), e Jesus ensinou aos
seus discipulos que estes haveriam de continuar com a pratica (Mt 6.16-18;
9.14-16). O jejum na Biblia implica em total abstinência de alimentação por
certo período.
Jejuar significa abster-se de alimentos durante
um período específico com a finalidade de concentrar-se no Senhor. A dor da
fome ira lembrá-los da sua completa dependência de Deus (2 Cr 20.3; Ed 8.23; Et
4.16; Mt 6.16- 18).
A
palavra "servindo" envolve oração, jejum, meditação e exortação ou
seja, provavelmente uma combinaçao de todos esses elementos. Tudo isso pode ter
sido feito propositalmente para buscar a orientação divina sobre o que deveria
ser feito em seguida para obtenção do progresso das atividades missionárias da
igreja; ou, então, essa orientação divina pode ter surgido como um resultado
natural.
Na Biblia de Estudo Plenitude, no verbete
Dinâmica do Reino, destacam-se quais são as características do líder (At 13.1-3)
com o seguinte comentário:
Os líderes da Igreja Primitiva chegavam a
decisões somente depois de jejuar e orar.
Em Antioquia, os profetas e mestres jejuavam e
oravam, buscando a direçao de Deus para a Igreja. Enquanto eles esperavam por
Deus, o Espirito Santo deu a direção (v. 2), começando, assim, o ministério
missionário, que, por fim, levou o evangelho ao mundo inteiro. Os líderes
piedosos confiam em Deus para a direção, e fortalecimento de sua vida e
ministério. O jejum disciplinado e oração constante são meios comprovados para
se chegar a isso e, sendo assim, são obrigatórios na vida dos líderes (Mt 9.5)
II -
O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA
1. O Espírito que conduz a missão
Dentre as muitas funções do Espírito Santo, estão
a de ungir, a de inspirar, a de separar e a de enviar homens e mulheres para os
quatro cantos da terra como missionários do Senhor.
A obra missionária é uma tarefa ligada à ação
exclusiva do Espírito Santo. O próprio Senhor Jesus dependeu da unção do
Espírito Santo para o exercício do seu ministério (Is 61.1-3; Lc 4.17-20). Alguém
já disse que o livro de Atos poderia ser chamado de Atos do Espírito Santo, e
isso se deu porque todo o livro é pautado na ação do Espírito na vida da
Igreja. Antes de receberem o poder do Espírito, os discípulos estavam meio que
acovardados, sem rumo. Ao receberem a unção do Espírito, tornam-se verdadeiros missionários,
impulsionados aos perdidos e cheios de ousadia para anunciar o grande amor de
Cristo.
O Espírito Santo não permitiu que os próprios
apóstolos ficassem envolvidos com problemas sociais e quaisquer outras
atividades que não fossem a evangelização (At 6.1-4). Os cristãos primitivos, por
sua vez, eram fiéis nas contribuições, o que proporcionava alegria e liberdade
para que os apóstolos tivessem mais ousadia e poder do Espírito Santo para
pregar a Palavra de Deus (At 4.32; 9.31).
O Espírito Santo e quem escolhe e envia
missionarios para anunciarem as Boas Novas de salvação ao mundo (At 8.26-40;
13.2; 20.28). Em Atos 16.4- 7, temos uma revelação clara de como o Espírito
Santo deseja que a ação missionária seja realizada, onde e por quem. O Espírito
Santo também é o instrutor dos ministros da Palavra de Deus (1 Co 2.1-18).
A ação do poder do Espírito Santo na Igreja é
a característica mais surpreendente no livro de Atos, a ponto de o livro ter
sido chamado de "Os Atos do Espírito Santo". Tanto o ministerio
publico de Jesus quanto o ministério público da Igreja no livro de Atos tiveram
o início com a experiência com o Espírito Santo.
O poder do Espírito Santo capacitou Jesus
para anunciar o evangelho mediante a cura dos enfermos, a expulsão de demônios
e a libertação dos cativos (Mt 4.23; Lc 4.14-19; At 10.38). Esse mesmo poder do
Espirito Santo concedeu a mesma autoridade espiritual aos discípulos no
capítulo 2 de Atos.
O Espírito Santo é visto como o protagonista
e a força motriz da obra missionária, sendo responsável por despertar, chamar,
capacitar e guiar os missionários e a Igreja no cumprimento da missão divina,
além de conferir poder e autoridade ao evangelho e ao testemunho dos cristãos.
O Senhor Jesus prometeu que, após a sua partida, o Espírito Santo viria para capacitar
os seus discípulos como testemunhas - promessa que se cumpriu plenamente com a
descida do Espírito Santo.
2. O poder do Espírito na evangelização dos gentios
Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito
Santo, de alegria e de gozo espiritual. Isso explica todas as demais
características da evangelização daqueles dias (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55).
A igreja crescia em números, diariamente, por
adição de vidas salvas e por ação divina. Vejamos o crescimento da Igreja Primitiva em números:
1.
Atos 1.15-120 membros;
2.
Atos 2.41 -3.000 membros;
3.
Atos 4.4-5.000 membros;
4.
Atos 5.14- Uma multidão é agregada à igreja;
5.
Atos 6.17 -O número dos discípulos é multiplicado;
6.
Atos 9.31 - A igreja expande-se para a Judeia, Galileia e Samaria;
7.
Atos 16.5-Igrejas são estabelecidas e fortalecidas no mundo inteiro.
Em Atos 1.3, vemos como a assistencia do
Espirito Santo e imprescindivel
à
obra missionaria. Guiados pelo Consolador, os missionarios faziam
discípulos
numa cidade e partiam para outra (vv. 46-51). Graças à direção e
providência
do Espírito, o evangelho, tendo alcançado a Europa (At
16.10),
tambem chegou a America do Norte, de onde vieram os
missionários
suecos Daniel Berg (1884-1963) e Gunnar Vingren (1879-
1933),
pioneiros do Movimento Pentecostal no Brasil.
3.
Evidências da ação missionária do Espírito (At 13-14)
Em
Atos 13-14, fica bem clara a presenca do Espirito Santo confirmando
e
aprovando a obra de evangelização realizada por Barnabé e Paulo.
A despeito das fortes perseguições que
sofreram no cumprimento da nobre tarefa missionaria, Paulo e a equipe que
estava com ele evidenciaram a manifestação do poder de Deus por meio da vida
deles. Muitos gentios e judeus creram e aceitaram Jesus como Salvador, muitas igrejas
foram fundadas, curas divinas e libertação ocorreram.
Jesus claramente nos instruiu que teriamos
afliçoes no mundo, mas também que deveríamos ter bom ânimo (Jo 16.33). No
Sermão do Monte, Ele disse para que exultássemos e alegrássemos quando fossemos
injuriados e perseguidos (Mt 5.11,12). As vezes, choramos, mas logo somos consolados
e invadidos por uma alegria que vem diretamente do trono de Deus:
Os que
semeiam em lagrimas segarao com alegria. Aquele que leva a preciosa semente,
andando e chorando, voltara, sem duvida, com alegria, trazendo consigo os seus
molhos. (S1 126.5,6)
Teremos oposições, mas também muitos resultados
extraordinários, pois a glória do Senhor manifesta-se por meio de nos para que
o nome dEle seja glorificado.
O grande legado missiológico deixado pela
igreja de Antioquia é o de que Deus tinha, por meio deles, aberto as portas da
fe aos pagãos (At 14.27).
A historia da evangelização de Antioquia
ilustra quando o Evangelho tem sucesso, quando é pregado a gente nova (At
11.19); quando é pregado a todas as classes e raças (At 11.20,21) e quando é
pregado por homens cheios do Espírito Santo (At 11.22-26).
O segredo do êxito em cruzadas evangelísticas
é buscar em oração a assistência do Consolador.
III -
A IGREJA COMO AGÊNCIA MISSIONÁRIA
1. A Igreja que ouve a voz de Deus
Uma
igreja missionária é, antes de tudo, uma igreja que ouve a Deus: "E, servindo
eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Aparta-me a
Barnabé
e a Saulo para a obra a que os tenho chamado"(At 13.2). Se quisermos
impactar o mundo, precisamos primeiro ouvir o Céu.
Ouvir a voz de Deus implica em sair de si
mesmo, ser inflamado pela caridade divina e espalhar esse amor ao próximo,
tornando-se um instrumento da glória divina.
Uma igreja que se considera uma agência
missionária ouve a voz de Deus ao reconhecer o chamado para a missão, que vem
de Cristo e do amor de Deus pelo mundo. Ela deve basear-se no conhecimento da Palavra
de Deus e dedicar-se à sua missão, preparando e enviando discípulos para
anunciar o evangelho em todos os lugares, agindo com ousadia e coragem para a
justiça e paz.
Uma igreja missionaria precisa ser
profundamente conhecedora da Palavra de Deus, pois é por meio dela que se ouve
a mensagem e que se conhece a Deus.
Vivemos em tempos em que a igreja é muitas
vezes vista apenas como um lugar de culto e comunhao. A Biblia, porem,
mostra-nos que a função central da igreja é ser uma agência missionária,
enviada por Deus ao mundo.
Em Atos 13, vemos a igreja de Antioquia
servindo como um modelo claro de uma comunidade que entende a sua missão. Uma
igreja centrada em Deus, e nao em entretenimento, que ora e jejua como pratica
regular e sensível à voz do Espírito Santo. Deus fala a uma igreja comprometida
com a sua vontade.
2. Uma igreja que envia e sustenta seus missionários
A afirmaçao de que a igreja é uma agencia
missionaria significa que ela, como comunidade, assume ativamente a missao de
Deus, envolvendo-se no preparo, envio e apoio dos seus missionários, e não
delegando essas responsabilidades apenas a organizações externas. Essa
participação ativa na missão global de Deus é vista como uma fonte de bênção e
de alegria para a igreja, pois contribui para a propagação do evangelho e para
a salvação de almas: "Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as maos,
os despediram" (At 13.3). A igreja nao retem os seus melhores líderes
(Paulo e Barnabé foram enviados) com oração, autoridade e apoio espiritual.
Envia como resposta ao chamado divino, não apenas por estratégias humanas. A
responsabilidade do envio é da Igreja.
Uma igreja missionária não é centrada em si
mesma, mas investe em pessoas, tempo e recursos para alcançar os perdidos. A
igreja sustentava, intercedia e enviava obreiros continuamente. Missões não é
um departamento; é a essência da Igreja.
Uma igreja que tem como base a expansão do
Reino de Deus é como a igreja de Antioquia, que se tornou o quartel-general da
missão gentílica. Foi de la que partiram muitas viagens missionárias do
apóstolo Paulo.
A igreja local deve engajar-se de maneira prática
e constante nas missões sem desligar-se da sua responsabilidade e oportunidade
de bênção. A sua igreja local pode ate ser pequena, mas, quando esta cheia do
Espírito Santo, torna-se uma base poderosa para transformar nações.
3. A igreja que cumpre a Grande Comissão
A Igreja Primitiva cumpriu a Grande Comissão
enviando Paulo e Barnabé para a obra que o Senhor havia-os chamado. Assim,
Paulo alcançou as nações da sua época.
Nós, como Igreja do Senhor, também devemos
fazer nossa parte, pois ainda existem muitas naçoes e povos que precisam ser
alcancados com o evangelho de Cristo. Atualmente, na chamada "Janela
10x40", existem milhares de pessoas que se encontram em trevas
espirituais. Como elas ouvirao o evangelho se nao ha quem pregue? (Rm 10.14). E
como pregarão se a Igreja do Senhor não enviar e sustentar os missionários?
(Rm
10.15). Ouçamos a voz do Espírito Santo, pois Ele continua a falar à sua
Igreja: "Separai meus servos para a obra que os tenho chamado".
Nossa missão ainda não acabou. Deus está
chamando a sua Igreja para ser mais do que uma comunidade de celebração; Ele
soberanamente nos chama para ser um povo em missão.
Sua
igreja é apenas um lugar de encontros, ou um centro de envio para a glória de
Deus entre os povos?
CONCLUSÃO
A igreja de Antioquia serve como modelo para
a igreja missionária. A missão entre os gentios começa com oração, direção do
Espírito e coragem.
A Palavra de Deus é poderosa para alcançar
todo tipo de pessoa, desde Elimas, o magico enganador (At 13.6-11), ao
proconsul Sérgio Paulo, governador de Chipre (At 13.7,8, 12).
O Espírito Santo e o guia e orientador da
Igreja do Senhor neste mundo. Hoje Ele continua chamando homens e mulheres para
realizarem grandes obras para o Senhor.
Estamos dispostos a cumprir nossa missão de
anunciar o evangelho até os confins da terra? Como tem sido minha participação,
como parte da Igreja do Senhor Jesus, quanto ao chamado de Deus para os
"gentios"? Oração?
Contribuição?
Disposição de ir?
A Igreja dos Gentios: Da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho
...
Por Wagner Gaby
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