Lição 08: Isaque: herdeiro da promessa
Lição 8
18 de maio de 2026
E tinha possessão de ovelhas, e
possessão de
vacas, e muita gente de serviço,
de maneira que
os filisteus o invejavam.
Gênesis
26.14
A INVEJA DOS FILISTEUS DIANTE
DAS BÊNÇÃOS DE ISAQUE
A inveja, à luz da Bíblia e da psicologia, é
a dor diante do bem do outro, um ressentimento que corrói o coração e destrói a
comunhão. Ela aparece cedo na Escritura, como em Caim, que "se irou"
ao ver Deus aceitar a oferta de Abel (Gn 4.5). Psicologicamente, nasce da
comparação constante e do sentimento de inferioridade. É por isso que a Palavra
adverte-nos a guardar o coração contra esse veneno silencioso.
No episódio de Gênesis 26.14, observamos que
a prosperidade de Isaque – fruto direto da bênção divina - despertou nos
filisteus um profundo incômodo. A expressão "de maneira que os filisteus o
invejavam" revela nao apenas um sentimento, mas também uma postura de
oposição ao agir de Déus na vida do patriarca. Assim como José foi alvo de
inveja dos seus irmãos (Gn 37.11), Isaque também enfrentou a hostilidade gerada
pelo olhar distorcido daqueles que não reconhecem a origem das dádivas.
A inveja opõe-se frontalmente ao amor ao próximo,
virtude que celebra o bem do outro e alegra-se com o seu crescimento. Conforme
Paulo ensina, "o amor não arde em ciúmes" (1 Co 13.4, ARA). Enquanto
a inveja fecha o coração e impede a graça de fluir, o amor simplesmente o abre
para o Espírito, tornando-nos capazes de desejar o bem, partilhar alegrias e
reconhecer a ação de Deus na vida alheia. É no exercício do amor que curamos a
alma da comparação destrutiva.
"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus
[ ... ] de benignidade" (Cl 3.12). A caminhada cristã exige que renunciemos
aos sentimentos que nos afastam do Senhor e uns dos outros. Quando vemos alguém
prosperar, precisamos treinar o coração para bendizer, e não para rivalizar.
Que cada atitude nossa reflita o caráter de Cristo, para que sejamos bênção em
meio ao mundo e testemunho vivo da graça que transforma o coração.
Peregrina nesta terra, e serei contigo e te
abençoarei; porque a ti e à tua
semente darei
todas estas terras e confirmarei
o juramento
que tenho jurado a Abraão, teu
pai.
Gênesis
26.3
19 de maio de 2026
A BÊNÇÃO SOBRE A DESCENDÊNCIA
A renovação da promessa em Isaque revela que
o Deus de Abraão também é o Deus dos seus filhos, pois Ele cumpre o que promete
de geração em geração.
A bênção não se extingue com o tempo; antes,
reafirma-se na vida daqueles que permanecem na aliança. Assim como o Senhor
confirmou a sua palavra a Abraão,
Ele
prossegue conduzindo a sua descendência com fidelidade e graça (Gn 28.15).
No centro de Gênesis 26.3, contemplamos o
Senhor reafirmando a Isaque o juramento feito ao seu pai. Aqui, promessa e pacto
entrelaçam-se: Deus garante terras, descendência e continuidade da missão. A fidelidade
divina sustenta a história mesmo em tempos de fome e incerteza. Assim como no
Éden Deus falou ao homem no início da sua jornada, também agora Ele fala ao
herdeiro da promessa, assegurando-lhe direção e destino (Gn 2.15).
"Peregrina nesta terra" - assim
inicia a ordem divina, seguida das palavras que fortalecem o coração:
"serei contigo" e "te abençoarei". A peregrinação revela dependência,
confiança e obediência, pois o caminhar do servo de Deus é guiado pela voz do
Altíssimo. A promessa da presença divina é o fundamento da coragem espiritual,
como também foi para Josué quando ouviu: "[ ... ] não te deixarei, nem te
desampararei" (Js 1.5).
A fidelidade do Senhor resplandece em toda a
narrativa bíblica. Quando Deus declara "serei contigo", Ele
certamente nos assegura que nenhuma jornada será trilhada na solidão. A sua
presença garante provisão, proteção e direção. A certeza dessa fidelidade é o
que nos move a peregrinar sem esmorecer, a caminhar firmes mesmo quando o
terreno parece árido, a perseverar quando a alma fica cansada.
Assim como Isaque avançou confiando na promessa
renovada, também somos chamados a seguir adiante, sustentados pelo Deus que não
falha. Não se esqueça:
a
bênção do Senhor repousa sobre os que persistem no caminho, e a sua fidelidade permanece
de geração em geração.
20 de maio de 2026
[ ... ] vós bem sabeis, com todo o vosso
coração e
com toda a vossa alma que nem uma
só palavra
caiu de todas as boas palavras
que falou de vós
o SENHOR, vosso Deus; todas vos
sobrevieram,
nem delas caiu uma só palavra.
Josué
23.14
NENHUMA PALAVRA VINDA DE DEUS
PODE FALHAR
Por que nenhuma Palavra de Deus pode falhar?
Porque ela procede daquEle que é perfeito em santidade, imutável em seu ser e
fiel em todas as suas obras. Deus não mente, não se engana e não volta atrás; a
sua Palavra carrega a autoridade do próprio caráter divino. Por isso, o
salmista declara no início da sua confissão: "A tua palavra é a
verdade" (Sl 119.160).
No centro da leitura de hoje, encontramos a afirmação
solene de que nenhuma promessa pronunciada pelo Senhor ficou sem cumprimento.
Tudo se realizou. Essa realidade também ilumina a vida de Isaque, herdeiro da
promessa feita a Abraão, pois cada etapa da sua jornada confirma a fidelidade
do Deus que caminha com o seu povo. Assim como o Senhor cumpriu tudo a Israel,
Ele também cumpriu a sua palavra sobre Isaque (Gn 26.3).
A mesma verdade aplica-se a você: o Deus que cumpriu
as suas promessas ontem continua sendo fiel hoje. Muitas vezes enfrentamos
incertezas e temores, mas a
Palavra
permanece firme no meio do caminho, sustentando nossa fé e esperança.
No coração da caminhada cristã, encontramos essa
segurança: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de
passar" (Mt 24.35).
É essa natureza fiel que fortalece o crente
em meio às provas. Mesmo quando não enxergamos o desfecho, sabemos que a promessa
divina repousa sobre a rocha inabalável do seu caráter. Ele não fala ao vento;
Ele estabelece a sua Palavra com propósito eterno e cumpre cada detalhe no
tempo perfeito. O profeta Isaías relembra: "[ ... ] a palavra de nosso
Deus subsiste eternamente" (Is 40.8). Por isso, caminhemos com confiança
reverente, pois o fundamento de nossa segurança não é a força humana, mas, sim,
o Deus que não falha. O Senhor que guiou Josué e abençoou Isaque é o mesmo que
nos conduz hoje. Em cada promessa, ouvimos ecoar a sua própria voz: fiel, firme
e eterna. E como testemunhou Jeremias: "[ ... ] grande é a tua
fidelidade" (Lm 3.23).
56
Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra
permanece no céu.
Salmos
119.89
21 de maio de 2026
A PALAVRA DE DEUS ESTA FIRMADA NO
CEU
O salmista declara que a Palavra do Senhor permanece
firmada no Céu, expressão que revela a sua eternidade, imutabilidade e
autoridade soberana. Nada pode alterá-la, pois ela procede de Deus e reflete o
seu próprio caráter. A verdade divina não oscila com épocas, culturas ou
vontades humanas; ela é estável como o trono de Deus, firme para sempre (Sl
119.89).
Essa firmeza manifesta-se claramente na história
de Isaque, confirmado como herdeiro da promessa feita a Abraão. A Palavra que
Deus havia proferido não se perdeu no tempo, mas cumpriu-se na vida do filho da
aliança. Mesmo em meio à fome e aos conflitos com os filisteus, o Senhor renovou
a sua promessa e reafirmou o seu compromisso com Isaque, demonstrando que a sua
Palavra não volta vazia (Gn 26.3).
O mesmo acontece conosco: a Escritura que recebemos
é inspirada por Deus e plenamente confiável para dirigir nossa fé, caráter e prática.
Ela ilumina o caminho, fortalece o coração e corrige nossos passos. Na sua
autoridade divina, a Palavra sempre nos guia com segurança, pois "toda a
Escritura é inspirada por Deus" (2 Tm 3.16, ARA) e útil para a vida
espiritual em todas as dimensões.
Diante dessa autoridade, somos chamados a submeter
nossa vida à direção da Palavra. Quando o crente orienta-se pelo que Deus
disse, encontra firmeza em um mundo instável. Como declarou Jesus no meio do
seu ensino: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo
17.17). A verdade divina não apenas informa; ela transforma, molda e sustenta.
Por
isso, devemos sempre nos apegar às Escrituras como nossa âncora espiritual.
A Palavra firmada no Céu é a mesma que firma
nossos passos na terra. Ela revela quem Deus é, quem somos e para onde
caminhamos. Que você permaneça sujeito à autoridade da Bíblia Sagrada,
encontrando nela vida, direção e esperança. E que a confissão do profeta também
seja a nossa: a Palavra do Senhor é eterna, inabalável e gloriosa (ver Is
40.8).
57
22 de maio de 2026
E disse-me o SENHOR: Viste bem;
porque eu
velo sobre a minha palavra para a
cumprir.
Jeremias 1.12
DEUS TEM COMPROMISSO
COM A SUA PALAVRA
A história de Isaque como herdeiro da
promessa revela que o determinante não foi a sua capacidade, mas o poder da
Palavra de Deus. Desde Abraão, o Senhor firmou a sua promessa e sustentou-a com
a sua fidelidade, conduzindo cada passo do patriarca até o cumprimento visível
na vida do seu filho. A promessa divina é força ativa, viva e eficaz, operando
na história conforme a sua vontade (Gn 26.3).
Encontramos a explicação dessa realidade em
Jeremias 1.12: Deus vela sobre a sua Palavra para cumpri-la. Ele sempre a
guarda, vigia, sustenta e realiza. Nada escapa ao seu propósito, e nenhuma
circunstância humana consegue frustrar o que Ele determinou. A Palavra não
depende das estações, mas do Deus que a pronunciou; por isso, ela permanece
firme no meio da fragilidade humana (Jr 1.12).
Da mesma forma, a Palavra torna-se determinante
na vida do crente quando acolhida com fé e obediência. As Escrituras moldam o
caráter, orientam decisões e alinham o coração à vontade de Deus. Quando nos
rendemos ao ensino sagrado, experimentamos a sua força transformadora, pois
"lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho"
(Sl 119.105).
Somos, portanto, chamados a viver com reverência
diante das Escrituras, reconhecendo que negligenciar a Palavra é perder o rumo
da vida espiritual. Deus sempre nos corrige, edifica e fortalece por meio dela.
No meio da caminhada, o crente encontra na Bíblia a voz que não mente e o
fundamento que não treme, pois a "palavra de Deus é viva, e eficaz
"(Hb 4.12). Por isso, levemos a sério a Palavra em nossa prática diária.
Quem a honra, honra o próprio Deus; quem a guarda, experimenta a fidelidade do
Senhor; quem a obedece, descobre o caminho da vida.
A promessa feita a Isaque e reafirmada a
Jeremias ecoa até nós: Deus cumpre o que diz. Que vivamos sob essa certeza,
confiando no Senhor que vela sobre cada promessa (Nm 23.19).
58
Deus não é homem, para que minta;
nem
filho de homem, para que se
arrependa;
porventura, diria ele e não o
faria? Ou falaria e
não o confirmaria?
Números 23.19
23 de maio de 2026
O ATRIBUTO IMUTÁVEL DE DEUS
Deus reafirma a sua aliança agora na vida de
Isaque, confirmando-o como herdeiro da promessa feita a Abraão. O episódio
mostra que a continuidade da bênção não depende da força humana, mas do caráter
imutável do Senhor, que cumpre tudo quanto declara. A verdade proclamada em
Números 23.19 ilumina essa realidade: "Deus não é homem, para que minta;
nem filho de homem, para que se arrependa". Assim, a promessa é mantida
porque ela repousa na natureza divina, e não na instabilidade humana.
A imutabilidade de Deus significa que Ele não
muda no seu ser, vontade ou propósitos. Se Ele falou, Ele fará; se prometeu, cumprirá.
Na confirmação dada a Isaque, vemos esse atributo em ação. O mesmo Deus que
acompanhou Abraão agora dirige o caminho do filho, garantindo terras, descendência
e proteção. O concerto divino é sustentado pelo próprio Deus, cuja fidelidade
não conhece variação e cuja Palavra permanece firme para sempre (Nm 23.19).
Para o crente, a imutabilidade divina
revelada nessa narrativa é fonte de segurança e descanso. As estações da vida
mudam, as circunstâncias oscilam, mas o Deus que conduziu Isaque permanece o
mesmo. Ele não volta atrás nas suas promessas, não retira o que declarou, não
altera o que determinou. Assim como Isaque pôde descansar na fidelidade de
Deus, também podemos encontrar paz nesta certeza: "Seca-se a erva, e caem
as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente" (Is 40.8).
Compreender esse atributo transforma nossa
espiritualidade diária. Oramos com mais confiança, porque sabemos que falamos
com aquEle que não muda; esperamos com mais firmeza, porque a promessa não depende
dos ventos; caminhamos com mais coragem, porque a aliança repousa no caráter
eterno de Deus. Como Isaque avançou em meio à fome, conflitos e adversidades,
também seguimos amparados pela mão eterna do Senhor (Dt 33.27).
59
24 de maio de 2026
E semeou Isaque naquela mesma
terra e
colheu, naquele mesmo ano, cem
medidas,
porque o SENHOR o abençoava.
Gênesis 26.12
ISAQUE: HERDEIRO DA PROMESSA
O versículo declara que Isaque semeou em terra
de escassez e, pela bênção do Senhor, colheu cem medidas. O texto destaca não apenas
o trabalho do patriarca, mas, sobretudo, a ação divina que transforma impossibilidades
em colheitas abundantes. A prosperidade de Isaque não veio do ambiente
favorável, mas da mão de Deus, que honra a sua promessa e confirma o seu pacto
na vida dos que confiam nEle (Gn 26.12).
Somos profundamente alcançados por esta realidade:
Deus continua abençoando aqueles que permanecem fiéis mesmo em tempos de seca
espiritual, emocional ou material. Isaque semeou onde parecia improvável porque
confiou no Deus que havia prometido estar com ele. Assim o crente também é
chamado a semear fé, esperança e perseverança, crendo que o Senhor é poderoso
para multiplicar o fruto de cada passo de obediência (Sl 126.5).
A vida crista e marcada por esta verdade: a
colheita pertence a Deus, mas a semeadura é responsabilidade nossa. Semeamos em
oração, em trabalho dedicado, em amor ao próximo e na constância da fé; e Deus,
no seu tempo, faz florescer o que parecia impossível. O mesmo Deus que abençoou
Isaque continua sustentando o seu povo, pois a sua fidelidade não muda, e a sua
mão jamais se retrai (2 Co 9.10).
Quando o crente dispõe-se a caminhar com Deus,
experimenta a graça que abre caminhos mesmo em terras áridas e faz brotar vida
onde havia deserto. A bênção do Senhor não depende das circunstâncias, mas do
propósito eterno de Deus em atuar naqueles que confiam nEle. Como declarou
Davi, "o SENHOR é a porção da minha herança" (SI 16.5); é Ele quem
define a medida de nossa colheita. Por isso, o Texto Áureo certamente nos chama
a caminhar com fé inabalável.
Semeie ainda que a terra pareça dura;
persevere ainda que o céu pareça fechado; confie ainda que a resposta pareça
tardia. O Deus que abençoou Isaque continua sendo aquEle que cuida de nós. Que
você creia nesta verdade: onde Deus conduz um filho seu, ali Ele sustenta,
fortalece e dirige cada passo.
60 Devocional Leitura Diária Homens Dos
Quais o Mundo Não Era Digno
Capítulo 8
ISAQUE: O HERDEIRO
DA PROMESSA
DEPOIS, SUBIU DALI A BERSEBA, E
APARECEU-LHE O SENHOR NAQUELA MESMA NOITE E DISSE: EU SOU O DEUS DE ABRAÃO, TEU
PAI. NÃO TEMAS, PORQUE EU SOU CONTIGO, E ABENÇOAR-TE-EI, E MULTIPLICAREI A TUA
SEMENTE POR AMOR DE ABRAÃO, MEU SERVO. ENTÃO, EDIFICOU ALI UM ALTAR, E INVOCOU
O NOME DO SENHOR, E ARMOU ALI A SUA TENDA; E OS SERVOS DE ISAQUE CAVARAM ALI UM
POÇO. (GN 26.23-25)
Certamente, Abraão, como homem de fé e
obediência a Deus, soube conduzir sua família nos caminhos do
Senhor.
Seu filho, Isaque, seguiu os passos de seu velho pai. Tanto Ismael, filho de
Agar, como Isaque, seu filho com
Sara,
estavam bem conscientes do valor da adoração ao Deus de seus pais. Assim como a
Abraão, Deus o dirigiu em todos os passos de sua jornada.
Depois que seu pai morreu, com cento e
setenta e cinco anos de idade (Gn 25.7), ele e seu irmão, Ismael, o sepultaram
no mesmo túmulo onde Sara fora sepultada, na cova de Macpela, que Abraão
comprara de Efrom, entre os filhos de Hete (Gn 25.9-10). Mas Deus não o
desamparou após a morte do pai. Pelo contrário, o abençoou como abençoou
Abraão, para cumprir as promessas que lhe fizera, de manter o concerto com seus
descendentes. "E aconteceu, depois da morte de Abraão, que Deus abençoou a
Isaque, seu filho; e habitava Isaque junto ao poço Laai-Roi" (Gn 25.11). Isaque
se casou com Rebeca, "filha de Betuel, arameu de Padã-Arã". Por
coincidência, sua esposa também era estéril, como o fora sua mãe; porém, como
filho de Abraão, Isaque também era homem de oração.
E Isaque orou instantemente ao Senhor por sua
mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua
mulher, concebeu. E os filhos lutavam dentro dela; então, disse: Se assim é, por
que sou eu assim? E foi-se a perguntar ao Senhor.
E
o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das
tuas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá
ao menor. (Gn 25.21-23).
Quando Deus curou Rebeca da infertilidade, e
Isaque já tinha sessenta anos de idade, ela deu à luz gêmeos. Ao primeiro, chamou-lhe
de Esaú; ao que saiu do ventre em seguida, deu-lhe o nome de Jacó. Ambos
cresceram e Esaú se dedicou mais à vida de caçador, enquanto Jacó era mais
caseiro. Um problema se desenhou na criação dos filhos. Enquanto Isaque amava
mais a Esaú, por gostar da caça, Rebeca amava mais a Jacó, por ser mais
habituado à vida doméstica, vivendo mais próximo da mãe.
Vale salientar que tal comportamento é errado
no seio de qual- quer família. O pai demonstrar mais
amor por um filho, e a mãe demonstrar mais amor por outro. Isso pode causar
inveja de um em relação ao outro, gerando mal-estar ou contendas.
Os anos se passaram, eles se tornaram jovens.
Certo dia, Esaú chegou cansado, com fome, depois de caçar; e Jacó havia preparado
um guisado saboroso; então pediu ao irmão que lhe desse um pouco daquele
guisado. Jacó, com esperteza, disse que lhe daria, desde que ele lhe vendesse
seu direito de primogenitura. Sem pensar, de modo precipitado, Esaú aceitou a
proposta. E vendeu sua primogenitura a Jacó. Foi o maior erro de sua vida. Ele
não foi enganado. Abriu mão de sua primogenitura de modo consciente e
imediatista (Gn 25.27-34).
I-A FOME NA TERRA E A DIREÇÃO DE DEUS
Da mesma forma que Abraão enfrentou a
ocorrência de uma
fome
onde vivia (Gn 12.10), Isaque também teve essa desagradável experiência.
E havia fome na terra, além da primeira fome, que
foi nos dias de Abraão; por isso,
foi-se Isaque a Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar. E apareceu-lhe o
Senhor e disse: Não desças ao Egito. Habita na terra que eu te disser;
peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e à tua
semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão,
teu pai. E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua semente
todas estas terras. E em tua semente serão benditas todas as nações da terra,
porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus
preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.
Assim, habitou Isaque em Gerar.
(Gn 26.1-6)
1. Socorro entre os filisteus
Isaque buscou refúgio para enfrentar a fome
com Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar (Gn 26.1). Essa medida teve a aprovação
de Deus, que lhe determinou que não descesse ao Egito, como fizera seu pai.
E apareceu-lhe o Senhor e disse: Não desças
ao Egito. Habita na terra que eu te disser; peregrina nesta terra, e serei
contigo e te abençoarei; porque a ti e
à
tua semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que tenho jurado
a Abraão, teu pai.
(Gn
26.2-3)
2. Confirmação das promessas a
Abraão
No seu tempo e do seu modo, Deus vela para
cumprir suas promessas a seus servos, quando tem propósitos com eles. Deus repetiu
e confirmou a Isaque o que prometera a Abraão:
E multiplicarei a tua semente como as
estrelas dos céus e darei à tua semente todas estas terras. E em tua semente
serão benditas todas as nações da terra, porquanto Abraão obedeceu à minha voz
e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.
Assim, habitou Isaque em Gerar.
(Gn
26.4-6)
O pacto de Deus com Abraão foi tão precioso
que sempre Ele fez referência ao patriarca, mesmo após a sua morte.
3. O problema, envolvendo Rebeca
Os filisteus demonstraram interesse em
Rebeca, esposa de Isaque, da mesma forma que puseram os olhos em Sara, sua mãe,
que era também muito formosa (Gn 20). Perguntaram acerca de Rebeca, e ele
mentiu, dizendo que era sua irmã. Mas Abimeleque, rei dos filisteus, percebeu que Isaque brincava
com Rebeca, talvez com carícias e intimidades (Gn 26.8).
Então, chamou Abimeleque a Isaque e disse:
Eis que, na verdade, é tua mulher; como, pois, disseste: É minha irmã? E
disse-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa
dela. E disse Abimeleque: Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria deitado
alguém deste povo com a tua mulher, e tu terias trazido sobre nós um delito. E
mandou Abimeleque a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste varão ou em
sua mulher certamente morrerá. (Gn 26.9-11)
Nesse episódio, vemos a fraqueza do homem, e
o cuidado de
Deus.
Em lugar de falar a verdade quando lhe pediram informação sobre Rebeca, Isaque
imitou seu pai e mentiu, afirmando que ela era sua irmã. Ele correu o risco de
algum filisteu ter assediado sua esposa e ter tido relações com ela. Mas Deus
usou o próprio rei da terra para perceber que Isaque demonstrava um carinho por
Rebeca que não era comum entre irmãos, e que ela só podia ser sua esposa. O rei
chamou-o e lhe advertiu que sua atitude poderia ter causado um grande mal a ele
e a sua esposa. Isaque deu uma desculpa que não convencera a Abimeleque, e este
determinou que ninguém tocasse na esposa dele. Foi um livramento de Deus.
II -A PROSPERIDADE DE ISAQUE
Deus abençoou Isaque grandemente. Ele
prosperou com sua família naquela terra dos filisteus. Foi tão grande o seu
crescimento econômico e patrimonial que causou inveja aos moradores da terra.
E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu,
naquele mesmo ano, cem medidas, porque o Senhor o abençoava. E engrandeceu-se o
varão e ia-se engrandecendo, até que se tornou mui grande; e tinha possessão de
ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço,de maneira que os
filisteus o invejavam. (Gn 26.12-14)
1. A Inveja dos Filisteus
Os filisteus não apenas invejaram Isaque pela
sua prosperidade material, mas agiram de má-fé e por vingança de quem se sente
inferior. Resolveram prejudicá-lo não só em sua vida, mas atacaram até o que
seu pai houvera deixado como legado naquela terra. Além de construtor de
altares, Abraão foi um abridor de poços. "E todos os poços que os servos
de seu pai tinham cavado nos dias de Abraão, seu pai, os filisteus entulharam e
encheram de terra" (Gn 26.15). Fizeram uma ação vil, perniciosa, e de
grande prejuízo para Isaque, demonstrando sua índole maldosa e perversa.
O rei Abimeleque, ainda que admirasse Isaque,
percebendo os transtornos, envolvendo seu povo, por causa da bênção de Deus sobre
ele, o chamou e lhe disse para sair da sua terra: "Disse também Abimeleque
a Isaque: Aparta-te de nós, porque muito mais poderoso te tens feito do que nós.
Então, Isaque foi-se dali, e fez o seu assento no vale de Gerar, e habitou
lá" (Gn 26.16 17). Isso mostra que o invejoso se sente fraco, inferior à
pessoa de quem tem inveja.
Jesus orientou sobre isso, em Mateus 5.41:
"e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas".
Não é fácil abrir mão de bens e direitos adquiridos com esforço próprio em favor
de quem nada fez para obtê-los. Mas, para evitar maiores problemas, muitas
vezes, o cristão, com a graça de Deus, pode abrir mão dos seus direitos. Paulo
diz: "Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os
homens" (Rm 12.18).
2. Isaque Honra a Memória de Abraão
Se a contenda com os pastores de Gerar, que
entulharam os poços que Abraão houvera aberto, fosse nos dias atuais, bastaria um
processo na justiça e Isaque poderia ser indenizado pelos prejuízos. Mas,
naquele tempo, a questão dos direitos era muito complicada. O regime era
totalitário. Só o rei era a autoridade a quem se podia recorrer. Não havia lei
a obedecer, na terra dos filisteus. Por isso, Isaque fez um esforço enorme e
mandou que seus servos reabrissem os poços que seu pai houvera cavado. E, numa
demonstração de honra ao nome de Abraão, Isaque teve o cuidado de dar aos poços
reabertos os mesmos nomes que seu pai lhes dera. "E tornou Isaque, e cavou
os poços de água que cavaram nos dias de Abraão, seu pai, e que os filisteus
taparam depois da morte de Abraão, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu
pai" (Gn 26.18).
3. Isaque Abre mais Poços
Além disso, na reabertura dos poços,
descobriram "um poço de águas vivas". Era um poço que alcançara o
lençol freático, e nunca faltava água. Então, houve contenda dos pastores de
Gerar
com os pastores de Isaque.
Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele
vale e acharam ali um poço de águas vivas. E os pastores de Gerar porfiaram com
os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Por isso, chamou o nome daquele
poço Eseque, porque contenderam com ele.
(Gn
26.19-20)
Eseque significa "poço da contenda".
Depois, os servos de Isaque abriram outro poço, e os maus servos de Abimeleque contenderam
sobre ele, a quem deram o nome de Sitna, que significa "inimizade".
Não havia paz entre os pastores de Gerar e os pastores de Isaque, mesmo no vale
de Gerar. Para evitar confusão, Isaque mandou que seus pastores abrissem outro
poço, e, de modo surpreendente, os filisteus não mais brigaram por ele. "E
partiu dali e cavou outro poço; e não porfiaram sobre ele. Por isso, chamou o seu
nome Reobote e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos nesta
terra. Depois, subiu dali a Berseba" (Gn 26.22-23). Reobote significa
"alargamento.
III -DEUS APARECE A ISAQUE
Em seguimento aos passos de Abraão, Isaque
tinha comunhão com Deus. E o Senhor lhe apareceu, depois de enfrentar tantas lutas,
e lhe falou benignamente, tranquilizando seu coração.
1. Promessas de Deus a Isaque
De modo semelhante ao que falara com Abraão,
na noite em que chegou a Berseba, "apareceu-lhe o Senhor naquela mesma noite
e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e
abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu
servo" (Gn 26.24). Deus lhe fez três promessas maravilhosas depois que lhe
disse "Eu sou o Deus de Abraão, teu pai".
1.1. "Não temas, porque eu sou contigo"
Certamente, Isaque já tinha ouvido a voz de
Deus; desde sua infância, já pudera ver o exemplo de como seu pai se
relacionava com Deus, e como este lhe falava, orientando-o e dirigindo seus passos.
Assim, depois de passar por tantas provas difíceis, talvez ele tenha se
mostrado um tanto temeroso diante dos problemas e encarava o futuro com algum receio.
Mas Deus lhe disse: "Não temas, porque eu sou contigo".
Para ele, ouvir aquela voz, mansa, suave e
firme, era algo especial; tudo o que precisava para prosseguir na sua jornada, cheia
de tribulações. Não há nada melhor para o cristão do que saber que pode ter a
presença de Deus em sua vida. "Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença
há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente"
(Sl 16.11).
1.2.
"e abençoar-te-ei"
Essa promessa Deus já fizera a seu pai,
Abraão. Deus é abençoador. Quando Ele tem um propósito na vida de um servo seu,
além de chamá-lo, derrama suas bênçãos sobre ele, sobre sua família, e sobre
suas atividades e projetos. Deus prometeu abençoar Isaque de forma ampla. Em
termos espirituais, em termos familiares e na sua missão, como verdadeiro e
legítimo sucessor de Abraão.
1.3. "e multiplicarei a tua
semente por amor de Abraão, meu servo"
Essa
promessa tem um aspecto interessante. Deus promete multiplicar a descendência
de Isaque, por amor de Abraão, seu pai. Daí se pode ver quanto Deus honrou a
Abraão.
1.4. O primeiro altar de Isaque
Como visto no capítulo 2, Abraão construiu
quatro altares
(em
Siquém, entre Betel e Ai, em Hebrom e no Monte Moriá).
Em
sua jornada, Isaque só construiu um altar após as promessas que Deus lhe
fizera, depois de construir vários poços. "Então, edificou ali um altar, e
invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaque
cavaram ali um poço" (Gn 26.25).
2. Abimeleque Faz um Pacto com Isaque
Como visto, os filisteus de Gerar causaram
muitos problemas a Isaque. Primeiro, entulharam todos os poços que Abraão
houvera cavado; e todos foram reabertos por Isaque; depois, porfiaram com
Isaque pelos poços que mandou cavar (poço de Eseque, "da contenda"; e
poço de Sitna, "inimizade"). Finalmente, cavou um poço, diante do
qual não houve mais contenda, e chamou de "poço do alargamento" -
"agora nos alargou o Senhor". Foi morar em Berseba (Gn 26.18-23), e
seus servos cavaram mais um poço (Gn 26.25).
Depois
dessas coisas, Abimeleque, rei de Gerar, propôs um
pacto com Isaque:
E Abimeleque veio a ele de Gerar, com Ausate, seu amigo, e Ficol,
príncipe do seu exército. E disse-lhe Isaque: Por que viestes a mim, pois que
vós me aborreceis e me enviastes de vós? E eles disseram: Havemos visto, na
verdade, que o Senhor é contigo; pelo que dissemos: Haja, agora, juramento
entre nós, entre nós e ti; e façamos concerto contigo. Que nos não faças mal,
como nós te não temos tocado, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir
em paz. Agora, tu és o bendito do Senhor. Então, lhes fez um banquete, e comeram
e beberam. E levantaram-se de madrugada e juraram um ao outro; depois, os despediu
Isaque, e despediram-se dele, em paz. (Gn 26.26-31)
Cumpriu-se o que está escrito em Provérbios:
"Sendo os caminhos do homem agradáveis ao Senhor, até a seus inimigos faz
que tenham paz com ele" (Pv 16.7).
3. O Poço de Berseba
Logo após o pacto ou juramento entre
Abimeleque e Isaque, os servos deste lhe trouxeram a boa nova de que haviam
achado água, no poço que tinham cavado, após a construção do altar.
E
aconteceu, naquele mesmo dia, que vieram os servos de Isaque, e anunciaram-lhe
acerca do negócio do poço, que tinham cavado, e disseram-lhe: Temos achado água.
E chamou-o Seba. Por isso, é o nome daquela cidade Berseba até o dia de hoje.
(Gn
26.32-33)
Seba, no hebraico, significa "juramento";
esse último poço, aberto pelos servos de Isaque, foi denominado "poço do
juramento".
CONCLUSÃO
Da mesma forma que Abraão, Isaque passou por
várias provas em sua vida. Enfrentou uma fome e foi buscar socorro entre os filisteus.
Mas, assim como Deus esteve com seu pai, demonstrou que estava com ele e renovou
as promessas feitas para a descendência do patriarca. Sua prosperidade foi tão
grande que causou a inveja dos filisteus; estes, com maldade sem limites,
entulharam todos os poços d'água que seu pai houvera aberto com tanto esforço.
Mas Isaque reabriu todos, dando-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes dera. E
Deus continuou o abençoando grandemente, confirmando que ele era o herdeiro das
promessas.
ISAQUE: HERDEIRO DA PROMESSA 95
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