domingo, 10 de maio de 2026

CPAD – Tema: Homens dos quais o mundo não era digno – | Lição 08: Isaque: herdeiro da promessa

 


 CPAD –Homens dos quais o mundo não era digno – O legado de Abraão, Isaque e Jacó

 Lição 08: Isaque: herdeiro da promessa

Lição 8

18 de maio de 2026

E tinha possessão de ovelhas, e possessão de

vacas, e muita gente de serviço, de maneira que

os filisteus o invejavam.

Gênesis 26.14

A INVEJA DOS FILISTEUS DIANTE

 DAS BÊNÇÃOS DE ISAQUE

  A inveja, à luz da Bíblia e da psicologia, é a dor diante do bem do outro, um ressentimento que corrói o coração e destrói a comunhão. Ela aparece cedo na Escritura, como em Caim, que "se irou" ao ver Deus aceitar a oferta de Abel (Gn 4.5). Psicologicamente, nasce da comparação constante e do sentimento de inferioridade. É por isso que a Palavra adverte-nos a guardar o coração contra esse veneno silencioso.

  No episódio de Gênesis 26.14, observamos que a prosperidade de Isaque – fruto direto da bênção divina - despertou nos filisteus um profundo incômodo. A expressão "de maneira que os filisteus o invejavam" revela nao apenas um sentimento, mas também uma postura de oposição ao agir de Déus na vida do patriarca. Assim como José foi alvo de inveja dos seus irmãos (Gn 37.11), Isaque também enfrentou a hostilidade gerada pelo olhar distorcido daqueles que não reconhecem a origem das dádivas.

   A inveja opõe-se frontalmente ao amor ao próximo, virtude que celebra o bem do outro e alegra-se com o seu crescimento. Conforme Paulo ensina, "o amor não arde em ciúmes" (1 Co 13.4, ARA). Enquanto a inveja fecha o coração e impede a graça de fluir, o amor simplesmente o abre para o Espírito, tornando-nos capazes de desejar o bem, partilhar alegrias e reconhecer a ação de Deus na vida alheia. É no exercício do amor que curamos a alma da comparação destrutiva.

  "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus [ ... ] de benignidade" (Cl 3.12). A caminhada cristã exige que renunciemos aos sentimentos que nos afastam do Senhor e uns dos outros. Quando vemos alguém prosperar, precisamos treinar o coração para bendizer, e não para rivalizar. Que cada atitude nossa reflita o caráter de Cristo, para que sejamos bênção em meio ao mundo e testemunho vivo da graça que transforma o coração.

  Peregrina nesta terra, e serei contigo e te

abençoarei; porque a ti e à tua semente darei

todas estas terras e confirmarei o juramento

que tenho jurado a Abraão, teu pai.

Gênesis 26.3

19 de maio de 2026

  A BÊNÇÃO SOBRE A DESCENDÊNCIA

  A renovação da promessa em Isaque revela que o Deus de Abraão também é o Deus dos seus filhos, pois Ele cumpre o que promete de geração em geração.

  A bênção não se extingue com o tempo; antes, reafirma-se na vida daqueles que permanecem na aliança. Assim como o Senhor confirmou a sua palavra a Abraão,

Ele prossegue conduzindo a sua descendência com fidelidade e graça (Gn 28.15).

  No centro de Gênesis 26.3, contemplamos o Senhor reafirmando a Isaque o juramento feito ao seu pai. Aqui, promessa e pacto entrelaçam-se: Deus garante terras, descendência e continuidade da missão. A fidelidade divina sustenta a história mesmo em tempos de fome e incerteza. Assim como no Éden Deus falou ao homem no início da sua jornada, também agora Ele fala ao herdeiro da promessa, assegurando-lhe direção e destino (Gn 2.15).

  "Peregrina nesta terra" - assim inicia a ordem divina, seguida das palavras que fortalecem o coração: "serei contigo" e "te abençoarei". A peregrinação revela dependência, confiança e obediência, pois o caminhar do servo de Deus é guiado pela voz do Altíssimo. A promessa da presença divina é o fundamento da coragem espiritual, como também foi para Josué quando ouviu: "[ ... ] não te deixarei, nem te desampararei" (Js 1.5).

  A fidelidade do Senhor resplandece em toda a narrativa bíblica. Quando Deus declara "serei contigo", Ele certamente nos assegura que nenhuma jornada será trilhada na solidão. A sua presença garante provisão, proteção e direção. A certeza dessa fidelidade é o que nos move a peregrinar sem esmorecer, a caminhar firmes mesmo quando o terreno parece árido, a perseverar quando a alma fica cansada.

  Assim como Isaque avançou confiando na promessa renovada, também somos chamados a seguir adiante, sustentados pelo Deus que não falha. Não se esqueça:

a bênção do Senhor repousa sobre os que persistem no caminho, e a sua fidelidade permanece de geração em geração.

20 de maio de 2026

 [ ... ] vós bem sabeis, com todo o vosso coração e

com toda a vossa alma que nem uma só palavra

caiu de todas as boas palavras que falou de vós

o SENHOR, vosso Deus; todas vos sobrevieram,

nem delas caiu uma só palavra.

Josué 23.14

NENHUMA PALAVRA VINDA DE DEUS

 PODE FALHAR

  Por que nenhuma Palavra de Deus pode falhar? Porque ela procede daquEle que é perfeito em santidade, imutável em seu ser e fiel em todas as suas obras. Deus não mente, não se engana e não volta atrás; a sua Palavra carrega a autoridade do próprio caráter divino. Por isso, o salmista declara no início da sua confissão: "A tua palavra é a verdade" (Sl 119.160).

  No centro da leitura de hoje, encontramos a afirmação solene de que nenhuma promessa pronunciada pelo Senhor ficou sem cumprimento. Tudo se realizou. Essa realidade também ilumina a vida de Isaque, herdeiro da promessa feita a Abraão, pois cada etapa da sua jornada confirma a fidelidade do Deus que caminha com o seu povo. Assim como o Senhor cumpriu tudo a Israel, Ele também cumpriu a sua palavra sobre Isaque (Gn 26.3).

  A mesma verdade aplica-se a você: o Deus que cumpriu as suas promessas ontem continua sendo fiel hoje. Muitas vezes enfrentamos incertezas e temores, mas a

Palavra permanece firme no meio do caminho, sustentando nossa fé e esperança.

  No coração da caminhada cristã, encontramos essa segurança: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" (Mt 24.35).

  É essa natureza fiel que fortalece o crente em meio às provas. Mesmo quando não enxergamos o desfecho, sabemos que a promessa divina repousa sobre a rocha inabalável do seu caráter. Ele não fala ao vento; Ele estabelece a sua Palavra com propósito eterno e cumpre cada detalhe no tempo perfeito. O profeta Isaías relembra: "[ ... ] a palavra de nosso Deus subsiste eternamente" (Is 40.8). Por isso, caminhemos com confiança reverente, pois o fundamento de nossa segurança não é a força humana, mas, sim, o Deus que não falha. O Senhor que guiou Josué e abençoou Isaque é o mesmo que nos conduz hoje. Em cada promessa, ouvimos ecoar a sua própria voz: fiel, firme e eterna. E como testemunhou Jeremias: "[ ... ] grande é a tua fidelidade" (Lm 3.23).

56

   Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra

permanece no céu.

Salmos 119.89

21 de maio de 2026

A PALAVRA DE DEUS ESTA FIRMADA NO CEU

  O salmista declara que a Palavra do Senhor permanece firmada no Céu, expressão que revela a sua eternidade, imutabilidade e autoridade soberana. Nada pode alterá-la, pois ela procede de Deus e reflete o seu próprio caráter. A verdade divina não oscila com épocas, culturas ou vontades humanas; ela é estável como o trono de Deus, firme para sempre (Sl 119.89).

   Essa firmeza manifesta-se claramente na história de Isaque, confirmado como herdeiro da promessa feita a Abraão. A Palavra que Deus havia proferido não se perdeu no tempo, mas cumpriu-se na vida do filho da aliança. Mesmo em meio à fome e aos conflitos com os filisteus, o Senhor renovou a sua promessa e reafirmou o seu compromisso com Isaque, demonstrando que a sua Palavra não volta vazia (Gn 26.3).

  O mesmo acontece conosco: a Escritura que recebemos é inspirada por Deus e plenamente confiável para dirigir nossa fé, caráter e prática. Ela ilumina o caminho, fortalece o coração e corrige nossos passos. Na sua autoridade divina, a Palavra sempre nos guia com segurança, pois "toda a Escritura é inspirada por Deus" (2 Tm 3.16, ARA) e útil para a vida espiritual em todas as dimensões.

  Diante dessa autoridade, somos chamados a submeter nossa vida à direção da Palavra. Quando o crente orienta-se pelo que Deus disse, encontra firmeza em um mundo instável. Como declarou Jesus no meio do seu ensino: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17). A verdade divina não apenas informa; ela transforma, molda e sustenta.

Por isso, devemos sempre nos apegar às Escrituras como nossa âncora espiritual.

   A Palavra firmada no Céu é a mesma que firma nossos passos na terra. Ela revela quem Deus é, quem somos e para onde caminhamos. Que você permaneça sujeito à autoridade da Bíblia Sagrada, encontrando nela vida, direção e esperança. E que a confissão do profeta também seja a nossa: a Palavra do Senhor é eterna, inabalável e gloriosa (ver Is 40.8).

57

22 de maio de 2026

E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu

velo sobre a minha palavra para a cumprir.

Jeremias 1.12

DEUS TEM COMPROMISSO

COM A SUA PALAVRA

  A história de Isaque como herdeiro da promessa revela que o determinante não foi a sua capacidade, mas o poder da Palavra de Deus. Desde Abraão, o Senhor firmou a sua promessa e sustentou-a com a sua fidelidade, conduzindo cada passo do patriarca até o cumprimento visível na vida do seu filho. A promessa divina é força ativa, viva e eficaz, operando na história conforme a sua vontade (Gn 26.3).

   Encontramos a explicação dessa realidade em Jeremias 1.12: Deus vela sobre a sua Palavra para cumpri-la. Ele sempre a guarda, vigia, sustenta e realiza. Nada escapa ao seu propósito, e nenhuma circunstância humana consegue frustrar o que Ele determinou. A Palavra não depende das estações, mas do Deus que a pronunciou; por isso, ela permanece firme no meio da fragilidade humana (Jr 1.12).

  Da mesma forma, a Palavra torna-se determinante na vida do crente quando acolhida com fé e obediência. As Escrituras moldam o caráter, orientam decisões e alinham o coração à vontade de Deus. Quando nos rendemos ao ensino sagrado, experimentamos a sua força transformadora, pois "lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho" (Sl 119.105).

  Somos, portanto, chamados a viver com reverência diante das Escrituras, reconhecendo que negligenciar a Palavra é perder o rumo da vida espiritual. Deus sempre nos corrige, edifica e fortalece por meio dela. No meio da caminhada, o crente encontra na Bíblia a voz que não mente e o fundamento que não treme, pois a "palavra de Deus é viva, e eficaz "(Hb 4.12). Por isso, levemos a sério a Palavra em nossa prática diária. Quem a honra, honra o próprio Deus; quem a guarda, experimenta a fidelidade do Senhor; quem a obedece, descobre o caminho da vida.

  A promessa feita a Isaque e reafirmada a Jeremias ecoa até nós: Deus cumpre o que diz. Que vivamos sob essa certeza, confiando no Senhor que vela sobre cada promessa (Nm 23.19).

58

Deus não é homem, para que minta; nem

filho de homem, para que se arrependa;

porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e

não o confirmaria?

Números 23.19

23 de maio de 2026

O ATRIBUTO IMUTÁVEL DE DEUS

 Deus reafirma a sua aliança agora na vida de Isaque, confirmando-o como herdeiro da promessa feita a Abraão. O episódio mostra que a continuidade da bênção não depende da força humana, mas do caráter imutável do Senhor, que cumpre tudo quanto declara. A verdade proclamada em Números 23.19 ilumina essa realidade: "Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa". Assim, a promessa é mantida porque ela repousa na natureza divina, e não na instabilidade humana.

  A imutabilidade de Deus significa que Ele não muda no seu ser, vontade ou propósitos. Se Ele falou, Ele fará; se prometeu, cumprirá. Na confirmação dada a Isaque, vemos esse atributo em ação. O mesmo Deus que acompanhou Abraão agora dirige o caminho do filho, garantindo terras, descendência e proteção. O concerto divino é sustentado pelo próprio Deus, cuja fidelidade não conhece variação e cuja Palavra permanece firme para sempre (Nm 23.19).

  Para o crente, a imutabilidade divina revelada nessa narrativa é fonte de segurança e descanso. As estações da vida mudam, as circunstâncias oscilam, mas o Deus que conduziu Isaque permanece o mesmo. Ele não volta atrás nas suas promessas, não retira o que declarou, não altera o que determinou. Assim como Isaque pôde descansar na fidelidade de Deus, também podemos encontrar paz nesta certeza: "Seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente" (Is 40.8).

   Compreender esse atributo transforma nossa espiritualidade diária. Oramos com mais confiança, porque sabemos que falamos com aquEle que não muda; esperamos com mais firmeza, porque a promessa não depende dos ventos; caminhamos com mais coragem, porque a aliança repousa no caráter eterno de Deus. Como Isaque avançou em meio à fome, conflitos e adversidades, também seguimos amparados pela mão eterna do Senhor (Dt 33.27).

59

24 de maio de 2026

E semeou Isaque naquela mesma terra e

colheu, naquele mesmo ano, cem medidas,

porque o SENHOR o abençoava.

Gênesis 26.12

ISAQUE: HERDEIRO DA PROMESSA

  O versículo declara que Isaque semeou em terra de escassez e, pela bênção do Senhor, colheu cem medidas. O texto destaca não apenas o trabalho do patriarca, mas, sobretudo, a ação divina que transforma impossibilidades em colheitas abundantes. A prosperidade de Isaque não veio do ambiente favorável, mas da mão de Deus, que honra a sua promessa e confirma o seu pacto na vida dos que confiam nEle (Gn 26.12).

  Somos profundamente alcançados por esta realidade: Deus continua abençoando aqueles que permanecem fiéis mesmo em tempos de seca espiritual, emocional ou material. Isaque semeou onde parecia improvável porque confiou no Deus que havia prometido estar com ele. Assim o crente também é chamado a semear fé, esperança e perseverança, crendo que o Senhor é poderoso para multiplicar o fruto de cada passo de obediência (Sl 126.5).

  A vida crista e marcada por esta verdade: a colheita pertence a Deus, mas a semeadura é responsabilidade nossa. Semeamos em oração, em trabalho dedicado, em amor ao próximo e na constância da fé; e Deus, no seu tempo, faz florescer o que parecia impossível. O mesmo Deus que abençoou Isaque continua sustentando o seu povo, pois a sua fidelidade não muda, e a sua mão jamais se retrai (2 Co 9.10).

  Quando o crente dispõe-se a caminhar com Deus, experimenta a graça que abre caminhos mesmo em terras áridas e faz brotar vida onde havia deserto. A bênção do Senhor não depende das circunstâncias, mas do propósito eterno de Deus em atuar naqueles que confiam nEle. Como declarou Davi, "o SENHOR é a porção da minha herança" (SI 16.5); é Ele quem define a medida de nossa colheita. Por isso, o Texto Áureo certamente nos chama a caminhar com fé inabalável.

  Semeie ainda que a terra pareça dura; persevere ainda que o céu pareça fechado; confie ainda que a resposta pareça tardia. O Deus que abençoou Isaque continua sendo aquEle que cuida de nós. Que você creia nesta verdade: onde Deus conduz um filho seu, ali Ele sustenta, fortalece e dirige cada passo.

    60 Devocional Leitura Diária Homens Dos Quais o Mundo Não Era Digno

 


Capítulo 8

ISAQUE: O HERDEIRO

DA PROMESSA

DEPOIS, SUBIU DALI A BERSEBA, E APARECEU-LHE O SENHOR NAQUELA MESMA NOITE E DISSE: EU SOU O DEUS DE ABRAÃO, TEU PAI. NÃO TEMAS, PORQUE EU SOU CONTIGO, E ABENÇOAR-TE-EI, E MULTIPLICAREI A TUA SEMENTE POR AMOR DE ABRAÃO, MEU SERVO. ENTÃO, EDIFICOU ALI UM ALTAR, E INVOCOU O NOME DO SENHOR, E ARMOU ALI A SUA TENDA; E OS SERVOS DE ISAQUE CAVARAM ALI UM POÇO. (GN 26.23-25)

   Certamente, Abraão, como homem de fé e obediência a Deus, soube conduzir sua família nos caminhos do

Senhor. Seu filho, Isaque, seguiu os passos de seu velho pai. Tanto Ismael, filho de Agar, como Isaque, seu filho com

Sara, estavam bem conscientes do valor da adoração ao Deus de seus pais. Assim como a Abraão, Deus o dirigiu em todos os passos de sua jornada.

   Depois que seu pai morreu, com cento e setenta e cinco anos de idade (Gn 25.7), ele e seu irmão, Ismael, o sepultaram no mesmo túmulo onde Sara fora sepultada, na cova de Macpela, que Abraão comprara de Efrom, entre os filhos de Hete (Gn 25.9-10). Mas Deus não o desamparou após a morte do pai. Pelo contrário, o abençoou como abençoou Abraão, para cumprir as promessas que lhe fizera, de manter o concerto com seus descendentes. "E aconteceu, depois da morte de Abraão, que Deus abençoou a Isaque, seu filho; e habitava Isaque junto ao poço Laai-Roi" (Gn 25.11). Isaque se casou com Rebeca, "filha de Betuel, arameu de Padã-Arã". Por coincidência, sua esposa também era estéril, como o fora sua mãe; porém, como filho de Abraão, Isaque também era homem de oração.

  E Isaque orou instantemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu. E os filhos lutavam dentro dela; então, disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi-se a perguntar ao Senhor.

E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor. (Gn 25.21-23).

   Quando Deus curou Rebeca da infertilidade, e Isaque já tinha sessenta anos de idade, ela deu à luz gêmeos. Ao primeiro, chamou-lhe de Esaú; ao que saiu do ventre em seguida, deu-lhe o nome de Jacó. Ambos cresceram e Esaú se dedicou mais à vida de caçador, enquanto Jacó era mais caseiro. Um problema se desenhou na criação dos filhos. Enquanto Isaque amava mais a Esaú, por gostar da caça, Rebeca amava mais a Jacó, por ser mais habituado à vida doméstica, vivendo mais próximo da mãe.

  Vale salientar que tal comportamento é errado no seio de qual- quer família. O pai demonstrar mais amor por um filho, e a mãe demonstrar mais amor por outro. Isso pode causar inveja de um em relação ao outro, gerando mal-estar ou contendas.

  Os anos se passaram, eles se tornaram jovens. Certo dia, Esaú chegou cansado, com fome, depois de caçar; e Jacó havia preparado um guisado saboroso; então pediu ao irmão que lhe desse um pouco daquele guisado. Jacó, com esperteza, disse que lhe daria, desde que ele lhe vendesse seu direito de primogenitura. Sem pensar, de modo precipitado, Esaú aceitou a proposta. E vendeu sua primogenitura a Jacó. Foi o maior erro de sua vida. Ele não foi enganado. Abriu mão de sua primogenitura de modo consciente e imediatista (Gn 25.27-34).

 

  I-A FOME NA TERRA E A DIREÇÃO DE DEUS

  Da mesma forma que Abraão enfrentou a ocorrência de uma

fome onde vivia (Gn 12.10), Isaque também teve essa desagradável experiência.

   E havia fome na terra, além da primeira fome, que

foi nos dias de Abraão; por isso, foi-se Isaque a Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar. E apareceu-lhe o Senhor e disse: Não desças ao Egito. Habita na terra que eu te disser; peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e à tua semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai. E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua semente todas estas terras. E em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.

Assim, habitou Isaque em Gerar. (Gn 26.1-6)

 1. Socorro entre os filisteus

  Isaque buscou refúgio para enfrentar a fome com Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar (Gn 26.1). Essa medida teve a aprovação de Deus, que lhe determinou que não descesse ao Egito, como fizera seu pai.

   E apareceu-lhe o Senhor e disse: Não desças ao Egito. Habita na terra que eu te disser; peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e

à tua semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai.

(Gn 26.2-3)

2. Confirmação das promessas a Abraão

 No seu tempo e do seu modo, Deus vela para cumprir suas promessas a seus servos, quando tem propósitos com eles. Deus repetiu e confirmou a Isaque o que prometera a Abraão:

   E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua semente todas estas terras. E em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis. Assim, habitou Isaque em Gerar.

(Gn 26.4-6)

   O pacto de Deus com Abraão foi tão precioso que sempre Ele fez referência ao patriarca, mesmo após a sua morte.

  3. O problema, envolvendo Rebeca

  Os filisteus demonstraram interesse em Rebeca, esposa de Isaque, da mesma forma que puseram os olhos em Sara, sua mãe, que era também muito formosa (Gn 20). Perguntaram acerca de Rebeca, e ele mentiu, dizendo que era sua irmã. Mas Abimeleque, rei  dos filisteus, percebeu que Isaque brincava com Rebeca, talvez com carícias e intimidades (Gn 26.8).

  Então, chamou Abimeleque a Isaque e disse: Eis que, na verdade, é tua mulher; como, pois, disseste: É minha irmã? E disse-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa dela. E disse Abimeleque: Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguém deste povo com a tua mulher, e tu terias trazido sobre nós um delito. E mandou Abimeleque a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste varão ou em sua mulher certamente morrerá. (Gn 26.9-11)

   Nesse episódio, vemos a fraqueza do homem, e o cuidado de

Deus. Em lugar de falar a verdade quando lhe pediram informação sobre Rebeca, Isaque imitou seu pai e mentiu, afirmando que ela era sua irmã. Ele correu o risco de algum filisteu ter assediado sua esposa e ter tido relações com ela. Mas Deus usou o próprio rei da terra para perceber que Isaque demonstrava um carinho por Rebeca que não era comum entre irmãos, e que ela só podia ser sua esposa. O rei chamou-o e lhe advertiu que sua atitude poderia ter causado um grande mal a ele e a sua esposa. Isaque deu uma desculpa que não convencera a Abimeleque, e este determinou que ninguém tocasse na esposa dele. Foi um livramento de Deus.

  II -A PROSPERIDADE DE ISAQUE

  Deus abençoou Isaque grandemente. Ele prosperou com sua família naquela terra dos filisteus. Foi tão grande o seu crescimento econômico e patrimonial que causou inveja aos moradores da terra.

  E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o Senhor o abençoava. E engrandeceu-se o varão e ia-se engrandecendo, até que se tornou mui grande; e tinha possessão de ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço,de maneira que os filisteus o invejavam. (Gn 26.12-14)

1. A Inveja dos Filisteus

 Os filisteus não apenas invejaram Isaque pela sua prosperidade material, mas agiram de má-fé e por vingança de quem se sente inferior. Resolveram prejudicá-lo não só em sua vida, mas atacaram até o que seu pai houvera deixado como legado naquela terra. Além de construtor de altares, Abraão foi um abridor de poços. "E todos os poços que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de Abraão, seu pai, os filisteus entulharam e encheram de terra" (Gn 26.15). Fizeram uma ação vil, perniciosa, e de grande prejuízo para Isaque, demonstrando sua índole maldosa e perversa.

  O rei Abimeleque, ainda que admirasse Isaque, percebendo os transtornos, envolvendo seu povo, por causa da bênção de Deus sobre ele, o chamou e lhe disse para sair da sua terra: "Disse também Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós, porque muito mais poderoso te tens feito do que nós. Então, Isaque foi-se dali, e fez o seu assento no vale de Gerar, e habitou lá" (Gn 26.16 17). Isso mostra que o invejoso se sente fraco, inferior à pessoa de quem tem inveja.

  Jesus orientou sobre isso, em Mateus 5.41: "e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas". Não é fácil abrir mão de bens e direitos adquiridos com esforço próprio em favor de quem nada fez para obtê-los. Mas, para evitar maiores problemas, muitas vezes, o cristão, com a graça de Deus, pode abrir mão dos seus direitos. Paulo diz: "Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens" (Rm 12.18).

  2. Isaque Honra a Memória de Abraão

  Se a contenda com os pastores de Gerar, que entulharam os poços que Abraão houvera aberto, fosse nos dias atuais, bastaria um processo na justiça e Isaque poderia ser indenizado pelos prejuízos. Mas, naquele tempo, a questão dos direitos era muito complicada. O regime era totalitário. Só o rei era a autoridade a quem se podia recorrer. Não havia lei a obedecer, na terra dos filisteus. Por isso, Isaque fez um esforço enorme e mandou que seus servos reabrissem os poços que seu pai houvera cavado. E, numa demonstração de honra ao nome de Abraão, Isaque teve o cuidado de dar aos poços reabertos os mesmos nomes que seu pai lhes dera. "E tornou Isaque, e cavou os poços de água que cavaram nos dias de Abraão, seu pai, e que os filisteus taparam depois da morte de Abraão, e chamou-os pelos nomes que os chamara seu pai" (Gn 26.18).

  3. Isaque Abre mais Poços

  Além disso, na reabertura dos poços, descobriram "um poço de águas vivas". Era um poço que alcançara o lençol freático, e nunca faltava água. Então, houve contenda dos pastores de

Gerar com os pastores de Isaque.

  Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele vale e acharam ali um poço de águas vivas. E os pastores de Gerar porfiaram com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Por isso, chamou o nome daquele poço Eseque, porque contenderam com ele.

(Gn 26.19-20)

   Eseque significa "poço da contenda". Depois, os servos de Isaque abriram outro poço, e os maus servos de Abimeleque contenderam sobre ele, a quem deram o nome de Sitna, que significa "inimizade". Não havia paz entre os pastores de Gerar e os pastores de Isaque, mesmo no vale de Gerar. Para evitar confusão, Isaque mandou que seus pastores abrissem outro poço, e, de modo surpreendente, os filisteus não mais brigaram por ele. "E partiu dali e cavou outro poço; e não porfiaram sobre ele. Por isso, chamou o seu nome Reobote e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos nesta terra. Depois, subiu dali a Berseba" (Gn 26.22-23). Reobote significa "alargamento.

  III -DEUS APARECE A ISAQUE

  Em seguimento aos passos de Abraão, Isaque tinha comunhão com Deus. E o Senhor lhe apareceu, depois de enfrentar tantas lutas, e lhe falou benignamente, tranquilizando seu coração.

  1. Promessas de Deus a Isaque

  De modo semelhante ao que falara com Abraão, na noite em que chegou a Berseba, "apareceu-lhe o Senhor naquela mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo" (Gn 26.24). Deus lhe fez três promessas maravilhosas depois que lhe disse "Eu sou o Deus de Abraão, teu pai".

   1.1. "Não temas, porque eu sou contigo"

  Certamente, Isaque já tinha ouvido a voz de Deus; desde sua infância, já pudera ver o exemplo de como seu pai se relacionava com Deus, e como este lhe falava, orientando-o e dirigindo seus passos. Assim, depois de passar por tantas provas difíceis, talvez ele tenha se mostrado um tanto temeroso diante dos problemas e encarava o futuro com algum receio. Mas Deus lhe disse: "Não temas, porque eu sou contigo".

  Para ele, ouvir aquela voz, mansa, suave e firme, era algo especial; tudo o que precisava para prosseguir na sua jornada, cheia de tribulações. Não há nada melhor para o cristão do que saber que pode ter a presença de Deus em sua vida. "Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente" (Sl 16.11).

  1.2. "e abençoar-te-ei"

  Essa promessa Deus já fizera a seu pai, Abraão. Deus é abençoador. Quando Ele tem um propósito na vida de um servo seu, além de chamá-lo, derrama suas bênçãos sobre ele, sobre sua família, e sobre suas atividades e projetos. Deus prometeu abençoar Isaque de forma ampla. Em termos espirituais, em termos familiares e na sua missão, como verdadeiro e legítimo sucessor de Abraão.

1.3. "e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo"

  Essa promessa tem um aspecto interessante. Deus promete multiplicar a descendência de Isaque, por amor de Abraão, seu pai. Daí se pode ver quanto Deus honrou a Abraão.

  1.4. O primeiro altar de Isaque

  Como visto no capítulo 2, Abraão construiu quatro altares

(em Siquém, entre Betel e Ai, em Hebrom e no Monte Moriá).

Em sua jornada, Isaque só construiu um altar após as promessas que Deus lhe fizera, depois de construir vários poços. "Então, edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaque cavaram ali um poço" (Gn 26.25).

  2. Abimeleque Faz um Pacto com Isaque

 Como visto, os filisteus de Gerar causaram muitos problemas a Isaque. Primeiro, entulharam todos os poços que Abraão houvera cavado; e todos foram reabertos por Isaque; depois, porfiaram com Isaque pelos poços que mandou cavar (poço de Eseque, "da contenda"; e poço de Sitna, "inimizade"). Finalmente, cavou um poço, diante do qual não houve mais contenda, e chamou de "poço do alargamento" - "agora nos alargou o Senhor". Foi morar em Berseba (Gn 26.18-23), e seus servos cavaram mais um poço (Gn 26.25).

   Depois dessas coisas, Abimeleque, rei de Gerar, propôs um

pacto com Isaque:

 

  E Abimeleque veio a ele de Gerar, com Ausate, seu amigo, e Ficol, príncipe do seu exército. E disse-lhe Isaque: Por que viestes a mim, pois que vós me aborreceis e me enviastes de vós? E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é contigo; pelo que dissemos: Haja, agora, juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos concerto contigo. Que nos não faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir em paz. Agora, tu és o bendito do Senhor. Então, lhes fez um banquete, e comeram e beberam. E levantaram-se de madrugada e juraram um ao outro; depois, os despediu Isaque, e despediram-se dele, em paz. (Gn 26.26-31)

  Cumpriu-se o que está escrito em Provérbios: "Sendo os caminhos do homem agradáveis ao Senhor, até a seus inimigos faz que tenham paz com ele" (Pv 16.7).

 

  3. O Poço de Berseba

  Logo após o pacto ou juramento entre Abimeleque e Isaque, os servos deste lhe trouxeram a boa nova de que haviam achado água, no poço que tinham cavado, após a construção do altar.

  E aconteceu, naquele mesmo dia, que vieram os servos de Isaque, e anunciaram-lhe acerca do negócio do poço, que tinham cavado, e disseram-lhe: Temos achado água. E chamou-o Seba. Por isso, é o nome daquela cidade Berseba até o dia de hoje.

(Gn 26.32-33)

  Seba, no hebraico, significa "juramento"; esse último poço, aberto pelos servos de Isaque, foi denominado "poço do juramento".

  CONCLUSÃO

  Da mesma forma que Abraão, Isaque passou por várias provas em sua vida. Enfrentou uma fome e foi buscar socorro entre os filisteus. Mas, assim como Deus esteve com seu pai, demonstrou que estava com ele e renovou as promessas feitas para a descendência do patriarca. Sua prosperidade foi tão grande que causou a inveja dos filisteus; estes, com maldade sem limites, entulharam todos os poços d'água que seu pai houvera aberto com tanto esforço. Mas Isaque reabriu todos, dando-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes dera. E Deus continuou o abençoando grandemente, confirmando que ele era o herdeiro das promessas.

    ISAQUE: HERDEIRO DA PROMESSA 95

 


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