TEXTO ÁUREO
“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.”
(Gn 12.1).
VERDADE PRÁTICA
O chamado de Deus na vida de Abrão e na nossa exige obediência irrestrita, fé e perseverança.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 12.1-9.
1 — Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
2 — E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção.
3 — E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
4 — Assim, partiu Abrão, como o SENHOR lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos, quando saiu de Harã.
5 — E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã.
6 — E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam, então, os cananeus na terra.
7 — E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera.
8 — E moveu-se dali para a montanha à banda do oriente de Betel e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR.
9 — Depois, caminhou Abrão dali, seguindo ainda para a banda do Sul.
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Prezado(a) professor(a), neste trimestre estudaremos o legado de fé do patriarca Abraão. Analisaremos também a história de seu filho Isaque e de seu neto Jacó, de quem descenderam as doze tribos de Israel. Abraão foi chamado por Deus de maneira singular, e sua convocação envolveu deixar sua terra natal e seguir para um destino desconhecido — um ato que exigiu fé e obediência. O comentarista deste trimestre é o pastor Elinaldo Renovato, autor de diversas obras publicadas pela CPAD e professor universitário.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Apresentar como ocorreu o chamado de Abrão; II) Enfatizar a obediência de Abrão a Deus diante desse chamado; III) Mostrar as lutas enfrentadas por Abrão ao chegar a Canaã.
B) Motivação: A fé ocupa um lugar especial na vida de Abrão, assim como na vida do crente e da igreja. Sem fé é impossível agradar a Deus. A fé de Abrão nos mostra que ela é a essência da vida cristã e absolutamente indispensável. Ele recebeu o chamado do Senhor para deixar sua terra, sua parentela e seguir rumo a um lugar que não conhecia. Diante disso, precisamos nos perguntar: será que a nossa fé demonstra o mesmo comprometimento e convicção?
C) Sugestão de Método: Para introduzir o primeiro tópico da lição, comece fazendo a seguinte indagação aos alunos: “O que significa fé?”. Ouça atentamente as respostas e, em seguida, explique que fé é o “firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). O propósito dessa dinâmica é avaliar o entendimento prévio dos alunos sobre o tema, lembrando que Abraão demonstrou uma fé notável ao obedecer a Deus de forma incondicional. Ele confiou plenamente nas promessas do Senhor, mesmo quando as circunstâncias pareciam desfavoráveis. A Carta aos Romanos afirma que Abraão “esperou contra a esperança” (Rm 4.18-20). Conclua esse momento com uma oração, pedindo a Deus que fortaleça a fé no Senhor Todo-Poderoso.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: Depois de fazer toda a exposição dos tópicos da Lição, aplique as verdades estudadas, mostrando que o chamado de Deus na vida de Abraão e na nossa exige obediência irrestrita, fé e perseverança. Não é possível viver a fé sem perseverar nela.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 105, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Abrão”, localizado após o primeiro tópico, traz um resumo do chamado e da vida de Abrão em Ur dos Caldeus; 2) No fim do segundo tópico, o texto “Obediência” aprofunda o nosso conhecimento a respeito do que é realmente obedecer a Deus.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, estudaremos a jornada de fé dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Veremos que o patriarca foi chamado de uma forma muito especial. Sua convocação implicava deixar sua terra natal e ir para um local que não conhecia. Era preciso fé e obediência.
Abrão, cujo significado é “pai exaltado”, depois de um tempo tendo o seu caráter forjado pelo Senhor, teve seu nome mudado para Abraão, que significa “pai da multidão das nações” (Gn 17.5).
Palavra-Chave:
FÉ
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“ABRÃO. Abrão, cujo nome Deus mais tarde mudou para Abraão, nasceu em uma das fabulosas cidades do mundo antigo, Ur. Nos dias de Abrão, 4.100 anos passados, Ur era o centro de uma rica cultura, uma cidade localizada ao longo do rio Eufrates, que ostentava uma arquitetura monumental, enorme riqueza, moradia confortáveis, música e arte. Em sua terra natal, Abrão ‘servia a outros deuses’ (Js 24.2). No entanto, quando recebeu o chamado de Deus, Abrão deixou sua civilização e peregrinou para Canaã, onde viveu como nômade em tendas por quase cem anos. Abrão trocou a desvanecente glória deste mundo por um relacionamento pessoal com Deus [...]. Hoje ele é reverenciado por adeptos de três grandes religiões mundiais: judaísmo, islamismo e cristianismo.” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2012)
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
A Origem de Abraão
“O relato em Gênesis detalha cem anos da vida de Abraão e move-se rapidamente pelos primeiros setenta e cinco anos de eventos. Em apenas alguns versículos (11.26-31), ficamos sabendo que Abrão era filho de Tera, irmão de Harã e Naor, marido da estéril Sarai (mais tarde Sara) e tio de Ló, filho de Harã, que morreu em Ur dos Caldeus. O enredo marca cronologicamente eventos significativos na vida de Abraão.” Amplie mais o seu conhecimento, consultando o Dicionário Bíblico Baker, editado pela CPAD, p.20.
II. A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEU
1. Atendendo o chamado. Como homem de fé, Abrão atendeu ao chamado divino sem hesitar e partiu para a terra que Deus ordenou, sem saber onde se localizava, seguindo somente a direção do Senhor. Ele não conhecia o significado de fé, tão bem definido na Bíblia, como conhecemos atualmente. Hoje sabemos a definição bíblica de fé: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Mesmo sem conhecer essa definição, Abrão agiu com fé em sua decisão. Ele não tinha a menor ideia de como seria sua vida em uma terra totalmente desconhecida. Contudo, creu em Deus e partiu para o lugar determinado pelo Senhor.
2. Um descuido. Já vimos que Abrão era um homem de fé, porém permitiu que seu sobrinho Ló o acompanhasse na jornada que haveria de empreender. Talvez, Abrão não tenha lembrado de que Deus havia dito que deveria deixar tudo para trás, não apenas sua terra, mas também a sua parentela. Tempos depois, seu descuido ocasionou alguns problemas com seu sobrinho (Gn 13.8,9). Assim, Abrão saiu da Caldeia, em direção a uma terra escolhida por Deus. Tenha cuidado, pois, sempre que deixamos de obedecer de forma irrestrita ao Senhor, os problemas surgem.
3. A passagem por Harã. Nem sempre Deus nos leva diretamente ao propósito que Ele definiu para nós. Antes de chegar a Canaã (nome antigo da Palestina, às margens do Mar Mediterrâneo), Abrão e os que lhe acompanhavam tiveram que passar um tempo em Harã, cidade importante da Mesopotâmia (Gn 11.31). Certamente, Deus queria forjar seu caráter antes de sua chegada ao seu destino (Dt 8.2).
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“OBEDIÊNCIA.
Um conceito central em ambos os Testamentos para entender a maneira pela qual o povo de Deus deve responder a Ele. Deus deseja obediência do seu povo, em contraste com mero serviço da boca para fora (Is 29.13; Mt 15.8; Mc 7.6) ou conformidade com o ritual religioso (Os 6.6; Mq 6.6-8). Quando Saul desobedeceu a Deus sacrificando alguns dos despojos da sua vitória sobre os amalequitas, o profeta Samuel respondeu: ‘[...] o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros’ (1Sm 15.22).
No NT, o foco muda da obediência à Lei mosaica para a obediência a Jesus Cristo. A Grande Comissão contém instruções de Jesus para os seus próprios discípulos fazerem discípulos, ensinando-os a ‘obedecer’ (gr. tereo) o que Cristo ordenara (Mt 28.19,20, ARA).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.362)
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORNADA DE FÉ
Estimado(a) professor(a), a copiosa Paz de nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos iniciando um novo trimestre de estudos com a revista Lições Bíblicas Adultos, editada pela CPAD. Nesta rica oportunidade, conheceremos maiores detalhes sobre as histórias dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. As experiências de fé vivenciadas por esses homens são uma referência para os crentes dos dias atuais. O testemunho deles revela que a fé verdadeira advém de um relacionamento muito especial com o próprio Deus. Trata-se de um exercício de confiança, paciência e sofrimento submetido à orientação divina.
A história dos patriarcas é uma referência de fé para os crentes do Novo Testamento. A obediência de Abraão ao chamado divino, sua perseverança e disposição de fé para vencer os desafios são evidências do cuidado divino para fazer valer a sua Palavra. Alguns aspectos do comportamento de Abraão foram essenciais para que ele se tornasse o pai de uma grande nação e, posteriormente, chamado de o “pai da fé”. Esses mesmos aspectos servem de referência para que tenhamos uma fé firmada em Cristo, semelhante a fé demonstrada por Abraão. Conforme discorre a Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD), “O chamado de Abraão incluía promessas e também obrigações. Deus exigiu de Abraão obediência e comprometimento pessoal com Ele — como o Senhor, o líder e a autoridade da vida de Abraão — a fim de receber o que lhe era prometido. Essa obediência e esse comprometimento incluíam: a) Confiança na palavra de Deus, ainda que as promessas parecessem humanamente impossíveis (Gn 15.1-6; 18.10-14); b) Obediência à ordem de Deus para deixar sua casa (Gn 12.4; Hb 11.8); e c) Um esforço sincero para viver de acordo com os padrões de Deus e fazer o que Deus diz que é correto (Gn 17.1,2)” (p.28).
Estes aspectos, observados na trajetória de Abraão, apontam o padrão de obediência que Deus espera encontrar em seus servos na Nova Aliança. O exercício de fé dos cristãos inclui a obediência de um coração sincero, semelhante àquela praticada por Abraão na antiguidade. Por essa razão, os cristãos são chamados “filhos de Abrão” e herdeiros também de uma promessa (Gl 3.29). Como Deus fez com seu servo Abraão no passado, Ele também cumprirá suas promessas para conosco e, na verdade, já tem cumprido, nos tornando participantes da sua graça por meio do Espírito Santo que nos tem concedido (Rm 5.1,2).
CONCLUSÃO
Como vimos, Abrão foi um homem escolhido por Deus para uma missão importantíssima: abençoar em Cristo todas as famílias da Terra. Diante da sua obediência e fé em cumprir sua missão, recebeu da parte de Deus promessas extraordinárias. Essas promessas se estenderiam aos seus descendentes, para que o plano divino de salvação para toda a humanidade viesse a se cumprir. Como homem de fé, Abrão também falhou, mas pela misericórdia divina, foi restaurado, e tornou-se um dos personagens mais destacados e importantes na história bíblica.
CPAD : Homens dos quais o mundo não era digno — O legado de Abraão, Isaque e Jacó
Comentarista: Elinaldo Renovato
Lição 1: Abraão: seu chamado e sua jornada de fé
ORA, O SENHOR DISSE A ABRÃO: SAI-TE DA TUA TERRA, E
DA TUA PARENTELA, E DA CASA DE TEU PAI, PARA A TERRA
QUE EU TE MOSTRAREI. E FAR-TE-EI UMA GRANDE NAÇÃO, E
ABENÇOAR-TE-EI, E ENGRANDECEREI O TEU NOME, E TU SE-
RÁS UMA BÊNÇÃO. E ABENÇOAREI OS QUE TE ABENÇOAREM
E AMALDIÇOAREI OS QUE TE AMALDIÇOAREM; E EM TI SERÃO
BENDITAS TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA. (GN 12.1-3)
A jornada de fé do patriarca Abraão começou com seu chamado por Deus, de uma forma muito especial e estranha à lógica humana, ainda quando seu nome não tivera sido mudado, quando ele se chamava Abrão, cujo significado é “pai exaltado”. Depois, seu nome foi mudado para Abraão, que significa “pai da multidão de nações” (Gn 17.5), quando ele alcançou a idade de 99 anos! Deus usa de modos muitas vezes estranhos quando quer alcançar seus divinos propósitos.
Abrão estava em sua casa, certamente em suas atividades rotineiras, quando, de forma surpreendente, Deus o chamou para cumprir uma grande e extraordinária missão. Diz a Bíblia: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12.1). Para qualquer pessoa, um chamado dessa natureza causaria muita perplexidade. E, para um homem como Abrão, que já tinha por volta de 75 anos, sem dúvida alguma, deve ter gerado um impacto emocional que ele jamais havia experimentado.
Deixar sua terra já seria muito difícil para um ancião, porém mais difícil ainda era deixar seus parentes, a casa de seu pai, de sua grande família, com quem já estava bem acostumado. Deus apresentou tamanhas condições para que pudesse cumprir sua vontade na vida do patriarca. Após dizer o que esperava de Abrão, Deus acrescentou que o enviaria a uma terra que lhe seria mostrada, depois que ele obedecesse à sua voz (Gn 12.1).
Não deve ter sido fácil para Abrão atender àquele chama do divino. Todavia, Deus não faz nada sem condições e sem propósitos elevados. Além disso, quando Ele chama alguém, já terá analisado todo o seu perfil, em termos espirituais, morais, emocionais e de toda a ordem, segundo o seu propósito.
Deus vira no patriarca um homem que cria nEle. E o cha mou e fez-lhe uma promessa tão grande que, ainda hoje, está se cumprindo. Para que Deus cumprisse a promessa de fazer de Abrão “uma grande nação” (Gn 12.2) e abençoar os que o abençoassem, bem como amaldiçoar os que o amaldiçoas sem (Gn 12.3). Abrão teve de obedecer, deixar sua parentela, sair do seio de sua família e de sua terra, para um lugar que desconhecia.
Sendo um homem de fé, quando ele atendeu ao chamado de Deus, todas as promessas divinas se cumpriram em sua vida e na sua família. Outras promessas Deus deu a Abrão, quando ele obedeceu à sua voz: “E te farei frutificar grandissimamente e de ti farei nações, e reis sairão de ti” (Gn 17.6). Lembremo-nos de que Abrão já era bastante idoso, e que sua esposa era estéril! Como parte da aliança com Abrão, Deus exigiu que todos os machos, seus descendentes, não só seus filhos, mas também os servos de sua casa fossem circuncidados, para que tivessem sempre a aprovação de Deus (Gn 17.10-14,23). Além de ser um homem de fé, Abrão era um homem obediente.
Tendo em vista o chamado de Deus a Abrão, as mudanças em sua vida não se limitaram à mudança de lugar e de geografia. Deus não mudou somente o seu nome, mas o de sua esposa que antes se chamava Sarai, que significa “minha princesa”, “minha senhora”, para Sara, que tem o significado de “mãe das nações” (Gn 17.16). Por intermédio dela, Deus tinha um maravilhoso plano a cumprir, na linhagem real, que incluiu a vinda do Messias, o Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Tempos depois, quando Deus chamou Isaque declarou que Abraão obedeceu integralmente a sua voz: “porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gn 26.5). Ele foi um homem de fé e um exemplo na obediência a Deus.
I – CHAMADO PARA UMA TERRA QUE NÃO CONHECIA
Abrão era originário de Ur dos caldeus, no sul da Mesopotâmia. Era filho de Tera, descendente de Sem, um dos filhos de Noé (Gn 11.10). Tera também gerou a Naor, Harã e Sarai (Gn 11.24-32, 20.12). Ele decidiu se mudar para a terra de Canaã; levou em sua companhia seu filho Abrão, sua nora Sarai e seu neto Ló, filho de Harã, e habitaram na cidade de Harã. Ali, Tera alcançou 205 anos de vida e morreu.
Abrão ouviu a voz de Deus, por volta do ano 1800 a.C., chamando-o para ser um dos personagens mais importantes da história sagrada, descrita na Bíblia. Ele se encontrava com seu pai, em Harã, uma cidade importante do Império Assírio.
O nome Harã é mencionado primeiramente na Bíblia como sendo o lugar para o qual Tera viajou a partir de Ur dos caldeus. Tera morreu nesse lugar e foi lá que Abraão recebeu o chamado de Deus para deixar seus parentes e ir para Canaã. Abraão partiu com sua mulher e seu sobrinho Ló, enquanto os outros membros do clã permaneceram na cidade (Gn 11.31–12.4). Embora não esteja especificamente afirmado, Harã era aparentemente o lugar onde o servo de Abraão, ao procurar uma esposa para Isaque, encontrou Rebeca junto ao poço; ainda pode ser visto o local tradicional desse poço. Mais tarde, Jacó fugiu para seu tio Labão que vivia em Harã, ou em suas proximidades (Gn 28.10), e lá permaneceu durante 20 anos antes de retornar à sua casa (Gn 28–30).1
Hoje, corresponde à cidade de Harran, ao sul da Turquia, mas, na verdade, Deus olhou para Abrão desde quando ele estava na terra de seus pais, na Caldeia.
1. Provado na sua Fé
Em seu chamado a Abrão, Deus ordenou que ele saísse de sua terra, onde já era bem conhecido, já tinha relacionamentos antigos e duradouros, no cerne de sua família e de seus amigos, e fosse para uma terra completamente desconhecida. Deus sabe o que faz, com quem faz e para que o faz. A terra dos pais de Abrão era uma terra de idólatras; contudo, de alguma forma, Abrão conheceu a Deus, o Senhor e Criador de todas as coisas. Ao ouvir aquela determinação, Abrão não questionou Deus.
Não ponderou que já era um homem bastante idoso, de qua se oitenta anos e que já estava bem onde morava. Não! Ele simplesmente creu e tomou as providências para se mudar para o lugar destinado por Deus. A experiência da vida cristã nos mostra que, para a fé ser aprovada pelo Senhor, normalmente, ela tem que ser provada. Nunca alguém pode dizer que tem fé se não passar por momentos de prova em sua vida.
2. Promessas Gloriosas na Vida de Abrão
Abrão foi provado nas mudanças que teria de experimentar em sua vida pessoal, familiar e comunitária. Entretanto, no chama do de Deus, recebeu promessas de grande valor e significado espiritual para ele, para sua família e para seus descendentes. Além disso, as promessas feitas a Abrão ultrapassaram o âmbito de sua vida particular, familiar e nacional, e incluíam toda a humanidade. Podemos demonstrar sete promessas de Deus a Abrão que marcaram a sua história e a de seus descendentes até os dias de hoje.
2.1. Deus prometeu fazer dele “uma grande nação”
Antes de chamar Abrão, Deus se revelava a um povo único na Terra. Não havia distinção entre gentios e judeus ou israelitas. Porém, a partir do chamado de Abrão, a promessa de Deus foi a de fazer dele, ou a partir dele, “uma grande nação”, que se tornou a nação israelita, ou dos judeus. Ele é considerado o primeiro patriarca de Israel. Por isso, também é chamado de “o pai da nação de Israel”. Diz o texto bíblico: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação […]” (Gn 12.1-2a). Aqui, vemos a origem da nação israelita.
2.2. Deus prometeu abençoá-lo (Gn 12.2b)
“[...] e abençoar-te-ei”. Uma das características mais marcantes de Deus no relacionamento com seus servos é a de abençoador. Ele tem prazer em abençoar os que o amam e o servem “em espírito e em verdade” (Jo 4.23). Quando Deus fez o ser humano, homem e mulher, seu projeto era que o ser criado fosse abençoado eternamente. Teria vida eterna; nunca envelheceria e jamais morreria; teria uma vida plena de paz, alegria, saúde e felicidades; e, o mais importante, teria o contato permanente e pessoal com o Criador.
Deus falava com o homem todos os dias, antes da Queda. “E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” (Gn 3.8). O texto de Gênesis nos dá a entender que, diariamente, pela viração do dia, ou nos finais de cada tarde, o próprio Deus visitava o casal e interagia com ele. Infelizmente, porém, usando mal a sua liberdade, ou livre-arbítrio, o ser humano preferiu ouvir a voz do Maligno e desprezou a voz de Deus. Com a entrada do pecado (Rm 5.12) no coração do ser criado, este perdeu a bênção de desfrutar da gloriosa presença pessoal de Deus no jardim do Éden.
2.3. Deus prometeu engrandecer o seu nome (Gn 12.2c)
Abrão só era conhecido em sua terra. Jamais imagina ria, sendo um personagem tribal, ter um nome tão famoso e importante para os judeus, e para toda a humanidade, além de ser um personagem especial para a Igreja de Jesus. Abrão, cujo significado era, em hebraico, “pai exaltado”, era o nome original de Abraão, que foi mudado quando ele tinha 99 anos, com o novo significado de “Pai da multidão de nações”. Seu nome foi engrandecido por Deus de forma que ele nunca imaginou.
2.4. Deus prometeu fazer dele “uma bênção” (Gn 12.2d)
A cada pessoa chamada por Deus para alguma missão há um preço a pagar, em termos espirituais, emocionais e de outras ordens, mas também Deus tem propósitos elevados e promessas gloriosas para aqueles que são chamados. Abrão não foi ape nas uma bênção para Israel e para toda a humanidade. Ele foi uma bênção para sua família. Isaque e Jacó se tornaram nomes influentes na história dos hebreus, da igreja e do mundo. Eles foram beneficiários das promessas de Deus a Abrão. Em comentários posteriores, veremos como seus filhos se tor naram patriarcas e instrumentos de Deus para o cumprimento das promessas feitas a seu pai, encontradas em Gênesis 12.1-3. É um ponto crucial da história bíblica. Ela registra um pacto entre Deus e Abrão, com a promessa de uma descendência nu merosa e de bênçãos para todas as nações. A promessa de que Abrão seria uma bênção significa que ele e sua descendência seriam instrumentos para a manifestação do favor e da graça divina no mundo.
2.5. Deus prometeu, em Abrão, abençoar todas as famílias da terra (Gn 12.2-3)
Se não bastasse tamanha amplitude das promessas divinas a Abrão, Deus disse a ele: “E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Essa é uma das maiores promessas da parte de Deus para Abrão. Deus prometera abençoar a Abrão e fazer dele “uma bênção”, o que já significa uma grande consideração da parte do Senhor. Porém, em sua promessa ao patriarca, Deus estendeu sua bênção a todos os que o abençoassem e, por conseguinte, a seus descendentes, os filhos de Israel. A declaração de Deus sobre essa bênção é muito significativa, incisiva e muito forte, em termos espirituais e proféticos: “E abençoarei os que te abençoarem”.
Além dessas promessas grandiosas de bênçãos a Abraão e a todos os que abençoam Israel, Deus prometeu abençoar “todas as famílias da terra”. Certamente, a maioria absoluta das famílias da terra jamais tomou conhecimento da história do patriarca Abraão. No entanto, quando Deus prometeu abençoá-lo, estendeu essa bênção a “todas as famílias da terra”.
2.6. “Abençoarei os que te abençoarem”
Essa promessa de Deus a Abrão e a seus descendentes tem seu cumprimento cabal ao longo da história de Israel. Todos os países ou nações (ou pessoas) que se mostram favoráveis a Israel são alvo das bênçãos de Deus. Mesmo que não sejam nações em que seu povo se volte para Deus, de forma plena, pelo fato de abençoarem Israel, são abençoadas pelo Deus de Abraão.
Como exemplos dessa realidade, podemos citar os Estados Unidos da América. Ao longo dos séculos, a nação americana tem se posicionado ao lado de Israel, quando aquela nação tem sido ameaçada pelos seus inimigos, especialmente os países muçulmanos. Os Estados Unidos são a nação mais poderosa da terra, em termos econômicos, financeiros, políticos e militares. É um grande aliado, incondicional, de Israel.
Outro exemplo é o da Inglaterra. País que já foi nação cris tã, porém, como os demais países da Europa, tem se afastado da fé cristã, aprovando práticas consideradas abomináveis a Deus, como a homossexualidade e a famigerada ideologia de gênero. Ainda assim, tem ficado ao lado de Israel, nos conflitos internacionais. Tem sido exemplo de país desenvolvido, em muitos aspectos, incluindo as ciências, a tecnologia, a política e na vida militar.
2.7. “Amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”
Todas as nações ou países (ou pessoas) que se posicionam contra Israel, em termos políticos ou institucionais, são países que experimentam grandes problemas de ordem espiritual, moral, econômica ou financeira. “[...] e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (Gn 12.3) — Deus vela pela sua palavra para a cumprir (cf. Jr 1.12).
As promessas de Deus a Abrão são exemplos de como Ele cumpre seus pactos, e como a fé em suas promessas pode ser uma fonte de esperança e confiança. As promessas a Abrão também são vistas como a definição do plano de Deus para a salvação da humanidade, por intermédio de Jesus Cristo. Em resumo, as promessas de Deus a Abraão são promessas de bênção, profecia e previsão do futuro que moldou a história da fé e da salvação.
II – A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEUS
Como demonstração de que Abrão era um homem que tomou conhecimento do Deus Criador dos Céus e da Terra e passou a crer nEle de modo marcante e profundo, ao ouvir o chamado de Deus, se dispôs a obedecer-lhe prontamente, sem qualquer hesitação. Humanamente, poder-se-ia entender que Abraão estaria indo em direção a uma grande aventura.
1. Atendendo ao Chamado
Como homem de fé, ele atendeu ao chamado e partiu para a terra a que Deus se referira, sem saber onde se localizava, seguindo a direção espiritual do Senhor em seu coração. Ele não conhecia o significado de fé, tão bem definido na Bíblia: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1), mas agiu com essa visão. Não tinha a menor ideia de como seria sua vida numa terra totalmente desconhecida. Contudo, creu em Deus e partiu para o destino que lhe reservara.
Ele não saiu errante, como alguém poderia pensar. Confiando nas promessas de Deus, iniciou a jornada, deixando para trás sua terra; despediu-se dos seus familiares e parentes, e levou consigo sua esposa. Eram bem idosos àquela altura de suas vidas. Devemos ressaltar, no entanto, que Abrão e Sarai eram bem idosos para nossos padrões de faixas etárias. Como a longevidade era muito grande, no seu tempo, o casal poderia ser considerado ainda “de meia-idade”. Aqui, temos uma lição para os que seguem a Cristo nos dias presentes. Ao se tornar cristão, o crente tem de abandonar muitas coisas de sua velha vida. Não precisa abandonar seus pais, ou a família, no sentido literal, mas tem que deixar de seguir as crenças, os costumes, a linguagem, marcados pela idolatria ou pela cultura de sua família. Sua decisão implica uma mudança completa em todas as áreas da vida. Diz o apóstolo Paulo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).
2. A Presença de um Parente
Como ninguém é perfeito, nem mesmo um homem de fé, Abraão permitiu que seu sobrinho, Ló, o acompanhasse na longa jornada que haveria de empreender. Talvez não tenha se lembrado de que Deus lhe dissera que deveria deixar para trás não apenas sua terra, mas também a sua parentela. Tempos depois, Abraão sofreu sérios problemas com a presença de seu sobrinho. Assim, o pequeno grupo, formado por Abrão, Sara e Ló, saiu da Caldeia, em direção a uma terra escolhida por Deus.
3. A Passagem por Harã
Nem sempre, Deus nos leva diretamente ao destino que define para nós. Antes de chegar a Canaã (nome antigo da Palestina, às margens do Mar Mediterrâneo), Abrão e os que o acompanhavam tiveram que passar um tempo em Harã, cidade importante da Mesopotâmia. Certamente, Deus queria seu preparo espiritual e emocional, sendo necessário ter algumas experiências anteriores à sua chegada ao destino visado.
III – AS LUTAS QUE ABRÃO ENFRENTOU AO CHEGAR A CANAÃ
Em todos os tempos, todos os que decidem obedecer a Deus experimentam lutas, problemas ou oposições em suas vidas. Abrão enfrentou todas as lutas que se lhe apresentaram. Mes mo com sua fé inabalável e tendo a companhia de sua esposa, que sempre esteve ao seu lado, como verdadeira adjutora em todas as experiências da vida, obedecer a Deus foi um grande desafio para Abrão e os que o acompanharam. Além de terem deixado “a terra de sua parentela”, em atenção à voz de Deus, levaram todos os seus bens móveis, toda a sua fazenda, todo o seu patrimônio adquirido ao longo dos anos. “Eles não desejavam ter nenhuma tentação de voltar. Por isso, não deixaram nem uma unha para trás, para que isto não os fizesse pensar na terra da qual saíram”.2
Essa é uma lição muito eloquente para quem aceita a Cristo como seu Salvador. Levar para sua vida com Cristo apenas o que é indispensável e coerente. Tudo o que não agrada a Deus, do antigo “Egito”, que é o mundo, que “jaz no Maligno”, velhos costumes, antigos comportamentos carnais, que afrontam a Deus, tudo que não é da vontade do Senhor, deve ser deixado para trás. Mas não deixaram para trás seus servos, que faziam parte do grupo social; certamente, eles também foram muito abençoados por Deus, por acompanharem Abrão para a Terra Prometida.
1. A Fome na Terra
Depois que Abrão chegou a Canaã, deparou-se com um aconteci mento frustrante. “Essa é a primeira fome a ser registrada na Bíblia, na história da humanidade”.3 Várias pessoas acompanharam Abrão e sua família, além de animais, que dependiam de seus cuidados. Diz a Bíblia: “E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra” (Gn 12.10). O problema da fome era tão grande que Abrão teve que sair de Canaã e buscar refúgio no Egito (cf. Gn 12.11a).
2. A Necessidade de Descer ao Egito
Parece estranho. Na Terra Prometida, surgiu uma calamidade enorme. Uma grande fome sobre aquela região. Enquanto no Egito, terra de idolatria, de tantos deuses estranhos, havia far tura de pão! “A terra de Canaã era um lugar frutífero. Porém, ocasionalmente, por razões climáticas, falhava a agricultura de sustento. O Egito contava com o poderoso rio Nilo, cujas águas nunca secavam, pelo que era capaz de cuidar melhor do problema da fome”.4 Tempos depois, a história se repetiu. O povo de Deus teve que ir buscar socorro no Egito, quando José foi elevado a governador daquele império.
3. O Problema Envolvendo sua Esposa
Um grande problema se apresentou diante de Abrão quando ele se encontrava no Egito. Num momento, provavelmente, de falta de fé, o patriarca teve receio de que Sarai, mesmo com 65 anos, sendo uma mulher formosa, cuja beleza chamava a atenção, fosse cobiçada pelo Faraó. Ele era sabedor dos costumes daquela época, em que os reis possuíam poderes absolutos, incluindo o de ter várias mulheres, além de concubinas. Não havia leis que garantissem os direitos humanos; os poderosos faziam o que bem entendiam.
Mesmos com tantas esposas, o Faraó poderia requisitar Sarai para ser mais uma de suas mulheres. Abrão, assim, orientou sua esposa para que, ao entrar no Egito, dissesse que era sua irmã. Diz o texto bíblico: “e será que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é a sua mulher. E matar-me-ão a mim e a ti te guardarão em vida. Dize, peço-te, que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti” (Gn 12.12-13). Certamente, foi uma situação constrangedora. O homem de Deus orientar que sua esposa mentisse, para poupar a sua vida. Onde estava o homem de fé?
O texto diz que, quando os egípcios viram Sarai, com sua beleza singular, disseram esse fato ao Faraó. Este mandou cha mar Sarai e a tomou para sua casa. “E viram-na os príncipes de Faraó e gabaram-na diante de Faraó; e foi a mulher tomada para a casa de Faraó. E fez bem a Abrão por amor dela; e ele teve ovelhas, e vacas, e jumentos, e servos, e servas, e jumentas, e camelos” (Gn 12.15-16). Aqui, há interpretações diversas. Estudiosos dizem que Faraó se relacionou sexualmente com Sarai; por isso beneficiou Abrão com tantos bens. Outros dizem que Deus impediu que ele a tivesse como esposa.
Tal entendimento toma por base o texto seguinte, que diz:
Feriu, porém, o Senhor a Faraó com grandes pragas e a sua casa, por causa de Sarai, mulher de Abrão. Então, chamou Faraó a Abrão e disse: Que é isto que me fizeste? Por que não me disseste que ela era tua mulher? Por que disseste: É minha irmã? De maneira que a houvera tomado por minha mulher; agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te. (Gn 12.17-19)
O texto dá a entender que, de fato, Faraó tomou Sarai por sua mulher. Algo muito estranho para uma serva de Deus, chamada para ser mãe de nações, ao lado de seu esposo. Fica claro que o Faraó repreendeu Abrão por faltar com a verdade e o despediu com Sarai, levando todos os bens que Faraó lhe concedera por causa da união ilícita com sua esposa.
CONCLUSÃO
Como vimos, Abrão foi um homem escolhido por Deus para uma missão importantíssima, diante do que lhe fez promessas extraordinárias, como não fez em tamanha dimensão a outros homens de Deus. Repetiu as promessas a seus filhos, para cumprir o seu plano para a nação de Israel, para a Igreja e para a humanidade. Como homem de fé, Abrão também falhou, mas, pela misericórdia divina, foi restaurado e se tornou um dos per sonagens mais destacados e importantes na história registrada pela Bíblia Sagrada.
HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO 19
Elinaldo Renovato de Lima
Nenhum comentário:
Postar um comentário