TEXTO ÁUREO
“E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu
Filho para Salvador do mundo.”
(1Jo 4.14).
VERDADE PRÁTICA
A
paternidade de Deus é revelada no envio do Filho e na concessão do Espírito,
confirmando nossa filiação e aperfeiçoando-nos no amor.
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE
1
João 4.13-16.
13
— Nisto
conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito,
14
— e
vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.
15
— Qualquer
que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus.
16
— E
nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor e quem está em
amor está em Deus, e Deus, nele.
PLANO
DE AULA
1.
INTRODUÇÃO
A
paternidade de Deus é uma verdade revelada nas Escrituras que mostra o Pai como
fonte eterna de toda vida. Ele enviou o Filho e concedeu o Espírito, formando
conosco uma relação íntima, segura e transformadora. É o que estudaremos nesta
lição.
2.
APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A)
Objetivos da Lição: I) Compreender que a paternidade
de Deus é eterna e inseparável de sua natureza; II) Reconhecer que confessar a
Cristo como Filho é evidência de filiação divina; III) Aplicar os princípios do
amor do Pai como base para a vida cristã.
B)
Motivação: A compreensão da paternidade de Deus nos
leva a desfrutar de segurança espiritual, a viver com confiança diante do mundo
e a experimentar um amor que lança fora todo medo.
C)
Sugestão de Método: Antes de iniciar o estudo desta
lição, proponha uma breve revisão das lições 1 a 3. Divida a classe em três
grupos e atribua a cada grupo uma das lições anteriores para resumir.
Oriente-os a destacar: o tema central, os principais versículos e a aplicação
prática. Cada grupo apresenta seu resumo em até 3 minutos.
3.
CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A)
Aplicação: A paternidade de Deus é uma verdade revelada
nas Escrituras que mostra o Pai como fonte eterna de toda vida. Ele enviou o
Filho e concedeu o Espírito, formando conosco uma relação íntima, segura e
transformadora. Nesta lição, estudaremos como a Trindade manifesta a
paternidade divina por meio do Filho e do Espírito.
4.
SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A)
Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa
revista que traz diversos subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos.
Na edição 104, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B)
Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você
encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto
“Características do Pai”, localizado depois do primeiro tópico, mostra como
Deus se revela como Pai; 2) O texto “O Amor de Deus como fonte do amor humano”,
ao final do terceiro tópico, mostra que é por meio do amor de Deus que somos
habilitados a amar o próximo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nesta
lição, estudaremos como o Pai revela sua paternidade por meio da Trindade.
Veremos que esta paternidade é reconhecida na confissão de Cristo e
aperfeiçoada em nós pelo amor, garantindo nossa comunhão com Ele,
capacitando-nos a viver com confiança, fidelidade e expressão visível da nossa
filiação diante do mundo.
Palavra-Chave:
PATERNIDADE
AUXÍLIO
BIBLIOLÓGICO
CARACTERÍSTICAS
DO PAI
“(1) Como um Pai carinhoso, Ele se importa
conosco, nos guia e nos recebe para que possamos ter uma comunhão profunda e
aberta com Ele. Através da fé em Cristo, temos acesso ao Pai a qualquer hora
para adorá-lo e para expressar as nossas necessidades.
(2)
Como um Pai, Deus não tolera (ao contrário de alguns pais terrenos) o mal em
seus filhos, e não falha quando é necessário discipliná-los corretamente. Fazer
qualquer coisa menos que isto não seria bom para nós. Deus se opõe ao pecado e
àquilo que o pecado pode fazer contra os seus filhos.
(3)
Como um Pai celestial, ele pode castigar assim como abençoar, reter assim como
dar, agir tanto com justiça como com misericórdia. A maneira como Ele responde
aos seus filhos depende da fé deles, e da obediência que demonstram a Ele. No
entanto, podemos ter a confiança de que toda a direção e disciplina de Deus são
para o nosso bem.” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição
Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1616).
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
O
AMOR DE DEUS COMO FONTE DO AMOR HUMANO
“O amor de Deus é a fonte de todo o amor
humano, e se espalha como o fogo. Ao amar os seus filhos, Deus acende uma chama
em seus corações. Estes, por sua vez, amam os outros, que são então aquecidos
pelo amor de Deus.
É
fácil dizer que amamos a Deus quando tal amor não nos custa nada mais do que
nossa participação semanal nos cultos. Mas o verdadeiro teste do nosso amor a
Deus é como tratamos as pessoas que estão à nossa volta — os membros de nossa
família e os nossos irmãos em Cristo. Não podemos amar verdadeiramente a Deus
enquanto negligenciamos o amor àqueles que foram criados à sua imagem.” (Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1788).
SUBSÍDIOS
ENSINADOR CRISTÃO
A
PATERNIDADE DIVINA
Na
presente lição, veremos com maiores detalhes a paternidade divina, bem como o
amor divino que nos capacita a viver a nossa filiação com Deus diante do mundo.
Inicialmente, a lição destaca que a paternidade de Deus não tem início no
tempo. Deus é Pai desde a eternidade. Isso nos remete à compreensão de que as
Pessoas do Filho e do Espírito Santo coexistem com o Pai desde a eternidade,
tendo em vista que os três compartilham da mesma natureza divina (Jo 10.30).
Nesse sentido, a relação entre as três Pessoas da Trindade é a referência ideal
para o relacionamento do crente com Deus. Uma das marcas da filiação divina é a
fé que expressamos em Jesus, o Filho Unigênito. Ele, por natureza, é o Filho
gerado — e não criado — pelo Pai (Hb 1.1-5); em contrapartida, a nossa filiação
ocorre a partir da confissão de fé em Jesus, que nos adentra à comunhão com
Deus por meio da graça. Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus
(Rm 5.1). Agora que somos filhos temos também a testificação dessa filiação por
meio do Espírito Santo. Ele testifica com nosso espírito que somos filhos de
Deus (Rm 8.16).
De
acordo com o Dicionário Bíblico Baker, editado pela CPAD, adoção
diz respeito ao “processo voluntário de concessão de direitos, privilégios,
responsabilidades e posição de filho ou herdeiro a um indivíduo ou grupo que
não nasceu originalmente do adotante. Enquanto o nascimento ocorre
naturalmente, a adoção ocorre apenas pelo exercício da vontade. [...] Os filhos
adotivos de Deus desfrutam de todos os direitos de um filho natural, incluindo
a oportunidade de chamar Deus de ‘Pai’, como Jesus fez (Mt 5.16; Lc 12.32).
Paulo particularmente usa a adoção para descrever o novo relacionamento do
cristão com Deus por meio do sacrifício expiatório de Jesus Cristo (Rm
8.15,16,21-23; 9.25,26)” (2023, p.23).
Agora
que recebemos a nova natureza, podemos, como filhos de Deus, desfrutar de todas
as abundantes bênçãos de Sua graça. Um dos grandes desafios da nossa geração é
preservar sua identidade enquanto filhos de Deus. Inclusive, a marca que
distingue e torna pública essa filiação é o amor de Deus derramado em nossos
corações (Rm 5.5). Esse amor nos capacita a adorar a Deus em espírito e em
verdade (Jo 4.24), bem como a amar o próximo e perdoar aqueles que se colocam
como nossos inimigos e perseguidores (Mt 5.11,12,44-48). Se quisermos tornar
notória ao mundo a nossa experiência como filhos de Deus, precisamos remover da
nossa forma de pensar e agir tudo aquilo que não corresponde à natureza divina.
Que a cada ato de renúncia ao pecado e submissão aos mandamentos divinos o amor
de Deus possa se aperfeiçoar em nós.
CONCLUSÃO
A paternidade de Deus é revelada de forma plena na ação conjunta da Trindade. O Pai envia o Filho, concede o Espírito e estabelece conosco uma relação sólida e paterna. Confessamos a Cristo, amamos porque fomos amados primeiro, e somos conduzidos pelo Espírito a viver em obediência e comunhão. A nossa identidade como filhos de Deus é firmada em sua iniciativa soberana e amorosa, garantindo-nos plena confiança para o dia da eternidade, e ajudando-nos a refletir o amor do Pai ao mundo.
CPAD : A Santíssima Trindade — O
Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
Comentarista: Douglas Baptista
Lição 4: A Paternidade Divina
A doutrina da paternidade de Deus revela que
Ele é a fonte eterna de toda vida. Deus não é apenas um Ser transcendente e
soberano; Ele também é Pai em sua essência. Essa paternidade é revelada plenamente
na história da salvação, manifestada no envio do Filho e na concessão do
Espírito Santo, formando conosco uma relação íntima e transformadora. No
presente capítulo, estudaremos como Ele revela sua paternidade por meio da
Trindade, na redenção e na nossa identidade como filhos de Deus.
Veremos que essa paternidade é reconhecida na
confissão de Cristo e aperfeiçoada em nós pelo amor, garantindo nossa comunhão
com Ele, capacitando-nos a viver com fidelidade e expressão visível da nossa
filiação diante do mundo. A luz das Escrituras, somos convidados a refletir
sobre a obra de Deus Pai, que gera e ama seus filhos. Essa reflexão abordará
três aspectos fundamentais: a revelação da paternidade, o reconhecimento de
nossa filiação e a experiência do amor transformador do Pai.
I - A REVELAÇÃO DA PATERNIDADE DO
PAI
1. Definição da Paternidade do Pai
A paternidade é atributo da primeira Pessoa
da Trindade: “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e
em todos” (Ef 4.6). Acerca desse versículo, Beacon destaca que “Deus é sobre
todos — é soberano e supremo. Ele é por todos — seu poder impregna a igreja
inteira. Ele é em todos — seu Espírito habita na adoração diante do próprio
trono eterno e, em Cristo, todos somos filhos do mesmo Pai celestial”.1 O Pai é
a fonte eterna e absoluta de tudo quanto existe. Ele é o soberano Criador, o
princípio sem princípio, a origem da vida, da ordem e da redenção: “todavia,
para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só
Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (1 Co 8.6).
O texto ressalta não apenas a unidade monoteísta, mas a distinção funcional
entre as Pessoas da Trindade. O Pai não é gera do, Ele não procede de ninguém:
“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai,
esse o fez conhecer” (Jo 1.18). Essa passagem não apenas destaca a mediação do
Filho na revelação do Pai, mas indica que o Pai está em eterna relação com o
Filho. O Pai é quem gera o Filho: “Tu és meu Filho; eu hoje te gerei” (SI 2.7).
A declaração não se refere a um nascimento temporal ou carnal, mas a uma
geração eterna (Hb 1.5).
Portanto, ratifica-se que a geração do Filho
pelo Pai é eterna, necessária e espiritual, não ocorrendo no tempo, mas na
eternidade.2 Quanto ao Espírito, Ele procede do Pai e do Filho Jo 15.26).
Stanley Florton ob serva que “as propriedades pessoais atribuídas a cada um dos
membros da Trindade são assim entendidas: o Pai é ingênito; o Filho é gerado; e
o Espírito Santo procede dEles”.3Assim, a doutrina da paternidade do Pai
inalterável e amorosa sustenta a nossa fé em tempos sombrios. O Pai é o Deus
soberano que gera o Filho eternamente e concede o Espírito como testemunho e
guia. Essa verdade oferece consolo e firmeza doutrinária para a vida cristã.
Assim, podemos descansar na fidelidade do Pai das luzes, de quem procede toda
boa dádiva e cuja paternidade é revelada plenamente na Trindade (Tg 1.17).
2. A
Paternidade Eterna do Pai
Deus é Pai por toda a eternidade. Sua
paternidade não teve início no tempo, mas é inerente ao seu ser. Deus Pai não
se tornou Pai em um ponto da história, mas sempre foi Pai. Essa verdade rejeita
qual quer concepção temporal ou subordinacionista4 da relação trinitária,
afirmando que a relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo é eterna,
essencial e ontológica.5 Como afirma Agostinho, “o Pai é o princípio da
divindade, melhor dizendo, da deidade”.6 7
Na
oração sacerdotal Jesus disse: “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti
mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5).
Arrington anota que “este pedido alude à preexistência de Jesus [...] implica
que a pessoa de Jesus (as naturezas divina e humana) e a obra expiatória eram
uma conclusão passada na mente de Deus antes da criação”.' O texto ensina que o
relacionamento entre o Pai e o Filho é anterior à criação, revelando que a
identidade de Deus como Pai é eterna. Antes que o mundo existisse, já havia uma
comunhão gloriosa entre o Pai e o Filho.
Essa
verdade é ratificada no texto bíblico, que diz: “Ele, que é o resplendor da
glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3, ARA). O Comentário Bíblico
Beacon explica que o Cristo como o esplendor da glória do Pai “revela de forma
perfeita a majestade de Deus. Ele é a expressa imagem da sua pessoa ou, como a
NVI traduz: a expressão exata do seu ser”.8 Implica dizer que o Filho possui a
mesma essência do Pai. Logo, a Paternidade do Pai é anterior e independente da
cria ção e da encarnação. O Pai sempre foi Pai, o Filho sempre foi Filho e o
Espírito sempre foi Espírito (Ef 1.3-4; Hb 1.2-3; 9.14).
3. O Pai Gerou o Filho A geração do Filho
não implica criação; Ele sempre existiu com o Pai, com a mesma essência:
“Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter vida
em si mesmo” (Jo 5.26). Henry, leciona que “E como Deus, que dá vida a todas as
coisas, é o dono de sua própria existência, da mesma forma Cristo, que dá vida,
ressuscitou a si mesmo para a vida através do seu próprio poder” (Jo 10.18).9
Isso significa que o Deus Pai é autoexistente. O Filho gerado pelo Pai também é
autoexistente.
Implica dizer que o Filho não foi criado, mas
eternamente gerado: "O Senhor me disse: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei”
(SI 2.7). A expressão “hoje te gerei” não se refere a um tempo cronológico, a
um ato temporal ou criacional, mas a uma realidade eterna. Paulo aplica esse
versículo a Cristo, referindo-se à sua filiação eterna e ontológica do Ser
divino, e sua manifestação como Filho ressuscitado e entronizado (At 13.33).
Assim, o Filho e o Pai possuem vida em si
mesmo, isto é, compar tilham da mesma natureza divina Jo 10.30). Como declarou
o Concilio de Niceia (325 d.C.), o Filho de Deus é “gerado, não feito, de uma
só substância (homooúsios) com o Pai”.10 Significa que o Filho é igual ao Pai,
igualmente eterno e igualmente Deus. A geração eterna é a forma como o Filho se
distingue do Pai sem deixar de ser Deus. Trata-se de uma re lação ontológica e
não implica tempo, origem ou inferioridade Jo 1.1).
O
arianismo, defendido no século IV) afirmava que o Filho foi cria do no tempo e,
portanto, inferior ao Pai. O Credo Niceno rejeitou essa ideia e declarou: “Mas
aqueles que dizem; ‘houve um tempo quando Ele não era’; e ‘Ele não era antes de
ter nascido’ [...] ‘Ele é de outra substância’ ou ‘essência’, ou ‘O Filho de
Deus é criado’ [...] eles são condenados pela igreja cristã e apostólica”.11
4. O
Pai nos Concede o Espírito
Acerca
da procedência do Espírito, Jesus declarou: “Mas, quando vier o Consolador, que
eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede
do Pai, testificará de mim” (Jo 15.26). Aqui o Espírito é “mencionado como uma
Pessoa distinta, não uma qualidade ou propriedade”.12 O texto estabelece duas
verdades: O Es pírito procede do Pai (gr. ekporeuetai, verbo usado para indicar
origem); e Ele é enviado pelo Filho (pempsd, do verbo pempõ, que indica
missão).13 Cristo também explicou: “[...] se eu não for, o Consolador não virá
avós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei” (Jo 16.7). Essa declaração está expressa
de maneira negativa: “se eu não for; o Consolador não virá”. E de maneira
positiva: “Se eu for, enviar-vo-lo-ei”.
Cristo
parte aos céus com o propósito de enviar o Espírito Santo. Assim, a vinda do
Paracleto depende da partida de jesus.140 Credo Constantinopolitano (381 d.C.)
professa crer “no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai
e do Filho”.15
Agostinho, também reitera “pelo testemunho
das santas Escrituras, que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho”.16 Saber
que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho é muito mais do que um detalhe
teológico; é uma fonte poderosa de segurança para nossa vida cristã. O Espírito
Santo é o próprio Deus (At 5.3-4), enviado para estar conosco para sempre Jo
14.16-17). Ele nos aproxima do Pai (Ef 2.18), testemunha ao nosso espírito que
somos filhos de Deus (Rm 8.16) e nos guia em toda a verdade Jo 16.13).
II - RECONHECENDO A PATERNIDADE DO PAI
1.
Confessar a Cristo como Filho
A
confissão de que Jesus Cristo é o Filho de Deus não é apenas uma fórmula
litúrgica ou declaração devocional. Trata-se de um ato espiritual com profunda
implicação salvífica e trinitária: “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho
de Deus, Deus está nele e ele em Deus” (1 Jo 4.15). Em vista disso, reconhecer
a filiação divina de Cristo é mais do que uma afirmação privada. E uma
declaração pública de fé e sinaliza que Deus habita no coração do crente (Rm
10.9-10). Essa confissão é uma ação do Espírito, não nasce da carne, nem da
persuasão humana. Paulo assegura que “ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor,
senão pelo Espírito Santo” (1 Co 12.3).
Essa confissão de fé em Jesus é, portanto,
fruto da iluminação operada pelo Espírito Santo, e não apenas de convencimento
intelectual ou tradição religiosa. Pearlman leciona que “que ninguém pode
expressar a sincera convicção sobre a divindade de Jesus sem a iluminação do
Espírito Santo”.17
Por
conseguinte, a confissão de Cristo como Filho de Deus é condição para a
salvação, essencial ao novo nascimento e à reconciliação com o Pai. Reconhecer
a filiação divina de Jesus é a única forma legítima de acesso ao Pai Jo 14.6).
A filiação eterna de Jesus revela a paternidade divina. Somente em Cristo o Pai
é plenamente revelado. Ver o Filho é ver o Pai, pois Ele é a expressão exata do
seu Ser (FTb 1.3). O próprio Jesus disse: “Quem me vê a mim vê o Pai; [...]
estou no Pai, e o Pai, em mim” Jo 14.9-11).
Assim,
reconhecer Jesus como Filho é reconhecer o Pai como Fonte da salvação. Não há
comunhão com Deus fora da mediação do Filho (1 Tm 2.5). Essa dimensão pública
da fé indica lealdade e per- tencimento ao Reino de Deus. Negar essa confissão
é negar o próprio Pai: “Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; e
aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1 Jo 2.23). Que cada crente
possa, com o coração cheio de fé e gratidão, proclamar com ousadia: “Senhor
meu, e Deus meu!” Jo 20.28). A partir dessa verdade, confessar a Cris to é
viver em comunhão com o Pai. A presença de Deus se manifesta continuamente na
vida do crente que confessa o Filho, pois “Deus está nele e ele em Deus” (1 Jo
4.15). Essa confissão não se limita à fala, mas é acompanhada de uma vida
coerente, marcada por obediência, santidade e amor. O cristão é chamado a
testemunhar publicamente sua fé, não apenas nos cultos, mas no dia a dia (Mt
10.32). O Espírito lhe foi dado para confessar que Jesus é o Filho de Deus (At
1.8).
2. A
Perfeição do Amor do Pai
O amor faz parte da natureza do Pai: “E nós
conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor e quem está em amor
está em Deus, e Deus, nele” (1 Jo 4.16). O amor é um atributo divino eterno. E
a essência do Pai revelada em sua ação redentora. Deus não apenas ama, “Deus é
amor”. Esse amor é entendido como vivência relacionai, poder transformador e
motivação essencial do plano da sal vação. Como afirma Horton “por definição, o
amor é necessariamente compartilhado com outro, e o amor de Deus é um amor que
fez que com Ele doasse a si mesmo”.18 Nesse aspecto, a maior demonstração do
amor do Pai foi a en trega de seu Filho unigênito Jo 3.16).
Esse
amor é sacrificial e redentor. Não é uma abstração sentimental, mas um ato
histórico que culmina na cruz. Como destaca Pearlman, “o Espírito manteve
diante dele [Cristo] as exigências inflexíveis de Deus e o inflamou de amor
para com o homem e zelo para com Deus, para prosseguir, apesar dos
impedimentos, da dor e das dificuldades, para efetuar a redenção do mundo”.19
Essa entrega é o coração do evangelho, alimentando a ex periência do novo
nascimento e o batismo com o Espírito Santo, como resposta ao amor derramado
(Rm 5.5). O amor de Deus não espera ser merecido. Ele se manifesta de forma
soberana, oferecendo salvação ao pecador.
O amor do Pai também se revela na adoção de
filhos: “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados
filhos de Deus” (1 Jo 3.1). O salvo é acolhido não como servo, mas como filho
legítimo com todos os direitos espirituais. Essa adoção é mais que jurídica,
ela é relacionai e afetiva. Como explica o pastor Antonio Gilberto, “fomos
predestinados por Deus para adoção de filhos, antes da fundação do mundo;
portanto, antes da existência do homem. Isso exclui qualquer
mérito humano e somente revela a graça infinita de Deus”.20
O amor
do Pai é inquebrável; nenhum poder ou circunstância pode separar o crente desse
amor (Rm 8.38-39). Mesmo em meio às lutas, o salvo é guardado na certeza do
amor que não falha. O amor do Pai não é apenas geral, mas é individual, pessoal
e íntimo, voltado para cada fi lho que crê (Jo 16.27). Essa realidade se
expressa em comunhão constan te com Deus em oração, jejum, adoração e
experiências espirituais. O amor do Pai é a fonte da nova vida; a salvação
brota da abundância do seu amor (Ef 2.4-5). A redenção é fruto desse amor que
busca, alcança, regenera, sela e sustenta até o fim.
3. As Bênçãos da Filiação Divina
As
Escrituras afirmam que o amor de Deus, lança fora todo o te mor, especialmente
o medo do juízo: “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no Dia do
Juízo tenhamos confiança” (1 Jo 4.17).
Essa declaração não apenas revela a natureza
do amor de Deus, mas destaca sua função libertadora da condição do crente
escravo para filho adota do. O medo punitivo que antes o dominava é substituído
pela confiança filial, gerada pela presença do Espírito, que testifica a
adoção: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez,
estardes em te mor, mas recebestes o espírito de adoção” (Rm 8.15). Ratifica-se
que o texto bíblico esclarece que o Espírito Santo introduz o crente em uma
relação de adoção, não de servidão. Essa confiança estabelece a segurança da
condição do salvo como filho de Deus. O crente não é mais um escravo ameaçado
pelo castigo eterno, mas um filho livre e amado por Deus. Assim, o crente
regenerado, embora consciente da realidade do juízo final (Hb 9.27), não vive
sob terror, pois o amor aperfeiçoado pelo Espírito lança fora esse medo. Isso
não significa que o crente não possa perder a salvação. Essa confiança, não
anula a vigilância. O risco da apostasia é real (Ez 18.24; 1 Co 10.12).
Portanto, a segurança do crente não é licença
para pecar, mas incentivo para permanecer no amor e na obediência Jo 15.9-10).
Paulo ensina que o selo do Espírito aponta para propriedade e segurança. O selo
testemunha a filiação do crente e extingue o medo da condenação. Ele é a
garantia de que a herança prometida será recebida (Ef 1.13,14). Assim, o
verdadeiro amor, aperfeiçoado pelo Espírito, remove o medo punitivo, pois “no
amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor” (ljo 4.18).
III -
A EXPERIÊNCIA DO AMOR DO PAI
1. O Amor É Aperfeiçoado no
Crente
O
aperfeiçoamento do amor na vida do crente é obra do Espírito Santo. Guardar a
Palavra é o meio pelo qual o amor divino é amadu recido: “Aquele, entretanto,
que guarda a sua palavra, nele, verdadei ramente, tem sido aperfeiçoado o amor
de Deus” (1 Jo 2.5, ARA).
A obediência às Escrituras revela um amor
genuíno e em maturação. Jesus afirma que o amor verdadeiro é demonstrado por
obediência prática aos seus mandamentos: o crente que ama é amado pelo Pai e
pelo Filho, cresce em obediência e guarda a Palavra Jo 14.21). A obediência,
portanto, é a evidência externa de um amor interno e verdadeiro por Deus. Não
há amor genuíno a Deus sem compromisso concreto com sua vontade revelada (1 Jo
2.3-4). A cada ato de obediência, o amor de Deus é fortalecido na vida do
crente: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco
também é injusto no muito” (Lc 16.10, ARA). Esse versículo aponta que a obediência
revela o caráter de um cristão; além disso, mostra a condição moral e
espiritual do homem interior, bem como é um indicador do grau de confiabilidade
de alguém.21
João
declara que “os seus mandamentos não são penosos” (1 Jo 5.3, ARA). Significa
que o Espírito transforma o coração do salvo, de modo que a obediência se torna
algo natural, e não um fardo (G1 5.16- 25). Em vista disso, o crescimento
espiritual ocorre na medida que o crente amadurece. E a partir dos pequenos
atos que acontece a grande consolidação do amor. Assim, reitera-se que o amor
divino é amadurecido e solidificado pela presença ativa e contínua do Espírito
Santo na vida do crente (Rm 5.5). Assim sendo, o cristão deve viver de maneira
tal que a prática aprofunde a realidade do amor de Deus: “E sede cumpridores da
palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tg 1.22).
Esse versículo trata da fé diante das provações, das tentações e do ouvir da
Palavra. Descreve a importância da obediência ativa e não apenas da escuta
passiva da mensagem cristã. Refere-se a uma fé não aparente, mas autêntica.
Moody enfatiza que “o Cristianismo é uma
religião de ação. Por mais importante que seja o ouvir, não se deve parar por
aí. O fazer deve seguir-se ao ouvir. Ser apenas ouvinte é uma forma de engano
próprio”.22 Portanto, refletir Deus no mundo por meio da obediência da Palavra
é ser aperfeiçoado no amor (Mt 22.37-40). Amar o mundo é incompatível com amar
a Deus. Rejeitar o sistema mundano é evidência de amor aperfeiçoado e crescente
compromisso com o Pai (1 Jo 2.15-17).
2. O Amor E a Marca dos Filhos de Deus
O amor
é a identidade dos salvos. O mundo conhece a Deus por meio da manifestação do
amor de seus filhos: “Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros,
Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1 Jo 4.12, ARA).
Nesse texto, o amor é evidência da presença de Deus. Deus é Espírito Jo 4.24).
Deus é invisível, mas seu amor é tornado visível à humanidade quando os
cristãos vivem em amor mútuo. Jesus ensinou que os cristãos deveriam amar uns
aos outros, e fazendo assim seriam conhecidos como seus discí pulos Jo 13.35).
Esse mandamento do amor não era “novo” porque algo parecido já fora dito antes
(Dt 6.5; Lv 19.18). Sua novidade está relacionada com o novo padrão de amar o
próximo. Jesus ordenou que os cristãos amassem uns aos outros “como eu vos
amei” Jo 13.34). O padrão de amor foi redefinido. O amor de Cristo se torna a
nova medida. Carson, leciona que “não somente o padrão é Cristo e seu amor;
mais que isso, ele é um mandamento designado para refletir o relacionamento de
amor que existe entre o Pai e o Filho Jo 8.29; 10.18; 12.49,50; 14.31;
15.10)”.23 Quem ama de fato revela que conhece a Deus. Logo, o amor torna real
a presença de Deus àqueles que ainda não o conhecem. João apresenta um
contraste moral e espiritual que divide a raça humana em dois grupos: “Nisto
são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: qualquer que não pratica
a justiça e não ama a seu irmão não é de Deus” (1 Jo 3.10). Biblicamente, o
exercício do amor é o critério visível de quem realmente conhece a Deus. O amor
entre irmãos é prova pública de filiação divina. O amor é a essência da
regeneração de um pecador (1 Jo 4.7-8).
A
unidade e o amor entre os discípulos cooperam como sinal para os incrédulos:
“para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também
eles sejam um em nós” Jo 17.21). E acrescenta: “para que o mundo conheça que tu
me enviaste a mim e que tens ama do a eles como me tens amado a mim” Jo 17.23).
Essa oração de Jesus pela unidade dos discípulos serve como testemunho eficaz
de que Ele foi emiado por Deus por amar os pecadores. A comunhão entre os
irmãos prepara o coração do mundo para receber o evangelho.
Mercê
disso tudo, os cristãos como filhos regenerados são chamados a refletir, por
meio de suas atitudes, palavras e ações, o amor santo e redentor de Deus diante
do mundo. A conduta visível do crente deve tornar realidade o Deus invisível. O
amor de Deus se manifesta no mundo por meio do comportamento de seus filhos (1
Jo 4.12). Viver em amor, portanto, não é apenas um imperativo ético, mas uma
evidência clara de que fomos transformados por Deus (1 Jo 3.14). Além disso, o
amor fraterno é uma testemunha silenciosa e poderosa ao mundo (Mt 5.16).
3. Fomos Amados Primeiro
A essência da vida cristã está fundamentada
no amor de Deus: “Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19).
Significa que a vida cristã tem como alicerce o fato de que Deus amou os pecadores
independentemente de qualquer obra humana. Revela que a salvação, a fé e a
capacidade de amar são respostas à iniciativa incondicional do amor divino (1
Jo 4.10). Não é uma recompensa meritória, mas um sacrifício motivado por amor.
Pecadores são amados por Deus antes de
qualquer movimento pessoal em direção a Ele (Ef 2.4-5). O ser humano foi amado
no pior estado possível — em pecado: “Deus prova o seu amor para conosco em que
Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Refere-se à
substituição vicária: Cristo morreu em lugar de pecadores, assumindo o juízo
que era devido aos transgressores (Is 53.5; 2 Co 5.21).
A
morte de Cristo é tanto sacrifício redentor como prova do amor de Deus. Não
obstante, somente pelo Espírito o crente consegue amar a Deus, ao próximo e ao
Inimigo (Rm 5.5). Antes da redenção, houve uma cruz sangrenta preparada por
amor Jo 15.13). Desse modo, espera-se que a postura cristã seja uma resposta
agradecida a esse amor imerecido (2 Co 5.14-15).
CONCLUSÃO
A
paternidade de Deus é revelada de forma plena na ação conjunta da Trindade. O
Pai envia o Filho, concede o Espírito e estabelece conosco uma relação de amor
inquebrantável. Confessamos a Cristo, amamos porque fomos amados primeiro e
somos conduzidos pelo Espírito a viver em obediência e comunhão. A nossa
identidade como filhos de Deus é firmada em sua iniciativa soberana e amorosa,
garantindo-nos plena confiança para o dia da eternidade, e ajudando-nos a
refletir o amor do Pai ao mundo.
A Paternidade Divina | 53
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