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igreja local, como
integrante da “ [··.] universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão
inscritos nos céus [...]” (Hb 12.23), além das necessidades espirituais, que
devem ser atendidas espiritualmente, possui necessidades materiais, que
demandam recursos materiais, financeiros e patrimoniais. A manutenção da igreja
local faz parte da administração eclesiástica. Antigamente, tudo era bem mais
simples nos cuidados com as igrejas locais.
Homens
simples, às vezes, sem a menor cultura secular, desincumbiam-se das tarefas
pastorais, na direção de igrejas, de forma empírica, sem qualquer critério de
organização hum ana ou material. No entanto, nos dias presentes, as igrejas
locais precisam ter recursos materiais, notadamente, financeiros, para atender
sua manutenção, face às variadas atividades que desenvolvem, tanto para a
comunidade interna, formada de membros e congregados, como para o público
externo, que inclui a sociedade em que se insere, bem como as autoridades
públicas, que governam e organizam a vida da nação. Face essa realidade, a
igreja local tem que cumprir a legislação pertinente à sua condição de
“organização religiosa, sem fins lucrativos”, como rezam seus estatutos.
Na mordomia
da parte financeira, os dízimos e as ofertas, que constituem as contribuições
dos crentes fiéis, bem como as fontes de recursos e de financiamento das
atividades das igrejas nos dias presentes, há um a legislação que favorece a
aplicação independente de certas prestações de contas, até mesmo de imunidade
tributária, e, ao mesmo tempo, significa grandes responsabilidades perante as
normas que regem o uso dos recursos eclesiásticos. Normalmente, as igrejas são
imunes aos impostos, mas precisam declarar suas rendas. Por isso, os gestores
eclesiásticos precisam saber usar os recursos — constituídos pelos dízimos e
pelas ofertas — de forma fiel e coerente com a missão que Deus confiou às
igrejas locais por meio de seus líderes, administradores ou mordomos diante de
Deus (1 Co 4.1,2). Os dízimos e as ofertas, entregues pelos servos de Deus ao
Tesouro da igreja local, são consagrados a Deus e, em última análise, pertencem
a Ele. Por isso, devem ser entregues com muito amor e fidelidade e, mais ainda,
devem ser aplicados de forma correta e legal, na mordomia das contribuições,
com base nos princípios da Palavra de Deus.
I - AS FONTES DE RECURSOS
DA IGREJA LOCAL
A Igreja, no sentido espiritual e universal, não precisa de
bens materiais. No entanto, no sentido de igreja local, como organização e
instituição, necessita de recursos materiais, financeiros e patrimoniais para
sua manutenção, bem como a obtenção e uso de meios para o cumprimento de sua missão.
As fontes legítimas, legais e bíblicas dos recursos para a manutenção da igreja
local são basicamente duas: os dízimos e as ofertas alçadas. A base para essa
definição está no Antigo Testamento, mas tem aplicação adequada e necessária na
igreja local sob a égide do Novo Testamento (Ml 3.10). D iante dessa determ inação
bíblica, os recursos financeiros de que a igreja local necessita não devem ser
provenientes de governos, de órgãos públicos ou de organismos financeiros. Toda
vez que algum obreiro resolveu conseguir dinheiro p ara a igreja em fontes
estranhas ao que a Bíblia recomenda, acarretou problemas p ara seu ministério e
p ara os irmãos. Que Deus nos guarde de vermos igrejas envolvidas com lavagem de
dinheiro, tráfico de drogas ou quaisquer outras práticas corruptas e abomináveis
aos olhos de Deus.
Não é errado a
igreja local, através de um a instituição social, como um a associação
beneficente, um centro social, um a creche, ou um hospital, instituídos
legalmente, receber recursos que lhe sejam oferecidos pelo Poder Público para
obras sociais, por exemplo, desde que isso não implique em compromisso político
ou de outra ordem. Afinal de contas, se há subvenções para centros espíritas,
terreiros de macumba, creches, hospitais e outras instituições, os cristãos são
cidadãos do país e pagam seus impostos e taxas, que devem servir para o bem
comum. E preciso saber separar “o joio do trigo” nesse aspecto. O que não se
deve aceitar é a concessão de recursos públicos para as atividades-fim da
igreja: evangelização, ensino, adoração, louvor, etc. O financiamento das
atividades da igreja local deve ser proveniente das fontes indicadas na Palavra
de Deus: dos dízimos e das ofertas dos crentes fiéis, que amam a obra do
Senhor.
II - A BASE BÍBLICA PARA
OS DÍZIMOS E AS OFERTAS
Os Dízimos no Antigo Testamento. No Antigo Testamento, o ensino
sobre o dízimo foi bem definido quanto à sua origem, natureza e aplicação, com
grande significado espiritual e social.
O rigem do dízimo . De acordo com a Bíblia, a entrega do dízimo
(hb. ma 'aser — décima parte) teve origem na gratidão profunda de Abrão a Deus
depois de sua grande vitória sobre inimigos muito mais fortes. Desejando ser
grato a Deus, ele entregou o dízimo de tudo a Melquisedeque (Gn 14.14-20). U m
homem de Deus teve a ideia de materializar seus sentimentos de gratidão. Seu
gesto foi tão generoso e significativo que Deus fez com que a prática da
entrega dos dízimos fosse incluída na Lei. Em sua entrega no AT, podemos
concluir, com base na Palavra de Deus, qual o sentido e o significado da
entrega do dízimo.
O dízimo é do Senhor (Lv 27.30). Deus é o dono de tudo, do Universo,
da Terra, do homem e de todas as coisas criadas (SI 24.1): “Também todas as
dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores são do Senhor ;
santas são ao Senhor ” (Lv 27.30). Quando entregamos o dízimo de nossa renda,
devemos ter consciência de que não estamos restituindo nada, mas reconhecendo
que tudo é de Deus.
Davi tinha essa
percepção de forma bem profunda. Ao preparar materiais para a construção do
Templo em Jerusalém, quando Deus disse a ele que seu filho haveria de edificar
a “Casa do Senhor ” , ele disse: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, que
tivéssemos poder para tão voluntariamente dar semelhantes coisas? Porque tudo
vem de ti, e da tua mão to damos” (1 C r 29.14).
A entrega do dízimo expressa gratidão a Deus.Jacó dispôs-se a entregar
o dízimo de tudo quando fugia de seu irmão: “E Jacó fez um voto, dizendo: S e
Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer e
vestes para vestir, e eu em paz tornar à casa de meu pai, o S e n h o r será o
meu Deus; e esta pedra, que tenho posto por coluna, será Casa de Deus; e, de
tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo” (Gn 28.20-22).
Um cristão fiel entrega o dízimo, expressando gratidão a
Deus pelas bênçãos recebidas, e reconhece que Deus é bondoso e provedor de
todas as coisas necessárias para uma vida próspera e pacífica.
O dízimo ser via para sustento dos sacerdotes e levitas. Os levitas
não tinham herança, nem propriedades, terras e outros bens. A eles, Deus deu o
direito de usufruírem dos dízimos de Israel: “E eis que aos filhos de Levi
tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo seu ministério que
exercem, o ministério da tenda da congregação” (Nm 18.21). Com a construção do Templo, as estruturas de
arrecadação e guarda dos dízimos foi melhorada, havendo “câmaras” ou
dependências para sua guarda (Ne 10.37).
Os levitas pagavam o “dízimo dos dízimos” (N m 18.26). Como
vimos no item anterior, a destinação dos dízimos era muito bem definida,
mas seus beneficiários diretos, os sacerdotes e os levitas, não eram isentos
de deduzir de suas rendas os 10% para a manutenção da Casa do Senhor.
Eles tinham o direito de usufruir dos dízimos sim, mas também tinham
o dever de, assim como todas as pessoas do povo, contribuir para a manutenção
das diversas atividades no Tabernáculo ou do Templo.
Os dízimos ser viam para ajudar os órfãos e as viúvas — a ssistência
social (D t 26.12). Depois que o pecado entrou no mundo, surgiram as
injustiças sociais: os problemas de escassez de bens por intempéries ou m á
administração dos recursos. E, em conseqüência, surgiram as classes sociais
diversas. Por razões históricas, sociais ou culturais, os grupos, as tribos e
os clãs foram-se dividindo e subdividindo-se, dando lugar aos mais aptos
intelectualmente ou, pelas circunstâncias históricas, a classes dominantes e
classes dominadas. A princípio, toda a economia era doméstica e familiar, ou
seja, todos trabalhavam em prol do grupo familiar. Depois, surgiram atividades
técnicas produtivas, que geravam produção excedente, e o excedente era trocado
mutuamente. Uns, porém, foram mais aptos do que outros e tornaram-se mais ricos
econômica e financeiramente.
Essa realidade
histórica foi percebida entre o povo de Deus. No meio do povo de Israel, havia
senhores e servos. Abraão foi senhor de um clã. Teve muitos bens e “servos e
servas” (Gn 24.35); Isaque e Jacó também foram ricos e tiveram servos e servas
(Gn 30.43). Jó era um homem riquíssimo e era “muitíssima a gente a seu serviço”
(Jó 1.3). Havia pobres e viúvas no meio do povo de Deus.
E o Senhor
cobrou dos seus líderes o cuidado com a assistência social: “Não perverterás o
direito do estrangeiro e do órfão; nem tomarás em penhor a roupa da viúva” (Dt
24·. 17,19-21). Quem pervertesse o direito dos órfãos e das viúvas seria amaldiçoado
(Dt 27.19). Ao prometer abençoar o seu povo, Deus determinou que não houvesse
injustiça e opressão contra o órfao e a viúva J r 22.3; Zc 7.10; Ml 3.5).
A entrega dos dízimos era mandamento do Senhor. A atitude de
Melquisedeque — expressar sua gratidão mediante a entrega do dízimo — foi
aprovada por Deus e tornou-se um preceito legal para o povo de Israel: “Certamente
darás os dízimos de toda a novidade da tua semente, que cada ano se recolher do
campo. E, perante o S e n h o r , teu Deus, no lugar que escolher para ali
fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu cereal, do teu mosto, do
teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que
aprendas a temer ao S e n h o r , teu Deus, todos os dias” (Dt 14.22,23).
Tempos mais tarde, Deus cobrou do seu povo a omissão pela entrega dos dízimos a
ponto de considerar um a transgressão nacional equivalente ao roubo ao próprio
Deus (Ml 3.8-10).
III ■ O DÍZIMO NO
NOVO TESTAMENTO
O dízimo não foi abolido no Novo Testamento. Sua necessidade
e aplicação são tão importantes quanto no Antigo Pacto. Cremos que as bênçãos prometidas
por Deus a quem é fiel na entrega dos dízimos não foram suprimidas. Pelo
contrário. Hoje, com a expansão das igrejas cristãs, incumbidas da maior missão
que um a instituição pode ter, as necessidades materiais da obra do Senhor
demandam as contribuições generosas dos que amam a Deus e desejam ver sua
Igreja crescer em todos os sentidos.
J esus mandou entregar o dízimo (M t 23.23). Os que entendem
que o dízimo não deve ser entregue pela igreja no Novo Testamento argumentam
que Jesus falou contra os fariseus, que estavam agindo com hipocrisia, e não
para os cristãos. Se assim fosse, nenhum trecho do Novo Testamento poderia ser
invocado como doutrina se não houvesse indicação expressa de que Jesus ministrava
apenas para os judeus. No Sermão do Monte, Ele falou para os judeus, mas seu texto
encerra o cerne da doutrina cristã. Os fariseus eram rigorosos na entrega dos
dízimos, até dos ganhos mais modestos, como a venda da hortelã, do endro e do
cominho. Diz o texto: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que
dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante
da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não
omitir aquelas” (Mt 23.23). O que Jesus reprovou foi o legalismo e a
hipocrisia, com o desprezo do que era mais importante da Lei, a saber, “[...] o
juízo, a misericórdia e a fé”. Diante disso, Ele ensinou que eles (os fariseus)
de- veriam cumprir essas coisas mais importantes da Lei, mas enfatizou: “ [...]
deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas” (grifo acrescentado). O
que Ele ensinou é que se deve cumprir o mais importante da Lei, mas sem omitir
a entrega dos dízimos. Isso é bem claro no evangelho de Jesus.
O dízimo continua necessário para a manutenção da “Casa do Senhor”.
Deus prometeu bênçãos abundantes na parte material e financeira dos seus servos
no Antigo Testamento, quando eles valorizassem seu santuário, quando a “Casa do Senhor” era tão somente um
santuário ou o único Templo em
Jerusalém. No Antigo Testamento, o culto a Deus era praticado tendo como centro de adoração o Tabernáculo no
deserto e, depois, o Templo em
Jerusalém. No Novo Testamento, a adoração a Deus tornou-se descentralizada em termos de lugar. Não existe mais um
lugar único para Deus ser adorado.
Jesus disse à mulher samaritana que Deus seria adorado não mais só em Jerusalém ou em Samaria, mas que “os
verdadeiros adoradores” adorariam a
Deus “em espírito e em verdade” (Jo 4.24). N a Antiga Aliança, só havia um a
estrutura, um santuário. No Novo Testamento, com a expansão centrípeta do evangelho, as igrejas locais
multiplicavam-se nas cidades (At
9.31; 16.5), em princípio nas casas (Rm 16.5; 1 Co 16.19).
Depois, os
crentes passaram a fazer suas reuniões em lugares de adoração (templos) em
todos os lugares do mundo. Assim, é inimaginável a quantidade de casas de
oração, de pequenas congregações ou templos de maior porte. Toda a estrutura
demanda construções e sua necessária manutenção.
O dízimo é necessário para manter o ministério em tempo integral. No
Antigo Pacto, o dízimo servia para a manutenção dos sacerdotes e levitas para
que se dedicassem ao altar em tempo integral. E hoje, os “sacerdotes e os
levitas” são os obreiros em tempo integral nas igrejas locais, ou
seja, os diáconos, presbíteros, evangelistas ou pastores que se dedicam exclusivamente
ao exercício das funções ministeriais: ‘Assim ordenou também o Senhor
aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1 Co 9.14). Para
um obreiro dedicar-se em tempo integral à pregação do evangelho, ele não
pode ocupar-se com outras atividades seculares. Quem é contra essa condição não
valoriza a grandeza e a necessidade da proclamação do evangelho tanto
em termos locais como regionais e transculturais. H á um custo expressivo para
uma igreja que cuida da pregação do evangelho de modo mais efetivo.
O dízimo é necessário para a assistência social. O dízimo servia
para ajudar órfãos e viúvas no AT. Hoje, talvez mais do que nos tempos antigos,
há órfãos, viúvas e pessoas carentes de diversas condições, e a Palavra de Deus
diz que: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os
órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg
1.27). Na mordomia da igreja local, o cuidado com os carentes deve ser
considerado em alta prioridade. Num a igreja local, não se concebe, por menor
que seja, que um crente passe fome, mendigue ou não tenha o mínimo para uma
vida condigna. Diz Paulo: “Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é
necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que
disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35). No Novo
Testamento, pelas conseqüências da divisão das classes sociais, evidenciou-se a
estratificação social. Havia ricos e pobres. A igreja cristã permitiu a
existência de classes sociais pobres e ricas em seu seio, mas houve exortação
para que o tratamento entre “senhores” e “servos” fosse digno diante do Senhor
dos céus (Cl 4.1), e Paulo orientou Timóteo quanto ao relacionamento cristão entre
servos e seus patrões (1 Tm 6.1). Tiago profere uma solene condenação aos ricos
opressores diante da injustiça social: “Eis que o salário dos trabalhadores que
ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos
que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos” (Tg 5.4). Assim, da
mesma forma que no AT, na igreja cristã, há a necessidade de ser dada
assistência aos excluídos da sociedade, notadamente aos órfãos, às viúvas e a
outros que dependem de ajuda social, seja pelo poder público, seja pela igreja
local, e os dízimos também continuam tendo essa nobre finalidade
Bênçãos Decorrentes do Dízimo. A entrega dos dízimos na igreja local
não deve ser encarada como “obrigação”, mas, sim, motivo de gratidão a Deus
pelas bênçãos recebidas. Quem entrega os dízimos valoriza a Casa do Senhor, e
Deus valoriza sua casa. Deus ordena que seu povo traga “todos os dízimos à casa
do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de
mim, diz o S e n h o r dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e
não derram ar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a m aior
abastança” (Ml 3.10). Além disso, faz uma promessa de bênçãos tamanhas sobre a
vida dos dizimistas fiéis: “E, por causa de vós, repreenderei o devorador, para
que não vos consuma o fruto da terra; e a vide no campo não vos será estéril,
diz o S e n h o r dos Exércitos. E todas as nações vos chamarão
bem-aventurados; porque vós sereis um a terra deleitosa, diz o S e n h o r dos
Exércitos” (Ml 3.11,12). Se alguém não quer entregar os dízimos para a
manutenção da Casa do Senhor, certamente, não se habilita a receber essas
grandiosas bênçãos em sua vida.
I V - A MORDOMIA DOS DÍZIMOS E DAS OFERTAS NA
IGREJA LOCAL
Os dízimos e as ofertas nas igrejas locais são recursos
necessários para sua manutenção e cumprimento da missão primordial de sua existência,
que são a evangelização, as missões, o discipulado e a assistência aos
necessitados. Como tais, esses recursos são “consagrados” a Deus. Sua
destinação ou aplicação deve ser feita com grande zelo e probidade.
Como Devem Ser Entregues os Dízimos. Há crentes que resistem à
entrega do dízimo nas igrejas por motivos diversos. Uns não entregam porque
entendem que o dízimo foi somente na época do Antigo Testamento; já outros não
o fazem porque desejam administrar 0 seu dízimo, entregando para pessoas
necessitadas, obreiros, contribuindo com hospitais, etc. Parece haver lógica,
mas essa não é a maneira correta de administrar o dízimo. Devemos guiar-nos
pelo que nos ensina a Palavra de Deus quanto à contribuição para a Casa do
Senhor.
A entrega do dízimo expressa gratidão a Deus . Deus é dono de
tudo: do Universo, do planeta Terra e de todos os seus habitantes: “Do S e n h
o r é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam ” (Sl 24.1).
Todos os homens pertencem a Deus por direito de criação. São criaturas de Deus.
Mas nós, os cristãos, além de criaturas, somos “filhos de Deus” (Jo 1.12).
Nosso espírito e nosso corpo pertencem a Deus; são propriedade dEle (1 Co
6.20). Só podemos ter alguma coisa quando Ele, com sua permissão ou com sua
bênção, concede-nos saúde e oportunidade para trabalharmos ou realizarmos
alguma coisa para nós, nossa família, para a igreja e para a comunidade. N a
realidade, tudo o que ganhamos em essência pertence a Deus. Ele, todavia,
concede-nos o direito de administrarmos com sabedoria e licitude 90% do que
percebemos como remuneração ou ganho, requerendo de nós apenas 10% para a sua
obra e para a manutenção de sua Casa. Assim, antes de ser um peso, um a
obrigação, dar o dízimo é um ato de profunda gratidão a Deus. Em sua sabedoria
divina, Deus quis usar o percentual, e não o valor aleatório de cada
contribuição. Dessa forma, tanto faz o dízimo do patrão como o do empregado; do
empresário como o do funcionário; do governante como o do governado; do homem
rico como o da viúva pobre. O dízimo nivela todos em termos de contribuição
para a obra do Senhor, pois é proporcional à renda de cada um. Não há uma
imposição clara no Novo Testamento, mas há um ensino precioso sobre como
devemos contribuir para a igreja do Senhor (2 Co 9.6,7). Essa exortação
aplica-se ao dizimista e ao ofertante grato e fiel a Deus. Ser generoso com
suas contribuições é dar sua cooperação financeira com alegria. Nenhuma igreja,
porém, deve barganhar as contribuições, prometendo bênçãos em troca de dízimos
ou ofertas.
O dízimo deve ser dado do bruto . E bom lembrar-nos de que o dízimo
deve ser dado do bruto da renda, e não do líquido; deve ser das “primícias da
renda” (ver Pv 3.9,10). A renda de um a pessoa não é o “líquido” ou o que sobra
depois de pagar prestações, seguro, plano de saúde, água, luz, telefone, gás,
escola, etc. Só se pagam esses itens porque há um a “renda”. Jacó prometeu dar
a Deus o dízimo de tudo se fosse bem-succdido em sua atribulada jornada, quando
fugia de casa ameaçado por seu irmão. “[...] e, de tudo quanto me deres,
certamente te darei o dízimo” (Gn 28.22 - grifo acrescentado). Sabendo que a
“Casa de Deus” tem necessidades materiais que demandam manutenção, o crente
agradecido tem prazer em contribuir para esse fim. Sabendo que, quando cuidamos
da Casa de Deus, Ele cuida de nossa casa. Nós cuidamos com limitações e falhas;
Deus, porém, cuida de nós e de nossa casa de maneira perfeita e divina.
Os dízimos devem ser levados “à casa do tesouro . No Tempio, em
Jerusalém, entre as suas dependências, havia “a casa do tesouro”, o lugar onde
eram recolhidas e guardadas as contribuições para a Casa do Senhor. Como não
havia a moeda metálica, ou o papel moeda, a princípio os israelitas recolhiam
os dízimos (ou dízimas) dos produtos agrícolas, ou da pecuária, das atividades
de sua produção doméstica. “E que as primícias da nossa massa, e as nossas
ofertas alçadas, e o fruto de toda árvore, e o mosto, e o azeite traríamos aos
sacerdotes, às câmaras da Casa do nosso Deus; e os dízimos da nossa terra aos
levitas; e que os levitas pagariam os dízimos em todas as cidades da nossa
lavoura” (Ne 10.37; 38,39). Com a evolução dos meios de troca, surgiram as
moedas de metal, que foram sendo substituídas pelo papel-moeda, que é de mais
fácil manuseio por sua praticidade, como meio de troca legal, com garantia das
autoridades monetárias. Desse modo, o crente em Jesus nos tempos atuais deve
ter o cuidado de ser um contribuinte fiel com os dízimos de sua renda. Ele deve
ter consciência de que, na doutrina do dízimo, tanto no Antigo quanto no Novo
Testamento, não é concedido o direito ao crente de “administrar” o dízimo, que,
por sua natureza, não é dele, mas “do Senhor”.
A Bíblia não
diz ao crente: “Aplicai o dízimo onde houver mais necessidade” ou “administrai
o dízimo do Senhor”, mas diz: “Trazei o dízimo à casa do tesouro”, ou seja, à
tesouraria, por meio da entrega na igreja local. E errado o crente administrar
o dízimo repartindo-o com hospitais, creches ou pessoas carentes. Deus disse:
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha
casa [...]” (Ml 3.10a). Cabe à igreja a correta administração dos dízimos. Esse
é um princípio bíblico.
Se os obreiros
ou os membros das igrejas não utilizarem bem os dízimos, responderão perante o
Senhor. O crente fiel, no entanto, deve cumprir sua parte, entregando os
dízimos. Dez por cento de nossa renda é destinada à obra do Senhor. Noventa por
cento do que sobra fica para que sejam administrados pelo crente fiel com
gastos lícitos, honestos e que glorifiquem a Deus. Na verdade, tudo é dEle.
Somos apenas seus mordomos. Um dia, prestaremos contas do que Ele confiou a
nós, seus mordomos. A entrega dos dízimos é uma das formas mais concretas da
fidelidade do crente, de forma objetiva e evidente.
O Dízimo de Empresários. Alguns comerciantes e empresários têm dificuldade
em definir quanto e como pagar seu dízimo, ou seja, se é do lucro da empresa,
se é do faturamento, etc. Damos, porém, a seguinte orientação:
O dízimo deve ser com base na renda . Faturamento não é renda, pois
inclui os custos e o lucro; o faturamento é da empresa, e não do empresário. O
lucro é o excedente sobre o custo, que permite o reinvestimento nos negócios
através do Capital de Giro. O empresário cristão deve pagar o dízimo de “sua
renda”, que pode ser de Pró-Labore ou do que é mais comum, da retirada que ele
utiliza para sua manutenção e de sua família. Exemplo: um empresário retira R$
1.000,00 (mil reais) por semana para alimentação, água, luz, telefone,
mensalidade escolar dos filhos, despesa com o veículo, combustível, etc. O que
ele retira é sua renda. E desse montante que deve pagar o dízimo. Se sua
retirada é de R$ 4 .000,00 , seu dízimo é de R$400,00 (quatrocentos reais), e
assim por diante. Por isso, o empresário deve anotar numa planilha no computador
ou mesmo num caderno, quanto ele retira da empresa para sua manutenção:
semanal, diário, quinzenal, etc. Do que ele retirar, já pode ir separando o
dízimo — é melhor que deixar para pagar todo o dízimo no final do mês. Assim
como o que ganha salário, o dízimo do empresário deve ser do bruto de sua renda
ou retirada (ver Pv 3.9,10), e não do líquido. Ele não deve descontar nada da empresa.
Não se paga o dízimo da empresa, e sim da renda pessoal bruta. Exceto se
entender que deve contribuir com a renda da empresa.
CONCLUSÃO
Dar o dízimo não deve ser visto como um a “obrigação”, mas
como um privilégio, como gratidão a Deus, que nos concede tudo o que
precisamos: a vida, a salvação, a paz, a saúde, a segurança, a família, os
amigos, os irmãos de fé, as oportunidades, a vitória nas lutas. Tudo vem dEle,
por Ele e para Ele. Assim, o cristão sincero entrega seu dízimo com satisfação,
como forma de dar sua contribuição ao crescimento do Reino de Deus e a manutenção
de sua Casa.
TEMPO, BENS
E TALENTOS
Estudo Bíblico Finanças e a Harmonia da Família
“Porque o
amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram
da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Timóteo 6:10).
Lembro-me
certa vez quando estava eu conversando com o querido pastor Ubiratan Araújo (à
época ainda na Comunidade Cristã Paz e Vida, em Recife) sobre os maiores
perigos que podem levar a destruição espiritual de um homem de DEUS. E ele me
destacou dois: o dinheiro e a prostituição. De fato, são esses dois elementos
que têm afastado muitos da gloriosa presença do PAI celestial e sido a causa da
dissensão de muitas famílias no Brasil e no mundo. Escândalos se sucedem a cada
dia, o nome de DEUS é blasfemado nos continentes; líderes, famílias, maridos,
esposas, filhos, cristãos de toda espécie sendo tragados pelo diabo porque
fizeram do dinheiro o seu deus.
Por que o
dinheiro é a raiz de todos os males na vida de muitos? A resposta é simples:
porque ele realiza imediatamente os sonhos de consumo do homem, seus desejos
materiais. Em lado oposto, DEUS supre, a seu tempo, não apenas as necessidades
espirituais do homem como também as materiais, aquilo que o homem precisa para
viver no dia-a-dia. Destaco: a seu tempo. Muitos preferem a auto-realização
imediata a se colocar debaixo da vontade de DEUS. Nosso Pai também pode usar a
falta do dinheiro, a dificuldade financeira, para aperfeiçoar e amadurecer a
vida do casal. É preciso que venham os dias difíceis para ficarmos mais e mais
na dependência do nosso DEUS. Infelizmente muitos não enxergam a dádiva de
estar no deserto sem pão e sem água, mas na presença de DEUS. Meu amigo e
irmão, pastor Kleiber, está abrindo mão de um confortável apartamento em
Brasília para viver numa casinha na Cidade Estrutural, denominada por muitos de
favela.
Foi lá que
DEUS o instituiu líder daquelas ovelhas humildes e é lá que DEUS os abençoa.
Kleiber me ensina afirmando: “o melhor lugar é onde DEUS quer que estejamos”.
Não importa se seremos ricos ou pobres materialmente; se teremos conforto ou
não, o melhor é recebermos de DEUS todas as bênçãos que nos tornarão ricos para
o Seu reino. Observe o que nos alerta a Bíblia: “melhor é o pouco, com o temor
do Senhor, do que um grande tesouro, com a inquietação” (Provérbios 15:16).
Quando JESUS proclamou “bem-aventurados os pobres pelo espírito, porque deles é
o reino dos céus” (Mateus 5:3) não estava fazendo apologia alguma à
miserabilidade dos seus discípulos. Antes, estava advertindo para que todos
vivessem libertos dos bens terrenos, pela livre e espontânea escolha
espiritual. Essa libertação da escravidão material pressupõe uma grande
experiência e iluminação interna. Em outras palavras, quem não encontrou o
“tesouro oculto” e a “pérola preciosa” do reino de DEUS não pode abandonar os
pseudotesouros e as pérolas falsas dos bens da terra. A libertação do amor ao
dinheiro só é possível mediante transformação espiritual realizada por JESUS.
Não é por força humana.
Em um outro
estudo destaquei a seguinte experiência: conheci um certo milionário, que vivia
com todo conforto, fruto do seu trabalho honesto ao longo da vida, mas que era
liberto de todas as riquezas que possuía. Toda a riqueza que ele tinha era
fruto das bênçãos de DEUS a partir de sua integridade de caráter. Este homem
tinha a consciência tranqüila e a alma em paz para abençoar a Casa de DEUS
através dos dízimos e das ofertas; e por isso também abençoava a vida de muitos
necessitados. Conheci também um mendigo no momento de evangelismo de madrugada
pelas avenidas de Olinda. Vivia na miséria absoluta. Comia do lixo e dormia ao
relento. Sonhava que um dia poderia conquistar todas as riquezas e ter tudo o
que o milionário possuía. Seu maior problema não era a sua condição social e
humana. Percebi depois de algum tempo que aquele mendigo era escravo dos sonhos
dos bens materiais que não possuía. Na pobreza material absoluta não aprendeu a
comprar ouro fino de JESUS. Se rico fosse, certamente estaria numa condição
muito pior do que aquela que se encontrava.
Você se
lembra da reação do homem rico materialmente quando solicitado por JESUS a
vender tudo o que tinha e repartir com os pobres? “Mas, ouvindo ele isto,
encheu-se de tristeza, porque era muito rico. Vendo Jesus que ele ficara muito
triste, disse: quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas”
(Mateus 18:23-24). Agora compare-a com a reação de Jó quando DEUS permitiu que
satanás lhe enchesse de chagas, tirasse a vida de seus filhos e consumisse toda
a sua riqueza: “Nú saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor
o deu e o Senhor o tomou. Bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21). Ambos eram
ricos materialmente, porém apenas um era pobre pelo espírito e por isso a este
estava garantida uma riqueza maior no reino de DEUS. Concluímos que ser rico
não é pecado nem a pobreza material é virtude alguma. A questão não é ser rico
nem ser pobre: é como vivemos com a condição social que possuímos, se presos ou
libertos dela.
DEUS
transforma dinheiro em bênçãos materiais na vida dos que são libertos
interiormente. É preciso saber administrar, gastar apenas o necessário e
principalmente ajudar os necessitados da Casa do Senhor JESUS. Na família, não
deve haver a separação: salário da esposa e salário do marido, nem as
diferenças salariais devem interferir. Se são uma só carne devem também ser um
só salário. O que a esposa recebe é do marido e o que o marido recebe é da
esposa. Ambos deixaram de ser dois e agora são um em tudo. É a matemática
maravilhosa de DEUS: um mais um é igual a um, em CRISTO JESUS. Quanto as
dificuldades financeiras, saiba o casal: elas existem também para aperfeiçoar a
vida conjugal e provar o amor de ambos. Se aprovados nessas duas
circunstâncias, DEUS dará o escape para a solução de todos os problemas. Tenho
vivido com a minha esposa essa experiência em minha vida de casado. Estamos
unidos, firmes, em oração, e com muita dificuldade. Mas estamos crentes que
DEUS está no controle de tudo e que ao seu tempo nos dará todo o escape. Temos
aproveitado esses momentos de dificuldade para nos conhecermos mais e estarmos
mais unidos em oração. E assim temos vivenciado a experiência de sermos mais
preciosos, aos olhos de DEUS, que as aves do céu; olhando para elas, que não
trabalham, não plantam, não colhem, não entoam cânticos de louvores a DEUS,
porém o Nosso PAI as alimenta e não deixa nada faltar. Somos muitos mais que as
aves, somos ovelhas do Seu pasto celestial e alimentados de Suas eternas
promessas...
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Autor: Fernando César Timóteo Alves |
Divulgação: estudosgospel.Com.BR

10. Toda a tua Família Contribui e Paga o Dízimo?
"E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem;
ali, porém,
aquele de quem se testifica que vive."
Hebreus 7.8
Certo fazendeiro cavou um poço do qual retirou água durante muitos anos para dar de beber a seus animais. Mas, chegando a seca, faltou-lhe a água e foi necessário levar os rebanhos, com grande sacrifício, até o rio. Passando por ali um viajante, perguntou-lhe: - Por que não experimenta aprofundar o poço? - Não posso fazê-lo sem perfurar a pederneira. Porém o viajante insistiu com o fazendeiro e disse-lhe que, apesar de ser a pedra tão dura, com dinamite poder-se-ia descobrir um veio d'água maior do que os que já vira. O fazendeiro animou-se a experimentar. Com a explosão, abriu-se um veio d'água que borbulhava à flor da terra. Foi como uma mina de ouro na fazenda. Muitos crentes estão a enfrentar a sequidão espiritual. Cavam até à pederneira. Têm certeza de que há um manancial de gozo e vida pronto a jorrar logo que o obstáculo for retirado.
Mas, será que teremos a coragem que teve o fazendeiro de colocar a dinamite na pederneira e acender o rastilho?
Os que o têm experimentado podem testificar que não há coisa que nos leve a maior profundidade espiritual do que pagar o dízimo. Mas temos de fazê-lo fiel e liberalmente. Todos quantos abandonam esta experiência, encontram a fonte da graça entupida. E, não são poucos os que esfriam na fé. A primeira menção do dízimo acha-se no capítulo 14 de Gênesis, onde se conta a história de como Abraão deu a décima parte dos despojos a Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo. Isso foi antes da lei mosaica. Mais de trezentos anos antes de Deus dar a lei a Israel no monte Sinai, Jacó fez este voto ao Senhor: "De tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo" (Gn 28.22). Jacó fez esse voto quando se encontrava desamparado e sem dinheiro. Apesar de passar por grande perigo e muita incerteza, cumpriu-o. E o Senhor o abençoou, fazendo-o voltar em paz à casa do seu pai, com grandes possessões. Há exemplos inumeráveis de crentes sem recursos que, como Jacó, fizeram o mesmo voto ao Senhor. E, passadas as provas, mostraram ao mundo como Deus abençoa o seu povo quando este contribui para o crescimento de sua obra. Todos conhecem a marca do creme dental Colgate.
Guilherme Colgate, com dezesseis anos de idade, saiu da casa de seu pai porque faltava o pão para a família. Na estrada, encontrou-se com um velho conhecido que, de joelhos, orou com ele e disse: 'Alguém será, brevemente, o principal fabricante de sabão em Nova York. Espero que sejas tu. Sê um homem prudente; dá teu coração a Cristo; entrega-lhe de cada dólar que receberes a parte que lhe pertence; faz um sabão honesto; no peso dá uma libra inteira e sei que te tomaras próspero e rico". Entrou na grande cidade de Nova York levando consigo tudo que possuía embrulhado numa toalha. Foi com grandes dificuldades que Guilherme encontrou emprego. Com saudades de casa e lembrando-se das palavras da mãe e do velho conhecido que lhe aconselharam a buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça, uniu-se à Igreja de Cristo. Do primeiro dinheiro que recebeu deu a décima parte ao Senhor. Não muito tempo depois de achar esse emprego tornou-se sócio do patrão.
Depois de alguns anos, o sócio morreu, e Guilherme Colgate ficou como único proprietário da fábrica. Imediatamente ordenou que o seu guarda-livros abrisse conta corrente para o Senhor, e que lançasse nessa conta, a décima parte de todos os lucros. Guilherme Colgate prosperava; seus negócios cresciam. Sua família foi abençoada. O sabão que fabricava tinha a maior aceitação e por isso enriqueceu como jamais pensara. Começou, então, a dar ao Senhor dois décimos, e prosperou ainda mais. Passou depois a dar três décimos, depois um quarto, e em seguida cinco décimos. Educou sua família, completou todos os planos da sua vida e depois deu todo o lucro ao Senhor. É claro que a ação de pagar o dízimo não foi anulada com a lei de Moisés. No capítulo 7 de Hebreus, vê-se que o sacerdócio de Melquisedeque, o "Rei de Paz", ainda continua, e que Cristo prossegue a receber dízimos em nossa época (Hb 7.8). O dízimo pertence ao Senhor. O inquilino que paga o aluguel duma casa não está dando ao proprietário um presente. Está, apenas, pagando uma dívida, e quando pagamos o dízimo, não fazemos mais do que pagar a parte que o dono de todas as coisas reserva para si. "Todos os dízimos da terra, ou sejam da semente da terra, ou seja das frutas das árvores, pertencem a Jeová: santos são a Jeová" (Lv 27.30). Deus é o proprietário, nós os inquilinos e não devemos, portanto, falhar em pagar o "aluguel" que é a décima parte de nosso salário. Lemos ainda no mesmo lugar:
"Se alguém quiser remir uma parte dos seus dízimos, ajuntarlhe-á uma quinta parte" (Lv 27.31). Isto é: se lançarmos mão da parte que pertence a Deus, no dízimo, devemos devolvê-la à tesouraria do Senhor, acrescentando-lhe a quinta parte. O dízimo é para o sustento daqueles que trabalham no ministério da Palavra. Em Números 18.24, lemos que os dízimos eram para o sustento dos levitas. Como estes não tinham herança como as outras tribos, era-lhes facultado receber o sustento dos seus irmãos. Este é o tipo dos que são chamados hoje por Deus, e santificados pelo Espírito Santo, a pregar o Evangelho. Vendo-se eles sem recursos e sem emprego, o Senhor Deus ordena acerca deles: "Os que proclamam o Evangelho, que vivam do Evangelho" (1 Co 9.14). Os que não pagam o dízimo estão roubando a Deus. Depois de Ele perguntar através do profeta: "Acaso roubará o homem a Deus?" acrescenta: "Contudo vós me roubais... nos dízimos e nas ofertas" (Ml 3.8). Não há governo que não exija a punição dos que sonegam os impostos. Mas será menor crime roubar a Deus do que ao próximo? Na vinda do Senhor, aqueles que não observam a mordomia cristã ficarão envergonhados ao constatarem que, com os seus dízimos e ofertas, poder-se-ia ganhar outros milhões de almas para Cristo. O não pagamento dos dízimos acarreta terríveis conseqüências para o Reino de Deus.
Há muitos ministros passando necessidades; o progresso de não poucas igrejas acha-se comprometido. A exortação do profeta continua a ser: "Trazei o dízimo todo à casa do tesouro para que haja mantimento na minha casa" (Ml 3.10-12). Não se pode empregar os dízimos para sustentar obras de caridade, ou enviá-lo para um determinado obreiro em particular. O que paga o dízimo não está dando de seu próprio dinheiro, mas do que pertence ao Senhor, por isto ordena a Palavra de Deus: "Trazei o dízimo todo à casa do Senhor" (Ml 3.10). O Senhor quer que o dízimo todo seja entregue na sua casa. Compare Deuteronômio 12.11. Como acontece em todos os mandamentos, a ordenança acerca dos dízimos faz-se acompanhar de promessas: "Trazei o dízimo todo à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se não vos abrir eu as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção até que não haja mais lugar para a recolherdes. Por amor de vós reprovarei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide perderá no campo o seu fruto antes de tempo, diz o Senhor dos Exércitos. Todas as nações vos chamarão ditosos; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz Jeová dos Exércitos" (Ml 3.1012).
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O que rouba a Deus nos dízimos, torna-se pobre material e espiritualmente. Como o Senhor poderá abençoar ao que o defrauda? Os pregadores de maior fé já provaram que o melhor conselho a dar àqueles que não pagam suas dívidas é que comecem a pagar ao Senhor o décimo do pouco que recebem. Deus não pode falhar na sua promessa: "Um dá liberalmente, e se lhe acrescenta mais e mais; outro poupa mais do que é justo, mas se empobrece" (Pv 11.24). O filho de Deus que começa apagar o dízimo fica surpreso, pelo menos com seis coisas: 1) Como tem tanto dinheiro para a obra do Senhor! 2) Como os nove décimos, com a bênção de Deus, compram mais que os dez sem esta bênção! 3) Como a vida espiritual torna-se mais abundante! 4) Como é fácil depois de pagar o dízimo ter com o que contribuir ainda mais com a Obra de Deus! 5) Como é concedida sabedoria ao administrador fiel para gerir os nove décimos que ficam em suas mãos! E ficará surpreendido porque não resolvera mais cedo a ser dizimista.
"Acaso é tempo de habitardes vós nas vossas casas forradas, enquanto esta casa fica desolada? Agora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos. Tendes semeado muito, e recolhido pouco; comeis, porém, não vos fartais; bebeis, porém, não vos saciais; vesti-vos, mas ninguém fica quente; e quem recebe salário, recebe-o para o meter num saco furado" (Ag 1.4-6). Como é triste morar em boa casa, quando se sabe que a casa de Deus está em ruínas! E como é lastimoso semear muito sem nada ceifar; comer sem se fartar, beber sem se saciar, vestir-se sem ficar quente e receber salário só paia pô-lo em saco furado. E tudo isto tem aplicação tanto material como espiritualmente. Os magos do oriente seguiram o pequeno clarão da estrela, por muitos dias. Quando, por fim, contemplaram a Luz verdadeira, movidos de profunda gratidão, abriram seus cofres e ofertaram o melhor que tinham. O que deram não era o dízimo, mas ofertas mais que liberais, provando que reconheciam as beneficências que recebiam de Deus. Podemos nós aceitar a vida eterna das mãos feridas de Cristo sem lhe ofertar mais que os poucos centavos de troco que se encontram no bolso, depois de gastarmos quase tudo para nós mesmos? Um homem de grandes recursos voltava do cais depois de presenciar a saída de um navio. Lá, encontrou-se com um conhecido que lhe disse: - Pareces-me muito alegre. - Sim, estou alegre. Naquele navio tenho uma elevadíssima soma em material e aparelhos necessários para levantar um hospital para os pobres na China. Como é glorioso! Sinto-me muito feliz em saber de tão grande contribuição. Tenho, também, uma oferta no navio. A minha única filha está a bordo; viaja para a China, onde dedicará sua vida como missionária. O rico, comovido, olhou para seu amigo e exclamou: "Meu irmão, acho que não estou dando nada em comparação com o teu sacrifício!" Além de investirmos na educação e no futuro de nossos filhos, precisamos levá-los a se dedicarem completamente ao Reino de Deus. Caso contrário, jamais serão bem sucedidos; não pode haver sucesso, onde o Reino de Deus e a sua justiça não são colocados em primeiro lugar. Por que para alguns crentes torna-se tão difícil vencer a carne e contribuir à obra de Deus? Tomemos, pois, o exemplo das igrejas da Macedônia: "Eles não só fizeram como esperávamos, mas deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor" (2 Co 8.5).
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Certa vez um valente soldado, que perdera a perna em defesa da pátria, foi apresentado a um grande auditório. O herói foi recebido com grandes aplausos. Quando se fez silêncio, declarou: "Não, isto é um erro! Eu não perdi perna, nem coisa alguma, na guerra. Entregamos tudo o que tínhamos à pátria; o que nos restou é lucro". Que pensas tu, soldado cristão?
Orlando Boyer


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