Solus
Christus: A Supremacia de Cristo
Por Thomas
Magnum
"Dando
graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no
reino da luz. Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou
para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão
dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação,
pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as
invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas
foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo
subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o
primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia".
Colossenses
1:12-18
Introdução
Somente o ato de ler o texto de
Colossenses 1.12-18 já eleva os verdadeiros cristãos ao louvor e a adoração ao
Cordeiro de Deus. Jesus é exaltado em sua sublimidade em sua majestade em sua
glória. Ao falarmos da supremacia e dizermos que Cristo é supremo, não estamos
apenas dizendo que Ele foi melhor que outros líderes religiosos. Não estamos
dizendo apenas que ele foi moralmente superior aos homens mais idôneos que essa
terra já teve, não estamos dizendo que ele foi o que teve mais sabedoria de
todos dos sábios. Ao conclamarmos a supremacia de Cristo, estamos evocando sua
majestade, sua soberania, sua glória, seu domínio, seu reino.
Estamos dizendo que Ele – A verdade,
o caminho, a vida, o pão, a porta, a luz, o verbo, a água, a ressurreição, a sabedoria,
o príncipe da paz o pai da eternidade, o maravilhoso conselheiro, o cordeiro de
Deus, o Eu Sou, o alfa e o ômega, o principio e o fim é detentor de todo poder
e como disse o apóstolo, o único digno de abrir o livro e desatar os sete
selos. Estamos louvando aquele que é o cordeiro que foi morto antes da fundação
do mundo, aquele que é nosso cordeiro pascal como disse Paulo em I Coríntios
5.7.
A supremacia
de Cristo fala de sua égide real, fala de seus ofícios de Sacerdote, profeta e
rei. Fala dos seus méritos na cruz do calvário, por quem nós fomos salvos e
enxertados na videira. Por quem a parede da separação foi derrubada, por quem o
documento que era contra nós foi anulado, aquele que nos fez mais que
vencedores pelo seu amor. Não estamos falando do Jesus dos quadros, não estamos
falando do Jesus dos filmes, não estamos falando do Jesus das músicas profanas,
não estamos falando do Jesus dos teatros. Ao falarmos do supremo filho de Deus,
estamos falando daquele que se humilhou, daquele que se tornou homem, daquele
que como disse Calvino: Cristo ao fazer-se filho do homem junto conosco, nos
fez filhos de Deus junto consigo. (Calvino – Institutas IV.17.2) Estamos falando daquele que tem o
domínio sobre tudo e sobre todos, estamos falando daquele que dirige e governa
a história, estamos falando daquele que criou todas as coisas, que sem ele nada
do que foi feito se fez. Esse mesmo, Cristo glorioso “nasceu por nós, viveu por
nós, sofreu por nós, morreu por nós e ressuscitou por nós” (Institutas
IV.17.5).
Rendendo
graças a Deus Pai (v.12)
O
versículo nos orienta a rendermos graças ao Pai primeiramente porque ele é o
grande agente da nossa salvação, sua graça manifestada através de seu Filho
Jesus é a causa última de termos sido transformados por seu imenso amor salvífico.
Temos a
compreensão dessa convocação a ações de graças no início do versículo 12 na
parte b do mesmo e no versículo 13. Devemos ser gratos pela – Herança da vida
eterna e por temos sido transportados do reino das trevas para o reino de seu
filho amado.
“A herança
dos santos significa, a herança dos crentes redimidos, isto é, daqueles que,
tendo-se retirados das trevas e tendo sido trazidos à luz, são consagrados a
Deus”. [i]
“Essa
herança dos Santos é ao mesmo tempo herança na luz. Essa luz é o conhecimento
da glória de Deus na face de Cristo (2 Co 4.16), é o amor de Deus derramado
pelo Espírito em nosso coração (Rm 5.5); a paz de Deus que excede todo
entendimento (Fp 4.7); a alegria indizível e cheia de glória (1 Pe 1.8)”.[ii]
A intensão
de Paulo ao exortar os crentes em Colossos a serem gratos a Deus era a
centralidade de Cristo na vida comunitária da igreja e na vida de cada crente
individualmente como disse Calvino ao comentar o versículo 12:
“Pois
somente Cristo faz com que as demais coisas desvaneçam subitamente . Daí não há
nada que Satanás se esforce mais em fazer do que provocar nevoeiros a vista de
obscurecer Cristo, porque ele sabe que por esse meio se abre uma via de acesso
a todo gênero de falsidade, portanto esse é o único meio tanto de reter como de
restaurar, a doutrina pura – colocar Cristo diante dos olhos como ele é com
todas as suas bênçãos, para que sua excelência seja realmente percebida.”[iii]
Calvino nos
diz ainda em seu comentário aos Colossenses que se deve atentar para as cores que
Paulo pinta Cristo nesse texto, a beleza das verdades sobre a supremacia de
Cristo são evidenciadas como aponta Calvino “Cristo é o começo o meio e o fim –
que é nele que todas as coisas devem ser buscadas – que nada é nem pode se
encontrado fora dele.” [iv]
A gratidão
que Paulo nos exorta a ter por tudo que Deus fez por nós nos leva a entender
que:
Gratidão é
votar os olhos para o passado e com esperança direcionar os olhos para o
futuro. Nossa vida deve ser um eterno hino de gratidão a Deus, por aquilo que
Ele fez, faz e fará por nós.[v]
A Supremacia
de Cristo na Obra da Redenção (1.13,14)
No trecho
que estamos examinando temos a referência histórica que havia um ataque de
hereges a igreja e principalmente a obra da redenção e da criação. Os gnósticos
afirmavam que a matéria era essencialmente má, algo que era uma herança do
platonismo que afirmava que o mundo perfeito era a dimensão das ideias a
matéria era inferior ao mundo espiritual. Ao afirmarem isso os hereges diziam
que Cristo não tinha encarnado e invalidavam automaticamente a obra criadora de
Deus e a obra redentora de Cristo.
No versículo
13 temos algumas lições importantes ensinadas pelo apóstolo
1. Existe um
império um reino das trevas em que os homens sem Cristo são escravos,
prisioneiros, e esse reino está sob a égide de Satanás. 2. O homem por si mesmo
não pode libertar-se desse reino de trevas, por sua vontade nunca sairá, pois
está sob o domínio de um reino. 3. Somente Cristo liberta o homem desse reino
de trevas e maldade, somente Cristo nos transporta para seu Reino.
Estávamos
imersos em trevas, sem perspectiva, sem direção, “pois onde quer que sua graça
não esteja, aí só existem trevas.”[vi]
Ao chegarmos
ao versículo 14 destacamos três pontos sobre a nossa redenção em Cristo
1. Deus nos redimiu
como povo seu, propriedade exclusiva dele para louvor da sua glória. 2. Deus
pagou um alto preço pela nossa redenção, nos diz a Escritura em Atos 20.28 que
ele comprou a igreja com seu próprio sangue. 3. Deus não pagou esse preço a
Satanás, mas, a si próprio.
Fomos
perdoados em seu filho, somente o Deus encarnado poderia realizar a
reconciliação da humanidade caída com ele mesmo, somente Deus tomando a
fraqueza humana poderia levar-nos a ele novamente, somente o sangue do próprio
Deus em Jesus Cristo poderia pagar o preço da nossa libertação, da nossa
redenção. Os sacrifícios de animais eram imperfeitos como nos diz o escritor
aos Hebreus, mas, o sacrifício de Jesus pagou o preço, um sacrifício sangrento,
perfeito, imutável.
A Supremacia
de Cristo na Obra da Criação (1.15-17)
Ao chegarmos
a esse ponto de nosso texto considero importante notarmos que a doutrina da
criação tem sido atacada desde tempos remotos. A tese de que Cristo não havia
criado o mundo permeava a igreja de Colossos com os ensinos dos gnósticos.
Invalidar a doutrina da criação é minar todo o evangelho, é tentar destruir
toda a revelação de Deus na Escritura, é manifestação de um pensamento liberal
que tenta conciliar o Darwinismo com as Escrituras e todas as vezes que se
tenta somar algo as Escrituras as mesmas saem perdendo. O ataque a doutrina da
criação não começou com Darwin, mas, já havia no mundo antigo a ideia que não
havia um criador eterno, uma causa última e incausada. No versículo 18 lemos
que Jesus é o princípio é o arché, dele procede a criação,
ele é o
causador e a finalidade da criação. Por ele o mundo subsiste, por ele a criação
foi criada e é sustentada chamamos isso de imanência, por ele somos salvos e
seremos ressuscitados por ele ser o principio e o primogênito dentre os mortos.
Voltemos ao
texto propriamente.
Ele é a
imagem do Deus invisível (v.15)
Calvino ao
comentar esse versículo nos diz que Jesus faz de certa forma Deus visível a
nós.[vii] Ao lidarmos com o que a palavra empregada para imagem quer dizer aqui
temos um sentido amplo e teologicamente firme da intensão de Paulo no uso da
palavra imagem. Dr. John MacArthur nos diz:
A Palavra
grega para imagem é eikón, de onde deriva a palavra ícone em português.
Significa cópia ou semelhança. Jesus Cristo é a imagem perfeita – a semelhança
exata – de Deus e subsiste na forma genuína de Deus (Fp 2.6; Jo 1.14; 14.9), e
tem sido assim desde toda a eternidade. Ao descrever Jesus dessa maneira, Paulo
enfatiza que ele é tanto a representação como a manifestação de Deus. Portanto
ele é plenamente Deus em todos os sentidos. [viii]
Ao
esclarecer o texto de Paulo aqui temos uma referência paralela em Hebreus 1.3:
Ele que é o
resplendor da sua glória, e a expressão exata do seu Ser, e sustentando todas
as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação
dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;
O escritor
aos Hebreus ao usar o termo a expressão exata do seu Ser nos desperta um ponto
interessante. O termo só é usado aqui em todo o Novo Testamento, na literatura
antiga o termo era usado como referência a um entalhe em madeira, uma gravação
em metal, uma marca na pele de animal, uma impressão em barro e uma imagem
estampada em moeda. “Ser” é uma palavra que expressa natureza, pessoa ou
essência. O filho é a impressão perfeita, a representação exata da natureza e
da essência de Deus no tempo e no espaço. [ix]
O Primogênito
de toda criação
Nos nossos
dias as Testemunhas de Jeová que são herdeiras do arianismo que negava a
divindade de Cristo tentam se valer dessa expressão para dizer que Jesus é uma
criatura de Deus, que Jesus não é o Deus todo-poderoso, afirmando que o termo
primogênito tem apenas um sentido que é o primeiro gerado. No entanto nos
tempos bíblicos o termo primogênito como também usado em Hebreus 1.6 e Romanos
8.29 se referem aquele que possuía a herança do Pai. O herdeiro. O termo
primogênito aqui significa aquele que está na mais alta posição, a exemplo
disso tanto na cultura judaica como na grega o primogênito era aquele que
recebia a herança em maior parte, dobradamente. Não necessariamente o
primogênito teria que ser sempre o primeiro, vemos o caso bíblico de Esaú que
vendeu sua primogenitura a seu irmão Jacó. Em passagens como Êxodo 4.22; Jr
31.9, vemos que Israel era a nação preeminente mesmo sem ter sido a primeira a
nascer.
Todas as
coisas foram criadas para Ele
No versículo
17 lemos que para ele todas as coisas foram criadas, nele tudo se sustenta, ele
é o criador e mantenedor de sua obra criadora, aqui o deísmo é minado pela
Palavra de Deus, Deus não é apenas transcendente a sua criação, mas, também
imanente. Como nos diz ainda o versículo 16 que ele criou tudo que é visível e
invisível. O Deus trino é evocado no pensamento paulino veja que em Romanos
11.33-36, Paulo atribui a finalidade da criação ao Deus eterno, porque dele,
por Ele e para Ele são todas as coisas. Aqui lemos que Deus criou o mundo através
de se Filho amado e criou não só por meio dele, mas, para Ele. Diz o texto em
Cristo tudo subsiste i.e. Lit. “manter unido”, Cristo sustenta o universo,
mantendo o poder e o equilíbrio de todas as coisas.
A Supremacia
de Cristo na Igreja (1.18)
Cristo o
cabeça do corpo
Talvez fosse
desnecessário falar da supremacia de Cristo na igreja depois de ter falado de
sua supremacia na redenção, mas, considero importante para um claro
entendimento do trecho que estamos considerando o texto sagrado nos diz que Cristo
é o Cabeça do Corpo, da igreja. Ainda nos diz que Ele é o primogênito dentre os
mortos para ter a supremacia. A metáfora usada por Paulo para igreja como corpo
já é bem conhecida, no entanto vale ressaltarmos aqui que o corpo é dirigido
pelo cérebro, sem a cabeça o corpo não é nada, não faz nada, não
pode nada.
Sem os comandos cerebrais o corpo é invalido, sem mobilidade, sem expressão.
Todo movimento do corpo vem de comandos do cérebro, da mesma forma Cristo
controla todas as partes da igreja, ele é o cabeça, dele provem a vida do
corpo, a expressão do corpo, a vitalidade e alegria do corpo, Cristo é supremo
sobre o corpo que é a igreja.
O Principio
Cristo é
mostrado também por Paulo como o principio. Na epístola aos Efésios Paulo nos
diz que a igreja tem origem em Cristo (Ef 1.4). Nesse trecho do versículo 18
mostra Cristo como a fonte e como o preeminente.
O
Primogênito dentre os mortos
Jesus foi o
primeiro a ressuscitar, provendo para nós também a ressurreição. Pois em suas
palavras Ele é a ressurreição e a vida. Em ordem cronológica ele foi o primeiro
(Jo 5.28,29). No que se refere à vida eterna.
Aplicação
O texto que
meditamos nos leva a edificantes aplicações em nossa vida cristã. Primeiro,
devemos crer e compreender que Cristo é supremo, soberano e é Deus. Segundo,
Cristo é suficiente para nossa vida, sua vida em nós é o que de mais precioso
temos. Terceiro, a criação é dele, ele tudo criou, por ele e para ele são todas
as coisas, por tudo isso devemos viver para louvor de sua glória. Quarto Cristo
é supremo em sua santidade, e nos seus méritos na cruz nos santifica e requer
de nós santidade. Quinto, Cristo é supremo em sua justiça, ele governa todas as
coisas e ainda que não entendamos o concursus divinus de sua providência dirige
toda a história e sua ira se acumula para o dia do juízo.
"... ao
único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade,
mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para
todo o sempre! Amém".
Judas 1:25
Solus
Christus ______________________
Leitura diária
D – Rm 8.31-39 – Cristo intercede por nós
S – 1Tm 2.1-7 – O único Mediador
T – Hb 7.20-28 – Cristo, sacerdote perfeito
Q – Mt 7.7-12 – Cristo, o Mestre
Q – Gl 6.1-5 – Levando as cargas
S – Jo 15.1-27 – A videira e os ramos
S – Cl 1.13-23 – A preeminência de Cristo Introdução
]
Ao longo da história cristã, é comum encontrarmos várias modalidades de “Cristo mais alguma coisa”. O ensino bíblico é muito claro: nossa salvação depende inteiramente da obra de Cristo realizada em nosso lugar. Ele foi nosso substituto, recebeu uma morte que era nossa para que, por ele, tivéssemos vida em seu nome. Mas a natureza humana não se sente muito confortável em ter de depender de alguém, não é verdade? É por esse desejo humano de autonomia que a história cristã vem registrando a criatividade humana em acrescentar alguma coisa (algo feito pelo ser humano para que ele tenha uma participação “razoável” em sua própria salvação) à pessoa e obra de Cristo. Na lição de hoje, veremos três dessas coisas: as penitências, o dízimo e as atividades eclesiásticas.
I. Cristo mais as penitências
A doutrina romana das penitências foi uma das maneiras pelas quais a supremacia de Cristo na salvação era obscurecida. De acordo com essa doutrina, o batismo expia os pecados cometidos até o momento em que a pessoa é batizada. Para alcançar expiação pelos pecados cometidos após o batismo a pessoa precisa praticar atos de penitência. Deste modo, a penitência é um sacramento cujo objetivo é mitigar a culpa do pecador.
Segundo essa doutrina, há quatro graus de penitência. O primeiro é o “pranto” às portas do templo, no qual o pecador roga com lágrimas aos que entram que orem por ele. O segundo grau é “ouvir” a palavra divina na entrada da igreja, de onde a pessoa devia se retirar logo que as orações começavam a ser feitas. Durante as orações, o penitente não podia ficar presente. O terceiro grau era a “prostração” no fundo da igreja, onde o penitente ficava na companhia dos novos convertidos e era obrigado a sair com eles, antes da ministração dos sacramentos. O quarto grau era “estar junto”. Nessa fase, o penitente tinha permissão para ficar junto com os demais cristãos e não era mais obrigado
a sair com os novos convertidos. Com o tempo, o penitente recebia permissão para participar dos sacramentos. No “estar junto” o penitente podia participar da oração e, mais tarde, também dos sacramentos.
Esse elaborado sistema penitencial era usado para manter a disciplina na igreja e para expiar, mesmo que parcialmente, os pecados cometidos depois do batismo. O problema é que, se os pecados são parcialmente expiados pelos atos penitenciais, então Cristo expia apenas uma parte dos pecados e, consequentemente, concede apenas uma parte da salvação, sendo a outra parte uma obra humana. Assim, a salvação seria resultado de um trabalho em conjunto realizado por Deus, em Cristo, e o ser humano, em seu zelo por se penitenciar e expiar, ainda que parcialmente, seus próprios pecados.
A teologia reformada insiste que a salvação não é uma obra realizada em parte por Jesus e em parte pelo pecador. A salvação e tudo o que está diretamente ligado a ela (como o perdão de pecados, por exemplo) é obra exclusiva de Deus.
Pedro é claro ao afirmar: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.11-12).
Deus não tem colaboradores na salvação. A salvação é uma obra realizada exclusivamente por ele. Associar a ela qualquer esforço ou mérito humano é depreciar o sacrifício perfeito de Jesus Cristo, realizado de uma vez por todas em favor de todo aquele que crê. Contra a doutrina da colaboração humana na salvação, a teologia reformada grita a plenos pulmões: Cristo! Cristo! Só Cristo!
II. Cristo mais o dízimo
Na lição 3, que trata da graça de Deus em oposição aos méritos humanos, já tratamos das indulgências. No entanto, a comercialização da fé e da salvação, infelizmente, não é um fenômeno que ficou restrito à Idade Média nem à prática romana. Isso acontece hoje, especialmente dentro de muitas igrejas evangélicas, nas quais o evangelho é oferecido por dinheiro e a salvação é trocada por dízimos e ofertas.
É triste e vergonhoso perceber como a prática romana das indulgências não apenas entrou, mas foi aperfeiçoada no meio evangélico. Os vendedores de indulgências da Idade Média trocavam a salvação ou a redução das penas no purgatório por dinheiro. Os modernos comerciantes da fé vendem não apenas a salvação (sobre a qual pouco se fala nos cultos voltados à prosperidade, mais interessados nas bênçãos terrenas), mas também relíquias “poderosas”, como fios de barba dos apóstolos, o manto de Elias (esse profeta devia ter muitos mantos, pois são vendidos em toda parte), pedaços da arca de Noé, da arca da aliança e até da cruz de Cristo.
Engana-se quem pensa que esse é o ponto mais alto a que pode chegar a criatividade humana. Insatisfeitos com a venda da salvação e de relíquias religiosas, os mercadores da fé começaram a vender até mesmo orações e visitas a enfermos e idosos.
O que é mais alarmante em tudo isso é que muitos cristãos não percebem o quanto isso fere a supremacia da obra de Cristo. O poder cristão não vem de relíquias de qualquer espécie, mas de Cristo, que é o Senhor e cabeça da igreja. É somente quando
permanecemos ligados à videira que obtemos a seiva que nos alimenta e revigora. Somente quando estamos ligados à videira podemos dar fruto. Esse é o ensino do próprio Jesus (Jo 15.5).
O mesmo acontece com a venda de orações. Jesus é quem intercede por nós (Rm 8.34). Ele é o único Mediador entre nós e Deus (1Tm 2.5) e, como nosso sumo sacerdote eterno, vive sempre para interceder por nós (Hb 7.25). É ele mesmo quem ensina: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Mt 7.7). E, certamente, quando Paulo orientou os crentes gálatas a levar as cargas uns dos outros (Gl 6.2), esperava que isso fosse feito gratuitamente.
Contra a comercialização da fé, da salvação, das orações e das relíquias, a teologia reformada afirma: Cristo! Cristo! Só Cristo!
III. Cristo mais a participação nas atividades eclesiásticas
Há uma forma sutil de acrescentar um adereço à pessoa e obra de Cristo: a participação nas atividades eclesiásticas.
É correto e bom participar dos cultos. Isso deve ser encorajado em todas as igrejas: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns;” (Hb 10.25). Quando participamos do culto público, Deus fala conosco nos cânticos, na leitura da Palavra e na pregação. Somos edificados e consolados quando adoramos a Deus pela mediação de seu Filho por tudo o que ele é, fez e fará por nós.
Algumas igrejas têm outros tipos de reunião: reuniões de mocidade, de senhoras, de crianças, trabalhos sociais, etc. Participar de tudo isso é uma grande bênção, especialmente daquelas atividades em que podemos colocar em prática a capacitação espiritual que recebemos de Deus para o trabalho na sua obra. Além disso, somos cristãos e precisamos participar da vida da igreja. Somos um corpo cujo cabeça é Cristo e precisamos adorá-lo como indivíduos e como corpo, como comunidade de fé.
É claro que os cristãos devem ter prazer nos cultos, sabendo que esse é um momento especial de comunhão com Deus. O problema surge quando reduzimos a vida cristã à participação em uma enxurrada de atividades eclesiásticas. Vida cristã não é o mesmo que participação em atividades eclesiásticas diárias. Vida cristã é comunhão com Deus pela mediação de Cristo.
Além dessa concepção equivocada de vida cristã, a ênfase exagerada que muitos líderes costumam dar à participação descontrolada em atividades eclesiásticas acaba produzindo dois resultados colaterais muito negativos. O primeiro é ocupar o único horário que muitos irmãos têm para descansar da labuta diária. Muitos irmãos trabalham o dia todo e chegam em casa exaustos. Reservar uma noite por semana para participar de um culto não faria mal. No entanto, reservar todas as noites para participar de atividades eclesiásticas é algo que poderá trazer, cedo ou tarde, resultados danosos à sua saúde. Lembre-se de que cuidar da saúde faz parte da mordomia cristã. Além disso, esse é justamente o único momento que muitos irmãos têm para manter a convivência familiar. Os membros da família saem cedo de casa, passam o dia todo fora, trabalhando ou estudando, e só se encontram à noite. O que acontecerá, em médio prazo, se eles forem privados desse convívio familiar?
O segundo é ainda pior que o primeiro, pois envolve o ensino bíblico da suficiência de Cristo para a salvação. Devido à grande ênfase dada à participação em atividades eclesiásticas, muitos cristãos assimilam a ideia de que estar presente ao maior número possível de atividades é algo que está diretamente associado à salvação. Isso está errado. Ninguém é salvo por participar de atividades eclesiásticas, mas por ter Cristo como seu Salvador pessoal.
A essa ênfase exagerada na necessidade de participação em atividades eclesiásticas, a teologia reformada afirma: Cristo! Cristo! Só Cristo!
Conclusão
Cristo mais isso, Cristo mais aquilo. Os diversos “apêndices” que o ser humano acrescenta a Cristo não mudam a realidade: somos inteiramente dependentes de Jesus para nossa salvação. Nada há que possamos fazer para obtê-la e só a recebemos porque Cristo fez por nós tudo o que era necessário. Até mesmo a fé com que nos apropriamos dessa salvação é fruto da sua graça. Somos inteiramente dependentes dele. Para salientar em nosso coração essa dependência, a teologia reformada sempre afirmou, com muito vigor: Só Cristo! Aplicação
Em que você tem colocado o seu coração? Em Cristo ou em algum dos “apêndices” modernos? Examine agora a sua fé e veja em que você tem crido para sua salvação. Se for em algum “apêndice” ou mesmo em “Cristo mais alguma coisa”, livre-se disso e creia somente em Jesus Cristo para sua salvação.
Boa leitura
Por que Cristo sofreu e morreu? O assunto central na morte de Jesus não é a sua causa, mas seu significado – o significado de Deus. John Piper trata desse tema em A Paixão de Cristo, publicado pela Editora Cultura Cristã. Ele reuniu cinquenta razões retiradas do Novo Testamento. Não cinquenta causas, mas cinquenta propósitos – em resposta à mais importante pergunta que cada um deve enfrentar: o que Deus fez por pecadores como nós ao enviar seu Filho para morrer?
Autor do estudo: Vagner Barbosa
>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cultura Cristã, usado com permissão.
Solus Christus – Somente Cristo A suficiência de Cristo para a salvação
Texto Básico: Atos 4.5-22Leitura diária
D – Rm 8.31-39 – Cristo intercede por nós
S – 1Tm 2.1-7 – O único Mediador
T – Hb 7.20-28 – Cristo, sacerdote perfeito
Q – Mt 7.7-12 – Cristo, o Mestre
Q – Gl 6.1-5 – Levando as cargas
S – Jo 15.1-27 – A videira e os ramos
S – Cl 1.13-23 – A preeminência de Cristo Introdução
]
Ao longo da história cristã, é comum encontrarmos várias modalidades de “Cristo mais alguma coisa”. O ensino bíblico é muito claro: nossa salvação depende inteiramente da obra de Cristo realizada em nosso lugar. Ele foi nosso substituto, recebeu uma morte que era nossa para que, por ele, tivéssemos vida em seu nome. Mas a natureza humana não se sente muito confortável em ter de depender de alguém, não é verdade? É por esse desejo humano de autonomia que a história cristã vem registrando a criatividade humana em acrescentar alguma coisa (algo feito pelo ser humano para que ele tenha uma participação “razoável” em sua própria salvação) à pessoa e obra de Cristo. Na lição de hoje, veremos três dessas coisas: as penitências, o dízimo e as atividades eclesiásticas.
I. Cristo mais as penitências
A doutrina romana das penitências foi uma das maneiras pelas quais a supremacia de Cristo na salvação era obscurecida. De acordo com essa doutrina, o batismo expia os pecados cometidos até o momento em que a pessoa é batizada. Para alcançar expiação pelos pecados cometidos após o batismo a pessoa precisa praticar atos de penitência. Deste modo, a penitência é um sacramento cujo objetivo é mitigar a culpa do pecador.
Segundo essa doutrina, há quatro graus de penitência. O primeiro é o “pranto” às portas do templo, no qual o pecador roga com lágrimas aos que entram que orem por ele. O segundo grau é “ouvir” a palavra divina na entrada da igreja, de onde a pessoa devia se retirar logo que as orações começavam a ser feitas. Durante as orações, o penitente não podia ficar presente. O terceiro grau era a “prostração” no fundo da igreja, onde o penitente ficava na companhia dos novos convertidos e era obrigado a sair com eles, antes da ministração dos sacramentos. O quarto grau era “estar junto”. Nessa fase, o penitente tinha permissão para ficar junto com os demais cristãos e não era mais obrigado
a sair com os novos convertidos. Com o tempo, o penitente recebia permissão para participar dos sacramentos. No “estar junto” o penitente podia participar da oração e, mais tarde, também dos sacramentos.
Esse elaborado sistema penitencial era usado para manter a disciplina na igreja e para expiar, mesmo que parcialmente, os pecados cometidos depois do batismo. O problema é que, se os pecados são parcialmente expiados pelos atos penitenciais, então Cristo expia apenas uma parte dos pecados e, consequentemente, concede apenas uma parte da salvação, sendo a outra parte uma obra humana. Assim, a salvação seria resultado de um trabalho em conjunto realizado por Deus, em Cristo, e o ser humano, em seu zelo por se penitenciar e expiar, ainda que parcialmente, seus próprios pecados.
A teologia reformada insiste que a salvação não é uma obra realizada em parte por Jesus e em parte pelo pecador. A salvação e tudo o que está diretamente ligado a ela (como o perdão de pecados, por exemplo) é obra exclusiva de Deus.
Pedro é claro ao afirmar: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.11-12).
Deus não tem colaboradores na salvação. A salvação é uma obra realizada exclusivamente por ele. Associar a ela qualquer esforço ou mérito humano é depreciar o sacrifício perfeito de Jesus Cristo, realizado de uma vez por todas em favor de todo aquele que crê. Contra a doutrina da colaboração humana na salvação, a teologia reformada grita a plenos pulmões: Cristo! Cristo! Só Cristo!
II. Cristo mais o dízimo
Na lição 3, que trata da graça de Deus em oposição aos méritos humanos, já tratamos das indulgências. No entanto, a comercialização da fé e da salvação, infelizmente, não é um fenômeno que ficou restrito à Idade Média nem à prática romana. Isso acontece hoje, especialmente dentro de muitas igrejas evangélicas, nas quais o evangelho é oferecido por dinheiro e a salvação é trocada por dízimos e ofertas.
É triste e vergonhoso perceber como a prática romana das indulgências não apenas entrou, mas foi aperfeiçoada no meio evangélico. Os vendedores de indulgências da Idade Média trocavam a salvação ou a redução das penas no purgatório por dinheiro. Os modernos comerciantes da fé vendem não apenas a salvação (sobre a qual pouco se fala nos cultos voltados à prosperidade, mais interessados nas bênçãos terrenas), mas também relíquias “poderosas”, como fios de barba dos apóstolos, o manto de Elias (esse profeta devia ter muitos mantos, pois são vendidos em toda parte), pedaços da arca de Noé, da arca da aliança e até da cruz de Cristo.
Engana-se quem pensa que esse é o ponto mais alto a que pode chegar a criatividade humana. Insatisfeitos com a venda da salvação e de relíquias religiosas, os mercadores da fé começaram a vender até mesmo orações e visitas a enfermos e idosos.
O que é mais alarmante em tudo isso é que muitos cristãos não percebem o quanto isso fere a supremacia da obra de Cristo. O poder cristão não vem de relíquias de qualquer espécie, mas de Cristo, que é o Senhor e cabeça da igreja. É somente quando
permanecemos ligados à videira que obtemos a seiva que nos alimenta e revigora. Somente quando estamos ligados à videira podemos dar fruto. Esse é o ensino do próprio Jesus (Jo 15.5).
O mesmo acontece com a venda de orações. Jesus é quem intercede por nós (Rm 8.34). Ele é o único Mediador entre nós e Deus (1Tm 2.5) e, como nosso sumo sacerdote eterno, vive sempre para interceder por nós (Hb 7.25). É ele mesmo quem ensina: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Mt 7.7). E, certamente, quando Paulo orientou os crentes gálatas a levar as cargas uns dos outros (Gl 6.2), esperava que isso fosse feito gratuitamente.
Contra a comercialização da fé, da salvação, das orações e das relíquias, a teologia reformada afirma: Cristo! Cristo! Só Cristo!
III. Cristo mais a participação nas atividades eclesiásticas
Há uma forma sutil de acrescentar um adereço à pessoa e obra de Cristo: a participação nas atividades eclesiásticas.
É correto e bom participar dos cultos. Isso deve ser encorajado em todas as igrejas: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns;” (Hb 10.25). Quando participamos do culto público, Deus fala conosco nos cânticos, na leitura da Palavra e na pregação. Somos edificados e consolados quando adoramos a Deus pela mediação de seu Filho por tudo o que ele é, fez e fará por nós.
Algumas igrejas têm outros tipos de reunião: reuniões de mocidade, de senhoras, de crianças, trabalhos sociais, etc. Participar de tudo isso é uma grande bênção, especialmente daquelas atividades em que podemos colocar em prática a capacitação espiritual que recebemos de Deus para o trabalho na sua obra. Além disso, somos cristãos e precisamos participar da vida da igreja. Somos um corpo cujo cabeça é Cristo e precisamos adorá-lo como indivíduos e como corpo, como comunidade de fé.
É claro que os cristãos devem ter prazer nos cultos, sabendo que esse é um momento especial de comunhão com Deus. O problema surge quando reduzimos a vida cristã à participação em uma enxurrada de atividades eclesiásticas. Vida cristã não é o mesmo que participação em atividades eclesiásticas diárias. Vida cristã é comunhão com Deus pela mediação de Cristo.
Além dessa concepção equivocada de vida cristã, a ênfase exagerada que muitos líderes costumam dar à participação descontrolada em atividades eclesiásticas acaba produzindo dois resultados colaterais muito negativos. O primeiro é ocupar o único horário que muitos irmãos têm para descansar da labuta diária. Muitos irmãos trabalham o dia todo e chegam em casa exaustos. Reservar uma noite por semana para participar de um culto não faria mal. No entanto, reservar todas as noites para participar de atividades eclesiásticas é algo que poderá trazer, cedo ou tarde, resultados danosos à sua saúde. Lembre-se de que cuidar da saúde faz parte da mordomia cristã. Além disso, esse é justamente o único momento que muitos irmãos têm para manter a convivência familiar. Os membros da família saem cedo de casa, passam o dia todo fora, trabalhando ou estudando, e só se encontram à noite. O que acontecerá, em médio prazo, se eles forem privados desse convívio familiar?
O segundo é ainda pior que o primeiro, pois envolve o ensino bíblico da suficiência de Cristo para a salvação. Devido à grande ênfase dada à participação em atividades eclesiásticas, muitos cristãos assimilam a ideia de que estar presente ao maior número possível de atividades é algo que está diretamente associado à salvação. Isso está errado. Ninguém é salvo por participar de atividades eclesiásticas, mas por ter Cristo como seu Salvador pessoal.
A essa ênfase exagerada na necessidade de participação em atividades eclesiásticas, a teologia reformada afirma: Cristo! Cristo! Só Cristo!
Conclusão
Cristo mais isso, Cristo mais aquilo. Os diversos “apêndices” que o ser humano acrescenta a Cristo não mudam a realidade: somos inteiramente dependentes de Jesus para nossa salvação. Nada há que possamos fazer para obtê-la e só a recebemos porque Cristo fez por nós tudo o que era necessário. Até mesmo a fé com que nos apropriamos dessa salvação é fruto da sua graça. Somos inteiramente dependentes dele. Para salientar em nosso coração essa dependência, a teologia reformada sempre afirmou, com muito vigor: Só Cristo! Aplicação
Em que você tem colocado o seu coração? Em Cristo ou em algum dos “apêndices” modernos? Examine agora a sua fé e veja em que você tem crido para sua salvação. Se for em algum “apêndice” ou mesmo em “Cristo mais alguma coisa”, livre-se disso e creia somente em Jesus Cristo para sua salvação.
Boa leitura
Por que Cristo sofreu e morreu? O assunto central na morte de Jesus não é a sua causa, mas seu significado – o significado de Deus. John Piper trata desse tema em A Paixão de Cristo, publicado pela Editora Cultura Cristã. Ele reuniu cinquenta razões retiradas do Novo Testamento. Não cinquenta causas, mas cinquenta propósitos – em resposta à mais importante pergunta que cada um deve enfrentar: o que Deus fez por pecadores como nós ao enviar seu Filho para morrer?
Autor do estudo: Vagner Barbosa
>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cultura Cristã, usado com permissão.
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