sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Lição 6 - A Pecaminosidade Humana e a sua Restauração a Deus




A
definição teológica do pecado descrito na Declaração de Fé da Assembleia de Deus é “rebelião e desobediência, incapacidade espiritual, a falta de conformidade com a vontade de Deus em estado, disposição ou conduta e a corrupção inata do homem”. O pecado é um assunto nada agradável, mas o estudo dessa doutrina é extremamente importante por várias razões. Há uma diferença abissal entre a depravação humana e a santidade e a glória de Deus. Qualquer desvio dos padrões divinos se constitui num ato grave, que se chama pecado. A experiência humana é uma confirmação de tudo o que a Bíblia ensina sobre a realidade do pecado, do mal que existe no mundo, de como o ser humano criado em santidade à imagem de Deus veio a se corromper de modo que somente em Cristo é possível a sua restauração a Deus.

COMO A BÍBLIA DESCREVE O PECADO
      O pecado é descrito de diversas maneiras e existem dezenas de termos hebraicos e gregos na Bíblia para descrever suas causas, às vezes, sua natureza e até mesmo suas consequências. Os termos mais comuns para o pecado são o hebraico hāttā’â e o seu equivalente grego na Septuaginta e no Novo Testamento, hamartia. O verbo hātā’ significa literalmente “errar o alvo” (Jz 20.16; Pv 19.2). Essa palavra é usada também no campo secular na quebra de uma lei civil (Gn 41.9; Ec 10.4), mas seu uso comum diz respeito ao pecado contra Deus (Sl 103.10; Dn 9.16). O ser humano erra o alvo e desvia-se do objetivo da vida estabelecido pelo Criador por causa de uma disposição inata que há em todas as criaturas humanas.
      O pecado é a transgressão da lei de Deus: “porque o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4 – ARA). O substantivo “transgressão” ou o verbo “transgredir” é de uso comum desde o Antigo Testamento. O verbo hebraico ‘avār, literalmente “atravessar, passar”, não tem conotação moral: “E passou Abrão por aquela terra” (Gn 12.6). Mas é comum o seu uso no sentido de ir além de um limite estabelecido e é isso o que significa “transgredir um mandamento” ou “traspassar o mandado do SENHOR” (Nm 22.18; 24.13); “seus moradores, porquanto transgridem as leis, mudam os estatutos e quebram a aliança eterna” (Is 24.5); “eles traspassaram o concerto, como Adão” (Os 6.7); “porque traspassaram o meu concerto e se rebelaram contra a minha lei” (Os 8.1). A Septuaginta traduz ‘avār em todas essas passagens pelo verbo grego parabaino, “transgredir, desviar-se”. O substantivo é parábasis, “transgressão, violação de uma lei”. É nesse sentido que esses termos aparecem no Novo Testamento: “Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos quando comem pão. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição?” (Mt 15.2, 3). Foi exatamente esse o pecado de Adão: o primeiro casal foi além do limite que Deus estabeleceu, não comer do fruto proibido (Gn 2.17). O profeta Oseias chama essa atitude de Adão e Eva de transgressão (Os 6.7). O apóstolo Paulo emprega o substantivo parábasis para identificar o pecado de Adão e Eva: “até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão” (Rm 5.14); E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (1 Tm 2.14).
      O termo grego para “transgressão” em 1 João 3.4 é anomía, que literalmente quer dizer “falta de lei, quebra da lei”; o ánomos é alguém para o qual não existe uma lei. A versão Almeida Atualizada e a Tradução Brasileira traduzem essa palavra por “iniquidade”.
        A Septuaginta emprega com frequência o termo anomía para traduzir a palavra hebraica ‘awôn, “iniquidade, perversão” (Êx 34.7), além de mais de 20 termos alusivos ao pecado. ‘Awôn é sinônimo de pecado: “Nós pecamos como os nossos pais; cometemos iniquidade, andamos perversamente” (Sl 106.6).
       Outro termo hebraico usado como “transgressão” é pāsha‘: “Qual é a minha transgressão? Qual é o meu pecado, que tão furiosamente me tens perseguido?” (Gn 31.36). Há ainda diversos termos para designar o pecado, como impiedade: “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça” (Rm 1.18); maldade: “como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e à maldade para a maldade” (Rm 6.19); perversidade: “a vossa língua pronuncia perversidade” (Is 59.3); engano: “Ó filho do diabo, cheio de todo o engano” (At 13.10); sedução: “Seduziu-o com a multidão das suas palavras” (Pv 7.21); “a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera” (Mt 13.22); injustiça: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” 1 Jo 1.9) e incredulidade: “porque o fiz ignorantemente, na incredulidade” (1 Tm 1.13); “E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade” (Hb 3.19).
      O pecado não se originou no Éden; surgiu primeiro na esfera angelical, quando o querubim ungido (Ez 28.12-15) se rebelou contra Deus e dessa forma foi expulso do céu juntamente com os anjos rebeldes (Is 14.12-14; Ap 12.7-9). Mas parece que muitos teólogos preferem pular essa parte. De qualquer maneira, o que aconteceu no Éden foi outra queda. Adão e Eva foram criados em total inocência e não conheciam o mal antes de desobedecerem a Deus (Gn 3.5). Não havia nenhum tipo de malícia na sua natureza ou no ambiente onde eles foram inseridos. Eles “não se envergonhavam” (Gn 2.25) e ainda não conheciam o “bem e o mal” (Gn 3.5). Em suma, além de não conhecerem nenhum tipo de culpa por nenhum tipo de pecado, também eram inocentes com relação ao pecado. A ordem de Deus foi clara: “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16, 17). Aqui está claro que Deus dotou o ser humano de livre-arbítrio.
       A serpente perguntou primeiro se o fruto de todas as árvores do jardim estava liberado (Gn 3.1). Ao ouvir a resposta da mulher, apresentou um discurso contrário do que Deus havia dito: “Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3.4, 5). Com essas astúcias, a serpente levou a mulher a desobedecer a Deus, pois despertou a curiosidade de Eva que chamou a sua atenção para o fruto proibido: “E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gn 3.6). O pecado não é causado por Deus: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta” (Tg 1.13). A tentação vem dos próprios desejos ilícitos (Tg 1.14, 15). “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1 Jo 2.16). A tentação envolve, além da indução externa, os desejos carnais pelas coisas proibidas. A serpente seduziu Eva com três elementos. Adão e Eva tinham total capacidade de rejeitar a proposta da serpente, pois Deus criou o ser humano com livre-arbítrio e liberdade de escolher entre o bem e o mal (Gn 2.16, 17). A sutileza é uma maneira refinada e sutil de mostrar algo de maneira disfarçada, quase imperceptível, que exige agudeza de espírito para ser    detectada. Essa é uma das especialidades de Satanás e foi com sutileza que Satanás levou o primeiro casal à ruína e, com ele, toda a humanidade (Rm5.12).
       A morte de Adão quando desobedeceu a Deus foi instantânea. Morte significa separação. Deus advertiu a Adão dizendo: “No dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). Foi o que aconteceu. A comunhão com Deus foi interrompida imediatamente, pois seus olhos foram abertos e eles logo perceberam que estavam nus, conheceram pessoalmente o mal e procuraram se esconder da presença de Deus porque sentiram medo (Gn 3.7, 8, 10). O senso de culpa foi imediato. Eles morreram espiritualmente no mesmo instante em que comeram o fruto proibido; era a ruptura da comunhão: “Porque o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

CONSEQUÊNCIAS DO PECADO
     A Queda do Éden arruinou a humanidade de maneira tão profunda que transmitiu a todos os seres humanos a tendência ou inclinação para o pecado. A depravação total do gênero humano não significa ser um pecador ao extremo em último grau, totalmente insensível quanto à consciência no que diz respeito ao certo e o errado (Rm 2.15). Todo o gênero humano se corrompeu, mas a imagem de Deus no ser humano não foi perdida (Gn 9.6; Tg 3.9); ela ficou desfigurada, e a restauração só é possível em Cristo (Ef 2.10). A depravação total significa que nada há no ser humano que não tenha sido contaminado pelo pecado, da cabeça à planta do pé (Is 1.5, 6); significa natureza mental e moral corrupta (Gn 6.5, 12), coração enganoso e perverso (Jr 17.9), morto em ofensas e pecados (Ef 2.1), inimigo de Deus (Rm 8.7), escravo do pecado (Rm 6.17; 7.5). A Bíblia afirma categoricamente que “não há um justo sequer” (Rm 3.10); que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23).
       Até um bebê recém-nascido (Sl 51.5), antes mesmo de cometer o seu primeiro pecado, já é pecador (Sl 58.3). Por causa do pecado de Adão, todas as pessoas recebem uma natureza corrompida e culpada aos olhos de Deus. Todos os seres humanos são pecadores: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só... Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.1-12, 23). Já nascemos pecadores: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5) e “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras” (Sl 58.3). A queda do Éden trouxe a corrupção geral do gênero humano, a natureza moral se corrompeu (Gn 6.5, 12). Essa corrupção afetou a pessoa na tua totalidade, com todas as suas faculdades – a alma, o corpo e o espírito: “Toda a cabeça está enferma, e todo o coração, fraco. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma delas amolecida com óleo” (Is 1.5, 6), como disse o teólogo Millard J. Erickson: “Não somos pecadores apenas porque pecamos; nós pecamos porque somos pecadores” (ERICKSON, 2015, p. 559).
      O apóstolo Paulo apresenta uma breve amostra da situação espiritual dos gentios (Rm 1.21-32), mas em seguida explica que a situação dos judeus não é diferente da humanidade (Rm 1.17-23) e depois coloca no mesmo bojo judeus e gentios: “Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado” (Rm 3.9) e “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). A Bíblia mostra que “o pecado de Adão nos afetou muito mais que a ele próprio” (HORTON, 1996, p. 269). Isso se baseia nas epístolas paulinas (Rm 5.12-21; 1 Co 15.21, 22). É a isso que chamamos pecado original. Mas a declaração mais surpreendente é quando o apóstolo afirma: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). Essa doutrina do pecado original não é inovação paulina; ela consta da tradição judaica, no Talmude (Berakoth, 61a; Nedarim, 32b). O ensino paulino veio da revelação de Jesus Cristo, das Escrituras do Antigo Testamento e da tradição judaica. O apóstolo Paulo desenvolveu essa doutrina.
        A morte é universal e nisto está a evidência incontestável da universalidade do pecado. Depois, o apóstolo mostra que, da mesma maneira que o pecado de Adão contaminou toda a humanidade, assim também a justiça de Cristo a graça veio para todas as pessoas: “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Rm 5.18).
        Não existe uma teoria detalhada nas Escrituras sobre o pecado original, mas os dados da revelação nos dão base para uma dedução da Bíblia. O ser humano é concebido em pecado: “em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5) e “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras” (Sl 58.3). Isso mostra por que o apóstolo Paulo afirma: “Andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef 2.3). Por dedução, é razoável que um ser humano corrompido produza filhos igualmente corrompidos: “Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém!” (Jó 14.4); “Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons” (Mt 7.18) e “Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto” (Lc 6.43). Os bebês recém-nascidos e as crianças, apesar de nascerem com natureza pecaminosa (Sl 58.3), ainda não conhecem experimentalmente o pecado. Elas não são responsabilizadas por seus atos antes de terem condições morais e intelectuais para discernir entre o bem e o mal, o certo e o errado (Rm 9.11). O sacrifício de Jesus proveu salvação a todas as pessoas, até mesmo às crianças que falecerem na fase da inocência.

AS TEORIAS
      Muitas teorias foram apresentadas ao longo da história na tentativa de explicar o processo de transmissão do pecado original. As três principais são o pelagianismo, o calvinismo e o arminianismo. Essas teorias apresentadas a seguir são gerais, pois em todas elas existem as tendências radicais e moderadas e cujos detalhes não são discutidos aqui por absoluta falta de espaço.
      O pelagianismo é a mais antiga dessas teorias. Pelágio foi um britânico (360-420), contemporâneo de Agostinho de Hipona, que se transferiu para Roma e, depois em 409, seguiu com seu discípulo Celéstio, para Cartago, no norte da África. Segundo Pelágio, o pecado de Adão não foi transmitido a toda a humanidade, nem a morte física é resultado do pecado de Adão. Na sua teoria, cada alma é criada imediatamente por Deus, no nascimento de cada pessoa, portanto ela não pode vir ao mundo maculada pelo pecado de Adão. O pecado de Adão diz respeito só a ele e não pode ser imputado sobre o destino de sua posteridade. Pelágio enfatizava também a ideia do total livre-arbítrio. Segundo ele, os seres humanos possuem a graça, capacidade de optar livremente por Deus. Por se tratar de criaturas feitas à imagem de Deus, as pessoas têm condições morais e espirituais de fazerem o bem e evitarem o mal, salvando-se com suas próprias forças. Pelágio dizia ainda “que não existe necessidade da graça para a salvação, pois ela pode ser alcançada por meio da nossa livre-escolha, independente de auxílio externo” (GEISLER, vol. 2, 2010, p. 122). Pelágio acreditava que o pecado de Adão era apenas um mal exemplo para os seus descentes, assim como a morte de Jesus não passava do mais eminente exemplo da vida cristã.
       A princípio, a sua doutrina teve acolhida popular e não era considerada herética porque parecia um assunto ético e não teológico. A controvérsia não foi desencadeada com o próprio Pelágio, mas com Celéstio. Agostinho foi o primeiro a constatar o perigo dessa doutrina pelagiana. O bispo de Hipona via nisso uma doutrina de autorredenção disfarçada e completamente contrária ao pensamento soteriológico e cristológico. Isso porque, se as pessoas chegam à salvação se baseando simplesmente na sua natureza criada e na decisão de sua livre vontade, significa que Jesus morreu em vão.
       O arminianismo ensina o contrário do pelagianismo. Jacó Armínio foi um teólogo holandês de origem reformada (1560-1609) que modificou consideravelmente a linha teológica em que havia sido criado. João Wesley, teólogo e pregador britânico (1703-1791), fez mudanças no pensamento arminiano. O pecado de Adão corrompeu a natureza humana na sua totalidade, e iniciamos a vida sem nenhuma retidão. O ser humano é incapaz de fazer a vontade de Deus e cumprir os seus mandamentos no tocante às coisas espirituais de Deus. A imagem de Deus no ser humano não foi aniquilada, mas desfigurada, por isso necessita da graça de Deus para superar isso em direção a ele. Essa graça não é irresistível; ela opera de forma suficiente “sobre todos, aguardando a sua livre-cooperação antes de se tornar salvificamente efetiva” (GEISLER, vol. 2, 2010, p. 123).
       O calvinismo defende os cinco pontos aprovados no Sínodo de Dort em 1619-1620, cerca de 60 anos depois da morte de João Calvino, e muitos duvidam de que ele aprovaria todos esses pontos. São eles: 1) depravação total, 2) eleição incondicional, 3) expiação limitada, 4) graça irresistível e 5) perseverança dos santos. Os arminianos concordam em parte com o primeiro ponto e discordam dos demais. Ninguém é coagido a ser salvo, Jesus morreu por todos os pecadores, o pecador pode resistir à graça e é possível o crente decair da graça.
      Adão é apresentado como figura de Cristo: “o qual é a figura daquele que havia de vir” (Rm 5.14). Existe só um ponto em comum entre Adão e Cristo, um é o cabeça da humanidade caída, representante da morte; o outro, o cabeça da nova eternidade, representante da vida. Fora isso, a comparação paulina é uma antítese que nos enche de gozo.

A RAZÃO DA NOSSA FÉ
Esequias Soares


           📌 II. A origem do pecado
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia
Myer Pearlman

O terceiro capítulo de Gênesis oferece os pontos chaves que caracterizam a história espiritual do homem, as quais são: A tentação, a culpa, o juízo e a redenção.

1. A tentação: sua possibilidade, origem e sutileza.
(a) A possibilidade da tentação. O segundo capítulo de Gênesis relata o fato da queda do homem, informando acerca do primeiro lar do homem, sua inteligência, seu serviço no Jardim no Éden, as duas árvores, e o primeiro matrimônio. Menciona especialmente as duas árvores do destino — a árvore da ciência do bem e do mal e a árvore da vida. Essas duas árvores constituem um sermão em forma de quadro dizendo constantemente a nossos primeiros pais: "Se seguirdes o bem e rejeitardes o mal, tereis a vida." E não é esta realmente a essência do Caminho da Vida encontrada através das Escrituras? (Vide Deut. 30:15.) Notemos a árvore proibida. Por que foi colocada ali? Para prover um teste pelo qual o homem pudesse, amorosa e livremente, escolher servir a Deus e dessa maneira desenvolver seu caráter. Sem vontade livre o homem teria sido meramente uma máquina.
(b) A origem da tentação. "Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito." É razoável deduzir que a serpente, que naquele tempo deveria ter sido uma criatura formosa, foi o agente empregado por Satanás, o qual já tinha sido lançado fora do céu antes da criação do homem. (Ezeq. 23:13-17; Isa. 14:12-15.) Por essa razão, Satanás é descrito como "essa antiga serpente, chamada o diabo" (Apoc. 12:9). Geralmente Satanás trabalha por meio de agentes. Quando Pedro (embora sem má intenção) procurou dissuadir seu Mestre da senda do dever, Jesus olhou além de Pedro, e disse, "Para trás de mim, Satanás" (Mat. 16:22,23). Neste caso Satanás trabalhou por meio de um dos amigos de Jesus; no Éden empregou a serpente, uma criatura da qual Eva não desconfiava.
(c) A sutileza da tentação. A sutileza é mencionada como característica distintiva da serpente. (Vide Mat. 10:16.) Com grande astúcia ela oferece sugestões, as quais, ao serem abraçadas, abrem caminho a desejos e atos pecaminosos. Ela começa falando com a mulher, o vaso mais frágil, que, além dessa circunstância, não tinha ouvido diretamente a proibição divina. (Gên. 2:16, 17.) E ela espera até que Eva esteja só. Note-se a astúcia na aproximação. Ela torce as palavras de Deus (Vide Gén. 3:1 e 2:16, 17) e então finge surpresa por estarem assim torcidas; dessa maneira ela, astutamente, semeia dúvida e suspeitas no coração da ingênua mulher, e ao mesmo tempo insinua que está bem qualificada para ser juiz quanto à justiça de tal proibição. Por meio da pergunta no versículo 1, lança a tríplice dúvida acerca de Deus.
1) Dúvida sobre a bondade de Deus. Ela diz, com efeito: "Deus está retendo alguma bênção de ti."
2) Dúvida sobre a retidão de Deus. "Certamente não morrereis." Isto é, "Deus não pretendia dizer o que disse".
3) Dúvida sobre a santidade de Deus. No versículo 5 a serpente diz, com efeito: "Deus vos proibiu comer da árvore porque tem inveja de vos. Não quer que chegueis a ser sábios tanto quanto ele, de modo que vos mantém em ignorância. Não é porque ele se interesse por vós, para salvar-vos da morte, e sim por interesse dele, para impedir que chegueis a ser semelhantes a ele."
2. A Culpa.
Notemos as evidências de uma consciência culpada:
1) "Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus." Expressão usada para indicar esclarecimento milagroso ou repentino. (Gên. 21:19; 2 Reis. 6:17.) As palavras da serpente (versículo 5) cumpriram-se; porém, o conhecimento adquirido foi diferente do que eles esperavam. Em vez de fazê-los semelhantes a Deus, experimentaram um miserável sentimento de culpa que os fez ter medo de Deus. Notemos que a nudez física é um quadro de uma consciência nua ou culpada. Os distúrbios emocionais refletem-se muitas vezes em nossas feições. Alguns comentadores sustentam que antes da queda, Adão e Eva estavam vestidos com uma auréola ou traje de luz, que era um sinal da comunhão com Deus e do domínio do espírito sobre o corpo. Quando pecaram, essa comunhão foi interrompida; o corpo venceu o espírito, e ali começou esse conflito entre a carne e o espírito (Rom. 7:14-24), que tem sido a causa de tanta miséria.
2) "E coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais." Assim como a nudez física é sinal de uma consciência culpada, da mesma maneira, o procurar cobrir a nudez é um quadro que representa o homem a procurar cobrir sua culpa com a indumentária do esquecimento ou o traje das desculpas. Mas, somente uma veste feita por Deus pode cobrir o pecado (Verso 21).
3) "E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia: e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim." O instinto do homem culpado é fugir de Deus. E assim como Adão e Eva procuraram esconder-se entre as árvores, da mesma forma as pessoas hoje em dia procuram esconder-se nos prazeres e em outras atividades.
3. O juízo.
(a) Sobre a serpente. "Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a besta, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e o pó comerás todos os dias da tua vida." Essas palavras implicam que a serpente outrora foi uma criatura formosa e honrada. Depois, porque veio a ser o instrumento para a queda do homem, tomou-se maldita e degradada na escala da criação animal. Uma vez que a serpente foi simplesmente o instrumento de Satanás, por que deve ser punida? Porque é a vontade de Deus fazer da maldição da serpente um tipo e profecia da maldição sobre o diabo e sobre todos os poderes do mal. O homem deve reconhecer, pelo castigo da serpente, como a maldição de Deus ferirá todo pecado e maldade; arrastando-se no pó recordaria ao homem o dia em que Deus derribará até ao pó, o poder do diabo. Isso é um estimulo para o homem: ele, o tentado, está em pé, erguido, enquanto a serpente está sob a maldição. Pela graça de Deus o homem pode ferir-lhe a cabeça — pode vencer o mal. (Vide Luc. 10:18; Rom. 16:20; Apoc. 12:9; 20:1-3, 10.)
(b) Sobre a mulher. "E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua concepção; com dor terás filhos; e o teu desejo será para teu marido, e ele te dominará" (Gên. 3:16). Assim disse certo escritor: A presença do pecado tem sido a causa de muito sofrimento, precisamente do modo indicado acima. Não há dúvida que dar à luz filhos constitui um momento critico e penoso na vida da mulher. O sentimento de faltas passadas pesa de uma maneira particular sobre ela, e também a crueldade e loucura do homem contribuíram para fazer o processo mais doloroso e perigoso para a mulher do que para os animais. O pecado tem corrompido todas as relações da vida, e mui particularmente a relação matrimonial. Em muitos países a mulher é praticamente escrava do homem; a posição e a condição triste de meninas viúvas e meninas mães na Índia têm sido um fato horrível em cumprimento dessa maldição.
(c) Sobre o homem. (Versos 17-19.) O trabalho para o homem já tinha sido designado (2:15). O castigo consiste no afã, nas decepções e aflições que muitas vezes acompanham o trabalho. A agricultura é especificada em particular, porque sempre tem sido um dos empregos humanos mais necessários. De alguma maneira misteriosa, a terra e a criação em geral têm participado da maldição e da queda do seu senhor (o homem) porém estão destinadas a participar da sua redenção. Este é o pensamento de Rom. 8:19-23. Em Isaias 11:1-9 e 65:17-25, temos exemplos de versículos que predizem a remoção da maldição da terra durante o Milênio. Além da maldição física que se apossou da terra, também é certo que o capricho e o pecado humanos têm dificultado de muitas maneiras o labor e provocado as condições de trabalho mais difíceis e mais duras para o homem. Notemos a pena de morte. "Porquanto és pó, e em pó te tornarás." O homem foi criado capaz de não morrer fisicamente; teria existência física indefinidamente se tivesse preservado sua inocência e continuasse a comer da árvore da vida. Ainda que volte à comunhão com Deus (e dessa maneira vença a morte espiritual) por meio do arrependimento e da oração, não obstante, deve voltar ao seu Criador através da morte. Visto que a morte faz parte da pena do pecado, a salvação completa deve incluir a ressurreição do corpo, (1 Cor. 15:54-57.) não obstante, certas pessoas, como Enoque, terão o privilégio de escapar da morte física. (Gên. 5:24; 1 Cor. 15:51.)
4. A redenção.
Os três primeiros capítulos de Gênesis contêm as três revelações de Deus, que por toda a Bíblia figuram em todas as relações de Deus com o homem. O Criador, que trouxe tudo à existência (cap. 1), o Deus do Pacto que entra em relações pessoais com o homem (cap. 2); o Redentor, que faz provisão para a restauração do homem (cap. 3).
(a) Prometida. (Vide Gên. 3:15.) (1) A serpente procurou fazer aliança com Eva contra Deus, mas Deus por fim a essa aliança. "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente (descendentes) e a sua semente." Em outras palavras, haverá uma luta constante entre o homem e o poder maligno que causou a sua queda. (2) Qual será o resultado desse conflito? Primeiro, vitória para a humanidade, por meio do Representante do homem, a Semente da mulher. "Ela (a semente da mulher) te ferirá a cabeça." Cristo, a Semente da mulher, veio ao mundo para esmagar o poder do diabo. (Mat. 1:23, 25; Luc. 1:31-35,76; Isa. 7:14; Gál. 4:4; Rom. 16:20; Col. 2:15; Heb. 2:14,15; 1 João 3:8; 5:5; Apoc. 12:7, 8, 17; 20:1-3, 10.) (3) Porém a vitória não será sem sofrimento. "E tu (a serpente) lhe ferirás o calcanhar." No Calvário a Serpente feriu o calcanhar da Semente da mulher; mas este ferimento trouxe a cura para a humanidade. (Vide Isa. 53:3,4,12; Dan. 9:26; Mat. 4:1-10; Luc. 22:39-14,53; João 12:31-33; 14:30,31; Heb. 2:18; 5:7; Apoc. 2:10.)
(b) Prefigurada. (Verso 21.) Deus matou um animal, uma criatura inocente, para poder vestir aqueles que se sentiam nus ante a sua vista por causa do pecado. Do mesmo modo, o Pai deu seu Filho, o Inocente, à morte, a fim de prover uma cobertura expiatória para as almas dos homens.
III. A natureza do pecado
Que é pecado? A Bíblia usa uma variedade de termos para expressar o mal de ordem moral, os quais nos explicam algo de sua natureza.
Um estudo desses termos, nos originais hebraico e grego, proporcionará a definição bíblica do pecado.
1. O ensino do Antigo Testamento.
O pecado considerado — As diferentes palavras hebraicas descrevem o pecado operando nas seguintes esferas: (*)
(a) Na esfera moral. As palavras usadas para expressar o pecado nesta esfera são as seguintes:
1) A palavra mais comumente usada para o pecado significa "errar o alvo". Reúne as seguintes idéias: (1) Errar o alvo, como um arqueiro que atira mas erra, do mesmo modo, o pecador erra o alvo final da vida. (2) Errar o caminho, como um viajante que sai do caminho certo. (3) Ser achado em falta ao ser pesado na balança de Deus. Em Gên. 4:7, onde a palavra é mencionada pela primeira vez, o pecado é personificado como uma besta feroz pronta para lançar-se sobre quem lhe der ocasião.
2) Outra palavra significa literalmente "tortuosidade", e é muitas vezes traduzida por "perversidade". É, pois, o contrário de retidão, que significa literalmente, o que é reto ou conforme um ideal reto.
3) Outra expressão comum que se traduz por "mal", exprime o pensamento de violência ou infração, e descreve o homem que infringe ou viola a lei de Deus.
(b) Na esfera da conduta fraternal. A palavra usada para determinar o pecado nesta esfera, significa violência ou conduta injuriosa. (Gên. 6:11; Ezeq. 7:23; Prov. 16:29.) Ao excluir a restrição da lei, o homem maltrata e oprime seus semelhantes.
(c) Na esfera da santidade. As palavras usadas para descrever o pecado nesta esfera implicam que o ofensor usufruiu da relação com Deus. Toda a nação israelita foi constituída em "um reino de sacerdotes", cada membro considerado como estando em contato com Deus e seu santo tabernáculo. Portanto, cada israelita era santo, isto é, separado para Deus, e toda a atividade e esfera de sua vida estavam reguladas pela Lei da Santidade. As coisas fora dessa lei eram "profanas" (o contrário de santas), e o que participava delas se tornava "imundo" ou contaminado. (Lev. 11:24, 27, 31, 33, 39.) Se persistisse na profanação, era considerada uma pessoa irreligiosa ou profana. (Lev. 21:14; Heb. 12:16.) Se acaso se rebelasse e deliberadamente repudiasse a jurisdição da lei da santidade, era considerado "transgressor". (Sal. 37:38; 51:13; Isa. 53:12.) Se prosseguia neste último caminho, era julgado como criminoso, e tais eram os publicanos, na opinião dos contemporâneos do nosso Senhor Jesus.
(d) Na esfera da verdade. As palavras que descrevem o pecado nesta esfera dão ênfase ao inútil e fraudulento elemento do pecado. Os pecadores falam e tratam falsamente (Sal. 58:3; Isa. 28:15), representam falsamente e dão falso testemunho (Êxo. 20:16; Sal. 119:128; Prov. 19:5, 9). Tal atividade é "vaidade" (Sal. 12:2; 24:4; 41:6), isto é, vazia e sem valor. O primeiro pecador foi um mentiroso (João 8:44); o primeiro pecado começou com uma mentira (Gên. 3:4); e todo pecado contém o elemento do engano (Heb. 3:13).
(e) Na esfera da sabedoria. Os homens se portam impiamente porque não pensam ou não querem pensar corretamente; não dirigem suas vidas de acordo com a vontade de Deus, seja por descuido ou por deliberada ignorância.
1) Muitas exortações são dirigidas aos "simples" (Prov. 1:4, 22; 8:5). Essa palavra descreve o homem natural, que não se desenvolveu, quer na direção do bem, quer do mal; sem princípios fixos, mas com uma inclinação natural para o mal, a qual pode ser usada a fim de seduzi-lo. Falta-lhe firmeza e fundamento moral; ele ouve mas esquece; portanto, é facilmente conduzido ao pecado. (Vide Mat. 7:26.)
2) Muitas vezes lemos acerca desses "faltos de entendimento" (Prov. 7:7; 9:4), isto é, aqueles que por falta de entendimento, mais do que por propensão pecaminosa, são vitimas do pecado. Faltos de sabedoria, são conduzidos a expressar precipitados juízos acerca da providência divina e das coisas além da sua compreensão. Desse modo precipitam-se na impiedade. Tanto essa classe, como os "simples", são indesculpáveis porque as Escrituras apresentam o Senhor oferecendo gratuitamente — sim, rogando-lhes que aceitem (Prov. 8:1-10) — aquilo que os fará sábios para a salvação.
3) A palavra freqüentemente traduzida "insensato" (Prov. 15:20), descreve uma pessoa capaz de fazer o bem, contudo está presa às coisas da carne e facilmente é conduzida ao pecado pelas suas inclinações carnais. Não se disciplina a si mesma nem guia as suas tendências de acordo com as leis divinas.
4) O "escarnecedor" (Sal. 1:1; Prov. 14:6) é o homem ímpio que justifica sua impiedade com argumentos racionais contra a existência ou realidade de Deus, e contra as coisas espirituais em geral. Assim, "escarnecedor" é a palavra do Antigo Testamento equivalente à nossa moderna palavra "infiel", e a expressão "roda dos escarnecedores" provavelmente se refere à sociedade local dos infiéis.
2. O ensino do Novo Testamento.
O Novo Testamento descreve o pecado como:
(a) Errar o alvo, que expressa a mesma idéia que a conhecida palavra do Antigo Testamento.
(b) Dívida. (Mat. 6:12.) O homem deve (a palavra "deve" vem de dívida) a Deus a guarda dos seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de uma dívida. Incapaz de pagá-la, a única esperança do homem é ser perdoado, ou obter remissão da dívida.
(c) Desordem. "O pecado é iniqüidade" (literalmente "desordem", 1 João 3:4). O pecador é um rebelde e um idólatra porque deliberadamente quebra um mandamento, ao escolher sua própria vontade em vez de escolher a vontade de Deus; pior ainda, está se convertendo em lei para si mesmo e, dessa maneira, fazendo do eu uma divindade. O pecado começou no coração daquele exaltado anjo que disse: "Eu farei", em oposição à vontade de Deus. (Isa. 14:13, 14). O anticristo é proeminentemente "o sem-lei" (tradução literal de "iníquo"), porque se exalta a si mesmo sobre tudo que é adorado ou que é chamado Deus. (2 Tess. 2:4-9.) O pecado é essencialmente obstinação e obstinação é essencialmente pecado. O pecado destronaria a Deus; o pecado assassinaria Deus. Na Cruz do Filho de Deus, poderiam ter sido escritas estas palavras: "O pecado fez isto!"
(d) Desobediência, literalmente, "ouvir mal"; ouvir com falta de atenção. (Heb. 2:2.) "Vede pois como ouvis" (Luc. 8:18.)

(e) Transgressão, literalmente, "ir além do limite" (Rom. 4:15). Os mandamentos de Deus são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território perigoso e dessa maneira sofrer prejuízo para sua alma.
(f) Queda, ou falta, ou cair para um lado (Efés. 1:7) no grego, donde a conhecida expressão, cair no pecado. Pecar é cair de um padrão de conduta.
(g) Derrota é o significado literal da palavra "queda" em Rom. 11:12. Ao rejeitar a Cristo, a nação judaica sofreu uma derrota e perdeu o propósito de Deus.
 (h) Impiedade, de uma palavra que significa "sem adoração, ou reverência". (Rom. 1:18; 2 Tim. 2:16.) O homem ímpio é o que dá pouca ou nenhuma importância a Deus e às coisas sagradas. Estas não produzem nele nenhum sentimento de temor e reverência. Ele está sem Deus porque não quer saber de Deus.
(i) O erro (Heb. 9:7) Descreve aqueles pecados cometidos como fruto da ignorância, e dessa maneira se diferenciam daqueles pecados cometidos presunçosamente, apesar da luz esclarecedora. O homem que desafiadoramente decide fazer o mal, incorre em maior grau de culpa do que aquele que é apanhado em falta, a que foi levado por sua debilidade.




* Se lhe for acessível, consulte a Concordância de Strong. (N. da Editora).


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