Lição 04 – Uma Igreja Exemplar
(Dca. Maria Teresa)
TEXTO
BÍBLICO BÁSICO:
At 2:42- 47; 11:19-23
TEXTO
ÁUREO:
At 2:42 :
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no
partir do pão, e nas orações”.
Perseverar = (Gr)
Hypameno = Manter-se firme e ser constante em todos os tempos e modo, dando ao
mundo um exemplo de fidelidade cabal.
1.
PERSEVERANÇA, UMA CARACTERÍSTICA GLORIOSA O caminho para o êxito é a
perseverança. Mc 13:13b: “Mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo”
2.
PERSEVERANÇA NA DOUTRINA DOS APÓSTOLOS 2.1. A
doutrina dos apóstolos: At 2:42; Hb 13:7; Jo 7:16; 2 Tm 3:10,14; Tt 2:1,7. 2.2. O ensino da Palavra: Sl 78:1;
1Tm 4:2,16; Sl 119:105; Jr 15:16; Hb 12:11; 1Jo 1:3,7. 2.2.1. A Palavra produz
fé: Rm 10:17; Hb 11:1. 2.2.2. A Palavra
gera avivamento espiritual: 2Cr 7:14; Gl 2:20; Hb 10:39.
3.
PERSEVERANÇA NA COMUNHÃO O meio que Deus ordenou e proporcionou para
que perseveremos é a exortação e encorajamento consistente, fiel e amorosa que
vem a nós de outros homens e mulheres cristãos. 3.1. O cuidado com o próximo:
At 2:44-47; Hb 3:12-14. 3.2. A participação da mesa do Senhor: At 2:46. Além
das refeições compartilhadas e de toda ação social, os primeiros discípulos se
dedicavam ao ensino do Reino de Deus em toda oportunidade de alimentação.
4.
PERSEVERANÇA NA ORAÇÃO A experiência da igreja nas orações
proporciona milagres e bênçãos que sustentam a fé com alegria. Para perseverar,
é preciso orar! Por que perseverar em oração? At 1:14; At 4:31; Rm 12:12; Ef 6:18.
CONCLUSÃO
Como nossos primeiros
irmãos, mantenhamo-nos firmes na doutrina dos apóstolos; que possamos nos
transformar, e nos dedicar ao ensino, à comunhão, ao partir do pão e às
orações, como faziam os primeiros cristãos.
✅Fonte: ADVEC – ASSEMBLEIA
DE DEUS VITÓRIA EM CRISTO
TAQUARA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL – CLASSE DOS
PROFESSORES LPD n.º 51 – A Gênese Triunfal da Igreja 3.º Trimestre de 2017
Tópico 1
1-PERSEVERANÇA- FIRMEZA, CONSTÃNCIA NA FÉ, NAS VIRTUDES.
LUCAS
8:15- E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a
conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança.
PACIÊNCIA- VIRTUDE QUE FAZ SUPORTAR OS MALES COM
RESIGNAÇÃO. QUALIDADE DAQUELE QUE ESPERA COM TRANQUILIDADE.
VITÓRIA DA IGREJA ESTÁ- PERSEVERANÇA E PACIÊNCIA.
ROMANOS
8:25 Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.
TOPICO 2
DOUTRINA- TUDO O QUE É OBJETO DE ENSINO.
MARCOS
7:7- Em vão, porém, me honram,Ensinando doutrinas que são mandamentos de
homens.
EFÉSIOS
4:14 Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o
vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam
fraudulosamente.
1
TIMÓTEO 4:16 Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas;
porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.
2:2.1 A PALAVRA PRODUZ FÉ - REVISTA
TOPICO 3
COMUNHÃO = PARTICIPAÇÃO
EM COMUM EM CRENÇAS OU IDÉIAS.
·
AMAR O PRÓXIMO
·
PARA SER IGREJA EXEMPLAR TEM QUE SOCORRER OS NECESSITADOS:
CHAMA A ATENÇÃO DOS NÃO CRENTES
·
SANTA CEIA = PÃO E VINHO REPRESENTANDO CORPO
E SANGUE
TOPICO 4
ORAÇÃO = PRECE OU SUPLICA DIRIGIDA A DEUS.
·
PORQUE DA ORAÇÃO = RELACIONAMENTO
PV
15:29 O Senhor está longe dos ímpios, mas a oração dos justos escutará.
·
IGREJA EXEMPLAR ADORA A DEUS DE NOITE E DE
DIA
LUCAS
2:37 E era viúva, de quase oitenta e
quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações,
de noite e de dia.
·
ORAÇÃO INTERCESSORA
NÚMEROS
6:23 Fala a Arão, e a seus filhos dizendo: Assim abençoareis os filhos de
Israel, dizendo-lhes:
EXEMPLOS DE RESPOSTA À ORAÇÃO INTERCESSORA:
GENESIS
17:18 – 20 E disse Abraão a Deus: Quem dera que viva Ismael diante de teu
rosto!
E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua para a sua descendência depois dele.
E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis aqui o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e fá-lo-ei multiplicar grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação.
E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua para a sua descendência depois dele.
E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis aqui o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e fá-lo-ei multiplicar grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação.
·
ORAÇÃO DEVE SER SINCERA
HEBREUS
10:22 Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os
corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,
·
ORAÇÃO QUE DEUS NÃO ACEITA
ISAIAS 1:15 Por isso, quando estendeis as vossas mãos,
escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não
as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.
·
ORAÇÃO DE JOELHOS
1
REIS 8:54 Sucedeu, pois, que, acabando Salomão de fazer ao Senhor esta
oração e esta súplica, estando de joelhos e com as mãos estendidas para os
céus, se levantou de diante do altar do Senhor.
·
ORAÇÃO ORDENADA
1
REIS 3:5 E em Gibeom apareceu o Senhor a Salomão de noite em sonhos; e
disse-lhe Deus: Pede o que queres que eu te dê.
·
ORAÇÃO DE CRISTO
MATEUS
14:23 E,
despedida a multidão, subiu ao monte para orar, à parte. E, chegada já a tarde,
estava ali só.
✅Prof. Pr. Fauto Reis- Advec
Introdução
Didaqué
significa “instrução” ou “doutrina”. Trata-se de um
escrito que data de fins do séc. I de nossa era e, portanto, bem próximo dos
escritos do Novo Testamento. O nome“ Instrução dos Doze Apóstolos” lembra At
2,42 (“o ensinamento dos apóstolos”), mas é difícil que a obra tenha sido
escrita por algum deles ou seja de um só autor. Os estudiosos hoje estão de
acordo em dizer que ela é fruto da reunião de várias fontes escritas ou
orais,que retratam a tradição viva das comunidades cristãs do séc. I. Os
lugares mais prováveis de sua origem são a Palestina ou a Síria. A
Didaqué é um manual de religião ou, melhor dizendo,
uma espécie de catecismo
dos primeiros cristãos. Esse documento nos
permite conhecer as origens do cristianismo, e principalmente nos dá uma
idéia de como eram a iniciação cristã, as celebrações, a organização e a vida
das primeiras comunidades. O autor(ou autores) pertence ao
meio judaico-cristão, e dirige seu ensinamento a comunidades formadas por
convertidos vindos principalmente do paganismo.O conteúdo e o estilo da
Didaqué
lembram imediatamente muitos textos do Antigo e no
Novo Testamento, bem como outros escritos cristãos do séc. I d.C. O tom e os
temas de muitas exortações se parecem bastante com os da literatura sapiencial
e diversos trechos dos evangelhos. Dessa forma, esse catecismo das comunidades
da Igreja Primitiva é testemunho vivo de como os primeiros cristãos se
alimentavam da Palavra de Deus contida nas Escrituras, transformando e
interpretando os textos bíblicos em vista de suas necessidades e situações. A
leitura da
Didaqué
faz logo sentir que as comunidades cristãs daquele
tempo ainda não estavam completamente estruturadas. As comunidades não têm
representante oficial fixo(padre ou vigário), os bispos e diáconos são
mencionados de passagem, e não sabemos bem quais funções exerciam. Fala-se
diversas vezes em “apóstolos, profetas e mestres”, dando a impressão de que
eram propriamente pregadores itinerantes a serviço de diversas comunidades. Por
outro lado, nota-se que a liturgia é também muito simples e se resume
acelebrações feitas em clima doméstico. Os sacramentos mencionados pertencem à
iniciação cristã – batismo, confissão, eucaristia – e parecem ser
todos administrados pela comunidade,e não por um membro do clero, ainda
inexistente.Visível, contudo, é o clima que a comunidade vive, dentro de uma
sociedade estruturalmente pagã. A preocupação de não se confundir com o
ambiente, de não se deixar manipular por aproveitadores oportunistas (até
mesmo disfarçados de profetas), a esperança um pouco nervosa de uma escatologia
próxima e o tema da perseverança heróica no caminho da fé são
características das comunidades nascentes, que ainda estão descobrindo sua vocação
e missão no mundo***
✅ Didaque Com Comentarios
DIDAQUÉ:
A
Doutrina dos Apóstolos
Capítulo
I
1
Existem dois caminhos no mundo: o da vida e o da morte; o da luz e o das
trevas. Neles foram estabelecidos dois anjos: o da justiça e o da iniqüidade.
Porém, grande é a diferença entre esses dois caminhos. 2 Este é o caminho da
vida: em primeiro lugar, deves amar ao Deus eterno que te criou; em segundo
lugar, [deves amar] o teu próximo como a ti mesmo; assim, tudo o que não
quiserdes que seja feito contigo, não o farás a outro. 3 A explicação destas
palavras é a que segue.
Capítulo
II
1[...]
2 Não cometerás adultério; não matarás; não prestarás falso testemunho; não
violarás a criança; não fornicarás; não praticarás a magia; não fabricarás
poções; não matarás a criança mediante aborto, nem matarás o recém-nascido; não
cobiçarás nada do teu próximo. 3 Não proferirás perjúrios; não falarás mal, nem
recordarás das más-ações. 4 Não darás mal conselho, nem teu linguajar terá
duplo sentido, pois a língua é uma armadilha para a morte. 5 Tua palavra não
será vã, nem enganosa. 6 Não serás ambicioso, nem avarento, nem voraz, nem
adulador, nem parcial, nem de maus costumes; não admitirás que se crie uma
armadilha para o teu próximo. 7 Não odiarás a qualquer homem, mas o amareis
mais que a tua própria vida.
Capítulo
III
1
Filho: afasta-te do homem mal e do homem falso. 2 Não sejas irado porque a ira
conduz ao homicídio, nem desejes a maldade e a paixão pois disto tudo nasce a
ira. 3... 4Não sejas astrólogo, nem purificador, pois estas coisas conduzem à
vã superstição; nem sequer desejes ver ou ouvir estas coisas. 5Não sejas
mentiroso porque a mentira conduz ao roubo; nem amante do dinheiro, nem da
vadiagem, pois de tudo isto nascem os roubos. 6 Não sejas murmurador porque
isto conduz à difamação; não sejas temerário, nem penses mal, pois de tudo isto
nascem as difamações. 7 Ao contrário, sê manso, porque os mansos possuirão a
terra santa. 8 Sê também paciente em teu trabalho; sê bom e temeroso de todas
as palavras que escutas. 9 Não te enaltecerás nem te gloriarás perante os
homens, nem infundirás a soberba na tua alma; não te unirás em espírito com os
orgulhosos, mas te juntarás aos justos e humildes. 10 Receberás como bem as
coisas adversas que te ocorrerem, sabendo que nada ocorre sem Deus.
Capítulo
IV
1Daquele
que te ensina a palavra do Senhor Deus, te recordarás dia e noite. O
respeitarás como ao Senhor, pois onde se apresentam as coisas relativas ao
Senhor, ali está o Senhor. 2 Assim pois, busca o rosto dos santos, para que te
entretenhas nas suas palavras. 3 Não causes divisões, mas põe paz entre os que
se desentendem; julga retamente sabendo que também tu serás julgado; não
derrubarás ninguém em desgraça. 4 Não terás dúvidas se será ou não verdadeiro.
5 Não sejas como aqueles que estendem a mão para receber e encolhem para dar. 6
Sim, graças às tuas mãos, tens a redenção dos pecados; não terás dúvidas ao
dar, sabendo quem será o remunerador dessa recompensa. 7 Não te desviarás do
necessitado, mas compartilharás todas as coisas com teus irmãos e não dirás que
sãos tuas. Se somos co-partícipes no imortal, quanto mais devemos iniciá-lo já,
a partir daqui? Eis que o Senhor quer dar a todos os Seus dons. 9 Não afastarás
as tuas mãos dos teus filhos, mas desde a juventude lhes ensinarás o temor a
Deus. 10 A teu servo ou a tua serva, que esperam no mesmo Senhor, não os obrigarás,
com ira, que venham a temer ao Senhor e a ti, pois Ele não veio para
discriminar pessoas, mas para aqueles em quem encontrou um espírito humilde. 11
Vós, servos, permanecei submissos aos vossos senhores como a Deus, com pudor e
temor. 12 Odiarás toda hipocrisia e não farás o que não agrada a Deus. 13
Assim, pois, guarda, filho, o que tens ouvido e não lhe acrescentes coisas
contrárias, nem as reduza. 14 Não te cerques da oração cm maus propósitos. Este
é o caminho da vida.
Capítulo
V
1 Por
outro lado, o caminho da morte é contrário àquele. Para começar, é mau e cheio
de maldições: adultérios, homicídios, falsos testemunhos, fornicações, maus
desejos, atos mágicos, poções malditas, roubos, vãs superstições, furtos,
hipocrisias, repugnâncias, malícia, petulância, cobiça, linguajar imoral,
inveja, ousadia, soberba, orgulho, vaidade. 2 Os que não temem a Deus, os que
perseguem os justos, os que odeiam a verdade, os que amam a mentira, os que não
conhecem a recompensa da verdade, os que não se aplicam ao bem, os que não têm
um reto juízo, os que não cuidam pelo bem mas pelo mal 3 dos quais se esgota a
paciência e cerca a soberba - os que perseguem aos remuneradores, os que não se
compadecem do pobre, os que não se afligem com o aflito, os que não conhecem a seu
Criador, os que assassinam os seus filhos, os que cometem o aborto, os que se
afastam das boas obras, os que oprimem o trabalhador, os que se esquivam do
conselho dos justos: Filho, afasta-te de todos estes!
Capítulo
VI
1 E
vigia para que ninguém te afaste desta doutrina; do contrário, serás
considerado sem disciplina. 2... 3... 4 Se a cada, com cuidado, fizeres estas
coisas, estarás próximo do Deus vivo; se não o fizeres, estarás longe da
verdade. 5 Põe todas estas coisas em teu espírito e não perderás a tua
esperança; ao invés, por estes santos combates, chegarás à coroa. 6 Por Jesus
Cristo, o Senhor que reina e é Senhor com Deus Pai e o Espírito Santo, por
todos os séculos dos séculos. Amém.
✅FONTE:
B.
Altaner/A.Stuiber. Patrologia, ed. Paulinas, pp. 89/91
📌Uma Igreja exemplar
No cap. 2 de Atos narra a decida do
Espírito Santo. A Igreja inicia no Pentecostes. O Espírito Santo deu início a
Igreja. Cheio do Espírito Santo prega o seu primeiro sermão e três mil pessoas
se convertem. A partir daí inicia-se a história da Igreja, história que continua
até os nossos dias. O livro de Atos não foi ainda fechado, porque a história da
Igreja continua. Como sujeitos da história, estamos escrevendo o capítulo 29 de
Atos. A igreja não somente foi edificada sobre um forte fundamento como também
foi revestida de poder. O livro de Atos conta a trajetória da Igreja de Cristo,
e em poucas palavras, Lucas descreve as características dessa Igreja;
características que devem ser apreciadas pela igreja de nossos dias.
O TEXTO DE ATOS 2.42-47 NOS APRESENTA CINCO (5) CARACTERÍSTICAS DA IGREJA PRIMITIVA:
1.
Perseverança v.42
1.1.
Perseverança na doutrina dos apóstolos;
1.2.
Perseverava na comunhão;
1.3.
Perseverava no partir do pão;
1.4.
Perseverava na oração.
2. Temor v.
43. Era uma igreja temente a Deus.
2.1. Temor é
levar a Deus a sério. É reverência, obediência e respeito.
2.2. O
resultado do temor a Deus: realização de prodígios e sinais.
3.
Desprendimento, abnegação, altruísmo – vv. 44,45.
3.1. O
desprendimento pressupõe a fé comum;
3.2. O
desprendimento pressupõe a unidade. A fé em Deus deve promover a unidade;
3.3. O
desprendimento pressupõe a amor mútuo.
4. Alegria –
era uma igreja alegre v. 46.
4.1. A base
da alegria era a unanimidade (unânime – do mesmo sentimento ou da mesma
opinião, comum acordo.
4.2. A
alegria permite-nos ter uma convivência íntima;
4.3. A
alegria estava baseada na sinceridade do coração.
4.4. A
alegria é fruto do Espírito (Gl 5.22).
5. Gratidão
– era uma igreja que sabia agradecer – v.47.
5.1. Um
aspecto da gratidão é uma vida de louvor a Deus;
5.2. Um dos
frutos da gratidão é a simpatia: a Igreja caia na graça do povo. Ela chamava a
atenção de todos.
Resultado: “E o Senhor lhes
acrescentava diariamente os que iam sendo salvos”.
A igreja do século XXI precisa ser
contextualizada; uma igreja que caia da graça do povo; uma igreja que faça a
diferença, uma igreja conquistadora. A Igreja Primitiva ainda é o modelo para a
atualidade.
📕✏A IGREJA QUE QUEREMOS SER
A igreja primitiva é o modelo mais excelente para todas as outras, em todos os tempos, em todos os lugares. Esta igreja tornou-se uma referência de igreja fiel, digna de ser imitada. Ao vermos em nossos dias as mais variadas igrejas, com as mais diversas liturgias, diferenças doutrinárias e denominações, nos perguntamos: “Qual é a igreja que queremos ser”?
Ao olharmos
para a igreja no livro de Atos 2, encontraremos as marcas de uma igreja
verdadeira. Alguém já disse: “Só conseguiremos enxergar o futuro com os olhos
do passado”.
1) Queremos ser uma igreja comprometida com a verdade (At 2.42) –
A igreja que
nasceu como fruto do derramamento do Espírito e da exposição ungida das
Escrituras perseverava na doutrina dos apóstolos. Não há igreja verdadeira sem
a doutrina apostólica. Onde as verdades das Escrituras são negadas ou torcidas,
pode haver sociedades religiosas, mas não igrejas de Cristo. A igreja não pode
estar à mercê de doutrinas de homens, mas fundamentada na eterna e infalível
Palavra de Deus.
A igreja não pode andar às escuras. Ela sabe com segurança para onde vai. Ela anda na luz da verdade. A Igreja atual precisa urgentemente voltar para as Escrituras. Infelizmente o que está crescendo espantosamente neste país não é o Evangelho, mas outro evangelho, um evangelho mistificado, sincrético, antropocêntrico, que busca agradar os homens, em vez de glorificar a Deus.
2) Queremos
ser uma igreja marcada pela profunda união entre os irmãos (At 2.42)
Uma igreja
jamais poderá atrair pessoas se não houver comunhão entre os seus membros. O
amor é a evidência do verdadeiro discípulo de Jesus (Jo 13.35). Nesta igreja
todos os membros da igreja estavam juntos e tinham tudo em comum. Nesta igreja
a prioridade eram pessoas, hoje invertemos, a prioridade é quanto está entrando
no caixa da igreja. Essa igreja acolhia com muito amor todos os que chegavam e,
ao mesmo tempo, era simpática com os de fora (At 2.47). A igreja apostólica era
uma comunidade terapêutica.
Atualmente,
muitas vidas em vez de serem curadas, saem mais doentes de quando entraram na
igreja! Numa sociedade ferida e quebrada pelo pecado, a igreja de Cristo é
lugar de refúgio e restauração para aqueles que se arrependem e crêem no Senhor
Jesus.
3) Queremos ser uma igreja simpática aos olhos da sociedade (At 2.47)
A igreja de
Jerusalém desfrutava de uma boa reputação na cidade. Os cristãos davam
testemunho irrepreensível. Eles eram uma referência para os não-crentes.
Podemos dizer o mesmo dos cristãos dos dias atuais? Há muitos comércios que nem
vendem mais para cristãos! Alguém já disse: “Cuide de sua vida, pois ela pode
ser a única Bíblia que alguém irá ler”. Temos dado bom testemunho? Temos sido
sal e luz do mundo?
Hoje a
igreja é mais conhecida por seus escândalos, do que a firmeza e integridade de
sua missão. A igreja é grande, mas não causa impacto. Ela tem extensão, mas não
tem profundidade. Tem membros ilustres, mas não há santidade. Tem um orçamento
exemplar, mas não há nela a atuação do Espírito. A igreja via de regra tem
crescido para os lados, mas não para cima nem em profundidade. Tem quantidade,
mas não há qualidade.
4) Queremos ser uma igreja que tem “fome” de Deus (At 2.42)
A igreja de
Jerusalém não apenas acreditava na oração; ela orava. Não apenas tinha uma
correta teologia sobre oração; ela orava. As reuniões de oração em muitas
igrejas estão morrendo! A igreja contemporânea desaprendeu de orar. Temos
grandes livros sobre oração, mas não oramos. Pregamos sermões sobre oração, mas
não oramos. O povo de Deus anda muito ocupado para ocupar-se com Deus. Hoje
temos gigantes na erudição e pigmeus na vida de oração. E.M. Bounds disse no
seu clássico livro O poder através da Oração que: “homens mortos tiram de si
sermões mortos, e sermões mortos matam”.
Hoje temos
fome, mas não de Deus. Temos fome de sucesso, fama, dinheiro, etc. Como esperar
outro Pentecoste se nem ainda fomos despertados para orar? Primeiro, vem a
igreja toda, unânime, perseverando em oração, para só depois vir o Pentecoste.
5) Era uma igreja que crescia diariamente (At 2.47)
Enquanto a
igreja crescia em graça e santidade, Deus a fazia crescer em número. Qualidade
gera quantidade. Quando a igreja planta e rega, Deus dá o crescimento (1 Co
3.6). Quando a igreja vive o que prega e testemunha no poder do Espírito, Deus
a faz crescer. A igreja apostólica crescia em 3 dimensões:
A)
Crescimento para cima – A igreja cresce para cima em adoração. O fim principal
do homem é glorificar a Deus. Deus, e não o homem, é o centro da missão da
igreja. Adorar a Deus não é apenas um momento do culto coletivo, quando
entoamos hinos e ouvimos a Palavra. Toda a nossa vida deve ser uma vida de
adoração. Não podemos separar a vida particular da adoração coletiva.
B)
Crescimento para dentro – A igreja cresce para dentro em comunhão. Onde não há
comunhão fraternal, não há adoração verdadeira a Deus. Onde não há perdão, o
inimigo prevalece. Não podemos amar a Deus e odiarmos os irmãos ao mesmo tempo.
Deus ordena a benção e a vida onde os irmãos vivem em união (Sl 133).
C)
Crescimento para fora – A igreja cresce para fora por meio da evangelização.
Uma igreja saudável não vive para si mesma. Ela não é narcisista. A igreja deve
buscar os perdidos. Sua missão é anunciar o evangelho a toda criatura e fazer
discípulos de todas as nações. A evangelização deve arder em nosso coração. A
evangelização deve ser um estilo de vida de todo o cristão. Quão triste é saber
que muitos cristãos não conseguem ganhar uma alma durante o ano inteiro. Isso
deveria nos envergonhar!
✅FONTES DE
PESQUISA
https://bereianos.blogspot.com.br/2009/08/igreja-que-queremos-ser-atos-2.html
Por : ebdbelasartes
O
livro de Atos não é um livro doutrinário, como já vimos, mas é um livro repleto
de informações doutrinárias. As ênfases sobre a doutrina da Igreja são feitas a
partir da história, e consequentemente pela prática. Lucas não intenciona em
seu relato julgar se a prática da Igreja de Deus é correta ou não, mas a coloca
a prática da igreja primitiva como padrão a ser seguido. Portanto, o que vemos
em Atos não é um guia para a doutrina da Igreja, mas para o exercício efetivo
da vontade de Deus por meio da igreja. Isso está em acordo com Ef.3.10 que o
objetivo da Igreja é fazer a multiforme sabedoria de Deus conhecida em todos os
lugares segundo o eterno propósito de Deus que estabeleceu em Cristo
Jesus.
Para não cometermos
erro na prática da Igreja, precisamos entender a forma como Lucas escreve o
Livro de Atos, pois para ele a história é narrada a partir de personagens e
eventos que são utilizados com padrão para a redação. Por isso encontramos em
Atos situações semelhantes entre a vida de Paulo e Pedro, entre a Igreja em
Jerusalém e a Igreja gentílica, no derramamento do Espírito Santo. Isso não
significa que os fatos são aterados por Lucas, mas arranjados em conformidade
com seu estilo literário. Da mesma foram, não significa que são irrerais as
informações, mas trata-se de um recurso literário, de enfatizar o que considera
importante, da mesma maneira que é superficial com acontecimentos considerados
menos importantes.
No fim do segundo
capítulo de Atos vemos que existe um arranjo literário muito interessante, pois
trata-se de um resumo informativo sobre a vida da Igreja. “Uma das
características de Lucas é separar os vários incidentes da primeira parte de
Atos por meio de pequenos parágrafos ou versículos que dão resumos da situação
da igreja nas várias etapas do seu progresso[1]“. Esse fato ressaltado por Howard Marshall acontece claramente
aqui, e é a primeira vez que acontece em referência ao livro de Atos, mas é um
recurso literário de Lucas já conhecido e evidenciado no prólogo, quando se
referiu ao Evangelho (At.1.1-3).
O grande valor
desse resumo de Lucas é que podemos observar como a Igreja Primitiva
mantinha-se fiel a exigências de Cristo ante a propagação da mensagem do
evangelho e do crescimento numérico que a acompanhava. Diante da história
da Igreja do primeiro século, podemos retirar as seguintes princípios para
hoje:
1. A Igreja precisa
manter-se Simples
Tal princípio não tem
sido absorvido como deveria na maior parte das Igreja. A simplicidade da
igreja diz respeito a vida de sua essência. Atos nos ensina que não existe
um forma
absoluta e engessada para a vitalidade
da igreja. Contudo, nos mostra exatamente quais são os elementos essenciais
para seu funcionamento. Neste ponto vemos sua vitalidade.
Observe que os discípulos
são apresentados por Lucas como aqueles que ensinavam e pregavam. Tal colocação
diz respeito a função exercida pelos apóstolos de Cristo. Contudo, diversas
pregações e ensinos são apresentados em Atos, e muitas diferenças são vistas os
ensinos de Paulo e Pedro. Com isso não estamos afirmando que um está certo e o
outro errado, mas observando um princípio vital para a Igreja: O Exercício
efetivo da função é necessário, da mesma forma que a liberdade para a sua
execução. Existe apenas uma restrição necessáruia nesse processo: A forma nunca
pode manipular a função, mas, antes, viabilizar. Para facilitar a absorção
deste princípio, vamos resumir da seguinte maneira:
§ Atos nos mostra funções e princípio a
serem seguidos;
§ Atos, às vezes, nos mostra a forma
que devem ser executados, mas é parcial e incompleta;
§ Em Atos, normalmente, a forma varia
de acordo com o contexto;
§ Portanto, a Essência é Vital, a Forma
secundária.
Seguindo essas colocações
só podemos concluir que a Essência da Igreja restringe-se a execução de suas
funções vitais. Como isso vai acontecer, cada líder deve avaliar a partir do
contexto em que vive. Não existe um manual absoluto de crescimento e expansão
da Igreja pronto para ser utilizado em todas as culturas. Por isso, cada líder
deve avaliar a forma de executar as funções vitais do Corpo de Cristo, sem
ferir, manipular, destruir, desconsiderar, sua essência. Por esta razão afirmamos
que a Igreja deve manter-se simples!
Entretanto, ao afirmarmos
que a Igreja mantinha-se simples não estamos dizendo que a igreja primitiva era
uma igreja pobre, ou uma igreja não sofisticada, mas uma igreja que vivia em
conformidade com a essência da fé cristã.
Note que existem seis declarações nesses versículos que expressam as atividades
da Igreja Primitiva:
A. Doutrina dos Apóstolos
O primeiro ponto a ser
ressaltado é a Doutrina dos Apóstolos. O que Lucas quer dizer com “perseveravam na doutrina
dos apóstolos” é que a Igreja
Primitiva mantinha-se firmada na instrução dos apóstolos. A idéia expressa pelo
verbete “perseverar” é dar constante atenção a alguma
coisa. Ou seja, a Igreja Primitiva mantinha-se
constantemente alicerçada pelo ensino apostólico. É importante ressaltar que até este
ponto da história a doutrina da igreja primitiva podia ser resumida pelo v.36
do mesmo capítulo: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de
Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo“. Em favor desta idéia vamos nos lembrar
daquilo que Paulo nos informa em 1Co15.3-4: “Antes de tudo, vos entreguei o que
também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e
que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras“. A intenção de Paulo era de deixar
aos Coríntios aquilo que é essencial para sua vida. Essa é a doutrina deixada
que deve ser ensinada na Igreja hoje. Tudo o que não é concernente a doutrina
dos apóstolos deve ser deixada de lado.
Contudo, é digno de nota
que todos os apóstolos tinham sido instruídos por Cristo, e por certo podiam
repassar aquilo que haviam aprendido. Aliás, a expressão grega referente a “doutrina dos apóstolos” sugere que tal instrução seja
procedente dos apóstolos. Ou seja, O ensino da igreja é
mantido por aqueles que tem autoridade e capacidade para tal tarefa
Dois requisitos
básico devem ter os que transmitem o ensino dos apóstolos: Autoridade e
Capacidade. Sobre capacidade, podemos dizer que tal princípio não é um critério
exigido pela Instituição da Igreja, nem mesmo pela liderança local de cada
núcleo da Igreja. Mas é um requisito das Escrituras. Observe que duas passagem
exigem isso de maneira irrevogável: 1Tm.3.2 e 2Tm.2.24.
Qual é o papel da
liderança da Igreja hoje? Certamente o mesmo desempenhado pelos apóstolos no
início da História. Sobre eles estava a responsabilidade de instruir e governar
a igreja de Cristo, não como senhores, mas como servos. O serviço do líder deve
estar em conformidade coformidade com o serviço de seu Senhor. Cristo, como exemplo
de liderança, foi o discipulador dos apóstolos, mas manteve-se sempre humilde
diante deles. O Serviço do líder deve ser o Serviço a Seu Senhor, nos moldes
ensinados por ele.
De acordo com tal
conclusão, podemos dizer que o líder deve promover a Instrução dos membros do
Corpo de Cristo. Mas qual deve ser o conteúdo do seu ensino? Certamente o mesmo
conteúdo exposto pelos apóstolos. Tudo o que os apóstolos ensinaram que merece
ser lembrado historicamente, foi preservado pelo Espírito Santo até os dias de
hoje, e todo esse material encontra-se nas Escrituras. Diante desse fato, o
papel do líder da Igreja é promover o governo da comunidade cristã que dirige,
nos moldes da Liderança de Cristo, da mesma forma que promove o ensino nos
moldes do ministério dos apóstolos.
B. Comunhão
Lucas não poderia estar
equivocado quando utilizou o vocábulo “comunhão” quando se referiu à Igreja
Primitiva. A descrição subseqüente, esplanada no tópico sobre unidade da
igreja, expõe de forma muito clara as considerações dessa igreja. Assim,
deve-se ressaltar que os primeiros cristãos “eram perseverantes (…) na comunhão“. E como foi anteriormente
ressaltado, isso implica em dizer que eles eram fundamentados na experiência
comum do corpo. Assim, como os outros pontos ressaltados por Lucas, a comunhão
era essência da vitalidade da Igreja.
Contudo, antes de
proseguirmos para outros tópicos, devemos compreender a idéia de “Comunhão“. O termo grego utilizado é “koinonia“. Em suas diversas formas o termo
não é usado mais que 19 vezes no Novo Testamento. Contudo, sua idéia é visível
em várias de suas partes. Um exemplo disso é At.20.36-38:
“Tendo dito estas coisas,
ajoelhando-se, orou com todos eles. Então, houve grande pranto entre todos, e,
abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela
palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto. E acompanharam-no até
ao navio”
Nenhuma vez neste texto
nós encontramos o termo Comunhão, mas não podemos negá-la aqui. É evidente que
a intimidade e comunhão entre Paulo e os cristãos de éfeso, que por razão da
partida de Paulo, houve choro e tristeza. A vida de mutualidade entre Paulo e
os cristãos de éfeso demonstra a Comunhão que existia entre eles. Em At.4.32-35
vemos outro exemplo fantástico e marcante:
“Da multidão dos que creram era um o
coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas
que possuía; tudo, porém, lhes era comum“
Embora vamos comentar com
mais detalhes esse versículo pouco adiante, vale a pena observar que a vida da
Igreja primitiva estava alicerçada na Comunhão, também. Os cristãos estavam tão
próximos uns dos outros que não ousavam considerar seu o que possuía, mas
easstava pronto a dividir com seus irmãos conforme havia necessidade. Isto é a
demonstração da Comunhão que a Igreja deveria ter hoje.
Diante desses fatos, qual
é o papel da liderança nesse ponto? A liderança da Igreja deve promover a Comunhão
da Igreja. Suas atividades devem
viabilizar a Comunhão do Corpo de Cristo. Isso deve ser estudado e planjado de
acordo com as reais disponibilidades da Igreja e de seus participantes.
De fato, a comunhão na
Igreja primitiva era espontânea, por causa da experiência que cada um
dos membros tinham com Cristo.
Mesmo correndo o risco de ser redundante, digo:
“A comunhão da Igreja depende da vida de Comunhão
com Deus que cada membro do corpo de Cristo desfruta”
Tal verdade é bem
colocada por João em sua primeira epístola, observe: “Se, porém, andarmos
na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros” (1Jo.1.7a). Aqui está o segredo da
Comunhão entre os participantes da Igreja de Cristo. Não há separação entre os
que estão na Luz, como Deus é: “Deus é luz e nele não existe trevas
nenhuma” (1Jo.1.5). Todo o que
participa de uma vida de intimidade com Deus, desfruta da intimidade dos que
procuram intimidade com Deus. Quanto mais perto de Deus os participantes da
igreja estão, mas próximos uns dos outros.
Portanto, se o papel do
líder da igreja é promover a Comunhão entre os irmãos, e tal comunhão só é possível
quando eles estão desfrutando de intimidade com Deus, o líder deve auxiliá-los
a buscar intimidade com Deus. O papel do líder não é ser um “dono-da-igreja”,
mas ser um “servo-facilitador” da busca das virtudes bíblicas por
parte dos seus liderados. Portanto, o líder deve dar sua vida pela santificação
da Igreja que dirige. Se isto é buscado e efetivamente executado, a Comunhão é
o resultado. Tal idéia é muito semelhante a colocação de Paulo em 2Co.11.2: “Porque zelo por vós com
zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como
virgem pura a um só esposo, que é Cristo“.
C. Partir do Pão
A expressão “partir do pão” não diz respeito a uma refeição
típica da época, e que os cristãos mantinham-se comendo apenas pão, mas a
expressão diz respeito à prática da Ceia do Senhor. O termo grego equivalente a
“partir” em português é apenas utilizado no
NT em referência à ceia. Alias, é digno de nota que o termo (te klasei tou artou) é apenas utilizado duas vezes no
NT, ambas feitas por Lucas, e é de uso restrito à ceia. O uso da expressão é
quase que um pleonasmo, visto que klasei (partir) só é aplicado a artou (pão). Segue-se que, com absoluta
certeza, a igreja primitiva mantinha-se firmada constantemente no memorial da morte de
Cristo.
A Ceia do Senhor foi
estabelecida pelo próprio Senhor Jesus, pouco antes de dar Sua Vida em nosso
favor:
Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e,
abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o
meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos
discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da
nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados (Mt.26.26-28)
Naquela ocasião Jesus
estava estabelecendo o que seria considerado posteriormente, o memorial mais
significante do cristianismo. A “Ceia do Senhor” não é uma prática
institucional da Igreja, mas a recordação vívida do Sacrifício de Cristo
em nosso favor, para redenção dos nossos pecados. É a memória da efetivação da
Nova Aliança. Por ser tão grande importância para a Vitalidade do Corpo de
Cristo, Paulo faz a seguinte colocação:
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos
entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e,
tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por
vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de
haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no
meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de
mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o
cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha”
(1Co.11.23-26).
Aqui está claro e
evidente que a “Ceia do Senhor” trata-se e um memoral. O pão continua a ser
pão, e o vinho continua a ser vinho, mas ambos simbolizam e representam o corpo
e o sangue de Cristo, entregue para nossa redenção. E uma advertência deve ser
feita: A CEIA É O ANUNCIO DA MORTE DE CRISTO, e deve ser realizado até que o
Cristo volte. Não existe um cronograma para sua execução, mas deve ser
executado. Pode ser uma vez por mês, por semana, a cada dois meses. A
frequência não é o importante. O importante é que seja frequente.
Contudo, devemos evitar o
erro de considerar a “Ceia do Senhor” como uma mera lembrança, ou ceriminial,
como alguém que, com sudades, observa fotos de seus entes queridos. Não é esse
o sentido da Ceia. Trata-se, sim, de um memorial, mas não é esta sua
razão exclusiva. Vamos observar outro texto importante:
“Porventura, o cálice da bênção que
abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que
partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora
muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do
único pão” (1Co.10.16-17)
Aqui nós vemos que a Ceia é vista como a “participação” do sangue e do corpo de Cristo. Ou
seja, o cristão quando participa do memorial da morte de Cristo é também
participante de sua morte. Isso não significa que o cristão morra, mas que
participa das bênçãos oferecidas por essa morte. A conclusão disto, é que os
cristãos são feitos um só corpo. A conclusão do argumento de Paulo sobre a ceia
é que ela é a união espiritual entre Cristo e os cristãos. Isso é visto em
1Co.10.21: “Não
podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser
participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios“. Se realizarmos a ceia deste modo
estaremos suscitando o Senhor a Ira contra nós, como se pudéssemos contender
com Ele (1Co.10.22).
Por esta razão é que
Paulo faz sérias advertências sobre participação indevida da “Ceia do Senhor“:
“Porque o que come e bebe indignamente come
e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do
Senhor. Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos
que dormem” (1Co.11.29-30)
Note que a participação
indevida da Ceia torna o participante desatento passível da disciplina de Deus.
Tal disciplina pode ser uma doença física, ou até mesmo a morte. Portanto,
nota-se a seriedade deste memorial participativo. Portanto, não podemos deixar
de observar esse mandamento, com cautela e perseverança. Doi contrário seremos
negligentes e passíveis da disciplina de Deus, sem contar que deixaremos de
lado mais um ponto importante para a Vitalidade da igreja de Cristo.
D. Orações
A Igreja Primitiva viva
em constante oração, quer comunitária como individual. As orações tinham um
papel fundamental na vida da Igreja Primitiva. Isso pode ser claramente
percebido pelo relado deixado por Lucas, que diversas vezes considera as
orações dos primeiros cristãos. Em Atos podemos ver que a oração foi:
§ a atitude dos cristãos diante das
decisões a serem tomadas (1.14);
§ a atitude da liderança da igreja em
situação de crescimento (6.4);
§ a prática da igreja quando os
apóstolos foram libertos da prisão (4.24-30);
§ a prática da igreja quando estava em
situação de perigo e perseguição (12.5);
Como podemos notar, a
Igreja orava junto diante de situações positivas e negativas. Lucas nos mostra
que em situações diferentes das habituais, “havia incessante” oração por parte da Igreja. A
prática do Corpo de Cristo eaxige a Oração, ela é a respiração de sua fé. A
oração deve ser a genuína expressão do nosso coração e reflexo de nossa
autêntica fé. A comunidade que isenta-se dessa prática pública pode deixar de
participar efetivamente. Apenas um ponto merece nosso destaque aqui: “quanto a nós, nos
consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At.6.5). Embora o texto seja
trabalhado pouco mais a frente, aqui fica a nota de que o ministério do líder
da Igreja deve ser cheio de oração. Sua vida deve ser uma vida de oração (cf. O exemplo de Paulo nos seguinte
versos: Rm.1.10; Ef.1.16; Cl.4.12; 1Ts.1.2; Fm.14), e nas tribulações, sua oração deve ser
perseverante (Rm.12.12; Cl.4.2).
E. Louvor
Esta é uma das poucas
referências encontradas em Atos que descreve essa atitude dos cristãos. Isso,
no entanto, não quer dizer que os primeiros cristãos não adoravam a Deus, mas
que suas reuniões estavam mais voltadas para a instrução, a oração e a
comunhão. Contudo, devemos notar que todos os outros fatos ocorriam enquanto os
cristãos louvavam a Deus[2] . Ou seja, embora sejam
poucas as referências era uma atividade que estava intimamente ligada a
expressão de adoração da igreja. Entretanto, não podemos afirmar com certeza se
isso acontecia por meio da música, embora possa ser muito bem expressa por ela.
Contudo uma pergunta
merece ser feita: Qual a ligação do louvor com a música? Será que os primeiros
cristãos musicavam seu louvor? De fato não é possível responder definitivamente
esta pergunta. Contudo, podemos considerar que a situação dos cristãos nesse
momento histórico não era favorável a cultos musicais.
O que podemo dizer é que
o louvor da igreja não era definitivamente ligado a música, como, na verdade,
não deveria ser. Hoje estamos acostumados a ter um “louvor” com músicas no
culto público, e nos esquecemos da essência do louvor na vida pessoal. Segundo
a definição de Hebreus, o louvor é resultado de lábios que confessam o nome de
Cristo (Hb.13.15). Por outro lado, não podemos nos
esquecer das colocações encontras nos Salmos (Sl.6:5; 22:25; 34:1; 35:28;
40:3; 42:4; 48:10; 65:1; 66:2, 8; 71:8; 100:4; 102:21; 106:12, 47; 109:1;
111:10; 119:171; 147:1; 148:14; 149:1), que apresentam louvores musicados.
Para melhor entendermos
essa questão vamos chamar esse louvor da igreja primitiva de adoração, que em
sua essência é deveras semelhante ao louvor. Diante dessa colocação devemos
reconhecer que a missão central da Igreja é adorar e glorificar a Deus,
portanto deve fazer parte da vida da Igreja. Observe que isso deve ser feito “com salmos, hinos e
cânticos espirituais” (Cl.3.16), por que
fomos escolhidos “para sermos para louvor de sua glória” (Ef.1.12).
F. Evangelismo
No mesmo versículo
podemos perceber, ainda que um pouco escondido, a atividade evangelizadora da
Igreja Primitiva. Note: “e dia-a-dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam
sendo salvos“. Por mais que a
atividade esteja centralizada na atividade divina na salvação, sabe-se que “aprouve a Deus salvar os
que crêem pela loucura da pregação”
(1Co.1.21). Portanto, não se pode negar que o evangelismo era parte integral da
vida da igreja primitiva, sendo que isto acontecia diariamente. Segue-se,
então, que a proclamação da verdade, o kerigma na Igreja Primitiva era parte
essencial da vitalidade da Igreja de Cristo, assim como todos os elementos já
mencionados.
A conclusão que devemos
chegar aqui é que estes seis elementos são essenciais na prática e na
experiência da Igreja de Cristo. Portanto, a igreja local que não viabiliza a
execução desses seis pontos não pode ser considerada uma igreja saudável. Em
alguns casos é possível que nem possa ser considerada como parte da Igreja de
Cristo.
2. A Igreja precisa
manter-se Unida
Na introdução deste
estudo foi utilizado uma frase que expressa um pouco daquilo que encontramos
neste trecho, pois aqui vemos o aspecto mais forte, ou o mais enfatizado por Lucas
em suas descrições da Igreja Primitiva: A Unidade, que destrói idéias
contrárias, a preferência, o egoísmo e principalmente o fermento que toma conta
das igrejas atuais, o partidarismo. Provavelmente isto se deve à necessidade
bíblica da Unidade que é muito bem exposta por Cristo antes de se morrer e ser
elevado às alturas. Note algumas considerações de Cristo sobre a unidade na
Igreja: “Já
não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto
de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles
sejam um, assim como nós” (Jo.17.11). Jesus em sua oração pede a Deus
que aqueles que são seus mantenham-se unidos, ou melhor que seja “um” como Ele o é com Deus Pai (cf. 17.22);“Não rogo somente por estes, mas
também por aqueles que, pela sua palavra, hão de crer em mim, a fim de que
todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em
nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo.17.20-21). Note que a unidade do Corpo de
Cristo é a Vontade de Cristo para sua Igreja e um pré-requisito para o
testemunho na comunidade, portanto não deve estar em falta na comunidade
cristã. Assim, é importante compreender o que é Unidade na Igreja Primitiva.
Para tanto podemos considerar os seguintes pontos:
A. Auxílio Social
Auxílio Social é uma
marca muito bem delineada da Igreja Primitiva. Observe no v.45 a consideração
da dos participantes da igreja: “Vendiam as suas propriedades e
bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que
alguém tinha necessidade“. Os
primeiros cristãos tem vívida a idéia de unidade na comunidade a ponto de que
entre eles ninguém tenha problemas com o essencial para a vida física.
O meio pelo qual isso era
feito é estampado pelo trecho em negrito no supracitado versículo, entretanto
resguardado pela premissa sublinhada no mesmo. Assim, os cristãos preservavam a
integridade física uns dos outros por meio da prática da ação social. Isso
reflete a forma como estavam unidos os irmãos da Igreja Primitiva.
Em At.4.34-35 a
declaração é ainda mais clara: “Não havia, pois, entre
eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas,
vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés dos
apóstolos. e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer
um à medida que alguém tinha necessidade“. A
preocupação da comunidade cristã primitiva era levar a cabo as exigências de
Cristo e assim ser testemunho ao mundo da Graça de Deus.
A conclusão que se chega
ao ler esse trecho é que a Igreja Primitiva é exemplo de uma comunidade que
sabe como investir seu dinheiro, pois investe em pessoas.
B. Comunhão
A comunhão tem papel
fundamental na vitalidade da Igreja, e isso é claramente percebido na
experiência da Igreja Primitiva. Esta é a idéia é exposta pelo termo “estavam juntos” que literalmente significa “eram próximos uns dos
outros“. Ou seja, viviam uma
vida comunitária em unidade. Veja essa descrição: “Diariamente perseveravam
unânimes no templo, partiam pão de casa em
casa e tomavam as suas refeições com alegria e
singeleza de coração“. Mas é importante dizer
que a Igreja Primitiva vive em unidade e não em uniformidade.
C. Mesmo Sentimento
Dentre todos os pontos
destacados até aqui, nenhum me chama tanto a atenção como este. Note que
algumas vezes na nossa leitura observamos a seguinte expressão “perseveravam unânimes” (cf. 1.14; 2.46). A idéia de perseverar já foi bem
exposta, entretanto nada foi dito sobre essa “unanimidade“. O termo grego utilizado é “omotumadón” que é um advérbio. Tal advérbio é utilizado
dez vezes no livro Atos sendo que são apenas onze em todo o NT. Seguindo essa
sugestão, pode-s afirmar que o termo é de grande importância para Lucas e
merece ser bem observada. O termo em pauta pode ser traduzido pelas seguintes
sentenças: “comum
acordo” (At.12.20); “pleno acordo” (At.15.25); “concordemente” (At.18.12, cf. Rm.15.6); “à uma” (At.19.29), sendo encontrado na literatura
grega antiga como “comum consenso“, “com uma mente“, “com um propósito“. Todas as opções encontradas
nos levam a uma conclusão interessante, pois os discípulos mantinham-se firmes
em comum acordo. Isso é apenas possível se os participantes possuírem o mesmo
propósito, estarem em comum consenso com o mesmo modo de sentir e pensar.
Contudo, não se deve confundir isto com uniformidade ideológica, mas unidade em
termos de propósito, modo de pensar, agir e sentir.
O mesmo sentido é exposto
por Paulo, por outros termos, quando diz: “completai minha alegria, de modo
que penseis a mesma cousa¸ tenhais o mesmo amor, sejais unidos de
alma, tendo o mesmo sentimento” (Fl.2.2; cf. Rm.12.16; 2Co.13.11). Mas é importante dizer
que é provável que essa unidade seja uma tentativa de um viver em conformidade
com Cristo que é padrão da vida cristã: “Tende em vós o mesmo
sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fl.2.5; cf. Rm.15.5; Cl.3.2).
Sendo assim, podemos
dizer que unidade na Igreja Primitiva significava ter o mesmo sentimento, tendo
o mesmo propósito, pensar, agir e sentir. Isso pode ser claramente percebido
pela expressão feito por Lucas, pouco depois: “Da multidão dos que
creram era só um o coração e a alma” (At.4.32).
3. A Igreja precisa ter
Maturidade
Um detalhe que parece
antagônico é que a Jovem Igreja Primitiva era Madura e procedia em Maturidade.
Maturidade esta que apaga a infante idéia de agradar o público, mas, ao
contrário disto, busca agradar somente aquele que é digno de Glória. Essa idéia
é importante ser ressaltada pois está em falta em boa parte das comunidades
cristãs hoje. Isso pode ser percebido em três pequenos detalhes:
A. Temor
Na vida de cada cristão havia temor :
“Em
cada alma havia temor” (v.43). O temor é um
ponto primordial para a vida da igreja e parece ser uma exigência em Hb.12.28-29. O sentido expresso pelo termo “temor” está além de medo, embora o inclua.
O termo sugere devota reverencia em relação a Deus. Na Igreja Primitiva, tal
medo reverente existia em cada um dos cristãos (cf. At.5.1-11).
B. Líderes como
Instrumento
Na Igreja Primitiva os
líderes são instrumentos e não Senhores da Igreja (v.43: “…e muitos prodígios e
sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos“). Na Igreja Primitiva os líderes
não eram os “milagreiros“, mas homens que nas mãos de Deus
eram instrumentos de sua graça.
C. Reconhecimento da
Atuação de Deus
O reconhecimento do
crescimento como obra divina (v.47 “Enquanto isso, acrescentava-lhes o
Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos“) A Igreja Primitiva tinha o conceito correto de
que crescimento é competência divina.
[2] É importante ressaltar que o gerúndio “louvando” refere-se a um verbo no presente do particípio ativo grego e é melhor traduzido pelo uso adverbial temporal. Ou seja, “enquanto louvavam“.
Fonte: TEOLOGANDO



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