LIÇÃO 1
UMA MENSAGEM A IGREJA LOCAL E A LIDERANÇA
Capítulo
1
Uma Mensagem
à Igreja Local e à liderança Paulo, o
grande evangelista, pastor e humilde servo de Deus, era “apóstolo de Jesus
Cristo (1 Tm 1.1), e considerava-se, muito apropriadamente, “apóstolo dos
gentios” (Rm 11.13).
Na
condição elevada de pastor, sentiu de perto a necessidade de cuidar das igrejas
locais, por ele fundadas, em suas históricas viagens missionárias.
Escritor
de praticamente metade dos livros do Novo Testamento, Paulo era homem culto,
poliglota, de educação esmerada, em termos hum anos (At 22.3), e grande
intérprete e exegeta insuperável dos Evangelhos.
Ele era
um verdadeiro apóstolo, no sentido pleno da palavra. Ainda que não teve seu
nome inscrito no rol dos “Doze” , que conviveram com Cristo, testemunhando o
ministério terreno de Jesus, bem como sua ressurrei ção, fez jus ao nome de
apóstolo, porque, tendo sido chamado de forma tão impactante, no seu encontro
com Cristo, no caminho de Damasco, teve a convicção e a experiência de que o
Senhor lhe apareceu por derradeiro, “como a um abortivo” (1 C o 15.8).
Paulo,
além de ser chamado por Deus, foi enviado a cumprir a grande missão e comissão
em prol da Igreja do Senhor Jesus (2 C o 1.1; E f 1.1; C l 1.1; 1 Tm 1.1; 2 Tm
1.1; T t 1.1). O apóstolo preocupou-se grandemente, não só em abrir igrejas e
ganhar almas para Cristo. Sentiu sua grande responsabilidade de ensinar e
doutrinar os crentes, especialmente os novos convertidos, diante do assédio das
falsas doutrinas, das heresias e, mais ainda, dos falsos irmãos (2 C o 11.26).
Depois
de relembrar os sofrimentos que experimentara em diversas ocasiões, Paulo diz:
“Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas”
(2 C o 11.28). As cartas pastorais ultrapassam seu propósito a priori de serem
destinadas apenas a dois jovens obreiros. Foram, na verdade, cartas que se tornaram
autênticos manuais eclesiásticos por
assim dizer, para as igrejas cristãs em seus primórdios, bem como, sem qualquer
impropriedade, para as igrejas dos tempos atuais.
I - O QUE SÃO AS EPÍSTOLAS PASTORAIS
1. Porque São Pastorais Porque por intermédio
dos seus destinatários, Timóteo e Tito, tratam de “assuntos relacionados com a
ordem e o ministério da igreja”.
1 São
chamadas de “pastorais” pelo fato de Paulo, como verdadeiro pastor, demonstrar,
nessas epístolas, seu grande cuidado com a edificação das igrejas a serem
alcançadas pela mensagem, enviadas a seus dois jovens obreiros.
2. Os Destinatários As cartas de Paulo 1
Timóteo, 2 Timóteo e Tito são chamadas de cartas pastorais. Foram destinadas,
em princípio, a dois de seus mais fiéis e abnegados cooperadores jovens que
ganhara para Cristo em suas longas viagens missionárias. Eles eram obreiros
ainda jovens, mas ganharam a confiança de seu “pai na fé”, a ponto de serem
merecedores de receber encargos e missões do maior sentido e responsabilidades.
Na primeira carta dirigida ao discípulo, Paulo chama Timóteo de “meu verdadeiro
filho na fé” (1 Tm 1.2). Na segunda carta a Timóteo, Paulo o chama de “meu
amado filho” (2 Tm 1.2) - “meu filho amado e fiel no Senhor” (1 C o 4.17) —,
revelando o cuidado paternal para com o jovem obreiro. Paulo chama Tito de “meu
verdadeiro filho” (Tt 1.4);
“meu irmão” (2 C o 2.13); “meu companheiro e
cooperador” (2 C o 8.23). Tito era homem de inteira confiança do apóstolo (2 C
o 12.18). Juntamente com Barnabé, foi convidado pelo apóstolo para acompanhá-lo
em sua obra missionária junto aos gentios (G1 2.1,3) e recebeu missões de
grande responsabilidade (2 C o 2.3,4; 8.16,24). Da parte de Paulo, vemos um
exemplo para os líderes de igrejas, nos dias presentes, no trato com os
obreiros mais jovens. Do lado de Timóteo e Tito, vemos exemplos de obreiros que
souberam comportar-se diante do seu pastor.
3.
Autoria e Datas das Três Cartas O s eruditos têm a condição de possuir
conhecimentos além da mé dia das pessoas em sua volta. Mas, por vezes, “as
muitas letras” os fazem delirar, como
Festo disse a Paulo (At 26.23). Por volta do século XIX, F. Schleiermacher
lançou dúvidas quanto à autoria de Paulo com relação a 1 e 2 Timóteo e da Carta
a Tito. Esse e outros estudiosos entenderam que, pela linguagem, estilo e época
em que foram escritas, as mesmas poderiam ter sido escritas por um
“pseudoepígrafo (embora discípulo de Paulo)” em nome do apóstolo. No entanto,
grande parte dos estudiosos do Novo Testamento apresenta razões de sobra para o
reconhecimento da paternidade literária do apóstolo Paulo para as chamadas
“cartas pastorais”. A primeira epístola a Timóteo foi escrita por volta de 64
d.C, entre a primeira e a segunda prisão de Paulo. A segunda epístola a Timóteo
foi escrita em torno de 67 d.C, quando do segundo encarceramento do apóstolo, e
antes de sua morte. Fazem parte das “cartas da prisão”, ao lado de Filipenses,
Efésios, Colossenses e Filemom. A C arta a Tito foi escrita no m esmo ano de 1 Timóteo.
Se aceitamos que o cânon do Novo Testamento teve a direção do Espírito Santo,
não há razão para acreditarmos que Ele iria permitir que pseudoautores usassem
o nome de Paulo para escrever livros considerados inspirados por Deus.
Estudiosos cristãos entendem que essas cartas foram “escritas durante o segundo
aprisionam ento, em 65-68 d.C., embora a primeira epístola a Timóteo e a
epístola a Tito possam ter sido escritas no intervalo entre esses dois
aprisionam entos”. Ainda que importantes, a questão das datas não é o foco
deste estudo.
2)
Gnosticismo “Trata-se de um a filosofia herética, que se propõe a explicar
todas as coisas por meio da gnosis (gr. ‘conhecimento’).” “O s gnósticos
consideravam-se cristãos, dotados de conhecimento superior aos demais
convertidos”.
3 Eram
um tipo de cristãos que praticavam “culto aos anjo s”, a quem chamavam de
“tronos”, “dom inações”, “principados” e “potestades”. Além desse ensino
estranho ao cristianismo, negavam a supremacia de Cristo, negando sua
encarnação, pois consideravam o corpo hum ano mau; este, sendo matéria,
contaminaria a Cristo, visto que a matéria é má e somente o espírito é bom. E o
chamado dualismo. O gnosticismo era esoterista ou ocultista. Apregoava que seus
ensinos eram “superiores” e só podiam ser alcançados por “iniciados”.
Em Colossos,
havia o culto à deusa Cibele, “a grande mãe da fertilidade”.
Em Efeso, onde se situava a igreja
destinatária das cartas a Timóteo, havia a deusa Diana (At 19.33-35), um ídolo
que os efésios entendiam ter caído do céu, enviada por Júpiter, o principal
deus do panteão romano. E esses ensinos heréticos estavam-se infiltrando nas
igrejas cristãs, carentes de lí deres e de ensinos doutrinários sólidos e bem
embasados na Palavra de Deus. Quando Paulo passou por Efeso, ao lado de
Timóteo, a caminho da Macedônia, descobriu que as heresias gnósticas já haviam
feito grande estrago entre os irmãos. O s líderes da rebelião contra o que
Paulo ensinava eram Himeneu e Alexandre (1 Tm 1.19,20). Paulo os excomungou, e,
tendo de prosseguir viagem, deixou Timóteo em Éfeso para instruir os irmãos
contra a terrível investida do Diabo contra a fé cristã.
Um tal
de “Alexandre, o latoeiro” (2 T m 4.14), também muito perturbou a Paulo e aos
crentes de Éfeso. Era um causador de dissensões, e Paulo m andou que Timóteo se
afastasse dele. Ciente de que Tim óteo, ainda sem experiência sólida, deveria
estar enfrentando dificuldades para conter a onda dos falsos ensinos na igreja
em Éfeso, ele escreveu as duas cartas, dirigidas ao jovem obreiro, mas visando
à m inistração dos ensinos e exortações pastorais para a igreja local. O mesm o
fez com Tito, em relação à igreja que havia na ilha de Creta. Infelizmente, os
causadores de dissensões aparecem ainda hoje, perturbando a harm onia que deve
caracterizar as igrejas cristãs.
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