segunda-feira, 29 de junho de 2015

3 trimestre de 2015 LIÇÃO 1 - UMA MENSAGEM A IGREJA LOCAL E A LIDERANÇA

3 TRIMESTRE DE 2015

  LIÇÃO 1   

 UMA MENSAGEM A IGREJA LOCAL E A LIDERANÇA 

Capítulo 1   

Uma Mensagem à Igreja Local e à  liderança Paulo, o grande evangelista, pastor e humilde servo de Deus, era “apóstolo de Jesus Cristo (1 Tm 1.1), e considerava-se, muito apropriadamente, “apóstolo dos gentios” (Rm 11.13).
Na condição elevada de pastor, sentiu de perto a necessidade de cuidar das igrejas locais, por ele fundadas, em suas históricas viagens missionárias.
Escritor de praticamente metade dos livros do Novo Testamento, Paulo era homem culto, poliglota, de educação esmerada, em termos hum anos (At 22.3), e grande intérprete e exegeta insuperável dos Evangelhos.
Ele era um verdadeiro apóstolo, no sentido pleno da palavra. Ainda que não teve seu nome inscrito no rol dos “Doze” , que conviveram com Cristo, testemunhando o ministério terreno de Jesus, bem como sua ressurrei­ ção, fez jus ao nome de apóstolo, porque, tendo sido chamado de forma tão impactante, no seu encontro com Cristo, no caminho de Damasco, teve a convicção e a experiência de que o Senhor lhe apareceu por derradeiro, “como a um abortivo” (1 C o 15.8).
Paulo, além de ser chamado por Deus, foi enviado a cumprir a grande missão e comissão em prol da Igreja do Senhor Jesus (2 C o 1.1; E f 1.1; C l 1.1; 1 Tm 1.1; 2 Tm 1.1; T t 1.1). O apóstolo preocupou-se grandemente, não só em abrir igrejas e ganhar almas para Cristo. Sentiu sua grande responsabilidade de ensinar e doutrinar os crentes, especialmente os novos convertidos, diante do assédio das falsas doutrinas, das heresias e, mais ainda, dos falsos irmãos (2 C o 11.26).
Depois de relembrar os sofrimentos que experimentara em diversas ocasiões, Paulo diz: “Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas” (2 C o 11.28). As cartas pastorais ultrapassam seu propósito a priori de serem destinadas apenas a dois jovens obreiros. Foram, na verdade, cartas que se tornaram autênticos manuais  eclesiásticos por assim dizer, para as igrejas cristãs em seus primórdios, bem como, sem qualquer impropriedade, para as igrejas dos tempos atuais.

I - O QUE SÃO AS EPÍSTOLAS PASTORAIS
 1. Porque São Pastorais Porque por intermédio dos seus destinatários, Timóteo e Tito, tratam de “assuntos relacionados com a ordem e o ministério da igreja”.
1 São chamadas de “pastorais” pelo fato de Paulo, como verdadeiro pastor, demonstrar, nessas epístolas, seu grande cuidado com a edificação das igrejas a serem alcançadas pela mensagem, enviadas a seus dois jovens obreiros.

 2. Os Destinatários As cartas de Paulo 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito são chamadas de cartas pastorais. Foram destinadas, em princípio, a dois de seus mais fiéis e abnegados cooperadores jovens que ganhara para Cristo em suas longas viagens missionárias. Eles eram obreiros ainda jovens, mas ganharam a confiança de seu “pai na fé”, a ponto de serem merecedores de receber encargos e missões do maior sentido e responsabilidades. Na primeira carta dirigida ao discípulo, Paulo chama Timóteo de “meu verdadeiro filho na fé” (1 Tm 1.2). Na segunda carta a Timóteo, Paulo o chama de “meu amado filho” (2 Tm 1.2) - “meu filho amado e fiel no Senhor” (1 C o 4.17) —, revelando o cuidado paternal para com o jovem obreiro. Paulo chama Tito de “meu verdadeiro filho” (Tt 1.4);
 “meu irmão” (2 C o 2.13); “meu companheiro e cooperador” (2 C o 8.23). Tito era homem de inteira confiança do apóstolo (2 C o 12.18). Juntamente com Barnabé, foi convidado pelo apóstolo para acompanhá-lo em sua obra missionária junto aos gentios (G1 2.1,3) e recebeu missões de grande responsabilidade (2 C o 2.3,4; 8.16,24). Da parte de Paulo, vemos um exemplo para os líderes de igrejas, nos dias presentes, no trato com os obreiros mais jovens. Do lado de Timóteo e Tito, vemos exemplos de obreiros que souberam comportar-se diante do seu pastor.

3. Autoria e Datas das Três Cartas O s eruditos têm a condição de possuir conhecimentos além da mé­ dia das pessoas em sua volta. Mas, por vezes, “as muitas letras” os fazem  delirar, como Festo disse a Paulo (At 26.23). Por volta do século XIX, F. Schleiermacher lançou dúvidas quanto à autoria de Paulo com relação a 1 e 2 Timóteo e da Carta a Tito. Esse e outros estudiosos entenderam que, pela linguagem, estilo e época em que foram escritas, as mesmas poderiam ter sido escritas por um “pseudoepígrafo (embora discípulo de Paulo)” em nome do apóstolo. No entanto, grande parte dos estudiosos do Novo Testamento apresenta razões de sobra para o reconhecimento da paternidade literária do apóstolo Paulo para as chamadas “cartas pastorais”. A primeira epístola a Timóteo foi escrita por volta de 64 d.C, entre a primeira e a segunda prisão de Paulo. A segunda epístola a Timóteo foi escrita em torno de 67 d.C, quando do segundo encarceramento do apóstolo, e antes de sua morte. Fazem parte das “cartas da prisão”, ao lado de Filipenses, Efésios, Colossenses e Filemom. A C arta a Tito foi escrita no m esmo ano de 1 Timóteo. Se aceitamos que o cânon do Novo Testamento teve a direção do Espírito Santo, não há razão para acreditarmos que Ele iria permitir que pseudoautores usassem o nome de Paulo para escrever livros considerados inspirados por Deus. Estudiosos cristãos entendem que essas cartas foram “escritas durante o segundo aprisionam ento, em 65-68 d.C., embora a primeira epístola a Timóteo e a epístola a Tito possam ter sido escritas no intervalo entre esses dois aprisionam entos”. Ainda que importantes, a questão das datas não é o foco deste estudo.


2) Gnosticismo “Trata-se de um a filosofia herética, que se propõe a explicar todas as coisas por meio da gnosis (gr. ‘conhecimento’).” “O s gnósticos consideravam-se cristãos, dotados de conhecimento superior aos demais convertidos”.
3 Eram um tipo de cristãos que praticavam “culto aos anjo s”, a quem chamavam de “tronos”, “dom inações”, “principados” e “potestades”. Além desse ensino estranho ao cristianismo, negavam a supremacia de Cristo, negando sua encarnação, pois consideravam o corpo hum ano mau; este, sendo matéria, contaminaria a Cristo, visto que a matéria é má e somente o espírito é bom. E o chamado dualismo. O gnosticismo era esoterista ou ocultista. Apregoava que seus ensinos eram “superiores” e só podiam ser alcançados por “iniciados”.
Em Colossos, havia o culto à deusa Cibele, “a grande mãe da fertilidade”.
 Em Efeso, onde se situava a igreja destinatária das cartas a Timóteo, havia a deusa Diana (At 19.33-35), um ídolo que os efésios entendiam ter caído do céu, enviada por Júpiter, o principal deus do panteão romano. E esses ensinos heréticos estavam-se infiltrando nas igrejas cristãs, carentes de lí­ deres e de ensinos doutrinários sólidos e bem embasados na Palavra de Deus. Quando Paulo passou por Efeso, ao lado de Timóteo, a caminho da Macedônia, descobriu que as heresias gnósticas já haviam feito grande estrago entre os irmãos. O s líderes da rebelião contra o que Paulo ensinava eram Himeneu e Alexandre (1 Tm 1.19,20). Paulo os excomungou, e, tendo de prosseguir viagem, deixou Timóteo em Éfeso para instruir os irmãos contra a terrível investida do Diabo contra a fé cristã.



Um tal de “Alexandre, o latoeiro” (2 T m 4.14), também muito perturbou a Paulo e aos crentes de Éfeso. Era um causador de dissensões, e Paulo m andou que Timóteo se afastasse dele. Ciente de que Tim óteo, ainda sem experiência sólida, deveria estar enfrentando dificuldades para conter a onda dos falsos ensinos na igreja em Éfeso, ele escreveu as duas cartas, dirigidas ao jovem obreiro, mas visando à m inistração dos ensinos e exortações pastorais para a igreja local. O mesm o fez com Tito, em relação à igreja que havia na ilha de Creta. Infelizmente, os causadores de dissensões aparecem ainda hoje, perturbando a harm onia que deve caracterizar as igrejas cristãs. 

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