quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

CPAD : A Santíssima Trindade — Lição 4: A Paternidade Divina

 


TEXTO ÁUREO

E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.

(1Jo 4.14).

VERDADE PRÁTICA

A paternidade de Deus é revelada no envio do Filho e na concessão do Espírito, confirmando nossa filiação e aperfeiçoando-nos no amor.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 João 4.13-16.

13 — Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito,

14 — e vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.

15 — Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus.

16 — E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor e quem está em amor está em Deus, e Deus, nele.

PLANO DE AULA

 1. INTRODUÇÃO

A paternidade de Deus é uma verdade revelada nas Escrituras que mostra o Pai como fonte eterna de toda vida. Ele enviou o Filho e concedeu o Espírito, formando conosco uma relação íntima, segura e transformadora. É o que estudaremos nesta lição.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Compreender que a paternidade de Deus é eterna e inseparável de sua natureza; II) Reconhecer que confessar a Cristo como Filho é evidência de filiação divina; III) Aplicar os princípios do amor do Pai como base para a vida cristã.

B) Motivação: A compreensão da paternidade de Deus nos leva a desfrutar de segurança espiritual, a viver com confiança diante do mundo e a experimentar um amor que lança fora todo medo.

C) Sugestão de Método: Antes de iniciar o estudo desta lição, proponha uma breve revisão das lições 1 a 3. Divida a classe em três grupos e atribua a cada grupo uma das lições anteriores para resumir. Oriente-os a destacar: o tema central, os principais versículos e a aplicação prática. Cada grupo apresenta seu resumo em até 3 minutos.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: A paternidade de Deus é uma verdade revelada nas Escrituras que mostra o Pai como fonte eterna de toda vida. Ele enviou o Filho e concedeu o Espírito, formando conosco uma relação íntima, segura e transformadora. Nesta lição, estudaremos como a Trindade manifesta a paternidade divina por meio do Filho e do Espírito.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz diversos subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Características do Pai”, localizado depois do primeiro tópico, mostra como Deus se revela como Pai; 2) O texto “O Amor de Deus como fonte do amor humano”, ao final do terceiro tópico, mostra que é por meio do amor de Deus que somos habilitados a amar o próximo.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos como o Pai revela sua paternidade por meio da Trindade. Veremos que esta paternidade é reconhecida na confissão de Cristo e aperfeiçoada em nós pelo amor, garantindo nossa comunhão com Ele, capacitando-nos a viver com confiança, fidelidade e expressão visível da nossa filiação diante do mundo.

Palavra-Chave:

PATERNIDADE

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

CARACTERÍSTICAS DO PAI

 “(1) Como um Pai carinhoso, Ele se importa conosco, nos guia e nos recebe para que possamos ter uma comunhão profunda e aberta com Ele. Através da fé em Cristo, temos acesso ao Pai a qualquer hora para adorá-lo e para expressar as nossas necessidades.

(2) Como um Pai, Deus não tolera (ao contrário de alguns pais terrenos) o mal em seus filhos, e não falha quando é necessário discipliná-los corretamente. Fazer qualquer coisa menos que isto não seria bom para nós. Deus se opõe ao pecado e àquilo que o pecado pode fazer contra os seus filhos.

(3) Como um Pai celestial, ele pode castigar assim como abençoar, reter assim como dar, agir tanto com justiça como com misericórdia. A maneira como Ele responde aos seus filhos depende da fé deles, e da obediência que demonstram a Ele. No entanto, podemos ter a confiança de que toda a direção e disciplina de Deus são para o nosso bem.” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1616).

 AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

O AMOR DE DEUS COMO FONTE DO AMOR HUMANO

 “O amor de Deus é a fonte de todo o amor humano, e se espalha como o fogo. Ao amar os seus filhos, Deus acende uma chama em seus corações. Estes, por sua vez, amam os outros, que são então aquecidos pelo amor de Deus.

É fácil dizer que amamos a Deus quando tal amor não nos custa nada mais do que nossa participação semanal nos cultos. Mas o verdadeiro teste do nosso amor a Deus é como tratamos as pessoas que estão à nossa volta — os membros de nossa família e os nossos irmãos em Cristo. Não podemos amar verdadeiramente a Deus enquanto negligenciamos o amor àqueles que foram criados à sua imagem.” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1788).

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

A PATERNIDADE DIVINA

Na presente lição, veremos com maiores detalhes a paternidade divina, bem como o amor divino que nos capacita a viver a nossa filiação com Deus diante do mundo. Inicialmente, a lição destaca que a paternidade de Deus não tem início no tempo. Deus é Pai desde a eternidade. Isso nos remete à compreensão de que as Pessoas do Filho e do Espírito Santo coexistem com o Pai desde a eternidade, tendo em vista que os três compartilham da mesma natureza divina (Jo 10.30). Nesse sentido, a relação entre as três Pessoas da Trindade é a referência ideal para o relacionamento do crente com Deus. Uma das marcas da filiação divina é a fé que expressamos em Jesus, o Filho Unigênito. Ele, por natureza, é o Filho gerado — e não criado — pelo Pai (Hb 1.1-5); em contrapartida, a nossa filiação ocorre a partir da confissão de fé em Jesus, que nos adentra à comunhão com Deus por meio da graça. Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus (Rm 5.1). Agora que somos filhos temos também a testificação dessa filiação por meio do Espírito Santo. Ele testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16).

De acordo com o Dicionário Bíblico Baker, editado pela CPAD, adoção diz respeito ao “processo voluntário de concessão de direitos, privilégios, responsabilidades e posição de filho ou herdeiro a um indivíduo ou grupo que não nasceu originalmente do adotante. Enquanto o nascimento ocorre naturalmente, a adoção ocorre apenas pelo exercício da vontade. [...] Os filhos adotivos de Deus desfrutam de todos os direitos de um filho natural, incluindo a oportunidade de chamar Deus de ‘Pai’, como Jesus fez (Mt 5.16; Lc 12.32). Paulo particularmente usa a adoção para descrever o novo relacionamento do cristão com Deus por meio do sacrifício expiatório de Jesus Cristo (Rm 8.15,16,21-23; 9.25,26)” (2023, p.23).

Agora que recebemos a nova natureza, podemos, como filhos de Deus, desfrutar de todas as abundantes bênçãos de Sua graça. Um dos grandes desafios da nossa geração é preservar sua identidade enquanto filhos de Deus. Inclusive, a marca que distingue e torna pública essa filiação é o amor de Deus derramado em nossos corações (Rm 5.5). Esse amor nos capacita a adorar a Deus em espírito e em verdade (Jo 4.24), bem como a amar o próximo e perdoar aqueles que se colocam como nossos inimigos e perseguidores (Mt 5.11,12,44-48). Se quisermos tornar notória ao mundo a nossa experiência como filhos de Deus, precisamos remover da nossa forma de pensar e agir tudo aquilo que não corresponde à natureza divina. Que a cada ato de renúncia ao pecado e submissão aos mandamentos divinos o amor de Deus possa se aperfeiçoar em nós.

 CONCLUSÃO

A paternidade de Deus é revelada de forma plena na ação conjunta da Trindade. O Pai envia o Filho, concede o Espírito e estabelece conosco uma relação sólida e paterna. Confessamos a Cristo, amamos porque fomos amados primeiro, e somos conduzidos pelo Espírito a viver em obediência e comunhão. A nossa identidade como filhos de Deus é firmada em sua iniciativa soberana e amorosa, garantindo-nos plena confiança para o dia da eternidade, e ajudando-nos a refletir o amor do Pai ao mundo.

  CPAD : A Santíssima Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas

Comentarista: Douglas Baptista

Lição 4: A Paternidade Divina


   A doutrina da paternidade de Deus revela que Ele é a fonte eterna de toda vida. Deus não é apenas um Ser transcendente e soberano; Ele também é Pai em sua essência. Essa paternidade é revelada plenamente na história da salvação, manifestada no envio do Filho e na concessão do Espírito Santo, formando conosco uma relação íntima e transformadora. No presente capítulo, estudaremos como Ele revela sua paternidade por meio da Trindade, na redenção e na nossa identidade como filhos de Deus.

   Veremos que essa paternidade é reconhecida na confissão de Cristo e aperfeiçoada em nós pelo amor, garantindo nossa comunhão com Ele, capacitando-nos a viver com fidelidade e expressão visível da nossa filiação diante do mundo. A luz das Escrituras, somos convidados a refletir sobre a obra de Deus Pai, que gera e ama seus filhos. Essa reflexão abordará três aspectos fundamentais: a revelação da paternidade, o reconhecimento de nossa filiação e a experiência do amor transformador do Pai.

   I - A REVELAÇÃO DA PATERNIDADE DO PAI

1.  Definição da Paternidade do Pai

   A paternidade é atributo da primeira Pessoa da Trindade: “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef 4.6). Acerca desse versículo, Beacon destaca que “Deus é sobre todos — é soberano e supremo. Ele é por todos — seu poder impregna a igreja inteira. Ele é em todos — seu Espírito habita na adoração diante do próprio trono eterno e, em Cristo, todos somos filhos do mesmo Pai celestial”.1 O Pai é a fonte eterna e absoluta de tudo quanto existe. Ele é o soberano Criador, o princípio sem princípio, a origem da vida, da ordem e da redenção: “todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (1 Co 8.6). O texto ressalta não apenas a unidade monoteísta, mas a distinção funcional entre as Pessoas da Trindade. O Pai não é gera do, Ele não procede de ninguém: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer” (Jo 1.18). Essa passagem não apenas destaca a mediação do Filho na revelação do Pai, mas indica que o Pai está em eterna relação com o Filho. O Pai é quem gera o Filho: “Tu és meu Filho; eu hoje te gerei” (SI 2.7). A declaração não se refere a um nascimento temporal ou carnal, mas a uma geração eterna (Hb 1.5).

   Portanto, ratifica-se que a geração do Filho pelo Pai é eterna, necessária e espiritual, não ocorrendo no tempo, mas na eternidade.2 Quanto ao Espírito, Ele procede do Pai e do Filho Jo 15.26). Stanley Florton ob serva que “as propriedades pessoais atribuídas a cada um dos membros da Trindade são assim entendidas: o Pai é ingênito; o Filho é gerado; e o Espírito Santo procede dEles”.3Assim, a doutrina da paternidade do Pai inalterável e amorosa sustenta a nossa fé em tempos sombrios. O Pai é o Deus soberano que gera o Filho eternamente e concede o Espírito como testemunho e guia. Essa verdade oferece consolo e firmeza doutrinária para a vida cristã. Assim, podemos descansar na fidelidade do Pai das luzes, de quem procede toda boa dádiva e cuja paternidade é revelada plenamente na Trindade (Tg 1.17).

  2. A Paternidade Eterna do Pai

  Deus é Pai por toda a eternidade. Sua paternidade não teve início no tempo, mas é inerente ao seu ser. Deus Pai não se tornou Pai em um ponto da história, mas sempre foi Pai. Essa verdade rejeita qual quer concepção temporal ou subordinacionista4 da relação trinitária, afirmando que a relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo é eterna, essencial e ontológica.5 Como afirma Agostinho, “o Pai é o princípio da divindade, melhor dizendo, da deidade”.6 7

   Na oração sacerdotal Jesus disse: “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5). Arrington anota que “este pedido alude à preexistência de Jesus [...] implica que a pessoa de Jesus (as naturezas divina e humana) e a obra expiatória eram uma conclusão passada na mente de Deus antes da criação”.' O texto ensina que o relacionamento entre o Pai e o Filho é anterior à criação, revelando que a identidade de Deus como Pai é eterna. Antes que o mundo existisse, já havia uma comunhão gloriosa entre o Pai e o Filho.

   Essa verdade é ratificada no texto bíblico, que diz: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3, ARA). O Comentário Bíblico Beacon explica que o Cristo como o esplendor da glória do Pai “revela de forma perfeita a majestade de Deus. Ele é a expressa imagem da sua pessoa ou, como a NVI traduz: a expressão exata do seu ser”.8 Implica dizer que o Filho possui a mesma essência do Pai. Logo, a Paternidade do Pai é anterior e independente da cria ção e da encarnação. O Pai sempre foi Pai, o Filho sempre foi Filho e o Espírito sempre foi Espírito (Ef 1.3-4; Hb 1.2-3; 9.14).

   3. O Pai Gerou o Filho A geração do Filho não implica criação; Ele sempre existiu com o Pai, com a mesma essência: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter vida em si mesmo” (Jo 5.26). Henry, leciona que “E como Deus, que dá vida a todas as coisas, é o dono de sua própria existência, da mesma forma Cristo, que dá vida, ressuscitou a si mesmo para a vida através do seu próprio poder” (Jo 10.18).9 Isso significa que o Deus Pai é autoexistente. O Filho gerado pelo Pai também é autoexistente.

   Implica dizer que o Filho não foi criado, mas eternamente gerado: "O Senhor me disse: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei” (SI 2.7). A expressão “hoje te gerei” não se refere a um tempo cronológico, a um ato temporal ou criacional, mas a uma realidade eterna. Paulo aplica esse versículo a Cristo, referindo-se à sua filiação eterna e ontológica do Ser divino, e sua manifestação como Filho ressuscitado e entronizado (At 13.33).

  Assim, o Filho e o Pai possuem vida em si mesmo, isto é, compar tilham da mesma natureza divina Jo 10.30). Como declarou o Concilio de Niceia (325 d.C.), o Filho de Deus é “gerado, não feito, de uma só substância (homooúsios) com o Pai”.10 Significa que o Filho é igual ao Pai, igualmente eterno e igualmente Deus. A geração eterna é a forma como o Filho se distingue do Pai sem deixar de ser Deus. Trata-se de uma re lação ontológica e não implica tempo, origem ou inferioridade Jo 1.1).

  O arianismo, defendido no século IV) afirmava que o Filho foi cria do no tempo e, portanto, inferior ao Pai. O Credo Niceno rejeitou essa ideia e declarou: “Mas aqueles que dizem; ‘houve um tempo quando Ele não era’; e ‘Ele não era antes de ter nascido’ [...] ‘Ele é de outra substância’ ou ‘essência’, ou ‘O Filho de Deus é criado’ [...] eles são condenados pela igreja cristã e apostólica”.11

  4. O Pai nos Concede o Espírito

   Acerca da procedência do Espírito, Jesus declarou: “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai, testificará de mim” (Jo 15.26). Aqui o Espírito é “mencionado como uma Pessoa distinta, não uma qualidade ou propriedade”.12 O texto estabelece duas verdades: O Es pírito procede do Pai (gr. ekporeuetai, verbo usado para indicar origem); e Ele é enviado pelo Filho (pempsd, do verbo pempõ, que indica missão).13 Cristo também explicou: “[...] se eu não for, o Consolador não virá avós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei” (Jo 16.7). Essa declaração está expressa de maneira negativa: “se eu não for; o Consolador não virá”. E de maneira positiva: “Se eu for, enviar-vo-lo-ei”.

   Cristo parte aos céus com o propósito de enviar o Espírito Santo. Assim, a vinda do Paracleto depende da partida de jesus.140 Credo Constantinopolitano (381 d.C.) professa crer “no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho”.15

  Agostinho, também reitera “pelo testemunho das santas Escrituras, que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho”.16 Saber que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho é muito mais do que um detalhe teológico; é uma fonte poderosa de segurança para nossa vida cristã. O Espírito Santo é o próprio Deus (At 5.3-4), enviado para estar conosco para sempre Jo 14.16-17). Ele nos aproxima do Pai (Ef 2.18), testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16) e nos guia em toda a verdade Jo 16.13).

  II - RECONHECENDO A PATERNIDADE DO PAI

  1. Confessar a Cristo como Filho

   A confissão de que Jesus Cristo é o Filho de Deus não é apenas uma fórmula litúrgica ou declaração devocional. Trata-se de um ato espiritual com profunda implicação salvífica e trinitária: “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus” (1 Jo 4.15). Em vista disso, reconhecer a filiação divina de Cristo é mais do que uma afirmação privada. E uma declaração pública de fé e sinaliza que Deus habita no coração do crente (Rm 10.9-10). Essa confissão é uma ação do Espírito, não nasce da carne, nem da persuasão humana. Paulo assegura que “ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo” (1 Co 12.3).

  Essa confissão de fé em Jesus é, portanto, fruto da iluminação operada pelo Espírito Santo, e não apenas de convencimento intelectual ou tradição religiosa. Pearlman leciona que “que ninguém pode expressar a sincera convicção sobre a divindade de Jesus sem a iluminação do Espírito Santo”.17

   Por conseguinte, a confissão de Cristo como Filho de Deus é condição para a salvação, essencial ao novo nascimento e à reconciliação com o Pai. Reconhecer a filiação divina de Jesus é a única forma legítima de acesso ao Pai Jo 14.6). A filiação eterna de Jesus revela a paternidade divina. Somente em Cristo o Pai é plenamente revelado. Ver o Filho é ver o Pai, pois Ele é a expressão exata do seu Ser (FTb 1.3). O próprio Jesus disse: “Quem me vê a mim vê o Pai; [...] estou no Pai, e o Pai, em mim” Jo 14.9-11).

   Assim, reconhecer Jesus como Filho é reconhecer o Pai como Fonte da salvação. Não há comunhão com Deus fora da mediação do Filho (1 Tm 2.5). Essa dimensão pública da fé indica lealdade e per- tencimento ao Reino de Deus. Negar essa confissão é negar o próprio Pai: “Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1 Jo 2.23). Que cada crente possa, com o coração cheio de fé e gratidão, proclamar com ousadia: “Senhor meu, e Deus meu!” Jo 20.28). A partir dessa verdade, confessar a Cris to é viver em comunhão com o Pai. A presença de Deus se manifesta continuamente na vida do crente que confessa o Filho, pois “Deus está nele e ele em Deus” (1 Jo 4.15). Essa confissão não se limita à fala, mas é acompanhada de uma vida coerente, marcada por obediência, santidade e amor. O cristão é chamado a testemunhar publicamente sua fé, não apenas nos cultos, mas no dia a dia (Mt 10.32). O Espírito lhe foi dado para confessar que Jesus é o Filho de Deus (At 1.8).

  2. A Perfeição do Amor do Pai

  O amor faz parte da natureza do Pai: “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor e quem está em amor está em Deus, e Deus, nele” (1 Jo 4.16). O amor é um atributo divino eterno. E a essência do Pai revelada em sua ação redentora. Deus não apenas ama, “Deus é amor”. Esse amor é entendido como vivência relacionai, poder transformador e motivação essencial do plano da sal vação. Como afirma Horton “por definição, o amor é necessariamente compartilhado com outro, e o amor de Deus é um amor que fez que com Ele doasse a si mesmo”.18 Nesse aspecto, a maior demonstração do amor do Pai foi a en trega de seu Filho unigênito Jo 3.16).

   Esse amor é sacrificial e redentor. Não é uma abstração sentimental, mas um ato histórico que culmina na cruz. Como destaca Pearlman, “o Espírito manteve diante dele [Cristo] as exigências inflexíveis de Deus e o inflamou de amor para com o homem e zelo para com Deus, para prosseguir, apesar dos impedimentos, da dor e das dificuldades, para efetuar a redenção do mundo”.19 Essa entrega é o coração do evangelho, alimentando a ex periência do novo nascimento e o batismo com o Espírito Santo, como resposta ao amor derramado (Rm 5.5). O amor de Deus não espera ser merecido. Ele se manifesta de forma soberana, oferecendo salvação ao pecador.

  O amor do Pai também se revela na adoção de filhos: “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1 Jo 3.1). O salvo é acolhido não como servo, mas como filho legítimo com todos os direitos espirituais. Essa adoção é mais que jurídica, ela é relacionai e afetiva. Como explica o pastor Antonio Gilberto, “fomos predestinados por Deus para adoção de filhos, antes da fundação do mundo; portanto, antes da existência do homem. Isso exclui qualquer mérito humano e somente revela a graça infinita de Deus”.20

   O amor do Pai é inquebrável; nenhum poder ou circunstância pode separar o crente desse amor (Rm 8.38-39). Mesmo em meio às lutas, o salvo é guardado na certeza do amor que não falha. O amor do Pai não é apenas geral, mas é individual, pessoal e íntimo, voltado para cada fi lho que crê (Jo 16.27). Essa realidade se expressa em comunhão constan te com Deus em oração, jejum, adoração e experiências espirituais. O amor do Pai é a fonte da nova vida; a salvação brota da abundância do seu amor (Ef 2.4-5). A redenção é fruto desse amor que busca, alcança, regenera, sela e sustenta até o fim.

  3. As Bênçãos da Filiação Divina

   As Escrituras afirmam que o amor de Deus, lança fora todo o te mor, especialmente o medo do juízo: “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no Dia do Juízo tenhamos confiança” (1 Jo 4.17).

  Essa declaração não apenas revela a natureza do amor de Deus, mas destaca sua função libertadora da condição do crente escravo para filho adota do. O medo punitivo que antes o dominava é substituído pela confiança filial, gerada pela presença do Espírito, que testifica a adoção: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em te mor, mas recebestes o espírito de adoção” (Rm 8.15). Ratifica-se que o texto bíblico esclarece que o Espírito Santo introduz o crente em uma relação de adoção, não de servidão. Essa confiança estabelece a segurança da condição do salvo como filho de Deus. O crente não é mais um escravo ameaçado pelo castigo eterno, mas um filho livre e amado por Deus. Assim, o crente regenerado, embora consciente da realidade do juízo final (Hb 9.27), não vive sob terror, pois o amor aperfeiçoado pelo Espírito lança fora esse medo. Isso não significa que o crente não possa perder a salvação. Essa confiança, não anula a vigilância. O risco da apostasia é real (Ez 18.24; 1 Co 10.12).

  Portanto, a segurança do crente não é licença para pecar, mas incentivo para permanecer no amor e na obediência Jo 15.9-10). Paulo ensina que o selo do Espírito aponta para propriedade e segurança. O selo testemunha a filiação do crente e extingue o medo da condenação. Ele é a garantia de que a herança prometida será recebida (Ef 1.13,14). Assim, o verdadeiro amor, aperfeiçoado pelo Espírito, remove o medo punitivo, pois “no amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor” (ljo 4.18).

  III - A EXPERIÊNCIA DO AMOR DO PAI

   1. O Amor É Aperfeiçoado no Crente

   O aperfeiçoamento do amor na vida do crente é obra do Espírito Santo. Guardar a Palavra é o meio pelo qual o amor divino é amadu recido: “Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadei ramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus” (1 Jo 2.5, ARA).

  A obediência às Escrituras revela um amor genuíno e em maturação. Jesus afirma que o amor verdadeiro é demonstrado por obediência prática aos seus mandamentos: o crente que ama é amado pelo Pai e pelo Filho, cresce em obediência e guarda a Palavra Jo 14.21). A obediência, portanto, é a evidência externa de um amor interno e verdadeiro por Deus. Não há amor genuíno a Deus sem compromisso concreto com sua vontade revelada (1 Jo 2.3-4). A cada ato de obediência, o amor de Deus é fortalecido na vida do crente: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito” (Lc 16.10, ARA). Esse versículo aponta que a obediência revela o caráter de um cristão; além disso, mostra a condição moral e espiritual do homem interior, bem como é um indicador do grau de confiabilidade de alguém.21

   João declara que “os seus mandamentos não são penosos” (1 Jo 5.3, ARA). Significa que o Espírito transforma o coração do salvo, de modo que a obediência se torna algo natural, e não um fardo (G1 5.16- 25). Em vista disso, o crescimento espiritual ocorre na medida que o crente amadurece. E a partir dos pequenos atos que acontece a grande consolidação do amor. Assim, reitera-se que o amor divino é amadurecido e solidificado pela presença ativa e contínua do Espírito Santo na vida do crente (Rm 5.5). Assim sendo, o cristão deve viver de maneira tal que a prática aprofunde a realidade do amor de Deus: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tg 1.22). Esse versículo trata da fé diante das provações, das tentações e do ouvir da Palavra. Descreve a importância da obediência ativa e não apenas da escuta passiva da mensagem cristã. Refere-se a uma fé não aparente, mas autêntica.

  Moody enfatiza que “o Cristianismo é uma religião de ação. Por mais importante que seja o ouvir, não se deve parar por aí. O fazer deve seguir-se ao ouvir. Ser apenas ouvinte é uma forma de engano próprio”.22 Portanto, refletir Deus no mundo por meio da obediência da Palavra é ser aperfeiçoado no amor (Mt 22.37-40). Amar o mundo é incompatível com amar a Deus. Rejeitar o sistema mundano é evidência de amor aperfeiçoado e crescente compromisso com o Pai (1 Jo 2.15-17).

  2. O Amor E a Marca dos Filhos de Deus

   O amor é a identidade dos salvos. O mundo conhece a Deus por meio da manifestação do amor de seus filhos: “Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1 Jo 4.12, ARA). Nesse texto, o amor é evidência da presença de Deus. Deus é Espírito Jo 4.24). Deus é invisível, mas seu amor é tornado visível à humanidade quando os cristãos vivem em amor mútuo. Jesus ensinou que os cristãos deveriam amar uns aos outros, e fazendo assim seriam conhecidos como seus discí pulos Jo 13.35). Esse mandamento do amor não era “novo” porque algo parecido já fora dito antes (Dt 6.5; Lv 19.18). Sua novidade está relacionada com o novo padrão de amar o próximo. Jesus ordenou que os cristãos amassem uns aos outros “como eu vos amei” Jo 13.34). O padrão de amor foi redefinido. O amor de Cristo se torna a nova medida. Carson, leciona que “não somente o padrão é Cristo e seu amor; mais que isso, ele é um mandamento designado para refletir o relacionamento de amor que existe entre o Pai e o Filho Jo 8.29; 10.18; 12.49,50; 14.31; 15.10)”.23 Quem ama de fato revela que conhece a Deus. Logo, o amor torna real a presença de Deus àqueles que ainda não o conhecem. João apresenta um contraste moral e espiritual que divide a raça humana em dois grupos: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: qualquer que não pratica a justiça e não ama a seu irmão não é de Deus” (1 Jo 3.10). Biblicamente, o exercício do amor é o critério visível de quem realmente conhece a Deus. O amor entre irmãos é prova pública de filiação divina. O amor é a essência da regeneração de um pecador (1 Jo 4.7-8).

   A unidade e o amor entre os discípulos cooperam como sinal para os incrédulos: “para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós” Jo 17.21). E acrescenta: “para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que tens ama do a eles como me tens amado a mim” Jo 17.23). Essa oração de Jesus pela unidade dos discípulos serve como testemunho eficaz de que Ele foi emiado por Deus por amar os pecadores. A comunhão entre os irmãos prepara o coração do mundo para receber o evangelho.

   Mercê disso tudo, os cristãos como filhos regenerados são chamados a refletir, por meio de suas atitudes, palavras e ações, o amor santo e redentor de Deus diante do mundo. A conduta visível do crente deve tornar realidade o Deus invisível. O amor de Deus se manifesta no mundo por meio do comportamento de seus filhos (1 Jo 4.12). Viver em amor, portanto, não é apenas um imperativo ético, mas uma evidência clara de que fomos transformados por Deus (1 Jo 3.14). Além disso, o amor fraterno é uma testemunha silenciosa e poderosa ao mundo (Mt 5.16).

  3. Fomos Amados Primeiro

  A essência da vida cristã está fundamentada no amor de Deus: “Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19). Significa que a vida cristã tem como alicerce o fato de que Deus amou os pecadores independentemente de qualquer obra humana. Revela que a salvação, a fé e a capacidade de amar são respostas à iniciativa incondicional do amor divino (1 Jo 4.10). Não é uma recompensa meritória, mas um sacrifício motivado por amor.

   Pecadores são amados por Deus antes de qualquer movimento pessoal em direção a Ele (Ef 2.4-5). O ser humano foi amado no pior estado possível — em pecado: “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Refere-se à substituição vicária: Cristo morreu em lugar de pecadores, assumindo o juízo que era devido aos transgressores (Is 53.5; 2 Co 5.21).

   A morte de Cristo é tanto sacrifício redentor como prova do amor de Deus. Não obstante, somente pelo Espírito o crente consegue amar a Deus, ao próximo e ao Inimigo (Rm 5.5). Antes da redenção, houve uma cruz sangrenta preparada por amor Jo 15.13). Desse modo, espera-se que a postura cristã seja uma resposta agradecida a esse amor imerecido (2 Co 5.14-15).    

   CONCLUSÃO

   A paternidade de Deus é revelada de forma plena na ação conjunta da Trindade. O Pai envia o Filho, concede o Espírito e estabelece conosco uma relação de amor inquebrantável. Confessamos a Cristo, amamos porque fomos amados primeiro e somos conduzidos pelo Espírito a viver em obediência e comunhão. A nossa identidade como filhos de Deus é firmada em sua iniciativa soberana e amorosa, garantindo-nos plena confiança para o dia da eternidade, e ajudando-nos a refletir o amor do Pai ao mundo.

     A Paternidade Divina | 53


domingo, 18 de janeiro de 2026

CPAD : A Santíssima Trindade — LIÇÃO 03 O Pai enviou o Filho


                                                    TEXTO ÁUREO 
“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.”
 (1Jo 4.9). 
                                                VERDADE PRÁTICA 
O envio do Filho revela o amor do Pai e a perfeita unidade da Trindade no plano da salvação, garantindo a redenção e a adoção dos crentes.

Leitura Bíblica em Classe
João 3.16,17; 1 João 4.9,10; Gálatas 4.4-6

João 3
16 - Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 - Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

1 João 4
9 - Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.
10 - Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.

Gálatas 4
4 - mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
5 - para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.
6 - E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Objetivos
I) Compreender que o envio do Filho é a maior prova do amor de Deus Pai;
II) Reconhecer que a vinda de Cristo ocorreu na plenitude dos tempos, segundo o plano eterno de Deus;
III) Identificar a atuação da Trindade na execução e aplicação da salvação.

Introdução
No plano da redenção, o Pai envia o Filho para salvar o mundo.
Esta verdade manifesta o amor do Pai e reafirma a unidade e a missão da Santíssima Trindade.
Veremos como o envio do Filho Unigênito de Deus revela:
a suprema expressão do amor de Deus
a plenitude do tempo para a redenção e
a obra perfeita da Trindade na salvação

PALAVRA CHAVE 
ENVIO

     LIÇÃO 03 O Pai enviou o Filho  


   0 envio do Filho pelo Pai representa o ponto culminante do plano eterno da redenção, elaborado na eternidade e revelado nas Escrituras como expressão máxima do amor de Deus e da unidade da Trindade. Este capítulo destaca que a salvação não é fruto de um evento circunstancial, mas resultado do desígnio soberano do Pai, da obediência sacrificial do Filho Unigênito de Deus e da aplicação eficaz do Espírito. Ao contemplarmos essa verdade, ratifica-se que o envio do Filho revela a suprema expressão do amor divino para com os pecadores mortos em delitos; a exatidão do cumprimento da encarnação do Fi lho na plenitude dos tempos; e a perfeita cooperação da Santíssima Trindade na história da salvação projetada de forma harmoniosa, des de antes da criação do mundo e de tudo que nele existe.

  1 - O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI

  1. O Amor Incondicional do Pai
  O envio de Jesus Cristo constitui a mais elevada e gloriosa expressão do amor divino por um mundo perdido (Jo 3.16). O termo grego nesse versículo é egápêsen, forma conjugada do aoristo, que significa “ele amou”. Indica o ato histórico e consumado do amor de Deus expresso no envio do Filho. Traduz o amor sacrificial e incondicional. Trata-se de um amor não motivado por mérito humano, mas que procede exclusivamente da iniciativa divina: “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
   Na teologia cristã, essa verdade é essencial: Deus é amor, não apenas em suas ações, mas em sua própria natureza (1 Jo 4.8). O amor do Pai não é reativo, mas ativo; não é circunstancial, mas eterno. Ao se referir a Deus, o amor agápê manifesta “um interesse profundo e constante de um Ser perfeito em prol do bem-estar de criaturas completamente indignas”.1 Essa definição ressalta a imensidão do amor divino: Deus ama apesar de nós, não por causa de nós. Ele amou “o mundo”, expressão que, nas pa lavras de João, inclui a humanidade rebelde, caída, hostil à sua santidade e, em razão desse amor, enviou o seu Filho não para punir, mas para redimir: “porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). Esse amor se reflete na entrega sacrificial de Jesus. Tal entrega voluntária revela a dimensão trinitária do amor divino para com os pecadores. Esse amor não é seletivo, mas universal em sua oferta; não é frágil, mas ab soluto em seu propósito (Ef 2.4-5). O sacrifício de Cristo, portanto, é a epifania desse amor incondicional: o Filho se entrega por amor, e o Espírito Santo, enviado posteriormente, testemunha essa verdade ao coração dos crentes (Rm 5.5). Nesse mistério sublime, contemplamos o agir da Trindade: o Pai amando, o Filho se oferecendo, o Espírito aplicando, três Pessoas em um só propósito: revelar o amor eterno do Deus Triúno.

   2. A Iniciativa Soberana de Deus
   A doutrina da redenção não tem suas raízes no tempo, mas na eternidade. Antes da criação do mundo, antes mesmo da Queda, Deus, em sua soberania absoluta e em perfeita comunhão trinitária, decretou um plano redentor centrado em Cristo. A Escritura revela: “[...] nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.4). Essa eleição graciosa evi dencia que o envio do Filho não foi uma resposta emergencial ao peca do humano, mas parte de um desígnio eterno fundamentado no amor e na presciência de Deus Pai.
   Deus, como Ser infinito, perfeito e imutável, age de maneira prévia e deliberada. Sua decisão de enviar o Filho é um ato do seu eterno conselho, expressão da vontade divina estabelecida na comunhão trinitária. O apóstolo Pedro reforça que a obra de Cristo como Redentor não foi determinada por acontecimentos históricos, mas por um propósito eterno (1 Pe 1.19-20). Como observa Grudem, “a redenção em Cristo é parte do plano eterno de Deus e revela a sua soberania absoluta e a sua graça imerecida”.2

   Assim, em sua soberania e em seu imensurável amor, Deus tomou a iniciativa de enviar o Salvador, cumprindo seu eterno propósito de redenção (Ef 1.9). Essa iniciativa é a expressão suprema do amor divino. Joào escreve: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10). Esse versículo declara que amor que motiva o emio do Filho é totalmente livre e incondicional (1 Jo 4.8). Tal amor encontra sua expressão histórica e redentora na encarnação e no sacrifício de Jesus Cristo. A palavra propiciação utilizada por João implica o desvio da ira justa de Deus por meio de um sacrifício substitutivo e perfeito. Conforme destaca a Declaração de Fé, essa ação apazigua a ira divina e satisfaz a santidade e a justiça de Deus — resultando no perdão dos pecados.3 Cristo, sendo plenamente Deus e plenamente homem, é o único capaz de oferecer essa propiciação eficaz. 

  Ele foi enviado não apenas como exemplo moral, mas como o Cordeiro de Deus Jo 1.29). A salvação não é fruto da iniciativa humana, mas da graça soberana de Deus: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8). Essa verda de deve produzir profunda adoração e confiança na fidelidade de Deus, que age por amor e segundo o beneplácito da sua vontade (Ef 1.5). 

 3. O Envio do Filho e a Trindade 
  O envio do Filho pelo Pai constitui uma das mais sublimes manifestações da unidade entre as Pessoas da Trindade. A Escritura de clara: "Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” Jo 3.17). Esse envio não é um ato isolado; antes, enfatizamos, faz parte de um desígnio eterno em que o Pai toma a iniciativa, o Filho cumpre a missão redentora, e o Espírito Santo efetua a salvação no coração humano.

   João aprofunda essa verdade ao afirmar que “Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” (1 Jo 4.9). Aqui vemos que a Trindade está envolvida de forma cooperativa no ato reden tor. Não se. trata de três deuses distintos com ações desconexas, mas de um único Deus em três Pessoas coeternas e consubstanciais, agindo com perfeita unidade de propósito. O Pai é o autor da salvação, o Filho é o agente redentor, e o Espírito é o aplicador dessa obra nos eleitos. 

  Destaca-se que o envio do Filho não implica inferioridade de natureza ou essência. Ao contrário, conforme Jesus declara: “Eu e o Pai somos um” Jo 10.30). Isso significa que, embora haja distinção pessoal entre o Pai e o Filho, há plena unidade de essência na Divindade. Segundo Campos, “Não há diferença essencial alguma entre o Pai e o Filho”.4 Essa distinção é evidenciada no plano da redenção, em que o Pai envia, e o Filho é enviado, mas ambos compartilham da mesma vontade e glória eterna. 

  Além disso, o Espírito Santo está plenamente ativo nesse plano trinitário. Paulo ensina que o Pai nos elegeu e nos predestinou “para filhos de adoção por Jesus Cristo”, e essa salvação é confirmada pelo Espírito Santo (Ef 1.4-5). É o Espírito quem convence do pecado Jo 16.8), regenera o pecador (Tt 3.5), sela os redimidos (Ef 1.13) e os guia em santificação (2 Ts 2.13). Sua atuação é inseparável da obra do Filho, pois Ele foi enviado para testificar e glorificar a Cristo Jo 15.26; 16.14). 
  
  Conforme a Teologia Sistemática Pentecostal, “cada uma das Pessoas da Trindade é autora do novo nascimento: o Pai Jo 1.13), o Filho (1 Jo 2.29) e o Espírito Santo Jo 3.5,6)”.5 Cada Pessoa divina age em perfeita unidade e com propósito comum: reconciliar o pecador com Deus e restaurá-lo à comunhão eterna com seu Criador. O envio do Filho é, portanto, a expressão máxima do amor triúno, que resplandece em toda a história da salvação (Ef 1.3-14).  

    II - O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS 
   1. A Preparação Histórica e Religiosa 
 
   Reitera-se que, o envio de Jesus Cristo, não foi um evento alea tório, mas o cumprimento preciso de um desígnio estabelecido pela Trindade, e, realizado “na plenitude dos tempos” (G1 4.4). A expressão “plenitude dos tempos” comunica que Deus Pai, em perfeita harmonia com o Filho e o Espírito, determinou soberanamente o momento exato para a encarnação do Verbo (Rm 5.6). 

  Nesse aspecto, o Comentário Bíblico do Novo Testamento — Aplicação Pessoal enfatiza que “guiados por um Deus soberano, os eventos históricos trabalharam em harmonia em preparação para o momento pré-definido da chegada de Jesus à terra”.6 Assim, a cultura e a religião foram providencialmente coordenadas pelo Deus Triúno. O Império Romano, com suas estradas rápidas e seguras, facilitou a propagação do Evangelho. A língua grega, difundida pelo helenismo, permitiu uma comunicação clara da mensagem salvífica. O grego koiné, com o qual o Novo Testamento foi escrito, era compreendido em todo o Império. 
 
   O ambiente judaico da Palestina do primeiro século, embora espiritualmente deteriorado por práticas legalistas e por uma tradição farisaica excessivamente ritualista, ainda preservava um núcleo de esperança escatológica centrada na vinda do Messias prometido. Mesmo em meio à formalidade religiosa e à rigidez das interpretações da Torá, havia co rações sinceros que aguardavam com expectativa o cumprimento das promessas messiânicas (Lc 2.25; 37-38).

    Nesse processo cuidadosamente conduzido pela providência divina, destaca-se o princípio bíblico de que Deus é Senhor da história e soberanamente dirige os acontecimentos humanos (At 17.26). Conforme descreve Ferguson: “Deus tem um plano para a história do universo e, em sua execução, governa e controla todas as realidades criadas por ele. Sem violar a natureza das coisas e a livre ação  humana”.7 Portanto, a preparação do ambiente para a encarnação de Cristo é uma clara demonstração do governo soberano de Deus sobre os movimentos da humanidade. 

  2. O Filho Nascido sob a Lei

   A encarnação do Verbo é fundamental para a redenção. Paulo afirma que o Filho de Deus é “nascido de mulher, nascido sob a lei” (G1 4.4b). A frase “nascido de mulher” destaca a plena humanidade de Cristo (Hb 2.14). O mistério da encarnação é revelado no cumprimento profético: “eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14; Mt 1.23). A Escritura diz que Ele “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7). 

  Ao nascer “sob a lei”, Jesus sujeitou-se voluntariamente ao regime legal do Antigo Testamento (Mt 5.17). Cristo viveu em perfeita obediência, sem jamais transgredir qualquer mandamento: “o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pe 2.22). Essa vida sem pecado qualifica Jesus para ser o Cordeiro perfeito: “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (FIb 7.26). Sua obediência ativa e passiva é essencial para a expiação dos pecadores. 

  Dessa forma, reitera-se que Cristo não se fez homem apenas em aparência, mas tornou-se verdadeiramente humano. Essa realidade aponta para a plena identificação de Cristo com a condição humana, sem, contudo, participar da natureza pecaminosa (Hb 4.15). O propósito final visava à redenção dos pecadores. Ele assumiu a carne hu mana não apenas para se solidarizar com os homens, mas para ser o substituto perfeito em lugar dos pecadores (Rm 5.18-19). A redenção exigia um Mediador que fosse plenamente Deus e plenamente homem (1 Tm 2.5-6; Hb 2.17). 

  Como homem, Ele submeteu-se às ordenanças da Antiga Aliança. Cumpriu todos os preceitos legais que os homens jamais conseguiram obedecer (Mt 5.17). Assim, Ele se qualificou como o único homem sem culpa, apto a oferecer-se como sacrifício substituto por aqueles que estavam condenados pela mesma Lei (Rm 8.3-4). 3. A Adoção de Filhos Como já observado, o propósito da encarnação do Filho é claramente revelado: “para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (G1 4.5). Conforme as Escrituras, Jesus é o único Filho de Deus por natureza (Jo 1.18). Entretanto, os que creem nEle, ainda que por adoção, também se tornam filhos: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” Jo 1.12). 

  Paulo ratifica que Deus “nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo” (Ef 1.5). E enfatiza que foi do querer do Pai predes tinar os eleitos a serem adotados, isto é, foi “segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1,5b). A adoção era um conceito mais difundido no mundo greco-romano do que entre os judeus, e indicava plenos direitos, inclusive de herança. Assim, os crentes são feitos coerdeiros com Cristo (Rm 8.17). 

   Enfatizamos que a adoção civil era um ato voluntário que abrangia os privilégios da herança e obediência ao pai adotivo, por exemplo, “quando uma criança era adotada, o pai natural perdia toda a autoridade sobre ela, enquanto o pai adotivo adquiria controle total sobre o seu novo filho”.8 No sentido espiritual, Paulo faz analogia ao filho adotado (cristão), que, sob a autoridade do pai adotivo (Deus Pai), recebe o direito de pertencer à família de Deus, bem como as “riquezas da glória da sua herança” (Ef 1.18).9 

   A evidência dessa filiação espiritual é o clamor íntimo do qual o crente desfruta ao rogar ao Pai: “e, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (G1 4.6). A palavra aramaica “Aba” revela intimidade, confiança e reverência, sendo a mesma usada por Jesus na oração do Getsêmani (Mc 14.36). É o Espírito quem testemunha que agora o salvo é um filho de Deus (Rm 8.16), consolidando a ação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito na concessão da salvação.

  III - A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO 
  1. A Vontade do Pai Realizada pelo Filho 

  A obra redentora de Cristo insere-se de forma harmoniosa no plano eterno da Trindade. Reiteramos que a salvação da humanidade não foi uma reação tardia à Queda, mas o desdobramento de um propósito eterno elaborado antes da fundação do mundo (Ef 1.4). Por conseguinte, a missão de Jesus é, antes de tudo, a execução da vontade eterna do Pai. Ele mesmo declara: “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38). 

   Cristo revela que sua missão transcende qualquer interesse próprio. A vontade soberana do Pai é executada perfeitamente pelo Filho: “o Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agra da” Jo 8.29). Esse versículo confirma que a obediência é plena e amo rosa, expressando unidade entre Pai e Filho. No entanto, a obediência de Cristo não significa inferioridade. Essa submissão não diminui sua eternidade ou divindade, mas revela um relacionamento funcional dentro da Trindade. 

  Outrossim, a vontade soberana do Pai, executada pelo Filho, é preservar os que lhe foram entregues e garantir sua ressurreição final, para “que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” Jo 6.39). Essa declaração reforça o caráter intencional da obra salvífica, mostrando que Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, segundo a sua presciência, e o Filho veio para garantir a consumação desse plano (Ef 1.4; 2 Ts 2.13; 1 Pe 1.2). 

  A submissão de Cristo culmina no Calvário: “sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.8). Por meio dessa obediência, a justiça de Deus é plenamente satisfeita (Rm 3.24-25). Assim, a humilhação de Cristo se dá em três níveis: encarnação — o Verbo eterno assumindo forma humana Jo 1.14); obediência extrema — cumprindo a vontade do Pai durante todo o ministério terreno (Mt 26.39); e morte vicária — mor rendo em lugar dos pecadores (Is 53.5).
   
    Em vista disso, a cruz não foi apenas um gesto de amor, mas um ato de justiça. Por meio da morte de Cristo, a justiça de Deus foi satisfeita e a redenção se tornou eficaz (Rm 3.24-25). Cristo é o sacrifício expiatório que desvia a ira de Deus para si, cumprindo o plano eterno de salvação. Em Jesus vemos a expressão sublime da obediência do Filho ao cumprir o propósito eterno do Pai. Essa obra não é individual, mas fruto da coo peração da Santíssima Trindade.

   2. A Mediação Exclusiva do Filho 

  Destaca-se que a salvação é cristocêntrica. Jesus é o único caminho de acesso ao Pai: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” Jo 14.6). Esse texto elimina qualquer possibilidade de múltiplas vias para a salvação. Cristo não apenas mostra o caminho; Ele é o caminho. A expressão “ninguém vem ao Pai” reforça a exclusividade de Cristo para a reconciliação entre Deus e os homens. Logo, não existe outro acesso ao Pai senão por meio do Filho, pois so mente Ele tem a capacidade de revelar plenamente o Pai Jo 1.18). 

  A eficácia da mediação de Cristo reside em sua dupla natureza. Somente o Filho eterno, sendo plenamente Deus e plenamente homem, pode mediar eficazmente entre o Deus santo e a humanidade pecadora. Como homem, Ele representa a humanidade caída; como Deus, Ele tem o poder de salvar. Significa que, unicamente o Filho pode reconciliar o homem com Deus. Essa verdade reflete a centralidade de Cristo no plano da salvação e a absoluta suficiência de sua obra redentora. Essa mediação é final e suficiente: "Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Tm 2.5). 

   Em vista disso, a exclusividade da mediação de Cristo é inegociável. Não há múltiplos mediadores ou intercessores salvíficos entre Deus e o ser humano. Essa verdade refuta qualquer prática religiosa que acrescente intermediários à obra redentora de Cristo, tais como a mediação de santos, anjos ou líderes humanos. Acrescentar outros mediadores é uma afronta à suficiência da obra de Cristo. Essa mediação única também significa que a salvação não pode ser obtida por méritos humanos. Ela é concedida exclusivamente pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo (Ef 2.8-9)

   A exclusividade da mediação de Cristo está profundamente enrai zada na estrutura trinitária. O Pai enviou o Filho (Jo 3.16), e o Espírito Santo testifica do Filho (Jo 15.26). Assim, o caminho para o Pai passa ne cessariamente pela aceitação do Filho. Essa verdade deve gerar nos cren tes profunda gratidão, adoração e compromisso com o evangelho puro e verdadeiro. A confiança plena na obra suficiente de Cristo deve levar todo cristão a proclamar que “em nenhum outro há salvação” (At 4.12).

   3. A Aplicação da Salvação pelo Espírito 

   A obra redentora de Cristo é uma realidade presente e continua, aplicada eficazmente pelo Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho (Jo 14.26). O Espírito atua de maneira ativa na regeneração, santifica ção e preservação dos crentes (Jo 14.16-17; Tt 3.5). Reiteramos que o Espírito Santo convence o mundo “do pecado, e da justiça, e do juízo (Jo 16.8). O Espírito ilumina o entendimento para crer na verdade (Jo 14.26; 2 Co 4.6). O Espírito age em cooperação plena com o Pai e o Filho (Jo 16.13-14). 

  Assim sendo, o Espírito Santo atua como o agente divino desde a experiência pessoal da conversão até a glorificação final do crente. Dentre as dimensões mais consoladoras da obra do Espírito Santo está a perseverança dos santos. Paulo escreve: Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo” (Fp 1.6). Revela a ação contínua do Espírito Santo na vida do crente, garantindo que a salvação iniciada seja levada a bom termo. O Espírito não apenas inicia a regeneração, mas também sustenta e fortalece o crente na jornada espiritual. 

  Horton leciona que a perseverança não é fruto da força humana, mas resultado da obra constante do Espírito: “o Espírito Santo é o penhor que garante nossa futura herança em Cristo , fortalecendo o crente para resistir à tentação do pecado e perseverar na fé. O após tolo Paulo, esclarece que a garantia da salvação não é apenas uma pro messa futura, mas uma experiência presente, sustentada pela presença interior do Espírito (Ef 1.13-14). Outro aspecto fundamental na aplicação da salvação é o papel do Espírito Santo em testificar e glorificar o Filho (Jo 15.26; 16.13-14). 

   A missão do Espírito, portanto, é a de revelar Cristo ao coração humano, conduzindo os pecadores ao arrependimento e os crentes ao crescimento espiritual. O Espírito atua como o principal intérprete da revelação cristológica. Assim, toda verdadeira obra do Espírito resultará em exaltação de Cristo. Dessa forma, a missão do Espírito é intrinsecamente trinitária, refletindo a perfeita harmonia entre as três Pessoas divinas. Essa unidade significa que o crente deve viver em constante de pendência do Espírito, reconhecendo que a salvação é uma experiência contínua, operada com poder pelo Espírito (Rm 8.14). 

  CONCLUSÃO 

   O envio do Filho pelo Pai revela o amor eterno e soberano de Deus e destaca a perfeita unidade da Trindade na obra da salvação. Deus não apenas amou o mundo, mas agiu em favor dele, enviando Jesus no tempo certo, para redimir os pecadores. O Filho, em obediência plena, realizou a redenção; e o Espírito Santo, em sua atuação eficaz, aplica a salvação no coração dos crentes. Conhecer essa verdade fortalece nossa fé e nos convida a adorar com gratidão o Deus Triúno que nos salvou.
  
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