TEXTO ÁUREO
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós,
e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de
verdade.”
(Jo 1.14).
VERDADE PRÁTICA
O Verbo de Deus inseriu-se na história,
assumindo a forma de homem para redimir os pecadores.
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE: João 1.1-14
1 – No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus.
2 – Ele estava no princípio com Deus.
3 – Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito
se fez.
4 – Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens.
5 – E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
6 – Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.
7 – Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que
todos cressem por ele.
8 – Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz.
9 – Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao
mundo,
10 – a Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o
conheceu.
11 – Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
12 – Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos
filhos de Deus: aos que creem no seu nome,
13 – Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da
vontade do varão, mas de Deus.
14 – E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória,
como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, vamos estudar o Evangelho de João. Em comparação com os
outros três Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas), o de João destaca-se
especialmente por centrar-se no ministério de Jesus em Jerusalém. O autor deste
Evangelho, o apóstolo João, redigiu este valioso documento com a intenção de
revelar a singularidade da natureza divina do nosso Senhor e, ao mesmo tempo,
encorajar a fé dos seus discípulos. Que possamos também ser fortalecidos e
inspirados na nossa fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.
Palavra-Chave:
Encarnação
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
MILAGRES QUE CONFIRMAM A DIVINDADE DE JESUS
“João, a testemunha ocular, escolheu oito dos milagres de Jesus (ou
sinais e prodígios, como o escritor os chama), para revelar a natureza humana e
divina e a missão vivificante dEle. Esses sinais são:
(1) a transformação da água em vinho (2.1-11);
(2) a cura do filho de um oficial do rei (4.46-54);
(3) a cura do homem coxo no Tanque de Betesda (5.1-9);
(4) a alimentação de mais de cinco mil pessoas pela multiplicação de
alguns pães e peixes (6.1-14);
(5) a caminhada de Jesus sobre as águas (6.15-21);
(6) a restauração da vista de um homem cego (9.1-41);
(7) a ressurreição de Lázaro (11.1-44); e
(8) uma surpreendente pesca, presente do Cristo ressurreto para os
discípulos (21.1-14). […] O sinal mais importante do poder e da deidade de
Jesus é a ressurreição; e João, como testemunha ocular do túmulo vazio,
forneceu um relato palpitante é surpreendente e registrou várias ocasiões em
que Jesus se manifestou após sua ressurreição. João, o devoto seguidor de
Cristo, pintou um fiel retrato do poderoso Senhor, o eterno Filho de Deus. Ao
ler a história nesse Evangelho, comprometa-se a crer em Jesus e a segui-lo” (Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1410).
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
O VERBO
“O que João quis dizer com “o Verbo”? O termo grego logos, traduzido para
o português como “verbo”, foi bastante empregado por teólogos e filósofos,
tanto judeus como gregos, mas com significados diferentes. Nas Escrituras
Hebraicas, o Verbo é o Agente da criação (Sl 33.6), a Palavra, a mensagem de
Deus para o seu povo por intermédio dos profetas (Os 4.1), e a lei de Deus, seu
padrão de santidade (Sl 119.11). Enquanto na filosofia grega, o logos significa
o princípio da razão que governa o mundo, o pensamento; na cultura hebraica, é
outra forma de referir-se a Deus. Assim, a descrição de Jesus como o Verbo
feita por João indica claramente que ele se refere a um ser humano que conheceu
e amou, mas ao mesmo tempo o Criador do universo, a suprema revelação de Deus,
a Deidade encarnada (1.14), o retrato vivo da santidade de Deus, o único em que
tudo subsiste (Cl 1.17). Para os leitores judeus, afirmar que Jesus é a
encarnação de Deus é blasfêmia. Para os leitores gregos, dizer que “o Verbo se
fez carne” (1.14) era inconcebível. Para João, o novo entendimento sobre o
Verbo eram as Boas Novas de Jesus Cristo” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.
Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1413).
CONCLUSÃO
Nesta lição, tivemos a oportunidade de iniciar o estudo no Evangelho de
João, mostrar a sua relevância e o seu objetivo na vida da Igreja. Observamos
que a revelação sensível de Deus e a sua intervenção na história tornam o
Evangelho de João uma obra única do Novo Testamento. Em João, entendemos que a
Encarnação do Verbo trouxe luz plena àqueles que cressem. Assim, através da fé
em Jesus, somos denominados e feitos “filhos de Deus”.
E o Verbo se fez carne — Jesus sob o olhar do Apóstolo do amor
Comentarista: Elienai Cabral
Lição 1: O Verbo que se tornou em
carne
INTRODUÇÃO
O Evangelho de João
W |
illiam Carey Taylor, teólogo do
século XX, da década de 1950, escreveu um comentário sobre o Evangelho de João
e, ao apresentar seus "Estudos Introdutórios", ele se referiu a João
como "a águia da cultura da fe a qual chegou à sua madureza e majestade, à
máxima envergadura das aves reais do voo celeste". Na verdade, havia se passado
um século desde que Jesus apareceu no cenário da vida jodaica quando encontrou
os filhos de Zebedeu, João e Tiago, os quais foram convidados a ser seus
discípulos.
João foi tratado como "o
discipulo amado por Jesus pelas carateristicas de carisma e lealdade, João foi,
de fato, o último sobrevivente dos apóstolos até o final do primeiro século.
Ele levou algum tempo para escrever o ültimo Evangelho e, quando o redigiu, sua
maturidade crista e suas experiências históricas fizeram com que o apóstolo desenvolvesse
um Evangelho focado na pesca de Jesus, destacando sua divindade e sua
humanidade. Por isso, seu evangelho não é uma cópia dos très outros Evangelhos,
de Mateus, de Marcos e de Lucas, chamados Sinóticos.
Segundo os estudiosos da vida e
do ministério de João, ele teve como propósito principal, ao escrever seu
Evangelho, focar na disseminação de sua crença de que Jesus não era um homem
comum, mas era o Filho de Deus. Essencialmente, ele escreveu com a intenção de
revelar não apenas a história do ministério terreno de Jesus, não só a
humanidade de Jesus, mas, acima de tudo, a sua divindade.
O teólogo J. Ramsey Michaels
escreveu que "a inspiração de João. não consiste em um Deus que dita sua
mensagem ao seu secretário, mas entendemos que João buscou nas suas próprias
memórias, mas ele teve a sua disposição muitos testemunhos, os quais reuniu
tudo para contá-los por escrito".
O propósito do Evangelho de João
está declarado no capítulo 20.31, quando diz: "Estes, porém, foram
escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que,
crendo, tenhais vida em seu nome".
Dos Evangelhos escritos, o quarto
Evangelho é o que apresenta "o retrato mais exato de Cristo que o mundo
possui", escreveu o teólogo A. T. Robertson. Na verdade, João desenvolveu
suas narrativas explorando a revelação das duas naturezas de Cristo, a humana e
a divina, dando destaque à natureza divina de Jesus. Percebemos essa forma de
escrever de João nos capítulos 1 a 12, nos quais o apóstolo destaca a revelação
da história de Cristo na eternidade e na terra. Mesmo que alguns críticos do
Novo Testamento levantem dúvidas quanto à autoria do quarto Evangelho, porque
ele não se apresenta pelo próprio nome, mas diz apenas "aquele a quem
Jesus amava" (Jo 13.23).
Autoria e data
O reconhecimento pela autoria de
João tem o apoio dos Pais da Igreja, que eram aqueles lideres contemporâneos de
João e todos aqueles que vieram depois dele, no ano 180 d.C. O testemunho
desses Pais da Igreja, já no século segundo da Era Cristä, tais como Irineu, da
Gália; Heracleano, da Itália; Tertuliano, de Cartago; Taciano, de Introdução 19
Roma e Siria; Policrates, de Éfeso; Teófilo, de Antioquia e Clemente, de
Alexandria. Outros nomes avaliaram e testemunharam a favor da autoria de João.
Policarpo foi contemporâneo e foi seu discipulo até o final do primeiro século.
Policarpo tornou-se o elo histórico entre o apóstolo e a geração que preservou
a crença na autoria joanina.
Originalmente, o quarto Evangelho
não leva o nome do seu autor. O titulo "segundo João" foi anexado a
ele tão logo os outros três Evan-gelhos se tornaram canónicos. Na verdade, esse
Evangelho começou a circular juntamente com os demais como se fosse uma só
obra.
No livro de Atos dos Apóstolos,
João apareceu quase sempre na companhia de Pedro (At 3.1; 4.19; 8.14). Até
mesmo os demais apóstolos não aparecem tanto em Atos, e isso não significa que
estes não se projetaram na história do cristianismo, pois eles se espalharam
pela Ásia, Europa, África e outras regiões do mundo. Visto que Atos dos
Apóstolos foi escrito por Lucas, suas narrativas focaram especialmente no
ministério do apóstolo Paulo, que só aparece depois do capítulo 9, após a
conversão de Saulo de Tarso. O impeto do Espírito Santo o levou a pregar o
Evangelho, especialmente na Ásia Menor, deixando Jerusalém para cumprir seu
ministério em outras partes do mundo. Sua migração para a Ásia Menor aconteceu
depois da guerra judaica (66-70 d.C.), seguindo, primariamente, para Efeso.
Enfim, quem é o discípulo amado?
Os criticos debatem sobre a
identidade do discipulo amado, mas ele é mencionado pela primeira vez na Última
Ceia de Jesus.com os seus discípulos, quando João reclina a cabeça sobre o
peito de Cristo, com atitude reverente e adoradora Jo 13.23). Ele aparece perto
da cruz no monte Calvário, acompanhando todos os detalhes dramáticos do
sofrimento do Filho de Deus, quando Ele lhe pede para cuidar de sua mãe (Jo
19,26,27). João apareceu no túmulo vazio quando teve noticias de que o corpo de
Jesus não estava mais naquele lugar. No final do seu Evangelho, ele aparece
como aquele que "testifica dessas coisas e as escreveu". Afinal, quem
é o discípulo amado? Nos Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), João é
apenas um discípulo
entre os doze. Enquanto seu irmão Tiago foi martirizado à espada no
reinado de Herodes Agripa (At 12.1,2), João sobreviveu o suficiente para dar
credibilidade aos rumores de que ele não morreria tão cedo (Jo 21.23,24).
A data do quarto Evangelho
Nunca se pode estabelecer uma
data precisa para saber quando foi escrito esse Evangelho. Sem necessidade de
discutir sobre os obstáculos levantados contra a autoria de João, nem mesmo
acerca da data, porque tudo indica que o Evangelho de João já circulava nas
igrejas no final dos anos 80. Possivelmente, João teria escrito seu Evangelho
numa data anterior ao ano 70 (5.2), quando Jerusalém ainda não havia sido
invadida pelo general Tito no ano 70 d.C.
Capítulo
1
O Verbo que se Fez Carne e Habitou entre nós
"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória,
como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade."
João 1.14
João
1.1-14
1-No principio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus.
2- Ele estava no principio com Deus
3-Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito
se fez
4- Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens,
5-e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
6-Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João
7-Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos
cressem por ele.
8-Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz.
9-Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que sem ao mundo
10- estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu
11- Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
12- Mas a todos quantos o receberam deu-thes o poder de serem feitos
filhos de Deus: aos que creem no seu nome,
13- os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus
14- E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória,
como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
Introdução
A |
sublimidade com que o apóstolo
João apresenta Jesus o torna singular não há nada mais profundo e belo do que o
livro de João. O apóstolo não se identifica pelo nome em seu Evangelho, mas se
apresenta como aquele que era amado por Jesus. Essa comunhão com Jesus o levou
a conhecer em maior profundidade o coração do Mestre e a obter uma revelação
especial sobre quem era Jesus.
O Evangelho de João desenvolve
uma autêntica cristologia, pois o autor retrata a pessoa de Jesus com uma visão
das duas naturezas de Cristo, a divina e a humana. João teve oportunidade de
perceber as carateristicas divinas de Jesus, bem como entender a revelação
dessas características como o "Logos Divino", ou seja, "o
Verbo", "a Palavra viva" que se fez carne, nascido de mulher que
é gerado pelo Espirito Santo. Os
teólogos tratam essa primeira parte do livro de João 1.1-14 como "o
prólogo de João". O apóstolo amado resume o inicio do seu Evangelho, como
"a Palavra, que estava junto com Deus no princípio, mas que entrou na
esfera d'outro tempo e da história". João então o apresenta como o Filho
de Deus que foi enviado ao mundo, para tornar-se o Jesus da história. Fica
evidente que João usa o termo grego Logos que significa Verbo ou Palavra, para
exemplificar a tese filosófica do Logos, apenas como razão ativa no mundo. Na
verdade, João estava enfatizando não só a divindade de Jesus, mas também a sua
humanidade, como o Filho de Deus, que tornou possível sua morte expiatória
pelos pecados do mundo. Por outro lado, sua divindade demonstrava sua relação
com Deus Pai que o tornou apto para cumprir a obra de salvação.
1- Jesus, o Verbo Eterno, Preexistente e
Encarnado
Os textos dos primeiros 18
versículos do capitulo 1 do Evangelho de João são tratados pelos teólogos como
o "Prólogo" do Evangelho. A palavra "prólogo" ganha sentido
especial neste primeiro capitulo do Evangelho porque João inicia sua narrativa
sobre Jesus afirmando a natureza divina do Filho de Deus e o denominando como
"o Verbo que veio de Deus e era o
próprio Deus".
João utiliza uma linguagem
própria de sua maturidade apostóli ca, pois quando escreveu esse Evangelho
haviam se passado mais de 40 anos de seu ministério apostólico (entre 60 e 70
d.C.). Ele, então, usa um vocabulário singular nesse prólogo, levando muitos
eruditos à conclusão de que o apóstolo o tenha incorporado em seu Evangelho,
Entretanto, o que importa é que o Espirito Santo o inspirou e João registrou a
revelação sobre o seu Mestre, destacando e colocando a história de Jesus numa
perspectiva cósmica. O "Logos" que criou todas as coisas encontra
expressão numa pessoa em particular, Jesus Cristo, que "habitou entre nós,
e vimos a sua glória, com a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e
verdade" (Jo 1.14).
Outro detalhe desse prólogo é que
tem uma inspiração na forma de prosa e a linguagem tem uma caraterística um
pouco poética. Alguns eruditos chegaram a declarar que João utilizou alguns
fragmentos de um hino oferecido a Cristo que os primeiros cristãos cantavam,
mas não há nada que prove essas suposições. A verdade é que João foi inspirado
pelo Espirito Santo para fazer essa introdução literária ao seu Evangelho.
D. A. Carson escreveu em seu
Comentário de João que "o Logos que estava junto com Deus no principio
entrou na história para que, como o Filho de Deus que foi enviado ao mundo, se
tornasse o Jesus da história, de forma que a glória e graça de Deus pudessem
ser manifestadas de modo singular e perfeito".
Vamos considerar as palavras iniciais do texto e fazer uma exegese para
que possamos entender a importância do texto de João.
1. "No principio" (Jo 1.1)
No livro de Génesis, a palavra
principio refere-se à criação do universo material, e no Evangelho de João, o
termo principis retrata a criação de algo novo, que é a igreja do Senhor. No
texto de Gênesis 1.1, "no principio", quando o Céu e a Terra foram
criados, a "Palavra já existia. Ele não era um ser criado. Ele sempre
existiu, desde a eternidade. Assim como Deus é eterno, o Verbo também é. Ele é
o Alfa e o Omega, o Principio e o Fim (Ap 1.8). O que se percebe é que o tempo
verbal imperfeito do original sugere uma "existência supra-temporal
absoluta" do Verbo divino. Na verdade, João reconheceu e declarou que a
existência de Jesus não era temporal, mas eterna. Sua preexistência é
indubitável, porque Ele não foi criado, Jesus deixou o seu lugar junto do Pai e
entrou na condição de ser humano, sendo gerado pelo Espírito Santo no ventre de
uma mulher e nasceu como qualquer criatura.
2. "No principio, era [...]" (Jo
1.1)
Na linguagem da Biblia, a palavra
principis tem um caráter absoluto. A palavra principu não se choca com a
eternidade do Verbo. Não significa que Deus teve um começo, por esse motivo não
há dúvida quanto à absoluta preexistência de Cristo. As Escrituras revelam e
evidenciam sua existência, não só antes da encarnação, mas antes de todos os
tempos. Portanto, no principio o Verbo já existia e o mundo passou a existir
por seu ato de criação. Quando o apóstolo Paulo fala de Jesus como o
"primogênito de toda a criação" em Colossenses 1.15, não se refere a
Jesus como "ser criado", porque a palavra primogenito refere-se à
posição de Cristo como herdeiro e soberano de toda a criação, como o Filho
Eterno do Pai (Hb 1.1-2.
3. "No principio, era o Verbo" (Jo
1.1)
No grego do Novo Testamento, a
palavra "Virbo" é logos e significa palavra. Segundo o teólogo Lewis
Perry Spencer, a definição de logos denota tanto razão quanto linguagem. Em sua
maneira de entender o termo lagos, ele inclui o modo pelo qual Deus fez a si
mesmo conhecido pelo homem. Por isso, a melhor definição da palavra logos
revela Jesus como a Expressão, o Revelador e Manifestador de Deus. O Verbo
declarou Deus como o Pai e nos declara os mistérios de Deus, a Pessoa de Deus e
a salvação de Deus.
II- Quem Era o Verbo
"No principio, era o Verba, e
o Verbo estava com Deus." Jo 1.1)
1. A revelação para além do passado
Antes que se criasse a matéria,
antes de todas as coisas visiveis e invisíveis, antes da criação da terra e os
céus, Ele já era o Verbo. Quando o apóstolo João escreveu: "no principio,
era o Verbo" (1.1), como já dito, nota-se que a palavra
"principio" aparece no primeiro livro da Biblia, Gênesis, o começo de
tudo. A palavra "principio" usada por João o transportava para o
passado em uma eternidade em que Deus era o Agente ativo em todas as coisas criadas.
Na visão de João, Jesus já existia como Deus, e era a "Palavra" que
estava com Deus. No livro de Génesis, essa palavra faz a abertura da Bíblia,
expondo a criação de Deus. O apóstolo João se refere à criação de tudo, mas ele
descobre uma nova criação (Jo 3; 2 Co 5.17). Marcos começa seu Evangelho usando
a palavra "principio" ao escrever: "Principio do evangelho de
Jesus Cristo, Filho de Deus" (Mc 1.1). Ora, se Marcos escreveu sobre o
ministério público de Jesus na terra, João também escreveu sobre Jesus, mas seu
foco era sobre a divindade de Jesus. O que João queria expor em seu Evangelho
era o fato de que Jesus era o Verbo de Deus e era Deus, por isso Ele já
desfrutava da existência infinita, sem início e sem fim. Esse é o grande
mistério que só será revelado quando a igreja e todos os santos estiverem com
Ele para sempre.
2. Ele existia por si mesmo e estava com Deus
(Jo 1.1; 5.26)
No texto de João 5.26, Jesus,
além de declarar que "o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também deu
ao Filho ter a vida em si mesmo", demonstra que a sua natureza divina
revela que Ele é a fonte da vida eterna, e aquele que o conhecer receberá a
vida eterna. Ora, se Ele, à semelhança do Pai, tem vida em si mesmo, entende-se
que Jesus, além de existir por si mesmo (Jo 5.26), é eterno e infinito, isto é,
sem começo e sem fim. João diz que Ele é a Palavra (o go), Ele estava com Deus,
o Pai, antes da criação do mundo (Jo 17.5,24). Jesus, como o Logos divino,
existia no principio, estava com Deus e era Deus. Sua preexistência é
indiscutivel. Ele sustenta "todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb
1.3). O Logos de João não é, filosoficamente, "uma palavra ou uma
ideia", mas é uma Pessoa com a consciència da distinção pessoal. O Logos
do Evangelho não é, como afirmam alguns teólogos equivocados, "a razão
impessoal", como pensavam os estoicos, mas é o Deus pessoal que age e
opera como Pessoa,
3. A natureza essencial do Verbo
Deus é eterno, o Verbo também.
João, no livro de Apocalipse, apresenta Jesus como "o Alfa e o Omega, o
Principio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o
Todo-poderoso" (Ар 1.8). Esse texto é chamado "Prólogo" como um
modo de apresentação da mensagem que João queria transmitir sobre a pessoa de
Jesus, destacando a sua divindade. Nesse prólogo, João quería distinguir a
revelação sobre Jesus diante da discussão filosófica dos estoicos e de Filo,
que apresentavam Jesus não como "a Palavra". João descobre no termo
"Verbo" o próprio Deus vivendo entre os homens. Como "Verbo
encarnado", Jesus foi reconhecido por muitos e adorado como Deus, os quais
deram testemunho acerca dEle.
III- Jesus, o Verbo, É Vida e Luz
entre os Homens (Jo 1.1,3,4)
1. "No principio, era o Verbo, e o Verbo
estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Jo 1.1)
Antes de tudo, o Verbo era a
Palavra revelada. Esse termo aparece como uma designação do Novo Testamento Jo
1.1.14; 1 Jo 1.1; Ap 19.13). A Palavra reflete a mente de Deus e revela o
próprio Deus para os homens (Hb 1.3). Nesse prólogo, o texto de João 1.1-4, o
apóstolo, inspirado pelo Espírito Santo, narra sobre o estado preexistente de
Jesus e a sua atividade no plano eterno de Deus. A expressão "no prin-cipio"
(v. 1) reflete a existência eterna da Palavra (o Verbo, o Logos). Nos
versiculos 2 e 3, João aponta para Jesus como o Criador original mediado pelo
Pai de todas as coisas pelo poder da sua Palavra. O Verbo divino era e é a
personificação da vida. Sua vida é preexistente. Em João 5.26 diz:
"Porque, como o Pai tem vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter
vida em si mesmo". Entre o Pai e o Filho há um compartilhamento da vida,
Jesus é o agente de vida espiritual para todos quantos o aceitam e o recebem por
Salvador
2. "Nele, estava a vida" (Jo 1.4)
O texto diz literalmente:
"Nele, estava a vida". Desde a eternidade, ele sempre foi. As
"trevas" são a representação da obscuridade espiritual do pecado.
Para romper com as trevas, Deus enviou João Batista, o qual se tornou
testemunha da luz que viria sobre o mundo. Ele não era a luz, mas era a
testemunha em favor da verdadeira luz, que era Jesus. Embora tenha sido enviado por Deus para
testemunhar e anunciar sobre a Luz, João Batista falava a respeito da Palavra,
mas ele não era a Palavra. Ele cumpriu com eficiência a proclamação da Verdade
sobre "a Palavra". João anunciou a vinda da Palavra, mas os homens a
rejeitaram (Jo 1.9-12).
3." [...] e a vida era a luz dos
homens" (Jo 1.3,4)
Na relação entre o Pai e o Filho,
o Filho compartilha da vida do Pai, mas tem existência própria. Posteriormente,
Jesus se identifica como sendo os dois elementos ao mesmo tempo, Luz e Vida.
Ele mesmo disse em outra ocasião: "Eu sou a luz do mundo" (Jo 8.12 e,
também, "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" Jo 14.6. É
interessante que João reúne "luz e vida" para afirmar que Jesus, o
Verbo divino, veio a este mundo para alumiar um mundo em trevas e conceder a
vida aos que já estão mortos no pecado. A grande verdade é que a vida e a luz
emanam do Verbo (Jo 1.4). Ele é a fonte da vida e da luz para o mundo.
4. "[...] e a luz resplandece nas
trevas" (Jo 1.5)
Sabemos que o oposto da luz são as trevas, e quando Jesus fez-se carne e
habitou entre nós Jo 1.14, a sua luz tornou conhecido o Deus, todo-poderoso.
Quando João diz que "as trevas não compreenderam" (5), ele falava da
incapacidade de os pecadores entenderem a sua mensagem, especialmente, os
judeus, que o rejeitaram: "Veio para o que era seu, e os seus não o
receberam" (Jo 1.11)
5. "Houve um homem enviado de Deus, cujo
nome era João. Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que
todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da
luz" (Jo 1.6-8)
Quem era esse João do versiculo
6? O texto o apresenta como sendo João Batista, o profeta do deserto, como
aquele foi enviado para preparar o caminho para receber o Verbo Divino (Mt
3.1-3). João Batista veio como profeta e testemunha ocular de que Jesus foi
enviado por Deus para ser a grande luz que o mundo precisaria conhecer. João
Batista foi aquele que deu testemunho em voz audivel de que Jesus, quando veio
para ser batizado por ele a fim de cumprir toda a lei de Deus, era, de fato,
"a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo" (Jo
1.9). João Batista não era a Palavra, o Verbo, mas ele falava da Palavra.
6. "Mas a todos quantos o
receberam deu-lhes o poder de serem feitos de Deus: aos que creem em seu nome,
os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do
varão, mas de Deus" (Jo 1.12-13)
Se Israel rejeitou a bênção da
salvação mediante a obra magistral do Calvário, o Senhor concedeu a todo o
mundo, independentemente da cor, da etnia ou língua, mediante a aceitação da
oferta salvadora de Cristo de se tornar "filho de Deus" ao que confia
em seu nome. Seja judeu, seja gentio, a aceitação da Luz que foi manifestada
revela o plano redentor de Deus. Os judeus sempre reivindicaram o direito
hereditário de serem chamados filhos, porque eram filhos de Abraão, mas foram
aos gentios que receberam a herança de filiação a Deus (1 Jo 3.1). Portanto,
como crentes em Cristo, fomos contemplados com o direito de sermos chamados
"filhos de Deus". No versículo 13, João diz que os que se tornam
filhos de Deus não são gerados segundo a vontade da carne, nem do sangue, nem
da vontade do homem, mas gerados pelo Espírito Santo (Jo 1.13). Trata-se de uma
geração espi-ritual, por obra do Espírito Santo, posto que estes são filhos
nascidos não de uma descendência natural, tão pouco da decisão humana, mas,
sim, da vontade soberana de Deus.
IV - A Encarnação do Verbo (Jo 1.14-18)
1. "E o Verbo se fez carne e habitou
entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de
graça e de verdade" (Jo 1.14)
O apóstolo Paulo entendeu a
encarnação do Verbo quando escreveu aos filipenses que Jesus, sendo Deus,
aniquilou-se a si mesmo (Fp 2.7), no sentido de despojar-se e privar-se da
glória de divindade que tinha, para tomar a forma de homem. Ele não se esvaziou
da essência da sua divindade, mas esvaziou-se dos atributos de divindade para
se manifestar literalmente como homem comum. Paulo, também, disse que
"tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Fp
2.7). Cristo não fez de conta que seria um homem, mas Ele foi verdadeiramente
um homen, sem nunca ter perdido o vinculo com a sua divindade.
Imaginemos o que uma frase como
"O Verbo se fez carne" (Jo 1.14) seria capaz de provocar na cabeça de
judeus com formação judaica, que tinham a ideia formada de um Deus Onipresente,
como alguém que enche os céus e a terra, ter que ouvir um discurso que
apresenta esse Deus como alguém que se humanizou e habitou entre os homens. Mas
a realidade das palavras de, João era chocante, uma vez que o Verbo era algo
superior a qualquer conceito filosófico. Ele era o Deus que se encarnou como um
ser humano para se revelar como o Salvador de todos os homens (Jo 1.18; Hb 1.1- 3). "Ele simplesmente humanizou-se sem
nunca haver perdido a essência", como escreveu o pastor Natanael Santos,
em sen livro A Glória de Virbo,
O termo grego "he
logos" refere-se à Palavra que reaparece no versículo 14 com ousadia,
porque João não disse que a Palavra (o Logos) assumiu a humanidade, mas falou
com autoridade que a Palavra se fez carne. Foi uma suprema revelação, porque o
apóstolo nos leva a conhecer a Deus de modo pessoal e glorioso, mediante a
manifestação da Palavra no Calvário. Ainda mais, diz João que a Palavra se fez
carne e habitou entre nós. A palavra "habitação" éskés, que significa
que Ele armou seu Tabernaculo, ou sua tenda, entre nós. Quando João diz
"[] e vimos a sua glória" (Jo 1.14), está falando da manifestação
visivel da autorrevelação de Deus entre nós. Ora, entendemos que a glória de
Jesus foi manifestada em seus sinais (Jo 2.11; 11.4,40), e Ele foi glorificado
em sua morte e ressurreição (Jo 7.39, 12.16,23). A relação peculiar que Jesus
tinha com o Pai é identificada no fato de que Ele nunca procurou glória para si
mesmo, mas somente a glória do Pai (Jo 5.41; 7.18; 8.50.
2. As limitações do Verbo encarnado
O Verbo Divino sendo eterno
tornou-se um ser humano, aceitou as limitações humanas e sujeitou-se às
condições que são próprias da vida terrena. Na narrativa do encontro de Jesus e
Nicodemos, no livro de João, capítulo 3, versículo 17, Jesus diz a Nicodemos:
"Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo,
mas para que o mundo fosse salvo por ele". O apóstolo Paulo escreveu aos
filipenses estimulando-os a que tivessem "o mesmo sentimento que houve
também em Cristo Jesus" (Fp 2.5). Que
sentimento Jesus experimentou? Ao assumir a encarnação, Ele demonstrou toda a
humildade, revestindo-se de nossa natureza humana e humilhando-se ao papel de
servo nessa natureza. Por amor aos pecadores, Cristo se fez homem e sofreu a
pena do pecado, mesmo não tendo pecado algum. Ele era e ainda é igual a Deus, o
Pai, não no sentido de ser a mesma pessoa, porque Ele era uma pessoa distinta.
Jesus preferiu aniquilar-se de sua glória divina para assumir a natureza humana
com o propósito de salvar a todos. O seu desejo de resgatar o homem dos seus
pecados, fez com que Cristo abdicasse de sua glória e divindade. Por esse
motivo, Ele não considerou ser igual a Deus, mas preferiu assumir a posição de
"servo", ou "escravo", na forma de homem. Voluntariamente,
o Verbo Divino esvaziou-se a si mesmo de toda a sua glória para manifestar-se
apenas como homem e enfrentar o vitupério do Calvário (Fp 2.7-8).
3. O Verbo divino fez sua habitação entre nós
A glória do "unigêrito do
Pai" é uma frase muito mais que uma figura de linguagem. O termo
"unigenito" significa, tão somente, "Unico". A tradução da
expressão "e fez sua habitação" literalmente está no grego a ideia de
que "o Verbo armou seu tabernáculo, ou tenda, entre nós". A palavra
grega skanő para habitação sugere essa tradução. Se antes, Deus habitava numa
tenda armada pelo seu povo, agora, no Novo Testamento, João está dizendo que
"o Verbo" ("a Palavra") se tornou homem para viver entre
nós. Portanto, a Palavra encarnada é o verda-deiro "okens", ou seja,
a manifestação definitiva da presença de Deus.
Conclusão
O texto do versiculo 14 faz uma
conexão entre o skenos e a expressão evimos a sua glória" para denotar a
manifestação visivel da autorrevelação de Deus em "carne". Sabemos
que a glória de Jesus foi manifestada mediante os seus sinais milagrosos no seu
ministério terreno, conforme está escrito no capitulo 2.11:
"Jesus
principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a sua gloria,
e os seus discipulos creram nele
O Verbo que
estava com Deus no principio entrou na esfera do tempo e da história da
humanidade, tornando-se homem para salvar a humanidade de seus pecados.