domingo, 15 de dezembro de 2024

CPAD :As Promessas de Deus — Lição 12: A Promessa de Vida Abundante

 


AUXÍLIO DEVOCIONAL

FELICIDADE PLENA

 “[...] Viver de modo inteligente, saudável e para a glória de Deus é um aprendizado diário. Assim como Salomão vivemos várias estações em nossa vida e não podemos desprezar nenhuma delas. Cada uma é única, e somos responsáveis por torná-las especiais; por isso, meu último conselho é para que você viva cada dia como se fosse o seu último. Não tenha medo de ser feliz, de sorrir, de viver. Temos um Deus que ama a vida, mas muitos crentes parecem ter medo da felicidade e acreditam que o crente autêntico tem que estar sempre sisudo, enfrentando uma dificuldade. Se tudo vai bem, acham logo que tem algo errado. Tenho consciência de que vivemos numa sociedade hedonista, onde as pessoas estão obcecadas pelo prazer. Todos querem ser felizes a qualquer custo, mas onde encontrar a tão sonhada e falada felicidade?” (BUENO, Telma. Igreja SaudávelEducando para uma Vida Plena. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, p.119).

A PLENITUDE DA VIDA EM DEUS

 “Todos nós, como humanos, compartilhamos um desejo universal de sermos completos, para curtir a plenitude de realização do nosso destino planejado por Deus.

[...] Você pode ser solteiro ou casado, jovem ou velho. Pode ter sofrido abuso inimaginável ou vivido uma vida encantadora. Pode ter um Ph.D. ou ter abandonado o Ensino Médio. Não importa a sua bagagem ou conhecimento, sabemos, pelo menos, uma coisa sobre você. Cada momento do dia você está se movendo de ou em direção à pessoa que Deus planejou que se tornasse.

[...] Quando você atingir o nível de saúde e plenitude que estamos descrevendo, começará a se sentir, singularmente, bem consigo mesmo. Não o tipo de bem que é egoísta, mas o tipo de bem que faz de você um ser humano positivo, generoso e atencioso. Não apenas vai levá-lo a se sentir bem, mas a ser bom. Você vai se pegar expressando todo tipo de amor e simpatia natural e fluente pelos outros. E será tão contagiante que sua comunidade inteira de amigos e familiares — até mesmo desconhecidos que encontrar — notará sua vida se movendo em direção a uma alegria pessoal e amor altruísta” (WARREN, Neil Clarck; PARROTT, Les. A Vida dos seus Sonhos. Rio de Janeiro: CPAD, pp.14,15).

 

CONCLUSÃO

O Senhor Jesus é a fonte da vida abundante, pois Ele mesmo nos prometeu. Essa promessa está disponível a cada crente que desenvolve um relacionamento pessoal com nosso Senhor. Nesse relacionamento, a nossa família é abençoada, podemos desfrutar de copiosas bênçãos, além de andarmos em alegria, e gratidão em Espírito. A vida abundante em Cristo é a nova vida que Ele prometeu para os que creem nEle como Salvador e Senhor.

 

   A gratidão é uma virtude cristã que revela humildade e, ao mesmo tempo, dependência total de Deus acerca de tudo o que acontece em nossas vidas.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

A PROMESSA DE VIDA ABUNDANTE

Uma das promessas mais belas encontradas nas Escrituras Sagradas é aquela anunciada por Nosso Senhor Jesus sobre a vida abundante (Jo 10.10). A vida plena em Cristo é resultado do relacionamento pessoal com Ele. Infelizmente, muitos pensam que os prazeres desta vida e as riquezas do mundo podem preencher as lacunas da natureza humana. Ledo engano pensar assim, pois uma vida integralmente feliz e abundante só pode ser alcançada a partir da comunhão com Deus.

O interessante é que a vida abundante, prometida por Nosso Senhor Jesus, trata-se de um convite aos pecadores para viverem uma nova perspectiva de vida que não está baseada nos prazeres da carne ou nas alegrias momentâneas da vida terrena (1Jo 2.15-17). A vida abundante anunciada por Jesus está fundamentada em valores e princípios eternos. Desta nova perspectiva deriva um estilo de vida próspero, uma família abençoada, uma alegria que não se esvai com as lutas e aflições. Quem experimenta dessa nova vida tem um coração grato a Deus e disposto a servi-lO com temor, mesmo que as circunstâncias, por ora, não sejam favoráveis.

Conforme discorre a Bíblia de Estudo Holman (CPAD), “a reivindicação de que Jesus tem a vida em si mesmo reflete a afirmação no prólogo do Evangelho de João de que ‘Nele [Jesus], estava a vida’ (Jo 1.4). Ela é apoiada também pela declaração de Jesus: ‘Eu sou a ressurreição e a vida’ (11.25). Por ser Ele ‘a vida’ e ter vida em si mesmo, Jesus é capaz de dar vida [vida abundante agora; vida eterna no futuro] a todo aquele que depositar sua confiança nele (3.16; 10.10)” (2018, p.1677). A concepção de uma vida abundante é: aquela que se inicia neste mundo, a partir de um estilo de vida que agrade a Deus e se coadune com os ensinamentos do Evangelho, na expectativa de que chegará o grande dia de adentrar a eternidade. Por esse motivo, o apóstolo Paulo ressalta que a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fp 3.20,21).

Portanto, o crente que confia e tem essa expectativa vive a vida abundante conquistada por Cristo sobre a cruz, sabendo que as bênçãos que desfruta neste mundo, resultantes da comunhão com o Salvador ainda que com perseguições, não se comparam às riquezas da glória prometidas na eternidade (Rm 8.18). Por maiores que sejam as bênçãos que o crente desfruta neste mundo, a maior riqueza que possui e deve compartilhar com as demais pessoas desta esfera terra é a satisfação com a presença do Espírito Santo fazendo morada em sua vida. Não há riqueza neste mundo que substitua estar em comunhão com o Espírito (Jo 14.17). Isso é desfrutar vida abundante.

 As Promessas de Deus — Confie e viva as bênçãos do Senhor porque fiel é O que prometeu

Comentarista: Elinaldo Renovato

Lição 12: A promessa de vida abundante







INTRODUÇÃO

  A vida humana é dom de Deus. Lucas, “o médico amado”, falando aos atenienses sobre a falsa visão do mundo, que não reconhece o verdadeiro Deus e adora a deuses falsos, disse na sua pregação: “O Deus que fez o mundo não habita em templos feitos por mãos de homens. Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas” (At 17.24,25). O apóstolo falou que Deus dá a vida biológica a todas as pessoas que são geradas e nascem de forma natural.

   De acordo com a Palavra de Deus, todas as pessoas do mundo, independentemente da sua situação espiritual — salvas ou perdidas, adoradoras do Deus único e verdadeiro ou dos falsos deuses, materialistas ou não —, todas elas pertencem a Deus. Alguém pode até achar estranha essa afirmação, mas ela tem fundamento bíblico. Está escrito: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mu aqueles que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares e a firmou sobre os rios” (Sl 24.1). Está bem claro que o planeta Terra é do Senhor, bem como “o mundo”, ou seja, o meio-ambiente “e aqueles que nele habitam”. Tanto o planeta como os seres humanos são propriedades de Deus por direito de criação, por serem criaturas dEle. No mesmo Salmo, porém, lemos: “Quem subirá ao monte do Senhor ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é lim mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. Este receberá a bênção do Senho justiça do Deus da sua salvação. Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó” (Sl 24.3- 6). Para entrar “no monte do Senhor” ou chegar ao “seu lugar sa ou seja, aos céus, não podem chegar lá apenas como criatura de Deus. Tem que se estar entre os “que buscam” a face do Deus de Jacó. O apóstolo João teve a percepção mais profunda acerca de quem pode ser salvo. Ele escreveu: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo 1.11-13).

   João, inspirado pelo Espírito Santo, diz que para o homem deixar de ser apenas criatura de Deus e tornar-se “filho de Deus”, precisa crer no nome de Jesus, passando pelo novo nascimento, que é de natureza espiritual, e não da vontade da carne ou do homem, “mas de Deus”. Assim, se o homem tiver apenas a vida biológica, que resulta da união entre o seu pai e a sua mãe, e não crer em Jesus como o seu salvador, jamais terá a vida eterna; precisa nascer de novo, como Jesus disse a Nicodemos (Jo 3.3-6). Para quem tem Jesus como Salvador único e suficiente, Ele promete vida abundante: “Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância” (Jo 10.10c). Essa vida abundante está além da vida biológica, em que o homem nasce, vive, reproduz-se e morre. Que Deus nos abençoe de tal forma que, a cada dia, valorizemos mais e mais a maior dádiva dos céus, que foi enviar Jesus Cristo ao mundo para salvar-nos.

  Que sejamos sempre fiéis, santos e agradecidos pela gloriosa salvação em Cristo. Ele proclamou no Evangelho de João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

  I – JESUS, A FONTE DE VIDA ABUNDANTE

  Respondendo a Tomé, que dizia não saber o caminho, “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo14.6). Ele não disse “Eu sou [...] uma vida”, mas “Eu sou [...] a vida”. O artigo definido indica objetivamente o que Jesus quis dizer. Ele é a vida no sentido absoluto, incomparável, único.

  1. A fonte de verdadeira vida

  Antes de ter um encontro pessoal com Jesus, toda pessoa é considerada morta espiritualmente (Ef 2.1). Ao fariseu Nicodemos, que lhe procurou de noite e fez-lhe grande elogio, Jesus disse incisivamente: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.1-3). Tal resposta causou grande impacto na mente de Nicodemos; ele ficou perplexo e sem entender a palavra de Jesus, procurando saber o que o Mestre queria dizer, apelando para a lógica natural: “Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?” (v. 4).

   Jesus tornou a respondê-lo de forma bastante elevada em termos espirituais para que o seu interlocutor alcançasse o sentido das suas palavras: “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (vv. 5,6). Mas por que Jesus disse isso? O que, afinal de contas, significa “nascer da água”? Paulo, escrevendo a Tito, disse que Jesus “[...] nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tt 3.5b,6). Nascer da água é nascer espiritualmente pela fé na Palavra de Deus. Pela palavra, Cristo faz-nos nascer de novo e renova-nos pelo seu Espírito Santo. O Espírito Santo faz-nos entender que só em Jesus podemos ter a vida espiritual .

  2. A fonte de vida abundante

 Ele é “a vida”, e Jesus promete proporcionar vida abundante a todos os que nEle creem: “[...] eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância” (Jo 10.10).

  Uma vida plena de paz com Deus

  Não é apenas ter uma vida tranquila que nem muitas pessoas têm, mesmo sem terem sido salvas em Cristo; é ter uma vida de paz com Deus: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). A paz de Deus é tão grande, que a mente humana não pode entender. Está escrito: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp 4.6,7).

  Uma vida abençoada em todos os sentidos

  “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1.3). É Cristo quem nos dá “todas as bênçãos espirituais” de que necessitamos para vivermos felizes na sua presença. São bênçãos de paz e de alegria no Espírito Santo (cf. Ne 8.10); são bênçãos de segurança e de proteção (cf. Sl 91-10); bênçãos de amor (cf. Jo 13.34,35); de união (cf. Sl 133); de esperança (cf. Rm 5.5); de paciência (cf. Lc 21.19), e muito mais bênçãos Deus tem para conceder-nos.

   Jesus dá uma vida de poder O homem natural vive em busca de poder e de luta para obter mais poder humano como capacidade para realizar o que deseja para a sua vida. Ele quer poder para ter posição econômica e financeira; poder político e tantos outros que lhe fazem sentir-se útil e bem[1]sucedido. Jesus, no entanto, dá poder espiritual que está acima de qualquer poder no sentido humano. Ao despedir-se dos discípulos, que estavam atemorizados com a perspectiva de Jesus ascender aos céus, Jesus disse: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49).

  Os apóstolos certamente estavam ansiosos para continuarem a missão que lhes fora dada por Jesus: evangelizar e ganhar almas para o Reino de Deus. Eles, no entanto, precisavam de poder espiritual para enfrentarem as lutas, os desafios e os ataques malignos que haviam de combater. Eles precisavam ser revestidos de poder. Minutos antes de elevar-se aos céus, Jesus prometeu a eles: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

  II – A VIDA ABUNDANTE

  1. O conceito de vida abundante

  A vida abundante abrange a vida espiritual e a vida humana debaixo da graça, da bondade, da proteção e do amor de Deus. É a vida do salvo, que crê em Jesus como o seu Salvador. Jesus disse: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Esse é um dos textos da Bíblia de maior significado em relação à salvação. Jesus garante a salvação que abrange toda a existência do homem. Ele diz que o salvo “tem” a vida eterna no presente e que “não entrará em condenação”, isto é, salvação no futuro, e, para completar a amplitude da nova vida em Cristo, Ele diz que o salvo “passou da morte para a vida”, isto é, a salvação alcança até mesmo o seu passado! Paulo recebeu essa revelação quando disse: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17). Vida abundante é a nova vida com Cristo debaixo da sua graça e misericórdia.

 2. A vida abundante também influencia a família

 Muitas pessoas nas igrejas locais, inclusive pastores, são salvas, mas perderam as suas respectivas famílias. Isso não é vida abundante. Um velho pastor, cujo nome omito por questão de ética, procurou[1]me quando Deus deu a mim meu primeiro livro, A Família Cristã nos Dias Atuais, publicado pela CPAD em 1986, e disse-me: “Pastor Elinaldo, como eu gostaria de ter lido seu livro há 20 anos! Ganhei tantas almas para Cristo; construí quase cem templos, mas não dei prioridade à minha família. Para mim, a igreja estava em primeiro lugar. Resultado: quase todos os meus filhos se desviaram”.

   Fiquei admirado com aquilo. Um grande obreiro, servo de Deus, ganhador de almas, mas viu a sua família desviar-se dos caminhos do Senhor. Ele não soube desfrutar da “vida abundante” que Cristo promete a quem nEle crê e obedece à sua Palavra em santificação.

  Quando Deus promoveu a libertação de Paulo e Silas da prisão, os alicerces do cárcere foram abalados, e foram soltas as cadeias de todos os presos. O carcereiro, apavorado, pegou a espada e quis matar-se, mas Paulo socorreu-o e disse que não fizesse aquele ato tresloucado, pois todos os presos estavam ali: “Mas Paulo clamou com grande voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos. E, pedindo luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas. E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16.28-31). Essa é a promessa de Deus para quem aceita a Cristo como Salvador: ter a salvação para si e para toda a sua família.

   Há pastores e evangelistas de nível nacional e internacional que perderam a família porque deram mais prioridade ao ministério do que à esposa e os filhos; procuraram atender muitas “agendas” em troca de “cachês” do que cuidar da casa. Nunca fizeram o culto doméstico e não souberam administrar o tempo e as prioridades na vida do obreiro. O primeiro lugar é para o Senhor Deus, e Ele não cede esse lugar a ninguém. Mas, depois de Deus, a prioridade deve ser para a esposa e os filhos. Josué disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sir se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). Todos os qu observam essa ordem nas coisas colhem tristes resultados para si e para a família depois.

   III – O QUE IDENTIFICA A VIDA ABUNDANTE

  Já sabemos o que é vida abundante de acordo com a Palavra de Deus: uma vida plena de paz com Deus, de alegria e de poder do Espírito Santo; uma vida em santidade e de serviço ao Reino de Deus. Mas, além dessas características, a vida abundante que nos é dada por Cristo tem a perspectiva de ir para os céus quando da vinda de Jesus. É Deus quem nos dá vida abundante aqui para um dia termos a vida eterna com Ele nas regiões celestiais. Essa é nossa maior esperança.

  1. A alegria do Senhor

  O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes de Tessalônica (1 Ts 5.16- 23), enviou-lhes uma lista de recomendações sobre como ter uma vida abundante em todos os aspectos de nosso modo de viver cristão. A seguir, mostramos a grande mensagem aos tessalonicenses, que são referência para nosso viver, que antecedem a volta de Jesus.

 Viver sempre alegre

   “Regozijai-vos sempre” (1 Ts 5.16); regozijar-se é o mesmo que se alegrar, viver com alegria. Encontramos num dicionário vários sinônimos de alegria: “contentamento, satisfação, prazer, regozijo, júbilo, animação, bem-estar, deleite, entusiasmo, jubilação, gozo”, etc. As pessoas não crentes podem ter alegria segundo os padrões humanos; elas dependem de dinheiro, de festas, de prazeres carnais e muitas vezes são movidas às coisas pecaminosas, como sexo ilícito, corrupção e até prática de crimes. A alegria simplesmente humana não é completa. Por mais alegre que uma pessoa seja na vida natural, basta um problema, uma dificuldade, uma enfermidade, um acidente, um mau relacionamento, para toda a alegria desaparecer.

  Quando, porém, a pessoa é serva de Deus, a natureza da sua alegria ultrapassa o sentido da alegria humana. Quando Paulo exortou os tessalonicenses a que se regozijassem sempre ou que vivessem sempre alegres, ele tinha em mente a verdadeira alegria, que provém de Deus. Pelo fato de o cristão ter em si o Espírito Santo e ser templo do Espírito Santo, a sua alegria é diferente da alegria natural. Trata-se da alegria a que se referiu Neemias quando o povo estava preocupado após ouvir toda uma manhã a leitura da Lei do Senhor: “E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que nã lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei. Disse-lhes mais: Ide, e comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, nã entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8.9,8).

   A alegria do Senhor provém do Céu e enche o coração de gozo abundante e inefável. Paulo exortou os irmãos de Tessalônica a alegrarem-se sempre. Somente os crentes espirituais e que têm o fruto do Espírito podem desfrutar dessa alegria. A alegria do Senhor é tão especial, que o crente pode alegrar-se mesmo em momentos difíceis, de insucessos, de enfermidades, de perseguições e tantas coisas desagradáveis; isso porque ela tem origem divina. Ela faz parte da vida abundante, que é dada por Deus.

   O segundo aspecto do fruto do Espírito depois de amor é “gozo” ou alegria: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22). A alegria do Senhor é tão importante que produz efeitos maravilhosos na vida do crente, contribuindo, assim, para que ele tenha saúde. O sábio disse: “O coração alegre serve de bom remédio, mas o espírito abatido virá a secar os ossos” (Pv 17.22). Mais do que dar saúde, a alegria do coração dá uma nova aparência física aos servos de Deus:“O coração alegre aformoseia o rosto” (cf. Pv 15.13a).

   Ter uma vida de oração

  “Orai sem cessar” (v. 17). Além de viver alegre com Cristo, o cristão verdadeiro precisa orar sempre e todos os dias para ter vida abundante. Alguém já perguntou: Como podemos orar sem cessar? Como viver orando em casa, na igreja, andando, como? Não é difícil entender. Não quer dizer que uma pessoa tem que estar orando, concentrado em todas as horas e minutos e em todos os lugares. Se um crente é, por exemplo, um funcionário de uma loja, ele não deve parar o serviço de atendimento ao cliente para orar; se ele vai andando a pé, não pode fechar os olhos e orar; se está dirigindo um carro, não pode deixar de ver o percurso para orar. Orar sem cessar quer dizer estar sempre “em espírito de oração”, na presença de Deus, em qualquer lugar ou ocasião. Sempre que puder, o servo de Deus deve fazer a sua oração a Ele nos horários normais: pela manhã, ao acordar; depois que ler a Bíblia, na leitura diária; antes de sair para o trabalho; nos intervalos do trabalho profissional; ao sair do trabalho; na volta para casa; ao chegar à sua casa; antes de cada refeição; na igreja local; antes de dormir. Em todos esses momentos, o fiel orará “sem cessar”. Diz Paulo: “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças” (Cl 4.2).

 “Dar graças a Deus “em tudo” e “por tudo”

  “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (v. 18). Só pode haver vida abundante se o crente tiver uma vida de gratidão a Deus em tudo; e também devemos agradecer a Deus por tudo: “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5.20). Há crentes que não têm vida abundante porque pedem muitas coisas a Deus, mas, normalmente, não rendem ações de graça pelas bênçãos recebidas. Paulo diz: “E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Cl 3.17). O apóstolo exorta que devemos dar graças a Deus Pai por tudo o que fizermos, seja por palavras, seja por obras. Esse é um dos requisitos para desfrutarmos da vida abundante que nos é concedida por Cristo.

  Não extinguir o Espírito

  O crente precisa ter uma vida espiritual ativa para ter uma vida abundante. Ele não pode deixar que o Espírito de Deus fique inativo na sua vida. O apóstolo diz: “Não extingais o Espírito” (v. 19). Só há duas maneiras de o crente vivenciar a experiência cristã: (1) andando no Espírito ou (2) vivendo segundo a carne (a natureza carnal). Paulo, escrevendo aos Romanos, disse:

  Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita. (Rm 8.5-11).

 Paulo também exortou: “Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (Gl 5.16,17). Quem vive de acordo com a natureza carnal acaba extinguindo a presença do Espírito Santo na sua vida. O resultado é a morte espiritual. A Bíblia diz de maneira bem incisiva: “De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne, porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.12- 14).

  Não desprezar as profecias

 “Não desprezeis as profecias” (v. 20). O crente que tem vida abundante valoriza as coisas espirituais, o que incluem as profecias da parte de Deus para o seu povo; e também, pelo dom de profecia, como diz Paulo: “Segui a caridade, e procurai com zelo os dons espirituais, mas, principalmente, o de profetizar. Porque, o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios. Mas, o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação” (1 Co 14.1-3). No Antigo Testamento, havia o ministério profético que tinha abrangência nacional e que só era exercido por profetas especialmente chamados por Deus, como Isaías, Jeremias, Ezequiel, Amós, Ageu, Malaquias e outros. Acontece que, no Novo Testamento, não vemos mais aquele tipo de profecias. Existe, sim, dentre os dons espirituais (1 Co 12), o “dom de profetizar”, ou “dom de profecia”, que geralmente não tem mensagem para toda a nação, ainda que, se assim Deus quiser, pode ter essa finalidade. Atualmente, a profecia tem a finalidade de promover “edificação, exortação e consolação” (cf. 1 Co 14.3).

  Examinar tudo e só reter o bem

  “Examinai tudo. Retende o bem” (v. 21). Esse é um versículo bíblico de grande sentido pragmático. O cristão não deve ser um alienado a ponto de desconhecer a realidade espiritual, moral, social, política e religiosa da sua nação. Ele deve saber acompanhar a evolução e o desenvolvimento do país em todas as áreas de interesse nacional. Assim, com muita propriedade e realismo, Paulo exortou os irmãos de Tessalônica que eles têm o direito (e o dever) de examinarem todas as coisas que devem ser examinadas à luz de nossa regra de fé e prática, que é a Palavra de Deus, mas só reter ou valorizar e praticar o que for bom, coerente e que não prejudique a prática da Palavra de Deus. “Retende o bem” é o mesmo que dizer: “Examine todas as coisas, de qualquer ordem, mas só retenha” ou só valorize e fique com o que é “o bem” para a vida cristã. Nunca, porém, o crente deve entender que algo é bom, ou que faz o bem, se não passar pelo critério da Palavra de Deus. O salmista disse: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl 119.105). O que deve ser retido após o exame de tudo pelo crente deve ser o que nos mostra a Palavra de Deus, como “lâmpada” e “luz, para o meu caminho”.

  Abster-se de toda aparência do mal

  “Abstendo-vos de toda a aparência do mal” (v. 22). Para o cristão desfrutar da vida abundante, trazida por Jesus, precisa abster-se não só do mal, do que é pecado, como também da “aparência do mal”. Há coisas na vida que não são propriamente pecados, só que a sua aparência pode trazer consequências indesejáveis. Um irmão, ao sair da Escola Dominical da igreja que eu congregava, resolveu ir a um restaurante para fazer um lanche. Pediu uma comida rápida e um refrigerante sabor guaraná. Até aí, nada de errado. Acontece que, na mesa em que se sentara, havia uma propaganda de cerveja, e ele não percebeu. Aí certo irmão, passando no restaurante, viu a tal propaganda de cerveja e imaginou que o outro irmão estava tomando bebida alcoólica. Ao sair do ambiente, disse depois para alguns irmãos da igreja que o outro irmão estava tomando cerveja, o que causou mal-estar e escândalo entre os que o conheciam. Ao ser chamado a esclarecer o incidente, ficou provado que o irmão não houvera tomado bebida alcoólica, mas que sem querer deu margem para ser visto como bebedor de cerveja. Por isso, quem quer ter vida abundante deve perceber se alguma coisa que faz pode ter a aparência do mal.

  Santificação em tudo para a vinda de Jesus

  “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). A vinda de Jesus para arrebatar a sua Igreja é a esperança de todos os cristãos verdadeiros. Para participar do arrebatamento, porém, o cristão tem que estar santificado por Deus em todas as áreas da vida; de tal forma que o seu ser integral, formado pelo “espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

  O arrebatamento é uma promessa gloriosa prevista na Palavra de Deus. Diz Paulo: “Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4.15-17).

 CONCLUSÃO

 Todo salvo deve ter a vida abundante prometida por nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 10.10). Essa vida preciosa dever ser cultivada com zelo, fidelidade e santidade de maneira que, quando Jesus vier arrebatar a sua Igreja, nenhum salvo seja apanhado de surpresa sem estar preparado para ir ao encontro com Cristo nos céus. Os que estiverem mortos passarão pela ressurreição, e os que estiverem vivos serão transformados e receberão um corpo glorioso para o encontro com o Senhor. Por isso, vale a pena viver de tal forma que, quando Jesus vier — e isso a qualquer instante —, possamos participar da sua chegada para levar a sua Igreja.


CAPÍTULO 10 A PROMESSA DA PROTEÇÃO DIVINA / CAPÍTULO 11 A PROMESSA DE PROVISÃO

 



CAPÍTULO 10 A PROMESSA DA PROTEÇÃO DIVINA

 “Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos” (Sl 91.11).

 INTRODUÇÃO

  Antes da Queda, no princípio da criação, havia a mais perfeita harmonia entre o homem e a natureza. Entretanto, depois que o pecado entrou no mundo, todas as coisas mudaram de forma marcante. Um dos resultados mais terríveis que atingiu o ser humano foi o problema da insegurança. No Gênesis, vemos a história de Caim e Abel, os dois primeiros filhos de Adão e Eva. Nascidos depois da Queda, eles devem ter vivido um bom tempo em paz um com o outro, mas, depois de muitos anos, quando ofereciam sacrifícios a Deus, ocorreu um grave problema. Caim, era agricultor, e o seu irmão, Abel, era pastor de ovelhas (Gn 4.2).

 Caim ofereceu a Deus “do fruto da terra uma oferta ao Sen “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta. Mas Caim e para sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu o seu semblante. E o Senhor disse a Caim: Por que te ir E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4.3-7).

  A frustração de Caim deveria ser com Deus, e não com o seu irmão, mas o primogênito de Adão já tinha dado lugar à maldade no coração, fazendo nascer a inveja e o ódio. Em seguida, ele protagonizou o mais terrível crime, até então desconhecido, quando matou o seu próprio irmão: “E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel e o matou” (Gn 4.8). A Bíblia mostra a razão pela qual Caim matou o seu irmão: “Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (1 Jo 3.11,12). Caim tomou um caminho diferente do de Abel. Ele deu lugar à voz de Satanás, como os seus pais, e passou a praticar más obras; enquanto Abel agradou a Deus, pois as suas obras eram justas.

 Com o primeiro homicídio, as pessoas, tentadas pelo Diabo, procuraram imitar esse ato maligno. Para resolver divergências pessoais ou de grupos, as pessoas sem Deus passaram a usar o recurso da força, da violência. Daí, surgiu o medo, o receio e a insegurança nos relacionamentos humanos, e as pessoas procuraram obter meios para a sua proteção e a da sua família. E passaram a buscar armas das mais diversas para protegerem-se dos ataques dos seus possíveis inimigos.

  Porém, quando Deus chamou a Abrão para ser pai de uma grande nação, o povo de Israel teve de Deus a promessa de proteção divina para eles. Em vários trechos do Antigo Testamento, constatamos essa verdade. Vamos meditar neste capítulo sobre a proteção de Deus ao povo de Israel, no Antigo Testamento, e à Igreja, no Novo Testamento.

  I – PROTEÇÃO ESPIRITUAL CONTRA O INIMIGO

  Essa proteção refere-se à bênção de Deus, que protege os seus servos de ações malignas de caráter espiritual e das mais diversas tentações.

  1. Proteção contra o maior Inimigo

  O Adversário sempre procurou atacar o homem, criado à imagem e conforme a semelhança de Deus. Ele atacou o primeiro casal no Éden, provavelmente, como uma forma de vingar-se de Deus, que frustrou os seus planos de ser semelhante a Ele. O Diabo declarou com orgulho o seu desejo de ser semelhante a Deus: “E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei, da banda dos lados do Norte. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo” (Is 14.13-15).

  O Diabo, constitui-se inimigo de Deus e inimigo do homem. Ele usa todo tipo de armas espirituais. Paulo doutrinou sobre a guerra espiritual que temos que enfrentar e mostrou com que armas podemos vencê-la: “Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6.12-17).

  2. Os inimigos espirituais em Éfésios

  O trecho acima mostra quem são nossos inimigos espirituais, que têm o propósito de derrotar-nos na luta espiritual que enfrentamos em nosso dia a dia. A lista é considerável.

  São eles:

  1) “os principados”: governos do mal, liderados por príncipes das trevas;

  2) “as potestades”: poderes malignos que se levantam contra os servos de Deus;

  3) “os príncipes das trevas deste século”: são demônios que lideram demônios, no combate à Igreja do Senhor Jesus;

 4) “as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”: são legiões de demônios preparados para destruir a vida espiritual dos crentes e das igrejas, no ambiente de adoração a Cristo. Paulo diz que Deus “nos vivificou juntamente com Cristo [...] e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2.5,6).

 3. As armas espirituais do crente: “A armadura de Deus”

  Para enfrentar as poderosas forças do Inimigo de Deus, da Igreja e dos cristãos, temos a armadura de Deus, que é composta de seis equipamentos espirituais muito poderosos.

 A verdade

  É uma arma poderosa, principalmente contra a mentira, recurso do Diabo, que é “o pai da mentira”. Diz a Bíblia: “Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44).

  A couraça da justiça

  Para vencer o Maligno, o crente deve vestir essa couraça espiritual, que o protege dos golpes mortais das tentações malignas. Tais ataques podem ocorrer no ambiente da Igreja, no lar, no trabalho, em qualquer lugar. O crente fiel, além de só falar a verdade, precisa viver de maneira justa, na vontade de Deus. Davi escreveu: “guia[1]me pelas veredas da justiça por amor do seu nome” (Sl 23.3).

  A preparação do evangelho da paz

  O crente fiel precisa conhecer o evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo para que possa vencer os ataques malignos, como Jesus venceu no monte da tentação. Todas as três vezes que o Diabo tentou-o, propondo que fizesse o que ele sugeria, Jesus disse: “está escrito” (Mt 4.1-10). Um grave problema nas igrejas locais é que os crentes geralmente não leem a Bíblia. Mas, para vencer, é preciso dizer na hora do ataque do mal: “para longe de mim, em nome de Jesus, pois ‘está escrito’” e, então, citar a Palavra de Deus.

  O escudo da fé

  Se a couraça da justiça protege o crente fiel dos golpes do Maligno, que lhe são lançados de perto, o “escudo da fé” protege o servo de Deus dos “dardos inflamados do maligno”. Dardos são atirados à distância, com arcos satânicos. Eram armas da época do Novo Testamento. Hoje, o Diabo usa armas mais potentes para atingir os servos de Deus. Ele usa armas de fogo e armas mais modernas, inclusive com tecnologia mais avançada, como armas a laser ou mísseis no sentido espiritual. Mas, com o “Escudo da fé”, com o qual podemos “apagar todos os dardos inflamados do maligno”, poderemos destruir tais ataques malignos. Glória a Deus!

  O capacete da salvação

  Quem já foi militar sabe da importância desse equipamento que protege a cabeça do soldado contra os golpes do inimigo. Em termos espirituais, “o capacete da salvação” é a convicção de que o servo de Deus tem sobre a certeza da sua salvação. Ele confia em Deus incondicionalmente, de modo que nenhuma palavra ou ensino herético, em desacordo com a Palavra de Deus, pode mudar o seu pensamento. Diz a Bíblia: “Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8). Está escrito: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Is 26.3).

  A espada do Espírito

 Enquanto “a couraça da justiça” e “o escudo da fé” são armas de defesa, “a espada do Espírito” é uma arma de ataque. No tempo do Novo Testamento, as armas usadas pelos soldados em todos os exércitos geralmente eram espadas e lanças. Essa figura de linguagem é bem eloquente, com relação à batalha espiritual. A Palavra de Deus, quando bem utilizada, é uma arma poderosa para derrotar as heresias e doutrinas perversas que são usadas pelo Diabo para afastar o crente de Deus; e, para enganar e confundir os incrédulos, eles não “venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4). Porém, com sabedoria de Deus, podemos manejar “a espada do Espírito” no nome de Jesus e pôr o adversário em retirada. É preciso, porém, saber utilizar essa arma espiritual. Diz Paulo a Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15). Infelizmente, a maioria dos crentes só lê a Bíblia na “leitura oficial” ou “devocional” na liturgia do culto e só volta a ler no culto seguinte, às vezes apenas uma vez por semana.

  II – A MARAVILHOSA PROTEÇÃO DE DEUS

  Os servos de Deus, que integram a sua Igreja, não querem ser inimigos de ninguém, mas possuem inimigos; os inimigos de Deus são, protanto, os inimigos da Igreja. A Igreja de Jesus nasceu, vive e viverá cercada de inimigos que desejam a sua destruição. Deus, contudo, tem promessas maravilhosas contra os inimigos do seu povo.

  1. A proteção a quem se relaciona com Deus

  Aos seus servos, que estão na sua presença, Deus promete vitória nas lutas da vida. O crente em Jesus tem a proteção divina nas suas lutas espirituais. No Salmo 91, vemos promessas maravilhosas: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. Porque ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa. Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas estarás seguro; a sua verdade é escudo e broquel” (Sl 91.1-4). Nesse Salmo, um dos mais conhecidos em todo o mundo, Deus promete descanso à sua sombra, para todos os que habitam “no esconderijo do Altíssimo”.

  2. Deus, o nosso refúgio e fortaleza Em meio às incertezas e adversidades da vida, Deus é refúgio e fortaleza para todos os que nEle confiam. O salmista, na inspiração divina, proclamou solenemente que é Deus quem nos livra “do laço do passarinheiro”, uma figura do Maligno que, a exemplo do “passarinheiro”, colocava arapucas para atrair os pássaros para que estes caíssem nas mãos daqueles caçadores; assim, o Diabo sempre está procurando colocar laços ou armadilhas para que o servo de Deus caia no pecado, no engano, nas falsas religiões, nos assaltos do Diabo. Deus também nos livra da “peste perniciosa”, que nos lembra as terríveis epidemias que já se abateram sobre o mundo, ceifando muitas vidas preciosas. Concluindo essa parte do precioso Salmo, que nos fala da proteção de Deus, o salmista declara: “Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas estarás seguro; a sua verdade é escudo e broquel” (Sl 91.4).

  3. A onipotência de Deus

  Com a mesma finalidade, Deus disse acerca do seu povo: “Então, temerão o nome do Senhor desde o poente e a sua glória, de nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira” (Is 59:19). Esse trecho mostra o quão é importante temer ao Senhor e ao seu santo nome. Temer a Deus não é ter medo de Deus, e sim ter profunda reverência e santo temor diante da sua presença e onipotência. Nessa condição, Deus promete que, ainda que “o inimigo” venha “como uma corrente de águas”, “o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira”. Em tempos antigos, quando um exército vencia uma batalha, punha à frente das tropas cavalos ou carros, levando à frente a bandeira do seu país. Quando, sob a proteção de Deus, os seus servos vencem as batalhas da vida, não devem ficar orgulhosos, mas ser gratos a Deus pelo fato de o seu Espírito arvorar a bandeira do Senhor contra o inimigo.

 III – DEUS DÁ VITÓRIA A SEUS SERVOS

 A Igreja do Senhor Jesus Cristo sempre foi atacada pelos inimigos de Deus. Nos seus primórdios, foi atacada pelos judeus, que não entenderam que Jesus era o Messias prometido pelos profetas. A Igreja, todavia, não foi derrotada. Quanto mais perseguida, mais crescia e expandia-se na unção do Espírito Santo. Depois, ela foi atacada pelo Império Romano, que quis varrer o cristianismo da face da terra. Dez imperadores pensaram que eliminariam a Igreja, mas todos eles foram derrotados, alguns com morte terrível.

  1. Os inimigos serão derrotados

  Ao longo dos séculos, os inimigos de Deus sempre se levantaram para tentar impedir os seus planos divinos para Israel, para a humanidade e para a Igreja de Jesus. Porém, já está tudo preparado para a vitória final de Deus, de Cristo e da sua Igreja sobre as “portas do inferno”, que jamais “prevalecerão contra ela”, como disse Jesus (Mt 16.18). Está escrito: “Depois, virá o fim, quando tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo império e toda potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés” (1 Co 15.24-27).

  2. Segurança e vitória para os que temem o Senhor

 Além da proteção de Deus aos seus servos, conforme citado no tópico anterior, o Salmo 91 inclui outras bênçãos prometidas aos que amam ao Senhor.

  Segurança durante todo o dia

 “Não temerás espanto noturno, nem seta que voe de dia, nem peste que ande na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia” (vv. 5,6).

 Vitória contra os ímpios

 “Mil cairão ao teu lado, e dez mil, à tua direita, mas tu não serás atingido. Somente com os teus olhos olharás e verás a recompensa dos ímpios” (vv. 7,8).

 Refúgio contra os males e pragas

 “Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio! O Altíssimo é habitação. Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda” (vv. 9,10).

  Proteção dos anjos de Deus

 “Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra. Pisarás o leão e a áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente” (vv. 11-13; Sl 34.7).

  Livramento divino

   “Pois que tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque conheceu o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; livrá-lo[1]ei e o glorificarei” (vv. 14,15).

  Longevidade e salvação

  Dar-lhe-ei abundância de dias e lhe mostrarei a minha salvação” (v. 16). O homem foi criado por Deus para viver eternamente sem doenças, envelhecimento e morte física. Porém, por causa da Queda, os seus anos de vida foram reduzidos ao longo dos séculos, e a média de vida humana foi definida em torno de 70 anos (Sl 90.10). Deus, porém, promete longevidade aos que o amam e conhecem o seu nome (v. 14).

  3. A abrangência da proteção de Deus

  Na vida do cristão verdadeiro, nem sempre ele experimenta momentos de alegrias e de vitórias ao lado da sua família, na Igreja, no trabalho, na escola ou noutros lugares. Nosso Senhor Jesus Cristo, falando aos seus discípulos nas suas últimas instruções antes da sua morte, disse de forma clara e realista: “Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só, mas não estou só, porque o Pai está comigo. Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.32,33).

   Na sua mensagem aos discípulos, Jesus fez-lhes ciente de que “no mundo”, no meio dos homens, da humanidade, ou mesmo na terra, eles haveriam de passar por aflições. Se ele tivesse terminado a frase nesse ponto, certamente teria deixado uma mensagem de temor e perplexidade. Ele, porém, concluiu o seu discurso: “mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. Glória a Deus por essa palavra. A Bíblia sempre tem mensagens, que alertam para a realidade da vida espiritual. Ela fala de lutas, tribulações, perseguições, tentações e até de morte, mas fala muito mais sobre bênçãos, êxitos e vitórias sobre todas as coisas.

  O Salmo 46, que foi escrito pelos coraítas, 25 é um capítulo dos mais conhecidos da Bíblia. Ele é citado e recitado por muitas pessoas em todo o mundo como um cântico de exaltação a Deus pelo que Ele representa para todos os que nEle creem e confiam nas suas gloriosas promessas. Desse belo Salmo, podemos extrair verdades e promessas maravilhosas.

  Deus é refúgio e fortaleza (v. 1)

  Refúgio fala de abrigo, de lugar de proteção nos momentos de ameaças, de perigo ou de medo. Fortaleza é lugar de defesa na área de luta, de guerra, de conflito. O salmista quis dizer que, em momentos de perigos, podemos ter Deus como nosso refúgio; e, em meio às batalhas ante os ataques dos inimigos, temos em Deus a mais perfeita fortaleza para repelir as ações malignas.

  Não teremos temor (vv. 2,3)

 O medo ou o temor faz parte da realidade humana como um dos resultados da Queda. No mundo, há pessoas com medo do futuro, de guerras, crises econômicas e financeiras. O salmista, porém, expressa a sua elevada fé em Deus e diz que “não temeremos”, mesmo que aconteçam catástrofes ecológicas tremendas, como os montes transportarem-se “para o meio dos mares”; mesmo que haja maremotos ou tsunamis; “ainda que os montes se abalem pela sua braveza”, ainda assim, é a fé perfeita em Deus que nos dá força para não sermos dominados pelos temores. Em Isaías, Deus diz de modo eloquente e tranquilizador: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” (Is 41.10).

  O rio da cidade de Deus (v. 4)

  Esse rio é de caráter espiritual, pois alegra “a cidade de Deus, o Santuário das moradas do Altíssimo”. E o mais importante nessa mensagem: “Deus está no meio dela”. Por isso, a cidade “não será abalada”, e “Deus a ajudará ao romper da manhã”. Esse rio é o mesmo que o profeta Ezequiel viu e nele adentrou a cada mil côvados com águas “pelos artelhos”, “pelos joelhos”, “pelos lombos” e, por fim, sem ter os pés na terra, sentiu que era um ribeiro de águas profundas que só se podia passar a nado (Ez 47.1-5). Esse é o rio da graça de Deus. Ele representa nosso relacionamento com o Senhor. Quando estamos com os pés na terra, não estamos em perfeita comunhão com Ele. Quando adentramos na presença de Deus, é esse rio que nos conduz a uma comunhão mais profunda com o Senhor.

 As nações derrotadas por Deus (v. 6)

  Ao longo dos séculos, as nações sempre deram as costas para o Senhor; mais do que isso: têm-se revoltado contra Ele. No Salmo 2, Davi diz: “Por que se amotinam as nações, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos se mancomunam contra o Senhor e contra o seu ungido, diz Rompamos as suas ataduras e sacudamos de nós as suas cordas” (Sl 2.1-3). Em todo o mundo, a maioria das nações não crê no Deus da Bíblia, no criador dos céus e da terra. Enganadas pelo Diabo, a maioria das nações prefere acreditar nos falsos deuses. Mas, no seu tempo, Deus levantará a sua voz, e a terra será subjugada por Ele. O Salmo diz que, diante da arrogância dos homens: “Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles. Então, lhes f na sua ira e no seu furor os confundirá” (Sl 2.4,5). No Milênio, quando Jesus voltar dos céus com a sua Igreja, Ele será o governante único na terra. Todas as leis dos países serão anuladas. Haverá uma única Lei: a Lei do Reino de Cristo. Está escrito: “E virão muitos povos e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à do Deus de Jacó, para que nos ensine o que concerne aos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor” (Is 2.3).

  O Senhor dos Exércitos está conosco (v. 7)

 Mais uma vez, o salmista muda a narrativa e diz que Deus está com o seu povo e que é o seu refúgio perfeito. Essa é uma palavra de grande significado espiritual. Deus não esteve somente com Israel; Ele está com todos os que o amam, que o servem e que o adoram “em espírito e em verdade” (Jo 4.23). Jesus disse ao despedir-se dos seus discípulos: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mt 28.19,20).

  Deus faz cessar as guerras (v. 9)

  No mundo, sempre houve guerras entre as nações ao longo dos séculos. Houve duas guerras mundiais que mataram milhões de pessoas. Jesus alertou para os sinais que antecederão o tempo da sua volta para arrebatar a sua Igreja: “E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores” (Mt 24.6-8).

  No seu tempo, Deus faz cessar as guerras quando Ele tem um propósito seu para agir contra os povos em conflito. Porém, na verdade, só haverá paz perfeita na terra quando Jesus vier reinar no Milênio (Ap 20.1-2). Somente com a prisão de Satanás por mil anos é que haverá paz completa sobre a terra. Cristo reinará sobre todo o mundo como o “Príncipe da Paz” (Is 9.6c).

  Deus, exaltado entre as nações (v. 10)

 O salmista conclui o Salmo 46 com a promessa de Deus de que Ele é Senhor e será exaltado entre as nações e sobre a terra. Ele repete a promessa de que “O Senhor dos Exércitos está conosco; o De Jacó é o nosso refúgio”.

  CONCLUSÃO

  Dentre as muitas promessas de Deus, a Bíblia registra promessas maravilhosas de proteção sobre o seu povo no sentido espiritual, humano e sobre a Igreja, garantindo paz, segurança e poder para vencer todas as lutas, oposições e ataques de todas a ordens. Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo disse clara e eloquentemente após a palavra de Pedro, que declarou que Ele é o Cristo, o filho do Deus vivo: “Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Desde os seus primórdios, a Igreja de Jesus tem sofrido oposições e perseguições por vezes cruéis, mas a promessa divina é de que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

 

CAPÍTULO 11 A PROMESSA DE PROVISÃO

  “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará” (Sl 23:2)

 INTRODUÇÃO

 Quando Deus criou o ser humano, no seu plano original naturalmente existiam necessidades a serem satisfeitas no seu habitar edênico. No entanto, na condição de um ser, criado à imagem e conforme a semelhança de Deus, as suas necessidades eram quase em tudo diferentes das necessidades das pessoas, depois da Queda. Isso porque, antes de pecar, deixando de ouvir a voz de Deus, o homem foi programado por Deus para viver eternamente. Na sua vida eterna, o homem não envelheceria, não conheceria doenças e enfermidades e, muito menos, a morte. Ao criar o homem, Deus certamente o fez de modo especial (ver Gn 1.26-28).

   Desse modo, no Jardim do Éden, Adão e Eva não teriam falta de nada se tivessem ouvido a voz de Deus de não tocar na “árvore da ciência do bem e do mal” (Gn 2.17), que era um meio de prova para a sua fidelidade, no uso do seu livre-arbítrio. O seu metabolismo humano necessitava de alimentação, mas havia todo tipo de alimentos indispensáveis ao seu corpo físico; o organismo de ambos era perfeito; bastava comer “de toda a árvore do jardim”, inclusive da “árvore da vida”, que viveriam em perfeita saúde e sem perspectiva de doenças ou morte. De igual modo, não necessitavam de medicamentos para a velhice ou para combater doenças.

  O texto bíblico confirma esse entendimento: “E ordenou o S Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17).

  Antes da Queda, não se vê recomendação do Senhor para que animais fossem mortos para o ser humano obter os nutrientes de que ele necessitava para a sua alimentação (ver Gn 1.29,30).

  No Éden, todas as necessidades emocionais do ser humano eram plena e perfeitamente satisfeitas. Eles não conheciam a ansiedade, o estresse, a melancolia, as tristezas, a falta de reconhecimento, a baixa autoestima, dentre outros sentimentos negativos. A condição espiritual deles dava-lhes perfeita paz, tranquilidade e harmonia. As necessidades espirituais eram supridas de forma única e especial, com a presença diária de Deus, que os visitava “pela viração do dia” (Gn 3.8), ou seja, nos fins das tardes. No entanto, quando desobedeceram, Deus apareceu a eles, porém com grave repreensão e promessa de juízo: “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3.17-19).

   Com essa sentença de Deus, o homem passou a ter outros tipos de necessidades, como as que conhecemos até os dias presentes. Mas Deus, na sua bondade e misericórdia para com o ser humano pecador, promete suprir as necessidades de todos os que aceitam a sua salvação mediante Cristo Jesus, ainda que em meio a aflições próprias da condição humana na terra, como Jesus profetizou: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

  As necessidades humanas foram catalogadas pelo psicólogo americano Abraham Maslow no seu livro A Teoria da Motivação Humana, publicado em 1943. Segundo ele, as necessidades humanas podem ser categorizadas em cinco níveis:

  1) Fisiológicas: ar, água, comida, exercício, repouso e saúde.

  2) Segurança: abrigo, estabilidade, segurança.

  3) Social: se sentir querido, pertencer a um grupo, ser incluso.

  4) Estima: poder, reconhecimento, prestígio e autoestima.

  5) Autorrealização: desenvolvimento, criatividade, autonomia, realização. 26

 As estruturas sociais e econômicas dos povos nem sempre conseguem atender a todos esses tipos de necessidade. Maslow esqueceu-se de um tipo de necessidade, indispensável ao ser humano para que ele viva em paz e em segurança na sua jornada na terra, que são as necessidades espirituais. Contudo, na sua Palavra, Deus assegura bênçãos tais que suprem todas as nossas necessidades, espirituais, emocionais e físicas, como disse Davi: “O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará” (Sl 2

  I – A PROVISÃO DAS NECESSIDADES BÁSICAS

 1. Não fiqueis ansiosos!

  No Sermão do Monte, em Mateus 6, o Senhor Jesus ensina sobre as esmolas, a oração, o jejum, dentre outros temas. Ele ensinou aos discípulos a respeito de não viverem de maneira ansiosa e preocupada com as necessidades básicas da vida, pois o Deus que provê para todos os animais e os vegetais, cuida também das necessidades básicas, emocionais e espirituais do ser humano. Por isso, nosso Senhor afirmou: “Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir” (Mt 6.25). No seu cuidado para com os seus servos, Jesus promete suprir plenamente todas as necessidades básicas de alimentação, saúde, vestimenta e outras da mesma categoria.

  2. Provisão do alimento diário

 Os alimentos são permanentemente necessários à saúde do corpo. No Sermão do Monte, em Mateus 6, Jesus ensinou sobre esmolas, oração, jejum e outros temas e falou sobre a solicitude da vida, mostrando que os seus servos não devem viver preocupados com as necessidades básicas, pois Deus cuida de nós. Ele disse: “Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber” (Mt 6.25). O corpo humano, projetado e criado por Deus, tem uma estrutura extraordinária que jamais poderia ser fruto do acaso, como dizem os evolucionistas materialistas. O esqueleto humano constitui o arcabouço que sustenta os músculos, “protege os órgãos internos e permite uma grande variedade de movimentos”. 27 É formado por 206 ossos e corresponde a 1/5 do peso total. Há 216 tecidos no corpo humano [...]” 28.

  O corpo humano possui glândulas, que são grupos de células, que produzem hormônios, ou substâncias que regulam o funcionamento do corpo. “O corpo humano produz 200 hormônios diferentes”. A constituição do corpo é tão extraordinária que o salmista declarou-se extasiado: “Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe [...]” (Sl 139.13-16).

 O sistema imunológico do homem é tão especial que um só linfócito produz 1 milhão de anticorpos por hora. O corpo é formado por 70٪ de água. Quando falta água suficiente, a pessoa tem sede; quando faltam os nutrientes, vem a fome. Alimentação e água são necessidades básicas fundamentais. Por isso, Jesus disse que os seus servos não devem andar ansiosos sobre o que comer ou beber.

  3. Provisão da vestimenta

  Em sequência, Jesus disse que os seus servos não devem estar preocupados quanto ao corpo, em relação ao que vestir: “[...] nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta? (v. 25b). E, para mostrar o cuidado de Deus com os seus filhos no que tange à alimentação e à vestimenta, o Mestre exortou:

   Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? (Porque todas essas coisas os gentios procuram). Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas; Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal (Mt 6.25-34).

 II – A PROVISÃO DAS NECESSIDADES EMOCIONAIS

  1. Somos seres integrais

   De fora para dentro de nosso ser, temos o corpo e, depois, a alma. Em sentido teológico, a alma é a sede das emoções e dos sentimentos. Jesus disse: “A minha alma está profundamente triste até a morte” (Mc 14.34). A alma se entristece. Ela é a parte sensível da vida do ego, a sede das emoções do amor (Ct 1.7), do anseio da alegria (Sl 86.4).” 29 A mordomia da alma é muito importante e indispensável. A Bíblia diz: “E o Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). A alma do homem, assim como o espírito e o corpo, deve ser conservada irrepreensível para a vinda do Senhor Jesus Cristo. Essa é a essência da mordomia da alma. Cada um deve mantê-la com irrepreensibilidade ou integridade e santidade.

  2. A ansiedade no mundo

  Grande parte das pessoas no mundo sofre de transtornos de ansiedade. Tais pessoas não desfrutam de tranquilidade, de paz no coração. A razão e a resposta estão na Bíblia: “[...] o mundo todo está no maligno” (1 Jo 5.19). Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), vítimas da ansiedade, pessoas com transtornos mentais, como a depressão, alcançam a 300 milhões, no mundo. 30 E, de modo nada desejável, “O Brasil lidera ranking mundial de ansiedade. A ansiedade atinge mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, o transtorno afeta cerca de 18,6 milhões de indivíduos, conforme dados da OPAS, o que corresponde a 9,3% da população. Paraguai (7,6%), Noruega (7,4%), Nova Zelândia (7,3%) e Austrália (7%) surgem em seguida, completando o ranking dos cinco países com o maior percentual de registros”. 31

  3. A solução para a ansiedade

 Um dos nomes compostos de Deus na Bíblia é Jeová Rafá, que significa “O Senhor que cura”. “Eu sou o Senhor que te sara 15.26). Pelo seu poder e vontade, Deus cura o homem de qualquer doença, enfermidade, transtorno, síndrome, seja qual for a sua natureza. O Deus que curou no Antigo Testamento é o mesmo que cura hoje. Nosso Senhor Jesus Cristo, no seu ministério terreno, operou muitos milagres de cura física, emocional e espiritual. Ele curou um paralítico, que amargava a enfermidade há 38 anos, e também um cego de nascença. Foram curas jamais vistas mesmo com todo o avanço da Medicina. Mais do que isso: Ele mostrou o seu poder sobre a morte ao ressuscitar pessoas falecidas depois de alguns dias, como foi o caso de Lázaro em Betânia. O apóstolo Pedro, doutrinando sobre Jesus Cristo, declarou: “levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” (1 Pe 2.24).

  Jesus cura todas as enfermidades

  Não há enfermidade que Jesus não possa curar (Mt 12.15). Para tanto, como tudo o que Ele faz, há condições a serem atendidas. A primeira delas é crer que Jesus é Deus e que Ele veio ao mundo para salvar a humanidade; depois, é necessário ter fé que Ele pode fazer milagres segundo a sua santa vontade. Declarando qual era a sua missão na terra, Jesus disse: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,19). Na sua missão gloriosa, Jesus diz que foi ungido pelo Espírito do Senhor para evangelizar os pobres e “curar os quebrantados do coração”, isto é, para curar as pessoas com problemas mentais, emocionais ou psicológicos, que as abatem ou que quebrantam a mente, como também para “dar vista aos cegos”.

   Não devemos estar ansiosos

  Em seu poder para curar as pessoas com problemas emocionais, Paulo diz de forma bem categórica: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp 4.6,7). Esse texto deixa bem claro que, como cristãos e com fé em Jesus, não devemos estar inquietos ou ansiosos por coisa alguma; que devemos buscar a Deus orando, suplicando e rendendo-lhe “ação de graças”. E o resultado dessa fé é que: “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará” nosso coração e nossos sentimentos em Cristo Jesus, que nos garante a provisão diária para nossas necessidades emocionais.

   Lançar a ansiedade sobre Deus

  O apóstolo Pedro corrobora com esse entendimento de que Jesus tem a solução para os problemas emocionais na sua primeira carta, quando exorta os jovens, ele diz: “Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5.5-7). As enfermidades emocionais agravam-se quando a pessoa concentra-se nelas e nos seus efeitos, dando lugar ao desânimo, à tristeza, à frustração e à perda de sentido para a vida. São atitudes que podem levar à depressão e até ao suicídio. Mas, quando lançamos sobre Deus nossas ansiedades, Ele tem a solução perfeita para nossa cura e vitória. O Senhor não nos deixa ficar abalados quando lançamos nossos problemas sobre Ele: “Lança o teu cuidado sobre o Senhor ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado” (Sl 55.22).

  Solução para os problemas da vida

   O salmista indicou três atitudes para quem quer vencer os problemas e lutas da vida humana, e não ser dominado pela ansiedade, no Salmo 37.

  1) Alegrar-se no Senhor.

 “Deleita-te também no Senhor, e e concederá o que deseja o teu coração” (v. 4). Há pessoas nas igrejas locais que, quando enfrentam lutas, desafios, injustiças e decepções, passam a murmurar, a reclamar e até a descrer de Deus. É o caminho para a derrota total. O salmista diz: “Deleita-te”, “Alegra-te no Senhor”. E, como resultado dessa alegria, Deus concederá nosso coração deseja. Alegrar-se em momentos difíceis não é fácil, mas alegrar-se confiando em Deus produz efeito maravilhoso, pois Deus agrada-se de quem confia nEle.

  2) Entregar os problemas ao Senhor.

 “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará” (v. 5). Diante das lutas que acontecem em nossa vida, devemos exercitar nossa fé em Deus a fim de que não fiquemos fixados nos problemas. Quando ficamos olhando para os problemas, eles crescem diante de nós, pois nos sentimos impotentes para resolvê-los. Entregar o “caminho ao Senhor” quer dizer entregar nas mãos onipotentes dEle nossos problemas, sejam de ordem física, emocional ou espiritual. Essa entrega, todavia, deve ser com confiança a fim de alcançar a vitória: “confia nele, e ele tudo fará”. Além do mais, como resultado dessa entrega confiante, o Salmo diz: “E ele fará sobressair a tua justiça como a luz; e o teu juízo, como o meio-dia” (v. 6). Essa promessa aplica-se muito bem ao crente que tem algum problema com alguém de acusação infundada, de demandas na justiça (v. 1).

 3) Descansar e esperar no Senhor.

  “Descansa no Sen espera nele” (v. 7a). Essa é, provavelmente, a exortação mais difícil de ser cumprida. Entregar os problemas a Deus de modo confiante e alegrar-se no Senhor não são atitudes fáceis de serem observadas. A natureza humana é tendente a valorizar mais os problemas do que buscar a Deus com alegria e fé. Descansar nEle significa que, ao entregarmos nossos problemas nas suas mãos, não mais damos lugar à ansiedade e à preocupação excessiva, que nos tiram a paz, o sono e até a vontade de alimentarmo-nos. É pôr em prática o que o autor aos Hebreus entende o que seja fé. Ele diz: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Quem descansa no Senhor e espera nEle depois de ter-lhe entregado os problemas que podem causar ansiedade, não mais se perturbam. Descansam pacientemente com fé, com fundamento na sua Palavra, pois, pela fé, já têm a “prova das coisas que não se veem”. Nenhuma dessas recomendações do salmista são fáceis e simples de serem atendidas, mas é possível atendê-las com a graça de Deus. Está escrito: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4.13).

 3. Deus dá proteção e segurança

  No mundo em que vivemos, uma das maiores necessidades humanas é a de ter proteção e segurança para si e para a família. Nunca houve tanto desenvolvimento técnico e científico como nas últimas décadas da história. Em termos tecnológicos, os avanços são extraordinários. Em todas as áreas das atividades, é notável o índice de desenvolvimento em termo de recursos, de meios de realizações a serviço do bem-estar do ser humano na terra. Entretanto, parece que inversamente proporcional à melhoria das condições técnicas a serviço do homem, seja nos transportes, na economia, na indústria, no comércio, na medicina e na saúde, pode-se observar que o ser humano não se sente seguro.

  Nas grandes e médias cidades, observa-se o aumento da violência e da marginalidade. As pessoas saem das suas casas com receio de que haja algum tipo de abordagem ameaçadora de pessoas de má índole que se dedicam ao roubo, ao furto, aos assaltos, quase sempre à mão armada. O cidadão de bem sente-se desprotegido e inseguro ante o aumento da criminalidade. As residências das pessoas que têm condições estão rodeadas de cercas elétricas, de “concertinas” e outros obstáculos, visando coibir a ação dos criminosos. As forças de segurança pública não conseguem evitar a maior parte das ações criminosas contra a vida das pessoas ou contra o seu patrimônio. Para piorar, há muitos, mesmo entre os políticos, que defendem os bandidos, classificando-os como “vítimas da sociedade”.

   Com todo esse quadro tenebroso de insegurança social, os que confiam em Deus têm a certeza de que podem estar seguros quando debaixo da sua potente mão, que provê meios para dar segurança e proteção. Diz o salmista: “Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança” (Sl Diante do aumento da insegurança, os servos de Deus podem dizer que dormem em paz e confiantes porque Deus faz com que eles “habitem em segurança”; Deus provê segurança para os seus servos através do Anjo do Senhor. Está escrito: “O anjo do Senhor acampa[1]se ao redor dos que o temem, e os livra. Provai e ve é bom; bem-aventurado o homem que nele confia. Temei ao Se vós os seus santos, pois não têm falta alguma aqueles que o temem” (Sl 34.7-9).   

  “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei temo ¿O Senhor é o meu refúgio e a minha fortaleza; quem terei medo? 27.1, NVI). A provisão de Deus para proteção e segurança vai além de simplesmente nos livrar de perigos externos; Ele também nos protege de forma espiritual, guardando-nos do mal e fortalecendo[1]nos em momentos de fraqueza.

   III – A PROVISÃO DAS NECESSIDADES EMOCIONAIS E ESPIRITUAIS

  Além de suprir nossas necessidades físicas, Deus também se preocupa com nossas necessidades emocionais e espirituais. Ele oferece conforto, paz e direção em meio às tribulações e capacita[1]nos a viver uma vida plena e significativa. Essas promessas de Deus são, porém, condicionais. Para delas usufruir, é indispensável que os seus servos satisfaçam as condições ou requisitos para receberem a provisão divina. A seguir, veremos algumas das necessidades espirituais que são supridas por Deus quando fazemos a sua vontade.

 1. Necessidade de salvação

  Esta é, sem dúvida alguma, a maior necessidade espiritual do homem. Por causa do pecado que passou a todos os homens, trazendo a morte a todos. “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). Não há exceção para a humanidade. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Os crentes em Jesus que o aceitaram já são salvos, mas precisam manter essa realidade na sua vida diária. Não existe na Bíblia a doutrina de que “uma vez salvo, salvo para sempre” incondicionalmente. Isso é heresia.

  Os pais de família cristãos, os obreiros e crentes em geral devem orar pela salvação das suas respectivas famílias. Deus promete salvação para a família, mas precisamos orar e cultuar a Deus nos lares. O culto doméstico tem sido ignorado pela maior parte dos crentes em todo o país. O resultado é que grande parte dos filhos não seguem mais a Cristo. Precisamos dizer e fazer como Josué: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Se escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Se Então, respondeu o povo e disse: Nunca nos aconteça que deixemos o Senhor para servirmos a outros deuses” (Js 24.15

  2. Necessidade de santificação

  Ninguém pode ser salvo sem ser santo. Contudo, a santificação, que é o processo contínuo para permanecer salvo, precisa ser buscada. Deus dá a santificação a quem a busca. Está escrito: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). O apóstolo Pedro escreveu: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.15,16).

 3. Necessidade da presença e direção de Deus

  Uma vez salvo, o cristão precisa cultivar diariamente a busca para estar na presença de Deus. O salmista experimentou a presença do Senhor na sua vida: “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Sl 16.11). Para chegar a essa conclusão, ele procurou agradar a Deus, dizendo: “Tenho posto o S continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto, está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura” (Sl 16.8,9). Quando Davi caiu no grave pecado de adultério, ele sentiu-se muito perturbado. Sentiu a falta da presença de Deus, que desfrutava antes do pecado. “Não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Espírito Santo” (Sl 51.11). A perda de amigos é triste; a perda de emprego causa muito problema; a perda da paz é algo perturbador, mas perder a presença de Deus é uma situação inquietante, que tira a paz, a alegria, o sono e até pode causar a falta de desejo de alimentar-se. Somente na presença do Senhor é que “há abundância de alegrias”. Estar na presença de Deus diariamente é condição indispensável para ter comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo.

  4. Necessidade da alegria do Senhor

  A alegria do Senhor é dada pelo Espírito Santo e traz resultados maravilhosos para quem quer ter uma vida de vitória. A Bíblia mostra-nos o que aconteceu em Israel quando o povo ouviu a leitura da Palavra de Deus durante toda a manhã junto da Porta das Águas. O povo inclinou-se e adorou “com o rosto em terra”: “Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei” (Ne 8.9). “E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choro. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei. Disse-lhes mais: Ide, e comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, p a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8.9,10). Essa provisão espiritual extraordinária. O crente alegre no Espírito Santo tem força para vencer todas as lutas e dificuldades da vida.

  5. Necessidade de paz interior

  Já vimos que o Brasil é campeão mundial de pessoas portadoras de transtornos de ansiedade. Tal problema é resultante da falta de paz interior. Esta não se encontra nos remédios, nos consultórios médicos de psicologia ou de psiquiatria. São recursos valiosos que ajudam pessoas a amenizarem os seus problemas emocionais. A verdadeira paz interior, porém, só pode ser encontrada quando nos relacionamos com Deus e com Cristo diariamente na sua santa presença. A paz de Deus não vem automaticamente; ela deve ser buscada: “Aparta-te do mal e faze o bem; procura a paz e segue-a” (Sl 34.14). Deus quer conceder paz aos que o amam e obedecem[1]lhe: “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” (Sl 119.165). É promessa de Deus para quem nEle confia: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Is 26.3).

  6. Necessidade da direção de Deus

  Sempre precisamos tomar decisões na vida cristã. Surgem situações das mais diversas em que, muitas vezes, não sabemos como agir ou deixar de agir. Quando, porém, estamos na presença de Deus e em harmonia com a sua santa Palavra, Ele seguramente nos dirige em tudo. Diz a Bíblia: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14). Em outra ordem, “os que são filhos de Deus são guiados pelo Espírito de Deus”. Vários homens de Deus foram abençoados e bem-sucedidos porque seguiram a sábia direção do Senhor. Noé foi um homem que seguiu a direção do Senhor e só ele e a sua família escaparam da destruição da humanidade quando veio o Dilúvio sobre toda a terra: “Assim fez Noé; conforme tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez” (Gn 6.22).

  Depois que Saul desviou-se da vontade de Deus, o Senhor pôs Davi no seu lugar, porque este soube fazer a vontade de Deus: “E, tendo tirado a este, levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade” (At 13.22, ARA). Outro exemplo notável da direção de Deus teve o apóstolo Paulo quando em companhia de Timóteo. Eles desejavam pregar o evangelho na Ásia e na Bitínia, mas o Espírito Santo não permitiu: “E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu” (At 16.6,7). Parece algo estranho o Espírito Santo impedir a pregação do evangelho, porém Deus tem os seus planos e prioridades.

  O texto bíblico diz: “E Paulo teve, de noite, uma visão em que se apresentava um varão da Macedônia e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos! E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho” (At 16.9,10). Na continuação da narrativa, lemos que os apóstolos chegaram a Filipos, primeira cidade da Macedônia, onde ganharam a primeira pessoa para Cristo na Europa, a saber, a empresária Lídia, “vendedora de púrpura”, que os acolheu na sua casa (At 16.14,15). Em seguida, expulsaram o espírito maligno que usava uma jovem para adivinhar coisas de interesse de certos comerciantes. Foram presos, mas libertos por Deus de maneira sobrenatural de tal forma que o carcereiro também aceitou a Cristo como salvador (At 16.16-34). Todas essas bênçãos ocorreram porque Paulo e Silas obedeceram a direção de Deus.

  7. Necessitados do Espírito Santo

   Na sua angústia, para não perder a presença de Deus, o salmista não só pediu que o Senhor não o lançasse fora da sua presença, como também implorou com alma anelante: “e não retires de mim o teu Espírito Santo” (Sl 51.11b). É impossível crer em Deus sem o Espírito Santo, porque Ele é quem convence “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8); sem o Espírito Santo, não há poder para evangelizar ou fazer missões (At 1.8); sem o Espírito Santo, perdemos o maravilhoso intercessor diante de nossas fraquezas: “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). Nosso Senhor Jesus Cristo, Mestre e Senhor, Salvador do Mundo, o Messias prometido, o Filho do Homem, precisou ter a unção do Espírito Santo para cumprir a sua gloriosa missão.

  Ele disse: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,19). Ter o Espírito Santo na vida é tão necessário e importante que Jesus ensinou que é Deus quem dá o Espírito Santo: “Pois, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc 11.13). Os crentes em Jesus podem e devem pedir a Deus que lhes dê o Espírito Santo ao seu coração. Se o próprio Jesus precisou da unção do Espírito Santo, quanto mais nós, os seus servos, com tantas limitações em nossa vida, precisamos dessa maravilhosa unção.

   CONCLUSÃO

  Nenhum servo de Deus pode julgar-se autossuficiente ou independente a ponto de dispensar a provisão diária para a vida. O dia a dia é incerto, pois não sabemos o dia de amanhã. Jesus disse: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mt 6.34). Diante das incertezas do futuro, até mesmo do “dia do amanhã”, é imprescindível viver na direção de Deus e ter dEle a sua provisão. Tiago adverte para a falibilidade dos projetos humanos, definindo essa ou aquela decisão, e diz que não sabemos “o que acontecerá amanhã” por isso, devemos dizer: “[...] se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo” (Tg 4.13-15). Tal exortação corrobora o que temos estudado neste capítulo sobre o quanto necessitamos da provisão de Deus em nossa vida.

AS PROMESSAS DE DEUS – Confie e Viva as Bênçãos do Senhor porque Fiel é o que Prometeu