segunda-feira, 24 de março de 2025

CPAD : E o Verbo se fez carne — Lição 1: O Verbo que se tornou em carne


TEXTO ÁUREO

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

(Jo 1.14).

VERDADE PRÁTICA

O Verbo de Deus inseriu-se na história, assumindo a forma de homem para redimir os pecadores.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 1.1-14

1 – No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 – Ele estava no princípio com Deus.

3 – Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.

4 – Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens.

5 – E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

6 – Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7 – Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.

8 – Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz.

9 – Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo,

10 – a Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu.

11 – Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

12 – Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome,

13 – Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

14 – E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

INTRODUÇÃO

Neste trimestre, vamos estudar o Evangelho de João. Em comparação com os outros três Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas), o de João destaca-se especialmente por centrar-se no ministério de Jesus em Jerusalém. O autor deste Evangelho, o apóstolo João, redigiu este valioso documento com a intenção de revelar a singularidade da natureza divina do nosso Senhor e, ao mesmo tempo, encorajar a fé dos seus discípulos. Que possamos também ser fortalecidos e inspirados na nossa fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.

Palavra-Chave:

Encarnação

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

MILAGRES QUE CONFIRMAM A DIVINDADE DE JESUS

“João, a testemunha ocular, escolheu oito dos milagres de Jesus (ou sinais e prodígios, como o escritor os chama), para revelar a natureza humana e divina e a missão vivificante dEle. Esses sinais são:

(1) a transformação da água em vinho (2.1-11);

(2) a cura do filho de um oficial do rei (4.46-54);

(3) a cura do homem coxo no Tanque de Betesda (5.1-9);

(4) a alimentação de mais de cinco mil pessoas pela multiplicação de alguns pães e peixes (6.1-14);

(5) a caminhada de Jesus sobre as águas (6.15-21);

(6) a restauração da vista de um homem cego (9.1-41);

(7) a ressurreição de Lázaro (11.1-44); e

(8) uma surpreendente pesca, presente do Cristo ressurreto para os discípulos (21.1-14). […] O sinal mais importante do poder e da deidade de Jesus é a ressurreição; e João, como testemunha ocular do túmulo vazio, forneceu um relato palpitante é surpreendente e registrou várias ocasiões em que Jesus se manifestou após sua ressurreição. João, o devoto seguidor de Cristo, pintou um fiel retrato do poderoso Senhor, o eterno Filho de Deus. Ao ler a história nesse Evangelho, comprometa-se a crer em Jesus e a segui-lo” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1410).

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

O VERBO

“O que João quis dizer com “o Verbo”? O termo grego logos, traduzido para o português como “verbo”, foi bastante empregado por teólogos e filósofos, tanto judeus como gregos, mas com significados diferentes. Nas Escrituras Hebraicas, o Verbo é o Agente da criação (Sl 33.6), a Palavra, a mensagem de Deus para o seu povo por intermédio dos profetas (Os 4.1), e a lei de Deus, seu padrão de santidade (Sl 119.11). Enquanto na filosofia grega, o logos significa o princípio da razão que governa o mundo, o pensamento; na cultura hebraica, é outra forma de referir-se a Deus. Assim, a descrição de Jesus como o Verbo feita por João indica claramente que ele se refere a um ser humano que conheceu e amou, mas ao mesmo tempo o Criador do universo, a suprema revelação de Deus, a Deidade encarnada (1.14), o retrato vivo da santidade de Deus, o único em que tudo subsiste (Cl 1.17). Para os leitores judeus, afirmar que Jesus é a encarnação de Deus é blasfêmia. Para os leitores gregos, dizer que “o Verbo se fez carne” (1.14) era inconcebível. Para João, o novo entendimento sobre o Verbo eram as Boas Novas de Jesus Cristo” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1413).

CONCLUSÃO

Nesta lição, tivemos a oportunidade de iniciar o estudo no Evangelho de João, mostrar a sua relevância e o seu objetivo na vida da Igreja. Observamos que a revelação sensível de Deus e a sua intervenção na história tornam o Evangelho de João uma obra única do Novo Testamento. Em João, entendemos que a Encarnação do Verbo trouxe luz plena àqueles que cressem. Assim, através da fé em Jesus, somos denominados e feitos “filhos de Deus”.

  E o Verbo se fez carne — Jesus sob o olhar do Apóstolo do amor

Comentarista: Elienai Cabral

Lição 1: O Verbo que se tornou em carne



INTRODUÇÃO

O Evangelho de João

W

 illiam Carey Taylor, teólogo do século XX, da década de 1950, escreveu um comentário sobre o Evangelho de João e, ao apresentar seus "Estudos Introdutórios", ele se referiu a João como "a águia da cultura da fe a qual chegou à sua madureza e majestade, à máxima envergadura das aves reais do voo celeste". Na verdade, havia se passado um século desde que Jesus apareceu no cenário da vida jodaica quando encontrou os filhos de Zebedeu, João e Tiago, os quais foram convidados a ser seus discípulos.

  João foi tratado como "o discipulo amado por Jesus pelas carateristicas de carisma e lealdade, João foi, de fato, o último sobrevivente dos apóstolos até o final do primeiro século. Ele levou algum tempo para escrever o ültimo Evangelho e, quando o redigiu, sua maturidade crista e suas experiências históricas fizeram com que o apóstolo desenvolvesse um Evangelho focado na pesca de Jesus, destacando sua divindade e sua humanidade. Por isso, seu evangelho não é uma cópia dos très outros Evangelhos, de Mateus, de Marcos e de Lucas, chamados Sinóticos.

  Segundo os estudiosos da vida e do ministério de João, ele teve como propósito principal, ao escrever seu Evangelho, focar na disseminação de sua crença de que Jesus não era um homem comum, mas era o Filho de Deus. Essencialmente, ele escreveu com a intenção de revelar não apenas a história do ministério terreno de Jesus, não só a humanidade de Jesus, mas, acima de tudo, a sua divindade.

  O teólogo J. Ramsey Michaels escreveu que "a inspiração de João. não consiste em um Deus que dita sua mensagem ao seu secretário, mas entendemos que João buscou nas suas próprias memórias, mas ele teve a sua disposição muitos testemunhos, os quais reuniu tudo para contá-los por escrito".

  O propósito do Evangelho de João está declarado no capítulo 20.31, quando diz: "Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome".

  Dos Evangelhos escritos, o quarto Evangelho é o que apresenta "o retrato mais exato de Cristo que o mundo possui", escreveu o teólogo A. T. Robertson. Na verdade, João desenvolveu suas narrativas explorando a revelação das duas naturezas de Cristo, a humana e a divina, dando destaque à natureza divina de Jesus. Percebemos essa forma de escrever de João nos capítulos 1 a 12, nos quais o apóstolo destaca a revelação da história de Cristo na eternidade e na terra. Mesmo que alguns críticos do Novo Testamento levantem dúvidas quanto à autoria do quarto Evangelho, porque ele não se apresenta pelo próprio nome, mas diz apenas "aquele a quem Jesus amava" (Jo 13.23).

 Autoria e data

 O reconhecimento pela autoria de João tem o apoio dos Pais da Igreja, que eram aqueles lideres contemporâneos de João e todos aqueles que vieram depois dele, no ano 180 d.C. O testemunho desses Pais da Igreja, já no século segundo da Era Cristä, tais como Irineu, da Gália; Heracleano, da Itália; Tertuliano, de Cartago; Taciano, de Introdução 19

Roma e Siria; Policrates, de Éfeso; Teófilo, de Antioquia e Clemente, de Alexandria. Outros nomes avaliaram e testemunharam a favor da autoria de João. Policarpo foi contemporâneo e foi seu discipulo até o final do primeiro século. Policarpo tornou-se o elo histórico entre o apóstolo e a geração que preservou a crença na autoria joanina.

  Originalmente, o quarto Evangelho não leva o nome do seu autor. O titulo "segundo João" foi anexado a ele tão logo os outros três Evan-gelhos se tornaram canónicos. Na verdade, esse Evangelho começou a circular juntamente com os demais como se fosse uma só obra.

  No livro de Atos dos Apóstolos, João apareceu quase sempre na companhia de Pedro (At 3.1; 4.19; 8.14). Até mesmo os demais apóstolos não aparecem tanto em Atos, e isso não significa que estes não se projetaram na história do cristianismo, pois eles se espalharam pela Ásia, Europa, África e outras regiões do mundo. Visto que Atos dos Apóstolos foi escrito por Lucas, suas narrativas focaram especialmente no ministério do apóstolo Paulo, que só aparece depois do capítulo 9, após a conversão de Saulo de Tarso. O impeto do Espírito Santo o levou a pregar o Evangelho, especialmente na Ásia Menor, deixando Jerusalém para cumprir seu ministério em outras partes do mundo. Sua migração para a Ásia Menor aconteceu depois da guerra judaica (66-70 d.C.), seguindo, primariamente, para Efeso.

  Enfim, quem é o discípulo amado?

  Os criticos debatem sobre a identidade do discipulo amado, mas ele é mencionado pela primeira vez na Última Ceia de Jesus.com os seus discípulos, quando João reclina a cabeça sobre o peito de Cristo, com atitude reverente e adoradora Jo 13.23). Ele aparece perto da cruz no monte Calvário, acompanhando todos os detalhes dramáticos do sofrimento do Filho de Deus, quando Ele lhe pede para cuidar de sua mãe (Jo 19,26,27). João apareceu no túmulo vazio quando teve noticias de que o corpo de Jesus não estava mais naquele lugar. No final do seu Evangelho, ele aparece como aquele que "testifica dessas coisas e as escreveu". Afinal, quem é o discípulo amado? Nos Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), João é apenas um discípulo

entre os doze. Enquanto seu irmão Tiago foi martirizado à espada no reinado de Herodes Agripa (At 12.1,2), João sobreviveu o suficiente para dar credibilidade aos rumores de que ele não morreria tão cedo (Jo 21.23,24).

  A data do quarto Evangelho

  Nunca se pode estabelecer uma data precisa para saber quando foi escrito esse Evangelho. Sem necessidade de discutir sobre os obstáculos levantados contra a autoria de João, nem mesmo acerca da data, porque tudo indica que o Evangelho de João já circulava nas igrejas no final dos anos 80. Possivelmente, João teria escrito seu Evangelho numa data anterior ao ano 70 (5.2), quando Jerusalém ainda não havia sido invadida pelo general Tito no ano 70 d.C.

Capítulo 1

O Verbo que se Fez Carne e Habitou entre nós

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade."

João 1.14

João 1.1-14

1-No principio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2- Ele estava no principio com Deus

3-Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez

4- Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens,

5-e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

6-Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João

7-Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.

8-Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz.

9-Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que sem ao mundo

10- estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu

11- Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

12- Mas a todos quantos o receberam deu-thes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome,

13- os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus

14- E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

 

Introdução

A

 sublimidade com que o apóstolo João apresenta Jesus o torna singular não há nada mais profundo e belo do que o livro de João. O apóstolo não se identifica pelo nome em seu Evangelho, mas se apresenta como aquele que era amado por Jesus. Essa comunhão com Jesus o levou a conhecer em maior profundidade o coração do Mestre e a obter uma revelação especial sobre quem era Jesus.

  O Evangelho de João desenvolve uma autêntica cristologia, pois o autor retrata a pessoa de Jesus com uma visão das duas naturezas de Cristo, a divina e a humana. João teve oportunidade de perceber as carateristicas divinas de Jesus, bem como entender a revelação dessas características como o "Logos Divino", ou seja, "o Verbo", "a Palavra viva" que se fez carne, nascido de mulher que é gerado pelo Espirito Santo.  Os teólogos tratam essa primeira parte do livro de João 1.1-14 como "o prólogo de João". O apóstolo amado resume o inicio do seu Evangelho, como "a Palavra, que estava junto com Deus no princípio, mas que entrou na esfera d'outro tempo e da história". João então o apresenta como o Filho de Deus que foi enviado ao mundo, para tornar-se o Jesus da história. Fica evidente que João usa o termo grego Logos que significa Verbo ou Palavra, para exemplificar a tese filosófica do Logos, apenas como razão ativa no mundo. Na verdade, João estava enfatizando não só a divindade de Jesus, mas também a sua humanidade, como o Filho de Deus, que tornou possível sua morte expiatória pelos pecados do mundo. Por outro lado, sua divindade demonstrava sua relação com Deus Pai que o tornou apto para cumprir a obra de salvação.

  1- Jesus, o Verbo Eterno, Preexistente e Encarnado

  Os textos dos primeiros 18 versículos do capitulo 1 do Evangelho de João são tratados pelos teólogos como o "Prólogo" do Evangelho. A palavra "prólogo" ganha sentido especial neste primeiro capitulo do Evangelho porque João inicia sua narrativa sobre Jesus afirmando a natureza divina do Filho de Deus e o denominando como "o Verbo que veio de   Deus e era o próprio Deus".

  João utiliza uma linguagem própria de sua maturidade apostóli ca, pois quando escreveu esse Evangelho haviam se passado mais de 40 anos de seu ministério apostólico (entre 60 e 70 d.C.). Ele, então, usa um vocabulário singular nesse prólogo, levando muitos eruditos à conclusão de que o apóstolo o tenha incorporado em seu Evangelho, Entretanto, o que importa é que o Espirito Santo o inspirou e João registrou a revelação sobre o seu Mestre, destacando e colocando a história de Jesus numa perspectiva cósmica. O "Logos" que criou todas as coisas encontra expressão numa pessoa em particular, Jesus Cristo, que "habitou entre nós, e vimos a sua glória, com a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade" (Jo 1.14).

  Outro detalhe desse prólogo é que tem uma inspiração na forma de prosa e a linguagem tem uma caraterística um pouco poética. Alguns eruditos chegaram a declarar que João utilizou alguns fragmentos de um hino oferecido a Cristo que os primeiros cristãos cantavam, mas não há nada que prove essas suposições. A verdade é que João foi inspirado pelo Espirito Santo para fazer essa introdução literária ao seu Evangelho.

  D. A. Carson escreveu em seu Comentário de João que "o Logos que estava junto com Deus no principio entrou na história para que, como o Filho de Deus que foi enviado ao mundo, se tornasse o Jesus da história, de forma que a glória e graça de Deus pudessem ser manifestadas de modo singular e perfeito".

Vamos considerar as palavras iniciais do texto e fazer uma exegese para que possamos entender a importância do texto de João.

  1. "No principio" (Jo 1.1)

  No livro de Génesis, a palavra principio refere-se à criação do universo material, e no Evangelho de João, o termo principis retrata a criação de algo novo, que é a igreja do Senhor. No texto de Gênesis 1.1, "no principio", quando o Céu e a Terra foram criados, a "Palavra já existia. Ele não era um ser criado. Ele sempre existiu, desde a eternidade. Assim como Deus é eterno, o Verbo também é. Ele é o Alfa e o Omega, o Principio e o Fim (Ap 1.8). O que se percebe é que o tempo verbal imperfeito do original sugere uma "existência supra-temporal absoluta" do Verbo divino. Na verdade, João reconheceu e declarou que a existência de Jesus não era temporal, mas eterna. Sua preexistência é indubitável, porque Ele não foi criado, Jesus deixou o seu lugar junto do Pai e entrou na condição de ser humano, sendo gerado pelo Espírito Santo no ventre de uma mulher e nasceu como qualquer criatura.

  2. "No principio, era [...]" (Jo 1.1)

  Na linguagem da Biblia, a palavra principis tem um caráter absoluto. A palavra principu não se choca com a eternidade do Verbo. Não significa que Deus teve um começo, por esse motivo não há dúvida quanto à absoluta preexistência de Cristo. As Escrituras revelam e evidenciam sua existência, não só antes da encarnação, mas antes de todos os tempos. Portanto, no principio o Verbo já existia e o mundo passou a existir por seu ato de criação. Quando o apóstolo Paulo fala de Jesus como o "primogênito de toda a criação" em Colossenses 1.15, não se refere a Jesus como "ser criado", porque a palavra primogenito refere-se à posição de Cristo como herdeiro e soberano de toda a criação, como o Filho Eterno do Pai (Hb 1.1-2.

   3. "No principio, era o Verbo" (Jo 1.1)

  No grego do Novo Testamento, a palavra "Virbo" é logos e significa palavra. Segundo o teólogo Lewis Perry Spencer, a definição de logos denota tanto razão quanto linguagem. Em sua maneira de entender o termo lagos, ele inclui o modo pelo qual Deus fez a si mesmo conhecido pelo homem. Por isso, a melhor definição da palavra logos revela Jesus como a Expressão, o Revelador e Manifestador de Deus. O Verbo declarou Deus como o Pai e nos declara os mistérios de Deus, a Pessoa de Deus e a salvação de Deus.

  II- Quem Era o Verbo

 "No principio, era o Verba, e o Verbo estava com Deus." Jo 1.1)

  1. A revelação para além do passado

  Antes que se criasse a matéria, antes de todas as coisas visiveis e invisíveis, antes da criação da terra e os céus, Ele já era o Verbo. Quando o apóstolo João escreveu: "no principio, era o Verbo" (1.1), como já dito, nota-se que a palavra "principio" aparece no primeiro livro da Biblia, Gênesis, o começo de tudo. A palavra "principio" usada por João o transportava para o passado em uma eternidade em que Deus era o Agente ativo em todas as coisas criadas. Na visão de João, Jesus já existia como Deus, e era a "Palavra" que estava com Deus. No livro de Génesis, essa palavra faz a abertura da Bíblia, expondo a criação de Deus. O apóstolo João se refere à criação de tudo, mas ele descobre uma nova criação (Jo 3; 2 Co 5.17). Marcos começa seu Evangelho usando a palavra "principio" ao escrever: "Principio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus" (Mc 1.1). Ora, se Marcos escreveu sobre o ministério público de Jesus na terra, João também escreveu sobre Jesus, mas seu foco era sobre a divindade de Jesus. O que João queria expor em seu Evangelho era o fato de que Jesus era o Verbo de Deus e era Deus, por isso Ele já desfrutava da existência infinita, sem início e sem fim. Esse é o grande mistério que só será revelado quando a igreja e todos os santos estiverem com Ele para sempre.

 2. Ele existia por si mesmo e estava com Deus (Jo 1.1; 5.26)

  No texto de João 5.26, Jesus, além de declarar que "o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também deu ao Filho ter a vida em si mesmo", demonstra que a sua natureza divina revela que Ele é a fonte da vida eterna, e aquele que o conhecer receberá a vida eterna. Ora, se Ele, à semelhança do Pai, tem vida em si mesmo, entende-se que Jesus, além de existir por si mesmo (Jo 5.26), é eterno e infinito, isto é, sem começo e sem fim. João diz que Ele é a Palavra (o go), Ele estava com Deus, o Pai, antes da criação do mundo (Jo 17.5,24). Jesus, como o Logos divino, existia no principio, estava com Deus e era Deus. Sua preexistência é indiscutivel. Ele sustenta "todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 1.3). O Logos de João não é, filosoficamente, "uma palavra ou uma ideia", mas é uma Pessoa com a consciència da distinção pessoal. O Logos do Evangelho não é, como afirmam alguns teólogos equivocados, "a razão impessoal", como pensavam os estoicos, mas é o Deus pessoal que age e opera como Pessoa,

 3. A natureza essencial do Verbo

  Deus é eterno, o Verbo também. João, no livro de Apocalipse, apresenta Jesus como "o Alfa e o Omega, o Principio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-poderoso" (Ар 1.8). Esse texto é chamado "Prólogo" como um modo de apresentação da mensagem que João queria transmitir sobre a pessoa de Jesus, destacando a sua divindade. Nesse prólogo, João quería distinguir a revelação sobre Jesus diante da discussão filosófica dos estoicos e de Filo, que apresentavam Jesus não como "a Palavra". João descobre no termo "Verbo" o próprio Deus vivendo entre os homens. Como "Verbo encarnado", Jesus foi reconhecido por muitos e adorado como Deus, os quais deram testemunho acerca dEle.

  III- Jesus, o Verbo, É Vida e Luz entre os Homens (Jo 1.1,3,4)

  1. "No principio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Jo 1.1)

  Antes de tudo, o Verbo era a Palavra revelada. Esse termo aparece como uma designação do Novo Testamento Jo 1.1.14; 1 Jo 1.1; Ap 19.13). A Palavra reflete a mente de Deus e revela o próprio Deus para os homens (Hb 1.3). Nesse prólogo, o texto de João 1.1-4, o apóstolo, inspirado pelo Espírito Santo, narra sobre o estado preexistente de Jesus e a sua atividade no plano eterno de Deus. A expressão "no prin-cipio" (v. 1) reflete a existência eterna da Palavra (o Verbo, o Logos). Nos versiculos 2 e 3, João aponta para Jesus como o Criador original mediado pelo Pai de todas as coisas pelo poder da sua Palavra. O Verbo divino era e é a personificação da vida. Sua vida é preexistente. Em João 5.26 diz: "Porque, como o Pai tem vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter vida em si mesmo". Entre o Pai e o Filho há um compartilhamento da vida, Jesus é o agente de vida espiritual para todos quantos o aceitam e o recebem por Salvador

  2. "Nele, estava a vida" (Jo 1.4)

  O texto diz literalmente: "Nele, estava a vida". Desde a eternidade, ele sempre foi. As "trevas" são a representação da obscuridade espiritual do pecado. Para romper com as trevas, Deus enviou João Batista, o qual se tornou testemunha da luz que viria sobre o mundo. Ele não era a luz, mas era a testemunha em favor da verdadeira luz, que era Jesus.   Embora tenha sido enviado por Deus para testemunhar e anunciar sobre a Luz, João Batista falava a respeito da Palavra, mas ele não era a Palavra. Ele cumpriu com eficiência a proclamação da Verdade sobre "a Palavra". João anunciou a vinda da Palavra, mas os homens a rejeitaram (Jo 1.9-12).

  3." [...] e a vida era a luz dos homens" (Jo 1.3,4)

  Na relação entre o Pai e o Filho, o Filho compartilha da vida do Pai, mas tem existência própria. Posteriormente, Jesus se identifica como sendo os dois elementos ao mesmo tempo, Luz e Vida. Ele mesmo disse em outra ocasião: "Eu sou a luz do mundo" (Jo 8.12 e, também, "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" Jo 14.6. É interessante que João reúne "luz e vida" para afirmar que Jesus, o Verbo divino, veio a este mundo para alumiar um mundo em trevas e conceder a vida aos que já estão mortos no pecado. A grande verdade é que a vida e a luz emanam do Verbo (Jo 1.4). Ele é a fonte da vida e da luz para o mundo.

  4. "[...] e a luz resplandece nas trevas" (Jo 1.5)

Sabemos que o oposto da luz são as trevas, e quando Jesus fez-se carne e habitou entre nós Jo 1.14, a sua luz tornou conhecido o Deus, todo-poderoso. Quando João diz que "as trevas não compreenderam" (5), ele falava da incapacidade de os pecadores entenderem a sua mensagem, especialmente, os judeus, que o rejeitaram: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (Jo 1.11)

  5. "Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz" (Jo 1.6-8)

  Quem era esse João do versiculo 6? O texto o apresenta como sendo João Batista, o profeta do deserto, como aquele foi enviado para preparar o caminho para receber o Verbo Divino (Mt 3.1-3). João Batista veio como profeta e testemunha ocular de que Jesus foi enviado por Deus para ser a grande luz que o mundo precisaria conhecer. João Batista foi aquele que deu testemunho em voz audivel de que Jesus, quando veio para ser batizado por ele a fim de cumprir toda a lei de Deus, era, de fato, "a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo" (Jo 1.9). João Batista não era a Palavra, o Verbo, mas ele falava da Palavra.

  6. "Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos de Deus: aos que creem em seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus" (Jo 1.12-13)

  Se Israel rejeitou a bênção da salvação mediante a obra magistral do Calvário, o Senhor concedeu a todo o mundo, independentemente da cor, da etnia ou língua, mediante a aceitação da oferta salvadora de Cristo de se tornar "filho de Deus" ao que confia em seu nome. Seja judeu, seja gentio, a aceitação da Luz que foi manifestada revela o plano redentor de Deus. Os judeus sempre reivindicaram o direito hereditário de serem chamados filhos, porque eram filhos de Abraão, mas foram aos gentios que receberam a herança de filiação a Deus (1 Jo 3.1). Portanto, como crentes em Cristo, fomos contemplados com o direito de sermos chamados "filhos de Deus". No versículo 13, João diz que os que se tornam filhos de Deus não são gerados segundo a vontade da carne, nem do sangue, nem da vontade do homem, mas gerados pelo Espírito Santo (Jo 1.13). Trata-se de uma geração espi-ritual, por obra do Espírito Santo, posto que estes são filhos nascidos não de uma descendência natural, tão pouco da decisão humana, mas, sim, da vontade soberana de Deus.

  IV - A Encarnação do Verbo (Jo 1.14-18)

  1. "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1.14)

  O apóstolo Paulo entendeu a encarnação do Verbo quando escreveu aos filipenses que Jesus, sendo Deus, aniquilou-se a si mesmo (Fp 2.7), no sentido de despojar-se e privar-se da glória de divindade que tinha, para tomar a forma de homem. Ele não se esvaziou da essência da sua divindade, mas esvaziou-se dos atributos de divindade para se manifestar literalmente como homem comum. Paulo, também, disse que "tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Fp 2.7). Cristo não fez de conta que seria um homem, mas Ele foi verdadeiramente um homen, sem nunca ter perdido o vinculo com a sua divindade.

  Imaginemos o que uma frase como "O Verbo se fez carne" (Jo 1.14) seria capaz de provocar na cabeça de judeus com formação judaica, que tinham a ideia formada de um Deus Onipresente, como alguém que enche os céus e a terra, ter que ouvir um discurso que apresenta esse Deus como alguém que se humanizou e habitou entre os homens. Mas a realidade das palavras de, João era chocante, uma vez que o Verbo era algo superior a qualquer conceito filosófico. Ele era o Deus que se encarnou como um ser humano para se revelar como o Salvador de todos os homens (Jo 1.18; Hb 1.1-   3). "Ele simplesmente humanizou-se sem nunca haver perdido a essência", como escreveu o pastor Natanael Santos, em sen livro A Glória de Virbo,

  O termo grego "he logos" refere-se à Palavra que reaparece no versículo 14 com ousadia, porque João não disse que a Palavra (o Logos) assumiu a humanidade, mas falou com autoridade que a Palavra se fez carne. Foi uma suprema revelação, porque o apóstolo nos leva a conhecer a Deus de modo pessoal e glorioso, mediante a manifestação da Palavra no Calvário. Ainda mais, diz João que a Palavra se fez carne e habitou entre nós. A palavra "habitação" éskés, que significa que Ele armou seu Tabernaculo, ou sua tenda, entre nós. Quando João diz "[] e vimos a sua glória" (Jo 1.14), está falando da manifestação visivel da autorrevelação de Deus entre nós. Ora, entendemos que a glória de Jesus foi manifestada em seus sinais (Jo 2.11; 11.4,40), e Ele foi glorificado em sua morte e ressurreição (Jo 7.39, 12.16,23). A relação peculiar que Jesus tinha com o Pai é identificada no fato de que Ele nunca procurou glória para si mesmo, mas somente a glória do Pai (Jo 5.41; 7.18; 8.50.

  2. As limitações do Verbo encarnado

  O Verbo Divino sendo eterno tornou-se um ser humano, aceitou as limitações humanas e sujeitou-se às condições que são próprias da vida terrena. Na narrativa do encontro de Jesus e Nicodemos, no livro de João, capítulo 3, versículo 17, Jesus diz a Nicodemos: "Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele". O apóstolo Paulo escreveu aos filipenses estimulando-os a que tivessem "o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" (Fp 2.5).   Que sentimento Jesus experimentou? Ao assumir a encarnação, Ele demonstrou toda a humildade, revestindo-se de nossa natureza humana e humilhando-se ao papel de servo nessa natureza. Por amor aos pecadores, Cristo se fez homem e sofreu a pena do pecado, mesmo não tendo pecado algum. Ele era e ainda é igual a Deus, o Pai, não no sentido de ser a mesma pessoa, porque Ele era uma pessoa distinta. Jesus preferiu aniquilar-se de sua glória divina para assumir a natureza humana com o propósito de salvar a todos. O seu desejo de resgatar o homem dos seus pecados, fez com que Cristo abdicasse de sua glória e divindade. Por esse motivo, Ele não considerou ser igual a Deus, mas preferiu assumir a posição de "servo", ou "escravo", na forma de homem. Voluntariamente, o Verbo Divino esvaziou-se a si mesmo de toda a sua glória para manifestar-se apenas como homem e enfrentar o vitupério do Calvário (Fp 2.7-8).

  3. O Verbo divino fez sua habitação entre nós

  A glória do "unigêrito do Pai" é uma frase muito mais que uma figura de linguagem. O termo "unigenito" significa, tão somente, "Unico". A tradução da expressão "e fez sua habitação" literalmente está no grego a ideia de que "o Verbo armou seu tabernáculo, ou tenda, entre nós". A palavra grega skanő para habitação sugere essa tradução. Se antes, Deus habitava numa tenda armada pelo seu povo, agora, no Novo Testamento, João está dizendo que "o Verbo" ("a Palavra") se tornou homem para viver entre nós. Portanto, a Palavra encarnada é o verda-deiro "okens", ou seja, a manifestação definitiva da presença de Deus.

  Conclusão

  O texto do versiculo 14 faz uma conexão entre o skenos e a expressão evimos a sua glória" para denotar a manifestação visivel da autorrevelação de Deus em "carne". Sabemos que a glória de Jesus foi manifestada mediante os seus sinais milagrosos no seu ministério terreno, conforme está escrito no capitulo 2.11:

"Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a sua gloria, e os seus discipulos creram nele

O Verbo que estava com Deus no principio entrou na esfera do tempo e da história da humanidade, tornando-se homem para salvar a humanidade de seus pecados.

 



 


























quinta-feira, 20 de março de 2025

CPAD : Em defesa da Fé Cristã — Lição 13: Perseverando na fé em Cristo

 


TEXTO ÁUREO

E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração.

(2Pe 1.19).

VERDADE PRÁTICA

A Bíblia Sagrada é o único instrumento moral e espiritual estabelecido por Deus para aferir a nossa conduta diante do Criador, da sociedade, da pátria e da família.

Sábado — 2Pe 1.20,21

A Bíblia Sagrada foi produzida por homens movidos pelo Espírito Santo

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Timóteo 3.10-17.

10 — Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência,

11 — perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou.

12 — E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.

13 — Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados.

14 — Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido.

15 — E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.

16 — Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça,

17 — para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Ao longo deste trimestre estudamos as principais heresias que ameaçam a identidade da Igreja de Cristo, mostrando seus enganos e, frontalmente, as respostas bíblicas que as contrapõem. Na presente lição, a última deste trimestre, vamos refletir a respeito da perseverança que devemos demonstrar com a fé que herdamos. Como cristãos, somos herdeiros do cristianismo bíblico e histórico.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Mostrar que diante das heresias é preciso ter perseverança; II) Enfatizar a necessidade de sempre aprender com a Palavra de Deus; III) Considerar as Escrituras como o fundamento da vida cristã.

B) Motivação: Na fé cristã, a fonte de autoridade é a Bíblia, a Palavra de Deus. Nesse aspecto, a Palavra de Deus é documento final em matéria de doutrina e valores que devem nortear a vida do crente. O que faz, do ponto de vista histórico, uma igreja não se tornar herege é a perseverança em ter a Bíblia como suficiente e autoritativa em nossas vidas.

C) Sugestão de Método: Estamos encerrando mais um trimestre. Antes de iniciar a exposição desta última lição, sugerimos que você faça uma breve revisão dos principais temas que estudamos ao longo do trimestre. É muito importante que contextualizemos os nossos alunos a respeito do assunto geral do trimestre. Cada lição se encontra dentro de um tema principal que é o fenômeno da nova aparência de antigas heresias. Após a revisão, inicie o conteúdo desta semana.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: A Palavra de Deus é um guia seguro para as nossas vidas. Trata-se, portanto, de um livro que revela a vontade de Deus para a nossa. Por isso, quem tem a Bíblia como a bússola de sua vida não cairá nos caminhos heterodoxos das mais diversas heresias que atuam em nossos dias.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 100, p.42, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Tempos difíceis para o cristão”, logo após o primeiro tópico, destaca o contexto de falsos ensinos contra os quais o cristão perseverante terá que lutar; 2) O texto “O que Significa Dizer que Deus Inspirou a Bíblia?”, ao final do terceiro tópico, aprofunda a característica autoritativa da Bíblia como Palavra de Deus.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

As religiões mundiais e os movimentos dissidentes delas possuem diversos escritos sagrados. No Cristianismo, a fonte de autoridade é a Bíblia Sagrada. A autoridade bíblica deriva sua origem em Deus, o que nos permite chamar a Bíblia de a Palavra de Deus. Isso encerra a superioridade das Escrituras como plena e total garantia de infalibilidade, mas não falta quem indevidamente reivindica essa mesma autoridade ou até mais que as Escrituras.

Palavra-Chave:

PERSEVERANÇA

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 “TEMPOS DIFÍCEIS PARA O CRISTÃO

 [...] 3.13 — Não espere que os falsos mestres e as pessoas más mudem de comportamento sozinhos. Deixados a sós, eles irão de mal a pior. Se tiver oportunidade, corrija-os de modo que os conduza de volta à fé em Cristo. Lute pela verdade, especialmente para proteger os cristãos mais jovens.

3.14 — Cercado pelos falsos mestres e pelas inevitáveis pressões de um ministério crescente, Timóteo poderia facilmente ter abandonado a sua fé ou modificado a sua doutrina. Uma vez mais Paulo aconselhou Timóteo a olhar para seu passado e a permanecer nos ensinos básicos a respeito de Jesus, que são eternamente verdadeiros. Como Timóteo, estamos cercados de falsos ensinos. Mas não devemos permitir que a nossa sociedade distorça ou coloque empecilhos à eterna verdade de Deus. Dedique diariamente um tempo para refletir sobre o fundamento de sua fé cristã, encontrado na Palavra de Deus, que são as grandes verdades que edificam sua vida” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.1715).

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“O QUE SIGNIFICA DIZER QUE DEUS INSPIROU A BÍBLIA?

Dizer que Deus inspirou a Bíblia equivale a dizer que o Espírito Santo motivou e supervisou, de forma sobrenatural, aqueles que receberam as profecias e revelações apostólicas, em todo o processo de redação de seus livros escriturais. Muitos outros livros têm coautores, de modo que não precisamos imaginar que as Escrituras tenham que ser uma produção humana ou divina. As Sagradas Escrituras originaram-se, não da vontade de seus autores humanos, mas da vontade do Deus Espírito Santo (2Pe 1.20,21). Os autores bíblicos afirmaram mais de três mil vezes ter recebido as suas mensagens do Senhor. Deus, o Espírito Santo, “inspirou” (soprou ou originou) as Escrituras, por intermédio de autores humanos (2Tm 3.16).

  Deus preparou estes porta-vozes conscientes, ativamente proféticos e apostólicos (e seus secretários) providencialmente, por sua hereditariedade, por seu caráter, pelo vocabulário que usavam e pelo seu estilo de escrita. No momento apropriado, em todos os processos da escrita, eles foram “inspirados pelo Espírito Santo” (2Pe 1.21). Este significado técnico da inspiração não se aplica a nenhuma suposta revelação fora da Bíblia, ou a qualquer literatura que possa, de uma maneira geral, ser considerada inspirada” (Bíblia de Estudo Apologia Cristã. 1ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.1930).

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

PERSEVERANDO NA FÉ EM CRISTO

A Bíblia Sagrada é o nosso único manual e regra de fé e prática. É por meio dela que ajustamos a nossa conduta de acordo com a vontade de Deus. Ao longo da história, muitas religiões têm se apropriado indevidamente da Bíblia para fundamentar suas ideias erradas, bem como suas heresias. Só existe uma forma de refutar essa adulteração da verdade, a saber, mostrando apologeticamente que estes grupos estão interpretando de forma equivocada as Sagradas Escrituras.

A heresia, como bem sabemos, é fruto da escolha pelo erro. Diga-se de passagem, muitos erros interpretativos da Bíblia são o resultado de interpretações particulares que conduziram à formação de seitas. A Palavra de Deus, entretanto, não é de particular interpretação, como afirma o apóstolo Pedro. A profecia foi produzida a partir de homens santos que falaram inspirados pelo Espírito Santo (2Pe 1.20, 21). A Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD) discorre que “o que Pedro afirma nesses trechos sobre a origem e a autoridade da profecia (que vieram de Deus) registrada na Bíblia Sagrada é verdadeiro a respeito de todas as coisas que constam em sua Palavra escrita: ‘homens santos [da parte] de Deus falaram [e escreveram à medida que eram] inspirados pelo Espírito Santo’. Os crentes devem manter uma visão forte e intransigente das Escrituras Sagradas em termos de inspiração (isto é, não devem abrir mão do fato de elas terem sido dadas diretamente por Deus através de pessoas guiadas pelo Espírito Santo, e segundo a escolha de Deus) e autoridade (isto é, ela é completamente confiável, está apoiada por evidências sólidas e por uma autoridade estabelecida). [...] Sem uma forte visão da Sagrada Escritura, as pessoas não reconhecem a plena autoridade e o ensino da Bíblia. Como resultado, a sua fé será fraca e a Bíblia será substituída pela experiência religiosa subjetiva (isto é, estará sempre mudando, com base na pessoa ou na situação) ou pela razão humana, que é crítica e falha (2.1-3).” (2022, p.2367).

Tendo como verdade que as Escrituras Sagradas fornecem o “Norte” para que tenhamos uma vida espiritual conforme a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.1,2), faz-se necessário defender a sua autoridade em matéria de fé e prática. Os crentes observam os ensinamentos sagrados não como um livro de filosofia, e sim como a ética que norteia o seu estilo de vida e o testemunho cristão. Por essa razão, devemos observá-la continuamente para preservar na fé.

CONCLUSÃO

A Bíblia é um guia seguro para toda a humanidade, e não somente para a Igreja. Ela é a única revelação de Deus escrita para o ser humano e a fonte de autoridade espiritual para aferir a nossa conduta diante de Deus, da sociedade e da família. Trata-se de uma orientação segura para a vida humana, a nação de Israel e a Igreja, bem como as exortações para o mundo, incluindo o aspecto político, social e religioso das nações.

 CPAD : Em defesa da Fé Cristã — Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência

Lição 13: Perseverando na fé em Cristo

Comentarista: Esequias Soares

 


A

 perseverança na fé em Cristo se distingue daquela expressão teológica “perseverança dos santos. O presente estudo diz respeito à insistência do crente em se manter fiel diante das perseguições e heresias e rejeitar qualquer ensino contrário à Palavra de Deus. Vivemos numa sociedade pluralista com uma vasta diversidade de crenças e práticas, algumas com roupagem, aparentemente, bíblica, outras, mais ousadas, declarando sua posição contra a Bíblia. Qual a nossa atitude diante dessas heresias? Por que e para que aprender e se manter inteirado no ensino? Qual o fundamento da nossa fé?

  DIANTE DAS HERESISAS É PRECISO PERSEVERANÇA

  O Senhor Jesus adverte a sua igreja contra os falsos profetas (Mt 7.15-20) e, no sermão profético pronunciado em Jerusalém na última semana do seu ministério terreno, Ele inclui os falsos cristos (Mt 24.4,5). Os apóstolos nos advertem contra os falsos apóstolos e falsos mestres (2 Co 11.13,14; 2 Pe 2.1).

  A exortação paulina

  O apóstolo Paulo exorta a Timóteo a permanecer na fé em Jesus, “Quanto a você, permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita firmemente, sabendo de quem você o aprendeu” (2 Tm 3.14). Visto que Timóteo aprendeu de sua mãe Eunice, uma judia piedosa, de sua avó Loide (At 16.1; 2 Tm 1.5) e do próprio apóstolo (2 Tm 2.2), a quem o chama de “verdadeiro filho na fé” (1 Tm 1.2). Essa perseverança diz respeito à fidelidade do cristão em se manter na fé diante das perseguições e das heresias, esse é o sentido deste capítulo. A herança espiritual que Timóteo recebeu do lar e o aprendi zado apostólico são “as sagradas letras” (2 Tm 3.15), uma expressão bíblica alternativa para “Escrituras Sagradas”, a Bíblia (v. 16), o único instrumento moral e espiritual estabelecido por Deus para aferir a nossa conduta diante de Criador, da sociedade, da nação e da família.

  A experiência do apóstolo Paulo nas suas viagens missionárias são prenúncios dos últimos tempos. Ele apresenta alguma coisa, nesse sentido, nas epístolas pastorais, principalmente nas duas a Timóteo, pois elas se destacam também pelo seu caráter apologético. São refutações às heresias contra os gnósticos, às “fábulas ou - a genealogias intermináveis” (1 Tm 1.4; 4.7; Tt 3.9), e à ciência. A expressão “falsamente chamada ciência” (1 Tm 6.20 - ARC), sem dúvida, é um combate ao sistema gnóstico, que chegou ao ápice no século 2. Mas, hoje, temos diversas frentes, são diversos grupos cujos pensamentos e doutrinas divergem da teologia evangélica, mas nem por isso, deixamos de manifestar o nosso respeito e afeto pelos seus seguidores, conforme nos manda o Senhor Jesus e seus apóstolos (Mt 7.12; Mc 12.29-31; Rm 13.9,10). Mas, sem deixarmos de defender a verdade bíblica.

  Embora Irineu de Lião tenha combatido o tal sistema em sua obra Contra as Heresias, em 180, as seitas gnósticas já existiam nos dias apostólicos. 0 apóstolo Paulo está combatendo dois principais grupos heréticos em sua geração: os gnósticos emergentes, e os judaizantes, os falsos “doutores da lei” (1 Tm 1.7), da “circuncisão” (Tt 1.10) e as “fábulas judaicas” (Tt 1.14). A exortação de Paulo a Timóteo, “permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita firmemente”, está de acordo com o ensino de Jesus no seu discurso profético, “mas aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Mt 24.13). Nesse discurso escatológico, Ele fala da aparição de muitos cristos (Mt 24.4,5), guerras e calamidades (w. 6,7) e crise religiosa (w. 11,12).

  A crise religiosa em nosso tempo

  A crise religiosa aponta para 0 crescimento da apostasia nos últimos anos e tem alcançado proporções estarrecedoras. Não só com o aparecimento dos falsos profetas, mas também de fundadores de movimentos religiosos heterodoxos (Mt 24.11). Estas coisas levam as pessoas à frieza espiritual e ao indiferentismo religioso (v. 12). O apóstolo Paulo afirma que a apostasia gene ralizada é coisa para os últimos tempos (1 Tm 4.1-3; 2 Tm 3.1-5) O conhecimento destas coisas leva o crente a esperar com paciência e a suportar as perseguições religiosas e de toda a ordem. O cristão na atualida de está vivendo no meio de uma sociedade perversa e corrompida (Fp 2.15), e, muitas vezes, pensando em abandonar a fé. O apologista cristão desde o período apostólico sofre perseguição por causa daquilo em que crê e pelo erro que combate. Não somente diante das heresias, mas também das persegui ções, devemos manter a perseverança. Mas, se ele conhece o sinal dos tempos, resiste às tentações e persiste até 0 fim. Essa passagem apresenta um duplo sentido quanto à salvação. Ela será física, e, analisando à luz de Lucas 21.18-19, engloba também a salvação da alma, a espiritual. Vale também para a perse verança na fé em Cristo, independente deste penodo do principio de dores.

  APRENDENDO, SENDO INTEIRADO E SABENDO

  Por que é necessário aprender, ser inteirado e saber? 0 aprendizado é uma prática inerente à fé cristã. A arte de ensinar e tão antiga quanto a humanidade, pois é de suma importância no processo de perpetuar e propagar costumes, leis e cultura. Onde há ensino, há mestres envolvidos. A Bíblia está repleta de referências a ensinos e mestres.

  O ministério do ensino ocupa espaço relevante no cristianismo, aparece na lista dos dons da graça de Deus: “se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7).

  Essa é a vontade de Deus desde o limiar da história do seu povo. Encontramos esse ensino desde o Antigo Testamento, e Moisés prescreveu essa doutrina para ser aplicada diariamente no lar a partir da fase infantil (Dt 6.4-9). O ensino na cultura judaica era responsabilidade da família, mas era uma das funções dos profetas, Deus os levantou, os preparou e os inspirou para ensinar e admoestar os hebreus sobre 0 perigo da idolatria. Eles eram instrutores ungidos e divinamente escolhidos para instruir a nação a viver na presença de Javé (Os 12.10). Os profetas tinham também a responsabilidade de tornar conhecida a revelação divina e anunciar as coisas futuras (Dt 18.21,22). Deus sempre quis que 0 ser humano conhecesse a sua vontade e somente Ele sabe o que é bom para as suas criaturas. Por isso, é importante aprender e ficar inteirado nas Sagradas Letras.

  O ministério de Jesus se baseava numa trilogia: pregar 0 evangelho, ensinar, curar enfermos e libertar os oprimidos pelo diabo (Mt 4.23). Os nossos pioneiros iniciaram o trabalho no Brasil seguindo esse padrão, e é assim que procedemos ainda hoje. As duas principais palavras gregas usa das no Novo Testamento para ensino são didachê, “instrução, ensino”, e di- daskalia, “ensino, doutrina”. Essas palavras transmitem a ideia tanto do ato de ensinar como a substancia do ensino. A primeira aparece para indicar os ensinos gerais de Jesus (Mt 7.28; Jo 7.16,17) e também para a “doutrina dos apóstolos” (At 2.42). A segunda possui o mesmo sentido (Mt 15.9; Mc 7.7). E nas epístolas pastorais que elas aparecem com o sentido mais rígido de crenças ou corpo doutrinai da igreja (Tt 1.9).

  O ensino de Jesus abrange valores espirituais, são instruções que abrangem vários aspectos da vida, na área social e espiritual, contribuem na construção de uma sociedade piedosa e civilizada, libertam 0 homem da ignorância e da cegueira e protegem os cristãos de serem levados por “todo o vento de doutrina”, como escreveu o apóstolo Paulo “para que não mais sejamos como crianças, arrastados pelas ondas e levados de um lado para outro por qualquer vento de doutrina, pela artimanha das pessoas, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.14). Deus tem interesse no bem-estar social e espiritual do ser humano, e 0 Senhor Jesus Cristo, ainda hoje, escolhe homens e mulheres para o exercício desse sublime ministério. Fazer discípulo não é a mesma coisa que fazer membro de igrejas. O discipulado não é opção, é mandamento divino para a edificação e crescimento espiritual de cada cristão. Isso, por si só, já revela a importância do ensino no ministério.

  TENDO AS ESCRITURAS COMO 0 FUNDAMENTO

  As religiões mundiais e seus movimentos dissidentes delas possuem di versos escritos sagrados. No cristianismo, a fonte de autoridade é a Bíblia Sagrada. A autoridade bíblica deriva sua origem em Deus, o que nos permite chamar a Bíblia de a Palavra de Deus. Isso encerra a superioridade das Escrituras como plena e total garantia de infalibilidade, mas não falta quem, indevidamente, reivindica essa mesma autoridade, ou até mais que as Escrituras.

  Como Timóteo, nós sabemos que temos aprendido da Bíblia por meio da igreja, visto que a Escola Bíblica Dominical é sua maior agência de ensino. Nossas crenças e práticas se fundamentam na Palavra de Deus, não existe fonte mais segura. Precisamos manter na Palavra de Deus, primeiro, porque essa é a vontade de Deus e porque ela é inspirada por Deus: “Toda a Escritura e inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.16,17). Nenhuma literatura no mundo possui essa prerrogativa.

 Muçulmanos e mórmons

  O islamismo rejeita a Bíblia. Don McCurry, que serviu como missionário durante vinte anos entre os muçulmanos, afirma que, entre 95 e 150 anos depois da morte de Maomé, os teólogos islâmicos, em debates com cristãos, descobriram grandes disparidades entre os seus relatos e os bíblicos.148 Os teólogos islâmicos descobriram que 0 Alá do Alcorão não é o mesmo Javé do Antigo Testamento e o Jesus do Alcorão não é o mesmo do Novo Testamento. A mensagem da Bíblia é uma, e a do Alcorão é outra. Não podendo aceitar 0 equívoco do seu profeta, resolveram ensinar que a Bíblia foi falsificada por judeus e cristãos.149

  No entanto, não há registro de que Maomé e os califas ortodoxos, alguma vez, tivessem atacado a Bíblia. O Alcorão parece reconhecer a autenticidade das Escrituras Sagradas dos judeus e cristãos: “E depois deles (profetas), enviamos Jesus, filho de Maria, corroborando a Tora que o precedeu; e lhe concedemos o Evangelho, que encerra orientação e luz, corroborante do que foi revelado na Tora e exortação para os tementes” (Alcorão, 5.46); “É impossível que este Alcorão tenha sido elaborado por alguém que não seja Deus. Outrossim, é a confirmação das (revelações) anteriores a ele e a elucidação do Livro indubitável do Senhor do Universo” (Alcorão, 10.37).

  Os termos “profetas” e “revelações” entre parênteses são interpolação do tradutor, e não se trata, portanto, de glosas acrescidas por nós. Na primeira passagem corânica, se afirma que Jesus e o Evangelho confirmam a Torah, uma referência à Lei de Moisés. A segunda relata ser o Alcorão a confirmação das revelações anteriores, ou seja, as Escrituras Sagradas dos judeus e cristãos. O versículo encerra chamando a Bíblia “Livro indubitável do Senhor do Universo”.

  Os mórmons afirmam acreditar na Bíblia, mas com certas restrições. O artigo 8 das suas Regras de Fé declara: “Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus, 0 quanto seja correta sua tradução; cremos também ser 0 Livro de Mórmon a palavra de Deus”. Mas, no livro Regras de Fé, de James E. Talmage, no qual explica suas confissões de Fé, afirma: “Não há e não pode haver uma tradução absolutamente fidedigna desta e de outras Escrituras”. Mais adiante, na mesma página, ele recomenda que os mórmons leiam a Bíblia distinguindo “entre a verdade e os erros dos homens”. Isso mostra ser a restrição, “quanto seja cor reta a sua tradução”, nada mais que uma maneira sutil de dizer que não creem na Bíblia. O Livro de Mórmon chama de néscios os que procuram a Bíblia: “Tu, tolo, dirás: Uma Bíblia; temos uma Bíblia e não necessitamos mais de Bíblia! Teríeis obtido uma Bíblia, se não fosse pelas mãos dos judeus?” (2 Nefi 29.6).

  As testemunhas de Jeová

  O fato de afirmar, simplesmente, que reconhece a Bíblia como a Palavra de Deus em si mesma não é 0 bastante, pois há grupos que defendem essa crença, mas são unitaristas, como as testemunhas e Jeová e unicistas e como a Voz da Verdade. A questão delas em relação à Bíblia é diferente, nenhuma delas nega a inspiração divina e a autoridade bíblica, 0 problema é que a autoridade espiritual delas, como as testemunhas de Jeová, são as publicações de sua religião, principalmente a revista A Sentinela. E muito comum ver as testemunhas de Jeová nas praças e nas esquinas, oferecendo a quem interessar um “Curso Bíblico Gratuito”, na verdade, trata-se de um curso sobre A Sentinela. Elas acreditam que ninguém no mundo, qualquer que seja 0 seu grau de instrução ou de erudição, jamais poderá compreender a Bíblia sem a ajuda da A Sentinela.150

  Finalizamos reafirmando 0 que vem sendo dito desde 0 primeiro capítulo. A Apologética Cristã apresenta a resposta a todo sistema anticristão. O centro desse debate é Deus, seu Filho Jesus Cristo e a Bíblia. Essa resposta, segundo 0 apóstolo Pedro, deve ser “com mansidão e temor”, mesmo àqueles que nos criticam e blasfemam contra 0 nosso modus vivendi: “Mas façam isso com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam mal de vocês, fiquem envergonhados esses que difamam a boa conduta que vocês têm em Cristo ” (v. 16).

  O nosso objetivo com a apologética é equipar o povo de Deus com argumento bíblico para que cada um possa conhecer e defender a sua fé, ajudar os seus irmãos, principalmente os novos convertidos, na compreensão da Bíblia e, além disso, permanecer fiel até o fim (Ap 3.11). Portanto, continua sendo a tarefa da igreja atual “exortá-los a lutar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 3), para manter os cristãos “na doutrina dos apóstolos” (At 2.42).

  EM DEFESA DA FÉ CRISTÃ

  Ezequias Soares

  As heresias afetam os pontos principais da fé cristã, isso no que diz respeito à Trindade: Deus Pai, o Senhor Jesus Cristo e o Espírito Santo; ao ser humano: natureza, pecado, salvação, origem e destino; aos anjos; à igreja e às Escrituras Sagradas. Esses movimentos religiosos estão dividindo igrejas e separando famílias, rompendo com os valores ortodoxos do cristianismo evangélico. As principais doutrinas da íé cristã precisam ser preservadas e os crentes são chamados para essa responsabilidade. Esses pontos são inegociáveis e jamais devemos ceder um milímetro sequer.

  

 

O pastor e teólogo Esequias Soares, desenvolveu os treze capítulos deste livro em uma estrutura didática: os fundamentos bíblicos, as heresias relativas a cada ponto doutrinário, a reação da igreja e a refutação aos argumentos de seus heresiarcas c seguidores. Quando refutamos as heresias, estamos evangelizando e também defendendo o rebanho de Cristo dos erros doutrinários das crenças heterodoxas.