TEXTO ÁUREO
“Mas os que
andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra. E, descendo Filipe à
cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo.”
(At 8.4,5).
VERDADE PRÁTICA
A igreja só crescerá quando ultrapassar seus próprios
limites e levar a mensagem de Cristo para além de suas paredes.
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE
Atos
8.1-8,12-15.
1
— E também Saulo consentiu na morte dele. E
fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em
Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e da Samaria, exceto
os apóstolos.
2
— E uns varões piedosos foram enterrar Estêvão
e fizeram sobre ele grande pranto.
3
— E Saulo assolava a igreja, entrando pelas
casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.
4
— Mas os que andavam dispersos iam por toda
parte anunciando a palavra.
5
— E, descendo Filipe à cidade de Samaria,
lhes pregava a Cristo.
6
— E as multidões unanimemente prestavam
atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia,
7
— pois que os espíritos imundos saíam de
muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram
curados.
8
— E havia grande alegria naquela cidade.
12
— Mas, como cressem em Filipe, que lhes
pregava acerca do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto
homens como mulheres.
13
— E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado,
ficou, de contínuo, com Filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que
se faziam, estava atônito.
14
— Os apóstolos, pois, que estavam em
Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá
Pedro e João,
15
— os quais, tendo descido, oraram por eles
para que recebessem o Espírito Santo.
1. INTRODUÇÃO
A igreja primitiva, mesmo em meio à perseguição, não
recuou diante das dificuldades, mas se espalhou e continuou a anunciar com
poder o Evangelho de Cristo. Deus usou até mesmo o sofrimento para expandir sua
obra, cumprindo a promessa de Atos 1.8.
2.
APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A)
Objetivos da Lição: I)
Apresentar como a perseguição contribuiu para a expansão da igreja primitiva;
II) Expor a centralidade de Cristo e da Palavra de Deus na evangelização
realizada pela Igreja; III) Enfatizar o papel da Igreja em apoiar e discipular
os novos convertidos.
B)
Motivação: Vivemos tempos em
que a igreja enfrenta desafios e pressões externas, mas, assim como na igreja
primitiva, essas situações podem ser oportunidades para crescimento e
testemunho.
C)
Sugestão de Método: Para
iniciar a lição de forma significativa, o professor pode utilizar o método da
pergunta provocativa para estimular a reflexão. Pergunte à classe: “O que você
faria se, por causa da sua fé, fosse forçado a deixar sua casa e sua cidade?”.
Após ouvir algumas respostas voluntárias, conduza a classe a pensar sobre como
a igreja primitiva reagiu diante da perseguição: não com medo ou silêncio, mas
com ousadia e fé.
3.
CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A)
Aplicação: Assim como a
igreja primitiva, sejamos fiéis em anunciar Cristo em qualquer circunstância,
confiando no poder do Espírito e na direção da Palavra.
4.
SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A)
Revista Ensinador Cristão. Vale
a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e
subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 102, p.41, você
encontrará um subsídio especial para esta lição.
B)
Auxílios Especiais: Ao
final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de
sua aula: 1) O texto “Deus usa as Circunstâncias”, ao final do primeiro tópico,
amplia a reflexão a respeito da perseguição e sua influência para os cristãos
saírem de Jerusalém; 2) O texto “Orando para receber o Espírito Santo”,
localizado depois do terceiro tópico, aprofunda a respeito do Batismo no
Espírito Santo como completude do discipulado cristão.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nesta semana, vamos estudar como a Igreja foi
dispersa por causa de uma grande perseguição. Até então, os cristãos estavam
concentrados em Jerusalém e não tinham avançado na missão de espalhar o
Evangelho. Mas tudo mudou quando Estêvão, um dos sete escolhidos para servir,
foi morto por causa de sua fé. Na verdade, Jesus já havia predito em Atos 1.8
que os cristãos seriam espalhados pelo mundo para anunciar a sua mensagem.
Muitas vezes, Deus usa circunstâncias para cumprir seus propósitos. Foi isso
que aconteceu com a igreja em Jerusalém: mesmo sofrendo uma grande perda e
tendo de sair da cidade, os cristãos não fugiram derrotados. Pelo contrário,
eles continuaram firmes, levando as Boas-Novas para outras pessoas.
Palavra-Chave:
EVANGELIZAÇÃO
AUXÍLIO
VIDA CRISTÃ
DEUS
USA AS CIRCUNSTÂNCIAS
“A
perseguição forçou os cristãos a saírem de Jerusalém e seguirem para a Judeia e
Samaria, cumprindo deste modo a segunda parte da ordem de Jesus (1.8). [...] Às
vezes, Deus nos faz sentir incomodados para que mudemos. Talvez não desejemos
experimentar tal sensação, mas o desconforto pode ser benéfico para nós, porque
Deus pode trabalhar através de nossa dor. Quando você for tentado a reclamar
sobre as circunstâncias incômodas ou dolorosas, pare e pergunte se não seria
Deus, preparando-lhe para uma tarefa especial.” (Bíblia de Estudo Aplicação
Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.1493,1494).
AUXÍLIO
BIBLIOLÓGICO
ORANDO
PARA RECEBER O ESPÍRITO SANTO
“O Espírito
Santo, no entanto, ‘sobre nenhum deles tinha ainda descido’ [Os Samaritanos]
(isto é, eles ainda não haviam sido batizados no Espírito Santo), desde a
aceitação de Cristo e do batismo nas águas, como testemunho de sua decisão de
seguir a Cristo [...]. Depois de algum tempo, Pedro e João vieram a Samaria e
oraram para que os samaritanos recebessem o Espírito Santo (vv.14,15). Houve um
intervalo definido entre a sua salvação espiritual (que veio pela fé em Cristo)
e o seu recebimento do batismo no Espírito Santo (vv.16,17; cf. 2.4). A maneira
como os samaritanos receberam o Espírito Santo seguiu o modelo da experiência
dos discípulos de Jesus, no Pentecostes.” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição
Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1949).
SUBSÍDIOS
ENSINADOR CRISTÃO
A
EXPANSÃO DA IGREJA
Honrado(a)
professor(a), a paz do Senhor. Nesta lição, veremos como a perseguição aos
cristãos da igreja primitiva teve efeito diferente daquele que as autoridades
políticas e religiosas pensavam alcançar (At 4.16-18). Em vez de a igreja
recuar, a história de Atos vai nos mostrar que a perseguição resultou na
dispersão de muitos cristãos por várias regiões além dos muros de Jerusalém (At
11.19). O interessante é que a igreja reagiu à forma como foi perseguida com
muita coragem e resiliência. Embora afligida em razão da morte de um de seus
mais ilustres irmãos, a igreja se manteve unida e comprometida com a pregação
do Evangelho. Essa postura revela uma igreja consolidada na Palavra e cheia do
Espírito Santo.
A história
vai mostrar que foi em meio ao período de maior aflição que a igreja alcançou
seu maior crescimento. Quanto mais renhida a peleja, maior era a fidelidade da
igreja à mensagem do Reino e, por isso, ocorriam tantas conversões, milagres e
libertações (At 5.12-16). Isso se deve ao fato de que a pregação não se baseava
em discursos de autoajuda ou prosperidade material, mas na mensagem da cruz.
Nesse sentido, a igreja da atualidade tem muito a aprender com os primeiros
irmãos.
A Bíblia
de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD), discorre que
“tragicamente, depois de concluído o período registrado no Novo Testamento e
depois da morte dos líderes originais da igreja, ela começou a se distanciar da
revelação original de Deus. Os líderes da igreja começaram a modificar o modelo
celestial de Deus, passando a estar em conformidade com os padrões mundanos e
se adaptando excessivamente à cultura que estava a sua volta. Eles começaram a
estruturar a sua organização, de acordo com ideais e propósitos humanos. Isto
resultou na disseminação de ideias e padrões feitos pelo homem para a igreja.
Se a igreja de Jesus Cristo desejar receber, outra vez, todo o plano, poder e
presença de Deus, então o povo de Deus, como um todo, deve se afastar de seus
próprios caminhos e aceitar o padrão do Novo Testamento, como modelo atemporal
de Deus para a sua igreja” (2022, p.1948).
Portanto, a
igreja deve se expandir pelo poder do Espírito e pela essência da Palavra de
Deus, e não por modismos ou aconselhamentos de coachs das redes sociais, como
se a vida se resumisse a um grande empreendimento terreno. Sabemos que uma vida
próspera espiritualmente é resultado da obediência aos princípios e valores da
Palavra de Deus. Se a igreja na atualidade quiser experimentar novamente do
poder de Deus nos moldes da igreja primitiva, será necessário voltar às
práticas das primeiras obras (Ap 2.5).
CONCLUSÃO
Nesta lição, vimos como o Evangelho se espalhou
rapidamente após a perseguição contra a Igreja. Isso só aconteceu porque a
mensagem cristã tinha um foco claro: a Palavra de Deus e a cruz de Cristo. Sem
Cristo e sem a Bíblia, não há Evangelho. A Bíblia não destaca os métodos que
Filipe usou para evangelizar Samaria, mas enfatiza o poder do Espírito Santo e
da Palavra de Deus. Esse é o exemplo que devemos seguir.
CPAD : A Igreja em Jerusalém —
Doutrina, Comunhão e Fé: a base para o crescimento da Igreja em meio às
perseguições
Comentarista: José
Gonçalves
Lição 10: A expansão da Igreja
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J |
á temos escrito bastante sobre a perseguição aos
cristãos de Jerusalém. Desde o seu início, a Igreja enfrentou questiona mentos,
oposição e perseguição. Quando a Igreja nasce no Pentecostes, os curiosos
presentes já apresentavam os seus primeiros questionamentos: “Que quer isto
dizer?” (At 2.12). A fé cristã nasce chamando a atenção e provocando
interrogações. A medida que a Igreja crescia e aumentava a sua influência,
passou a ser vista como uma nova concorrente da fé já estabelecida. Isso porque
mais e mais pessoas agregavam-se à nova doutrina. Os cris tãos passaram, então,
a ser invejados pelo judaísmo. A fé que era admirada passa, agora, a ser
contestada.
A perseguição, portanto, sempre esteve
presente na História da Igreja. A missão “Portas Abertas”, que se dedica a
ajudar cristãos perseguidos em todo o mundo, destaca que:
A
perseguição, como temos visto, nunca se afastou da igreja. Certamente, para os
que viveram durante as primeiras ondas de perseguição que varreram a história
eclesiástica, ser perseguido parecia fazer parte normal da vida cristã. De
fato, a perseguição tem acompanhado a história da igreja, mas ela vem e vai
como o movimento das ondas do mar. Os períodos de “tolerância” foram
conseguidos a duras penas, seguidos inevitavelmente por novos ataques, tanto
por forças de fora da igreja ou, tragicamente, de dentro dela própria. Nós, no
Ocidente, no início do terceiro milênio, temos desfrutado de um longo período
de liberdade religiosa. A história, no entanto, nos ensina que não há garantia
de que essa liberdade continue.1
No capítulo 8 de Atos, temos, na verdade, o
que poderiamos chamar de as consequências ou efeitos da perseguição. Estêvão já
havia sido martirizado por conta da sua fé, e os cristãos estavam sendo
espalhados por toda parte. A igreja expande-se, mas não de forma voluntária e
organizada. Até então, nenhum plano de evangelismo ou implantação de igreja
havia sido discutido com vistas ao cumprimento da Grande Comissão. O projeto
“confins da terra” (At 1.8) ainda não havia saído do papel.
Tudo isso mudou com a morte de Estêvão e o
consequente aumento e expansão da perseguição. Aqui, precisamos chamar a
atenção para um fato: embora a incursão evangelística dos cristãos que saíram
de Jerusalém não tenha sido organizada nem planejada, mas motivada pela
perseguição, não há nenhuma dúvida de que Deus usou essa circunstância para a
expansão do seu Reino. No contexto bíblico, esse fato é de fácil verificação.
José do Egito, por exemplo, tinha consciência de que o Senhor havia usado
circunstâncias adversas para a preservação do seu próprio povo: “Pelo que Deus
me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para
guardar-vos em vida por um grande livramento” (Gn 41.7). O Senhor agiu com
Ester da mesma forma (Et 4.14).
Justo
González chama a atenção, por exemplo, sobre como Deus usou as circunstâncias
para que o evangelho tivesse um tremendo impacto na evangelização de
marginalizados e dependentes químicos na cidade norte-americana de Nova York.
Assim escreve González:
Em uma
grande cidade dos Estados Unidos, três ou quatro dependentes químicos começam a
visitar uma pequena igreja latina. O pastor e os membros da igreja lhes dão as
boas- vindas, pois o evangelho os ensinou a fazer isso, mas eles não se
preocupam em saber quem são eles nem de onde vêm. Contudo, os vizinhos ficam
preocupados. Alguns deles que sempre se opuseram à igreja começam a dizer que,
agora, a igreja está sendo usada para o tráfico de drogas. A polícia intervém. Há
investigações. O pastor é levado para a delegacia e é interrogado. Durante todo
o processo, o pastor e diversos membros da igreja começam a questionar sobre o
tráfico de drogas no bairro e, em especial, sobre a vida dos três ou quatro
cuja presença na igreja levantou a suspeita inicial. Aos poucos, eles ficam
cada vez mais interessados na questão. No fim, como resultado de um conflito
muito doloroso, eles têm na igreja um centro para recuperação de viciados em
drogas e compram uma casa vizinha na qual fornecem abrigo para alguns de seus
clientes. Por meio desse ministério, essa pequena igreja recebe nova vida e
torna-se um centro de renovação e de esperança em sua comunidade. Muitos dos
que apresentaram a acusação inicial ainda demonstram hostilidade em relação à
igreja, mas mesmo inconscientemente, eles foram usados pelo Espírito Santo para
ajudar essa igreja a descobrir a vontade de Deus.2
Outro fato
que nos chama a atenção é que, embora, os crentes tenham se dispersado, não
perderam a motivação por conta disso. O alvo de uma perseguição religiosa é
sempre intimidar, dispersar e acabar com a fé concorrente. Há uma pressão
social e psicológica que é posta sobre os perseguidos. Geralmente, as perseguições,
de alguma forma, acabam calando a voz ou arrefecendo a fé dos perseguidos.
Muitos que são perseguidos perdem o ânimo e acabam silenciados. Isso, contudo,
não acontece com a Igreja de Jerusalém. Expulsos dos seus habitats, aqueles
cristãos difundiam a fé por onde iam. A igreja estava dispersada, mas não
fragmentada. Cada cristão era um foco de avivamento. Continuavam enlutados, mas
não desesperados! Estavam motivados e inspirados a pregar o poderoso nome de
Jesus.
E aqui que entra um personagem que se tornará
central na história de expansão da Igreja de Jerusalém — Filipe, um dos sete
escolhidos para a diaconia. Assim como Estêvão, Filipe também era um homem de
boa reputação, cheio do Espírito Santo e de sabedoria (At 6.3). Sem essas
qualificações, nenhum obreiro é aprovado por Deus. Nem Estêvão nem Filipe
faziam parte do colégio apostólico, nem tampouco do presbitério. Eles faziam
parte da diaconia da Igreja. Deus usava os apóstolos e presbíteros, mas não só
eles. Os serviçais também eram instrumentos poderosos do seu Espírito. De fato,
o Espírito foi derramado sobre toda a carne, sem exceções (At 2.17). Por esse
tempo, a atenção não estava voltada para o oficio ou o cargo, mas na pessoa e
função a que exercia. Ali, como deve ser, era a unção que determinava o ofício,
e não o contrário.
Pois bem, o
ministério de Filipe move-se em três eixos: (1) o eixo logocêntrico, (2) o eixo
cristocêntrico e (3) o eixo pneumodinâmico. Isso quer dizer que o ministério
dele era centralizado na Palavra de Deus, na cruz de Cristo e no poder do
Espírito Santo. E possível ver com clareza no capítulo 8 de Atos essas três dimensões
do ministé rio de Filipe. E exatamente por estar firmado nesse tripé teológico
que o ministério de Filipe contribuiu extraordinariamente para a expansão da
Igreja.
I. Um Ministério Logocêntrico
Filipe foi um dos dispersos que ia “por toda
parte anunciando a palavra” (At 8.4). O seu ministério em Samaria teve por
fundamento a Palavra de Deus: “Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém,
ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João”
(At 8.14). O seu ministério, portanto, era logocêntrico. Já pudemos observar
que a ênfase na pregação da Palavra de Deus é um tema recorrente no livro de
Atos dos Apóstolos. Pedro já havia dito que a pregação da Palavra era
prioridade dos apóstolos (“Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da
palavra”, At 6.4) e orado pedindo que Deus concedesse a eles a ousadia
necessária para pregar a Palavra (“[...] concede aos teus servos que falem com
toda a ousadia a tua palavra”, At 4.29). Se firmarmos nossa pregação e
ministério na Palavra de Deus, então não tem como as coisas não darem certo.
Tudo que tem como base a Palavra do Senhor funciona. A Palavra de Deus não
volta vazia: “Assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para
mim vazia; antes, fará o que rne apraz e prosperará naquilo para que a enviei”
(Is 55.11).
Um fato a ser destacado na pregação de Filipe
era o seu conteú do. O texto afirma que Filipe “pregava acerca do Reino de
Deus” (At 8.12). O Reino deve estar no centro da pregação. No livro de minha
autoria, 0 Corpo de Cristo (CPAD, 2024), chamei a atenção para os aspectos
presente e futuro do Reino de Deus. Sobre o aspecto presente, escreví:
O Reino
de Deus no seu aspecto presente já pode ser sentido. Isso fica claramente
demonstrado na resposta de Jesus aos fariseus que o acusaram de estar possuído
por Belzebu quando Ele libertava um oprimido pelo Diabo. Naquela passagem
bíblica, Jesus assegurou que a libertação do endemoninhado era uma prova cabal
da presença do Reino entre eles (Mt 12.28). Assim também, inúmeras outras
Escrituras destacam o Reino de Deus como uma realidade presente como, por
exemplo, Colossenses 1.13.3
Jesus viera implantar o Reino de Deus e ele já
era uma realidade presente. O ministério de Filipe em Samaria era uma
demonstração dessa verdade:“[...] os espíritos imundos saíam de muitos que os
tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados” (At
8.7). O evangelho é a promessa de cura da alma, mas também do corpo (Is 53.4,5;
Mt 8.16,17). A doença, evidentemente, é um subproduto do pecado, isto é, uma
consequência dele.
II. Um
Ministério Cristocêntrico
A centralização em Cristo do ministério de
Filipe é claramente demonstrada no texto bíblico em Atos 8.5 (“E, descendo
Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo”) e em Atos 8.12 (“Mas, como
cres sem em Filipe, que lhes pregava acerca do [...] nome de Jesus Cristo, se
batizavam, tanto homens como mulheres”). Pregar a Cristo e o nome dEle é pregar
tudo o que Cristo é e representa. A pregação no contexto da Igreja Primitiva
era centrada na cruz de Cristo e tinha como tema central a sua morte,
ressurreição e glorificação. Tanto os apóstolos como os demais crentes
demonstravam nas suas vidas e testemunhos que Jesus Cristo continuava vivo! A
cura dos doentes e a libertação dos oprimidos pelo Diabo em solo samaritano por
meio da pregação de Filipe eram uma prova incontestável de que Jesus Cristo
havia ressuscitado.
III.
Um Ministério Pneumodinâmico
Outro eixo da pregação de Filipe estava fixado
nos carismas do Espírito. Era movido pela força do Espírito Santo. Filipe
curava os enfermos e expulsava os demônios mediante o poder do Espírito Santo.
Simão, o mágico, que se convertera por meio do ministério de Filipe, queria
esse poder: “Dai-me também a mim esse poder” (At 8.19). Ele ficou impressionado
com a unção do Espírito na vida e ministério de Filipe (At 8.13).
Joseph Fitzmyer destaca que:
O
Espírito de Deus não somente será responsável pela instru ção dos apóstolos e
outros discípulos, senão que desempenhará um papel no desenvolvimento da
narração sobre a propaga ção da Palavra de Deus desde Jerusalém até “os confins
da terra” (1.8). Em Atos há somente poucos capítulos nos quais a influência do
Espírito não se faz, de algum modo, patente. O Espírito aparece pela primeira
vez em 1.2 e logo cinquenta e seis vezes mais. Lucas ressalta assim a ação do
Espírito, já desde o começo dos Atos, como a força-motriz que impulsiona o
período da igreja (cf 9.31). Já havia sido descrito de maneira semelhante no
período de Israel e especialmente no começo do período de Jesus. O Espírito se
converte agora no motor da narração que vai se desenvolver. Assim, Atos se
apresenta como a continuação da história de Jesus do Evangelho lucano e
ressalta a continuidade do que havia começado no ministério terreno de Jesus e
da igreja cristã, iniciada por instrução dos apóstolos do Cristo ressuscitado
mediante o Espírito Santo.4
Sem a
capacitação do Espírito Santo na vida e ministério de Filipe, a entrada do
evangelho em Samaria não teria tido tanto efeito. O Espírito de Deus, portanto,
foi a grande força-motriz que impulsionou a Igreja na sua missão.
A
Supervisão Apostólica
Observe este texto de uma carta missionária:
“...Acabo de receber uma carta do irmão G. Sandberg, com um cheque de 400
francos, que ele foi instruído por você a enviar.
Muito obrigado por ele. Deus o abençoe e a
todos os seus amigos. O Senhor os recompensará ricamente por tudo quando vier.
Nós sempre compartilhamos fraternalmente com os outros que servem na vinha, com
todos os recursos que o Senhor nos dá. Acabei de chegar em casa depois de uma
viagem. Estive ausente por dois meses. O Senhor estava conosco e nos abençoou
de maneira maravilhosa, glória seja dada ao seu nome. O primeiro lugar que
visitamos foi Afuá, uma pequena cidade, a quatro dias de barco do Pará. Fica
mos lá por um mês testificando do Senhor e, durante esse tempo, 13 almas se
renderam a Jesus e foram batizadas nas águas. Jesus também veio e batizou um
irmão com seu Espírito Santo, e ele falou em novas línguas, que o Espírito lhe
deu para falar. Esse irmão foi então escolhido para liderar a missão naquele lugar.
Ore por ele...”.5
Esse texto foi extraído de uma carta que foi enviada pelo missionário assembleiano Daniel Berg para o pastor escandinavo O. L. Bjõrk e foi publicada no periódico sueco Brudgummens Rõst em julho de 1915. Nessa época, Berg estava radicado em Belém, PA, de onde partia para alcançar outros municípios do estado. Observamos a gratidão de Berg pelo suporte espiritual e apoio financeiro que recebia da igreja sueca. Algo parecido com isso aconteceu em Samaria, quando a igreja de Jerusalém soube que Samaria havia recebido a Palavra de Deus e enviou dois dos seus membros para darem suporte ao evangelista e apoiar os recém-convertidos. É assim que uma igreja comprometida com a evangelização e discipulado faz.
126 | A
Igreja em Jerusalém
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