TEXTO ÁUREO
“Porque, se de todo te calares
neste tempo, socorro e livramento doutra parte virá para os judeus, mas tu e a
casa de teu pai perecereis; e quem sabe para tal tempo como este chegaste a
este reino?”
(Et 4.14)
VERDADE PRÁTICA
A perfeita vontade de Deus é nos guiar por caminhos que levem ao
cumprimento de seus eternos propósitos.
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE
Ester
1.1-9.
1
— E sucedeu, nos dias de Assuero (este é
aquele Assuero que reinou, desde a índia até à Etiópia, sobre cento e vinte e
sete províncias);
2
— naqueles dias, assentando-se o rei Assuero
sobre o trono do seu reino, que está na fortaleza de Susã,
3
— no terceiro ano de seu reinado, fez um
convite a todos os seus príncipes e seus servos (o poder da Pérsia e Média e os
maiores senhores das províncias estavam perante ele),
4
— para mostrar as riquezas da glória do seu
reino e o esplendor da sua excelente grandeza, por muitos dias, a saber, cento
e oitenta dias.
5
— E, acabados aqueles dias, fez o rei um
convite a todo o povo que se achou na fortaleza de Susã, desde o maior até ao
menor, por sete dias, no pátio do jardim do palácio real.
6
— As tapeçarias eram de pano branco, verde e
azul celeste, pendentes de cordões de linho fino e púrpura, e argolas de prata,
e colunas de mármore; os leitos eram de ouro e de prata, sobre um pavimento de
pórfiro, e de mármore, e de alabastro, e de pedras preciosas.
7
— E dava-se de beber em vasos de ouro, e os
vasos eram diferentes uns dos outros; e havia muito vinho real, segundo o
estado do rei.
8
— E o beber era, por lei, feito sem que
ninguém forçasse a outro; porque assim o tinha ordenado o rei expressamente a
todos os grandes da sua casa que fizessem conforme a vontade de cada um.
9 — Também a rainha Vasti fez um banquete para as mulheres da casa real do rei Assuero.
PLANO
DE AULA
1.
INTRODUÇÃO
A partir desta lição, estudaremos o Livro de Ester.
Veremos como o livro está organizado, a categoria a que pertence,
características literárias, autoria e data. Procuraremos também situar o
contexto histórico em que o livro foi produzido. Veremos que o exílio de Israel
é uma informação essencial para remontar o contexto histórico do Livro de
Ester. Finalmente, perceberemos que a providência divina apresentada no livro é
um assunto que formula o propósito de Ester. Trata-se de uma providência divina
não mencionada, porém, constatada ao longo do livro sagrado.
2.
APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A)
Objetivos da Lição: I) Apresentar a organização do Livro de Ester;
II) Explorar o contexto histórico do Livro de Ester; III) Expor o propósito e a
mensagem do Livro de Ester.
B)
Motivação: Deus sempre esteve no controle da história. O
Livro de Ester apresenta o fato de que, a despeito de experimentarmos períodos
de ameaças e sofrimento, ele provê o livramento na história. A dor e o
sofrimento, por mais difícil de explicar que seja, não anulam a ação da
providência divina.
C)
Sugestão de Método: A partir desta lição, estudaremos o Livro de
Ester. Nesse sentido, sugerimos que, ao introduzi-la, você apresente o esboço
do livro: I) Deus levanta uma nova rainha na hora certa (1.1 — 2.18); II) Deus
usa o primo da rainha para denunciar uma trama (2.19 — 4.17); III) Deus usa a
corajosa rainha para resgatar o seu povo (5.1 — 9.32); IV) Deus promove
Mardoqueu por sua fidelidade (10.1-3). Para ter acesso ao esboço mais
detalhado, você pode consultar a Bíblia de Estudo Pentecostal,
Edição Global, na página 832. Esse esboço dará a classe a oportunidade de ver o
panorama de todo o Livro de Ester, o que pedagogicamente indispensável para o
processo de ensino-aprendizagem de um livro bíblico.
3.
CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A)
Aplicação: O Livro de Ester nos lembra da ação
providencial de Deus. Ele nos revela que há um Deus que por meio de sua divina
providência dirige a história. Nada que aconteça neste mundo anula a divina
providência.
4.
SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A)
Revista Ensinador Cristão. Vale a pena
conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de
apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 98, p.39, você encontrará um
subsídio especial para esta lição.
B)
Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios
que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Nome e Panorama
Geral”, localizado depois do primeiro tópico, apresenta os marcos cronológicos
da história de Ester; 2) O texto “A Instituição da Festa de Purim”, ao final do
terceiro tópico, explica os detalhes dessa importante celebração.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Concluímos o estudo de Rute. Nesta lição iniciamos o
estudo do livro de Ester. Rute é cheio de referências expressas ao nome de
Deus. Ester, por sua vez, tem como característica singular, e sempre destacada,
a completa ausência do nome de Deus. Nem por isso o agir divino deixa de estar
patente no livro. Ester não contém alusões diretas ao Deus da providência, mas
nos apresenta uma história cujo roteiro é, por inteiro, uma manifestação da
providência de Deus.
Palavra-Chave:
ESTER
I.
A ORGANIZAÇÃO DO LIVRO
1.
A categorização de Ester. Da mesma forma que
Rute, Ester pertence aos Escritos, os onze livros que compõem a terceira seção
da Bíblia Hebraica. E nesta seção — também ao lado de Rute —, integra os Megillot,
os cinco livros curtos lidos anualmente nas festas judaicas. As categorizações
de Rute e Ester também são semelhantes na Bíblia Cristã, na qual figuram entre
os livros históricos. Por sua reconhecida canonicidade, Ester compõe o conjunto
da revelação divina escrita, completa e perfeita (2Tm 3.16,17).
2.
Características literárias. O Livro de Ester
tem 10 capítulos. Dentre suas características literárias destaca-se sua
objetiva historicidade, vista na expressa referência ao rei persa Assuero (Et
1.1) e em vários outros detalhes factuais, além de seu caráter de fonte
primária para a Festa de Purim, anualmente celebrada pelos judeus (Et 9.20-32).
O estilo narrativo é menos dialógico que o de Rute. O texto é mais do narrador
que dos personagens.
3.
Autoria e data. O autor de Ester é desconhecido. Muitos
estudiosos consideram que o livro foi escrito por um judeu que viveu na Pérsia,
pelo fato de o autor demonstrar amplo conhecimento da cidade de Susã e de sua
estrutura, e de importantes documentos do Império Persa. Considerando essa
possível autoria e algumas evidências internas, acredita-se que o livro seja
datado ainda do século V a.C. (por volta de 460 a.C.), logo após a morte de
Assuero, ocorrida em 465 a.C. Outro fator levado em conta para essa datação é
de ordem linguística: o autor empregou algumas palavras persas em meio ao
hebraico, mas não fez uso algum de expressões originárias do grego, o que
revela um estilo anterior à ascensão da Grécia sobre a Pérsia, que se deu com
Alexandre, o grande, em 330 a.C.
AUXÍLIO
BIBLIOLÓGICO
“NOME E PANORAMA GERAL
O livro de Ester leva o nome de sua personagem
principal, uma judia chamada Hadassa (‘murta’), mas que foi renomeada Ester
(‘uma estrela’). Um nome provavelmente escolhido como um reconhecimento de sua
beleza, após tornar-se rainha. A história pertence cronologicamente ao período
entre o retorno de Zorobabel e Esdras, ou seja, entre o sexto e o sétimo
capítulo de Esdras. Os estudiosos chegaram à conclusão de que o rei Assuero a
que se refere, é identificado como Xerxes. Assuero ou Akhashverosh equivale no
hebraico ao persa Khshayarsha, e é denominado Xerxes em grego.
O escritor foi meticuloso ao datar seus
acontecimentos. O banquete de casamento em que Ester tomou posse como rainha,
ocorreu no sétimo ano do reinado de Assuero (479 a.C.), quatro anos depois da
celebração que resultou no divórcio de Vasti. ‘Acreditava-se que entre estes
acontecimentos, Assuero (Xerxes) tenha feito sua malsucedida expedição à
Grécia. Assim, ele retornou da sua derrota vergonhosa em Salamina (480 a.C.) e
encontrou consolo nos braços de Ester’. Os acontecimentos indicados no livro
variam do terceiro ao décimo segundo ano do reinado de Xerxes, ou de 483 a 474
a.C.” (Comentário Bíblico Beacon. Volume II. Rio de Janeiro: CPAD,
2005, p.543).
AUXÍLIO
BIBLIOLÓGICO
“A
INSTITUIÇÃO DA FESTA DE PURIM
Um dia de banquetes e alegria inaugurou a celebração
de Purim (9.17,26). ‘Dia de banquetes e de alegria’ é uma hendíadis, uma figura
de linguagem que expressa uma ideia por meio de duas palavras independentes —
cada uma delas amplificando a outra de modo que no final a ideia é maior que as
duas palavras isoladas —, em vez de uma palavra com um modificador (cp.
9.17-19,24,28). O livro tem muitos aspectos poéticos, incluindo aliteração,
paralelismo, hipérbole, ironia e também construções quiasmáticas. O nome da
festa (Purim ou Festa das Sortes), uma das duas festas não estabelecidas no
Pentateuco (cp. Êx 34.18-27; Lv 23.1-44; 25.1-17), mas consideradas pelos
judeus tão obrigatórias quanto as celebrações, salienta a importância do lançar
sortes como um indício do cuidado providencial do povo de Deus e do controle de
seus inimigos (Et 9.24-26). Foram designados dois dias para as celebrações: os
judeus em Susã tiveram dois dias para matar seus inimigos (v.18) e descansaram
no dia 15 de adar (final de fevereiro ou início de março) e, por conseguinte, a
celebração deles foi designada para esse dia. Os judeus nas províncias remotas
tiveram apenas o dia 13 de adar para responder a seus inimigos, e eles
celebraram no dia 14 de adar (9.19). O dia 13 de adar também é celebrado por
alguns judeus como a Festa de Ester, por causa da menção de comemorar as
práticas do jejum e do seu clamor (v.31)” (Patterson, D. K., KELLEY, R.
H. Comentário Bíblico da Mulher — Antigo Testamento.
Volume I. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, pp.897,898).
CONCLUSÃO
O Livro de Ester nos lembra de que vivemos neste
mundo, mas não devemos confiar em suas estruturas. Todos os reinos deste mundo
passarão (Dn 2.37-45). Por isso, a Palavra de Deus diz que “a nossa cidade está
nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).
VOCABULÁRIO
Canonicidade: característica ou qualidade do que é canônico; legitimidade,
veracidade, sacralidade.
SUBSÍDIOS
ENSINADOR CRISTÃO
O
LIVRO DE ESTER
Nesta lição, iniciaremos o estudo sobre o livro de
Ester. Nesta rica oportunidade, seus alunos aprenderão que a providência divina
se mostra muito evidente neste livro, embora o nome de Deus não apareça em seus
escritos como é de costume nos livros hagiógrafos. O Livro narra a ascensão de
Ester ao cargo de rainha e esposa do rei Assuero, bem como relata a eminente
perseguição e tentativa de extermínio do povo judeu. Ester, por sua vez, foi
escolhida e estrategicamente colocada no trono para intervir e preservar o seu
povo desse ultraje. De modo geral, o livro de Ester revela o cuidado
providencial de Deus para com Seu povo. Após o cativeiro babilônico, a nação
ficou fragmentada e sem perspectiva de quando voltaria a se organizar em sua
própria terra. Todavia, no tempo determinado por Deus, Ciro (539 a.C.) assume o
trono e ordena o retorno dos judeus para as terras de Israel. Após a primeira
leva retornar, Assuero ascende ao trono pérsio e a história de Ester assume o
protagonismo por volta de 483 a 473 a.C.
De acordo
com o Comentário Bíblico Beacon (CPAD, 2005), quanto à
mensagem espiritual do livro, considera-se que “o ensino do livro de Ester pode
ser sintetizado da seguinte forma: 1. Os judeus, apesar de desobedientes ao
Senhor, e desviarem-se dele no exílio, estão nos pensamentos de Deus e são
objeto da sua misericórdia e preocupação. Assim, o Senhor também ama o pecador,
e fez com que o Seu Filho amado morresse por ele; 2. A providência de Deus está
sempre sobre o seu povo, para salvá-lo das tramas malignas de seus inimigos; 3.
Deus às vezes se oculta ao cumprir os seus propósitos no mundo. Em Isaías
45.15, lemos: ‘Verdadeiramente, tu és o Deus que te ocultas, o Deus de Israel,
o Salvador’; 4. O poder da oração é ensinado claramente. É evidente que o jejum
solicitado em 4.16 é um motivo para esta prática na atualidade. A resposta à
oração deve ser vista no sucesso da rainha em convencer o rei a ajudar os
judeus no seu sofrimento; 5. A responsabilidade que temos em cumprir a missão
delegada por Deus é ensinada em 4.14: ‘E quem sabe se para tal tempo como este
chegaste a este reino?’. Também indica o risco que temos de correr ao
cumprirmos nossa missão: ‘e, perecendo, pereço’ (4.16)” (p.545).
Em seu sentido
geral, o livro de Ester é a descrição mais exata de que o Senhor, de fato,
intervém, para que Seus servos sejam inseridos nas diversas camadas da
sociedade. É Deus quem escolhe e prepara Seus servos para esse tipo de missão
tão complexa. Quando somos chamados por Deus, devemos ter em mente que foi para
este tempo trabalhoso que Ele nos escolheu. Nesse sentido, devemos confiar que
não faltará a providência divina para nos capacitar a lidar com as vicissitudes
deste tempo.
REVISANDO
O CONTEÚDO
1. Qual a característica mais destacada do
Livro de Ester?
Ester, por sua vez, tem como característica
singular, e sempre destacada, a completa ausência do nome de Deus.
2. Quais as evidências da historicidade do
Livro de Ester?
Muitos estudiosos consideram que o livro foi
escrito por um judeu que viveu na Pérsia, pelo fato de o autor demonstrar amplo
conhecimento da cidade de Susã e de sua estrutura, e de importantes documentos
do Império Persa.
3. Qual o contexto histórico de Ester em
relação ao período pós-exílico?
Ester registra fatos ocorridos na capital do
Império Persa, Susã, entre o primeiro e o segundo retorno dos judeus para
Jerusalém.
4. Qual o principal propósito do livro de
Ester?
O principal propósito do livro de Ester é
registrar o cuidado providencial de Deus com o seu povo, a despeito de suas
escolhas fora de seu propósito.
5. Que mensagem principal podemos extrair
de Ester?
Ester nos transmite como mensagem o perigo de confiar nas falsas estabilidades que as estruturas do mundo nos oferecem, e costumam parecer mais vantajosas.
Lição 6: O Livro de Ester
O
Deus que governa o Mundo e cuida da Família — Os ensinamentos divinos nos
livros de Rute e Ester para a nossa geração
Comentarista: Silas
Queiroz
INTRODUÇÃO
Passar do estudo de Rute para Ester importa
numa radical mudança de cenário. É sair de Belém, na Judeia (atual Cisjordânia,
em Israel) e transportar-se para Susã, na Pérsia (atual Irã); é saltar dos dias
dos juízes para o período pós exílico, registrado em cinco dos 12 livros
históricos do Antigo Testamento: 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. O
primeiro livro das Crônicas volta a Adão para resgatar a formação da nação de
Israel e iniciar a história da sua monarquia até os dias de Davi. O segundo
livro das Crônicas vai de Salomão ao anúncio do fim do cativeiro babilônico,
apontando, como clímax, o decreto de Ciro, rei da Pérsia, para a volta dos
exilados para Jerusalém (2 Cr 36.20-23). Os três últimos livros — Esdras,
Neemias e Ester — ocupam-se dos fatos decorrentes dessa ordem imperial. Cobrem,
exclusivamente, ocorrências posteriores ao fim do exílio. Esdras e Neemias
registram os retornos dos judeus para Jerusalém, destacando a reconstrução da
cidade e do Templo, bem como as reformas morais e espirituais entre o
povo.
I – A ORGANIZAÇÃO DO LIVRO
1. A categorização de Ester
Da mesma forma como Rute, Ester pertence aos
Escritos, os 11 livros que compõem a terceira seção da Bíblia Hebraica. E,
nessa
seção — também ao lado de Rute —, integra os Megillot, os cinco livros
curtos lidos anualmente nas festas judaicas. As categorizações de Rute e Ester
também são semelhantes na Bíblia Cristã, em que figuram entre os livros
históricos, como já mencionado. Pela sua reconhecida canonicidade, Ester compõe
o conjunto da revelação divina escrita, completa e perfeita (2 Tm
3.16,17).
2.
Características literárias
O livro tem dez capítulos.
Dentre
as suas características literárias, destaca-se a sua objetiva historicidade,
vista na expressa referência ao rei persa Assuero (Et 1.1) e em vários outros
detalhes factuais, além do seu caráter de fonte primária para a Festa de Purim,
anualmente celebrada pelos judeus (Et 9.20-32). O estilo narrativo é menos
dialógico que o de Rute. O texto é mais do narrador do que dos personagens.
A respeito da historicidade, Joyce G. Baldwin
(1986, p. 20) faz uma considerável análise das evidências, e conclui:
Um exame das principais alusões históricas no
livro de Ester tem confirmado a exatidão de muitos detalhes. Os acontecimentos
desse livro podem ser harmonizados com o que se conhece de outras fontes a
respeito do reinado de Assuero e, sobretudo, o seu caráter é reconhecidamente o
mesmo. A extensão do seu império, a sua capital, e as minúcias dos costumes
observados na corte — tais como o uso de correios em cavalos de posta (3:13;
8:10), a proibição de lamentações (4:2) e do enforcamento como pena de morte
(5:14) — são exemplos do mundo genuinamente persa em que a ação tem lugar. A
descoberta da palavra puru em
um dado confirmou a dependência do mundo antigo da ideia de destino, e
transformou o que anteriormente parecia “historicamente improvável” como
explicação da origem de Purim, em um incidente que precisa ser levado a
sério.
Apesar do conjunto de evidências que
confirmem a sua historicidade, críticos bíblicos levantam alguns
questionamentos acerca da autenticidade histórica do livro. Contudo, o que se
pode dizer acerca de Ester ou qualquer outro livro da Bíblia é que não convém
dar ouvidos às extensas e cansativas divagações da crítica, porque o que se
verifica ao longo do tempo é que todas as dúvidas que suscitam são dissipadas
com o avanço das descobertas, principalmente arqueológicas, atestando o que já
é inequívoco para os que creem na Bíblia como inspirada, inerrante, infalível e
completa Palavra de Deus.1 Como adverte Eta Linnemann (2011, p. 11),
divergir da fé singela na Palavra de Deus e impressionar-se com a alegação da
crítica bíblica quanto à validade exclusiva e completa da “teologia científica”
é como trocar o direito de primogenitura por um prato de lentilhas.
O livro de Ester apresenta uma narrativa
concentrada nos judeus que ficaram na Babilônia — mais propriamente na capital
Susã — sob domínio persa. Na verdade, a cidade de Susã é o palco de todo o
relato. Referências a outros contextos são indiretas e sempre se dão a partir
de fatos passados na capital persa, como o envio de cartas de Assuero (com os
seus decretos), de Mardoqueu e da rainha Ester, bem como os seus respectivos
efeitos em todas as províncias (Et 1.21,22; 2.8,18; 3.12-15; 4.3; 8.9-17;
9.1-5,19-23,30; 10). A história não acompanha nenhum personagem para fora do
palácio e dos seus arredores — nem mesmo Assuero, que, dentro do período
histórico descrito em Ester, passou quatro anos na sua malsucedida campanha
contra os gregos, como narra, em minúcias, o historiador Heródoto. Ester é,
portanto, o único livro da Bíblia do período pós-exílico cujo cenário da
narrativa dá-se inteiramente em terras do cativeiro babilônico.
Ester registra fatos ocorridos ao longo de 10 anos (483–473 a.C.),
durante o reinado de Assuero (Xerxes), filho de Dario, que governou a Pérsia
por 21 anos (de 486 a 465 a.C.). A história de Ester está situada
cronologicamente entre os capítulos 6 e 7 de Esdras. O livro foi escrito
primariamente para encorajar os remanescentes judeus no exílio, mostrando lhes
a fidelidade e o cuidado de Deus com o seu povo, mesmo com os que não
obedeceram à ordem de voltar para Jerusalém. O local da sua escrita é
indeterminado. Para determiná-lo, seria preciso seguir uma das linhas que
estabelecem a data da sua produção, podendo ser a própria Pérsia, onde Ester
viveu, ou Jerusalém, no caso de uma data posterior aos tempos
veterotestamentários.
3. Autoria e data
O autor de Ester é desconhecido. Muitos
estudiosos consideram que o livro foi escrito por um judeu que viveu na
Pérsia,
pelo fato de o autor demonstrar amplo conhecimento da cidade de Susã e da sua
estrutura, além de importantes documentos do Império Persa.
Considerando
essa possível autoria e algumas evidências internas, acredita-se que Ester seja
datado ainda do século V a.C. (por volta do ano 460 a.C., logo após a morte de
Assuero, ocorrida em 465 a.C.). Outro fator levado em conta para essa datação é
de ordem linguística: o autor empregou algumas palavras persas em meio ao
hebraico, mas não fez qualquer uso de expressões originárias do grego, o que
revela um estilo anterior à ascensão da Grécia sobre a Pérsia, que se deu com
Alexandre, o Grande, em 330 a.C. Em função desse estilo linguístico, R. K.
Harrison (2010, p. 295) considera o livro de Ester como uma valiosa fonte de informações
acerca do regime aquemeniano,2 porque o seu vocabulário tem um toque
inequivocamente persa — e a própria narrativa provém de um cenário da
administração imperial. Como observa Harrison, o autor estava familiarizado com
o funcionamento do palácio, incluindo o sistema de aconselhamento de que
dispunha o rei para assuntos políticos (Ed 7.14; Et 8.8).
Em uma síntese sobre o livro, J. Sidlow
Baxter (1993, p. 265) diz:
Ester é
um livro de crise. Trata-se de
um drama — não uma ficção, mas um fato genuíno. É encenado no palco da história
real e reúne personagens verdadeiros. Cinco figuras movimentam-se diante de
nós: Assuero, o rei persa; Vasti, a rainha deposta; Hamã, aquele que odiava os
judeus; Mordecai, o líder judeu; e Ester, a moça judia que se tornou rainha.
Como pano de fundo temos o palácio real, a capital persa e os vários milhares
de judeus espalhados por todos os domínios do imperador.
Ester é a figura crucial nesse drama,
pois tudo gira ao redor de sua ascensão ao trono e sua influência como rainha.
O livro, portanto, leva adequadamente o seu nome, Ester.
A
Ausência do Nome de Deus
Da mesma forma como Rute, Ester apresenta-nos
o Deus da providência agindo em favor do seu povo, com uma diferença: em Rute,
o nome de Deus é mencionado diversas vezes;3 em Ester, o nome de
Deus não aparece no texto, mas o seu agir é visto em toda a história. Conforme
a já citada declaração de
Matthew
Henry (2022, p. 845): “[…] ainda que o nome de Deus não se encontre [no livro
de Ester], o mesmo não se pode dizer de sua mão, guiando minuciosamente os
fatos que culminaram na libertação de seu povo”.
Sendo a ausência do nome de Deus uma
constatação, qual seria a razão dessa característica tão peculiar e exclusiva
do livro de Ester? Archer Jr. (ibid., p. 528) admite não ser fácil responder a
essa pergunta. Opina, contudo, que
[…] a
melhor explicação que se oferece é que a narrativa trata principalmente
daqueles judeus que tinham deixado passar sua oportunidade de voltar à terra da
promessa e escolheram ficar com os gentios depois da volta do remanescente fiel
em 536 a.C. É certo que todos os atos desse dramático episódio desdobraram-se
em território gentio; é igualmente certo que a soberania da providência de Deus
é claramente subentendida em 4.14: “[…] pois, se te calares, agora, socorro e
livramento surgirão de outra parte para os judeus, mas tu e a tua família
sereis eliminados. Quem sabe se não foi para este momento que foste conduzida à
realeza?”
Sidlow Baxter (ibid., p. 256) entende que podem existir outras razões
para o autor de Ester ter omitido qualquer referência direta a Deus, citando,
como exemplo, o fato de o livro ter sido dirigido tanto aos persas como aos
judeus. Por fim, Baxter ainda considera que a ausência do nome de Deus pode ter
sido decorrente do fato de os judeus estarem longe da sua terra após a ruptura
do seu relacionamento especial com o Senhor. Assim, conforme acentua Baxter, o
autor teria evitado referir-se diretamente a Deus para ser coerente com essa
ruptura de comunhão.
Ester e o Secularismo
À luz da opinião de Archer Jr. e da
possibilidade última mencionada por Baxter, é possível considerar que a
ausência do nome de Deus no livro serve como uma eloquente advertência do
perigo do secularismo, que se apresenta como uma acomodação ao ambiente em que
se está inserido, produzindo distanciamento, esfriamento e, consequentemente,
vergonha em relação a Deus e à sua presença.
Estavam indiferentes, portanto, à convocação
de retorno a Jerusalém e à renovação do culto a Jeová. A absoluta maioria dos
judeus escolheu permanecer no conforto das suas casas,
desfrutando
de um estilo de vida secular, em vez de aceitar o desafio de seguir para
Jerusalém, em busca da reconstrução da cidade e do Templo, bem como do
restabelecimento do culto ao Deus de Israel no lugar que Ele elegeu para a
oferta de sacrifícios. Em vez da vida religiosa, esses judeus preferiram a vida
secular. Em vez de agradar a Deus e ao seu propósito para Israel como nação,
preferiram ficar na Pérsia, desfrutando das vantagens econômicas que lhes eram
oferecidas pelo reino. Não podemos ignorar, portanto, que os judeus pudessem
estar sob algum constrangimento em relação ao Deus de Israel.
Jesus afirmou que, se o sal tornar-se
insípido, perde o seu valor, é lançado fora e pisado pelos homens (Mt 5.13).
Ester mostra-nos como um cenário secular aparentemente estável pode mudar de
uma hora para outra, revelando quão enganoso é o secularismo, a doutrina que
ignora os princípios espirituais na condução dos negócios humanos.4 A
partir do livro de Ester, Emilio Garofalo Neto trata exatamente desse aspecto
da vida cristã no exílio secular e observa:
A vida
na casa da Pérsia tem elementos similares à vida na casa secular do ocidente em
que vivemos: uma espécie de era pós-moderna e pós-cristã. Uma era supostamente
livre das amarras da superstição religiosa, guiada pela razão e que parou com a
tolice espiritual de procurar significado para a vida no sobrenatural. Uma era
secular.
Até certo ponto, poderia parecer aos judeus
da Pérsia que eles não precisariam mesmo recorrer ao Senhor, dado o conforto,
segurança e oportunidades que desfrutavam. O Império Persa ficou conhecido pela
sua tolerância religiosa em relação aos seus súditos. Talvez isso tenha
contribuído para que os judeus da Pérsia e das suas muitas províncias
imaginassem que as ordenanças divinas para o culto em Jerusalém já não fossem
tão importantes e que, por isso, poderiam permanecer nas suas próprias
habitações e rotinas, alheios à vida nacional de adoração de Israel.5 O
livro de Ester mostra-nos como a segurança deste mundo é falsa, ilusória e
passageira. Alheios ao culto estabelecido por Deus, os judeus enfrentariam
tempos de crise e profunda angústia, passando, assim, a depender inteiramente
da mão poderosa do Eterno, que, em meio ao secularismo persa, iria livrá-los do
extermínio.
A
Convicção de Mardoqueu
Apesar de todo o espírito de passividade e conformação da geração que
permaneceu na Pérsia, muitos judeus preservaram raízes piedosas. Como veremos
melhor no capítulo 10, Rute 4.14 é a revelação da convicção de um desses
judeus, Mardoqueu, que esperava em uma providência milagrosa que estava por
vir. As expressões “socorro e livramento doutra parte virá” e “quem sabe se
para tal tempo como este chegaste a este reino” são frutos da sua piedade e fé
em Deus; da confiança de que a agência divina não apenas seria demonstrada no
livramento dos judeus, como já estaria em curso desde a elevação de Ester à
condição de rainha. Àquela altura, Mardoqueu não tinha certeza se o reinado de
Ester era ou não um propósito divino para preservar os judeus, mas a sua
declaração indica um entendimento espiritual em formação. O “quem sabe” de
Mardoqueu certamente decorre da sua vivência espiritual, na qual já tinha
experimentado a providência divina. Nossas experiências com Deus são muito
importantes para gerar esperança em nosso coração em tempos de crises e adversidades.
A experiência produz esperança, e a esperança não traz confusão (Rm 5.4).
Quando Davi esteve com o rei Saul e anunciou a sua disposição de lutar contra o
gigante Golias, recorreu às suas experiências sobrenaturais como fundamento da
sua confiança de que venceria o inimigo de Israel (1 Sm 17.37). Assim como
Davi, Mardoqueu expressou confiança em Deus para prover-lhes livramento.
Ninguém Tira Deus de Cena
Qualquer que seja o motivo de o nome de Deus
não constar no livro de Ester, isso nos transmite uma mensagem irrefutável:
ninguém tira Deus de cena; nem mesmo aqueles que negam a sua existência ou,
tristemente, imaginam negar a sua agência, como fez o filósofo Friedrich
Nietzsche (1844– 1900), proclamando a “morte” de Deus. O Todo-Poderoso é soberano
e age segundo os seus propósitos, mesmo onde e
quando
o seu nome não é mencionado (Sl 24.1; Sl 139.7,8; Rm 11.36).
Fechando esse paralelo com o livro de Rute,
podemos afirmar: Ester não contém alusões diretas ao Deus da providência, mas
apresenta-nos uma história cujo roteiro é, por inteiro, uma manifestação da
providência de Deus. Sidlow Baxter (ibid., p. 265, 266) conceitua “providência”
e faz um interessante comparativo com as intervenções milagrosas:
A
palavra “providência” tem origem no latim provideo, significando “eu vejo uma coisa antecipadamente” (pro = antes; video = vejo); assim, o significado original de providência é
previsão. Como, porém, uma previsão sempre ocasiona atividade em relação ao que é previsto, providência adquire do
sentido de atividade que procede da
previsão.
[…]
É isto que vemos demonstrado no Livro de
Ester. A crise à qual o livro se refere é providencialmente prevista e depois
providencialmente vencida no momento crucial. Não é empregada qualquer
intervenção milagrosa. Todos os acontecimentos registrados são resultados das
circunstâncias em sua sequência natural. Todavia, embora não seja registrado
qualquer milagre […].
Digno de nota, ainda, conforme acentua Baxter
(ibid., p. 267), é que toda a ação divina, “provocando todos os eventos
registados”, acontece “sem violar o livre-arbítrio humano e sem interromper o
desenvolvimento normal dos assuntos humanos, como um poder oculto controla
todas as coisas de maneira insuspeita, mas infalível”.
II – O CONTEXTO HISTÓRICO
1. O povo hebreu no exílio
Para uma melhor compreensão do contexto
histórico do livro de Ester, é importante mencionar o fim do período da
monarquia do povo hebreu. Em 722 a.C., ocorreu a queda final do Reino do Norte
perante os assírios (2 Rs 17.6). Pouco mais de cem anos depois, Judá, o Reino
do Sul, foi levado para o cativeiro babilônico em três levas: a primeira, no
ano 605; a segunda, em 597, e a terceira, em 586 a.C. Conforme Jeremias havia
profetizado, o exílio na Babilônia durou 70 anos (Jr 25.11; 29.10-14). Foi um
período em que o Senhor tratou com o seu povo, principalmente para extirpar a
idolatria que contaminara a todo o Israel (Ez 36.16-25).
Eugene H. Merrill (2001, p. 497, 498)
enfatiza o terrível significado espiritual do exílio:
Os longos anos em que a elite política, militar e religiosa de
Judá esteve longe de sua terra são popularmente conhecidos como o exílio na
literatura moderna, um termo singularmente apropriado, uma vez que não apenas
sugere a remoção forçada da população de judeus da Babilônia, como também
comunica a ausência de Yahweh durante o processo. A tragédia do exílio não pode
ser interpretada como apenas a deportação de um povo para outra terra, ou a
destruição de uma cidade e seu santuário central. Na verdade, Deus havia se
retirado do meio de seu povo, uma ausência simbolizada por uma das visões de
Ezequiel, na qual a Shekinah movia-se do templo para o monte das Oliveiras (Ez
11.23).
2. O fim do exílio
Esse período termina com a vitória de Ciro
sobre os babilônios no ano 539 a.C.6 O Senhor Deus estava exercendo
o seu juízo sobre a Babilônia por causa da sua iniquidade (Jr 25.12). Antes, já
havia julgado a Assíria, como profetizado por Naum: Deus não tem o culpado por
inocente (Na 1.2,3). Em 539 a.C., Ciro venceu os babilônios e anexou o seu
território ao Império Persa. Logo no primeiro ano de reinado, “despertou o SENHOR
o espírito de Ciro, rei da Pérsia”, fazendo-o decretar o retorno do povo judeu
para Jerusalém (Ed 1.1-3).
3. O pós-exílio
O retorno deu-se em três grupos, sendo que o
primeiro e maior deles — 50 mil exilados — seguiu para Jerusalém junto com
Zorobabel já em 538 a.C. (Ed 1.5; 2.64,65). Donald Stamps (2009, p. 709) cita
uma estimativa segundo a qual viviam na Babilônia “um milhão ou mais” de
judeus, o que demonstra a baixa adesão à convocação de retorno, a despeito da
inequívoca providência divina que, por intermédio de Ciro, permitia a volta
para Jerusalém. A esmagadora maioria dos judeus decidiu pelo que lhes parecia
mais cômodo: permanecer nas cidades que ocupavam na Babilônia.
O primeiro retorno é narrado do capítulo 1 ao
capítulo 6 do livro de Esdras. Entre o capítulo 6 e o capítulo 7, há um
intervalo de aproximadamente 60 anos. É na segunda metade desse período — um
verdadeiro hiato histórico — que se passam os fatos do livro de Ester, que
preenchem uma década
da
história (483 a 473 a.C.) e dão-se durante o reinado de Assuero (Xerxes, em
grego), imperador persa de 486 a 465 a.C.
Fechada a história contada em Ester, o
registro sagrado seguinte é aquele contido no capítulo 7 de Esdras: a narrativa
do retorno do segundo grupo de judeus para Jerusalém sob a liderança do
sacerdote e escriba Esdras em 458 a.C., já nos dias do rei Artaxerxes, filho de
Assuero (Ed 7.1-10). O terceiro grupo retornaria somente em 444 a.C., liderado
por Neemias (Ne 2.17).
III –
PROPÓSITO E MENSAGEM
1. A providência divina
A forma como os judeus adotaram o livro de
Ester e nele inspiram-se ao longo da história demonstra o cumprimento do seu
principal propósito: o registro do misericordioso e providencial cuidado de
Deus com o seu povo, a despeito das suas escolhas fora do seu propósito. Há uma
promessa feita a Abraão (Gn 12.2,3). Nas suas perseguições e perigo de
extermínio, os judeus têm, nesse livro, uma mensagem de consolo e
esperança.
2. Uma falsa estabilidade
Quanto à mensagem principal, o livro de Ester
adverte-nos do grande perigo de confiar nas falsas estabilidades que as
estruturas do mundo oferecem e que costumam parecer mais vantajosas. Estava
tudo indo muito bem em Susã até surgir a ordem de destruição total dos judeus
(Et 3.7-13). A falsa segurança foi embora. O povo de Judá dependia totalmente
da intervenção divina para que não fosse exterminado. Ester mostra Deus agindo
mais uma vez, movendo as estruturas humanas, agora no grande e poderoso Império
Persa. Seja qual for a circunstância, é melhor confiar no Senhor do que no
homem (Sl 118.8,9).
3. A Festa de Purim
O livro de Ester marca esse propósito
principalmente pela instituição da Festa de Purim, ordenada por Mardoqueu
depois
do grande livramento que os judeus receberam (Et 9.20-28). Purim é o plural da
palavra acadiana pur, podendo ser entendida como lançar sortes. Conforme
Ester 3.7, Hamã lançou sorte para estabelecer o dia da morte dos judeus, mas a
situação acabou se invertendo, tornando motivo para comemoração dos judeus.7
A festa, portanto, comemora a frustração do nefasto plano de extermínio
diante da providencial ação divina para a libertação do seu povo.
1 Quanto ao risco de enveredar-se por infindáveis estudos
produzidos pela Alta Crítica e perder-se o principal, que é a edificação
espiritual, J. Sidlow Baxter (ibid., p. 273) cita G. Campbell Morgan, que
afirmou: “[…] pode-se passar a vida inteira tentando descobrir quantos homens
escreveram Isaías, quem foi o autor do Pentateuco ou quem escreveu a Carta aos
Hebreus, sem jamais estudar a Bíblia”. Como nosso propósito é estudar as
Escrituras, este livro não se dedica a reproduzir as infindáveis discussões da crítica
bíblica.
___________________________________________________________
2 Império Aquemênida é outro nome dado ao Primeiro Império Persa, vigente nos dias de Ester.
3 São dezoito referências espalhadas pelos quatro capítulos do livro: Rt 1.6,8,9,13,16,17,20,21; 2.4,12,20; 3.10,1; 4.11,12,13,14,15.
4 ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998, p. 261.
5 É necessário dizer que muitos judeus, embora não tenham seguido Zorobabel, Esdras ou Neemias para reconstruir Jerusalém, contribuíram financeiramente com as obras e a restauração das cerimônias (Ed 8.25-28).
6 Eugene H. Merril (2001, p. 498) argumenta que o fim do cativeiro não representa, de certa forma, o fim do exílio, porque Jeová não retornou na ocasião para habitar no templo, o que, conforme os profetas predisseram, somente se dará na era escatológica, quando o próprio Messias será a glória de Deus (Ag 2.7-9).
7 Bíblia Brasileira de Estudo, p. 686.
O Deus que governa o Mundo e cuida da Família
— Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração
Silas Queiroz
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