segunda-feira, 15 de julho de 2024

CPAD : O Deus Que Governa o Mundo e Cuida da Família | Lição 04: O Encontro de Rute com Boaz

 


TEXTO ÁUREO

“O Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.” (Rt 2.12)

VERDADE PRÁTICA

O verdadeiro e puro modelo de bondade é servir uns aos outros de coração, confiando na fidelidade e justiça de Deus

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Rute 2.1-14; 11, 12 14

1 – E tinha Noemi um parente de seu marido, homem valente e poderoso, da geração de Elimeleque; e era o seu nome Boaz.
2 – E Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu achar graça. E ela lhe disse: Vai, minha filha.

3 – Foi, pois, e chegou, e apanhava espigas no campo após os segadores; e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que era da geração de Elimeleque.
4 – E eis que Boaz veio de Belém e disse aos segadores: O Senhor seja convosco. E disseram-lhe eles: O Senhor te abençoe.
11 – E respondeu Boaz e disse-lhe: Bem se me contou quanto fizeste à tua sogra, depois da morte de teu marido, e deixaste a teu pai, e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que, dantes, não conheceste.

12 – O Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor, Deus de Israel, sob cujas as os te vieste abrigar.
14 – E, sendo já hora de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão, e molha o teu bocado no vinagre. E ela se assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu do trigo tostado, e comeu e se fartou, e ainda lhe sobejou

PLANO DE AULA

1- INTRODUÇÃO
A presente lição tem como tema o encontro de Boaz com Rute. Boaz aparece no capítulo dois do livro como um homem próspero e respeitado por todos. Ele tratou Rute como muito respeito. Nesse encontro, percebemos como Deus estava agindo para solucionar um problema familiar e, ao mesmo, configurar todo um plano de salvação que seria plenamente revelado em Jesus Cristo, o nosso Salvador.
2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição:
I) Apresentar
a proposta de Noemi;
II) Abordar a convicção amorosa de Rute em relação a sua sogra;
III) Refletir a respeito da lei da semeadura na colheita de Rute.

B) Motivação: O encontro de Boaz com Rute revela a preciosa soberania de Deus conduzindo a história de uma mulher. Muitas vezes não compreendemos os caminhos que encontramos na vida. Entretanto, sabemos que tudo contribui para o bem dos que amam a Deus. A vontade de Deus é perfeita e agradável.
C) Sugestão de Método: No segundo tópico, temos um contraste muito interessante. Uma postura verdadeira de homem, acompanhada por ternura e respeito. Nesse sentido, enfatize o subtópico, “A pureza não exclui a ternura”. Mostre, principalmente, aos homens da classe a Bíblia ensina que o homem deve exercer liderança e, ao mesmo tempo, transmitir carinho à esposa e aos filhos, de maneira gentil e generosa. Numa família, é importante corrigir e, igualmente, demonstrar afeto ao cônjuge e aos filhos. Isso traz segurança e equilíbrio a todos.

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: A lição desta semana nos ensina a depender de Deus, a confiar nos seus desígnios. Com respeito e sensibilidade espiritual, devemos viver a nossa vida cristã honrando a Deus e esperando que o seu propósito e desígnios se revelem em nossas vidas.
4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à lições Bíblicas Adultos. Na edição 98, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:
1) O texto “Boaz” , localizado após o primeiro tópico, destaca o perfil e o caráter desse personagem;
2) O texto “O Contexto Histórico do Trabalho de Rute”, localizado após o último tópico, apresenta detalhes sobre o labor na colheita.

INTRODUÇÃO

Na lição anterior, o assunto central foi a amizade entre Noemi e Rute, sogra e nora. Nesta, um novo personagem entra em cena: Boaz, o parente remidor. Veremos como o Deus da providência recompensa os que se doam a bons relacionamentos.

Palavra-Chave:

 Encontro

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

BOAZ
Os heróis são mais fáceis de se admirar do que de definir. Eles raramente percebem seus instantes de heroísmo, e outras pessoas não podem reconhecer seus atos como heróicos. Eles simplesmente fazem a coisa certa no momento certo, quer percebam ou não o impacto causado por sua ação. Talvez a qualidade que compartilham seja uma tendência a pensar nas outras pessoas antes de si mesmos. Boaz era um herói. Ao lidar com as pessoas, era sempre sensível às suas necessidades. Suas palavras para com seus empregados, parentes e outros eram generosas. Ele oferecia ajuda abertamente, não de má vontade. Quando descobriu quem era Rute, tomou várias atitudes para ajudá-la porque ela fora útil à sua sogra Noemi. Quando Noemi aconselhou Rute a pedir sua proteção, ele estava pronto a casar-se com ela, caso as implicações legais pudessem ser solucionadas” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.358).

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

“O CONTEXTO HISTÓRICO DO TRABALHO DE RUTE

Quando o trigo e a cevada estavam prontos para serem colhidos, os ceifeiros eram contratados para cortar os talos e juntá-los em feixes. A lei israelita mandava que as laterais dos campos fossem deixadas de lado. Além disso, os grãos que caíam ficavam no chão para as pessoas pobres, que os apanhavam (ato de respigar) e usavam como alimento (Lv 19.9; 23.22; Dt 24.19). O propósito desta lei era alimentar o pobre e impedir que os donos os armazenassem. Esta legislação fazia parte do programa de bem-estar em Israel. Por ser uma viúva sem meios de sustentar a si própria, Rute foi ao campo de Boaz apanhar estes grãos. Rute foi para uma terra estranha. Ao invés de depender de Noemi ou esperar que algo de bom acontecesse, tomou a iniciativa e foi trabalhar. Não titubeou em admitir sua necessidade e buscou meios para supri-la. Quando saiu ao campo, Deus proveu-lhe todas as coisas. Se você espera pela provisão do Senhor, considere isto. Provavelmente Ele aguarda o seu primeiro passo, o qual demonstrará a importância de sua necessidade. O trabalho de Rute, embora servil, cansativo e talvez degradante, foi feito fielmente. Qual é a sua atitude quando sua tarefa não corresponde com o seu verdadeiro potencial?” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.358).

CONCLUSÃO

A atitude de fé de Rute estava sendo recompensada. Sua prontidão em cuidar da sogra levou-a a encontrar conforto e proteção naquele que seria o resgatador de toda a família e que a incluiria na genealogia do Redentor da humanidade. O Deus de Rute é o nosso Deus. Ele continua agindo por aqueles que decidem se abrigar debaixo de suas asas. Confiar nEle e viver fazendo o que lhe agrada é o meio infalível de alcançar sua misericórdia e favor.

  CPAD : O Deus Que Governa o Mundo e Cuida da Família – Os Ensinamentos Divinos nos livros de Rute e Ester para a Nossa Geração

| Lição 04: O Encontro de Rute com Boaz

 

   INTRODUÇÃO

  O afetuoso  e  inspirador  relacionamento  entre  Noemi  e  Rute  resultou  de uma  atitude  no  mínimo  paradoxal  do  belemita  Elimeleque.  No  crítico período  dos  juízes,  um  efrateu  deixa  Belém  por  causa  da  fome  que  assolava Israel  e  vai  com  a sua  família  peregrinar  nos  campos  de  Moabe.1

   A  ação  de Elimeleque — nome que, no  hebraico, significa “Meu Deus é Rei” — não  é objeto  de  aprovação  ou  reprovação  expressa  no  texto  sagrado.  Contudo, é mesmo  um  paradoxo  que  um  judeu  piedoso  precisasse  deixar  Belém  (heb,Bethlehem, “casa  do  pão”)  em  busca  de  sobrevivência  para  ele  e  a  família  nos campos  dos  moabitas,  um  povo  pagão  e  historicamente  inimigo  de  Israel.Decerto,  não  havia  um  clima  de  beligerância  entre  os  povos  naquele período  específico;  tanto  é  verdade  que  os  belemitas  encontraram  franc oacesso  a Moabe,  e  famílias  de efrateus  e  moabitas  entrelaçaram-se  por meio de  vínculos  conjugais.  De  qualquer  sorte,  o  ato  revela  a  gravidade  da  crise em solo israelita, decorrente da apostasia de Israel.Quanto a  Elimeleque, não  há como deixar  de considerar  que lhe  faltou fé perseverante  para  permanecer  em  Belém,  a  despeito  da  crise  que vivenciava.  Para os  que  cogitam ter  como  certa a  atitude  de  Elimeleque por ele  estar  buscando  garantir  a  sobrevivência  da  sua  família,  é  preciso considerar  que  justificar  nossas  decisões  vacilantes  pelas  circunstâncias adversas  que  enfrentamos  é  uma  flagrante  negação  do  valor  da  confiança em  Deus  e  na  sua  providência.  A  verdadeira    é  fortalecida  e  provada  nos momentos mais críticos da vida (1 Pe 1.7).

   I - A PROPOSTA DE NOEMI

1     1.   UMA CRISE EM FAMÍLIA

  Não  sabemos  quanto  tempo  Elimeleque  viveu  em  Moabe.  A  narrativa bíblica  indica  que  a  família  permaneceu  junta  por  algum  período  (Rt  1.2).Algum  tempo  depois,  morreu  Elimeleque,  deixando  a  sua  esposa,  Noemi,com  os  seus  dois  filhos,  Malom  e  Quiliom,  que,  à  época,    tinham  idade para  casarem-se.  Apesar  de  não  haver  idade  mínima  para  o  casamento  no mundo  antigo  (Yamauchi,  2023,  p.  397),  os  homens,  pelo  menos,  não  se casavam muito cedo. Isaque, por exemplo, casou-se aos 40 anos (Gn 25.20).

  Malom,  o  filho  mais  velho,  casou-se  com  Rute.  Quiliom  casou-se  com Orfa.  O  texto  sagrado  informa  que  a  família  belemita  ficou  em  Moabe“ quase  dez  anos”  (1.4),  o  que  corresponde,  provavelmente,  a  todo  o  tempo de  permanência  desde  a  chegada  àquelas  terras.  Ao  fim  desse  período,morreram Malom e Quiliom. Estudiosos do Antigo Testamento consideram que  a  morte prematura  dos  filhos  de  Noemi  deveu-se às  condições  de  saúde de  ambos,  que  não  seria  boa  desde  a  infância.  Conforme  Leon  Morris,(1986,  p.  233),  “Malom  possivelmente  é  derivado  da  raiz  hlh  ‘estar  fraco’  ou‘doente’”,  assim,  “neste  caso,  teria  sido  uma  criança  doentia”,  completa Morris.  O  mesmo  autor  afirma  que  “Quiliom  também  é  nome  que  tem conotações  desagradáveis,  visto  que  significa  algo  como  ‘definhando’,‘falhando’ ou mesmo ‘destruição’”.

  Malom  e  Quiliom  deixaram  viúvas  as  moabitas  Rute  e  Orfa.  O significado  geralmente  atribuído  ao  nome  de  Rute  é  “amizade”.  Quanto  ao nome  de  Orfa,  Morris  diz  que  “aparentemente  é  da  mesma  raiz  da  palavra hebraica  para  ‘pescoço’  (orep)”.  “Se  na  língua  moabita  as  palavras  forem similares,  o  nome  poderia  significar  ‘firmeza’  (cf. ‘pescoço  duro’)”,  completa Morris.  Com  a  morte  do  marido  e  dos  filhos,  a  vida  de  Noemi  (heb.,“agradável”,  “amável”,  “deleitável”)  tornou-se  amarga,  como  ela  mesma diria  tempos  depois,  preferindo  ser  chamada  de  Mara  (“amarga”,“amargosa”) (Rt 1.20).

2. TIRANDO FORÇA DA FRAQUEZA

   Nenhuma família está livre de viver tragédias, nem mesmo as mais piedosas.O  que  dizer  da  família  de  Jó,  que  tinha  como  sacerdote  um  homem “sincero,  reto  e  temente  a  Deus;  e  [que]  desviava-se  do  mal”  (Jó  1.1)?  A família,  como diz  Every-Claiton  (2020,  p. 13),  é  a célula  em  que  age o  Deus da  história.  Noemi  não  tinha  consciência  disso  enquanto  enfrentava  o furacão de problemas  que lhe roubou a  alegria, assim como  cada um de nós não consegue, em tempos de crise, compreender claramente o que o Senhor está  querendo  de  nós  por  meio  dos  processos  nos  quais  faz  passar.  Como observa  Cabral (2023,  p.  86),  Noemi não  podia  imaginar  o  plano presciente do  Senhor  em  todas  aquelas  circunstâncias.  A  questão,  contudo,  não  é tentar explicar  as tragédias, como  se tivéssemos domínio  racional sobre elas,mas  comportar-nos  de  um  modo  responsável,  perseverando  no cumprimento  de  nossos  deveres,  mesmo  que  não  vejamos  luz  alguma  no fim  do  túnel.  Acima  de  tudo,  precisamos  continuar  confiando  em  Deus.Mesmo  que  seja  difícil,  se  tivermos  desenvolvido  um  relacionamento  com  o Todo-Poderoso,  conheceremos  o  seu  caráter  santo,  justo  e  bom  e confiaremos  que  “todas  as  coisas  contribuem  juntamente  para  o  bem daqueles  que  amam  a  Deus,  daqueles  que  são  chamados  por  seu  decreto”(Rm 8.28).

  Essa  reverente  confiança  nada  tem  a  ver  com  a  negação  da  realidade.Não  é  sábio viver  um  cristianismo  triunfalista,  que  não admite  que  o  cristão possa  enfrentar  dificuldades,  frustrações,  perdas  e  sofrimentos.  Todas  as pessoas,  inclusive  as  cristãs,  estão  sujeitas  a  grandes  tragédias;  a  diferença  é como  cada  um  comporta-se  em  meio  às  tempestades  da  vida  (Ef  6.13;  Mt7.24-27).  Salomão  escreveu:  “Quando  os  dias  forem  bons,  aproveite-os bem;  mas,  quando  forem  ruins,  considere:  Deus  fez  tanto  um  quanto  o outro,  para  evitar  que  o  homem  descubra  alguma  coisa  sobre  o  seu  futuro”(Ec 7.14 – NVI).

  Noemi  soube  ser  equilibrada  em  meio  à  profunda  crise  que  estava vivendo:  ela  não  escondeu  os  seus  sentimentos,  mas  também  não  os explorou  com  autopiedade  ou  autocomiseração.  Isso  pode  ser  observado pelas  atitudes  que  teve  em  dois  momentos  distintos.  O  primeiro  foi  quando “se  levantou  ela  com  as  suas  noras  e  voltou  dos  campos  de  Moabe, porquanto,  na  terra  de  Moabe,  ouviu  que  o  SENHOR  tinha  visitado  o  seu povo,  dando-lhe  pão”  (Rt  1.6).  Noemi  estava  desolada,  mas  não  ficou prostrada.  Não  podemos  deixar  de  agir  e  cumprir  nossas  obrigações  diárias quando  as  tristezas  querem  nos  consumir.  Fazer  o  que  precisa  ser  feito  a cada  dia  e  todo  o  dia  é  um  segredo  para  não  sucumbir  em  meio  às  crises.Nossos  deveres  diários  contribuem,  e  muito,  para  o  processo  de  superação de  nossas  angústias.  Salomão  escreveu:  “Se  você  vacila  no  dia  da dificuldade, como será limitada a sua força!” (Pv 24.10, NVI).

    na  NAA,  aparece  o  adjetivo  “fraco”  nesse  mesmo  versículo:  “Se  você se  mostra fraco  no  dia  da angústia,  é  porque a  sua  força  é pequena”.  Trata-se  de  “raphah”,  no  hebraico,  com  o  sentido  de  “afundar”,  “relaxar”,  “deixar cair”; ou seja, tem a ver  com a atitude pessoal tomada durante a crise,  e nãocom o estado interior. No aspecto subjetivo, angústia; mas, na prática,  ações concretas,  iniciativas.  Quando  soube  que  o  Senhor  havia  abençoado  o  seu povo,  “se  levantou  ela”,  ou  seja,  Noemi,  com  as  suas  noras  para  voltar  a Belém  (Rt  1.6,7).  A  atitude  de  Noemi  é  própria  de  quem  tem  espírito  de liderança.  Mesmo  em  meio  à  tristeza  e  à  dor  que  sentia  pela  perda  do marido e dos filhos, Noemi não ficou prostrada. A distância entre os campos de  Moabe  e  Belém  era  superior  a  120  quilômetros.

   Idosa,  Noemi  teria  que subir  e  descer  montanhas  em  tempos  tão  remotos,  viajando  não  se  sabe  por quais  meios  de  transporte  e  suportando  as  intempéries  climáticas  (Cabral,2016,  p.  95).  Ela  soube  tirar  força  da  fraqueza  (Hb  11.34).  Se  tivesse  se entregado  aos  seus  sentimentos,  jamais  teria  tomado  uma  decisão  tão corajosa.A  lição que  tiramos  desse exemplo  de Noemi  é:  os problemas  da  vida nãopodem  nos  paralisar  (Pv  24.10).  Depois  da  crise,  vem  a  bonança.  Noemi experimentou  essa  verdade,  como  veremos  mais  à  frente  na  história.  As desistências  fazem-nos  perder  bênçãos  extraordinárias.  Confiar  em  Deus  e seguir  em  frente  é  sempre  o  caminho  certo.  Nas  atitudes  práticas,  de  nossa responsabilidade,  está  a  parte  da  terapia  que  pode  ajudar-nos  a  superar  os dramas da vida.Desistir  de  objetivos  comuns  da  vida  tem  sido  altamente  prejudicial  para a  saúde  emocional  e  espiritual  de  muitas  pessoas.  Noemi  levantou-se  evoltou para Belém.

  Outra extraordinária lição que  nos transmite Noemi é a importância de  não usar nossos quadros tristes da  vida para manipular e explorar as pessoas  que nos  cercam.  Além  de  conservar-se  ativa,  Noemi  soube  equilibrar  as  suas emoções  com  a  assunção  das  suas responsabilidades,  não  se  vitimizando diante  das  suas  noras,  tentando  constrangê-las  a  permanecer  junto  dela.  É razoável  entender  que  uma  mulher  idosa  precisa  mesmo  de  alguém  para fazer-lhe  companhia  e  oferecer  cuidados    como  fez  Rute  a  Noemi  —,  só que  esse  tipo  de  relacionamento  não  pode  ser  construído  com  base  em manipulações.  Rute  e  Orfa  decidiram  voluntariamente  acompanhar  Noemi de volta a Belém.

  O  texto bíblico  informa-nos que  elas  puseram-se de  caminho junto  com  a sogra:  “Pelo  que  saiu  do  lugar  onde  estivera,  e  as  suas  duas  noras,  com  ela[...]” (Rt 1.7).  Não se sabe que  distância percorreram, mas  não deve ser sido longa.  A  narrativa  permite-nos  entender  que,  tão  logo  começaram  a viagem,  Noemi  decidiu  liberar  Rute  e  Orfa  para  que  voltassem  à  casa  dos pais  (Rt  1.7,8;  2.11).  Mesmo  de  avançada  idade,  Noemi  pensou  primeiro nas  suas noras  e no  futuro  delas. As  noras tinham  cumprido bem  o  papel de esposas,  assim  como  eram  dedicadas  à  sogra.  De  volta  às  suas  origens,poderiam casar novamente e constituir família (Rt 1.8-13).

  Noemi  assumiu  a  sua  condição  pessoal  sem  apelar  aos  sentimentos  das noras.  Esse  tipo  de  conduta  é  fundamental  para  a  construção  de relacionamentos  saudáveis.  Ter  dependência  patológica  de  outra  pessoa  é sintoma  de  profunda  carência  afetiva.  Embora  dependamos  uns  dos  outros,não  é  possível  sustentar  uma  boa  convivência  se  não  houver interdependência,  manifestada  em  reciprocidade,  mutualidade,compartilhamento,  cooperação,  equilíbrio  e  confiança.  Pessoas  que  sofrem de  carência  afetiva  terminam  tornando-se  um  grande  peso  em  qualquer relacionamento.  Quando  isso  se  agrava,  costuma  atingir  níveis  perigosos,que  se  exteriorizam  das  formas  mais  diversas.  O  ciúme  desmedido  é  um desses terríveis quadros produtores de tragédias.

  O  excessivamente  carente  usa  a  sua  doentia  condição  para  manipular  os outros.  Não  raras  vezes,  esses  quadros  são  sustentados  por  problemas espirituais  não  resolvidos  (ou  mal  resolvidos);  falta  de  maturidade  espiritual;ausência  de  uma vida  cristã  autêntica,  na  correta  compreensão do  que  é  ser discípulo  de Cristo  (Lc  9.23).  A manipulação  é  sutil  e  costuma manifestar-se desde  a  infância  (Pv  20.11).  O  pecado  não  escolhe  idade.  Pais  permissivos mostram-se  emocionalmente  fracos  diante  dos  filhos  e  tornam-se  presas fáceis  das  suas  manipulações.  Desse  tipo  de  criação,  vêm  adultos

emocionalmente  débeis,  com  baixo  nível  de  maturidade  e  independência emocional    e  isso  também  se  reflete  no  aspecto  espiritual.  Pessoas emocional  e  espiritualmente  sadias  não  são  manipuladoras;  buscam    o quanto  podem    resolver  os  seus  próprios  problemas,  entendendo  os limites  de  uma  dependência  mútua  saudável,  numa  vida  de  cooperação  e reciprocidade.

  II A CONVICÇÃO AMOROSA DE RUTE

1.  UMA AMIZADE PROVADA E APROVADA

   Por  que  Rute persiste  e  Orfa  desiste?  O  sentimento e  a  força  moral  de  Orfa não  eram  tão  intensos  quanto  os  de  Rute.  Isso  ficou  demonstrado  na  sua decisão  após  a  insistência  de  Noemi  para  que  ficassem  em  Moabe.  Num primeiro  momento,  Orfa  não  atendeu  a  palavra  de  Noemi.  Assim  como Rute, beijou  a  sogra e,  chorando em  alta voz,  garantiu  que a  acompanharia na  viagem de  volta ao  seu  povo (Rt  1.9,10). Noemi  insiste para  que  as noras voltem  para  a  casa  dos  pais.  Ela  não  poderia  oferecer  a  elas  outros  filhos para que se casassem (Rt 1.11-13).2

  As palavras  de Noemi  certamente levaram  Orfa a  refletir um pouco  mais. Embora  fosse  apegada  à  sogra,  realmente  não  havia  indicação  alguma  deque  pudesse  ter  um  futuro  melhor  ao  lado  de  uma idosa  pobre  e  sem  filhos.

  Isso  deve  ter  pesado  na  decisão  de  Orfa,  além  do  fato  de  não  haver  no  seu coração  uma  convicção  profunda  de  que  devesse  escolher  o  caminho  da dificuldade,  rejeitando  o  estilo  de  vida  dos  moabitas,  com  as  suas licenciosidades  e idolatrias.  Não é  demais  tirar essa  conclusão do  texto  pelas palavras de Noemi após a decisão de Orfa (Rt 1.14,15).

  A fé  de Orfa  era  emotiva, porém  fraca. Infelizmente,  muito se  vê disso  no cristianismo  evangélico  atual.  Pessoas  que  se  emocionam  e  choram,  masque  são  desprovidas  de  convicção  na  hora  de  tomar  atitudes  ao  lado  da verdade do evangelho. Como diz Matthew Henry: “Fortes sentimentos, sem uma  opinião  bem  definida,  normalmente  produzem  decisões  fracas”  (2022,p.  196).  O  mesmo  autor  observa:  “Aqueles  que  assumem  uma  profissão  de fé somente  por complacência  dos parentes,  ou para  agradar seus amigos,  ou por  causa  da  companhia,  serão  convertidos  por  pouco  tempo”  (ibid.,  p.197).

   Orfa  voltou  “ao  seu  povo  e  aos  seus  deuses”,  o  que  demonstra  não  ter sido uma  mera decisão de  voltar para a  casa dos pais,  à espera de  uma nova oportunidade  de  casamento.  Foi  um  retorno  ao  modus  vivendi  moabita,  que incluía  o  culto  politeísta,  de  cujo  panteão  Quemos  era  o  deus  principal.3Orfa  convenceu-se  de  que  ficar  em  Moabe  era  o  melhor  para  ela.Chorando,  abraçou  a  Noemi  e  voltou  para  o  seu  povo.  Rute,  porém,apegou-se  a Noemi  (Rt  1.14). A  firmeza  e o  altruísmo  de  Noemi novamente se  revelam,  insistindo  para  que  Rute  fizesse  o  mesmo  que  a  sua  cunhada(1.15).  A  atitude  de  Noemi  extraiu  o  que  havia  no  mais  íntimo  de  Rute:uma  convicção  amorosa  por  sua  sogra,  além  de  uma  declaração  de    no Deus  de  Israel  (1.16).  As  verdadeiras  amizades  resistem  às  mais  intensas provas.

  Abraão, que recebeu o título de amigo de Deus (Tg 2.23), teve o seu amor ao  Senhor  provado  de  forma  absolutamente  intensa,  com  o  pedido  de entrega  do  próprio  filho.  Deus  estava  extraindo  de  Abraão  algo  mais intenso  e  puro,  demonstrado  através  da  extraordinária  oferta  de  Isaque.  É isso  que podemos  entender  da expressão  do  Anjo  do Senhor:  “[...]  agora sei que  temes  a  Deus  e  não  me  negaste  o  teu  filho,  o  teu  único”  (Gn  22.12).

  Assim  como  Noemi, Deus  quer  que  tenhamos  um  relacionamento sincero  e profundo com  Ele, pautados  numa entrega  total. As  provas servem para  Ele extrair  o  que  realmente    em  nosso  coração.  Se  respondemos afirmativamente,  com  obediência  e  fé,  o  Senhor  agracia-nos  com  a  sua terna,  profunda  e  providencial  amizade:  “Vós  sereis  meus  amigos,  se fizerdes  o  que  eu  vos  mando”  (Jo  15.14).  Isso  resulta  em  muitas  bênçãos. Dentre  elas,  um  conhecimento  maior  de  seus  mistérios  (“[...]  tenho-vos  chamado amigos,  porque  tudo  quanto  ouvi  de  meu  Pai  nos  tenho  feito  conhecer”)  e acesso  para  recebermos o  que  lhe  pedimos  (“[...]  a  fim  de  que  tudo  quanto  em  meu nome  pedirdes  ao  Pai  ele  vos  conceda”)  (Jo  15.15,16).  Veremos  nos próximos  capítulos  como  isso  se  tornou  realidade  na  vida  de  Rute,  que,aliás, recebeu muito além do que pedia ou pensava (Ef 3.20).

  As  verdadeiras  amizades  não  cedem  às  conveniências  ou  pressões  do momento.  Amigo  que  muda  de  lado  facilmente  ao  sabor  dos  seus  interesses não  é amigo  verdadeiro. A  amizade  de Rute  e Noemi  mostrou-se  realmente profunda  e  surpreendente.  Salomão  escreveu:  “O  amigo  ama  em  todos  os momentos;  é  um  irmão  na  adversidade”  (Pv  17.17    NVI).  No  período  da monarquia  judaica,  temos  o  belo  exemplo  da  amizade  entre  Davi  e  Jônatas(1  Sm  18.1)  a  despeito  da  fúria  do  rei  Saul.  A  disposição  de  Jônatas  em  ser amigo  de  Davi  mostrou-se  mais forte  que  as  injustas  investidas  do  seu  pai  (1Sm 20.1-4).

  Rute  também  estava  disposta  a  enfrentar  toda  e  qualquer  dificuldade  em nome  do  sentimento  que  devotava  a  Noemi.  As  expressões  “onde  quer  que pousares  à  noite,  ali  pousarei  eu”  e  “onde  quer  que  morreres,  morrerei  eu”(Rt  1.16,17)  demonstram  o  grau  de  companheirismo  e  comprometimento da  jovem  moabita,  que  não  ficou  somente  em  palavras,  mas  transformou-se em  atitudes  concretas  por  toda  a  vida.  Em  dias  de  tanto  individualismo,uma  reflexão  que  precisamos  fazer  é  quanto  ao  nível  de  nossos relacionamentos.  O  sociólogo  e  filósofo  polonês  Zigmunt  Bauman  (1925–2017),  que  muito  escreveu  sobre  modernidade  líquida,  costumava  apontar para as  fragilidades das  amizades atuais,  que são  tão múltiplas e  mostram-se tão  “quentes”  no  ambiente  virtual,  mas  que  são  tão  poucas  e  incrivelmente frias  na  vida  real.  O  tipo  de  companheirismo  e  comprometimento  de  Rute às  vezes não  se é  visto  nem mesmo  no ministério  da  igreja.4 O  cristão  tem  o imperativo  de  amar  uns  aos  outros  (Jo  13.34),  combustível  indispensável para amizades verdadeiras e duradouras.

3.UM

  O  amor  de  Rute  não  era  apenas  verbal  ou  sentimental;  era  prático.Chegando  a  Belém,  Rute  não  ficou  parada,  envolta  em  expectativas fantasiosas. Ela dedicou-se ao trabalho diário nos campos de Belém (Rt 2.2).

  Está  crescendo  em  nossos  dias  a  chamada  Teologia  do  Coaching,  que,embora  reúna  conselhos  práticos    muitos  deles  extraídos  das  Escrituras Sagradas  —,  tem  sido  crida  por  muitos  como  um  meio  fácil  de  alcançar sucesso  na  vida.  Isso  produz  uma  espiritualidade  superficial,  que desconsidera  a  necessidade  de  percorrer  caminhos  difíceis,  porém  reais,  e  a prática  fiel  e  perseverante  dos  princípios  da  Palavra  de  Deus  sem  elevadas pretensões, como fez Rute na sua dura vida em Belém.

  A  justiça  de  Deus  não  combina  com  uma  espiritualidade  que  imagina  a possibilidade  de  cortar  caminhos,  valendo-se  de  uma  espécie  de  “poções mágicas”.  Conquanto  não  devamos  ser  radicais,  também  não  devemos  ser ingênuos,  como  meninos  na    (cf.  Ef  4.14).  O  amor  de  Rute  era  prático, assim  como  a  sua  espiritualidade.  Ela  confiava  no  Deus  de  Noemi,  o  Deus de Israel,  o que demonstrou através  de atitudes firmes,  sérias, responsáveis e puras.

  Repartição e Responsabilidade

  O  princípio  bíblico  extraído  de  Rute  e  o  seu  trabalho  nos  campos  de  Boaz—  que  reflete  o  ensino  dos  dias  de  Moisés    é:  os  ricos  não  podem  reter para  si  toda  a  riqueza  (lei  da  repartição),  mas  também  não  são  obrigados  a alimentar  o  ócio  dos  pobres,  que  deveriam  ir  ao  campo  e  trabalhar  duro para  garantir  o  seu  sustento  (lei  da  responsabilidade).  Exceto  nos  casos  de incapacidade  física  ou  mental,  o  mesmo  princípio  vige  até  hoje  (Gn  3.19;  2Ts 3.10-13).  A Bíblia  tem  ensino para  todas as  áreas de  nossa vida,  inclusive para  o cuidado  dos  órfãos  e  das viúvas,  sendo,  em  relação a  estas,  específica quanto ao dever primário da família (cf. 1 Tm 5.4,8).

  Fica  evidente,  portanto,  que  as  Escrituras  não  sancionam  um assistencialismo  sem  critérios.  Rute  dedicou-se  ao  cuidado  da  sua  sogra,  a viúva  Noemi.  Por  isso,  trabalhou  muito  nos  campos  de  Boaz.  O  seu  esforço foi  logo  notado,  impressionando  o  chefe  dos  trabalhadores.  No  fim  do  dia,Rute  recolhia  tudo  e  levava  para  a  sogra  (Rt  2.7,17,18),  tendo,  inclusive,  o cuidado  de  reservar  para  Noemi  o  que  sobrava  do  seu  próprio  alimento diário (Rt  2.17,18). Que exemplo  extraordinário! Como  escreveu o apóstolo João,  devemos  amar  não  “da  boca  para  fora,  mas  de  fato  e  de  verdade”  (1Jo 3.18, NAA). Rute não apenas dizia amar; ela praticava o amor.

 III.A CONVICÇÃO DA MULHER: “ O TEU DEUS É O MEU DEUS”

1.  UMA FÉ FERVOROSA

  Um  dos  sinais  do  fim  dos  tempos  é  a  apatia  espiritual  (Mt  24.12;  Lc  18.8-17).  Vivenciamos  uma  realidade  preocupante  para  muitas  igrejas  locais  e para  o  cristianismo  evangélico  em  geral,  com  esfriamento  do  amor  e  o surgimento  de  muito  misticismo  em  vez  de    genuína.  Um  tempo  em  que cresce  um profetismo  de pouca  autenticidade  — às  vezes, nenhuma.  Não  se trata  de  uma  visão  pessimista,  mas  realista,  à  luz  das  claras  previsões escriturísticas.  Apesar  disso,  não  devemos  nos  conformar.  Rute  nos    o exemplo de uma  fé fervorosa; uma fé  viva e não  morta, conforme os ensinos de  Tiago  (Tg  2.14-18).  A  sua  declaração  convicta  perante  Noemi  (Rt  1.16)demonstra a  sua profunda  devoção ao Deus  de Israel,  sob cujas  asas decidiu abrigar-se  (2.12). O seu  fervor  é  demonstrado  nas  suas  atitudes.  Rute renunciou  ao  modelo  de  vida  frívolo  dos  moabitas  e  não  seguiu  caminhos fáceis  entre os  belemitas  (3.10);  ela manteve  uma  vida  austera  e disciplinada e alcançou uma excelente reputação (3.11).

  A    de  Rute  foi  inspirada  na  vida  e  crença  da  sua  sogra.  Ao referir-se  ao Deus  de  Noemi,  dava  testemunho  da  sua  fé.  Em todos  os  tempos,  as mulheres  mais  velhas  têm  a  missão  de  resistir  aos  ventos  da  superficialidade espiritual,  sendo  piedosas,  dedicadas  a  Deus  e  à  família,  a  despeito  das pressões  da  sociedade  mundana .  Somente assim  poderão  inspirar  e  ensinaras  mais  novas  (Tt  2.3-5).  A participação  da  mulher,  portanto,  é  vital  em nossos esforços de manter viva a fé que uma vez foi dada aos santos (Jd 3).Não    dúvida  de  que  as  mulheres  também  são  dotadas  de  talentos  e  dons(naturais  e espirituais),  que  podem  ser  (e são)  muito  úteis  no Reino  de  Deus.Contudo,  é  inafastável  que  também  se  reconheça  que  Deus  deu  ao  homem a  missão  de  liderar,  o  que  começa  no  seio  da  família,  em  decorrência  do sistema  patriarcal  estabelecido  pelo  Criador.  Como  escreve  o  pastor  Elienai Cabral (2023, p. 94, 96):

 Antes de  tudo,  o  sistema  patriarcal  foi  criado  por  Deus  [...]. O líder  da  família  é  sempre  o  pai, não  a  mãe.  A mãe  corrobora  com  o  pai  para  que  a  disciplina  tenha  sempre  um  caráter  de responsabilidade  mútua  da  parte  do  casal.  Os pais  devem  ensinar  os  seus  filhos  quanto  à bondade, à gentileza,  às prioridades de suas vidas,  o falar correto e o  controle das emoções. Tudo isso é primordialmente trabalho do chefe da família, o pai.

  Isso não  é  diferente  no  âmbito  da  Igreja.  As  mulheres  têm  muito  a contribuir  com  a  obra  de  Deus,  e  assim  o  fazem  em  diversas  áreas  do serviço  cristão.  O  Senhor,  contudo,  também  reservou  ao  homem  a liderança  no  contexto  eclesiástico,  assim  como  ocorreu  na  Antiga  Aliança,no  Sacerdócio  Levítico.  (No livro  Sejam  Firmes –  um  comentário  às  Epístolas Pastorais,  abordo  esse  tema  à  luz  do  que  Paulo  escreveu  na  sua  primeira carta  a  Timóteo  (1 Tm 2.11-14),  além  de  outros  textos,  como  1  Coríntios14.34,35,  que  não  deixam  dúvidas  sobre  a  inexistência  de  fundamento bíblico para o pastorado feminino.

  Como    escrevi,  os  textos  paulinos  muito  incomodam  os  teólogos progressistas,  que  não  se  conformam  com  ensinos  que  contrariam  as  suas próprias  visões  de  temas  relativos  a  pautas  como,  por  exemplo,  o  ministério feminino.  Como  também  saliento  no  precitado livro,  as  mulheres  aparecem em  vários  pontos  do  Novo  Testamento  como  importantes  cooperadoras  (At16.11-15;  18.24-26;  Rm  16.1-5;  Fp  4.3;  Cl  4.15).  O  que  não    nas Escrituras  é  fundamento  para  o  ministério  feminino  de  liderança  ou pastoreio de igrejas.

  O mais  sábio,  portanto,  é  que  as  mulheres  cristãs  não  percam  o  foco,entregando-se a discussões  e disputas carnais, que não produzem  edificação,mas  concentrem  a  sua    e  devoção  em  servir  a  Deus  no  glorioso  serviço cristão,  como valorosas  cooperadoras. Afinal, como  enfatizam as  Escrituras,as  mulheres  têm  muito  a  contribuir,  eis  que  são  dotadas  não  apenas  de talentos,  mas  de  profunda  sensibilidade  espiritual.  Um exemplo  disso  é  o fato de terem sido as primeiras a testemunhar e crer na ressurreição de Jesus(Lc  24.1-10;  Jo  20.11-18).  É de  grande  valor  quando  esse  extraordinário potencial  feminino  é  reconhecido  e  floresce  sob  uma  liderança  séria,  que orienta o trabalho  da mulher, evitando que  seja explorada na  sua fé (Fp 4.3;Rm 16.12; Mc 12.38-40; 2 Tm 3.6,7).

  CONCLUSÃO

  O  relacionamento  de  Noemi  e  Rute  ensina-nos  quão  precioso  é  o  amor altruísta  para  Deus.  Ao pensarem  uma  na  outra  e  dedicarem-se  ao  cuidado mútuo,  ambas  foram  alcançadas  pelo  favor  divino  (Rt  4.13-17).  Em um mundo tão narcisista,  o Senhor  espera que  nos doemos  mais  uns aos  outros.A  família  é  o  primeiro  ambiente  em  que  o  amor  deve  ser  praticado  (1  Tm5.8). O segundo é nossa igreja local.

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1  Em  tempos  mais  remotos  do  Antigo  Testamento,  Belém  era  chamada  de  “Efrata”,  conformeGênesis  35.16,19  e  48.7.  Assim,  Efrata  é  o  nome  antigo  de  Belém.  Em  Miqueias  5.2,  os  dois  nomesaparecem juntos: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá [...].” Nesse sentido,“efrateu” é sinônimo de belemita. Pode ser, também, que Belém tenha sido um distrito de Efrata, quecorresponderia  a  uma  área  maior  nas  terras  de  Judá,  nas  cercanias  de  Jerusalém  (Wycliffe,  p.  276,

608).  É  isso  que  parece  sugerir  o  texto  de  1  Samuel  17.12:  “E  Davi  era  filho  de  um  homem,  efrateu,de Belém de Judá, cujo nome era Jessé [...]”.

2 Noemi já  se refere nessa passagem  à lei do  levirato, sobre a  qual provavelmente já  havia conversadocom as noras. Isso indica que Noemi transmitia às moabitas quais eram os costumes e leis de Israel.

3  Conforme  o  Dicionário  Bíblico  Wycliffe  (p.  770),  Quemos  era  adorado  por  meio  do  sacrifício  decrianças.  Moloque  pode  ser  um  título  dado  ao  próprio  Quemos,  que  também  era  adorado  pelosamonitas (Jz 11.24). É mencionado em textos como Números 21.29, 1 Reis 11.7 e Jeremias 48.46.

4 Abordo o tema “Valorizando o Companheirismo” no livro Maturidade Espiritual do Líder,  editado  pelaCPAD (2017, p. 87/101).

  CPAD : O Deus Que Governa o Mundo e Cuida da Família – Os Ensinamentos Divinos nos livros de Rute e Ester para a Nossa Geração

 


 

2- Qual o significado de “goel” e “Levir”?
“Goel”, ou seja, o resgatador da terra que o falecido havia vendido (Rt 4.3). “levir”, o irmão do cunhado.
3- Qual o versículo chave do livro de Rute?
O versículo chave do livro é uma declaração feita por ele a Rute: “O Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar” (2.11).

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