TEXTO ÁUREO
“O Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor,
Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.” (Rt 2.12)
VERDADE PRÁTICA
O verdadeiro e puro modelo de bondade é servir uns aos outros de coração,
confiando na fidelidade e justiça de Deus
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE
Rute 2.1-14; 11, 12 14
1 – E tinha
Noemi um parente de seu marido, homem valente e poderoso, da geração de
Elimeleque; e era o seu nome Boaz.
2 – E Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas
atrás daquele em cujos olhos eu achar graça. E ela lhe disse: Vai, minha filha.
3 – Foi,
pois, e chegou, e apanhava espigas no campo após os segadores; e caiu-lhe em
sorte uma parte do campo de Boaz, que era da geração de Elimeleque.
4 – E eis que Boaz veio de Belém e disse aos segadores: O Senhor seja convosco.
E disseram-lhe eles: O Senhor te abençoe.
11 – E respondeu Boaz e disse-lhe: Bem se me contou quanto fizeste à tua sogra,
depois da morte de teu marido, e deixaste a teu pai, e a tua mãe, e a terra
onde nasceste, e vieste para um povo que, dantes, não conheceste.
12 – O
Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor, Deus de
Israel, sob cujas as os te vieste abrigar.
14 – E, sendo já hora de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão,
e molha o teu bocado no vinagre. E ela se assentou ao lado dos segadores, e ele
lhe deu do trigo tostado, e comeu e se fartou, e ainda lhe sobejou
PLANO
DE AULA
1-
INTRODUÇÃO
A presente lição tem como tema o encontro de Boaz
com Rute. Boaz aparece no capítulo dois do livro como um homem próspero e
respeitado por todos. Ele tratou Rute como muito respeito. Nesse encontro,
percebemos como Deus estava agindo para solucionar um problema familiar e, ao
mesmo, configurar todo um plano de salvação que seria plenamente revelado em
Jesus Cristo, o nosso Salvador.
2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição:
I) Apresentar a proposta de Noemi;
II) Abordar a convicção amorosa de Rute em relação a sua sogra;
III) Refletir a respeito da lei da semeadura na colheita de Rute.
B) Motivação: O encontro de Boaz com Rute revela a
preciosa soberania de Deus conduzindo a história de uma mulher. Muitas vezes
não compreendemos os caminhos que encontramos na vida. Entretanto, sabemos que
tudo contribui para o bem dos que amam a Deus. A vontade de Deus é perfeita e
agradável.
C) Sugestão de Método: No segundo tópico, temos um contraste muito
interessante. Uma postura verdadeira de homem, acompanhada por ternura e
respeito. Nesse sentido, enfatize o subtópico, “A pureza não exclui a ternura”.
Mostre, principalmente, aos homens da classe a Bíblia ensina que o homem deve
exercer liderança e, ao mesmo tempo, transmitir carinho à esposa e aos filhos,
de maneira gentil e generosa. Numa família, é importante corrigir e,
igualmente, demonstrar afeto ao cônjuge e aos filhos. Isso traz segurança e
equilíbrio a todos.
3-
CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: A lição desta semana nos ensina a
depender de Deus, a confiar nos seus desígnios. Com respeito e sensibilidade
espiritual, devemos viver a nossa vida cristã honrando a Deus e esperando que o
seu propósito e desígnios se revelem em nossas vidas.
4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que
traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à lições Bíblicas
Adultos. Na edição 98, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta
lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão
suporte na preparação de sua aula:
1) O texto “Boaz” , localizado após o primeiro tópico, destaca o perfil e o
caráter desse personagem;
2) O texto “O Contexto Histórico do Trabalho de Rute”, localizado após o último
tópico, apresenta detalhes sobre o labor na colheita.
INTRODUÇÃO
Na lição anterior, o assunto central foi a amizade
entre Noemi e Rute, sogra e nora. Nesta, um novo personagem entra em cena:
Boaz, o parente remidor. Veremos como o Deus da providência recompensa os que
se doam a bons relacionamentos.
Palavra-Chave:
Encontro
AUXÍLIO
VIDA CRISTÃ
“BOAZ
Os heróis são mais fáceis de se admirar do que de
definir. Eles raramente percebem seus instantes de heroísmo, e outras pessoas
não podem reconhecer seus atos como heróicos. Eles simplesmente fazem a coisa
certa no momento certo, quer percebam ou não o impacto causado por sua ação.
Talvez a qualidade que compartilham seja uma tendência a pensar nas outras
pessoas antes de si mesmos. Boaz era um herói. Ao lidar com as pessoas, era
sempre sensível às suas necessidades. Suas palavras para com seus empregados,
parentes e outros eram generosas. Ele oferecia ajuda abertamente, não de má
vontade. Quando descobriu quem era Rute, tomou várias atitudes para ajudá-la
porque ela fora útil à sua sogra Noemi. Quando Noemi aconselhou Rute a pedir
sua proteção, ele estava pronto a casar-se com ela, caso as implicações legais
pudessem ser solucionadas” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro:
CPAD, 2004, p.358).
AUXÍLIO
VIDA CRISTÃ
“O
CONTEXTO HISTÓRICO DO TRABALHO DE RUTE
Quando o trigo e a cevada estavam prontos para serem
colhidos, os ceifeiros eram contratados para cortar os talos e juntá-los em
feixes. A lei israelita mandava que as laterais dos campos fossem deixadas de
lado. Além disso, os grãos que caíam ficavam no chão para as pessoas pobres,
que os apanhavam (ato de respigar) e usavam como alimento (Lv 19.9; 23.22; Dt
24.19). O propósito desta lei era alimentar o pobre e impedir que os donos os
armazenassem. Esta legislação fazia parte do programa de bem-estar em Israel. Por
ser uma viúva sem meios de sustentar a si própria, Rute foi ao campo de Boaz
apanhar estes grãos. Rute foi para uma terra estranha. Ao invés de depender de
Noemi ou esperar que algo de bom acontecesse, tomou a iniciativa e foi
trabalhar. Não titubeou em admitir sua necessidade e buscou meios para
supri-la. Quando saiu ao campo, Deus proveu-lhe todas as coisas. Se você espera
pela provisão do Senhor, considere isto. Provavelmente Ele aguarda o seu
primeiro passo, o qual demonstrará a importância de sua necessidade. O trabalho
de Rute, embora servil, cansativo e talvez degradante, foi feito fielmente.
Qual é a sua atitude quando sua tarefa não corresponde com o seu verdadeiro
potencial?” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004,
p.358).
CONCLUSÃO
A atitude de fé de Rute estava sendo recompensada.
Sua prontidão em cuidar da sogra levou-a a encontrar conforto e proteção
naquele que seria o resgatador de toda a família e que a incluiria na
genealogia do Redentor da humanidade. O Deus de Rute é o nosso Deus. Ele
continua agindo por aqueles que decidem se abrigar debaixo de suas asas.
Confiar nEle e viver fazendo o que lhe agrada é o meio infalível de alcançar
sua misericórdia e favor.
CPAD : O Deus Que Governa o Mundo e Cuida da
Família – Os Ensinamentos Divinos nos livros de Rute e Ester para a Nossa
Geração
| Lição 04:
O Encontro de Rute com Boaz
O afetuoso e
inspirador relacionamento entre
Noemi e Rute
resultou de uma atitude
no mínimo paradoxal
do belemita Elimeleque.
No crítico período dos
juízes, um efrateu
deixa Belém por
causa da fome
que assolava Israel e
vai com a sua
família peregrinar nos
campos de Moabe.1
A
ação de Elimeleque — nome que,
no hebraico, significa “Meu Deus é Rei”
— não é objeto de
aprovação ou reprovação
expressa no texto
sagrado. Contudo, é mesmo um
paradoxo que um
judeu piedoso precisasse
deixar Belém (heb,Bethlehem, “casa do
pão”) em busca
de sobrevivência para
ele e a
família nos campos dos moabitas, um
povo pagão e
historicamente inimigo de
Israel.Decerto, não havia
um clima de
beligerância entre os
povos naquele período específico;
tanto é verdade
que os belemitas
encontraram franc oacesso a Moabe,
e famílias de efrateus
e moabitas entrelaçaram-se por meio de
vínculos conjugais. De
qualquer sorte, o
ato revela a
gravidade da crise em solo israelita, decorrente da
apostasia de Israel.Quanto a Elimeleque,
não há como deixar de considerar
que lhe faltou fé perseverante para
permanecer em Belém,
a despeito da
crise que vivenciava. Para os
que cogitam ter como
certa a atitude de
Elimeleque por ele estar buscando
garantir a sobrevivência
da sua família,
é preciso considerar que
justificar nossas decisões
vacilantes pelas circunstâncias adversas que
enfrentamos é uma
flagrante negação do
valor da confiança em
Deus e na
sua providência. A
verdadeira fé é
fortalecida e provada
nos momentos mais críticos da vida (1 Pe 1.7).
I - A PROPOSTA DE NOEMI
1 1. UMA CRISE EM
FAMÍLIA
Não sabemos
quanto tempo Elimeleque
viveu em Moabe.
A narrativa bíblica indica
que a família
permaneceu junta por
algum período (Rt
1.2).Algum tempo depois,
morreu Elimeleque, deixando
a sua esposa,
Noemi,com os seus
dois filhos, Malom
e Quiliom, que,
à época, já
tinham idade para casarem-se.
Apesar de não
haver idade mínima
para o casamento
no mundo antigo (Yamauchi,
2023, p. 397),
os homens, pelo
menos, não se casavam muito cedo. Isaque, por exemplo,
casou-se aos 40 anos (Gn 25.20).
Malom, o
filho mais velho,
casou-se com Rute.
Quiliom casou-se com Orfa.
O texto sagrado
informa que a
família belemita ficou
em Moabe“ quase dez
anos” (1.4), o que corresponde,
provavelmente, a todo o tempo de
permanência desde a
chegada àquelas terras.
Ao fim desse
período,morreram Malom e Quiliom. Estudiosos do Antigo Testamento
consideram que a morte prematura dos
filhos de Noemi
deveu-se às condições de
saúde de ambos, que
não seria boa
desde a infância.
Conforme Leon Morris,(1986,
p. 233), “Malom
possivelmente é derivado
da raiz hlh
‘estar fraco’ ou‘doente’”,
assim, “neste caso,
teria sido uma
criança doentia”, completa Morris. O
mesmo autor afirma
que “Quiliom também
é nome que
tem conotações
desagradáveis, visto que
significa algo como
‘definhando’,‘falhando’ ou mesmo ‘destruição’”.
Malom e
Quiliom deixaram viúvas
as moabitas Rute
e Orfa. O significado
geralmente atribuído ao
nome de Rute
é “amizade”. Quanto
ao nome de Orfa,
Morris diz que
“aparentemente é da
mesma raiz da
palavra hebraica para ‘pescoço’
(orep)”. “Se na
língua moabita as
palavras forem similares, o
nome poderia significar
‘firmeza’ (cf. ‘pescoço duro’)”,
completa Morris. Com a
morte do marido
e dos filhos,
a vida de
Noemi (heb.,“agradável”, “amável”,
“deleitável”) tornou-se amarga,
como ela mesma diria
tempos depois, preferindo
ser chamada de
Mara (“amarga”,“amargosa”) (Rt
1.20).
2.
TIRANDO FORÇA DA FRAQUEZA
Nenhuma
família está livre de viver tragédias, nem mesmo as mais piedosas.O que
dizer da família
de Jó, que
tinha como sacerdote
um homem “sincero, reto
e temente a
Deus; e [que]
desviava-se do mal”
(Jó 1.1)? A família,
como diz Every-Claiton (2020,
p. 13), é a célula
em que age o
Deus da história. Noemi
não tinha consciência
disso enquanto enfrentava
o furacão de problemas que lhe
roubou a alegria, assim como cada um de nós não consegue, em tempos de
crise, compreender claramente o que o Senhor está querendo
de nós por
meio dos processos
nos quais faz
passar. Como observa Cabral (2023,
p. 86), Noemi não
podia imaginar o
plano presciente do Senhor em
todas aquelas circunstâncias. A
questão, contudo, não é tentar
explicar as tragédias, como se tivéssemos domínio racional sobre elas,mas comportar-nos
de um modo
responsável, perseverando no cumprimento de
nossos deveres, mesmo
que não vejamos
luz alguma no fim
do túnel. Acima
de tudo, precisamos
continuar confiando em
Deus.Mesmo que seja
difícil, se tivermos
desenvolvido um relacionamento com o Todo-Poderoso, conheceremos
o seu caráter
santo, justo e
bom e confiaremos que
“todas as coisas
contribuem juntamente para
o bem daqueles que
amam a Deus, daqueles
que são chamados
por seu decreto”(Rm 8.28).
Essa reverente
confiança nada tem a ver
com a negação
da realidade.Não é
sábio viver um cristianismo
triunfalista, que não admite
que o cristão possa
enfrentar dificuldades, frustrações,
perdas e sofrimentos.
Todas as pessoas, inclusive
as cristãs, estão
sujeitas a grandes
tragédias; a diferença
é como cada um
comporta-se em meio
às tempestades da
vida (Ef 6.13;
Mt7.24-27). Salomão escreveu:
“Quando os dias
forem bons, aproveite-os bem; mas,
quando forem ruins,
considere: Deus fez
tanto um quanto
o outro, para evitar
que o homem
descubra alguma coisa
sobre o seu
futuro”(Ec 7.14 – NVI).
Noemi soube
ser equilibrada em
meio à profunda
crise que estava vivendo: ela
não escondeu os
seus sentimentos, mas
também não os explorou
com autopiedade ou
autocomiseração. Isso pode
ser observado pelas atitudes
que teve em
dois momentos distintos.
O primeiro foi
quando “se levantou ela
com as suas
noras e voltou
dos campos de
Moabe, porquanto, na terra
de Moabe, ouviu
que o SENHOR
tinha visitado o seu povo, dando-lhe
pão” (Rt 1.6).
Noemi estava desolada,
mas não ficou prostrada. Não
podemos deixar de
agir e cumprir
nossas obrigações diárias quando as
tristezas querem nos
consumir. Fazer o
que precisa ser
feito a cada dia
e todo o
dia é um
segredo para não
sucumbir em meio
às crises.Nossos deveres
diários contribuem, e
muito, para o
processo de superação de
nossas angústias. Salomão
escreveu: “Se você
vacila no dia da
dificuldade, como será limitada a sua força!” (Pv 24.10, NVI).
Já na
NAA, aparece o adjetivo “fraco”
nesse mesmo versículo:
“Se você se mostra fraco
no dia da angústia,
é porque a sua
força é pequena”. Trata-se
de “raphah”, no
hebraico, com o
sentido de “afundar”,
“relaxar”, “deixar cair”; ou
seja, tem a ver com a atitude pessoal
tomada durante a crise, e nãocom o
estado interior. No aspecto subjetivo, angústia; mas, na prática, ações concretas, iniciativas.
Quando soube que o Senhor
havia abençoado o seu povo, “se
levantou ela”, ou
seja, Noemi, com
as suas noras
para voltar a Belém
(Rt 1.6,7). A
atitude de Noemi
é própria de
quem tem espírito
de liderança. Mesmo em
meio à tristeza
e à dor
que sentia pela
perda do marido e dos filhos,
Noemi não ficou prostrada. A distância entre os campos de Moabe
e Belém era
superior a 120
quilômetros.
Idosa,
Noemi teria que subir
e descer montanhas
em tempos tão
remotos, viajando não se sabe
por quais meios de
transporte e suportando
as intempéries climáticas
(Cabral,2016, p. 95).
Ela soube tirar
força da fraqueza
(Hb 11.34). Se
tivesse se entregado aos
seus sentimentos, jamais
teria tomado uma
decisão tão corajosa.A lição que
tiramos desse exemplo de Noemi
é: os problemas da
vida nãopodem nos paralisar
(Pv 24.10). Depois
da crise, vem
a bonança. Noemi experimentou essa
verdade, como veremos
mais à frente
na história. As desistências fazem-nos
perder bênçãos extraordinárias. Confiar
em Deus e seguir
em frente é
sempre o caminho
certo. Nas atitudes
práticas, de nossa responsabilidade, está
a parte da
terapia que pode
ajudar-nos a superar
os dramas da vida.Desistir
de objetivos comuns
da vida tem
sido altamente prejudicial
para a saúde emocional
e espiritual de
muitas pessoas. Noemi
levantou-se evoltou para Belém.
Outra
extraordinária lição que nos transmite
Noemi é a importância de não usar nossos
quadros tristes da vida para manipular e
explorar as pessoas que nos cercam.
Além de conservar-se
ativa, Noemi soube
equilibrar as suas emoções
com a assunção
das suas responsabilidades, não
se vitimizando diante das
suas noras, tentando
constrangê-las a permanecer
junto dela. É razoável
entender que uma
mulher idosa precisa
mesmo de alguém
para fazer-lhe companhia e
oferecer cuidados —
como fez Rute
a Noemi —, só que esse
tipo de relacionamento não
pode ser construído
com base em manipulações. Rute
e Orfa decidiram
voluntariamente acompanhar Noemi de volta a Belém.
O texto bíblico
informa-nos que elas puseram-se de
caminho junto com a sogra:
“Pelo que saiu
do lugar onde
estivera, e as
suas duas noras,
com ela[...]” (Rt 1.7). Não se sabe que distância percorreram, mas não deve ser sido longa. A
narrativa permite-nos entender
que, tão logo
começaram a viagem, Noemi
decidiu liberar Rute e Orfa
para que voltassem
à casa dos pais
(Rt 1.7,8; 2.11).
Mesmo de avançada
idade, Noemi pensou
primeiro nas suas noras e no
futuro delas. As noras tinham
cumprido bem o papel de esposas, assim
como eram dedicadas
à sogra. De
volta às suas
origens,poderiam casar novamente e constituir família (Rt 1.8-13).
Noemi assumiu
a sua condição
pessoal sem apelar
aos sentimentos das noras.
Esse tipo de
conduta é fundamental
para a construção
de relacionamentos
saudáveis. Ter dependência
patológica de outra
pessoa é sintoma de
profunda carência afetiva.
Embora dependamos uns
dos outros,não é
possível sustentar uma
boa convivência se
não houver interdependência, manifestada
em reciprocidade, mutualidade,compartilhamento, cooperação,
equilíbrio e confiança.
Pessoas que sofrem de
carência afetiva terminam
tornando-se um grande
peso em qualquer relacionamento. Quando
isso se agrava,
costuma atingir níveis
perigosos,que se exteriorizam
das formas mais
diversas. O ciúme
desmedido é um desses terríveis quadros produtores de
tragédias.
O excessivamente carente
usa a sua
doentia condição para
manipular os outros. Não
raras vezes, esses
quadros são sustentados
por problemas espirituais não
resolvidos (ou mal
resolvidos); falta de
maturidade
espiritual;ausência de uma vida
cristã autêntica, na
correta compreensão do que
é ser discípulo de Cristo
(Lc 9.23). A manipulação
é sutil e
costuma manifestar-se desde
a infância (Pv 20.11).
O pecado não
escolhe idade. Pais
permissivos mostram-se
emocionalmente fracos diante
dos filhos e
tornam-se presas fáceis das
suas manipulações. Desse
tipo de criação,
vêm adultos
emocionalmente
débeis, com baixo
nível de maturidade
e independência emocional —
e isso também
se reflete no
aspecto espiritual. Pessoas emocional e
espiritualmente sadias não
são manipuladoras; buscam
— o quanto podem
— resolver os
seus próprios problemas,
entendendo os limites de
uma dependência mútua
saudável, numa vida
de cooperação e reciprocidade.
II A CONVICÇÃO AMOROSA DE RUTE
1. UMA AMIZADE
PROVADA E APROVADA
Por que
Rute persiste e Orfa
desiste? O sentimento e
a força moral
de Orfa não eram
tão intensos quanto
os de Rute.
Isso ficou demonstrado
na sua decisão após
a insistência de
Noemi para que
ficassem em Moabe.
Num primeiro momento, Orfa
não atendeu a
palavra de Noemi.
Assim como Rute, beijou a sogra
e, chorando em alta voz,
garantiu que a acompanharia na viagem de
volta ao seu povo (Rt
1.9,10). Noemi insiste para que as
noras voltem para a
casa dos pais.
Ela não poderia
oferecer a elas
outros filhos para que se
casassem (Rt 1.11-13).2
As palavras de Noemi certamente levaram Orfa a refletir um pouco mais. Embora fosse apegada à sogra, realmente não havia indicação alguma deque pudesse ter um futuro melhor ao lado de uma idosa pobre e sem filhos.
Isso
deve ter pesado
na decisão de
Orfa, além do
fato de não
haver no seu coração
uma convicção profunda
de que devesse
escolher o caminho
da dificuldade, rejeitando o
estilo de vida
dos moabitas, com
as suas licenciosidades e idolatrias.
Não é demais tirar essa
conclusão do texto pelas palavras de Noemi após a decisão de
Orfa (Rt 1.14,15).
A fé de Orfa era emotiva, porém fraca. Infelizmente, muito se vê disso no cristianismo evangélico atual. Pessoas que se emocionam e choram, masque são desprovidas de convicção na hora de tomar atitudes ao lado da verdade do evangelho. Como diz Matthew Henry: “Fortes sentimentos, sem uma opinião bem definida, normalmente produzem decisões fracas” (2022,p. 196). O mesmo autor observa: “Aqueles que assumem uma profissão de fé somente por complacência dos parentes, ou para agradar seus amigos, ou por causa da companhia, serão convertidos por pouco tempo” (ibid., p.197).
Orfa voltou
“ao seu povo
e aos seus
deuses”, o que
demonstra não ter sido uma
mera decisão de voltar para
a casa dos pais, à espera de
uma nova oportunidade de casamento.
Foi um retorno
ao modus vivendi
moabita, que incluía o
culto politeísta, de
cujo panteão Quemos
era o deus
principal.3Orfa convenceu-se de
que ficar em
Moabe era o
melhor para ela.Chorando,
abraçou a Noemi
e voltou para
o seu povo.
Rute, porém,apegou-se a Noemi
(Rt 1.14). A firmeza
e o altruísmo de
Noemi novamente se revelam, insistindo
para que Rute
fizesse o mesmo
que a sua
cunhada(1.15). A atitude
de Noemi extraiu
o que havia
no mais íntimo
de Rute:uma convicção
amorosa por sua
sogra, além de
uma declaração de fé no Deus
de Israel (1.16).
As verdadeiras amizades
resistem às mais
intensas provas.
Abraão, que
recebeu o título de amigo de Deus (Tg 2.23), teve o seu amor ao Senhor
provado de forma
absolutamente intensa, com
o pedido de entrega
do próprio filho.
Deus estava extraindo
de Abraão algo
mais intenso e puro,
demonstrado através da
extraordinária oferta de
Isaque. É isso que podemos
entender da expressão do
Anjo do Senhor: “[...]
agora sei que temes a
Deus e não
me negaste o
teu filho, o
teu único” (Gn
22.12).
Assim como
Noemi, Deus quer que
tenhamos um relacionamento sincero e profundo com Ele, pautados
numa entrega total. As provas servem para Ele extrair
o que realmente
há em nosso
coração. Se respondemos afirmativamente, com
obediência e fé, o Senhor
agracia-nos com a sua terna, profunda
e providencial amizade:
“Vós sereis meus
amigos, se fizerdes o
que eu vos
mando” (Jo 15.14).
Isso resulta em
muitas bênçãos. Dentre elas,
um conhecimento maior
de seus mistérios
(“[...] tenho-vos chamado amigos, porque
tudo quanto ouvi
de meu Pai
nos tenho feito
conhecer”) e acesso para
recebermos o que lhe
pedimos (“[...] a fim de
que tudo quanto
em meu nome pedirdes
ao Pai ele
vos conceda”) (Jo
15.15,16). Veremos nos próximos
capítulos como isso
se tornou realidade
na vida de
Rute, que,aliás, recebeu muito
além do que pedia ou pensava (Ef 3.20).
As verdadeiras
amizades não cedem
às conveniências ou
pressões do momento. Amigo
que muda de
lado facilmente ao
sabor dos seus
interesses não é amigo verdadeiro. A
amizade de Rute e Noemi
mostrou-se realmente profunda e
surpreendente. Salomão escreveu:
“O amigo ama
em todos os momentos;
é um irmão
na adversidade” (Pv
17.17 – NVI).
No período da monarquia
judaica, temos o
belo exemplo da
amizade entre Davi
e Jônatas(1 Sm
18.1) a despeito
da fúria do
rei Saul. A
disposição de Jônatas
em ser amigo de
Davi mostrou-se mais forte
que as injustas
investidas do seu
pai (1Sm 20.1-4).
Rute também
estava disposta a
enfrentar toda e
qualquer dificuldade em nome
do sentimento que
devotava a Noemi.
As expressões “onde
quer que pousares à
noite, ali pousarei
eu” e “onde
quer que morreres,
morrerei eu”(Rt 1.16,17)
demonstram o grau
de companheirismo e
comprometimento da jovem moabita,
que não ficou
somente em palavras,
mas transformou-se em atitudes
concretas por toda a vida.
Em dias de
tanto individualismo,uma reflexão
que precisamos fazer
é quanto ao
nível de nossos relacionamentos. O sociólogo
e filósofo polonês
Zigmunt Bauman (1925–2017),
que muito escreveu
sobre modernidade líquida,
costumava apontar para as fragilidades das amizades atuais, que são
tão múltiplas e mostram-se tão “quentes”
no ambiente virtual,
mas que são
tão poucas e
incrivelmente frias na vida
real. O tipo
de companheirismo e
comprometimento de Rute às
vezes não se é visto
nem mesmo no ministério da
igreja.4 O cristão tem o imperativo de
amar uns aos
outros (Jo 13.34),
combustível indispensável para
amizades verdadeiras e duradouras.
3.UM
O amor
de Rute não
era apenas verbal
ou sentimental; era
prático.Chegando a Belém,
Rute não ficou
parada, envolta em
expectativas fantasiosas. Ela dedicou-se ao trabalho diário nos campos
de Belém (Rt 2.2).
Está crescendo
em nossos dias a chamada
Teologia do Coaching,
que,embora reúna conselhos
práticos — muitos
deles extraídos das
Escrituras Sagradas —, tem
sido crida por muitos como
um meio fácil
de alcançar sucesso na
vida. Isso produz
uma espiritualidade superficial,
que desconsidera a necessidade
de percorrer caminhos
difíceis, porém reais,
e a prática fiel
e perseverante dos
princípios da Palavra
de Deus sem
elevadas pretensões, como fez Rute na sua dura vida em Belém.
A justiça
de Deus não
combina com uma
espiritualidade que imagina
a possibilidade de cortar
caminhos, valendo-se de
uma espécie de
“poções mágicas”. Conquanto não
devamos ser radicais,
também não devemos
ser ingênuos, como meninos
na fé (cf.
Ef 4.14). O
amor de Rute
era prático, assim como
a sua espiritualidade. Ela
confiava no Deus
de Noemi, o Deus
de Israel, o que demonstrou através de atitudes firmes, sérias, responsáveis e puras.
Repartição e Responsabilidade
O princípio
bíblico extraído de
Rute e o
seu trabalho nos
campos de Boaz—
que reflete o
ensino dos dias
de Moisés —
é: os ricos
não podem reter para
si toda a
riqueza (lei da
repartição), mas também
não são obrigados
a alimentar o ócio
dos pobres, que
deveriam ir ao
campo e trabalhar
duro para garantir o
seu sustento (lei
da responsabilidade). Exceto
nos casos de incapacidade física
ou mental, o
mesmo princípio vige
até hoje (Gn
3.19; 2Ts 3.10-13). A Bíblia
tem ensino para todas as
áreas de nossa vida, inclusive para o cuidado
dos órfãos e das
viúvas, sendo, em
relação a estas, específica quanto ao dever primário da
família (cf. 1 Tm 5.4,8).
Fica evidente,
portanto, que as
Escrituras não sancionam
um assistencialismo sem critérios.
Rute dedicou-se ao
cuidado da sua
sogra, a viúva Noemi.
Por isso, trabalhou
muito nos campos
de Boaz. O
seu esforço foi logo
notado, impressionando o
chefe dos trabalhadores. No
fim do dia,Rute
recolhia tudo e
levava para a
sogra (Rt 2.7,17,18),
tendo, inclusive, o cuidado
de reservar para
Noemi o que
sobrava do seu
próprio alimento diário (Rt 2.17,18). Que exemplo extraordinário! Como escreveu o apóstolo João, devemos
amar não “da
boca para fora,
mas de fato
e de verdade”
(1Jo 3.18, NAA). Rute não apenas dizia amar; ela praticava o amor.
III.A
CONVICÇÃO DA MULHER: “ O TEU DEUS É O MEU DEUS”
1. UMA FÉ
FERVOROSA
Um dos
sinais do fim
dos tempos é
a apatia espiritual
(Mt 24.12; Lc
18.8-17). Vivenciamos uma
realidade preocupante para
muitas igrejas locais
e para o cristianismo
evangélico em geral,
com esfriamento do
amor e o surgimento
de muito misticismo
em vez de
fé genuína. Um
tempo em que cresce
um profetismo de pouca autenticidade
— às vezes, nenhuma. Não se
trata de
uma visão pessimista,
mas realista, à
luz das claras
previsões escriturísticas.
Apesar disso, não
devemos nos conformar.
Rute nos dá o exemplo
de uma fé fervorosa; uma fé viva e não
morta, conforme os ensinos de
Tiago (Tg 2.14-18).
A sua declaração
convicta perante Noemi
(Rt 1.16)demonstra a sua profunda
devoção ao Deus de Israel, sob cujas
asas decidiu abrigar-se (2.12). O
seu fervor é
demonstrado nas suas
atitudes. Rute renunciou ao
modelo de vida
frívolo dos moabitas
e não seguiu
caminhos fáceis entre os belemitas
(3.10); ela manteve uma
vida austera e disciplinada e alcançou uma excelente
reputação (3.11).
A fé
de Rute foi
inspirada na vida e crença
da sua sogra.
Ao referir-se ao Deus de
Noemi, dava testemunho
da sua fé. Em
todos os
tempos, as mulheres mais
velhas têm a
missão de resistir
aos ventos da
superficialidade espiritual,
sendo piedosas, dedicadas
a Deus e
à família, a despeito das pressões
da sociedade mundana .
Somente assim poderão inspirar
e ensinaras mais
novas (Tt 2.3-5).
A participação da mulher,
portanto, é vital
em nossos esforços de manter viva a fé que uma vez foi dada aos santos
(Jd 3).Não há dúvida
de que as
mulheres também são
dotadas de talentos
e dons(naturais e espirituais), que
podem ser (e são)
muito úteis no Reino
de Deus.Contudo, é
inafastável que também
se reconheça que
Deus deu ao
homem a missão de
liderar, o que
começa no seio
da família, em
decorrência do sistema patriarcal
estabelecido pelo Criador.
Como escreve o
pastor Elienai Cabral (2023, p.
94, 96):
Antes de tudo,
o sistema patriarcal
foi criado por
Deus [...]. O líder da
família é sempre
o pai, não a
mãe. A mãe corrobora
com o pai
para que a
disciplina tenha sempre
um caráter de responsabilidade mútua
da parte do
casal. Os pais devem
ensinar os seus
filhos quanto à bondade, à gentileza, às prioridades de suas vidas, o falar correto e o controle das emoções. Tudo isso é
primordialmente trabalho do chefe da família, o pai.
Isso
não é
diferente no âmbito
da Igreja. As
mulheres têm muito
a contribuir com a
obra de Deus,
e assim o
fazem em diversas
áreas do serviço cristão.
O Senhor, contudo,
também reservou ao
homem a liderança no
contexto eclesiástico, assim
como ocorreu na
Antiga Aliança,no Sacerdócio
Levítico. (No livro Sejam
Firmes – um comentário
às Epístolas Pastorais, abordo
esse tema à luz do
que Paulo escreveu
na sua primeira carta a
Timóteo (1 Tm 2.11-14), além
de outros textos,
como 1 Coríntios14.34,35, que
não deixam dúvidas
sobre a inexistência
de fundamento bíblico para o
pastorado feminino.
Como lá
escrevi, os textos
paulinos muito incomodam
os teólogos progressistas, que
não se conformam
com ensinos que
contrariam as suas próprias
visões de temas
relativos a pautas
como, por exemplo,
o ministério feminino. Como
também saliento no
precitado livro, as mulheres
aparecem em vários pontos
do Novo Testamento
como importantes cooperadoras
(At16.11-15; 18.24-26; Rm
16.1-5; Fp 4.3;
Cl 4.15). O
que não há nas
Escrituras é fundamento
para o ministério
feminino de liderança
ou pastoreio de igrejas.
O mais sábio,
portanto, é que as mulheres
cristãs não percam
o foco,entregando-se a
discussões e disputas carnais, que não
produzem edificação,mas concentrem
a sua fé
e devoção em
servir a Deus
no glorioso serviço cristão, como valorosas cooperadoras. Afinal, como enfatizam as
Escrituras,as mulheres têm
muito a contribuir,
eis que são
dotadas não apenas
de talentos, mas de
profunda sensibilidade espiritual.
Um exemplo disso é o fato
de terem sido as primeiras a testemunhar e crer na ressurreição de Jesus(Lc 24.1-10;
Jo 20.11-18). É de
grande valor quando
esse extraordinário potencial feminino
é reconhecido e
floresce sob uma
liderança séria, que orienta o trabalho da mulher, evitando que seja explorada na sua fé (Fp 4.3;Rm 16.12; Mc 12.38-40; 2 Tm
3.6,7).
CONCLUSÃO
O relacionamento de
Noemi e Rute
ensina-nos quão precioso
é o amor altruísta para
Deus. Ao pensarem uma
na outra e
dedicarem-se ao cuidado mútuo, ambas
foram alcançadas pelo
favor divino (Rt
4.13-17). Em um mundo tão narcisista, o Senhor
espera que nos doemos mais uns
aos outros.A família
é o primeiro
ambiente em que
o amor deve
ser praticado (1
Tm5.8). O segundo é nossa igreja local.
____________________________________________________________
1
Em tempos mais
remotos do Antigo
Testamento, Belém era
chamada de “Efrata”,
conformeGênesis 35.16,19 e
48.7. Assim, Efrata
é o nome
antigo de Belém.
Em Miqueias 5.2,
os dois nomesaparecem juntos: “E tu, Belém Efrata,
posto que pequena entre milhares de Judá [...].” Nesse sentido,“efrateu” é
sinônimo de belemita. Pode ser, também, que Belém tenha sido um distrito de
Efrata, quecorresponderia a uma
área maior nas
terras de Judá,
nas cercanias de
Jerusalém (Wycliffe, p.
276,
608).
É isso que
parece sugerir o
texto de 1
Samuel 17.12: “E
Davi era filho
de um homem,
efrateu,de Belém de Judá, cujo nome era Jessé [...]”.
2 Noemi já se refere nessa passagem à lei do
levirato, sobre a qual
provavelmente já havia conversadocom as
noras. Isso indica que Noemi transmitia às moabitas quais eram os costumes e
leis de Israel.
3
Conforme o Dicionário
Bíblico Wycliffe (p.
770), Quemos era
adorado por meio
do sacrifício decrianças.
Moloque pode ser
um título dado
ao próprio Quemos,
que também era
adorado pelosamonitas (Jz 11.24).
É mencionado em textos como Números 21.29, 1 Reis 11.7 e Jeremias 48.46.
4 Abordo o tema “Valorizando o
Companheirismo” no livro Maturidade Espiritual do Líder, editado
pelaCPAD (2017, p. 87/101).
CPAD
: O Deus Que Governa o Mundo e Cuida da Família – Os Ensinamentos Divinos nos
livros de Rute e Ester para a Nossa Geração
2- Qual o significado de “goel” e “Levir”?
“Goel”, ou seja, o resgatador da terra que o falecido havia vendido
(Rt 4.3). “levir”, o irmão do cunhado.
3- Qual o versículo chave do livro de Rute?
O versículo chave do livro é uma declaração feita por ele a Rute: “O
Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor, Deus de
Israel, sob cujas asas te vieste abrigar” (2.11).

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