TEXTO ÁUREO
“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o
Salvador, o Senhor Jesus Cristo.”
(Fp 3.20).
VERDADE
PRÁTICA
A cidade celestial é o alvo de toda a nossa jornada que iniciou com o
Novo Nascimento e se consumará com a entrada pelos portões celestiais.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Apocalipse 21.9-14; 22.1-5.
Apocalipse 21
9 — E veio um dos sete anjos que tinham
as sete taças cheias das últimas sete pragas e falou comigo, dizendo: Vem,
mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro.
10 — E levou-me em espírito a um grande e
alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia
do céu.
11 — E tinha a glória de Deus. A sua luz
era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal
resplandecente.
12 — E tinha um grande e alto muro com doze
portas, e, nas portas, doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os
nomes das doze tribos de Israel.
13 — Da banda do levante, tinha três
portas; da banda do norte, três portas; da banda do sul, três portas; da banda
do poente, três portas.
14 — E o muro da cidade tinha doze
fundamentos e, neles, os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
Apocalipse 22
1 — E mostrou-me o rio puro da água da
vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.
2 — No meio da sua praça e de uma e da
outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu
fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações.
3 — E ali nunca mais haverá maldição
contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o
servirão.
4 — E verão o seu rosto, e na sua testa
estará o seu nome.
5 — E ali não haverá mais noite, e não
necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia, e
reinarão para todo o sempre.
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
A Pátria Celestial é
o ponto de chegada de todos salvos em Cristo que foram iluminados pela Palavra
de Deus e provaram de uma tão grande salvação. A nossa morada não está aqui,
mas no Céu. Por isso, ao longo desta lição, estudaremos a realidade bíblica do Paraíso
e da Cidade Celestial, e o eterno e perfeito estado dos salvos. Ainda, nesse
tempo presente, conhecemos essa realidade de maneira bem limitada, mas haverá o
dia em que a conheceremos plenamente (1Co 13.12).
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Conceituar o
Paraíso; II) Explicar a eternidade como doutrina bíblica e como descrita no
Livro de Apocalipse; III) Conscientizar a respeito do estado final de todos os
santos.
B) Motivação: Há um hino clássico que diz o seguinte:
“Sou forasteiro aqui, em terra estranha estou, do reino lá do céu embaixador eu
sou”. É uma letra que revela exatamente o que Bíblia diz a respeito de nossa
verdadeira cidadania. Sim, a Bíblia diz que nós não somos desse mundo, embora
estejamos nele.
C) Sugestão de Método: Estamos na
última lição deste trimestre. Antes de iniciar a aula desta última lição, faça
uma revisão dos principais pontos que abordamos ao longo do trimestre. Mostre
que o propósito do nosso estudo foi percorrer a carreira cristã que se iniciou
com o Novo Nascimento. E que durante essa caminhada nos deparamos com muitos
obstáculos e, também, com muita graça de Deus para auxiliar-nos. Relembre a
classe lições importantíssimas como a escolha das duas portas, a confissão e o
abandono do pecado, as armas espirituais que temos a nossa disposição, dentre
outras. Pondere o tempo que você levará para a revisão. Não ultrapasse 10
minutos. Em seguida, introduza a última lição do trimestre.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: Claramente quem cultiva o sentimento de
morar brevemente no Céu, procura não se acostumar com o pecado, leva a sério a
necessidade de ter uma vida santa. Sim, a consciência da cidadania celestial
traz a nossa vida um senso de urgência e seriedade na comunhão com Deus e sua
Igreja.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena
conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de
apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 97, p.42, você encontrará um
subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do
tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:
1) O texto “O Significado de Jerusalém para a Igreja Cristã”, localizado depois
do primeiro tópico, aprofunda o tópico a respeito de a Nova Jerusalém como a
cidade celestial dos cristãos; 2) O texto “Rio e Árvore da Vida”, ao final do
segundo tópico, expande o assunto da vida eterna conforme descrita no Livro do
Apocalipse.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Os cristãos que têm
conhecimento das Sagradas Escrituras sabem que não foram destinados para viver
apenas neste mundo. Aqui, somos peregrinos e forasteiros (1Pe 2.11). Brevemente
os portões celestiais se abrirão e partiremos para viver eternamente com o Pai,
em nossa pátria celestial (Fp 3.20). Por isso, estudaremos a respeito do
Paraíso Eterno, a Cidade Celestial, o Eterno Estado em que desfrutaremos da
presença de Deus e como as Escrituras ensinam como será a nossa glorificação
final. Aqui, se encontra o que nos aguarda ao final de nossa Jornada Cristã.
Palavra-Chave:
CIDADE
“O Significado de Jerusalém para a Igreja
Cristã
A cidade de Jerusalém
também foi importante para a igreja cristã. (1) Jerusalém foi o berço do
cristianismo. Foi ali que Jesus Cristo foi crucificado e ressuscitou dos
mortos. Foi também em Jerusalém que o Cristo ressuscitado ‘derramou’ o Espírito
Santo sobre os discípulos no dia de Pentecoste [...]. A partir dessa cidade, a
mensagem de Jesus Cristo se espalhou ‘até aos confins da terra’ (At 1.8; cf. Lc
24.47). [...] (2) Os autores do Novo Testamento aceitaram grande parte do
significado de Jerusalém para o Antigo Testamento, mas também reconheceram o
seu simbolismo relacionado a uma cidade celestial. Em outras palavras, quando o
Novo Testamento retrata Jerusalém como a cidade santa, não se refere apenas a
um lugar na terra, mas no céu, onde Deus habita e onde Cristo governa à sua
direita (isto é, o lugar de maior honra e autoridade). Dali, Ele envia as suas
bênçãos e dali Jesus irá retornar.” (Bíblia de Estudo Pentecostal Edição
Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.696).
AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
Rio e Árvore da Vida
“O Rio Puro da Água da Vida. Este rio
aparentemente literal sugere o fluxo contínuo do Espírito Santo e da vida, da
bênção e do poder espiritual que Ele nos dá (cf. 7.17; 21.6; 22.17; Is 44.3; Jo
7.37-39). O rio é um lembrete de que as pessoas ainda são dependentes de Deus
Pai e de Cristo Jesus para tudo na sua vida, assim como sempre foram.
A Árvore da Vida.
Este pode ser um substantivo coletivo, referindo-se às árvores que revestem
ambos os lados do rio da vida. Esta árvore se refere à vida eterna dada a todos
os membros do povo de Deus (Gn 2.9; 3.22). As folhas que curam indicam a
ausência de qualquer coisa que traga dano físico ou espiritual (cf. Ez 47.12).
Observe que mesmo em nossos corpos imortais seremos dependentes do Senhor para
obtermos força, vida e saúde.” (Bíblia de Estudo Pentecostal Edição Global. Rio
de Janeiro: CPAD, 2022, p.2469).
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
A CIDADE CELESTIAL
Caríssimo(a)
professor(a), a paz do Senhor! Estamos encerrando mais um trimestre de estudos
com as Lições Bíblicas Adultos CPAD. Nesta rica oportunidade, observaremos o
que as Escrituras Sagradas relatam sobre a glorificação do crente e a sua
entrada na cidade celestial. Este será o fim da jornada cristã neste mundo
material e, finalmente, a consumação da vida eterna ao lado de Deus. Vale
destacar que a jornada teve início quando decidimos pela fé em Jesus e
experimentamos do Novo Nascimento (Jo 3.3). Desde então, a nossa vida é
direcionada pelo Espírito Santo e a vida que vivemos agora tem como propósito
glorificar a Deus e trabalhar para que o maior número de pessoas ouça a
mensagem do Evangelho e decida também por exercer a fé em Jesus (Gl 2.20).
A mensagem da
salvação por intermédio da fé em Jesus Cristo deve ser anunciada com prioridade
e urgência. Esta é a mensagem que garante a quem tem fé a entrada no paraíso
(Lc 23.42,43). Por esse motivo, o crente deve ter em mente que a experiência do
paraíso não deve ser vista como algo distante ou que desfrutaremos apenas na
eternidade. Na oração de Nosso Senhor, Ele nos ensinou a orar para que seja
feita a Sua vontade assim na terra como é feita no Céu (Mt 6.10). Logo, os
crentes são chamados a viver um estilo de vida vigilante, pois a nossa pátria
não é aqui (Fp 3.20,21). Somos peregrinos em terra alheia à espera da
convocação celestial para tomarmos posse da herança prometida aos salvos.
Na consumação dos
céus e da terra a união final entre Deus e o seu povo se dará pela descida da
Nova Jerusalém Celestial, descrita no livro de Apocalipse. De acordo com Tim
Lahaye em sua obra Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica (CPAD),
“o aparecimento da Nova Jerusalém também dá por encerrados os objetivos nesta
terra para o Templo, o Tabernáculo (Êx 25.8) e a Igreja. Haverá um ‘templo
espiritual’ (Ef 2.21,22) onde o Criador e suas criaturas viverão em harmonia. A
Nova Jerusalém é, portanto, ‘o tabernáculo de Deus’ onde o Altíssimo ‘habitará’
eternamente entre o seu povo (Ap 21.3; 22.3,4) e um ‘templo’ para ‘o Senhor, o
Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro’ (Ap 21.22). É importante notar que a Nova
Jerusalém é ‘quadrangular’ (Ap 21.16) que corresponde à forma cúbica singular
do Santo dos Santos no Templo (1Rs 6.20; 8.10-13; 2Cr 3.8; 5.14 — 6.2). A Nova
Jerusalém, então, adequa-se ao propósito do transitório Santo dos Santos,
servindo como um local de encontro permanente e ilimitado para Deus e todos os
santos (como sacerdotes do Altíssimo)” (2008, pp.331,332).
CONCLUSÃO
O Céu é o destino
final de uma jornada que se iniciou com o Novo Nascimento. Do início da jornada
até o final, enfrentaremos inimigos que intentam nos desviar da rota para o
Céu. Por isso, durante a travessia da jornada, é necessário toda vigilância e
zelo, sabendo que aquEle que começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia do
nosso Senhor Jesus Cristo (Fp 1.6). Portanto, coloquemos nossos olhos no Autor
e Consumador da nossa fé, olhando para frente, pois a Canaã Celestial é logo
ali.
A carreira que nos está proposta — O caminho
da salvação, santidade e perseverança para chegar ao céu
Comentarista: Osiel
Gomes
Lição 13: A
Cidade Celestial
O destino final da jornada do peregrino que
vive neste mundo é o Céu de glória. Paulo esclarece que o nosso alvo é a Cidade
Celestial, por isso disse: "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde
também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp 3.20, ARA). Ao
falarmos sobre a Cidade Celestial, abordamos um tema que se firma por meio da
revelação de Apocalipse 21, no qual se trata da Nova Jerusalém, que é descrita
como a cidade do destino e morada de todos os crentes que viveram neste mundo
com os olhos firmados em Cristo e suas promessas, como Ele mesmo falou:
"[...] vou preparar-vos lugar" (Jo 14.1,2). Quando Jesus voltar,
nessa sua Segunda Vinda, Ele nos levará para a nossa Cidade Celestial e ali
estaremos para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17).
Suportar as aflições e provações neste mundo
vale a pena para o cristão, pois não se comparará com o peso de glória que
haveremos de receber (Rm 8.18). O salvo em Cristo deve procurar obedecer à
Palavra de Deus e andar em santidade, porque ao chegar à nova Cidade Celestial
desfrutará de um novo estado, uma terra transformada pelo poder de Deus, e
viverá juntamente com Ele (Ap 21.3). Isso fala de uma comunhão ininterrupta, em
que o crente não estará mais sujeito às lutas e sofrimentos, pois lá não haverá
morte e todas as nossas lágrimas serão enxugadas. Isso nos revela que a Cidade
Celestial é um estado perfeito.
Essa Cidade Celestial é descrita por João com
uma beleza sem igual. Nela, Jesus será a grande luz, de modo que não precisará
nem do Sol e nem da Lua, pois para sempre Deus estará nela e conosco. Lá, a
cura do corpo e da alma será completa, razão por que se fala da árvore da vida.
Na Cidade Celestial, viveremos para sempre sem qualquer pecado, pois nela não
entrará coisa imunda (Ap 21.15); ela é santa e dos santos.
Portanto, são todas essas grandiosas bênçãos
que os salvos em Cristo desfrutarão quando chegarem à Cidade Celestial. Desde
agora podemos antever tudo isso pelos olhos da fé e ver o quanto será
maravilhoso quando atravessarmos o Jordão e entrarmos no Céu, grande gozo
sentirão os redimidos. Na verdade, podemos asseverar que, ao lermos o Livro do
Apocalipse, ainda que tenha seus aspectos simbólicos e poéticos, o que gera
diversas interpretações hermenêuticas, somos conscientes de que tudo se tornará
realidade, pois foi o que Cristo nos prometeu (Mt 8.11).
I-O
Paraíso Eterno
1. O que
é o Paraíso?
O salvo em Cristo, que vive a nova vida
firmada nEle, tem uma nova esperança em relação ao futuro, de modo que vive
neste mundo olhando para as alturas, aguardando o retorno de Cristo para
habitar no Paraíso eterno. No hebraico temos a palavra גן עדן )Gan Eden), ela quer dizer Jardim do Eden. Estando também associada ao termo Paraíso,
era o lugar perfeito que Deus havia criado para que Adão e Eva habitassem antes
de pecarem. No grego do Novo Testamento, a palavra paraíso foi mencionada por
Jesus, Paulo e João (Lc 23.43; 2 Co 12.4; Ap 2.7). Trata-se de um substantivo
masculino, paradeisos, sendo de origem oriental, falando de parque, reserva,
jardim fechado, bosque, mas que no grego carrega os seguintes significados: 1)
entre os persas, um grande cercado ou reserva, região de caça, parque,
sombreado e bem irrigado, no qual os animais silvestres eram mantidos para a
caça; era fechado por muros e guarnecido com torres para os caçadores; 2)
jardim, parque de recreação, bosque, parque; 3) parte do Hades que os judeus
tardios pensavam ser a habitação das almas dos piedosos até a ressurreição:
alguns entendiam ser este o Paraíso celeste; 4) as regiões superiores dos Céus.
Compreendemos que, no que tange à palavra
Paraíso, no aspecto bíblico e teológico, ambos os termos aludem ao estado de
perfeição, prazer, isso porque se trata de um lugar em que não haverá
sofrimento. O Paraíso, teologicamente, é considerado como estado de bênção e
comunhão com Deus depois da morte do salvo (Lc 23.43), passando a habitar na
presença de Deus. O Paraíso pode ser descrito como Reino de Deus; nesse sentido,
o que se compreende é que nele se concretiza um estado restaurado de todas as
coisas, cumprindo-se nele os propósitos divinos, resultando na expressão de
novo Céu e nova terra. É descrito ainda como um estado de paz, alegria e
felicidade, um termo usado para descrever a realidade espiritual no futuro, que
todo salvo almeja. Essa futura realidade transcende a todas as imaginações e
perspectivas humanas. No aspecto espiritual, o Paraíso é destinado para aqueles
que vivem neste mundo uma vida santa e justa para com Deus, alinhado com os
ditames bíblicos da Palavra santa do Senhor.
2. O que
é a Cidade Eterna?
Anteriormente mencionamos a expressão Cidade
Celestial, a qual está intimamente relacionada à Cidade Eterna. Ela é a Nova
Jerusalém mencionada por João em Apocalipse. É nessa cidade eterna que todos os
salvos redimidos irão morar quando Jesus vier buscar o seu povo. Essa cidade, à
luz de Apocalipse 21, será glorificada, por isso se diz que descerá do Céu. Ela
é descrita como maravilhosa e bela, isto é, cheia de glória. Ao fazer menção
sobre sua beleza, o autor faz uso de palavras buscando exprimir sua realidade
aos mortais, razão pela qual menciona ruas de ouro puro, muralhas de jaspe,
adornada de pedras preciosas e de muitas pérolas. Já mencionamos que nessa
cidade não haverá necessidade de luz do Sol ou da Lua, pois o Cordeiro será a
sua lâmpada e a glória de Deus iluminará. Tais expressões são usadas para
deixar claro que nessa cidade não haverá qualquer resquício de escuridão
espiritual, pois a luz divina é maior, Jesus Cristo iluminará eternamente. A
Cidade Eterna é um lugar de paz, gozo, alegria, pois jamais a dor, sofrimento e
morte estarão ali presentes. Pela expressão árvore da vida, se esclarece que a
vida ali já está totalmente restaurada e curada.
Ao fazer menção aos doze portões da Cidade
Eterna, cada um deles nomeando as doze tribos de Israel, João expressa, em seu
aspecto simbólico, que por causa do sacrifício de Jesus Cristo na cruz do
Calvário, os santos terão acesso a ela (Ap 22.14). Devemos sempre procurar ler
e meditar no livro do Apocalipse, pois, ainda que seja um livro poético e
simbólico, cremos que seu cumprimento será totalmente literal. Ele nos mostra
que a realidade espiritual que há de ser revelada transcende a tudo que
possamos imaginar, o que o mortal sem a mente de Cristo jamais compreenderá (2 Co
12.3). Isso está presente nesse último livro para nos inspirar e encorajar a
seguir nossa jornada sem temer, pois grandes coisas maravilhosas nos aguardam
no futuro. Era a esperança nessa cidade espiritual que estimulava os crentes da
Antiga Aliança (Нь 11.14,16), como também os santos da Nova Aliança (Fp 3.20).
3.
Quando a eternidade começará?
Ao nos referirmos ao começo da eternidade,
estamos falando isso do ponto de vista do homem, posto que, em relação a Deus,
sabemos que de eternidade a eternidade Ele é Deus (Sl 90.2). Deus sempre sem
existiu, de maneira que nunca podemos aplicar a Ele o conceito de tempo; tudo
em relação a Ele é atemporal, não estando sujeito aos limites do tempo, pois é
o Criador do tempo.
Deus não tem começo e nem fim; Ele está além
do tempo. Por isso é descrito como Alfa e Omega (Ap 1.8), de modo que jamais um
simples ser mortal poderá com seu finito raciocínio falar sobre o começo de
Deus, pois sua eternidade está fora de análise no aspecto temporal. Quando nos
voltamos para a questão do começo da eternidade, estamos falando sobre isso em
relação aos salvos em Cristo e às promessas que Deus tem para eles em relação à
sua eternidade, o que envolve a escatologia cristã, tratando do assunto
pertinente às últimas coisas. Nós que somos mortais recebemos a imortalidade e
uma vida eterna por causa da vida que vivemos em Cristo Jesus, quando a
mortalidade não terá mais poder sobre a imortalidade.
A nossa imortalidade começou no momento que
passamos a estar em Cristo Jesus, recebendo a vida eterna (Jo 5.24), porém, sua
concretização se dará no futuro, quando Cristo se manifestar (1 Co 15.53,54).
Paulo esclarece isso muito bem em 2 Timóteo 1.10: "[...] e manifestada,
agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu
a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho"
(ARA).
II-O
Eterno e Perfeito Estado
1. O
estado perfeito à luz da doutrina biblica
Quando estudamos o estado perfeito à luz da
Bíblia e da teologia, ele é descrito como marcado pela comunhão, paz, alegria e
santidade, sem qualquer presença de males, dores, sofrimento ou morte. É
denominado de estado perfeito porque se trata do resultado da concretização das
promessas divinas no que diz respeito ao plano redentor, envolvendo tanto a
natureza como também o homem.
Por meio das
Escrituras Sagradas, podemos ver que desde o início o Senhor sempre desejou que
o homem vivesse em um estado perfeito. Isso se nota na criação original feita
por Deus no início de tudo. Gênesis nos relata um cenário primitivo marcado
pela perfeição e harmonia em que tudo era bom (Gn 1.31); não havia maldade,
pecado, era um cenário de paz e comunhão que Adão e Eva desenvolviam no
Paraíso. Logo que nos voltamos para o capítulo 3 de Gênesis, vemos que foi por
causa do pecado de Adão e Eva que a desarmonia entrou, causando separação entre
Deus e o homem, gerando toda sorte de males, pelo que a terra ficou maldita e a
morte passou a todos os homens (Gn 3.17; Rm 5.12). Jamais o ser humano pode
culpar a Deus pelas desgraças, misérias e doenças presentes neste mundo. Na
verdade, o próprio homem é o responsável pela maldade que entrou no mundo.
O mais importante é que a bondade de Deus
logo entra em cena, pois providencia meios necessários para restaurar a
comunhão com Ele, o que acontecerá por meio de seu Filho Jesus Cristo. Pela
morte de Cristo, a comunhão do homem com o seu Criador se torna possível, pois
o véu da separação foi desfeito (Mt 27.51). Não somente isso, o homem passa a
ter a certeza de que participará do estado perfeito que será proporcionado por
Deus.
O estado perfeito que
irá se descortinar no futuro é denominado no Apocalipse de novo Céu e nova
terra (Ap 21.1). Deus, por meio de seu poder e por causa do cumprimento de
todas as suas promessas, levará à consecução final de tudo. Logo, renovará a
criação dando surgimento a uma nova ordem sem dor, separação, sofrimento,
pecado ou morte. O novo estado perfeito se caracterizará pela perfeita e eterna
comunhão que todos os redimidos irão participar, posto que o próprio Deus
estará presente com o homem. No novo estado perfeito, nos é prometido que o
Senhor enxugará dos nossos olhos todas as lágrimas (Ap 21.4).
Como será maravilhoso viver nesse estado
perfeito; nele, a real vida se manifestará, pois nada do que provoca tristeza,
dor, sofrimento ou morte ali estará presente. Tudo já será banido, e o que
teremos ali é a nova humanidade formada em Cristo e um novo Céu e uma nova
terra, transformados pelo poder de Deus. O estado perfeito é resultado do
trabalho de Cristo na cruz do Calvário renovando todas as coisas como também as
criaturas. A fé cristă firma-se em tais promessas.
No aspecto bíblico, falando desse estado
perfeito, o primeiro texto que podemos usar é o de Apocalipse 21.1-9. Nessa
passagem temos a visão que João teve sobre o novo Céu e a nova terra,
expressando duas pertinentes verdades, a primeira relacionada ao estado eterno,
e a segunda descrevendo a consumação final de tudo. Ao falar sobre o novo Céu e
a nova terra, João estava afirmando que haverá uma transformação e renovação
geral e completa de todas as coisas, isto é, da criação (Is 65.17; 66.22; 1 Pe
3.13). Ele fala da descida da Nova Jerusalém, do Céu à terra, descrevendo-a
como uma cidade celestial e glorificada; ela passa a ser vista de modo
simbólico como a nova morada dos santos redimidos.
Se quisermos viver todas as maravilhas
descritas por João quanto ao novo Céu e nova terra, bem como um relacionamento
íntimo com Deus, precisamos seguir a paz com todos e a santificação, pois sem
isso ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).
2. O
estado perfeito à luz de Apocalipse 22.1-5
O capítulo 22.1-5 de Apocalipse, exegética e
hermeneuticamente, busca descrever na visão final o que é o estado perfeito, ou
melhor, a Cidade Celestial, a Nova Jerusalém, dando uma ênfase escatológica
quanto ao final de tudo. Vejamos abaixo cada detalhe de tais ensinos:
a) A
vida eterna descrita como um rio
O texto fala de um rio da água da vida que
sai do trono de Deus e do Cordeiro. Por meio dessa expressão podemos entender
que João estava deixando claro, isso de modo simbólico, que a vida eterna e
abundante vem de Deus (Jo 3.16). Água, no seu aspecto simbólico, aponta para
vida, purificação, refrigério; quando se diz que é brilhante como cristal está
dando destaque à pureza, beleza e clareza. O rio nasce do trono de Deus, o que
quer dizer que a vida eterna só pode vir dEle. A imagem que se tem do rio da
vida aponta para Gênesis 2.10, que agora, o homem tendo um viver restaurado,
pode voltar a viver na mais perfeita comunhão com Deus, como anteriormente
viviam os nossos primeiros pais.
b) A
vida eterna descrita como árvore
Quanto à árvore da vida que se nota no meio
da praça, ela tem uma ligação com o Jardim do Eden. No entanto, aqui essa
árvore é representativa, apontando para o relacionamento que foi restaurado com
Deus, trazendo a humanidade para o propósito que o Pai havia projetado desde o
início. Quanto aos doze frutos, representam as diversas bênçãos de Deus em sua
plenitude, fala das bênçãos e riquezas espirituais. As folhas para cura das
nações, deixa claro que por meio da obra redentora de Jesus na cruz houve uma
restauração total da criação como também da humanidade.
c) A
vida eterna sem males
A vida eterna é descrita pelos versículos de
Apocalipse sem a presença de maldições, visto que era por intermédio delas que
o homem estava distante ou separado de Deus. Nessa Nova Jerusalém, o trono de
Deus vai estar presente, o que mostra que a comunhão do Pai e do Filho com
todos os seus servos é bem íntima e direita, por isso que se afirma:
"[...] seus servos o servirão. E verão o seu rosto, e na sua testa estará
o seu nome" (Ap 22.3,4).
Ter o nome na testa quer dizer uma
identificação com o Pai, gozando de comunhão, proteção e autoridade.
d) A
vida eterna na presença de Deus
A luz de Apocalipse 22.1-5, o estado eterno é
apresentado como um perfeito lugar restaurado, no qual a comunhão de Deus com
os redimidos será eternal, sem qualquer dor, sofrimento, morte; nele o cristão
verá a Deus face a face, sua luz, autoridade e bênção. Ele revela a
concretização final de todas as promessas divinas destinadas aos que foram
fiéis durante a sua jornada nesta vida.
III-O
Estado Final de todos os Santos
Por meio das Escrituras Sagradas, sabemos
qual será o estado final de todos os santos, daqueles que foram fiéis a Deus sem
jamais renunciar à sua fé. Paulo diz claramente que só vai reinar com Cristo
aquele que sofrer com Ele (2 Tm 2.12; Rm 8.17; 1 Pe 4.13; Mt 10.33). Quando
terminar esta vida aqui, no final da concretização do projeto divino, que
engloba todas as promessas de Deus, os redimidos farão parte dele na garantia
da vida eterna e da herança eterna na Cidade Celestial.
O estado final de todos os crentes não é apenas
a morada na Jerusalém Celeste, mas uma vida eterna abundante por crerem em
Cristo Jesus como Salvador e Senhor, vivendo fielmente segundo os seus
mandamentos divinos. Essa vida eterna não se trata apenas de ter uma vida após
a morte, mas é ser como Jesus Cristo é (1 Jo 3.2), gozando com o Pai de uma
comunhão íntima, sem qualquer barreira.
Um corpo glorioso que o cristão receberá por
meio da transformação divina é uma promessa destinada aos que viveram segundo
as promessas divinas, pois no final o mortal vai se revestir da imortalidade,
de modo que a morte não terá mais qualquer domínio sobre os santos (1 Co
15.53,54).
Jesus disse que onde estiver o tesouro do homem
é ali que estará o seu coração (Mt 6.22). Quando Paulo disse que é para pensar
nas coisas de cima (Cl 3.1), é porque toda a herança dos salvos está lá (Gl
3.18; Ef 1.11,14,18; Cl 1.12;3.24). A herança expressa algo que está reservado
aos fiéis servos de Deus, trata-se do tesouro que temos no Céu, o qual não
sofre o processo de destruição deste mundo pecaminoso.
O estado final dos crentes é caracterizado
por uma vida de glorificação e adoração a Deus de modo perfeito, expressando
gratidão e louvor ao Pai Eterno diante do cumprimento de todas as suas
promessas; essa adoração será marcada pela unidade e harmonia plena. Por fim,
no estado final de todos os santos, eles terão agora o direito de participar
definitivamente do Reino de Deus, uma oração que foi feita durante toda a
jornada nesta vida (Mt 6.10). Nesse Reino, a alegria, a paz, a justiça e a
santidade serão uma realidade, nele a vontade de Deus se realizará de modo
perfeito, estando tudo na mais perfeita harmonia, tanto a natureza como a
humanidade redimida.
1. O que
todo crente salvo deve esperar?
A vitória contra o pecado é uma promessa que
o cristão tem da parte de Deus quando submete sua vida às orientações da
Palavra, vivendo sob o controle do Espírito Santo (Rm 6.13; Gl 5.16). Esse
viver na sujeição do Espírito traz a produção do fruto do Espírito: amor,
alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl
5.22,23). É promessa bíblica também que o crente pode aguardar a participação
no Corpo de Cristo quando se arrepende de seus pecados, passando a ser nova
criatura (2 Co 5.17).
Depois de crer em
Jesus Cristo como enviado de Deus, recebendo a vida eterna (Jo 3.16), passando
a ter perdão de pecados, comunhão desenvolvida com Cristo pela transformação
espiritual, o fruto do Espírito sendo produzido em nossa vida, o desfrutar do
gozo da salvação neste mundo, a vitória contra as tentações e o pecado, o viver
pela orientação das Escrituras, a participação no Corpo de Cristo, resta tão
somente a concretização da glória futura segundo as promessas bíblicas, quando
passaremos a viver em um estado de perfeição eternal. É isso que todo crente
salvo espera: "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e
nova terra, em que habita a justiça" (2 Pe 3.13; Ap 21.1,27).
2.
Viveremos todos em unidade
Ao se descrever a Cidade Celestial, o quadro
que se tem é da união de todos os salvos vivendo em plena harmonia e comunhão
com Deus. A unidade da qual João fala, ainda que seja apresentada de modo
simbólico na Nova Jerusalém, em que todos os crentes de todos os povos estarão
para sempre na presença do Senhor Deus, adorando-o eternamente (Ap 21.24; Is
60.3,5,11; 66.12).
No futuro, quando Deus por seu poder renovar
todas as coisas, isto é, a criação, se realizará uma unidade perfeita, de modo
que todos os seus servos o servirão (Ap 22.3). Jesus disse que muitos virão do
Oriente e do Ocidente, assentando-se junto à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no
Reino dos Céus (Mt 8.11; Rm 15.9; Lc 13.29; At 10.45). Não importa a cultura, a
origem dessas nações, o viver em Cristo desfaz tudo (Gl 3.28), produzindo a
mais perfeita unidade, de modo que a reconciliação geral de tudo plenamente se
realizará, pois esse é o plano de Deus.
Biblicamente falando, no seu aspecto metafórico,
entende-se que, ao falar da Nova Jerusalém que desce do Céu, João a descreve como
uma cidade, mas está falando da Igreja de Cristo, que é um Corpo que reúne os
salvos de todas as nações da terra, os quais foram lavados pelo sangue de Deus
(Ap 5.9). Não haverá mais intriga, divisões, contendas ou desavenças, pois o pecado
já foi banido e não tem espaço na nova Cidade Celestial. A união será perfeita,
sem barreiras culturais e sociais, e todos viverão na comunhão com o Pai
Eterno, adorando-o para sempre, pois desde o momento em que fomos salvos, o
Senhor nos chamou para a comunhão (1 Co 1.9).
3.
Finalmente em casa
A parada final do cristão, depois de concluir
sua jornada de fé, é o Céu de glória; essa é a esperança de todos os salvos.
Como a Bíblia descreve a eternidade em Apocalipse 21-22, uma nova criação tanto
da natureza como da humanidade redimida, um lugar sem dor, pecado, sofrimento
ou maldição, mas de vida plena, é o anelo do coração do salvo e promessa de
Deus.
Quando terminar nossa jornada aqui,
viveremos no Céu, onde a presença de Deus será permanente e eterna. Jesus
deixou claro que deveríamos viver neste mundo sabendo que a nossa casa eternal
é o Céu (Jo 14.1.2). Paulo incentiva os crentes a entender que a sua pátria é o
Céu (Fp 3.20). Desejamos o Céu por herança porque, além de ser uma promessa
bíblica, a ausência com o amado de nossa alma para sempre será desfeita, pois
enquanto estivermos neste corpo estamos separados dEle (2 Co 5.8).
Ao chegarmos ao Céu, estaremos finalmente em
casa, pois habitaremos para sempre com o Senhor. Ele será o nosso Deus e nós
seremos o seu povo (Ap 21.3,4). Quando todos estivermos lá é porque todas as
promessas foram cumpridas e as lutas chegaram ao fim, então nos alegraremos e
diremos: finalmente chegamos em casa.
Conclusão
Nesta vida, lutamos, sofremos, batalhamos e
choramos, mas chegará o dia em que finalmente alcançaremos nosso destino final:
o Céu de glória. As palavras do profeta Miqueias devem ecoar constantemente na
mente e no coração de cada salvo em Cristo Jesus que tem a esperança futura de
sua glória: "Levantai-vos e ide-vos embora, porque não é lugar aqui de
descanso; ide-vos por causa da imundícia que destrói, sim, que destrói
dolorosamente" (Mq 2.10, ARA).
A
carreira que nos está proposta — O caminho da salvação, santidade e
perseverança para chegar ao céu
Osiel Gomes

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