segunda-feira, 17 de junho de 2024

CPAD : A carreira que nos está proposta — Lição 12: A bendita esperança: a marca do cristão


TEXTO ÁUREO

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.”

(Tt 2.13).

VERDADE PRÁTICA

A esperança cristã é a âncora que mantém a alma do crente firme diante dos dissabores em nossa jornada de fé.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 8.18-25.

18 — Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.

19 — Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.

20 — Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou,

21 — na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.

22 — Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.

23 — E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.

24 — Porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê, como o esperará?

25 — Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

A Esperança Cristã é um elemento da fé que move o crente a perseverar na carreira que lhe foi proposta pelo nosso Salvador. Ela aponta para um futuro em que o desfecho divino se revelará fielmente. Essa esperança traz uma perspectiva de vigilância para não sermos apanhados de surpresa e, ao mesmo tempo, uma perspectiva de alegria e consolo diante de todo o sofrimento que padecemos neste mundo. Finalmente, essa esperança é a âncora da nossa alma, ela nos traz firmeza e solidez em tempos de grandes incertezas. Estudaremos esses assuntos ao longo desta lição.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Mostrar o alvo da esperança cristã; II) Explicitar a doutrina da esperança cristã; III) Enfatizar a esperança cristã como a âncora da alma do crente.

B) Motivação: É impressionante como a esperança cristã fez com que a primeira geração de cristãos, que sofreu grandes aflições, vitupérios, tribulações, espoliação de bens e muitos outros prejuízos por causa de sua fidelidade ao Senhor, não perdeu a capacidade de se alegrar e regozijar-se em Cristo (Hb 10.34). Qual era a causa disso? Porque “eles tinham nos céus uma possessão melhor e permanente” (Hb 10.34).

C) Sugestão de Método: Para iniciar a aula de hoje, distribua pedaços de papel para a sua classe. Peça que cada aluno escreva, de maneira sucinta, uma promessa que deseja que Deus cumpra em sua vida ou algo que tenha prometido de coração a Deus. Certifique-se de que todos pegaram o pedaço de papel e tenham escrito nele. Em seguida, recolha os papéis e coloque-os em uma bolsa ou jarra. Depois, solicite que um aluno pegue um papel e leia para a classe. Convide que o(a) autor(a) da frase se identifique e fale sobre a promessa e quanto é importante vê-la realizada em sua vida. Encerre esse momento falando a respeito da importância de viver com a expectativa de vermos uma esperança realizada. Então, inicie a lição.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: A esperança cristã é um antídoto do Céu para nos motivar a perseverar na fé em Cristo em meio às aflições do tempo presente. Por isso, estimule a sua classe a fazer como os crentes da Igreja Primitiva, que não se desesperavam com a perseguição porque sabiam que tinham uma morada muito superior a daqui da terra.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 97, p.42, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “A Esperança do Crente”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda o tópico a respeito do alvo da esperança do cristão; 2) O texto “A Ressurreição de Jesus como garantia de nossa esperança”, ao final do segundo tópico, expande a reflexão a respeito da prática piedosa do Senhor Jesus.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Desde quando o crente nasce de novo, ele é convocado a viver uma vida de esperança. Nesse sentido, a esperança cristã tem o seu fundamento na ressurreição do Senhor Jesus (1Pe 1.3,21). É uma obra poderosa de Deus que move a Igreja de Cristo a trabalhar pela causa do seu reino. Assim, a lição desta semana tem o propósito de expor o ensino da esperança cristã e o quanto ele é importante em nossa jornada para o céu.

Palavra-Chave:

ESPERANÇA

“A Esperança do Crente

Deus é revelado na Bíblia com o Deus da esperança que nos outorga paz e alegria à medida que confiarmos nEle (Rm 15.13). A garantia da esperança do crente é dupla: o amor de Deus que enviou Jesus para morrer em nosso lugar (Rm 5.5-10) e os atos poderosos do Espírito Santo que nos levam a ‘abundar em esperança pela virtude do Espírito Santo’ (Rm 15.13). Dessa maneira, o Espírito Santo que nos batiza e nos dá a sua plenitude é ‘O penhor [primeira prestação] da nossa herança’ (Ef 1.14). Paulo também nos mostra que a nossa esperança não é incerta; é tão segura quanto qualquer coisa que possuímos. O único motivo por que a promessa da nossa ressurreição, do nosso corpo glorificado, do nosso reinar com Cristo, e do nosso futuro eterno é chamada ‘esperança’ é porque ainda não os alcançamos (Rm 8.24,25). Essa esperança, porém, nunca nos decepcionará, nem nos envergonhará por termos confiado nela, porque ela é mantida viva e demonstrada como verdadeira pelo amor de Deus que o Espírito Santo derramou em nosso coração (Rm 5.5)” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.609,610).

A Ressurreição de Jesus como garantia de nossa esperança

“A maioria dos teólogos reconhece que ‘no Novo Testamento’ o futuro é visto como o desdobrar daquilo que nos é dado na ‘ressurreição de Cristo’. Sua ressurreição era o tema principal da pregação da Igreja Primitiva. No Dia do Pentecoste, Pedro centralizou a atenção em Jesus. Paulo proclamou que ‘Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem’ (1Co 15.20). ‘E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita’ (Rm 8.11). Pedro também falou de ‘uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar’ (1Pe 1.3,4). [...] A ressurreição de Cristo mediante o Espírito é, portanto, a garantia de que seremos ressuscitados e transformados de tal maneira que no corpo ressuscitado será imortal e corruptível” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.609,610).

CONCLUSÃO

Lutas, dissabores, provações, morte, dentre outas coisas, o salvo em Cristo poderá enfrentar tudo isso firmado na esperança verdadeira que é Cristo Jesus, nosso Senhor. Assim, seguiremos a nossa jornada sem temor e sem perder a fé. A história testemunhou que o Cristianismo cresceu e prosperou porque os cristãos entenderam que essa vida é provisória, sendo apenas uma parte de um todo muito maior: a eternidade com Cristo. Portanto, mantenhamos firme a confissão da nossa esperança, pois o que prometeu é fiel (Hb 10.23).

   Lição 12: A bendita esperança: a marca do cristão

A carreira que nos está proposta — O caminho da salvação, santidade e perseverança para chegar ao céu

Comentarista: Osiel Gomes

 

  A bendita esperança é vista como uma marca do cristão peregrino porque, à luz da Bíblia, ela está tratando da confiança que ele tem para com as promessas de Deus. O cristão tem a certeza plena de que aquele que prometeu é fiel para cumprir. O cristão que vive a bendita esperança não esboça atitude desesperadora, seja qual for a circunstância, pois não é ignorante quanto ao que vai acontecer no futuro. Por essa razão, Paulo pede que não vivamos como os ignorantes, como aqueles que não têm esperança (ITs 4.13), mas como servos de Cristo, sendo identificados nEle expressando fé, esperança, amor, atitudes que realmente caracterizam a vida do crente (1 Co 13.13).

   Quem vive firmado em Deus se aquieta, não importa a circunstância, pois sabe que tudo Ele controla bem (Sl 46.10). O cristão que vive a bendita esperança evidencia-se pela paz e tranquilidade que sente na alma, bem como pelo amor que manifesta para com as pessoas (Jo 13.35). É firmado nessa esperança imorredoura que o cristão peregrino vai seguindo sua viagem sem temor para as mansões celestiais.

  I- Para onde Aponta a Esperança do Cristão?

  Se analisarmos os pontos propostos pelos existencialistas, os quais se voltam para temas ligados à individualidade, liberdade humana e responsabilidade, notamos que eles não possuem a mesma esperança dos cristãos. Isso ocorre porque, primeiramente, quando olham para o universo, eles percebem-no como indiferente, marcado de absurdo e sem sentido, o qual não propõe nenhum tipo de esperança. Para os existencialistas, a esperança não pode ser considerada como uma crença otimista apontando escatologicamente para um futuro melhor, mas deve ser vista como um desafio para encarar a realidade que se descortina diante dos nossos olhos, cuja realidade é dura e complexa, sem oferecer perspectivas de um futuro melhor. Nos argumentos apresentados pelos existencialistas, em momento algum a esperança deles aponta para Cristo ou para o Céu de glória; mas, sim, no ato de confrontar a realidade e buscar significado para esta vida mesmo em meio ao absurdo. No entanto, tudo está centrado no próprio indivíduo, na existência humana. O cristão, ao contrário de tais ensinos, tem uma esperança verdadeira, jamais ingênua, que aponta para Cristo Jesus Ele é a nossa esperança (Cl 1.27). Por ser nossa esperança, procuramos viver uma vida santa, tendo a certeza de que seremos como Ele é e que iremos morar na nova pátria celestial (1 Jo 3.3). Enquanto a filosofia existencialista aponta só para a Terra e para o próprio homem, totalmente em desespero,

a nossa aponta para Cristo, na certeza de que Ele está no controle de tudo.

  Biblicamente falando, a esperança do cristão sempre aponta para a vida eterna com Deus, o que nos é garantido por sua promessa, pois quando findar esta vida aqui neste mundo, começaremos uma nova vida na eternidade com o Pai celestial, em total e perfeita comunhão com Ele (2 Co 5.1). O cristão vive na certeza de que desfrutará de uma vida eterna com Deus, pois recebeu isso de Cristo quando o aceitou como seu Salvador (Jo 3.16). Ele tem esperança de que depois da morte irá para a presença de Deus, e que no futuro ressuscitará e viverá eternamente com o Senhor (1 Co 15.20-22) no Céu. Isso porque foi uma promessa feita por Cristo (Jo 14.1-3), e a esperança maior é a vinda do Reino de Deus, pelo qual ele ora constantemente: "Venha o teu Reino" (Mt 6.10). É nesse Reino que habitará a paz e a justiça para sempre (Mt 25.34), é para esses alvos que aponta a esperança do cristão.

Muitos perguntam a razão de os crentes cantarem mesmo quando estão doentes, passando por lutas, provas; por que glorificam a Deus ainda que a situação lhe seja totalmente contrária. Na verdade, isso ele faz porque a promessa da esperança, a qual reside em seu coração, concede-lhe consolo e alegria, pois tem a certeza de que uma nova realidade espiritual logo se abrirá diante dos seus olhos, afirmando como diz o escritor aos Hebreus: "Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará" (Hb 10.37, ARA).

  1. A esperança cristã

  Antes de tratarmos especificamente da esperança no Novo Testamento, de modo geral, vamos defini-la no aspecto bíblico, a qual é vista como a confiança no cumprimento de um desejo ou de uma expectativa. A segunda virtude mencionada em 1 Corintios 13.13 se baseia na confiança em Deus (Rm 15.13). Cristo é a nossa esperança (1 Tm 1.1; Cl 1.27). O símbolo da esperança é a âncora (Hb 6.18,19).

  A esperança apresentada no Novo Testamento é ligada fundamentalmente ao evangelho de Cristo, deixando claro que Jesus é sua maior esperança (1 Tm 1.1). DEle obtivemos acesso à graça (Rm 5.2), Ele nos concedeu os mistérios da riqueza da glória (Cl 1.27), aguardamos e vivemos dominados pela bendita esperança (Tt 2.13;1 Pe 1.3).

  Essa esperança neotestamentária está firmada em cinco pilares: 1) Cristo é a fonte de nossa esperança (1 Tm 1.1); 2) na mensagem da vida eterna (Tt 1.2); 3) na esperança da ressurreição (At 24.15; 1 Co 15.20-23); 4) na volta de Cristo Jesus para nos buscar (Tt 2.13); 5) na transformação, pois seremos no futuro como Cristo é (1 Jo 3.2).

  Não há como o cristão não ser firme, constante e abundante na obra do Senhor frente a essa gloriosa esperança. Ela é encorajadora e inspiradora, levando-nos a viver em santidade, piedade, totalmente comprometidos com Deus, visto que Ele nos disponibilizou o melhor para nova vida, tanto agora como no futuro, conforme vemos em suas promessas.

 2. Deus: o autor da nossa esperança

  Pela ótica bíblica, nos é assegurado que Deus é o autor da nossa esperança, uma vez que desde o primeiro livro da Bíblia, Gênesis, Ele fez a promessa para a salvação de todos (Gn 3.15). Por meio de Jesus Cristo, nossos pecados seriam perdoados e a comunhão com Deus restaurada, o Espírito Santo passaria a morar em nós, ensinando-nos e capacitando-nos para sermos como Jesus Cristo é. Deus é o autor da nossa esperança porque é dEle que vem o amor e a graça que nos salva, o que revela também seu cuidado especial por nós.

  Deus é o autor da nossa esperança porque Ele é fiel, cumpre o que promete, pois não é o homem para que minta (Nm 23.19). Ainda que venhamos a negá-lo, Ele permanece fiel (2 Tm 2.13). O cristão pode ter a certeza de que tudo o que está escrito na Bíblia, com relação à promessa do novo Céu e nova terra e a punição dos pecadores, se cumprirá, pois Deus não mente.

  Deus é o autor da nossa esperança, pois, assim como ressuscitou a Jesus Cristo, fará de igual modo para com todos os santos (Rm 8.11). Sabemos que a ressurreição de Cristo é o fundamento da esperança do cristão na vida depois da morte. Como está escrito que Ele venceu a morte, não há mais por que temê-la (1 Co 15.54).

  Tudo isso nos traz alegria e assim podemos seguir nossa jornada sem nada temer. Mesmo tendo que passar pela porta estreita e pelo caminho apertado, temos a certeza do que nos aguarda amanhã. A esperança divina nos encoraja, nos fortalece para enfrentar as lutas desta vida, pois temos a certeza de que Deus, o autor da esperança, está conosco cuidando de nossas vidas e tem promessas grandiosas para nós.

 II- A Perspectiva Escatológica da Esperança Cristă

  Toda a Bíblia trata de doutrinas pertinentes às promessas de Deus envolvendo nossas vidas e a vinda de um futuro novo e glorioso. Basta olhar para a teologia escatológica para perceber que ela abrange assuntos que tratam sobre a Segunda Vinda de Cristo, o juízo final, a ressurreição dos mortos, a nova criação e o estabelecimento do Reino de Deus.    Essa matéria escatológica é imprescindível para nós, porque se trata da parte da teologia crista que nos incentiva a olhar para o futuro de modo encorajador, esperançoso, na certeza de que a vida eterna com Deus virá.

  Jamais podemos negligenciar os assuntos escatológicos, o que tem sido feito por muitos. Isso acontece porque alguns têm se voltado para tal temática apenas por curiosidade, outros, para polêmicas. Na verdade, a escatologia bíblica é para gerar no crente esperança, alegria, gozo, paz, segurança, pois revela que tudo o que Deus prometeu em sua Palavra se cumprirá; foi nesse sentido que João disse que é bem-aventurado aquele que lê o Apocalipse (Ap 1.3). Um estudo sério da escatologia nos ajudará a crescer mais e mais na fé, na santidade e nos dará firmeza para suportar as adversidades deste mundo. A escatologia também nos ajuda na compreensão de que a nossa vida não se limita apenas ao tempo presente; vai muito além, pois seu desfecho final é a eternidade com Deus. Quem se ancora nessa esperança terá consolo e força para seguir em frente, sem desistir.

 1. A Bíblia focaliza o futuro

  Desde Gênesis até Apocalipse está revelado o propósito de Deus: dar ao homem o verdadeiro paraíso eterno. A Bíblia é marcada por assuntos do passado e do futuro, mas, como Palavra viva de Deus (Hb 4.12), tem assuntos para o tempo presente, para a vida do salvo neste mundo.

O tema geral da Bíblia gira em torno do plano de Deus para a humanidade: a salvação dos pecadores por meio de Cristo. No entanto, com essa grande bênção, há promessas futuras para aqueles que decidiram entrar pela porta estreita e o caminho apertado (Mt 7.13). A Bíblia contém, em boa parte do texto, as profecias que abordam os eventos futuros, tema que é descrito pela teologia como escatologia.

 2. A esperança no porvir traz consolo e alegria ao crente

  O crente salvo, que é consciente das promessas de Deus em relação ao futuro, descansa e segue sua jornada sem qualquer temor, ainda que haja enfermidades, doenças incuráveis neste mundo, dor, morte. A Palavra garante que a ressurreição e a transformação do corpo ocorrerão, e o mal também será erradicado para sempre.

  Por meio das Escrituras Sagradas, está garantido que a vitória contra a morte e o pecado é certa, pois, semelhante ao que aconteceu com Cristo, que morreu e ressuscitou, por causa desse evento salvífico, o cristão pode crer que o pecado e a morte não terão mais domínio sobre sua vida, mas, sim, que terá a vida eterna para sempre (1 Ts 4.14). O cristão é consciente também de que ainda que sofra injustiça, perseguição e sofrimento por parte daqueles que desprezam a Palavra, o julgamento divino virá, por isso deixa tudo nas mãos de Deus (Rm 12.19). Vivemos em um mundo marcado pela injustiça, sofrimento, desmando, descaso, mas vai chegar o dia em que o Senhor trará justiça e punirá todos os homens maus que não se arrependeram de seus crassos pecados.

  Mas o grande gozo que o estudo da escatologia traz para nós, que somos salvos em Cristo Jesus, é a certeza de que iremos participar do seu Reino Eternal no futuro. Será o tempo em que a profecia que prediz que Jesus reinará como grande Rei de toda a terra se cumprirá, e os santos salvos participarão desse maravilhoso reinado marcado de amor, paz, alegria e justiça. São todas essas promessas que enchem nosso coração de gozo e nos incentivam a viver mais e mais em santidade: "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus" (2 Co 7.1, ARA).

  Vivamos nossa vida com essa esperança maravilhosa, definida pela Palavra de Deus. Nela podemos ancorar a nossa alma, não temendo os desafios e lutas que surjam durante nossa jornada de fé. Sigamos em frente com temor e ousadia, pois esse ensino não é mera teoria ou especulação vazia, mas pauta-se nas verdades divinas das Escrituras, tudo prometido por Deus, que é fiel para cumprir.

  3. Por que uma doutrina da esperança?

  Todos devem saber que é de grande relevância para a vida cristă uma doutrina da esperança, pois, firmada na Palavra de Deus, esse ensino destacará que o cristão vive com uma esperança que não pode ser destruída, porque crê nas promessas reveladas nas Escrituras. Viver por meio dessa teologia bíblica é ter a certeza de que Deus está no controle de todas as coisas e que o desfecho de tudo é a vida eterna com Ele e a restauração de todas as coisas.

  Na doutrina da esperança, os temas devem ser originados das Escrituras, envolvendo primeiramente o grande e maior plano de Deus, a salvação e o perdão dos pecados mediante o sacrificio de Jesus no Calvário. É por meio desse evento que passamos a ter direito à vida eterna (Jo 3.16). Em seguida, vem a promessa da ressurreição, transformação do corpo, a vitória sobre todo tipo de mal, inclusive sobre o Maligno, a criação de novos Céus e nova terra e a eternidade.

  Um bom ensino sobre a esperança objetiva fortalecer a fé dos salvos e os leva a cada vez mais fortalecerem-se no Senhor. Essa esperança nos ajuda a manter nossa fidelidade a Deus diante das lutas, desafios, perseguições, bem como resistir às heresias vindas de falsos profetas e movimentos religiosos comprometedores. Não há o que temer quem se firma na verdadeira esperança, porque há em seu coração a certeza de que Deus está no controle de todas as coisas (Rm 8.28).

  Como o mundo não tem a teologia da esperança, encara a vida presente e o futuro com pessimismo, de modo que vai apresentando suas diversas teorias para lidar com as crises que surgem. Enquanto na filosofia existencialista, por exemplo, há um pessimismo para a vida; na doutrina da esperança, o cristão não vive sem significado, sem objetividade, visto que compreende que além da vida material e física existe a dimensão da vida espiritual. Assim, a doutrina da esperança aponta para uma vida com propósito para o crente, ele passa a saber a razão de estar aqui neste mundo, como também para onde vai depois que não mais no mundo estiver. Somos incentivados pelas Escrituras Sagradas a servimos com amor e fervor a Deus neste mundo porque algo maior e melhor nos espera do outro lado desta vida.

  Nas páginas das Sagradas Escrituras, a doutrina da esperança é certa. Todavia, apenas ler ou debater sobre seus ensinos não resultará em nada, pois seu efeito só é sentido naquele que já recebeu a nova natureza, que foi regenerado.   Veja o que Pedro diz: "[...] nos gerou de novo para uma viva esperança" (1 Pe 1.3; 2 Co 1.3; Tt 3.5). Quando olhamos para Romanos 8.16-25, Paulo faz abordagem de alguns temas, em especial da nossa filiação, também do sofrimento que faz parte da vida humana, da redenção e esperança. Na questão de filhos de Deus, agora participamos da relação com o Senhor por causa do sangue de Cristo, tendo direito à herança espiritual. Por causa do nosso relacionamento com Deus, por meio de Cristo, temos a promessa de algo muito maior e melhor, de modo que os sofrimentos presentes não podem ser comparados com o que havemos de receber e ser.

  Escatologicamente, tanto a criação como o próprio homem salvo em Cristo aguardam a redenção. Isto é, devido ao pecado, a natureza recebeu seus impactos negativos, como também o homem. Assim, ambos aguardam a manifestação de Cristo. A natureza será transformada, liberta da maldição, e os que se tornaram filhos de Deus receberão um corpo glorioso e serão como Jesus é (1 Jo 3.2). Paulo aconselha cada crente a ter esperança e paciência. Essa esperança deve pautar-se não no visível, mas no invisível, ou seja, em todas as promessas de Deus. Ainda que não se tenha um prazo determinado sobre o tempo de seu cumprimento, cada cristão deve esperar com paciência tais promessas, pois quem prometeu é fiel (Hb 10.23).

 III- A Esperança Cristã como Âncora da Alma

  A esperança do crente é descrita como ancora, no sentido literal pode ser definida assim: pesada peça de ferro presa a uma grossa corrente e que é lançada ao fundo do mar a fim de manter parado o navio. Representa tudo que sustenta e dá firmeza em tempos de sofrimento ou violência (Hb 6.17- 19). A ideia central dessa palavra é que ela quer exprimir apoio, estabilidade, segurança e firmeza.

  Tomando esse objeto como um recurso para falar da esperança, o escritor aos Hebreus tencionava falar da importância da esperança e da fë para a vida dos salvos em Cristo. Em meio às lutas e perseguições, os cristãos deveriam se manter firmes na esperança de Jesus Cristo, pois Ele é o nosso Sumo Sacerdote, que, por meio de seu sacrificio na cruz, entrou no Santuário Celestial.

  Aquele que ancora sua alma em Deus e em suas promessas segue sua jornada de fë firme e sem vacilar. Sua alma não se abate, não se perturba, ainda que tenha que passar por lutas e tribulações, pois sabe bem em quem se firmar. A esperança do cristão é firme e segura porque ele conscientemente se alicerça nas promessas de Deus e, como bem nos lembra Malaquias 3.6, nosso Deus é imutável, o que quer dizer que podemos descansar e confiar nEle.

  Como seria maravilhoso se cada crente tivesse consciência dessas verdades da esperança verdadeira; jamais se deixaria conduzir por falsos ensinos, não reclamaria diante das lutas e desafios, não viveria insatisfeito, murmurando, reclamando, pois seria consciente de todos os beneficios que já recebeu e receberá por meio do sacrificio de Jesus no Calvário. A morte de Cristo nos garante não apenas o cumprimento das promessas, mas também seus efeitos em nossas vidas.

  Assim, ao falar da esperança como ancora firme da nossa alma, o escritor aos Hebreus queria mostrar que podemos estar tranquilos porque temos o melhor consolo e confiança: os beneficios do sacrificio de Cristo, acompanhado das grandes promessas de Deus para todos nós, em especial nossa vida eterna. Todos quanto se firmam nessa esperança poderão seguir em frente com ousadia e fë, sem qualquer medo ou incerteza, pois em Deus nosso futuro já está seguro e certo.

 1. Nossa esperança como âncora

  Descrevemos o aspecto metaforico de âncora, bem como seu sentido bíblico e teológico, mas o real sentido que esse objeto fisico quer nos transmitir é a imagem de que, no aspecto bíblico, essa esperança é firme e segura, pois está alicerçada em tudo que Jesus realizou na cruz. O que sustenta o cristão durante as tempestades e vendavais dessa vida é a sua âncora, isto é, a esperança em Cristo. Podemos enfrentar as lutas e desafios deste mundo sem temer porque sabemos para onde estamos caminhando (Jo 16.33).

  A razão de termos atualmente crentes fracos, frios, sem desejo de se congregar, que não suportam provas, lutas, tribulações, dados a movimentos e heresias, infantis, levados por qualquer vento de doutrina, é porque não vivem na dimensão da nova vida que foi outorgada por Cristo Jesus no Calvário, nem têm conhecimento real das promessas contidas na Bíblia, as quais muitas delas são para o futuro.

  Quando a nossa esperança está fundamentada em tudo que Jesus fez por nós, não haverá abalo que seja possível de desestruturar a nossa fé. Isso Paulo falou em Romanos 8.35-39 (ARA):

  Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

 2. Por que a esperança do crente é a melhor?

  Nossa esperança é melhor porque está firmada em Deus, Ele é a fonte da nossa esperança. Como Deus é fiel e imutável, poderoso e justo, podemos descansar no que promete. Quem firma sua esperança no homem não pode estar seguro, pois em sua própria constituição humana é falho, pequeno, não absoluto. Nós, como diz o salmista, confiamos plenamente em Deus (Sl 20.7). Vivendo essa melhor esperança, o cristão não vive sem sentido; a vida em tudo tem significado, seu corpo é para Deus, seu louvor é para Deus, seu viver é para Deus, tudo o que faz, pensa e realiza é para Deus (1 Co 10.31). Ele é consciente de que um futuro melhor o aguarda. O próprio Senhor Jesus falou que aqueles que deixaram tudo para segui-lo já teriam o começo de uma vida melhor aqui e por fim a vida eterna (Mt 19.29). Há propósito e significado em tudo o que o crente faz, por isso que seu viver tem que ser constantemente em verdade, santidade e piedade todos os dias (Lc 1.75).

  Firmado na melhor esperança o cristão não tem desespero como aqueles que não possuem esperança (1 Ts 4.13). Por mais que viva em um mundo de desafios, problemas, lutas, estresse, depressão, dentre outras coisas, recebe alento, conforto na esperança, que é a âncora de sua alma (Hb 6.19). Para os que não têm Deus na vida, parece que tudo está sem controle neste mundo e que o final será triste, sem vida. Para o crente é o contrário: Deus está no controle de tudo e o final será a eternidade plena com Deus nos Céus (Dn 2.21; Fp 3.20).

  Por fim, podemos asseverar que a esperança do cristão é a melhor porque ele tem compreensão, por meio das Sagradas Escrituras, de que não há morte para quem vive em Cristo, mas, sim, vida (Jo 5.24; 11.25; Rm 8.2). Por meio da morte de Cristo Jesus nos foi garantida a vitória contra a morte e o medo (ICo 15.57), vivemos hoje na certeza de que nossa vida será eterna com Deus nos Céus.

 3. Mantendo firme a esperança

  Os que desejam manter-se firmes na esperança da vida eterna em Cristo Jesus precisam desenvolver uma vida constante de meditação nas Escrituras, somente assim serão como árvores bem plantadas (Sl 1.2,3). Nas Escrituras temos os ensinamentos e as promessas necessárias para nos manter em pé e avivados, e seguir nela é o segredo para continuarmos firmes na viva esperança (2 Tm 3.15; Jo 5.39).

  Para permanecer firme na esperança, o cristão precisa desenvolver uma vida de fé, pois sem fé é impossível adorar e servir a Deus (Hb 11.6). É por intermédio da fé que somos levados a confiar em Deus e em suas promessas, as quais são fiéis e verdadeiras. Também nos alimentamos dela para nosso crescimento e maturidade espiritual. Desenvolver uma vida contínua de oração, sem cessar (ITs 5.17; Rm 12.12), é o segredo para um relacionamento íntimo com Deus e um fortalecimento verdadeiro. Quem vive sempre em oração é renovado e fortalecido.

  Para manter-se firme na esperança e não vacilar, é preciso olhar sempre para Cristo (Hb 12.2). Por meio de seu exemplo, amor, pureza, santidade e verdade, podemos seguir em frente, pois é o nosso maior padrão de vida (Jo 13.15). Firmados nessa esperança, viveremos em comunhão uns com outros. A união com outros irmãos é para encorajá-los, orar por eles, compartilhar os dons e experiências maravilhosas, contribuir para firmar cada vez mais o irmão, dando apoio em tudo, conforme diz Paulo, ajudando a levar as cargas uns dos outros (Gl 6.2).

  Por fim, meus irmãos, firmados nessa esperança, podemos ser fiéis em meio às lutas e circunstâncias, nas piores adversidades desta vida, isso porque confiamos em Deus e em suas promessas. Quem vive nessa esperança terá sua visão focada em Deus. Em Deus nosso futuro está garantido, o que é preciso é perseverar até o fim (Mt 24.13).

  Conclusão

  Nossa grande marca neste mundo é a nossa bendita esperança, pois aguardamos a manifestação da glória do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Tt 2.13). Porém, para não perdermos essa grande bênção, é preciso viver segundo a Palavra de Deus, para que a nossa jornada seja de fé, pois nela constam as promessas divinas sobre o que nos aguarda no futuro. Portanto, permitamos que o Espírito Santo esteja sempre em nossa vida para que sejamos por Ele capacitados, fortalecidos e orientados para permanecermos firmes na esperança da vida eterna.

    A carreira que nos está Proposta – O Caminho da Salvação, Santidade e Perseverança para chegar no Céu

  OSIEL GOMES

 


 

 

 
























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