sábado, 17 de janeiro de 2026

CPAD : A Santíssima Trindade — Lição 2: O Deus Pai


      TEXTO ÁUREO

             “Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” 

(Mt 11.27c).

VERDADE PRÁTICA

               Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.


Leitura Bíblica em Classe


Mateus 11.25-27; João 14.6-11

Mateus 11

25 - Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.

26 - Sim, ó Pai, porque assim te aprouve.

27 - Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

João 14

6 - Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.

7 - Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto.

8 - Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.

9 - Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

10 - Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. 11 Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. ObjetivosI) Reconhecer, biblicamente, a identidade de Deus Pai;II) Entender que o Pai se revela plenamente em Cristo;III) Identificar atributos e nomes que expressam a natureza de Deus Pai.IntroduçãoEstudaremos a Identidade, a Revelação e a Pessoa de Deus, o Pai.

  • Aquele de quem procedem o Filho e o Espírito.

  • Ele é a fonte eterna da divindade: 

    • Criador, Redentor e Revelador.

  • Por meio da fé, somos convidados a conhecer e nos relacionar com o Pai Celestial


A Santíssima Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas

Douglas Baptista




  "Ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar" (Mt 11.27)

  A doutrina da Trindade é um mistério revelado e central à fé cristã: um só Deus em três Pessoas coeternas, consubstanciais e distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não se trata de três deuses, mas de um único Deus em essência (gr. ousia), que se manifesta pessoalmente (gr. hypóstases) em unidade perfeita e indivisível. O Pai é a fonte eterna da divindade, o princípio sem princípio, de quem o Filho é gerado e de quem procede o Espírito (Jo 15.26; Hb 1.3).
O Pai é o autor do plano redentor, revelado plenamente em Jesus Cristo e aplicado pelo Espírito Santo. A revelação do Pai é progressiva nas Escrituras, culminando em Cristo, o perfeito revelador do Deus invisível (Jo 1.18). Portanto, conhecer a identidade do Pai é mais do que um ponto doutrinário e teológico, mas, sobretudo, é entrar em comunhão com o Criador e Redentor, como ensina Agostinho: "inquieto está o nosso coração, enquanto não repousar em Ti".¹

  I. A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI
  1. O Pai é o único Deus verdadeiro

  A identidade de Deus como Pai é de suma importância na teologia cristã. Sua unicidade é afirmada com clareza tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. A confissão de fé de Israel, conhecida como Shema² declara: "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor" (Dt 6.4). Esse versículo é uma proclamação enfática do monoteísmo bíblico, destacando que o Deus de Israel é único, incomparável, absoluto e singular. Entretanto, ο Deus único também é pessoal e relacional, revelando-Se progressivamente como Pai, especialmente na Nova Aliança.

  Deus, no Antigo Testamento, é um só Deus, que se revela pelos seus nomes, pelos seus atributos e pelos seus atos. Ele é apresentado como Criador (Gn 1.1), Juiz (Gn 18.25), Libertador (Éx 20.2), e Pai do povo de Israel (Is 63.16). No Novo Testamento, essa revelação ganha profundidade e clareza. O Pai é apresentado como a Primeira Pessoa da Trindade, e sua paternidade é reconhecida explicitamente em várias passagens (Jo 6.27; 1Co 15.24; Gl 1.1,3; Ef 6.23; 1Pe 1.2).

  O termo "Deus Pai” não é apenas um título, mas expressa a universalidade do senhorio do Pai, reafirmando a unidade do Corpo de Cristo: "um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos vós" (Ef 4.6). Quer dizer que Deus é transcendente ("sobre todos"), ativo ("por todos") e imanente ("em todos vós"). Cristo reforçou essa identidade ao chamar Deus de "meu Pai" e ensinar os discípulos a orarem "Pai nosso que estás nos céus" (Mt 6.9). Essa oração aponta para a transcendência divina, e também convida os crentes à intimidade filial com Deus. O Pai é aquele que está nos céus, mas que está próximo dos que  O invocam com fé e reverência (Sl 145.18).

  A paternidade de Deus, portanto, revela um relacionamento íntimo, real, pessoal e transformador. O crente não se aproxima de um Deus distante, mas de um Pai amoroso que deseja comunhão com seus filhos: "recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15). Desse modo, devemos conhecer a Deus como Pai não como um exercício intelectual, mas como uma fonte de consolo, identidade e segurança espiritual para os filhos de Deus em Cristo.

  2. O Pai é a fonte da divindade
  A doutrina cristă reconhece o Pai como a fonte eterna e absoluta da divindade, sendo a Primeira Pessoa da Trindade, não por ordem de hierarquia, mas por prioridade de relação ontológica. Ele é o Deus eterno, que existe por si mesmo, sem princípio ou fim (Dt 33.27). Essa verdade é reafirmada por Jesus ao declarar: "como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo" (João 5.26). Significa que a vida divina não foi recebida nem derivada de algo exterior, mas é inerente e autoexistente, atributo exclusivo da divindade.

   A Declaração de Fé das Assembleias de Deus, corrobora com essa interpretação:
Deus é o Supremo Ser, é etemo, nunca teve começo, princípio e nunca terá fim
[...] Ele existe por si mesmo [...] Ele é imutável [...] É o mesmo desde a etemidade [...] Ele é Deus desde antes da fundação do mundo e subsiste em três pessoas distintas.5
Acerca da imutabilidade do Pai, a Bíblia declara: "de eternidade a eternidade, tu és Deus" (S1 90.2). Esse atributo é ratificado em diversos outros textos: "porque eu, o Senhor, não mudo" (MI 3.6); "em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17). Essas passagens são essenciais à compreensão de Deus como fundamento absoluto de toda a realidade. Deus não sofre alteração, sendo sempre perfeito, constante e confiável.
Como Criador e Sustentador de tudo o que existe, o Pai é declarado como aquele que "formou a terra e a fez; ele a estabeleceu (Is 45.18). Também Paulo, proclama que foi Deus quem fez o mundo e tudo que nele há (At 17.24). Além disso, Ele é identificado como o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20.31), numa relação eterna e essencial, e não meramente funcional ou histórica.

   Em Sua natureza espiritual, o Pai é descrito como aquele que concede e sustenta a vida (Jó 33.4). Em vista disso, o Pai é a fonte não causada da Trindade: Ele gera eternamente o Filho e é o princípio de onde procede o Espírito. (Hb 1.1-3). Agostinho, ensina que: "o Pai é o princípio da divindade".6

  a Assim sendo, ortodoxia cristă rejeita qualquer subordinação ontológica entre as Pessoas divinas. Como afirma Berkhof "embora o Pai esteja em primeiro plano na obra da criação (...) a segunda e a terceira Pessoa não são poderes dependentes ou meros intermediários, mas sim, Autores independentes, juntamente com o Pai". Portanto, reconhecer o Pai como fonte de toda divindade é submeter-se com reverência Aquele que não só criou o universo, mas que em amor gerou o Filho para nossa salvação e enviou o Espírito para nossa regeneração.

  3. O Pai age por meio do Filho e do Espírito

  A paternidade divina é uma das principais chaves hermenêuticas para se compreender a teologia trinitária bíblica. Ao designar Deus como "Pai", a Escritura não apenas identifica Sua função dentro da Trindade, mas expressa a maneira como as três Pessoas operam inseparavelmente. Essa ação conjunta não sugere qualquer subordinação ou inferioridade, mas sim uma distinção funcional no plano da revelação e da salvação.
A ação do Pai, portanto, é inseparável da do Filho e do Espírito. Como explica o apóstolo Paulo: "há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo...diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo...diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos" (1 Co 12.4-6). Nessa tripla estrutura trinitária que se repete em Efésios 4.4-6, Paulo expõe a unidade do Espírito, do Senhor (Cristo) e de Deus Pai. A atividade de Deus é única, mas mediada distintamente por cada Pessoa da Trindade.

  A criação é um exemplo clássico dessa cooperação trinitária. O Pai proclamou as palavras criadoras (Sl 33.9), o Filho as executou (Jo 1.3), e o Espírito pairava sobre a face das águas, participando ativamente da como fundamento absoluto de toda a realidade. Deus não sofre alteração, sendo sempre perfeito, constante e confiável.

   Como Criador e Sustentador de tudo o que existe, o Pai é declarado como aquele que "formou a terra e a fez; ele a estabeleceu (Is 45.18). Também Paulo, proclama que foi Deus quem fez o mundo e tudo que nele há (At 17.24). Além disso, Ele é identificado como o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20.31), numa relação eterna e essencial, e não meramente funcional ou histórica.

  Em Sua natureza espiritual, o Pai é descrito como aquele que concede e sustenta a vida (Jó 33.4). Em vista disso, o Pai é a fonte não causada da Trindade: Ele gera eternamente o Filho e é o princípio de onde procede o Espírito. (Hb 1.1-3). Agostinho, ensina que: "o Pai é o princípio da divindade".6
a Assim sendo, ortodoxia cristă rejeita qualquer subordinação ontológica entre as Pessoas divinas. Como afirma Berkhof "embora o Pai esteja em primeiro plano na obra da criação (...) a segunda e a terceira Pessoa não são poderes dependentes ou meros intermediários, mas sim, Autores independentes, juntamente com o Pai". Portanto, reconhecer o Pai como fonte de toda divindade é submeter-se com reverência Aquele que não só criou o universo, mas que em amor gerou o Filho para nossa salvação e enviou o Espírito para nossa regeneração.

  3. O Pai age por meio do Filho e do Espírito

  A paternidade divina é uma das principais chaves hermenêuticas para se compreender a teologia trinitária bíblica. Ao designar Deus como "Pai", a Escritura não apenas identifica Sua função dentro da Trindade, mas expressa a maneira como as três Pessoas operam inseparavelmente. Essa ação conjunta não sugere qualquer subordinação ou inferioridade, mas sim uma distinção funcional no plano da revelação e da salvação.

   A ação do Pai, portanto, é inseparável da do Filho e do Espírito. Como explica o apóstolo Paulo: "há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo...diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo...diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos" (1 Co 12.4-6). Nessa tripla estrutura trinitária que se repete em Efésios 4.4-6, Paulo expõe a unidade do Espírito, do Senhor (Cristo) e de Deus Pai. A atividade de Deus é única, mas mediada distintamente por cada Pessoa da Trindade.

  A criação é um exemplo clássico dessa cooperação trinitária. O Pai proclamou as palavras criadoras (Sl 33.9), o Filho as executou (Jo 1.3), e o Espírito pairava sobre a face das águas, participando ativamente da se que "por meio da revelação especial de Deus, a Bíblia Sagrada, que foi divinamente inspirada e nos foi transmitida de forma legível e sem erros, conhecemos a realidade de Deus como um Ser vivo". 13

  2. O Pai se faz conhecer pelo Filho

  como Cristo afirma que o conhecimento do Pai é mediado exclusivamente por Ele: "ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar" (Mt 11.27). Nesse versículo, evidencia-se a exclusividade do Filho revelador do Pai. A revelação de Deus Pai não é acessível à razão humana natural, mas é mediada exclusivamente por Jesus Cristo, o Filho eterno.
Essa afirmação denota duas verdades fundamentais: (i) o Pai é uma Pessoa divina plenamente consciente e relacional (S1 46.10; Is 46.9); (ii) o conhecimento verdadeiro de Deus é necessariamente cristocêntrico (Jo 14.6). O Deus Pai é um ser pessoal que se dá a conhecer no tempo e na história, por meio da encarnação do Verbo (Jo 1.14,18). E, conforme Campos "ninguém pode vir ao conhecimento de Cristo sem que seja por revelação divina, e sem que essa revelação seja o produto da vontade graciosa de Deus para com um pecador. 14
   Enfatizamos que o Pai deseja ser conhecido, e esse conhecimento é oferecido por meio do Filho: "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17.3). O Filho é o intérprete supremo do Pai, o único capaz de revelar sua natureza, vontade e amor (Hb 1.1). Esse princípio encontra fundamento na própria estrutura da Trindade. O Filho é gerado do Pai: "Ele é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser" (Hb 1.3).

   Essa declaração significa que o Filho é idêntico ao Pai, possuindo a mesma natureza e atributos, sendo, por isso, o único plenamente qualificado para revelar Deus. A revelação que o Filho oferece do Pai é, portanto, fiel, pessoal e definitiva. Dessa forma, sem Cristo, qualquer tentativa de conhecer o Pai será incompleta ou distorcida, e fadada ao erro e a idolatria (Jo 10.30; Cl 1.15; 2.8,9).

   Por isso, Cristo é também o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). Não há outra ponte entre o humano e o divino. Todo conhecimento verdadeiro de Deus, bem como toda comunhão com Ele, acontece por meio do Filho (Jo 1.18). A exclusividade do Filho como mediador não apenas enfatiza sua divindade, mas evidencia a insuficiência de qualquer dogma que despreze a cristologia bíblica.

   3. Quem vê o Filho vê o Pai
    A afirmação que Jesus fez a Filipe: "quem me vê a mìm về o Par” (Jo 14.9) expressa uma das mais profundas verdades teológicas: a revelação perfeita de Deus Pai por meio do Filho. Essa declaração está inserida no contexto da última Páscoa, momento de ensino íntimo entre Cristo e seus discípulos, e reafirma a unidade entre o Pai e o Filho, sem, contudo, confundir suas Pessoas. Trata-se de um claro testemunho da Trindade.
Como já observado, essa verdade é amplamente confirmada em Hebreus, quando o escritor declara que o Filho é "a expressão exata do seu Ser" (Hb 1.3). A frase "expressão exata" (gr. charakter) é usada para descrever a marca impressa de um selo, uma metáfora poderosa para indicar que o Filho manifesta com perfeição o caráter, os atributos e a essência do Pai. 15 O Comentário Beacon afirma que "não é nada menos do que a revelação de forma concreta e visível do próprio Deus" 16

  A frase de Cristo "Eu e o Pai somos um" (Jo 10.30) também deve ser entendida em termos de unidade. O Filho não é apenas um representante do Pai, mas o Deus eterno encarnado, compartilhando a mesma natureza divina (Cl 2.9). Como observa o Credo de Atanasio "a deidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é toda uma só: gloria é igual e a majestade é coeterna. Tal como é o Pai, tal é o Filho e tal é o Espírito Santo". 17 Assim, ver Jesus, em sua obra, palavras e caráter, é experimentar a revelação definitiva do Pai.

   Além disso, Jesus ensina que suas palavras e obras não são independentes do Pai, mas procedem dele: as palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras" (Jo 14.10-11). Isso expressa o princípio teológico de que o Pai está no Filho, e o Filho no Pai. Por conseguinte, qualquer tentativa de conhecer a Deus sem recorrer à pessoa de Cristo está condenada ao fracasso.

   A fé cristă, portanto, está centrada na revelação do Pai no Filho, sem a qual permaneceríamos em trevas (Jo 8.12). Assim, conhecer Jesus é desfrutar da presença e do amor do Pai. Jesus afirma que aquele que o ama será amado pelo Pai e que Ele e o Pai farão morada nesse crente (Jo 14.21,23). Essa promessa não se limita ao futuro, mas já se cumpre na vida de todo aquele que recebe a Cristo como Senhor e Salvador.

III. A PESSOA DE DEUS PAΙ

1. Atributos Incomunicáveis do Pai

   Os atributos incomunicáveis de Deus são aqueles que pertencem exclusivamente à Sua natureza divina e não podem ser compartilhados com as criaturas. Eles afirmam que Deus está acima de toda criação em Seu modo de ser, existência e atuação:
  (a) Autoexistência. Deus existe por Si mesmo, sem depender de qualquer ser ou causa externa (Jo 5.26). Tal atributo contrasta com a natureza contingente de toda a criação, a qual depende de Deus para existir. O nome "Eu Sou" revelado a Moisés na sarça ardente denota a plenitude do ser e a eternidade autossuficiente de Deus (Ex 3.14).
  (b) Eternidade. Deus está fora das limitações do tempo. Ele não apenas existe desde a eternidade passada, mas transcende o tempo, Ele é atemporal (S1 90.2). Ele não tem origem e nem fim (Is 57.15). Erickson diz que "Deus é sempre o que é. Ele foi, é e sempre será (...) O fato é que Deus não está abrangido pelo tempo não significa que ele não tem conhecimento da sequência dele". 18
  (c) Imutabilidade. Deus não muda em Sua essência, natureza, vontade ou caráter. Ele é perfeitamente constante e confiável (MI 3.6; Tg 1.17). Deus age no tempo, mas sem sofrer alteração em Seu ser. Porém, Berkhof ensina que "imutabilidade divina não deve ser entendida no sentido de imobilidade" 19
  (d) Onipotência. Deus tem poder ilimitado para realizar tudo o que quiser, de acordo com Sua vontade e natureza. Ninguém pode impedir a realização dos Seus desígnios (Jó 42.2; Lc 1.37). Porém, a onipotência divina nunca é exercida em oposição ao Seu próprio caráter, mas é governada por Sua própria perfeição moral (Hb 6.18).
  (e) Onisciência. Deus conhece todas as coisas desde a eternidade. Seu conhecimento não é progressivo, mas eterno e imediato (SI 139.1-2; Hb 4.13). Segundo Horton "o conhecimento Divino não se acha limitado por nosso modo de entender o futuro, pois ele conhece o fim de um determinado acontecimento ante mesmo de ter início".20
  (f) Onipresença. Deus está presente em toda parte, ao mesmo tempo, com a totalidade do Seu ser. Isso não significa que Deus está misturado à criação (panteísmo), mas que Ele a transcende e simultaneamente a permeia (Sl 139.7-8; Jr 23.24). Essa verdade consola o crente, pois Deus está presente em todo lugar e circunstância (Cl 1.17).

 2. Atributos Comunicáveis do Pai

  São aqueles que, embora pertençam de forma plena e perfeita à essência divina, são refletidos de maneira limitada no ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27). Tais atributos estão  relacionados com o caráter moral, espiritual e relacionai de Deus, sendo  fundamentais para a ética e a santificação do crente. Erickson os define  como “as qualidades de Deus, que, refletidos nos seres humanos, permitem a interação pessoal, adoração e trabalho”.19 São chamados “comunicáveis” porque Deus os comunica ao homem por meio da criação,  regeneração e da ação santificadora do Espírito (2 Co 3.18; G15.22-23). 
(a) Santidade. E tanto um atributo essencial quanto moral. Significa separação absoluta de tudo o que é impuro, corrupto ou pecaminoso. Deus é santo em sua essência e exige santidade de seu povo  em resposta à sua natureza (Lv 19.2; 1 Pe 1.15-16). Implica sermos  separados do pecado, refletindo seu caráter no mundo. 
(b) Amor. E o atributo central do relacionamento de Deus com as  criaturas. Não se trata apenas de um sentimento, mas de uma característica essencial do ser de Deus. O amor de Deus é eterno, incondicional e sacrificial (Mt 22.37-38; 1 Jo 4.8). Expressa-se no mandamento  de amar a Deus e ao próximo, sendo o modelo para a vida cristã. 
(c) Fidelidade. A fidelidade de Deus é a sua constância em cumprir tudo o que prometeu. Deus não falha nem mente. Sua fidelidade  não depende da fidelidade humana: ela é expressão da sua imutabilida do por nosso modo de entender o futuro, pois Ele conhece o fim de um  determinado acontecimento antes mesmo de ter início”.18 (f) Onipresença. Deus está presente em toda parte, ao mesmo  tempo, com a totalidade do seu ser. Isso não significa que Deus está  misturado à criação (panteísmo), mas que Ele a transcende e simultaneamente a permeia (SI 139.7-8; J r 23.24). Essa verdade consola o  crente, pois Deus está presente em todo lugar e circunstância (Cl 1.17). 

2. Atributos Com unicáveis do Pai 
São aqueles que, embora pertençam de forma plena e perfeita à  essência divina, são refletidos de maneira limitada no ser humano, cria do à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27). Tais atributos estão  relacionados com o caráter moral, espiritual e relacionai de Deus, sendo  fundamentais para a ética e a santificação do crente. Erickson os define  como “as qualidades de Deus, que, refletidos nos seres humanos, permitem a interação pessoal, adoração e trabalho”.19 São chamados “co municáveis” porque Deus os comunica ao homem por meio da criação,  regeneração e da ação santificadora do Espírito (2 Co 3.18; G1 5.22-23). 

(a) Santidade. E tanto um atributo essencial quanto moral. Sig nifica separação absoluta de tudo o que é impuro, corrupto ou peca minoso. Deus é santo em sua essência e exige santidade de seu povo  em resposta à sua natureza (Lv 19.2; 1 Pe 1.15-16). Implica sermos  separados do pecado, refletindo seu caráter no mundo. 

(b) Amor. E o atributo central do relacionamento de Deus com as  criaturas. Não se trata apenas de um sentimento, mas de uma caracte rística essencial do ser de Deus. O amor de Deus é eterno, incondicio nal e sacrificial (Mt 22.37-38; 1 Jo 4.8). Expressa-se no mandamento  de amar a Deus e ao próximo, sendo o modelo para a vida cristã. 
(c) Fidelidade. A fidelidade de Deus é a sua constância em cum prir tudo o que prometeu. Deus não falha nem mente. Sua fidelidade  não depende da fidelidade humana: ela é expressão da sua imutabilidade (2 Tm 2.13). Esse atributo é comunicável porque o crente também é  chamado a ser fiel a Deus e aos princípios espirituais e éticos da fé.
(d) Bondade. Refere-se à sua disposição constante de agir com  benevolência, generosidade e misericórdia. Deus é bom por natureza,  e tudo o que Ele faz é para o bem, seja a criação, seja a redenção ou o  juízo (SI 100.5; G1 5.22). Esse atributo é comunicável porque os salvos  são chamados a praticar a bondade como fruto do Espírito. 
3. Os Nom es que Revelam o Pai 
Os nomes de Deus não servem apenas como formas de identificação, mas são expressões que revelam seu caráter, atributos e relação  com o mundo e com o seu povo. Cada nome de Deus nas Escrituras  transmite uma dimensão específica da sua natureza, e o uso de múltiplos nomes reflete a riqueza e complexidade do Ser divino. No Antigo  Testamento, o nome é inseparável da identidade e da missão de quem  o porta (Ex 33.19). Aplicado a Deus, seu nome não é uma construção  humana, mas uma autorrevelação divina. Para Ferguson, “os nomes  divinos constituem a linguagem que Deus utiliza para se dar a conhecer àqueles a quem Ele se revela”.20 
(a) Elohim (Cii^X). O primeiro nome de Deus utilizado na Bíblia  (Gn 1.1). Trata-se de um termo plural com significado singular, que ex pressa a grandeza, a soberania e o poder de Deus como Criador (Gn 1.1,26). Embora a fé israelita fosse monoteísta (Dt 6.4), o uso da forma plural é base conceituai para o desenvolvimento da doutrina da Trindade.21
(h) El Shadday ("Hü Sx). Traduzido como “Deus Todo-Poderoso”, aparece nos contextos patriarcais e em momentos de confirmação  da aliança divina. O termo “Shadday” denota força e suficiência e é  associado à sustentação, provisão e poder absoluto de Deus (Gn 17.1;  28.3). E sob esse nome que Deus estabelece o pacto com Abraão e  reafirma sua fidelidade.22 
c) Adonai ('HK) e (Kyrios). Adonai, em hebraico, significa “Se nhor” ou “Mestre”, utilizado para expressar a autoridade suprema e  domínio absoluto de Deus sobre todas as coisas. Com frequência, na  leitura judaica, é usado como substituto do Tetragrama YHWH. Na  Septuaginta, sua tradução grega é Kyrios, também empregado na Nova  Aliança para designar a soberania de Deus e de Cristo (SI 8; At 2.36).23
(d) YHWH (mrr) “Eu Sou”. O Tetragrama transliterado como  “Yahweh” é o nome pessoal de Deus, revelado no episódio da sarça ar dente (Êx 3.14). Esse nome comunica a autoexistência, imutabilidade e  presença eterna de Deus. Yahweh não é apenas “aquele que existe”, mas  “aquele que é por si mesmo”. Em sua forma verbal, está relacionado ao  verbo hqyah (“ser”), e indica um Deus que é, foi e sempre será.24 
CONCLUSÃO 
A doutrina da Trindade é a revelação concreta da vida divina  compartilhada entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Neste capítulo,  vimos que Deus, o Pai, é o Deus verdadeiro, eterno e soberano, reve lado plenamente em Cristo. Ele é o autor da criação, o planejador da  redenção e o sustentador da vida. Conhecer o Pai por meio do Filho é  a essência da vida eterna (Jo 17.3). Que essa verdade desperte em todo  cristão um desejo ardente de conhecer, amar e obedecer ao Pai, que  em Cristo os salvou como filhos (Jo 1.12; Rm 8.15). 


A Santíssima Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas

Douglas Baptista

 


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