domingo, 18 de janeiro de 2026

CPAD : A Santíssima Trindade — LIÇÃO 03 O Pai enviou o Filho


                                                    TEXTO ÁUREO 
“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.”
 (1Jo 4.9). 
                                                VERDADE PRÁTICA 
O envio do Filho revela o amor do Pai e a perfeita unidade da Trindade no plano da salvação, garantindo a redenção e a adoção dos crentes.

Leitura Bíblica em Classe
João 3.16,17; 1 João 4.9,10; Gálatas 4.4-6

João 3
16 - Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 - Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

1 João 4
9 - Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.
10 - Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.

Gálatas 4
4 - mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
5 - para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.
6 - E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Objetivos
I) Compreender que o envio do Filho é a maior prova do amor de Deus Pai;
II) Reconhecer que a vinda de Cristo ocorreu na plenitude dos tempos, segundo o plano eterno de Deus;
III) Identificar a atuação da Trindade na execução e aplicação da salvação.

Introdução
No plano da redenção, o Pai envia o Filho para salvar o mundo.
Esta verdade manifesta o amor do Pai e reafirma a unidade e a missão da Santíssima Trindade.
Veremos como o envio do Filho Unigênito de Deus revela:
a suprema expressão do amor de Deus
a plenitude do tempo para a redenção e
a obra perfeita da Trindade na salvação

PALAVRA CHAVE 
ENVIO

     LIÇÃO 03 O Pai enviou o Filho  


   0 envio do Filho pelo Pai representa o ponto culminante do plano eterno da redenção, elaborado na eternidade e revelado nas Escrituras como expressão máxima do amor de Deus e da unidade da Trindade. Este capítulo destaca que a salvação não é fruto de um evento circunstancial, mas resultado do desígnio soberano do Pai, da obediência sacrificial do Filho Unigênito de Deus e da aplicação eficaz do Espírito. Ao contemplarmos essa verdade, ratifica-se que o envio do Filho revela a suprema expressão do amor divino para com os pecadores mortos em delitos; a exatidão do cumprimento da encarnação do Fi lho na plenitude dos tempos; e a perfeita cooperação da Santíssima Trindade na história da salvação projetada de forma harmoniosa, des de antes da criação do mundo e de tudo que nele existe.

  1 - O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI

  1. O Amor Incondicional do Pai
  O envio de Jesus Cristo constitui a mais elevada e gloriosa expressão do amor divino por um mundo perdido (Jo 3.16). O termo grego nesse versículo é egápêsen, forma conjugada do aoristo, que significa “ele amou”. Indica o ato histórico e consumado do amor de Deus expresso no envio do Filho. Traduz o amor sacrificial e incondicional. Trata-se de um amor não motivado por mérito humano, mas que procede exclusivamente da iniciativa divina: “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
   Na teologia cristã, essa verdade é essencial: Deus é amor, não apenas em suas ações, mas em sua própria natureza (1 Jo 4.8). O amor do Pai não é reativo, mas ativo; não é circunstancial, mas eterno. Ao se referir a Deus, o amor agápê manifesta “um interesse profundo e constante de um Ser perfeito em prol do bem-estar de criaturas completamente indignas”.1 Essa definição ressalta a imensidão do amor divino: Deus ama apesar de nós, não por causa de nós. Ele amou “o mundo”, expressão que, nas pa lavras de João, inclui a humanidade rebelde, caída, hostil à sua santidade e, em razão desse amor, enviou o seu Filho não para punir, mas para redimir: “porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). Esse amor se reflete na entrega sacrificial de Jesus. Tal entrega voluntária revela a dimensão trinitária do amor divino para com os pecadores. Esse amor não é seletivo, mas universal em sua oferta; não é frágil, mas ab soluto em seu propósito (Ef 2.4-5). O sacrifício de Cristo, portanto, é a epifania desse amor incondicional: o Filho se entrega por amor, e o Espírito Santo, enviado posteriormente, testemunha essa verdade ao coração dos crentes (Rm 5.5). Nesse mistério sublime, contemplamos o agir da Trindade: o Pai amando, o Filho se oferecendo, o Espírito aplicando, três Pessoas em um só propósito: revelar o amor eterno do Deus Triúno.

   2. A Iniciativa Soberana de Deus
   A doutrina da redenção não tem suas raízes no tempo, mas na eternidade. Antes da criação do mundo, antes mesmo da Queda, Deus, em sua soberania absoluta e em perfeita comunhão trinitária, decretou um plano redentor centrado em Cristo. A Escritura revela: “[...] nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.4). Essa eleição graciosa evi dencia que o envio do Filho não foi uma resposta emergencial ao peca do humano, mas parte de um desígnio eterno fundamentado no amor e na presciência de Deus Pai.
   Deus, como Ser infinito, perfeito e imutável, age de maneira prévia e deliberada. Sua decisão de enviar o Filho é um ato do seu eterno conselho, expressão da vontade divina estabelecida na comunhão trinitária. O apóstolo Pedro reforça que a obra de Cristo como Redentor não foi determinada por acontecimentos históricos, mas por um propósito eterno (1 Pe 1.19-20). Como observa Grudem, “a redenção em Cristo é parte do plano eterno de Deus e revela a sua soberania absoluta e a sua graça imerecida”.2

   Assim, em sua soberania e em seu imensurável amor, Deus tomou a iniciativa de enviar o Salvador, cumprindo seu eterno propósito de redenção (Ef 1.9). Essa iniciativa é a expressão suprema do amor divino. Joào escreve: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10). Esse versículo declara que amor que motiva o emio do Filho é totalmente livre e incondicional (1 Jo 4.8). Tal amor encontra sua expressão histórica e redentora na encarnação e no sacrifício de Jesus Cristo. A palavra propiciação utilizada por João implica o desvio da ira justa de Deus por meio de um sacrifício substitutivo e perfeito. Conforme destaca a Declaração de Fé, essa ação apazigua a ira divina e satisfaz a santidade e a justiça de Deus — resultando no perdão dos pecados.3 Cristo, sendo plenamente Deus e plenamente homem, é o único capaz de oferecer essa propiciação eficaz. 

  Ele foi enviado não apenas como exemplo moral, mas como o Cordeiro de Deus Jo 1.29). A salvação não é fruto da iniciativa humana, mas da graça soberana de Deus: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8). Essa verda de deve produzir profunda adoração e confiança na fidelidade de Deus, que age por amor e segundo o beneplácito da sua vontade (Ef 1.5). 

 3. O Envio do Filho e a Trindade 
  O envio do Filho pelo Pai constitui uma das mais sublimes manifestações da unidade entre as Pessoas da Trindade. A Escritura de clara: "Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” Jo 3.17). Esse envio não é um ato isolado; antes, enfatizamos, faz parte de um desígnio eterno em que o Pai toma a iniciativa, o Filho cumpre a missão redentora, e o Espírito Santo efetua a salvação no coração humano.

   João aprofunda essa verdade ao afirmar que “Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” (1 Jo 4.9). Aqui vemos que a Trindade está envolvida de forma cooperativa no ato reden tor. Não se. trata de três deuses distintos com ações desconexas, mas de um único Deus em três Pessoas coeternas e consubstanciais, agindo com perfeita unidade de propósito. O Pai é o autor da salvação, o Filho é o agente redentor, e o Espírito é o aplicador dessa obra nos eleitos. 

  Destaca-se que o envio do Filho não implica inferioridade de natureza ou essência. Ao contrário, conforme Jesus declara: “Eu e o Pai somos um” Jo 10.30). Isso significa que, embora haja distinção pessoal entre o Pai e o Filho, há plena unidade de essência na Divindade. Segundo Campos, “Não há diferença essencial alguma entre o Pai e o Filho”.4 Essa distinção é evidenciada no plano da redenção, em que o Pai envia, e o Filho é enviado, mas ambos compartilham da mesma vontade e glória eterna. 

  Além disso, o Espírito Santo está plenamente ativo nesse plano trinitário. Paulo ensina que o Pai nos elegeu e nos predestinou “para filhos de adoção por Jesus Cristo”, e essa salvação é confirmada pelo Espírito Santo (Ef 1.4-5). É o Espírito quem convence do pecado Jo 16.8), regenera o pecador (Tt 3.5), sela os redimidos (Ef 1.13) e os guia em santificação (2 Ts 2.13). Sua atuação é inseparável da obra do Filho, pois Ele foi enviado para testificar e glorificar a Cristo Jo 15.26; 16.14). 
  
  Conforme a Teologia Sistemática Pentecostal, “cada uma das Pessoas da Trindade é autora do novo nascimento: o Pai Jo 1.13), o Filho (1 Jo 2.29) e o Espírito Santo Jo 3.5,6)”.5 Cada Pessoa divina age em perfeita unidade e com propósito comum: reconciliar o pecador com Deus e restaurá-lo à comunhão eterna com seu Criador. O envio do Filho é, portanto, a expressão máxima do amor triúno, que resplandece em toda a história da salvação (Ef 1.3-14).  

    II - O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS 
   1. A Preparação Histórica e Religiosa 
 
   Reitera-se que, o envio de Jesus Cristo, não foi um evento alea tório, mas o cumprimento preciso de um desígnio estabelecido pela Trindade, e, realizado “na plenitude dos tempos” (G1 4.4). A expressão “plenitude dos tempos” comunica que Deus Pai, em perfeita harmonia com o Filho e o Espírito, determinou soberanamente o momento exato para a encarnação do Verbo (Rm 5.6). 

  Nesse aspecto, o Comentário Bíblico do Novo Testamento — Aplicação Pessoal enfatiza que “guiados por um Deus soberano, os eventos históricos trabalharam em harmonia em preparação para o momento pré-definido da chegada de Jesus à terra”.6 Assim, a cultura e a religião foram providencialmente coordenadas pelo Deus Triúno. O Império Romano, com suas estradas rápidas e seguras, facilitou a propagação do Evangelho. A língua grega, difundida pelo helenismo, permitiu uma comunicação clara da mensagem salvífica. O grego koiné, com o qual o Novo Testamento foi escrito, era compreendido em todo o Império. 
 
   O ambiente judaico da Palestina do primeiro século, embora espiritualmente deteriorado por práticas legalistas e por uma tradição farisaica excessivamente ritualista, ainda preservava um núcleo de esperança escatológica centrada na vinda do Messias prometido. Mesmo em meio à formalidade religiosa e à rigidez das interpretações da Torá, havia co rações sinceros que aguardavam com expectativa o cumprimento das promessas messiânicas (Lc 2.25; 37-38).

    Nesse processo cuidadosamente conduzido pela providência divina, destaca-se o princípio bíblico de que Deus é Senhor da história e soberanamente dirige os acontecimentos humanos (At 17.26). Conforme descreve Ferguson: “Deus tem um plano para a história do universo e, em sua execução, governa e controla todas as realidades criadas por ele. Sem violar a natureza das coisas e a livre ação  humana”.7 Portanto, a preparação do ambiente para a encarnação de Cristo é uma clara demonstração do governo soberano de Deus sobre os movimentos da humanidade. 

  2. O Filho Nascido sob a Lei

   A encarnação do Verbo é fundamental para a redenção. Paulo afirma que o Filho de Deus é “nascido de mulher, nascido sob a lei” (G1 4.4b). A frase “nascido de mulher” destaca a plena humanidade de Cristo (Hb 2.14). O mistério da encarnação é revelado no cumprimento profético: “eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14; Mt 1.23). A Escritura diz que Ele “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7). 

  Ao nascer “sob a lei”, Jesus sujeitou-se voluntariamente ao regime legal do Antigo Testamento (Mt 5.17). Cristo viveu em perfeita obediência, sem jamais transgredir qualquer mandamento: “o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pe 2.22). Essa vida sem pecado qualifica Jesus para ser o Cordeiro perfeito: “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (FIb 7.26). Sua obediência ativa e passiva é essencial para a expiação dos pecadores. 

  Dessa forma, reitera-se que Cristo não se fez homem apenas em aparência, mas tornou-se verdadeiramente humano. Essa realidade aponta para a plena identificação de Cristo com a condição humana, sem, contudo, participar da natureza pecaminosa (Hb 4.15). O propósito final visava à redenção dos pecadores. Ele assumiu a carne hu mana não apenas para se solidarizar com os homens, mas para ser o substituto perfeito em lugar dos pecadores (Rm 5.18-19). A redenção exigia um Mediador que fosse plenamente Deus e plenamente homem (1 Tm 2.5-6; Hb 2.17). 

  Como homem, Ele submeteu-se às ordenanças da Antiga Aliança. Cumpriu todos os preceitos legais que os homens jamais conseguiram obedecer (Mt 5.17). Assim, Ele se qualificou como o único homem sem culpa, apto a oferecer-se como sacrifício substituto por aqueles que estavam condenados pela mesma Lei (Rm 8.3-4). 3. A Adoção de Filhos Como já observado, o propósito da encarnação do Filho é claramente revelado: “para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (G1 4.5). Conforme as Escrituras, Jesus é o único Filho de Deus por natureza (Jo 1.18). Entretanto, os que creem nEle, ainda que por adoção, também se tornam filhos: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” Jo 1.12). 

  Paulo ratifica que Deus “nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo” (Ef 1.5). E enfatiza que foi do querer do Pai predes tinar os eleitos a serem adotados, isto é, foi “segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1,5b). A adoção era um conceito mais difundido no mundo greco-romano do que entre os judeus, e indicava plenos direitos, inclusive de herança. Assim, os crentes são feitos coerdeiros com Cristo (Rm 8.17). 

   Enfatizamos que a adoção civil era um ato voluntário que abrangia os privilégios da herança e obediência ao pai adotivo, por exemplo, “quando uma criança era adotada, o pai natural perdia toda a autoridade sobre ela, enquanto o pai adotivo adquiria controle total sobre o seu novo filho”.8 No sentido espiritual, Paulo faz analogia ao filho adotado (cristão), que, sob a autoridade do pai adotivo (Deus Pai), recebe o direito de pertencer à família de Deus, bem como as “riquezas da glória da sua herança” (Ef 1.18).9 

   A evidência dessa filiação espiritual é o clamor íntimo do qual o crente desfruta ao rogar ao Pai: “e, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (G1 4.6). A palavra aramaica “Aba” revela intimidade, confiança e reverência, sendo a mesma usada por Jesus na oração do Getsêmani (Mc 14.36). É o Espírito quem testemunha que agora o salvo é um filho de Deus (Rm 8.16), consolidando a ação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito na concessão da salvação.

  III - A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO 
  1. A Vontade do Pai Realizada pelo Filho 

  A obra redentora de Cristo insere-se de forma harmoniosa no plano eterno da Trindade. Reiteramos que a salvação da humanidade não foi uma reação tardia à Queda, mas o desdobramento de um propósito eterno elaborado antes da fundação do mundo (Ef 1.4). Por conseguinte, a missão de Jesus é, antes de tudo, a execução da vontade eterna do Pai. Ele mesmo declara: “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38). 

   Cristo revela que sua missão transcende qualquer interesse próprio. A vontade soberana do Pai é executada perfeitamente pelo Filho: “o Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agra da” Jo 8.29). Esse versículo confirma que a obediência é plena e amo rosa, expressando unidade entre Pai e Filho. No entanto, a obediência de Cristo não significa inferioridade. Essa submissão não diminui sua eternidade ou divindade, mas revela um relacionamento funcional dentro da Trindade. 

  Outrossim, a vontade soberana do Pai, executada pelo Filho, é preservar os que lhe foram entregues e garantir sua ressurreição final, para “que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” Jo 6.39). Essa declaração reforça o caráter intencional da obra salvífica, mostrando que Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, segundo a sua presciência, e o Filho veio para garantir a consumação desse plano (Ef 1.4; 2 Ts 2.13; 1 Pe 1.2). 

  A submissão de Cristo culmina no Calvário: “sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.8). Por meio dessa obediência, a justiça de Deus é plenamente satisfeita (Rm 3.24-25). Assim, a humilhação de Cristo se dá em três níveis: encarnação — o Verbo eterno assumindo forma humana Jo 1.14); obediência extrema — cumprindo a vontade do Pai durante todo o ministério terreno (Mt 26.39); e morte vicária — mor rendo em lugar dos pecadores (Is 53.5).
   
    Em vista disso, a cruz não foi apenas um gesto de amor, mas um ato de justiça. Por meio da morte de Cristo, a justiça de Deus foi satisfeita e a redenção se tornou eficaz (Rm 3.24-25). Cristo é o sacrifício expiatório que desvia a ira de Deus para si, cumprindo o plano eterno de salvação. Em Jesus vemos a expressão sublime da obediência do Filho ao cumprir o propósito eterno do Pai. Essa obra não é individual, mas fruto da coo peração da Santíssima Trindade.

   2. A Mediação Exclusiva do Filho 

  Destaca-se que a salvação é cristocêntrica. Jesus é o único caminho de acesso ao Pai: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” Jo 14.6). Esse texto elimina qualquer possibilidade de múltiplas vias para a salvação. Cristo não apenas mostra o caminho; Ele é o caminho. A expressão “ninguém vem ao Pai” reforça a exclusividade de Cristo para a reconciliação entre Deus e os homens. Logo, não existe outro acesso ao Pai senão por meio do Filho, pois so mente Ele tem a capacidade de revelar plenamente o Pai Jo 1.18). 

  A eficácia da mediação de Cristo reside em sua dupla natureza. Somente o Filho eterno, sendo plenamente Deus e plenamente homem, pode mediar eficazmente entre o Deus santo e a humanidade pecadora. Como homem, Ele representa a humanidade caída; como Deus, Ele tem o poder de salvar. Significa que, unicamente o Filho pode reconciliar o homem com Deus. Essa verdade reflete a centralidade de Cristo no plano da salvação e a absoluta suficiência de sua obra redentora. Essa mediação é final e suficiente: "Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Tm 2.5). 

   Em vista disso, a exclusividade da mediação de Cristo é inegociável. Não há múltiplos mediadores ou intercessores salvíficos entre Deus e o ser humano. Essa verdade refuta qualquer prática religiosa que acrescente intermediários à obra redentora de Cristo, tais como a mediação de santos, anjos ou líderes humanos. Acrescentar outros mediadores é uma afronta à suficiência da obra de Cristo. Essa mediação única também significa que a salvação não pode ser obtida por méritos humanos. Ela é concedida exclusivamente pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo (Ef 2.8-9)

   A exclusividade da mediação de Cristo está profundamente enrai zada na estrutura trinitária. O Pai enviou o Filho (Jo 3.16), e o Espírito Santo testifica do Filho (Jo 15.26). Assim, o caminho para o Pai passa ne cessariamente pela aceitação do Filho. Essa verdade deve gerar nos cren tes profunda gratidão, adoração e compromisso com o evangelho puro e verdadeiro. A confiança plena na obra suficiente de Cristo deve levar todo cristão a proclamar que “em nenhum outro há salvação” (At 4.12).

   3. A Aplicação da Salvação pelo Espírito 

   A obra redentora de Cristo é uma realidade presente e continua, aplicada eficazmente pelo Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho (Jo 14.26). O Espírito atua de maneira ativa na regeneração, santifica ção e preservação dos crentes (Jo 14.16-17; Tt 3.5). Reiteramos que o Espírito Santo convence o mundo “do pecado, e da justiça, e do juízo (Jo 16.8). O Espírito ilumina o entendimento para crer na verdade (Jo 14.26; 2 Co 4.6). O Espírito age em cooperação plena com o Pai e o Filho (Jo 16.13-14). 

  Assim sendo, o Espírito Santo atua como o agente divino desde a experiência pessoal da conversão até a glorificação final do crente. Dentre as dimensões mais consoladoras da obra do Espírito Santo está a perseverança dos santos. Paulo escreve: Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo” (Fp 1.6). Revela a ação contínua do Espírito Santo na vida do crente, garantindo que a salvação iniciada seja levada a bom termo. O Espírito não apenas inicia a regeneração, mas também sustenta e fortalece o crente na jornada espiritual. 

  Horton leciona que a perseverança não é fruto da força humana, mas resultado da obra constante do Espírito: “o Espírito Santo é o penhor que garante nossa futura herança em Cristo , fortalecendo o crente para resistir à tentação do pecado e perseverar na fé. O após tolo Paulo, esclarece que a garantia da salvação não é apenas uma pro messa futura, mas uma experiência presente, sustentada pela presença interior do Espírito (Ef 1.13-14). Outro aspecto fundamental na aplicação da salvação é o papel do Espírito Santo em testificar e glorificar o Filho (Jo 15.26; 16.13-14). 

   A missão do Espírito, portanto, é a de revelar Cristo ao coração humano, conduzindo os pecadores ao arrependimento e os crentes ao crescimento espiritual. O Espírito atua como o principal intérprete da revelação cristológica. Assim, toda verdadeira obra do Espírito resultará em exaltação de Cristo. Dessa forma, a missão do Espírito é intrinsecamente trinitária, refletindo a perfeita harmonia entre as três Pessoas divinas. Essa unidade significa que o crente deve viver em constante de pendência do Espírito, reconhecendo que a salvação é uma experiência contínua, operada com poder pelo Espírito (Rm 8.14). 

  CONCLUSÃO 

   O envio do Filho pelo Pai revela o amor eterno e soberano de Deus e destaca a perfeita unidade da Trindade na obra da salvação. Deus não apenas amou o mundo, mas agiu em favor dele, enviando Jesus no tempo certo, para redimir os pecadores. O Filho, em obediência plena, realizou a redenção; e o Espírito Santo, em sua atuação eficaz, aplica a salvação no coração dos crentes. Conhecer essa verdade fortalece nossa fé e nos convida a adorar com gratidão o Deus Triúno que nos salvou.
  
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