domingo, 22 de setembro de 2024

CPAD - As Promessas de Deus | Lição 01: As Promessas de Deus

 


TEXTO ÁUREO

“E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la.” (Jr 1.12)

VERDADE PRÁTICA

Deus faz suas promessas para que experimentamos um relacionamento mais próximo com Ele.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Isaías 55.6-13

6 – Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto

7 – Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é perdoar.

8 – Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor.

9 – Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.

10 – Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come,

11 – assim será a palavra que sair da minha boca ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei.

12 – Porque, com alegria, saireis e, em paz, sereis guiados; os montes e os outeiros exclamação de prazer perante a vosso face, e todas as árvores do campo baterão palmas.

13 – Em lugar do espinheiro, crescerá a Faia, e, em lugar da sarça, crescerá a murta; Isso será para o Senhor por nome, por sinal eterno, que nunca se apagará.

PLANO DE AULA

1- INTRODUÇÃO

Neste trimestre, estudaremos a respeito das promessas de Deus direcionadas ao seu povo ao longo da história. Nesta primeira lição, definiremos o que são as promessas de Deus e como elas estão fundamentadas. Além disso, identificamos os tipos e propósitos das promessas. Para discorrer sobre o assunto, o comentarista deste trimestre é o Pastor Elinaldo Renovato, Mestre em Administração pela UFRN e em Ciências da Religião pela FAETEL. O pastor Elinaldo Renovato é autor de diversos livros, entre eles, Ética Cristã, Aprendendo Diariamente com Cristo, Os Perigos da Pós-Modernidade e Deus e a Bíblia, todos editados pela CPAD.

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição:

I) Definir a promessa divina como um convite especial da parte de Deus ao seu povo para desfrutar de uma grande bênção;

II) Apresentar os fundamentos das promessas divinas e a infalibilidade de Deus no tocante ao cumprimento das promessas;

III) Elencar os tipos e propósitos das promessas divinas ao longo da Bíblia.

B) Motivação: As promessas divinas cumprem os desígnios de Deus para o seu povo. Experimentar suas promessas requer o estreitamento do nosso relacionamento com Ele. É importante ter em mente que é preciso nutrir um relacionamento sincero e leal para com o Deus que faz promessas. Nesse sentido, pense de que forma o crente pode contribuir para o cumprimento das promessas divinas em sua vida.

C) Sugestão de Método: O segundo tópico desta lição destaca a infalibilidade de Deus no tocante ao cumprimento de suas promessas. Na Bíblia, encontramos diversas promessas divinas que se cumpriram. Outras, não se cumpriram por motivos específicos. Reflita com seus alunos: há promessas de Deus que não se cumprem na vida do crente? Questione à classe o “porquê”. Ao final, enfatiza que as promessas de Deus revelam a vontade dEle para o seu povo. Todavia, essas promessas precisam coaduna com a obediência do crente às orientações divinas. Cite alguns exemplos: Abraão, no tocante ao nascimento de seu filho Isaque (Gn 21.1-5); Moisés, a respeito da entrada na Terra Prometida (Dt 21-29).

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Receber promessas divinas para nossas vidas é saber que Deus tem pensamentos de paz e não de mal a nosso respeito. Vivenciá-las é desfrutar não apenas de bênçãos especiais, mas, também, aproximar-se de Deus de um modo especial, tendo em mente que a nossa comunhão com Ele é mais importante até mesmo do que viver as suas promessas.

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à lições Bíblicas Adultos. Na edição 99, p. 36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Você encontrará áudios para a preparação de sua aula:

1) O texto “COMO O SENHOR TINHA DITO (Gn 12.1-9)”, localizado depois do primeiro tópico, explica que a nossa fé é acionada pelas promessas de Deus;

2) O texto “PROMESSA”, localizado após o segundo tópico, denota o compromisso de Deus em fazer acontecer o que prometeu.

INTRODUÇÃO

As promessas divinas têm como objetivo atender aos desígnios de Deus. Para se concretizarem, elas dependem da fé plena nEle e em sua Palavra. Por isso, ao longo deste trimestre, estudaremos a respeito das Promessas de Deus e seus desdobramentos em nossa vida cristã. E, especificamente, nesta lição, desenvolvemos o assunto com o objetivo de conhecer os conceitos básicos, tipos e propósitos das promessas de Deus, segundo a Sua Palavra.

AUXÍLIO TEOLÓGICO

COMO O SENHOR TINHA DITO (GN 12.1-9).

“Alguns comentaristas sugeriram que as promessas de Deus a Abrão eram promessas condicionais. Eles dizem que a condição era a obediência à ordem de Deus de deixar a cidade de Ur. Afinal, se Abrão não tivesse partido, nenhuma das coisas que Deus prometeu poderia ter se concretizado. Essa opinião distorce tanto o texto bíblico quanto uma verdade vital a respeito de promessas. As promessas de Deus não se ativam por nossa obediência. Pelo contrário, é a nossa obediência que se ativa pelas promessas de Deus. […] O que acontece é que a fé estabelece um relacionamento com Deus, a fonte suprema de energia. A fé conserva este relacionamento. É uma confiança ativa em Deus e nas suas promessas que nos f.az obedecer. Nós a vemos claramente na vida de Abrão. Por crer nas promessas de Deus, deixou Ur e a sua riqueza para viver uma vida nômade em uma nova terra. A promessa de Deus ativou a obediência de Abrão. A sua obediência não ativou as promessas. […] Foi a promessa, e a fé na promessa, que libertou Abrão, não somente para obedecer a Deus, mas também para se tornar o tipo de pessoa que todos admiramos, altruísta, leal, corajosa, humilde e sincera” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD,2012, p. 22).

AUXÍLIO TEOLÓGICO

PROMESSA
“Embora se refira ocasionalmente à palavra do homem, o uso característico da palavra ‘promessa’ nas Escrituras relaciona-se com o que Deus declara que fará acontecer. Embora possamos inferir que as promessas feitas entre o Pai e o Filho antes da criação, a primeira grande promessa de Deus aos homens está em Gênesis 3.15 e inaugura uma sucessão, que em uma crescente clareza de detalhes desde seu anúncio, fala sobre a vinda do Messias Salvador. Uma grande variedade de promessas está mais ou menos ligada, de uma forma direta, a essa grande promessa central, inclusive a nova aliança (Jr 31.31-34), o derramamento do Espírito (Jl 2.28ss.), a restauração de Israel (Dt 30.1-5) e, finalmente, o novo céu e a nova terra (Is 65.17; 66.22). Paulo demonstra que a ‘promessa de Deus’ tem a qualidade de uma aliança, porque cada palavra de Deus é segura e certa, livre de legalismo e da dependência do esforço do homem (por exemplo, Rm 4.13-16; Gl 3.16-18; cf. Hb 11.40). O termo evangelho, portanto, designa o bondoso compromisso de Deus, expresso especialmente a Abraão, de realizar de forma completa sua obra de redenção através do Messias, em quem ‘todas quantas promessas há de Deus são nele sim; e por ele o Amém’ (2 Co 1.20)” (PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 1611).

CONCLUSÃO

Deus é soberano e zela pela sua Palavra. Aprendemos que promessa é um compromisso de Deus a respeito de algo com alguém. Há promessas condicionais e incondicionais. Vimos também que diferentes propósitos podem estar por trás do cumprimento de suas promessas, mas um dos mais relevantes é estreitar o nosso relacionamento com o Deus Todo-Poderoso e saber que Ele se relaciona conosco, seres humanos tão limitados. Que Deus nos ensine a confiar nEle e a aguardar o cumprimento de suas preciosas promessas!

  CPAD – TEMA: AS PROMESSAS DE DEUS – Confie e Viva as Bênçãos do Senhor porque Fiel é o que

| Lição 01: As Promessas de Deus


 

      AGRADECIMENTOS

  E m primeiro lugar, agradeço a Deus por mais uma oportunidade de escrever mais um livro e ser útil à sua Igreja. A Ele toda a glória.

 Agradeço a meus pais, José Martins de Lima e Milza Renovato de Lima (in memoriam), que me encaminharam na fé em Cristo Jesus. A minha esposa, Iris (in memoriam), que sempre esteve ao meu lado, ajudando meu ministério.

  A meus filhos: Ilana, o seu esposo Kennedy e as suas filhas, Liana Rebeca e Ana Beatrice (minhas netas); a llene e Jónatas (meu neto); a Eliéber e à sua esposa Talita, que fez a revisão dos originais do presente trabalho com muita competência; a seus filhos, Tâmisa, Eliéber Filipe e Tâmara (meus netos); a Raquel, minha filha mais nova, e meu netinho Benjamin. Agradeço-lhes pelo incentivo que me dão com as suas vidas nos caminhos do Senhor, dando-me a alegria de dizer "eu e minha casa servimos ao Senhor".

  A Assembleia de Deus em Parnamirim, a quem servi por 25 anos; e a meus irmãos e amigos, que oram por mim e pelo meu ministério, estimulando-me a trabalhar em prol do Reino de Deus.

   À CPAD, na pessoa do Dr. Ronaldo Rodrigues, o seu ilustre diretor, que tem valorizado o autor nacional; à sua diretoria, formada de homens que colaboram para a melhoria da educação cristă, e a todos os que fazem nossa Casa Publicadora.

   Aos queridos irmãos, leitores, pelo Brasil afora, que têm prestigiado nosso trabalho literário. Que este livro seja mais uma bênção para edificação das suas vidas. A Deus, toda a glória!

  Pastor Elinaldo Renovato de Lima

  Parnamirim, 18 de maio de 2022

PREFACIO

  É sempre muito satisfatório para nós, alunos da Escola Bíblica Dominical, estudarmos as lições comentadas pelo ilustre Pr. Elinaldo Renovato.

 É dispensável falar do autor, pois conhecemos a sua capacidade e habilidade para discorrer, biblicamente fundamentado, as matérias a ele confiadas.

  A lição deste trimestre trata das promessas de Deus no sentido de beneficiar o ser humano.

  O autor aborda com detalhes, explorando a real importância das promessas de Deus.

  O autor inicia mostrando que as promessas vindas do Senhor, nosso Deus, são feitas sem arrependimento, produzindo paz, prosperidade e com propósitos especiais para quem as recebe. É o que podemos entender lendo os versículos de 1 a 3 de Gênesis 12, citados na lição.

  Nas demais lições, aprenderemos detalhadamente que o Senhor Deus tem autonomia para escolher a quem fazer promessas.

  Temos, portanto, a oportunidade de saber que o Senhor, nosso Deus, tem propósitos especiais para cada um quando lhes são feitas promessas.

  Por meio dos ensinamentos, o autor certamente nos fará entender que as promessas de Deus sempre serão direcionadas, seja para nações, Igreja ou pessoas, e dotadas de milagres nos seus cumprimentos.

  Estou certo de que seremos abençoados neste trimestre, entendendo que cada um pode receber promessas de bençãos da parte do Senhor, nosso Deus.

                                 Pr. José Wellington Costa Junior

 

SUMARIO

 Agradecimentos

 Prefácio

 Capítulo 1-As Promessas de Deus

 Capítulo 2-As Promessas de Deus para Israel

 Capítulo 3-As Promessas de Deus para a Igreja

 Capítulo  4- Promessa e Obediência.

 Capítulo 5-A Promessa de Salvação

 Capítulo 6-A Promessa de Cura Divina

 Capítulo 7-A Promessa de um Coração Novo

 Capítulo 8-A Promessa de Paz

 Capítulo 9- Promessas para Pais e Filhos

 Capítulo 10-A Promessa da Proteção Divina

 Capítulo 11-A Promessa de Provisão

 Capítulo 12-A Promessa de Vida Abundante

 Capítulo 13-As Promessas de Deus São Infalíveis

 Referências Bibliográficas

 

CAPÍTULO 1

AS PROMESSAS DE DEUS

“Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.10,11).

  INTRODUÇÃO

  A Bíblia Sagrada é o livro da revelação de Deus. Ao criar o homem, o Senhor, na sua infinita bondade e compreensão para com ele, desejava comunicar-se com a sua maior criação. Ainda que a humanidade, na sua maioria absoluta, não desejasse aproximar-se de Deus e da sua Palavra, o Senhor permanece desejando transmitir as suas vontades e os seus propósitos a todos os que nEle creem.

  Nessa comunicação especial, Deus revela ao homem as suas promessas divinas, as quais têm por finalidade não só demonstrar a sua vontade e poder, como também mostrar ao homem que o ama e que quer o seu bem em todos os aspectos da vida, especialmente no que concerne ao lado espiritual. Por isso, em muitas das suas mensagens, Deus fez grandes e maravilhosas promessas, em primeiro lugar, ao povo eleito, Israel, a nação escolhida para ser a sua representante humana na face da Terra, e também, por amar o mundo (Jo 3.16), Deus fez promessas maravilhosas para toda a humanidade. As promessas de Deus para Israel tiveram início quando da chamada de Abrão por Deus para que fosse Pai da grande nação israelita.

  As promessas de Deus para Israel tiveram início quando Deus chama a Abrão e faz-lhe promessas. Em Gênesis, lemos: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.1-3). 

  Ao longo do Antigo Testamento, Deus sempre se comunicou com Israel e fez-lhe inúmeras promessas com o propósito de atender ao seu plano especial para com aquele povo, condicionadas à sua obediência. Diz o texto: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha. E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Êx 19.5,6).

   Além das promessas a Israel, Deus também fez promessas extraordinárias para todos os homens por Ele criados. A primeira grande promessa de Deus através de Cristo aos seus discípulos para os que nEle crerem foi de salvação e de poder ex- traordinário, mas de condenação aos que nEle não crerem: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas ser- pentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e impo- rão as mãos sobre os enfermos e os curarão” (Mc 16.15-20).

  Desse modo, podemos entender pela Palavra de Deus que as suas promessas visam atender aos seus desígnios divinos, mas também são condicionadas a vá- rios fatores que devem ser observados por todos a quem se destinam as promessas divinas. Os sinais maravilhosos de Deus para demonstrar o seu poder, prometidos por Cristo, são condicionados à fé plena no seu nome e na sua Palavra. Em primeiro lugar, vemos a fé; depois, há várias condições para que o homem seja beneficiado pelas promessas de Deus. A obediência, o amor, o zelo e, acima de tudo isso, a santidade são condições indispensáveis para que Deus cumpra a sua palavra aos que são alvo das suas promessas.

   I – O QUE SÃO PROMESSAS?

   1. Significado de promessa

  Encontramos vários significados da palavra promessa no dicionário. “1. Ato ou efeito de prometer; prometimento, promissão. 2. Declaração em que se anuncia a outrem ou a si mesmo uma ação futura ou intenção de dar, cumprir, fazer ou dizer algo”.¹

   2. Promessas de homens

  A definição de promessa, no subitem 1, refere-se à promessa no sentido humano. Como se observa, ao longo da vida, as promessas humanas são incertas e questionáveis. O “Ato ou efeito de prometer” nem sempre é respeitado ou honrado. Segundo o caráter de quem promete ou das circunstâncias e o contexto vivenciados pela pessoa que promete algo, a promessa poderá ser cumprida ou não. Normalmente, quando promessas são feitas por homens políticos, com honrosas exceções, elas tornam-se realidade. Quantos ficam decepcionados por terem acreditado em promessas feitas por homens em quem depositaram a sua confiança; quantos se frustraram depois de anos ou meses de casamento ao verem que tudo o que foi prometido na cerimônia, seja no cartório, seja na igreja, não foi cumprido. 

Por isso, está escrito: “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” (Jr 17.5). Aqui, cabe uma orientação. Deus considera “maldito o homem” que confia no homem carnal, “que faz da carne o seu braço”. Não se aplica ao que confia nos pais ou em quem confia nos seus pastores e amigos que não se portam de modo 

carnal.

  “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações” (Jr 17.9,10). Este é o motivo por que as promessas humanas falham: o coração, ou seja, o interior do ser humano, é enganoso, falho e até perverso, como diz a Palavra de Deus. 

  II – AS PROMESSAS E OS SEUS FUNDAMENTOS 

  As promessas de Deus, que foram reveladas na sua santa Palavra, são bem diferentes das promessas dos homens. Nas suas fragilidades espirituais e emocionais, bem como no seu caráter, os homens nem sempre cumprem ou podem cumprir o que prometem. Deus, porém, é infinitamente diferente dos seres humanos, por razões bem evidentes sobre a sua pessoa divina. 

  1. Deus é infalível

  Deus não falha nas suas promessas, porque Ele tem atributos próprios, ou naturais, da sua divindade que ninguém mais pode ter. Ele é onipotente, onisciente e onipresente. São também chamados por Strong (ibidem, p. 370), de Atributos Absolutos ou Imanentes, que “se referem ao ser interior de Deus, envolvidos nas relações de Deus consigo mesmo e pertencentes à sua natureza independentemente de sua conexão com o universo”. Grudem chama esses atributos de “atributos incomunicáveis de Deus (isto é, os atributos que Deus não compartilha ou ‘comunica’ a outros)”.² 

  Deus não falha nas suas promessas, porque Ele não muda: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17). Quando o Senhor promete alguma coisa a uma pessoa, a um povo, ou à sua Igreja, Ele realiza de modo real e inevitável por causa da sua onipotência. Ele disse pelo profeta Isaías: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13). Nessa pergunta, o Senhor usa a sua dialética para comunicar-se com os seus servos e com a humanidade. Ele quis dizer de outra forma: “Quando eu quero operar, ninguém pode impedir”! 

  2. A Palavra de Deus não falha 

  Ao despedir-se do povo de Israel, Josué disse: “E eis aqui eu vou, hoje, pelo caminho de toda a terra; e vós bem sabeis, com todo o vosso coração e com toda a vossa alma que nem uma só palavra caiu de todas as boas palavras que falou de vós o Senhor, vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem delas caiu uma só palavra” (Js 23.14). 

  O Senhor falou ao profeta Isaías sobre a infalibilidade da sua santa Palavra com uma argumentação incontestável: “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e pros- perará naquilo para que a enviei” (Is 55.10,11).

   Na inauguração do Templo, em Jerusalém, o rei Salomão fez uma eloquente ora- ção ao Senhor, em gratidão por ter-lhe concedido assumir o lugar do seu pai no reino, conforme o Senhor prometera. Na sua oração, ele assim se expressou: “E pôs-se em pé, e abençoou a toda a congregação de Israel em alta voz, dizendo: Bendito seja o Senhor, que deu repouso ao seu povo de Israel, segundo tudo o que disse; nem uma só palavra caiu de todas as suas boas palavras que falou pelo ministério de Moisés, seu servo” (1 Rs 8.55,56).  

 3. Deus zela pela sua palavra 

 Na sua fidelidade, o Senhor garante o cumprimento das constantes promessas da sua Palavra. A Jeremias, o profeta, Ele fez uma declaração solene sobre como cumpre a sua palavra. “Ainda veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o Senhor: Viste bem; por que eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.11,12); ou seja, Deus cuida, zela e vigia sobre o que diz, sobre as suas promessas, para cumpri- las.

   III – TIPOS E PROPÓSITOS DAS PROMESSAS DE DEUS

   1. Promessas incondicionais

  São promessas definidas por Deus que independem de circunstâncias, de tempo ou de respostas daqueles a quem elas são destinadas. Alguns exemplos desse tipo de promessas são encontrados na Bíblia: a promessa do nascimento de Jesus, nascido de uma virgem (Is 9.6), 740 anos a.C.; o local do nascimento de Jesus, em Belém da Judeia, predito 710 anos a.C. (Mq 5.2); que Jesus seria chamado Emanuel, “Deus conosco”, 760 anos a.C. (Is 7.14); a matança dos bebês de Belém pelo rei Herodes, após este ser enganado pelos magos, 740 anos a.C. (Mt 2.16); a volta de Israel a sua terra, com a sua restauração nacional “num só dia” (maio de 1948), 698 anos a.C. (Is 66.8). Todas são profecias constatadas pela História.

  Há, no entanto, profecias que ainda não se cumpriram, mas que certamente se cumprirão, creiam ou não os ímpios, queiram ou não os poderosos da Terra, por- que Deus vela pela sua palavra para cumpri-la, assim como Ele disse a Jeremias (Jr 1.12), e ninguém o impedirá (Is 43.13b). Exemplos dessa categoria são: a promessa da ressurreição dos salvos em Cristo e a transformação dos vivos no arrebatamento da Igreja (1 Ts 4.13-17); o juízo implacável de Deus sobre os ímpios e os que “se esquecem de Deus” (Sl 9.17; Jd 14-16); a vinda de Jesus em glória, com todos os seus santos, com a sua Igreja, após o Tribunal de Cristo (2 Co 5.10) e as bodas do Cordeiro (Ap 19.7); e outras profecias de caráter escatológico que have- rão de ser cumpridas, pois Deus é fiel.

  2. Promessas condicionais 

  São promessas de Deus a pessoas, ao seu povo Israel ou à Igreja do Senhor, que dependem de atitudes e comportamentos daqueles a quem Ele refere-se. Há mui- tos exemplos dessa categoria de promessas. Promessas de saúde plena:

 “E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o Senhor, que te sara” (Êx 15.26).

  Em Deuteronômio, Deus fez preciosas promessas ao povo de Israel, condicionadas à sua obediência, dando ouvidos à sua voz: “E será que, se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra” (Dt 28.1). Em seguida, nos versículos 2 a 13, após essa declaração de condicionalidade, o Senhor promete nada menos do que dezesseis bênçãos extraordinárias diante de todas as nações, desde que o seu povo escute e obedeça aos seus mandamentos. “E o Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não debaixo, quando obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e fazer. E não te desviarás de todas as palavras que hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, para andares após outros deuses, para os servires.” (Dt 28.13,14).

  Outro texto de grande importância quanto às promessas de Deus ao seu povo é visto em 1 Crônicas, após a oração de Salomão na inauguração do Templo, 

quando o Senhor disse: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14). Deus prometeu três grandes bênçãos sobre o povo diante do Templo se (condição indispensável) eles atendessem as condições postas para cumprirem: humilhassem-se, e orassem, e buscassem a face do Senhor e convertessem-se dos seus maus caminhos, ou más ações e pecados.

   3. O propósito das promessas de Deus

  Em grande parte das promessas de Deus contidas na Bíblia, frequentemente encontramos propósitos bem definidos em cada uma delas. Para efeito de focalizar o assunto trazendo mais objetividade, mostraremos os propósitos divinos nos pactos ou nas alianças de Deus com homens chamados por Ele ou com o seu povo. Deus criou o homem com os mais elevados propósitos, e Paulo entendeu esse propósito de maneira profunda (ver Ef 1.3-7). 

  O pacto de Deus com Adão 

 O primeiro pacto que o Senhor fez com o homem foi com Adão e Eva, no Éden, também chamado Pacto Edênico ou adâmico. Ali, Deus fez dos dois à sua imagem, conforme a sua semelhança e deu-lhes a vida eterna; domínio sobre a natureza, sobre os animais; abençoou-os, garantindo-lhe paz, segurança, alimento saudável; e deu-lhes a determinação de que deveriam crescer e multiplicar-se na Terra, mas estabeleceu responsabilidade e condições para ser abençoado e protegido por Deus. Adão e Eva, os primeiros seres humanos na Terra, poderiam comer do fruto de todas as árvores do Jardim, exceto da “árvore da ciência do bem e do mal”. Cumprindo essa ordem divina, o propósito de Deus para com o casal era assegurar-lhes a vida eterna, sem velhice, doenças ou morte. Se comessem da árvore proibida (um meio de prova da sua fidelidade), haveriam de morrer. Infelizmente, Adão e Eva desobedeceram a voz de Deus e preferiram ouvir a voz do Diabo. As consequências foram trágicas. Conheceram a primeira doença: doença nervosa, emocional. Adão teve medo quando ouviu a voz de Deus soar no Jardim. Ele per- deu a paz, a saúde perfeita; e pior: perdeu a vida eterna e a comunhão com o Senhor. Em todas as promessas de Deus, sempre há uma contrapartida por parte do homem (Gn 1.27-30; 2.16,17; 3.2-20). 

  O pacto de Deus com Noé

  Em alguns estudos teológicos, esse pacto é chamado de Aliança com Noé, ou “aliança noética”. Após o Dilúvio, Noé teve a missão de Deus de repovoar a Terra. Somente ele e a sua família foram salvos (Gn 7.13) da grande catástrofe mundial após toda a humanidade perecer. Com o fim do Dilúvio, Deus fez um pacto com Noé: “E eu convosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra[...]”. E, como garantia da sua promessa, Deus declarou que iria colocar o seu arco na nuvem do seu pacto com o patriarca (Gn 9.11-17).

  O pacto de Deus com Abrão

  Abrão vivia em Ur, na região dos caldeus, que hoje corresponde ao Iraque. Deus viu nele um homem que cria nEle, chamou-o e fez-lhe uma promessa tão grande que está sendo cumprida ainda hoje (ver Gn 12.1-3). Para que Deus cumprisse a promessa de fazer de Abrão “uma grande nação” e abençoar os que o abençoassem, bem como amaldiçoar os que o amaldiçoassem, Abrão teve que obedecer, deixando a sua parentela e saindo do seio da sua família e da sua terra para um lugar que ele desconhecia. 

 Quando ele atendeu ao chamado direto de Deus, todas as promessas divinas 

foram cumpridas na sua vida e na sua família. Outras promessas foram concedidas a Abrão quando ele obedeceu a voz de Deus: “E te farei frutificar grandissimamente e de ti farei nações, e reis sairão de ti” (Gn 17.6). Como parte da aliança com Abrão, Deus exigiu que todos os seus descendentes do sexo masculino — não só os seus filhos, mas também os servos da sua casa — fossem circuncidados para que sempre tivessem a aprovação do Senhor (Gn 17.10-14,23). Tempos depois, quando Deus chamou a Isaque, declarou que Abraão, o seu pai, obedeceu integralmente a voz dEle: “[...] porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gn 26.5).  

  O pacto de Deus com Isaque 

 Assim como fez com Abraão, Deus também realizou o concerto com o seu filho, Isaque, renovando as promessas que Ele fizera ao seu pai, dizendo: “E apareceu- lhe o Senhor e disse: Não desças ao Egito. Habita na terra que eu te disser; peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e à tua semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai. E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua semente todas estas terras. E em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis [...] e apareceu-lhe o Senhor naquela mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo” (Gn 26.2-5,24). 

  O pacto de Deus com Jacó

  Da mesma forma como fez com Isaque, o Senhor também fez pacto com Jacó e repetiu as promessas feitas ao seu avô e ao seu pai. Quando ele fugia, ameaçado de morte pelo seu irmão, Jacó dormiu no deserto, e Deus não só mostrou o propósito das promessas feitas a Jacó, como também estão implícitas as condições de fé e obediência para que elas sejam cumpridas (ver Gn 28.12-15).

  O pacto de Deus com Moisés 

  O Senhor chamou Moisés para libertar o povo de Israel da escravidão do Egito, e um pacto foi feito. Ele prometeu fazer “[...] maravilhas que nunca foram feitas em toda a terra, nem entre gente alguma; de maneira que todo este povo, em cujo meio tu estás, veja a obra do Senhor; porque coisa terrível é o que faço contigo” (Êx 34.10). E mostrou Deus a Moisés as condições para que o pacto fosse estabelecido; Ele ordenou a Moisés que não fizesse concerto com os povos da terra de Canaã, pois eram terríveis pecadores, idólatras, adoradores de falsos deuses e até ofereciam sacrifícios humanos aos deuses, jogando os seus filhos no fogo. O Senhor mandou derrubar os altares dos ídolos daquela terra e proibiu o casamento entre os filhos de israelitas com cananeus. Ordenou também que celebrassem a Páscoa, além de outros preceitos que deveriam ser cumpridos (ver Êx 33.7–34.26). 

  O pacto de Deus com os israelitas 

  Depois de libertados do Egito, através da liderança de Moisés, Deus falou ao seu povo no Monte Sinai (Horebe). Relembrando o concerto feito com Abraão, Isaque e Jacó, Deus promete ao seu povo escolhido que lhes daria a terra de Canaã. O povo de Israel, porém, deveria guardar as Leis, os mandamentos e os juízos, alertados que, caso desobedecessem, seriam punidos severamente (Êx 6.3-8; 19.4-6; 23.20-25). No pacto com o povo eleito, Deus fez uma promessa condicional à obediência ao Senhor: “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os 

povos [...] vós me sereis reino sacerdotal e nação santa” (Êx 19.5,6). E o povo de Israel aceitou o pacto de Deus e as suas condições (Êx 24.3). 

   CONCLUSÃO

   Em todas as suas promessas, como vimos neste capítulo, Deus exige condições de obediência, de zelo, de cuidado e de fé nas suas palavras. Há promessas de Deus que são incondicionais, e existem as que se cumprem quando os seus destinatários realizam aquilo que é a vontade do Senhor. Também vimos que, quando Deus tem os seus propósitos com alguém, ou com um povo e quando faz as suas promessas elas são infalíveis. Que Deus nos ajude a confiar nEle e a aguardar o cumprimento das suas promessas em nossa vida. 

1 Disponível em: https://dicionario.priberam.org/promessas. Acesso em 10.01.2024. 2 Wayne GRUDEM, Teologia Sistemática, p. 73.

   As Promessas de Deus (Livro de Apoio Adulto): Confie e viva as bênçãos de... Por Elinaldo Renovato de Lima

 



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