TEXTO ÁUREO
“E
disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para
cumpri-la.” (Jr 1.12)
VERDADE PRÁTICA
Deus
faz suas promessas para que experimentamos um relacionamento mais próximo com
Ele.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Isaías 55.6-13
6 – Buscai ao Senhor enquanto se pode
achar, invocai-o enquanto está perto
7 – Deixe o ímpio o seu caminho, e o
homem maligno, os seus pensamentos e se converta ao Senhor, que se compadecerá
dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é perdoar.
8 – Porque os meus pensamentos não
são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o
Senhor.
9 – Porque, assim como os céus são
mais altos do que a terra, são os meus caminhos mais altos do que os vossos
caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.
10 – Porque, assim como descem a
chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem
produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come,
11 – assim será a palavra que sair da
minha boca ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e
prosperará naquilo para que a enviei.
12 – Porque, com alegria, saireis e,
em paz, sereis guiados; os montes e os outeiros exclamação de prazer perante a
vosso face, e todas as árvores do campo baterão palmas.
13 – Em lugar do espinheiro, crescerá
a Faia, e, em lugar da sarça, crescerá a murta; Isso será para o Senhor por
nome, por sinal eterno, que nunca se apagará.
PLANO DE AULA
1- INTRODUÇÃO
Neste
trimestre, estudaremos a respeito das promessas de Deus direcionadas ao seu
povo ao longo da história. Nesta primeira lição, definiremos o que são as
promessas de Deus e como elas estão fundamentadas. Além disso, identificamos os
tipos e propósitos das promessas. Para discorrer sobre o assunto, o comentarista
deste trimestre é o Pastor Elinaldo Renovato, Mestre em Administração pela UFRN
e em Ciências da Religião pela FAETEL. O pastor Elinaldo Renovato é autor de
diversos livros, entre eles, Ética Cristã, Aprendendo Diariamente com Cristo,
Os Perigos da Pós-Modernidade e Deus e a Bíblia, todos editados pela CPAD.
2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição:
I) Definir a promessa divina como um convite especial da
parte de Deus ao seu povo para desfrutar de uma grande bênção;
II) Apresentar os fundamentos das promessas divinas e a
infalibilidade de Deus no tocante ao cumprimento das promessas;
III) Elencar os tipos e propósitos das promessas divinas ao
longo da Bíblia.
B) Motivação:
As promessas divinas cumprem os desígnios de Deus para o seu povo. Experimentar
suas promessas requer o estreitamento do nosso relacionamento com Ele. É
importante ter em mente que é preciso nutrir um relacionamento sincero e leal
para com o Deus que faz promessas. Nesse sentido, pense de que forma o crente
pode contribuir para o cumprimento das promessas divinas em sua vida.
C) Sugestão
de Método: O segundo tópico desta lição destaca a infalibilidade de Deus no
tocante ao cumprimento de suas promessas. Na Bíblia, encontramos diversas
promessas divinas que se cumpriram. Outras, não se cumpriram por motivos
específicos. Reflita com seus alunos: há promessas de Deus que não se cumprem
na vida do crente? Questione à classe o “porquê”. Ao final, enfatiza que as
promessas de Deus revelam a vontade dEle para o seu povo. Todavia, essas promessas
precisam coaduna com a obediência do crente às orientações divinas. Cite alguns
exemplos: Abraão, no tocante ao nascimento de seu filho Isaque (Gn 21.1-5);
Moisés, a respeito da entrada na Terra Prometida (Dt 21-29).
3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação:
Receber promessas divinas para nossas vidas é saber que Deus tem pensamentos de
paz e não de mal a nosso respeito. Vivenciá-las é desfrutar não apenas de
bênçãos especiais, mas, também, aproximar-se de Deus de um modo especial, tendo
em mente que a nossa comunhão com Ele é mais importante até mesmo do que viver
as suas promessas.
4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista
Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens,
artigos, entrevistas e subsídios de apoio à lições Bíblicas Adultos. Na edição
99, p. 36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios
Especiais: Você encontrará áudios para a preparação de sua aula:
1) O texto
“COMO O SENHOR TINHA DITO (Gn 12.1-9)”, localizado depois do primeiro tópico, explica
que a nossa fé é acionada pelas promessas de Deus;
2) O texto
“PROMESSA”, localizado após o segundo tópico, denota o compromisso de Deus em
fazer acontecer o que prometeu.
INTRODUÇÃO
As promessas
divinas têm como objetivo atender aos desígnios de Deus. Para se concretizarem,
elas dependem da fé plena nEle e em sua Palavra. Por isso, ao longo deste
trimestre, estudaremos a respeito das Promessas de Deus e seus desdobramentos
em nossa vida cristã. E, especificamente, nesta lição, desenvolvemos o assunto
com o objetivo de conhecer os conceitos básicos, tipos e propósitos das
promessas de Deus, segundo a Sua Palavra.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
COMO O SENHOR TINHA DITO (GN 12.1-9).
“Alguns
comentaristas sugeriram que as promessas de Deus a Abrão eram promessas
condicionais. Eles dizem que a condição era a obediência à ordem de Deus de
deixar a cidade de Ur. Afinal, se Abrão não tivesse partido, nenhuma das coisas
que Deus prometeu poderia ter se concretizado. Essa opinião distorce tanto o
texto bíblico quanto uma verdade vital a respeito de promessas. As promessas de
Deus não se ativam por nossa obediência. Pelo contrário, é a nossa obediência
que se ativa pelas promessas de Deus. […] O que acontece é que a fé estabelece
um relacionamento com Deus, a fonte suprema de energia. A fé conserva este
relacionamento. É uma confiança ativa em Deus e nas suas promessas que nos f.az
obedecer. Nós a vemos claramente na vida de Abrão. Por crer nas promessas de
Deus, deixou Ur e a sua riqueza para viver uma vida nômade em uma nova terra. A
promessa de Deus ativou a obediência de Abrão. A sua obediência não ativou as
promessas. […] Foi a promessa, e a fé na promessa, que libertou Abrão, não
somente para obedecer a Deus, mas também para se tornar o tipo de pessoa que
todos admiramos, altruísta, leal, corajosa, humilde e sincera” (RICHARDS,
Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD,2012, p. 22).
AUXÍLIO
TEOLÓGICO
PROMESSA
“Embora se
refira ocasionalmente à palavra do homem, o uso característico da palavra
‘promessa’ nas Escrituras relaciona-se com o que Deus declara que fará
acontecer. Embora possamos inferir que as promessas feitas entre o Pai e o
Filho antes da criação, a primeira grande promessa de Deus aos homens está em
Gênesis 3.15 e inaugura uma sucessão, que em uma crescente clareza de detalhes
desde seu anúncio, fala sobre a vinda do Messias Salvador. Uma grande variedade
de promessas está mais ou menos ligada, de uma forma direta, a essa grande
promessa central, inclusive a nova aliança (Jr 31.31-34), o derramamento do
Espírito (Jl 2.28ss.), a restauração de Israel (Dt 30.1-5) e, finalmente, o novo
céu e a nova terra (Is 65.17; 66.22). Paulo demonstra que a ‘promessa de Deus’
tem a qualidade de uma aliança, porque cada palavra de Deus é segura e certa,
livre de legalismo e da dependência do esforço do homem (por exemplo, Rm
4.13-16; Gl 3.16-18; cf. Hb 11.40). O termo evangelho, portanto, designa o
bondoso compromisso de Deus, expresso especialmente a Abraão, de realizar de
forma completa sua obra de redenção através do Messias, em quem ‘todas quantas
promessas há de Deus são nele sim; e por ele o Amém’ (2 Co 1.20)” (PFEIFFER,
Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.
1611).
CONCLUSÃO
Deus é
soberano e zela pela sua Palavra. Aprendemos que promessa é um compromisso de
Deus a respeito de algo com alguém. Há promessas condicionais e incondicionais.
Vimos também que diferentes propósitos podem estar por trás do cumprimento de
suas promessas, mas um dos mais relevantes é estreitar o nosso relacionamento
com o Deus Todo-Poderoso e saber que Ele se relaciona conosco, seres humanos
tão limitados. Que Deus nos ensine a confiar nEle e a aguardar o cumprimento de
suas preciosas promessas!
CPAD – TEMA: AS PROMESSAS DE DEUS – Confie e Viva as
Bênçãos do Senhor porque Fiel é o que
| Lição 01:
As Promessas de Deus
E m primeiro lugar, agradeço a Deus por mais uma oportunidade de
escrever mais um livro e ser útil à sua Igreja. A Ele toda a glória.
Agradeço a meus pais, José
Martins de Lima e Milza Renovato de Lima (in memoriam), que me encaminharam na
fé em Cristo Jesus. A minha esposa, Iris (in memoriam), que sempre esteve ao
meu lado, ajudando meu ministério.
A meus filhos: Ilana, o seu esposo Kennedy e
as suas filhas, Liana Rebeca e Ana Beatrice (minhas netas); a llene e Jónatas
(meu neto); a Eliéber e à sua esposa Talita, que fez a revisão dos originais do
presente trabalho com muita competência; a seus filhos, Tâmisa, Eliéber Filipe
e Tâmara (meus netos); a Raquel, minha filha mais nova, e meu netinho Benjamin.
Agradeço-lhes pelo incentivo que me dão com as suas vidas nos caminhos do Senhor,
dando-me a alegria de dizer "eu e minha casa servimos ao Senhor".
A Assembleia de Deus em
Parnamirim, a quem servi por 25 anos; e a meus irmãos e amigos, que oram por
mim e pelo meu ministério, estimulando-me a trabalhar em prol do Reino de Deus.
À CPAD, na pessoa do Dr. Ronaldo Rodrigues, o
seu ilustre diretor, que tem valorizado o autor nacional; à sua diretoria,
formada de homens que colaboram para a melhoria da educação cristă, e a todos
os que fazem nossa Casa Publicadora.
Aos queridos irmãos, leitores, pelo Brasil
afora, que têm prestigiado nosso trabalho literário. Que este livro seja mais
uma bênção para edificação das suas vidas. A Deus, toda a glória!
Pastor
Elinaldo Renovato de Lima
Parnamirim, 18 de maio de 2022
PREFACIO
É sempre muito satisfatório para nós, alunos
da Escola Bíblica Dominical, estudarmos as lições comentadas pelo ilustre Pr.
Elinaldo Renovato.
É dispensável falar do autor,
pois conhecemos a sua capacidade e habilidade para discorrer, biblicamente
fundamentado, as matérias a ele confiadas.
A lição deste trimestre trata das promessas de
Deus no sentido de beneficiar o ser humano.
O autor aborda com detalhes, explorando a real
importância das promessas de Deus.
O autor inicia mostrando que as promessas
vindas do Senhor, nosso Deus, são feitas sem arrependimento, produzindo paz,
prosperidade e com propósitos especiais para quem as recebe. É o que podemos
entender lendo os versículos de 1 a 3 de Gênesis 12, citados na lição.
Nas demais lições, aprenderemos detalhadamente
que o Senhor Deus tem autonomia para escolher a quem fazer promessas.
Temos, portanto, a oportunidade de saber que o
Senhor, nosso Deus, tem propósitos especiais para cada um quando lhes são
feitas promessas.
Por meio dos ensinamentos, o autor certamente
nos fará entender que as promessas de Deus sempre serão direcionadas, seja para
nações, Igreja ou pessoas, e dotadas de milagres nos seus cumprimentos.
Estou certo de que seremos abençoados neste
trimestre, entendendo que cada um pode receber promessas de bençãos da parte do
Senhor, nosso Deus.
Pr. José Wellington Costa Junior
SUMARIO
Agradecimentos
Prefácio
Capítulo 1-As Promessas de Deus
Capítulo 2-As Promessas de Deus
para Israel
Capítulo 3-As Promessas de Deus
para a Igreja
Capítulo 4- Promessa e Obediência.
Capítulo 5-A Promessa de
Salvação
Capítulo 6-A Promessa de Cura
Divina
Capítulo 7-A Promessa de um
Coração Novo
Capítulo 8-A Promessa de Paz
Capítulo 9- Promessas para Pais
e Filhos
Capítulo 10-A Promessa da
Proteção Divina
Capítulo 11-A Promessa de
Provisão
Capítulo 12-A Promessa de Vida
Abundante
Capítulo 13-As Promessas de Deus
São Infalíveis
Referências Bibliográficas
CAPÍTULO 1
AS PROMESSAS DE DEUS
“Porque, assim como descem a chuva e
a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem
produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim
será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia;
antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei”
(Is 55.10,11).
INTRODUÇÃO
A Bíblia Sagrada é o livro da revelação de Deus. Ao
criar o homem, o Senhor, na sua infinita bondade e compreensão para com
ele, desejava comunicar-se com a sua maior criação. Ainda que a
humanidade, na sua maioria absoluta, não desejasse aproximar-se de Deus e da
sua Palavra, o Senhor permanece desejando transmitir as suas vontades e os
seus propósitos a todos os que nEle creem.
Nessa comunicação especial, Deus revela
ao homem as suas promessas divinas, as quais têm por finalidade não só
demonstrar a sua vontade e poder, como também mostrar ao homem que o ama e que
quer o seu bem em todos os aspectos da vida, especialmente no que concerne
ao lado espiritual. Por isso, em muitas das suas mensagens, Deus fez
grandes e maravilhosas promessas, em primeiro lugar, ao povo eleito,
Israel, a nação escolhida para ser a sua representante humana na face da
Terra, e também, por amar o mundo (Jo 3.16), Deus fez promessas maravilhosas
para toda a humanidade. As promessas de Deus para Israel tiveram início
quando da chamada de Abrão por Deus para que fosse Pai da grande nação
israelita.
As
promessas de Deus para Israel tiveram início quando Deus chama a Abrão e
faz-lhe promessas. Em Gênesis, lemos: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da
tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu
te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e
engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te
abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas
as famílias da terra” (Gn 12.1-3).
Ao longo do Antigo Testamento, Deus sempre se
comunicou com Israel e fez-lhe inúmeras promessas com o propósito de
atender ao seu plano especial para com aquele povo, condicionadas à sua
obediência. Diz o texto: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e
guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar
dentre todos os povos; porque toda a terra é minha. E vós me sereis reino
sacerdotal e povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos
de Israel” (Êx 19.5,6).
Além das promessas a Israel, Deus
também fez promessas extraordinárias para todos os homens por Ele criados.
A primeira grande promessa de Deus através de Cristo aos seus discípulos
para os que nEle crerem foi de salvação e de poder ex- traordinário, mas
de condenação aos que nEle não crerem: “E disse-lhes: Ide por todo o
mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado
será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos
que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas;
pegarão nas ser- pentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes
fará dano algum; e impo- rão as mãos sobre os enfermos e os curarão” (Mc
16.15-20).
Desse modo, podemos entender pela Palavra
de Deus que as suas promessas visam atender aos seus desígnios divinos,
mas também são condicionadas a vá- rios fatores que devem ser observados
por todos a quem se destinam as promessas divinas. Os sinais maravilhosos de
Deus para demonstrar o seu poder, prometidos por Cristo, são condicionados
à fé plena no seu nome e na sua Palavra. Em primeiro lugar, vemos a fé; depois,
há várias condições para que o homem seja beneficiado pelas promessas de
Deus. A obediência, o amor, o zelo e, acima de tudo isso, a santidade são
condições indispensáveis para que Deus cumpra a sua palavra aos que são
alvo das suas promessas.
I – O QUE SÃO PROMESSAS?
1. Significado de promessa
Encontramos vários significados da palavra promessa
no dicionário. “1. Ato ou efeito de prometer; prometimento, promissão. 2.
Declaração em que se anuncia a outrem ou a si mesmo uma ação futura ou
intenção de dar, cumprir, fazer ou dizer algo”.¹
2. Promessas de homens
A definição de promessa, no subitem 1, refere-se à
promessa no sentido humano. Como se observa, ao longo da vida, as
promessas humanas são incertas e questionáveis. O “Ato ou efeito de prometer”
nem sempre é respeitado ou honrado. Segundo o caráter de quem promete ou das
circunstâncias e o contexto vivenciados pela pessoa que promete algo, a
promessa poderá ser cumprida ou não. Normalmente, quando promessas são feitas
por homens políticos, com honrosas exceções, elas tornam-se realidade. Quantos
ficam decepcionados por terem acreditado em promessas feitas por homens em quem
depositaram a sua confiança; quantos se frustraram depois de anos ou meses
de casamento ao verem que tudo o que foi prometido na cerimônia, seja no
cartório, seja na igreja, não foi cumprido.
Por isso, está escrito: “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” (Jr 17.5). Aqui,
cabe uma orientação. Deus considera “maldito o homem” que confia no homem
carnal, “que faz da carne o seu braço”. Não se aplica ao que confia
nos pais ou em quem confia nos seus pastores e amigos que não se portam de
modo
carnal.
“Enganoso é o coração, mais do
que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isso para
dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das
suas ações” (Jr 17.9,10). Este é o motivo por que as promessas humanas
falham: o coração, ou seja, o interior do ser humano, é enganoso, falho e até
perverso, como diz a Palavra de Deus.
II – AS PROMESSAS E OS SEUS
FUNDAMENTOS
As promessas de Deus, que
foram reveladas na sua santa Palavra, são bem diferentes das promessas dos
homens. Nas suas fragilidades espirituais e emocionais, bem como no seu
caráter, os homens nem sempre cumprem ou podem cumprir o que prometem.
Deus, porém, é infinitamente diferente dos seres humanos, por razões bem
evidentes sobre a sua pessoa divina.
1. Deus é infalível
Deus não falha nas suas promessas, porque Ele tem
atributos próprios, ou naturais, da sua divindade que ninguém mais pode ter.
Ele é onipotente, onisciente e onipresente. São também chamados por Strong
(ibidem, p. 370), de Atributos Absolutos ou Imanentes, que “se referem ao
ser interior de Deus, envolvidos nas relações de Deus consigo mesmo e
pertencentes à sua natureza independentemente de sua conexão com o universo”.
Grudem chama esses atributos de “atributos incomunicáveis de Deus (isto é,
os atributos que Deus não
compartilha ou ‘comunica’ a outros)”.²
Deus não falha nas suas promessas, porque Ele
não muda: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do
Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17).
Quando o Senhor promete alguma coisa a uma pessoa, a um povo, ou à sua Igreja,
Ele realiza de modo real e inevitável por causa da sua onipotência. Ele disse
pelo profeta Isaías: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há
que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is
43.13). Nessa pergunta, o Senhor usa a sua dialética para comunicar-se com
os seus servos e com a humanidade. Ele quis dizer de outra forma: “Quando
eu quero operar, ninguém pode impedir”!
2. A Palavra de Deus não falha
Ao despedir-se do povo de Israel, Josué disse: “E
eis aqui eu vou, hoje, pelo caminho de toda a terra; e vós bem sabeis, com todo
o vosso coração e com toda a vossa alma que nem uma só palavra caiu de
todas as boas palavras que falou
de vós o Senhor, vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem delas caiu uma só palavra” (Js
23.14).
O Senhor falou ao profeta Isaías sobre a
infalibilidade da sua santa Palavra com uma argumentação incontestável:
“Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam,
mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador,
e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; ela
não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e pros- perará
naquilo para que a enviei” (Is 55.10,11).
Na inauguração do Templo, em Jerusalém,
o rei Salomão fez uma eloquente ora- ção ao Senhor, em gratidão por
ter-lhe concedido assumir o lugar do seu pai no reino, conforme o Senhor
prometera. Na sua oração, ele assim se expressou: “E pôs-se em pé, e
abençoou a toda a congregação de Israel em alta voz,
dizendo: Bendito seja o Senhor, que deu repouso ao seu povo de Israel, segundo tudo o que disse;
nem uma só palavra caiu de todas as suas boas palavras que falou
pelo ministério de Moisés, seu servo” (1 Rs 8.55,56).
3. Deus zela pela sua palavra
Na sua fidelidade, o Senhor garante o cumprimento
das constantes promessas da sua Palavra. A Jeremias, o profeta, Ele fez
uma declaração solene sobre como cumpre a sua palavra. “Ainda veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o Senhor: Viste bem;
por que eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.11,12); ou
seja, Deus cuida, zela e vigia sobre o que diz, sobre as suas promessas,
para cumpri- las.
III – TIPOS E PROPÓSITOS DAS
PROMESSAS DE DEUS
1. Promessas incondicionais
São promessas definidas por Deus que independem de
circunstâncias, de tempo ou de respostas daqueles a quem elas são
destinadas. Alguns exemplos desse tipo de promessas são encontrados na
Bíblia: a promessa do nascimento de Jesus, nascido de uma virgem (Is 9.6),
740 anos a.C.; o local do nascimento de Jesus, em Belém da Judeia, predito
710 anos a.C. (Mq 5.2); que Jesus seria chamado Emanuel, “Deus conosco”, 760
anos a.C. (Is 7.14); a matança dos bebês de Belém pelo rei Herodes, após
este ser enganado pelos magos, 740 anos a.C. (Mt 2.16); a volta de Israel
a sua terra, com a sua restauração nacional “num só dia” (maio de
1948), 698 anos a.C. (Is 66.8). Todas são profecias constatadas pela
História.
Há, no entanto, profecias que ainda não
se cumpriram, mas que certamente se cumprirão, creiam ou não os ímpios,
queiram ou não os poderosos da Terra, por- que Deus vela pela sua palavra
para cumpri-la, assim como Ele disse a Jeremias (Jr 1.12), e ninguém o
impedirá (Is 43.13b). Exemplos dessa categoria são: a promessa da
ressurreição dos salvos em Cristo e a transformação dos vivos no arrebatamento
da Igreja (1 Ts 4.13-17); o juízo implacável de Deus sobre os ímpios e os que
“se esquecem de Deus” (Sl 9.17; Jd 14-16); a vinda de Jesus em glória,
com todos os seus santos, com a sua Igreja, após o Tribunal de Cristo (2
Co 5.10) e as bodas do Cordeiro (Ap 19.7); e outras profecias de caráter
escatológico que have- rão de ser cumpridas, pois Deus é fiel.
2.
Promessas condicionais
São promessas de Deus a pessoas, ao seu povo Israel
ou à Igreja do Senhor, que dependem de atitudes e comportamentos daqueles
a quem Ele refere-se. Há mui- tos exemplos dessa categoria de promessas.
Promessas de saúde plena:
“E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos,
e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos
os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre
o Egito; porque eu sou o Senhor, que te sara” (Êx 15.26).
Em Deuteronômio, Deus fez preciosas
promessas ao povo de Israel, condicionadas à sua obediência, dando ouvidos à
sua voz: “E será que, se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra” (Dt
28.1). Em seguida, nos versículos 2 a 13, após essa declaração de condicionalidade,
o Senhor promete nada menos do que dezesseis bênçãos extraordinárias diante
de todas as nações, desde que o seu povo escute e obedeça aos
seus mandamentos. “E o Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só
estarás em cima e não debaixo, quando obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que
hoje te ordeno, para os guardar e fazer. E não te desviarás de todas as
palavras que hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, para
andares após outros deuses, para os servires.” (Dt 28.13,14).
Outro texto de grande importância quanto
às promessas de Deus ao seu povo é visto em 1 Crônicas, após a oração de
Salomão na inauguração do Templo,
quando o
Senhor disse: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e
orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então
eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2
Cr 7.14). Deus prometeu três grandes bênçãos sobre o povo diante do Templo
se (condição indispensável) eles atendessem as condições postas para
cumprirem: humilhassem-se, e orassem, e buscassem a face do Senhor e
convertessem-se dos seus maus caminhos, ou más ações e pecados.
3. O propósito das promessas de
Deus
Em grande parte das promessas de Deus contidas na
Bíblia, frequentemente encontramos propósitos bem definidos em cada uma
delas. Para efeito de focalizar o assunto trazendo mais objetividade,
mostraremos os propósitos divinos nos pactos ou nas alianças de Deus com
homens chamados por Ele ou com o seu povo. Deus criou o homem com os mais
elevados propósitos, e Paulo entendeu esse propósito de maneira profunda
(ver Ef 1.3-7).
O pacto de Deus com Adão
O primeiro pacto que o Senhor fez com o homem foi
com Adão e Eva, no Éden, também chamado Pacto Edênico ou adâmico. Ali,
Deus fez dos dois à sua imagem, conforme a sua semelhança e deu-lhes a vida eterna;
domínio sobre a natureza, sobre os animais; abençoou-os, garantindo-lhe paz,
segurança, alimento saudável; e deu-lhes a determinação de que deveriam crescer
e multiplicar-se na Terra, mas estabeleceu responsabilidade e condições
para ser abençoado e protegido por Deus. Adão e Eva, os primeiros seres
humanos na Terra, poderiam comer do fruto de todas as árvores do Jardim,
exceto da “árvore da ciência do bem e do mal”. Cumprindo essa ordem
divina, o propósito de Deus para com o casal era assegurar-lhes a vida eterna,
sem velhice, doenças ou morte. Se comessem da árvore proibida (um meio de prova
da sua fidelidade), haveriam de morrer. Infelizmente, Adão e Eva
desobedeceram a voz de Deus e preferiram ouvir a voz do Diabo.
As consequências foram trágicas. Conheceram a primeira doença: doença
nervosa, emocional. Adão teve medo quando ouviu a voz de Deus soar no
Jardim. Ele per- deu a paz, a saúde perfeita; e pior: perdeu a vida eterna
e a comunhão com o Senhor. Em todas as promessas de Deus, sempre há uma
contrapartida por parte do homem (Gn 1.27-30; 2.16,17; 3.2-20).
O pacto de Deus com Noé
Em alguns estudos teológicos, esse pacto é
chamado de Aliança com Noé, ou “aliança noética”. Após o Dilúvio, Noé teve a
missão de Deus de repovoar a Terra. Somente ele e a sua família foram salvos
(Gn 7.13) da grande catástrofe mundial após toda a humanidade perecer. Com
o fim do Dilúvio, Deus fez um pacto com Noé: “E eu convosco estabeleço o
meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do
dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra[...]”. E, como
garantia da sua promessa, Deus declarou que iria colocar o seu arco na
nuvem do seu pacto com o patriarca (Gn 9.11-17).
O
pacto de Deus com Abrão
Abrão vivia em Ur, na região dos caldeus,
que hoje corresponde ao Iraque. Deus viu nele um homem que cria nEle,
chamou-o e fez-lhe uma promessa tão grande que está sendo cumprida ainda
hoje (ver Gn 12.1-3). Para que Deus cumprisse a promessa de fazer de Abrão
“uma grande nação” e abençoar os que o abençoassem, bem como amaldiçoar os que
o amaldiçoassem, Abrão teve que obedecer, deixando a sua parentela e
saindo do seio da sua família e da sua terra para um lugar que ele
desconhecia.
Quando ele atendeu ao chamado direto de Deus,
todas as promessas divinas
foram
cumpridas na sua vida e na sua família. Outras promessas foram concedidas a Abrão
quando ele obedeceu a voz de Deus: “E te farei frutificar grandissimamente e de
ti farei nações, e reis sairão de ti” (Gn 17.6). Como parte da aliança com
Abrão, Deus exigiu que todos os seus descendentes do sexo masculino — não
só os seus filhos, mas também os servos da sua casa — fossem circuncidados para
que sempre tivessem a aprovação do Senhor (Gn 17.10-14,23). Tempos depois,
quando Deus chamou a Isaque, declarou que Abraão, o seu pai, obedeceu
integralmente a voz dEle: “[...] porquanto Abraão obedeceu à minha voz
e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas
leis” (Gn 26.5).
O pacto de Deus com Isaque
Assim como fez com Abraão, Deus também realizou o
concerto com o seu filho, Isaque, renovando as promessas que Ele fizera ao
seu pai, dizendo: “E apareceu- lhe o Senhor e disse: Não desças ao Egito.
Habita na terra que eu te disser; peregrina nesta terra, e serei contigo e te
abençoarei; porque a ti e à tua semente darei todas estas terras e
confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai.
E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua
semente todas estas terras. E em tua semente serão benditas todas as
nações da terra, porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu
mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis [...] e
apareceu-lhe o Senhor naquela mesma noite e disse: Eu sou o Deus de
Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e
multiplicarei a tua semente por amor de Abraão, meu servo”
(Gn 26.2-5,24).
O pacto de Deus com Jacó
Da mesma forma como fez com Isaque, o Senhor
também fez pacto com Jacó e repetiu as promessas feitas ao seu avô e ao seu
pai. Quando ele fugia, ameaçado de morte pelo seu irmão, Jacó dormiu no
deserto, e Deus não só mostrou o propósito das promessas feitas a Jacó, como
também estão implícitas as condições de fé e obediência para que elas
sejam cumpridas (ver Gn 28.12-15).
O
pacto de Deus com Moisés
O
Senhor chamou Moisés para libertar o povo de Israel da escravidão do Egito,
e um pacto foi feito. Ele prometeu fazer “[...] maravilhas que nunca foram
feitas em toda a terra, nem entre gente alguma; de maneira que todo este
povo, em
cujo meio tu estás, veja a obra do Senhor; porque coisa terrível é o que faço contigo” (Êx
34.10). E mostrou Deus a Moisés as condições para que o pacto fosse estabelecido;
Ele ordenou a Moisés que não fizesse concerto com os povos da terra
de Canaã, pois eram terríveis pecadores, idólatras, adoradores de falsos
deuses e até ofereciam sacrifícios humanos aos deuses, jogando os seus
filhos no fogo. O Senhor mandou derrubar os altares dos ídolos daquela terra e
proibiu o casamento entre os filhos de israelitas com cananeus. Ordenou
também que celebrassem a Páscoa, além de outros preceitos que deveriam ser
cumpridos (ver Êx 33.7–34.26).
O pacto de Deus com os
israelitas
Depois
de libertados do Egito, através da liderança de Moisés, Deus falou ao
seu povo no Monte Sinai (Horebe). Relembrando o concerto feito com Abraão,
Isaque e Jacó, Deus promete ao seu povo escolhido que lhes daria a terra
de Canaã. O povo de Israel, porém, deveria guardar as Leis, os mandamentos
e os juízos, alertados que, caso desobedecessem, seriam punidos severamente (Êx
6.3-8; 19.4-6; 23.20-25). No pacto com o povo eleito, Deus fez uma
promessa condicional à obediência ao Senhor: “Agora, se diligentemente
ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha
propriedade peculiar dentre todos os
povos [...]
vós me sereis reino sacerdotal e nação santa” (Êx 19.5,6). E o povo
de Israel aceitou o pacto de Deus e as suas condições (Êx 24.3).
CONCLUSÃO
Em todas as suas promessas, como vimos neste
capítulo, Deus exige condições de obediência, de zelo, de cuidado e de fé
nas suas palavras. Há promessas de Deus que são incondicionais, e existem
as que se cumprem quando os seus destinatários realizam aquilo que é a vontade
do Senhor. Também vimos que, quando Deus tem os seus propósitos com
alguém, ou com um povo e quando faz as suas promessas elas são infalíveis.
Que Deus nos ajude a confiar nEle e a aguardar o cumprimento das suas
promessas em nossa vida.
1 Disponível em: https://dicionario.priberam.org/promessas. Acesso em 10.01.2024. 2 Wayne GRUDEM, Teologia Sistemática, p. 73.
As
Promessas de Deus (Livro de Apoio Adulto): Confie e viva as bênçãos de... Por
Elinaldo Renovato de Lima

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